Os problemas uterinos no pós-parto, infelizmente, são comuns em vacas leiteiras e sua incidência contribui para a redução da fertilidade, queda nos indicadores reprodutivos e uma consequente ineficiência econômica do sistema de produção.
Afinal, todo aspecto que leve a um atraso na concepção trará prejuízos ao sistema. Dessa forma, conhecer os fatores de risco é essencial para conseguir atuar na prevenção, adaptando o manejo reprodutivo, evitando danos à vaca e perdas ao sistema.
É importante salientar que o desenvolvimento de doenças uterinas no pós-parto estará relacionado à diferença no “tamanho” do desafio e as condições das vacas em vencer e superar o mesmo.
Portanto, é preciso atuar em proporcionar melhores condições ao animal a fim de que o desafio seja menor e suas condições imunes e de resposta sejam maiores.
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Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de problemas uterinos no pós-parto são:
- Balanço energético negativo;
- Acúmulo de matéria orgânica no local do parto;
- Animais com escore de condição corporal inadequado no momento do parto;
- Distocias;
- Nascimento de gêmeos;
- Natimortos;
- Retenção de placenta;
- Abortos;
- Estresse calórico;
- Doenças infecciosas.
Baseado no conhecimento dessas dificuldades, trouxemos 5 dicas para diminuir a incidência de problemas uterinos no pós-parto e consequentemente melhorar os resultados reprodutivos e econômicos da fazenda.
1. Minimizar e monitorar balanço energético negativo
É preciso adoção de manejos que visem e estimulem um maior consumo dos animais como:
- Fracionamento da dieta;
- Aproximação do trato entre os horários de fornecimento da dieta;
- Correto dimensionamento dos lotes;
- Separação entre primíparas e multíparas;
- Adequado balanceamento nutricional;
- Boas condições de conforto.
Quanto ao monitoramento, uma boa opção são os programas de teste para cetose.
Para isso é necessário focar nas duas primeiras semanas após o parto e para que o teste seja realizado de forma adequada é preciso que uma gota de sangue do animal seja colocada em uma tira reagente já inserida no medidor que vai determinar a concentração sanguínea de BHBA em poucos segundos.
2. Utilização de dieta aniônica no pré-parto
A dieta aniônica é a alteração da composição mineral da dieta pré-parto e tem como objetivo principal evitar casos de hipocalcemia clínica e subclínica.
Somente a inclusão da dieta na propriedade não é suficiente para garantir que a mesma cumpra o seu objetivo. O monitoramento deve ser realizado por meio do pH urinário e mensurado nas vacas que estão ingerindo a dieta aniônica por pelo menos 5 dias até 3 semanas.
3. Boas condições higiênicas e de conforto para os animais
Quanto ao local de permanência dos animais no pré e pós-parto deve ser um ambiente limpo, com mínimo de estresse possível e, principalmente, provê-los de maior conforto.
Nesse sentido, um ponto importante é o sombreamento dos piquetes e demais locais onde esses animais permanecerão até o momento do parto, de modo a minimizar ao máximo o estresse térmico.
4. Monitorar escore de condição corporal
Preconiza que vacas devem parir com um ECC de 3,0 a 3,25 (escala de 1 a 5), pois um ECC inferior a 3,0 é associado com reduzida produtividade e desempenho reprodutivo, enquanto que um ECC igual ou superior a 3,5 e associado com redução do consumo, bem como da produção leiteira e aumento no risco de incidência de doenças metabólicas.
A meta é 75% das vacas nesta condição na secagem e também ao parto.
5. Correta escolha de touros
Ficar atento a seleção do touro na característica facilidade de parto, como visto a ocorrência de distocias é um importante fator de risco para o desenvolvimento do problemas uterinos pós-partos.
Para criação de uma vaca produtiva é essencial uma vaca saudável, portanto, o sucesso nesse momento é fundamental para toda lactação. A recíproca também é verdadeira, negligenciar os pontos citados acima poderá trazer reflexo em toda vida produtiva do animal.
Não há dúvidas, o sucesso raramente é resultado de sorte, busquemos os melhores resultados através de bons manejos.
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