Quando se fala em produção de café, uma das fases de maior importância é a pós-colheita. Todo e qualquer cuidado, principalmente em relação ao manejo desse grão, afeta a qualidade final da bebida. Isso pode significar altos lucros ou altos prejuízos, dependendo da forma que foi executado.
Existem duas linhas de pensamento que falam sobre a pós-colheita do café e sua relação com a qualidade:
- A pós-colheita do café melhora a qualidade;
- A pós-colheita mantém a qualidade que o café já possui.
Sem existir uma verdade absoluta, o que sabemos é que a pós-colheita tem um impacto muito importante na qualidade do café, e por isso requer uma maior atenção em suas etapas, pois, erros nesse processo podem comprometer a qualidade deste café, acarretando em prejuízos à bebida, e consequentemente ao preço de venda desse café.
Por isso, devemos ter atenção a vários processos, desde o tempo que o café fica amontoado após a colheita, até as condições e tempo de permanência na tulha de café.
Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em PDF!
Diante disso, preparamos alguns pontos críticos que merecem atenção para quem busca a produção de cafés especiais!

Frutos cereja em terreiro suspenso. Fonte: Larissa Cocato da Silva
Mapeamento dos cafés
Quando se pretende produzir cafés de qualidade, o mapeamento é uma ferramenta importante para a tomada de decisão. Nisso, surgem duas grandezas:
- É necessário que você conheça seus cafés, dessa forma, o monitoramento te ajudará nesta ação;
- É importante que você monte um histórico de qualidade das suas lavouras.
Através desse mapeamento, será feita uma coleta de informações e por meio desses dados a tomada de decisões consegue ser mais assertiva, principalmente nas fases de colheita e de pós-colheita.
Recepção de cafés
Antes de falarmos propriamente sobre a parte da recepção dos cafés, uma etapa que parece simples, porém também pode acarretar problemas, é na amontoa desse café colhido. Não se recomenda que o café fique mais de 6 horas amontoado, pois pode acontecer fermentações indesejáveis nesse café.
Já a recepção, em si, também é uma etapa importante desse sistema. A atenção maior nesse caso é quanto à higienização, pois as moegas precisam estar sempre limpas!
Essa parte é particularmente importante, pois se não estiverem limpas, pode ocorrer contaminação e isso vai refletir na qualidade final do café.
Cafés naturais
Existem vários pontos no manejo do café, e se ele for processado do tipo natural, alguns desses pontos se diferenciam, quando comparados ao cereja descascado.

Café cereja amarelo. Fonte: Larissa Cocato

Estádios de maturação do fruto vermelho. Fonte: Larissa Cocato
Alguns aspectos desse processo requerem maior atenção:
- Para a produção de um bom café natural, o ideal é ter menos de 15% de cafés verdes, no entanto, essa porcentagem é um desafio muito grande devido ao número de floradas que podemos ter.
- Dessa forma, quanto menor a porcentagem de grãos verdes, melhor!
- Em relação aos frutos vermelhos e amarelos, eles possuem qualidades diferentes.
- Assim sendo, não devem ser misturados.
Frutos cereja. Fonte: Larissa Cocato
Café natural – Lavador/peneirão
Nessa etapa, alguns cuidados devem ser tomados para a garantia da qualidade:
- O abanador deve remover as impurezas.
- Os gravetos levam umidade aos cafés e ao terreiro.
- Se estiver passando mais de 10% de café bóia na parte do café cereja, significa que a regulagem está mal feita. Da mesma forma, se estiver mais que 10% de café cereja e verde no café bóia, também significa regulagem mal feita.
- Por isso, regule adequadamente o equipamento.
- A água do lavador deve ser trocada a cada 8 horas.
- Isso ajuda a evitar contaminações.
- A desinfecção com água sanitária deve ser feita a cada 15 dias.
- Mantenha o equipamento sempre limpo.
Café natural – Terreiro
Cafés em grãos cereja. Fonte: Luiz Paulo Vilela
A parte do terreiro é a parte inicial da secagem desse café e como as demais, contém vários pontos que devemos nos atentar:
- O café deve ficar grão a grão no 1° e 2° dia, para facilitar a perda de água. Esse café não deve ser rodado no 1° dia de terreiro para uma melhor aderência da casca ao grão.
- Isso evita futuros danos, e assim esse café não seja descascado no terreiro devido ao revolvimento.
- A partir do 2° ou 3° dia, esse café é dobrado, ocupando 50% da área inicial.
- Já a segunda dobra, deve ocorrer no 4º ou 5º dia de secagem e o revolvimento deve continuar 12 vezes ao dia;
- A terceira dobra, realizar cerca de 6 a 7 dias, continuando o mesmo número de revolvimentos.
- Quando o café chegar na meia-seca (25 a 30% do teor de água), estes devem ser enleirados e cobertos à noite.
- Se este café for finalizado no secador, não deve chegar com mais do que 30% de água.
Café natural – Secador
Em relação à secagem em secadores, os pontos de observações aumentam. Confira:
- O secador deve receber lotes homogêneos e se não se recomenda misturar os lotes;
- Secador vertical: ele não deixa a secagem muito uniforme, então não é benéfico à qualidade do café;
- Secador rotativo: ele deve ficar com uma folga de no máximo 15 cm, para melhorar a eficiência da secagem;
- O secador rotativo deve ser rodado sem calor durante 1 a 2 horas, no início da secagem, para retirar o máximo de água antes da secagem.
- No início da secagem, a temperatura do ventilador não deve passar de 60°C, para que a temperatura da massa de café natural não ultrapasse os 35°C.
- No terço médio da secagem, a temperatura máxima da massa de café natural cereja ou passa, deve ser de 35°C.
- Após a meia seca, o secador deve ser parado à noite por volta das 22:00 horas, e deve-se descansar esse café por no mínimo 8 horas.
- No final da secagem do café natural, cereja ou passa, a temperatura do ventilador deve estar com no máximo 50°C.
- O café não pode ser descarregado ainda quente na moega ou em tulhas de repouso;
- A umidade no momento do descarregamento deve ser de 11,5%.
Cafés Cereja Descascados (CD)
Em relação aos cafés do tipo cereja descascados, alguns pontos divergem do natural, ainda assim requerem sua atenção. Confira:
CD – Descascador/desmucilador
- Regular bem o equipamento para não ter café verde na parte do café cereja descascado;
- Não pode estar passando mais do que 10% de café cereja para a parte do verde;
- O café em pergaminho não pode estar saindo danificado do desmucilador;
- A área de processamento deve ser lavada após o término do trabalho, a fim de evitar contaminações;
- A área de processamento deve ser pulverizada quinzenalmente, com água sanitária à 10%, também com o objetivo de evitar contaminações.
CD – Terreiro para cafés: cereja, verde ou passa
Café descascado no terreiro. Fonte: Rehagro
- Os cafés descascados devem ser espalhados com 7 litros por m² no 1° dia.
- Deve ficar grão a grão para facilitar a perda de água.
- Os cafés descascados devem ser rodados de 16 a 20 vezes por dia.
- Isso ajuda a homogeneizar a secagem.
- Os cafés devem ser dobrados após 1 a 2 dias de secagem, e realizar outra dobra de 3 em 3 dias.
- O objetivo, nesse caso, é secar mais lentamente.
- Após a meia-seca, os cafés descascados devem ser enleirados e cobertos as 15:00 horas e novamente abertos e espalhados às 9:00 horas do dia seguinte;
- Lotes superiores a 2 dias de colheita, não devem ser unidos no terreiro;
- Se optar pela secagem complementar nos secadores, os cafés descascados devem ser retirados do terreiro, com pelo menos 2 dias.
- Isso permite que ele perca toda a água possível antes de ir para o secador.
CD – Secador
- O secador deve receber cafés homogêneos de acordo com o teor de água e tipo de café.
- Não é recomendado a mistura de lotes, para não desuniformizar a umidade;
- Secador vertical: não é recomendado que ele receba lotes de cafés úmidos, pois a água em excesso nesse caso, pode prejudicar a secagem, “cozinhando os grãos”.
- O secador vertical, quando utilizado, deve ficar completo cobrindo a rosca transportadora, pois melhora a eficiência de secagem.
- Secador rotativo: ele deve ficar com uma folga de no máximo 15 cm ao encher.
- Isso melhora a secagem.
- O secador rotativo, no início da secagem, deve ser rodado sem calor durante 1 a 2 horas, de forma a retirar o máximo de água antes da secagem.
- No início da secagem do café descascado, a temperatura do ventilador não deve estar acima de 50°C.
- Após a meia-seca, o secador deve ser parado à noite por volta das 22:00 horas, e descansar obrigatoriamente por 8 horas, no mínimo.
- No final da secagem do café descascado, a temperatura do ventilador não deve ultrapassar os 60°C.
- O café não deve ser descarregado ainda quente na moega, ou em tulhas de repouso. Preferencialmente, deve-se descarregar o café frio nas tulhas.
CD – Tulha
Tulha. Fonte: Vinicius Moribe
- Na tulha, os grãos devem ser cobertos com palha de café ou pano para evitar contaminações e umidade;
- Não se deve colocar o café quente sobre o café frio na tulha.
- O café deve ser colocado seco na tulha de armazenamento e em temperatura ambiente.
- O café deve ser descansado por 20 dias a 1 mês antes de ser provado definitivamente. Os cafés especiais devem ser descansados antes de se saber a real qualidade desse café.
- Esse descanso melhora a qualidade.
Pronto para aumentar a qualidade do seu café?
A cafeicultura é oscilante, mas nos últimos tempos, as safras têm ganhado cada vez mais destaque e valorização. Aquele que se prepara, produz mais, lucra mais e já consegue planejar os próximos passos para que a próxima safra seja ainda mais produtiva.
No curso online Gestão na Produção de Café, você aprenderá com quem entende do assunto, pois os professores atuam em fazendas comerciais e passarão o conhecimento a você. Não perca mais tempo e tire suas dúvidas:










Tudo muito bem explicado!