Ao iniciar um negócio, uma das principais preocupações consiste na sua rentabilidade, para que todo o investimento feito seja retornado com uma margem de lucro significativa. Com a pecuária leiteira não é diferente: é preciso identificar os principais pontos do negócio, antes mesmo de iniciá-lo.
Dessa forma, aumentam-se as chances de o planejamento traçado ser certeiro, prevenindo imprevistos e surpresas desagradáveis.
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Conhecendo o negócio leite
Independente do status da propriedade leiteira – se ela já se encontra em atividade, se iniciou a produção de leite há pouco tempo ou se ainda está apenas no papel – é importante conhecer de forma profunda e detalhada os pontos que a permeiam e que influenciam no seu resultado.
Esses pontos devem abranger não somente a propriedade de forma específica, mas também as pessoas envolvidas, a região onde ela está localizada e o mercado comprador/consumidor.
A melhor forma de conhecer a fazenda é por meio da ferramenta de Diagnóstico da Propriedade. Com ela é possível entender melhor o projeto, identificando as oportunidades, os riscos, alinhando as ações e atuando para melhorias.
Construindo o diagnóstico da propriedade
Conforme já mencionado, o diagnóstico deve compreender fatores internos e externos da propriedade. O diagnóstico nada mais é do que um retrato da propriedade em um momento específico do tempo, relatando de forma detalhada todo o perfil da fazenda e da região.
Para organizar o raciocínio, podemos dividir os fatores em cinco grandes grupos:
1. Caracterização do mercado e do perfil da região
Avaliar qual a aptidão econômica da região, se há facilidade de obtenção de mão de obra qualificada, quais são os compradores de leite, se existe mercado de compra e venda de animais, quais os possíveis fornecedores de insumos, qual a facilidade de acesso e escoamento da produção etc.
Tais fatores permitem reconhecer se a propriedade está/estará inserida em algum determinado polo leiteiro que a beneficie, até mesmo agregue valor à produção de leite.
2. Geografia do terreno
Diz respeito à localização da propriedade, ao clima da região com as médias históricas de temperatura e pluviosidade ao longo do ano, ao relevo, ao tipo de solo, à disponibilidade de água, etc.
O conhecimento dessas variáveis permite, por exemplo, que saibamos qual o potencial agrícola da propriedade para a produção de comida dos animais.
3. Áreas, instalações e maquinários
Não basta apenas conhecer o relevo e o clima da propriedade: é necessário mensurar a sua área total e descrever a ocupação de cada divisão, como a extensão destinada à área de preservação permanente (APP), reserva legal, área mecanizável, área de manejo extensivo etc.
Compreender a divisão das áreas auxilia, por exemplo, na determinação de quantos hectares estão disponíveis para o plantio de milho para silagem ou então, quantos hectares podem ser trabalhados com pasto.
Além das áreas, devemos caracterizar também as instalações e os maquinários presentes na propriedade.
- Qual a vida útil e o estado de conservação de cada um dos itens?
- É possível trabalhar com o galpão de ordenha atual por mais 15 ou 20 anos?
- O trator utilizado para a distribuição da dieta dos animais consegue realizar esta tarefa por mais quanto tempo?
Essas informações fazem a diferença quando pensamos na depreciação e na necessidade de aquisição/construção de novas unidades.

4. Perfil do proprietário e dos colaboradores
Conhecer o perfil daqueles que lidam diretamente e diariamente com a propriedade faz toda a diferença.
- Qual o perfil cultural e socioeconômico do proprietário?
- Ele já possui experiências na pecuária leiteira?
- Qual é o objetivo do produtor com a atividade pensando em volume de produção de leite, sistema de criação dos animais, remuneração, venda de genética, fabricação de produtos (laticínios, por exemplo)?
- A atividade será conduzida pelo produtor mais como hobby ou terá a importância de ser a sua principal fonte de renda?
- Há capital para investimento no negócio e/ou facilidade de obtenção de crédito?
Em relação aos colaboradores, qual é a mão de obra envolvida atualmente na propriedade com a produção de leite? Elaborar um organograma descrevendo o número de envolvidos com suas respectivas funções e remuneração recebida é uma excelente ideia!
Isto vale tanto para os colaboradores fixos quanto para aqueles esporádicos, como técnicos/consultores ou prestadores de serviço, por exemplo.
Esta etapa é de fundamental importância, assim como as demais já citadas. Por meio dela, podemos ter uma noção se os objetivos do proprietário e dos colaboradores estão alinhados com aquilo que a propriedade está retornando e com o potencial que ela pode entregar.
5. Sistema de produção, composição do rebanho e manejos realizados
Enfim, daremos foco específico aos animais e às rotinas. Categorizar o rebanho em grupos é o ideal, quantificando qual o número de vacas em lactação, vacas secas, recria de 0 a 12 meses, recria de 12 a 24 meses e recria acima de 24 meses, por exemplo.
Se, porventura, a propriedade possuir touro ou criação de machos leiteiros, estes também devem ser contabilizados na composição do rebanho em uma categoria específica. Junto com a composição do rebanho devemos informar qual o padrão racial dos animais e qual a distribuição de grau sanguíneo em casos de animais mestiços no rebanho.
Qual o sistema de produção adotado pela fazenda? Extensivo, semi-intensivo ou intensivo? A pasto, semiconfinamento ou confinamento total? Essa informação é básica e essencial para o diagnóstico!
A verificação e a descrição dos manejos realizados na propriedade devem ser muito bem-feitas, possibilitando compreender de forma clara quais ações são feitas na rotina.
- Como é a reprodução das vacas e das novilhas?
- É utilizada inseminação artificial? Se sim, com quais critérios?
- Como ocorre a liberação das novilhas para reprodução?
- Os animais em lactação são divididos em lotes? Se sim, com base em quais critérios?
- Qual a produção de leite por lote?
- Como é o manejo alimentar dos animais?
- Quais alimentos compõem a dieta?
- A dieta sofre variação entre as estações de chuva e seca?
- Como as bezerras são criadas?
- Qual o programa alimentar durante o aleitamento e após a desmama?
- Quais as principais doenças que acometem os animais?
- Existem protocolos de tratamento e calendário sanitário?
- A fazenda realiza gestão financeira?
Todas estas perguntas relacionadas ao manejo, além de várias outras, estão atreladas aos indicadores da propriedade. Sendo assim, o recomendado é que, caso a fazenda trabalhe com indicadores, eles sejam mencionados juntos aos respectivos manejos, de modo a entender em que nível está a eficiência dos processos.
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