A cada ano a produção de leite no país aumenta cerca de 5%. A produção anual já ultrapassou 34 bilhões de litros/ano. No entanto, esse volume ainda não consegue atender a demanda do mercado consumidor, segundo os dados divulgados pelo IBGE.
Dentre os fatores capazes de impulsionar a produção está o desempenho reprodutivo, uma vez que a produção de leite começa a partir do parto.
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Para exaltar a importância do manejo reprodutivo de vacas leiteiras, o período ideal, em dias, entre um parto e outro deve ser mantido entre 365 e 395 dias.
Quando este intervalo entre partos passa, por exemplo, de 12 para 18 meses, podem ocorrer perdas de até 3,2kg de leite na produção/dia/animal.
Problemas uterinos no pós-parto podem ser uma das causas para isso. Além disso, com uma vida útil de 6 anos, o animal deixa de produzir 2 bezerros quando comparado com um animal com intervalo entre partos (IEP) de 12 meses. Em vacas mestiças, a redução desse intervalo se torna ainda mais importante, uma vez que a persistência da lactação é mais curta (aproximadamente 275 dias), no mínimo 30 dias menos do que vacas taurinas.
Além de enxergar os números, identificar e contornar as possíveis variações dos índices zootécnicos para se solucionar os problemas reprodutivos, estratégias de manejo podem ser implantadas nas propriedades.
Métodos para eficiência na detecção do cio
O sinal primário do cio é a aceitação da monta.
Como sua duração é de apenas 8 horas, são indicadas pelo menos duas observações por dia, com duração mínima de 30 minutos.
O funcionário deve evitar outras atividades concomitantes e procurar os sinais secundários que podem ocorrer do início ao final do cio, como:
- Monta em outras vacas;
- Presença de muco;
- Apoio da cabeça em outras vacas;
- Edema de vagina;
- Urina frequente;
- Inquietação.
Assim, é importante observar em um local de melhor visibilidade, mas principalmente onde os animais tenham facilidade em andar (o piso de terra menos abrasivo é melhor para observação porque elas irão montar mais umas nas outras) e anotar as informações (horário, número do animal).
O auxílio do rufião e de dispositivos para detecção de cio podem contribuir muito para melhora dos índices reprodutivos, exemplos de dispositivos são o Pedômetro, Kamar®, Heat Watch®, Estrotec®.
Cuidados na inseminação artificial ou monta natural
A sincronia entre viabilidade dos gametas e o momento da inseminação é vital para fecundação e desenvolvimento do embrião.
O óvulo é liberado do ovário entre 10 e 14 horas após o final do cio, e permanece viável entre 6 e 12 horas. Já o espermatozoide fica viável por até 24 horas.
Cerca de 5 a 30% das inseminações ocorrem no momento errado do ciclo, o que inviabiliza a prenhez.
A inseminação pode ser realizada de duas formas diferentes com bons resultados, utilizando a regra AM/PM, ou seja, as vacas que apresentaram cio pela manhã são inseminadas à tarde e as vacas que apresentarem cio à tarde inseminadas na manhã seguinte.
Recentemente, alguns estudos demonstraram que a inseminação em um único horário, na parte da manhã, conserva a boa fertilidade.
Quando a quantidade de inseminações ultrapassa o ideal de 1,6 doses por prenhez, entre as causas, podemos associar à fertilidade das vacas (qualidade do óvulo, estado nutricional do animal, condição uterina entre outras causas) dos touros ou do sêmen adquirido.
Em caso de monta natural a repetição de cio pode estar associada à baixa libido do touro, doenças de casco, pênis, prepúcio, ou a patologias sexualmente transmissíveis.
Se a vaca repetiu o cio após a inseminação artificial, quase sempre os problemas estão associados a problemas na manipulação do sêmen. A seguir, as práticas corretas:
- Técnica de descongelamento: “banho-maria” com temperatura de 35-37°C por 40 segundos;
- Remoção da palheta do canister em até 6 segundos;
- Manutenção do botijão de sêmen (nível de nitrogênio, movimentação exagerada, conservação em local fresco, seco e bem ventilado);
- Técnica de inseminação: depósito da dose após a cérvix da vaca, sem traumas, e em até 10 minutos da retirada do botijão.
Existe uma remota possibilidade da qualidade do sêmen ter sido comprometida ainda na central de coleta, mas ainda sim pode acontecer e cabe ao técnico identificar.
Exames ginecológicos em vacas leiteiras
Ideal é que exames ginecológicos que sejam realizados nas vacas regularmente, principalmente nos animais que apresentarem:
- Distocias;
- Retenção de placenta;
- Descarga purulenta fétida ou purulenta após 15 dias do parto;
- Ausência de cio 50 dias pós-parto;
- Retorno ao cio após três serviços;
- Aborto em qualquer momento da gestação;
- Comportamento anormal de cio;
- Intervalo anormal entre cios.
O monitoramento pode ser realizado através da palpação retal a partir de 50 dias ou da ultrassonografia a partir dos 40 dias da monta ou IA. Mais do que o diagnóstico de prenhes é importante para detecção das vacas que não estão prenhas. Isso permite o rápido retorno do animal ao manejo reprodutivo.
A palpação transretal se mostra eficaz na detecção de animais que não estão ciclando, especialmente no início da estação de cobertura, sendo possível verificar ovários relativamente pequenos e ausência de corpo lúteo.
Entretanto, a detecção manual do corpo lúteo não é encorajada mesmo para os mais experientes, pois dependerá de sua protrusão do ovário que nem sempre acontece. A ultrassonografia, no entanto, pode identificar o corpo lúteo no ovário e a condição dos folículos ovarianos.
São muitos os aspectos que influenciam na reprodução a serem observados na busca de sistemas capazes de proporcionar resultados zootécnicos e financeiros desejados. Mas sem dúvida, o manejo ajustado pode minimizar e muito estes problemas.
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