O post 5 passos para a intensificação da cria na pecuária de corte apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>De maneira mais localizada ou regional, esses fatores influenciadores se destacam desde o início das atividades comerciais e com o passar dos anos e o avanço do fenômeno da globalização, a magnitude desses fatores aumentou em proporção e abrangência.
Um fator muito significativo que interfere diretamente na dinâmica do mercado, ficou conhecido como “lei da oferta e da demanda”, onde o preço dos produtos varia de acordo com a quantidade da procura por determinado produto versus a disponibilidade desse mesmo produto no mercado.
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Ao analisarmos o agronegócio, em específico o cenário da cadeia produtiva de carne, esses dois fatores, globalização e lei da oferta e demanda, nos mostra uma tendência importante e significativa.
Durante as duas últimas décadas alguns mercados antes restritos, abriram suas economias gerando um aumento significativo na demanda por produtos ligados ao agro.
Em suma, o cenário interno e global demanda por mais produtos e de melhor qualidade, o que leva à uma necessidade de aumento imediato da produção. Existe a demanda por carne, e precisamos aumentar nossa produção.
Tendo em vista esse cenário macro destacado acima, concluímos então que por diversos fatores, existe uma necessidade de se aumentar e principalmente intensificar a produção de carne no Brasil.
Mesmo com a grande disponibilidade territorial, única no mundo, a cadeia produtiva da carne precisa aprimorar suas técnicas de produção para que em um mesmo espaço de terra seja possível produzir uma maior quantidade de carne.
Apesar de já encontrarmos sistemas de produção altamente intensivos onde todas as fases de produção, cria, recria e engorda, são feitas em sistemas de confinamento dos animais, a grande maioria da carne produzida no país é ainda oriunda de sistemas de criação a pasto. O pasto, quando bem trabalhado, permite ao pecuarista explorar a produção de arroba de maneira mais rentável.
Geralmente a arroba mais barata produzida é a produzida à pasto, ressaltando a necessidade de ser bem trabalhada. Em diversas ocasiões é possível encontrar sistemas de produção totalmente a pasto, onde o valor final da arroba é extremamente oneroso, principalmente pela ineficiência e deficiência nas etapas do processo de produção.
Para se ter eficiência, rentabilidade, e retorno com a atividade pecuária de animais criados à pastos, inevitavelmente então, devemos aumentar a competitividade de nossa atividade e a maneira mais segura de alcançarmos isso é justamente intensificando nossa produção.
Levando em consideração apenas criações a pasto, temos então algumas diretrizes para seguir, onde alcançamos então maiores níveis de intensificação e possivelmente com isso, melhores índices de rentabilidade e lucratividade.
Basicamente em um sistema intensificado o que se alcança é uma maior produtividade, ou seja, uma maior produção de carne em um mesmo espaço físico.
Teoricamente temos então um problema de fácil resolução. Aumentamos a quantidade de animais em determinada área, chegando assim a uma maior produtividade. A prática e a dinâmica do negócio, porém, não são tão simples assim. Para se alcançar esses objetivos, uma série de fatores e práticas devem ser levadas em consideração.
Para aumentarmos a quantidade de animais em uma mesma área tendo em vista o aumento da taxa de lotação em cada fase do sistema cria, recria ou engorda, a métrica é semelhante. Aumentamos a quantidade de pastagem de determinada área e teremos então a possibilidade de aumentarmos a carga animal daquela área.
É bem verdade que o aumento da taxa de lotação é tido como o principal ou um dos principais fatores responsáveis pelo aumento dos níveis de intensificação de uma propriedade de criação a pasto, entretanto, para cada uma dessas fases temos uma série de outros fatores que colaboram e podem levar ao aumento da produção de carne em um mesmo espaço ou em uma mesma área.
A partir de agora, vamos citar e discutir alguns dos principais fatores associados ao aumento da produtividade em cada uma das fases de produção.
De maneira geral, a fase de cria, dentro de um sistema de produção de carne é a fase responsável por fornecer a “matéria prima” de toda a cadeia produtiva.
É na fase de cria que se produz o bezerro que será fornecido à recriadores e, futuramente, entrarão na fase de engorda. Como produto da fase de cria então, temos o bezerro.
Para isso, a fase de cria é composta basicamente, além do bezerro, pelo conjunto de matrizes responsáveis por gestar e amamentar esses bezerros e touros que serão responsáveis pela cobrição dessas matrizes.
Importante salientar que esse último citado, o touro, pode ser substituído por uma importante tecnologia disponível no sistema: a IATF, que vamos citar dentro do tópico de reprodução.
Seguindo a lógica anteriormente citada, a intensificação nessa fase então proporciona, basicamente, uma maior quantidade de arrobas produzidas de bezerros em um determinado espaço e tempo, um ano, por exemplo.
Sendo assim vamos discutir nesse tópico algumas importantes alternativas e ferramentas que podem ser utilizadas para alcançar esse esperado aumento de produção em bezerros.
O primeiro ponto a se destacar é um fator comum a todas as fases do processo de produção:
Quando trabalhamos o aumento da taxa de lotação de maneira eficiente, podemos em uma mesma área aumentar a quantidade de matrizes naquela pastagem.
Esse fator por si só implica em uma maior produção de bezerros por hectare, o que levaria ao aumento final da quantidade de arroba de bezerros produzido em um hectare durante o ano. Alguns estudos mostram que o aumento da taxa de lotação em um sistema de cria pode levar a um aumento em até 300% nas taxas de lucratividade dessa fase.
Para aumentar a taxa de lotação no sistema de produção à pasto, alguns fatores devem ser avaliados e levados em consideração. Muito porque, além da melhoria na oferta e qualidade dos pastos, outros fatores estão associados e relacionados ao aumento da taxa de lotação, como por exemplo a suplementação.
Nesse momento vamos avaliar e comentar apenas os fatores inerentes ao pasto e ao manejo das pastagens e, posteriormente, citaremos esses outros fatores dentro dos próximos tópicos.
O aumento da capacidade de uma determinada área suportar uma carga animal maior, passa inicialmente e principalmente pela melhoria da qualidade e pelo aumento da oferta de pasto aos animais que ali estão pastejando.
Antes de se tratar da melhoria de uma pastagem já estabelecida, é importante ressaltar que ao longo dos anos de utilização incorreta de uma pastagem esta, pode por diversos fatores, entrar em um estado de degradação.
Estima-se que cerca de 80% das pastagens brasileiras se encontram em algum estado de degradação e pastagens degradadas representam menor capacidade produtiva, que se tardiamente observada, pode levar até a perda total do potencial produtivo de uma área originalmente empastada, sendo necessário a implantação de uma nova pastagem no determinado local.
O processo de implantação de uma nova pastagem requer várias frentes de análise e cuidados, a que se estende desde o momento da escolha da forrageira a ser utilizada até o manejo dos animais.
O momento da escolha da forrageira é fundamental para o bom desenvolvimento das pastagens e nele devem ser levados em consideração diversos fatores, entre eles:
Após uma escolha criteriosa e assertiva da forrageira a ser utilizada, o processo de implantação dessa forrageira também deve seguir um criterioso processo, para então termos um pasto com qualidade e quantidade de forragem suficientes para o bom desempenho dos animais.
Considerando então um pasto bem formado, com solo corrigido e adubado dentro de suas necessidades e exigências, onde a forrageira escolhida possa expressar o seu máximo potencial, temos que estar atentos ao manejo e a manutenção dessas pastagens.
A manutenção é fundamental para a continuidade de sua alta produtividade e será necessário de tempos em tempos, respeitando sempre a singularidade de cada sistema, processo de adubação e correção dessa área.
O melhor fator, provavelmente, o mais importante para se manter uma pastagem expressando suas melhores produções, é o manejo correto.
Quando manejamos de maneira adequada respeitando sempre as alturas de entrada e saída de cada pastagem, evitamos o processo de degradação dos pastos, minimizando o aparecimento de plantas invasoras, baixa produtividade, poder de rebrota, entre outros. O manejo correto da forrageira permite que ela tenha uma importante força de rebrota, sempre vigorosa, não permitindo o desenvolvimento de outras plantas no local.
Existem alguns métodos de pastoreios diferentes, entre eles podemos destacar o método rotacionado com carga variável, onde um lote de animais pasteja determinada área dividida em piquetes. Esse método rotacionado em piquetes de tamanhos adequados à carga animal, permite que se aumente a quantidade de animais utilizando uma mesma área, aumentando assim as taxas de lotação.
Se considerarmos como exemplo um aumento muito plausível de 20% de matrizes em um pasto vigoroso, sendo manejado de maneira adequada, teremos por consequência, sem aumentar a área destinada para a produção, um aumento de até 20% na produção do produto bezerro ao final de um ciclo de produção.
Sistemas de cria a pasto por muito tempo foram tidos como uma atividade de baixa rentabilidade por pecuaristas. Entretanto percebeu-se que uma fase de cria bem feita e explorada de maneira adequada, aparando as arestas em suas deficiências aproveitando de maneira mais eficiente seu potencial, pode representar para o sistema como um todo um alto ganho de potencial, bem como apresentar ótimos retornos econômicos para os criadores.
A nutrição de fêmeas para a produção de bezerro deixou de ser negligenciada ao se perceber os saltos nos ganhos de produtividade. Quando se aprimora a nutrição dos animais nessa fase, a suplementação das matrizes e dos bezerros não somente melhora os desempenhos reprodutivos e de ganho de peso, respectivamente, como influencia no desempenho das crias durante toda a vida dos animais.
Muitos estudos estão sendo realizados e mostrando que vacas com bom aporte nutricional, principalmente durante o terço médio de gestação (fase onde ocorre a multiplicação de células musculares no feto, chamada “hiperplasia”) dão origem a bezerros com melhores desempenhos não somente até a desmama mas também durante o período de recria e engorda dos animais.
O primeiro ponto a se destacar na nutrição em uma propriedade de cria é referente a nutrição das matrizes. Vacas criadas a pasto sofrem com a sazonalidade na produção forrageira, ou seja, durante o verão, período chuvoso onde as condições de precipitação de chuva, temperatura e incidência luminosa são ideias para o desenvolvimento forrageiro, obtém-se pastagens de melhor qualidade.
Já no inverno ou período seco do ano onde ocorre a diminuição das chuvas, dos dias e também da temperatura, os pastos na grande maioria das propriedades brasileiras sofrem uma piora significativa nos níveis nutricionais de suas pastagens, principalmente a diminuição dos níveis de proteína.
Por esses fatores citados, entende-se como necessário um programa de suplementação das fêmeas, específico para cada uma dessas estações do ano. Durante o período com maior qualidade e quantidade de oferta de forragem, em várias situações, a suplementação mineral apenas, é suficiente para a manutenção do escore de condição corporal dessas matrizes.
Mesmo no verão, porém, em algumas situações principalmente buscando o aumento da taxa de lotação, se lança mão da utilização de um fornecimento de suplementação energética desses animais, proporcionando assim uma melhor desempenho e um alto aproveitamento das pastagens.
Ao contrário do período das águas onde temos pastagens de alta qualidade, durante o período de estiagem precisamos auxiliar essas vacas com um suplemento mais específico, contendo principalmente níveis mínimos de proteína, aumentando assim a capacidade de aproveitamento da forragem nessa época do ano.
Dois aspectos devem ser ressaltados quando falamos sobre programas de suplementação para vacas. O primeiro deles, comum a programas de suplementação em outras categorias de animais, é a necessidade de boas pastagens.
A suplementação das fêmeas se dá como um suporte à dieta principal desses animais: O pasto. Sendo assim, quando falamos em suplementar, mesmo que apenas com mineral sem adição de fontes de nitrogênio não proteico, subentende-se como pré-requisito uma pastagem de qualidade e com quantidade.
O segundo fator importante a ser ressaltado é referente ao objetivo de um programa de suplementação de vacas. A manutenção de um bom escore de condição corporal é suficiente para que essas matrizes tenham bons desempenhos reprodutivos e sejam capazes de gestar e amamentar suas crias. Nesse caso em específico, o objetivo não é a engorda ou o ganho de peso excessivo dessas fêmeas.
Outra categoria de destaque dentro da fase de cria, onde a nutrição requer alguns cuidados, é o próprio bezerro. Basicamente e imediatamente após o parto, o único alimento demandado pelos bezerros é o leite materno.
Chamamos atenção para esse período para um fato extremamente importante, a colostragem. Uma boa colostragem nas primeiras horas de vida, permite um desenvolvimento em termos de saúde imunológica dos animais, por outro lado, falhas na colostragem podem causar diversos problemas, inclusive a morte.
Com o passar dos dias após o nascimento em um processo tanto social de imitar a mãe quanto natural do desenvolvimento, o bezerro passa a ingerir as primeiras quantidades de pasto, ainda como pré ruminante, pois nessa fase da vida o principal alimento dessas crias é ainda o leite.
A principal ferramenta nutricional, considerando uma mãe bem nutrida produzindo leite com qualidade e em quantidade suficiente para o bezerro, nessa fase da vida, é a suplementação.
O Creep-feeding torna-se então uma importante alternativa. Trata-se da utilização de um cocho privativo aos bezerros, onde as matrizes não têm acesso. Um cercado com dimensões específicas permite o acesso somente dos bezerros ao cocho.
Essa ferramenta ajuda para que os animais antes da desmama tenham acesso a um suplemento balanceado e ajustado às suas necessidades. Importante destacar que a conversão alimentar nessa fase da vida é altíssima, e a resposta dos bezerros ao suplemento é igualmente alta.
Em tempos de bons preços de venda dos bezerros, sem dúvidas programas de suplementação dessa categoria se tornam extremamente atrativos. A utilização do creep-feeding permite a desmama de bezerros mais pesados, comparando com bezerros não suplementados.
Outro fator importante sobre a suplementação de bezerros é referente ao desempenho futuro desses animais. Animais suplementados no período de aleitamento, dão origem a animais com melhores desempenhos durante a fase de recria e engorda, desde que nessas fases o produtor mantenha os níveis satisfatórios e ajustados no quesito nutricional.
Um adendo importante sobre a suplementação de bezerros deve ser ressaltado, principalmente em relação aos produtores de ciclo completo. Quando suplementamos um bezerro, espera-se que durante as próximas fases da vida desse animal, mantenha-se bons níveis de suplementação e cuidados com a nutrição.
Muito comum bezerros suplementados quando entram na fase de recria extensiva sem suplemento ou em pastagens de baixa qualidade, desempenharem aquém do seu potencial. Sendo assim, programas de suplementação de bezerros devem ser seguidos por boas práticas de suplementação durante a cria e também durante a engorda.
Por fim, de menor destaque, propriedades que utilizam de touros para monta natural, devem estar atentas ao escore de condição corporal desses animais. Manter um touro com bom escore durante o ano, permite que esse animal desempenhe com qualidade durante o período da estação de monta, onde eles serão mais exigidos.
A estação de monta é um período do ano onde as matrizes de uma propriedade são desafiadas à reprodução. O processo de inseminação das fêmeas pode acontecer tanto por monta natural, onde os touros são utilizados na vacada, quanto por inseminação artificial. Às vezes até pelos dois, sendo comum vacas serem inseminadas uma ou mais vezes, fazendo depois um repasse com os touros.
Existem vários motivos que justificam a utilização da estação de monta. Hoje um sistema intensivo de cria a pasto inevitavelmente terá que estabelecer, de acordo com suas particularidades, uma estação de monta.
Dentre os diversos motivos para a utilização de monta, um se destaca. Já citado anteriormente, a sazonalidade de produção forrageira é um importante motivador para a implantação de uma estação de monta. É sabido que no decorrer de um ano existem várias estações que refletem em características climáticas diferentes e cada uma dessas características causa, por consequência, o aumento ou a diminuição da oferta de forragem nos pastos.
O objetivo principal para a implantação de uma estação de monta é então, ajustar o período reprodutivo das fêmeas precisamente no período do ano onde obtém-se a maior disponibilidade de forragem. Para uma boa resposta reprodutiva e para emprenhar e gerar um bezerro saudável, a fêmea aumenta sua demanda por forragem.
A estação, então, sincroniza esse aumento da necessidade com o momento onde há maior oferta nos pastos. Além de atender a demanda da vacada, a estação de monta por consequência apresenta uma série de outros benefícios, inclusive para os bezerros.
Cada propriedade deve adequar sua estação de monta de acordo com as características da região onde ela se encontra. Uma propriedade onde o início das chuvas ocorre primeiro, pode antecipar sua estação. Em contrapartida, nas regiões onde a chuva demora um pouco mais para começar, a estação pode ser retardada em alguns dias ou até meses.
Outro fator que pode variar entre propriedades é o período de duração de uma estação de monta. Uma referência importante para esse período é uma estação de 90 dias ou três meses.
Nesse modelo é possível que todas as matrizes sejam inseminadas uma ou mais vezes e o mais importante, permite que toda vaca produza ao menos um bezerro por ano, que é o grande objetivo de um sistema de cria.
Em algumas situações específicas no entanto, relacionadas principalmente ao quesito clima, algumas propriedades realizam a estação por um período de tempo maior. É importante salientar que quanto menor o tempo da estação, maior a capacidade de selecionar as fêmeas e maior a concentração de partos, o que também é um fator positivo.
Uma propriedade que não adota uma estação de monta bem estabelecida e deseja então iniciar essa ferramenta tão positiva, deve resguardar alguns cuidados. No início a estação pode ser maior, em torno de 5 ou 6 meses e ao decorrer dos anos pode ser ajustada para os três meses, que é o habitual.
Alguns fatores que não estão relacionados à vaca também são encontrados em uma propriedade que pratica uma estação bem estabelecida e funcional.
Quando se tem um período de acasalamento no início das águas, o nascimento dos bezerros ocorre em um período mais seco do ano, o que para o bezerro pode ser muito positivo. Bezerros que nascem no período chuvoso do ano apresentam maiores problemas relacionados à sanidade.
Estudos ainda mostram que o desempenho dos bezerros nascidos no início da estação de nascimento (meses de agosto e outubro), apresentam desempenhos superiores de ganho de peso, tanto na desmama quanto durante a recria e engorda, quando comparados aos bezerros nascidos no final do período de nascimento.
Esse fato se deve por vários motivos, além do aspecto sanitário já mencionado, o período de desmama dos bezerros ocorre em uma época do ano mais favorável ao animal que inicia sua vida como dependente apenas de forragem.
Um outro aspecto importante que devemos destacar relacionado aos bezerros, é em relação à sua seleção. Quando limitamos o período de nascimento dos animais, a comparação entre eles é mais justa e possibilita avaliar quais os animais apresentam o melhor desempenho dentro de uma mesma categoria, recebendo as mesmas condições nutricionais.
A concentração dos partos destes animais permite ainda ao pecuarista um maior poder de negociação desses bezerros. À medida que temos um grande número de animais para venda, aumentamos então nossas condições em busca de melhores preços.
A seleção das matrizes também se dá de maneira mais eficiente em uma propriedade que utiliza da estação de monta. Ao final de cada estação, é possível identificar e descartar as matrizes que não lograram com êxito no período reprodutivo, devendo então serem descartadas.
Por fim, o estabelecimento do período de nascimento dos bezerros e de inseminação das fêmeas auxilia no manejo da propriedade. Estas fases demandam de cuidados específicos e de mão de obra qualificada e quando conseguimos concentrar essas atividades, aumenta a possibilidade de planejamento para esses períodos, além de aumentar também a facilidade em determinar o momento de receita com bezerros machos, com as bezerras excedentes e com as vacas de descarte, possibilitando maior controle financeiro da atividade.
A estação de monta é uma realidade para as propriedades de cria e devem ser consideradas um objetivo para os pecuaristas que ainda não adotam esse manejo, bem como um ponto de melhoria constante para aqueles que já o fazem. São muitos os benefícios decorrentes de uma prática relativamente de baixo custo para o pecuarista.
A procura de produzir mais em menos tempo, leva a um maior investimento na fase de cria, mantendo o animal menos tempo em confinamento e pasto. Consequentemente, essa ação leva a lucros maiores e para que isso seja possível, a genética do rebanho é um fator essencial a ser discutido e levado em consideração pelos produtores.
Dentro do melhoramento genético na pecuária de corte, temos seleção e cruzamento. A seleção permite que escolha o animal que será utilizado como parental da próxima geração, já o cruzamento é entre as diferenças raças.
O melhoramento genético deve ser direcionado de acordo com o sistema de produção desejado, porém o mais comum é que este processo seja feito de forma aleatória, sem objetivos concretos. É necessário um planejamento correto, pois quando não é feito de forma incisiva, a evolução será um retrocesso no desempenho produtivo dos animais.
De acordo com o especialista Roberto Carvalheiro (GenSys) “todo criador é um selecionador”, pois escolhe quais animais colocará em reprodução, quais de suas vacas e quais touros (ou sêmen) utilizará, tomando assim decisões de seleção genética.
Porém, segundo o especialista, “nem todo selecionador promove melhoramento genético do seu rebanho”. A escolha das características a serem selecionadas deve ser tomada da melhor maneira possível, considerando todos os seus prós e contras.
Em um melhoramento genético do rebanho, primeiramente é preciso traçar um objetivo que desenvolva um cruzamento que fornecerá a melhoria de características. Deste modo irá trazer benefícios futuros para a produção, permitindo um maior valor agregado ao produto final.
O planejamento genético é essencial para a fase de cria e todo o retorno que o animal agrega para a fazenda, começa nessa fase. Um animal com alta genética necessita de uma maior atenção na questão da nutrição e ambiência, diferentemente de um animal de genética inferior. O objetivo deve ser traçado juntamente com a disponibilidade de estrutura da fazenda. Não adianta ter um animal com alto potencial genético e não ter condições ideais para ele poder expressá-las.
Quando se trabalha com seleção, o técnico ou o produtor deve observar quais são as características que um determinado touro expressa e qual a porcentagem de passá-la para a geração futura. Isso é feito utilizando índices de seleção de touros que combinam as características definidas como critérios de seleção nas proporções desejadas e/ou necessárias para melhoria da atividade.
Recomenda-se a definição de índices baseados nas deficiências observadas nos indicadores zootécnicos da propriedade. A partir desses índices, define-se o sêmen de touros testados e aprovados, disponíveis em catálogos específicos, de acordo com o valor das Diferenças Esperadas nas Progênies (DEPs), que representa o valor genético dos touros para cada característica utilizada como critério de seleção.
É necessário ficar atento, já que a seleção de uma determinada característica pode afetar outras de acordo com as correlações genéticas existentes. Assim, a seleção direta, aquela realizada para a característica-alvo, pode afetar outra característica, resultando na seleção indireta caso a correlação existente seja favorável.
Existem muitos programas genéticos disponíveis e muitas empresas investem pesado na consultoria. Com a produtividade crescendo cada vez mais, os produtores veem a necessidade de investir na genética do rebanho. A orientação e a determinação de um objetivo andam juntos e o investimento deve ser feito de forma consciente. O produtor só conseguirá bons resultados se todos os pilares da pecuária de corte estiverem sendo respeitados.
Por isso, a evolução genética do rebanho é de extrema importância, principalmente em um país que é o primeiro em exportação de carnes e derivados. Produzir com qualidade vai além da genética que o animal proporciona. O potencial genético é atingido quando a nutrição, manejo e ambiência são respeitados.
De maneira mais ou menos intensiva, o melhoramento animal vem sendo realizado de maneira instintiva, ou científica, desde que o homem começou a domesticar os animais e percebeu que poderia potencializar a produtividade e aptidão para a produção ao longo das gerações.
Em específico para cria, temos algumas opções para o melhoramento genético, onde focamos na seleção pensando exclusivamente na produção de bezerros machos com maiores índices produtivos e fêmeas com maiores capacidades reprodutivas. Pensando inicialmente na primeira parte, “melhor produção de bezerros machos” devemos focar em algumas características no momento de selecionar e escolher quais os animais serão utilizados em determinada propriedade voltadas ao ganho de peso.
Lembramos que o produto principal de uma fazenda, exclusivamente de cria, é a produção e venda dos bezerros. Sendo assim, a utilização de animais que comprovadamente transmitem à suas crias grandes potenciais de produção com determinados dias de vida, como por exemplo aos 120 dias, permite maiores ganhos com a venda de arroba de bezerros por ano.
Utilizar animais que comprovadamente produzem proles com grande potencial de peso ao desmame pode ser uma excelente alternativa para uma fazenda de cria.
Um ponto importante para se ressaltar, que tem grande impacto na produção de bezerros, está relacionado à carga genética das matrizes dentro do rebanho. Diferente dos objetivos direcionados apenas ao ganho de peso à desmama, por exemplo, a construção ou o melhoramento de um plantel de matrizes deve respeitar critérios muito além dos de ganho de peso.
Fatores como precocidade (idade ao primeiro parto, probabilidade de parto precoce, idade à puberdade de machos), habilidade materna, fertilidade e Stayability dentre outras características, devem ser avaliados quando pensamos em melhorar e ou construir um rebanho de matrizes.
Outro ponto a se avaliar em relação à genética ou melhoramento genético, é em relação a propriedades que não são exclusivas de cria ou mesmo aquelas que são de produção única de bezerros mas que atendem a um mercado específico com determinada exigência.
Essas propriedades, além de um bom plantel de matrizes com proles bem desenvoltas no quesito ganho de peso, podem focar seu processo seletivo e seu melhoramento genético em características para marmoreio, acabamento de carcaça e assim por diante, agregando valor e qualidade ao seu produto.
Quando alcançamos um rebanho de matrizes com carga genética satisfatória dentro dos objetivos da propriedade, damos um grande passo rumo ao sucesso da produção.
A utilização de touros melhoradores, permite uma evolução de qualidade no rebanho em pouquíssimo tempo. Um trabalho de melhoramento pode exigir paciência por parte do produtor, entretanto, o adicional genético em uma propriedade, é percebido já nas suas primeiras crias.
Independente do seu objetivo e de suas metas com um programa de melhoramento genético, um ponto é comum para todas as situações. Esse ponto é um planejamento de programa muito bem delineado. Como um todo deve ser bem estruturado, seguir esse planejamento e acompanhar as métricas estabelecidas. Assim proporcionará maiores probabilidades de sucesso no programa.
Trabalhar a reprodução de uma propriedade é uma importante e necessária alternativa no processo de intensificação da fase de cria. Melhorar os índices reprodutivos de uma propriedade trará um impacto positivo, direto e significativo nos resultados finais do sistema de produção.
Existem algumas alternativas importantes para o aperfeiçoamento do processo reprodutivo dentro de uma fazenda. O principal seja talvez a utilização da IATF. A inseminação artificial em tempo fixo permite, dentre outras coisas, o incremento genético rápido e com custos acessíveis à propriedade.
A intensificação do processo reprodutivo está também muito ligada a outra ferramenta já mencionada: a estação de monta. Falar sobre intensificação do sistema de cria citando reprodução é fundamental. Vamos destacar a importância e o impacto que a estação de monta tem em uma propriedade, em específico nos resultados reprodutivos.
O alinhamento entre IATF e EM é então a chave para o sucesso reprodutivo em uma propriedade de cria, entretanto, alguns cuidados e práticas são de grande importância durante a utilização da IATF em uma EM.
O Escore de Condição Corporal (ECC) é de grande importância quando se trata de reprodução. Um ECC aceitável está entre 5 a 6 no parto e/ou no início da estação de monta. Respeitando esse ECC, promovemos um menor tempo para o 1o estro, produção suficiente de colostro e garante um bezerro saudável e com uma alta taxa de desmama.
É importante que o produtor avalie sua produtividade pelo número de bezerros desmamados e não nascidos. Uma variação de ECC de 4 para 6 aumenta em 20% a 30% a taxa de prenhez. Por isso, são necessárias tecnologias que aumentem o ECC antes delas parirem e que as mantenham até a próxima.
No sistema de produção de bovinos, a eficiência reprodutiva é um fator fundamental, visto que apresentam ciclo reprodutivo longo, e geram somente um descendente a cada parto. Assim sendo, a inseminação artificial ou acasalamento permite maior vida útil dos animais e mais nascimento de bezerros. Para se atingir o peso ideal vai depender do nível do manejo, ambiência, sanidade e nutrição.
A nutrição deve ser balanceada desde antes da gestação. A fêmea deve ter uma alimentação energética e o controle de escore deve ser feito, visando uma gestação de qualidade e nascimento de bezerro com peso ideal. O cuidado pós-parto, deve ser intensificado.
Animais com ECC acima de 7, dificultam o parto, além de se tornarem inviáveis financeiramente, devido ao maior gasto financeiro.
As vacas recém-paridas possuem um alto requerimento de energia. Dessa forma, o ECC também é essencial nessa fase. A energia está diretamente relacionada com o consumo de matéria seca (CMS). Quanto maior o CMS, maior será o balanço energético líquido (BEL).
O início da lactação é um período de balanço negativo de nutrientes (Balanço Energético Negativo – BEN). O período de pós-parto requer um alto suprimento de energia, mas o animal tem redução do CMS. Se tiver carência nutricional, esse consumo naturalmente será mais baixo, aumentando o BEN e afetando negativamente a reprodução.
O BEN, não permite que o animal volte à reprodução, pois toda reserva energética do animal que seria utilizada para promover o ciclo reprodutivo é desviado, indo então para a produção de leite e no final somente para a mantença do mesmo. Essa condição deve ser avaliada sistematicamente quando se visa uma reprodução eficiente e rentável, não basta só alimentar o animal, o acompanhamento da condição deles é de suma importância.
A reprodução é uma etapa que muitas vezes é negligenciada pelo produtor, muitas vezes por falta de respaldo técnico. O processo de reprodução não se inicia no momento do cio do animal. Toda a preparação advinda anteriormente irá influenciar os resultados posteriores. A pecuária não cabe mais amadorismo, novas tecnologias chegaram e para uma maior rentabilidade, será preciso segui-las.
Seguindo esses passos, sempre atentos ao preço de venda dos bezerros desmamados, à qualidade desses animais, concomitante a um trabalho de gestão avaliando custos e processos, a cria pode e será uma atividade de viabilidade importante dentro da cadeia produtiva da pecuária.
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]]>Você pode incrementar seus resultados desde que entenda os motivos que tornam o rúmen tão importante e as formas práticas de maximizar a digestão dos animais na cria, recria e engorda.
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]]>O post Uso consciente de antimicrobianos no controle da mastite bovina apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Além disso, a mastite clínica foi reconhecida como a razão mais frequente para o uso de antibióticos em gado leiteiro, sendo responsável por até 62% do uso total de antimicrobianos.
Os antimicrobianos são compostos químicos capazes de matar ou inibir o crescimento de microrganismos. O primeiro relato do uso de antimicrobianos na medicina veterinária foi para o tratamento de mastite em vacas leiteiras.
Essas drogas podem ser usadas de formas diferentes. O uso de antimicrobianos para o tratamento de casos já existentes de mastite, por exemplo, é considerado como uso terapêutico.
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Em casos específicos, essas drogas podem ser usadas para mais de uma finalidade, como no caso da terapia de vacas secas, cujo objetivo é curar infecções intramamárias existentes (terapêutico) e prevenir novas infecções (profilático).
O uso irracional de antimicrobianos tende a influenciar a geração ou seleção de patógenos resistentes, sendo que a resistência bacteriana atualmente é uma das maiores preocupações globais. Diante deste cenário e da crescente pressão do mercado consumidor, medidas devem ser adotadas a fim do uso racional dos antimicrobianos.
A mastite bovina consiste na inflamação da glândula mamária, sendo causada por uma grande variedade de agentes, incluindo bactérias, leveduras, fungos e algas.
Os impactos negativos dessa doença são vistos principalmente na produção de leite, reduzindo o volume produzido e aumentando o custo de produção devido ao uso de medicamentos, como antibióticos e anti-inflamatórios, para prevenção e tratamento.
Além disso, é comum que os prejuízos relacionados ao descarte de leite, descarte precoce de animais e morte, por exemplo, não sejam computados no real impacto econômico gerado pela mastite. A falta de orientação técnica e a carência de profissional qualificado são as principais causas desta falha de gestão.
Os prejuízos com descarte de leite por alteração e/ou presença de resíduos após tratamento, bem como os gastos com a compra de medicamentos somam 16% dos custos totais relacionados à mastite.
Estudos mostram que os custos da mastite nos Estados Unidos para prevenção e tratamento somaram aproximadamente US$185/vaca/ano.
Recentemente, estimou-se as perdas financeiras para mastite clínica durante os primeiros 30 dias de lactação em US$444 por caso, contabilizando diagnósticos, custos com antimicrobianos, leite não comercializável, custos veterinários, redução na produção de leite e perdas reprodutivas, além dos custos com reposição.
O uso consciente de antimicrobianos para o controle da mastite requer a participação de todas as partes envolvidas na atividade, incluindo proprietários, colaboradores e médicos veterinários.
Pensando nisso, conduzir os tratamentos dos casos de mastite baseando-se na cultura microbiológica do leite possui a capacidade de reduzir o uso de antimicrobianos, levando a menores riscos de resíduos, custos de tratamento e descarte de leite.
Por meio da cultura microbiológica é possível avaliar qual agente está causando a mastite e, dessa forma, atuar de forma rápida e precisa sobre qual antibiótico usar para cada caso e até mesmo decidir pelo não tratamento, dependendo do agente etiológico.
Alguns estudos relatam que entre 30 e 50% das culturas de mastite clínica não apresentam crescimento de bactérias, não justificando assim o tratamento com antimicrobianos.
Além disso, grande proporção das infecções causadas por patógenos gram negativos são rapidamente eliminadas pelo próprio sistema imunológico da vaca.
A terapia de vaca seca é um método bastante utilizado pelos produtores de leite durante a secagem das vacas para o tratamento de infecções intramamárias existentes e prevenção de novos casos de mastite.
Neste método, utiliza-se bisnagas de antimicrobiano de amplo espectro em cada quarto mamário, geralmente associado à posterior aplicação de selante de teto.
Nos últimos tempos, a terapia seletiva de vaca seca tem ganhado forças como uma alternativa que visa a redução do uso de antimicrobianos, promovendo a avaliação da necessidade de tratamento durante a secagem de cada vaca em específico.
Os principais critérios considerados na terapia seletiva de vaca seca são o histórico da contagem de células somáticas (CCS) e mastite clínica durante a lactação e o resultado da cultura microbiológica durante a secagem. Atualmente, poucos rebanhos conseguem preencher estes critérios e implementar este tipo de terapia, o que faz com que poucos produtores a adotem.
No Brasil, estima-se que a média de CCS seja de aproximadamente 550 mil células/mL e que 45% das vacas apresentam mastite subclínica no momento da secagem.
Portanto, nesta realidade, o uso de antimicrobianos configura uma prática indispensável dentro de um conceito de controle de mastite.
Frente à realidade de resistência bacteriana aos antimicrobianos em uso e da pressão atual do mercado consumidor, a racionalização do uso desses medicamentos torna-se uma questão urgente na pecuária leiteira.
A mastite é um dos principais eventos nos quais os antibióticos são mais utilizados. Analisar de forma segura e detalhada cada situação permite que a melhor decisão seja tomada, podendo reduzir sua utilização e os custos com tratamento por animal na propriedade.
Alternativas como cultura microbiológica do leite e terapia seletiva de vacas secas auxiliam no tratamento direcionado dos casos e uso consciente dos antimicrobianos.
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]]>Apesar de pouco eficiente, a pecuária extensiva apresenta riscos relativamente baixos. A busca pela eficiência produtiva e o aumento da rentabilidade passa pelo inevitável processo de intensificação, trazendo consigo o aumento dos riscos para a pecuária.
Concomitante ao aumento de riscos na atividade, tem-se o aperfeiçoamento e a eficiência nos controles produtivos, controles zootécnicos e principalmente econômicos e financeiros.
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A gestão financeira e econômica na pecuária de corte permite, dentre outros fatores, a minimização dos riscos gerados pelo aumento da intensificação do sistema de produção e o conhecimento dos custos de produção. Conhecer os custos de produção é extremamente importante para a busca do aperfeiçoamento dos processos produtivos e para a garantia da margem de lucratividade.
Essa gestão da propriedade exige controle, sendo que dentro desse controle há uma estrutura que se destaca e deve estar muito bem estruturada e alinhada com o sistema produtivo da propriedade, o plano de contas.
O plano de contas representa um conjunto de contas que irá caracterizar e classificar toda movimentação financeira e econômica da fazenda em uma nomenclatura comum, permitindo análises assertivas e eficientes quanto às movimentações.
De maneira resumida, o plano de contas irá separar todos os custos com a alimentação do rebanho em uma conta chamada “nutrição” ou todos os custos com manutenção e insumos para oficina em uma conta “máquinas”, por exemplo. E assim será realizada a separação de todas as movimentações de entrada e saída da propriedade.
O plano de contas pode ser mais ou menos detalhado, de acordo com a estrutura da propriedade e com o nível de detalhamento desejado pela administração da fazenda.
Planos muito detalhados exigem o maior treinamento e qualificação da mão de obra responsável pelos lançamentos, sendo que um plano menos específico inviabiliza o aprofundamento nas análises posteriores. Entretanto, é importante começar de forma mais simplificada e ir evoluindo o nível de detalhamento à medida que a equipe fica mais capacitada para tal função.
O primeiro ponto a se avaliar na propriedade onde se tem interesse em estruturar as rotinas financeiras e aperfeiçoar o gerenciamento financeiro e econômico da fazenda, é avaliar se já existe um plano de contas presente nessa propriedade e se há uma rotina de levantamento e tabulação de dados.
Não necessariamente denomina-se “plano de contas”, mas em ocasiões específicas há uma separação grosseira das contas, onde separam contas de uma maneira bem macro, exemplo contas do “rebanho” e contas “máquinas”.
Entendendo a organização das contas atuais da propriedade é possível então iniciar-se o processo de implantação de um plano de contas estruturado daquela fazenda.
Onde há a intenção de se detalhar ao máximo as contas da atividade vamos estabelecer “níveis” de contas. Primeiro nível de contas, faremos uma classificação ampla, exemplo “Despesas”. Já no segundo nível, iniciaremos a estratificação dessa conta, “Despesas operacionais” é um exemplo, e assim segue-se a estratificação, até o detalhamento do produto.
Ao longo do texto, vamos exemplificar um plano de contas real, utilizado em uma propriedade de corte, para que o entendimento fique perfeito.
O primeiro nível de um plano de contas quando pensamos em saídas, é o nível mais abrangente é justamente o que denominamos “Despesas”. Todo o fluxo financeiro que sai da propriedade deverá ser classificado em alguma conta dentro das despesas.
Ao aprofundarmos nossa análise chegamos em um segundo nível. Como neste nosso exemplo faremos a avaliação de um plano de contas muito detalhada, o nosso segundo nível contará com três grandes contas: operacionais, financeiras e investimentos.
Quando somamos então, todas as saídas das contas “Operacionais”, “Financeiras” e “Investimento” temos o total da conta de nível “Despesas”.
Na conta “Financeiras” – que está dentro das Despesas (Nível 1) → Financeiras (Nível 2) – vamos incluir todas as saídas da propriedade que estão relacionadas a “Amortização”, “Distribuição de lucro” e “Juros”, por exemplo, cada um desses itens representará uma conta de terceiro nível.
Mas pode-se estratificar ainda mais as Despesas Financeiras de Amortização, incluindo dentro dessa conta uma conta de quarto nível, ou conta gerencial, por exemplo, conta para “Empréstimo de custeio”, por fim cada um dos Empréstimos de Custeio receberá sua identificação, e ficaria assim: Empréstimo n°x, chegando ao quinto nível de estratificação do plano de contas.
Sendo assim temos:
Nível 1 🡪 Nível 2 🡪 Nível 3 🡪 Nível 4 🡪 Nível 5
Despesas 🡪 Financeiro 🡪 Amortização 🡪 Empréstimo custeio 🡪 Empréstimo n°x
Essa mesma lógica funcionará de maneira semelhante para as outras despesas:
Despesas 🡪 Investimentos 🡪 Veículos, por exemplo.
E por fim destacamos as Despesas Operacionais (Nível 2), exatamente nessa conta, são lançadas todas as despesas relacionadas diretamente à produção.
A produção pode ser pecuária ou agrícola em uma grande propriedade, e por isso destacamos o terceiro nível com “Despesas Operacionais Pecuária” ou “Despesas Operacionais Agricultura”, sendo que a soma de todas as despesas da pecuária e agricultura será o total de Despesas Operacionais.
Desse modo, teremos:
Nível 1 🡪 Nível 2 🡪 Nível 3 🡪 Nível 4 🡪 Nível 5 🡪 Nível 6
Despesas 🡪 Operacionais 🡪 Pecuária 🡪 Alimentação 🡪 Insumo Energético 🡪 Produto (milho)
Fonte: Arquivo pessoal de Régis Henrique, técnico do Rehagro.
A imagem acima, mostra um exemplo do detalhamento de um plano de contas seguindo a lógica que abordamos.
Podemos fazer dessa mesma forma o detalhamento para todos os insumos de todos os custos e despesas envolvidos no rebanho.
Fonte: Arquivo pessoal de Régis Henrique, técnico do Rehagro.
Na figura acima, é possível avaliar um plano de contas, até o quarto nível, relacionados às Despesas Operacionais da Pecuária.
Essa estrutura permite um perfeito entendimento de onde estão sendo alocados as principais despesas da propriedade, e auxiliará o entendimento da composição dos custos de produção do produto final.
Fonte: Arquivo pessoal de Gustavo Melo, técnico do Rehagro.
Assim como é feito o detalhamento das despesas, as receitas também devem ser detalhadas, sendo importante que se entenda o perfil das receitas da propriedade. A lógica é a mesma, se estabelece um Nível 1, “Receitas”, onde todas as receitas são encontradas e a partir dela é realizada a estratificação.
Fonte: Arquivo pessoal de Régis Henrique, técnico do Rehagro.
O detalhamento das receitas é tão importante quanto o detalhamento das despesas.
Controlar e avaliar as finanças de uma propriedade é fundamental para o sucesso da atividade. Só é possível angariar esforços na redução de custos de maneira efetiva, quando se conhece o perfil dos custos da fazenda. Por isso, o plano de contas é uma estrutura que facilita e permite uma avaliação detalhada da composição dos custos.
A facilidade de se entender, por exemplo, quanto se gastou ao longo de um ano com insumos energéticos, com energia elétrica, manutenção de máquinas etc, permite que se entenda melhor as despesas da propriedade e ainda que se centralize os esforços para a redução dos custos que realmente impactam no sistema de produção.
O importante é que cada propriedade estabeleça um plano de contas fiel à sua realidade e que, esse plano, seja alimentado regularmente.
Aqui no Rehagro, temos o Curso Online Gestão na Pecuária de Corte, um treinamento completo, que aborda todos os tópicos acima em videoaulas de 15 minutos por dia e encontros online ao vivo para que os alunos possam tirar suas dúvidas.
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]]>O post Fibra efetiva na nutrição de gado de corte: qual a importância? apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>O maior desempenho, entretanto, é acompanhado de novos desafios, dos quais técnicos nutricionistas buscam otimizar o adensamento com a inclusão mínima de fibras efetivas na dieta, feita a partir do oferecimento de volumosos, buscando excelentes resultados sem comprometer a saúde do indivíduo.
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Na falta de estímulo de fibra no rúmen-retículo, há comprometimento da ruminação e da produção de saliva. Essa última, por sua vez, é rica em elementos tamponantes para manter o pH ruminal. Sua falta resulta em queda de pH que, dependendo da intensidade, pode contribuir para um quadro de acidose. A acidose pode se desdobrar em timpanismo espumoso e laminite, além de ter impactos negativos e irreversíveis no desempenho animal.
A fibra também estimula a motilidade, que é importante por aumentar o contato do substrato com as enzimas extracelulares dos microrganismos do rúmen, auxiliar na ruminação e na renovação de conteúdo ruminal, ajudando a aumentar a taxa de passagem. A mudança na taxa passagem tem como consequência:
É comum haver casos de acidose subclínica: aquela que existe, mas não tem sintomas evidentes. Um bom indicativo de que pode estar ocorrendo é o consumo de matéria seca muito variável.
Na determinação do nível mínimo de fibra na dieta dos bovinos de corte, é importante que seja considerada a porção da fibra que efetivamente estimula a ruminação. Para garantir que a dieta tenha fibra em detergente neutro (FDN) desejável e que promova efetividade na ruminação, a fibra fisicamente efetiva (FDNfe) começou a ser mensurada.
A figura exemplifica que a porção de FDN está contida na matéria seca (MS) da dieta, que possui um percentual de efetividade. No primeiro exemplo, a efetividade física do FDN é menor que no segundo.
O FDNfe foi definido como a porcentagem do FDN que efetivamente estimula a mastigação, salivação, ruminação e motilidade ruminal. O conceito utilizado pelo NRC (1996) define como a soma das porcentagens do material retido em peneira acima de 1,18mm após separação vertical, e multiplicado pelo valor de FDN da amostra (FDNfe = FFDN x FDN amostra em %MS). As partículas menores que 1,18 mm não são capazes de estimular a ruminação e os demais fatores discutidos anteriormente.
Essa peneira foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia nos EUA, sendo nomeada de separador de partículas da Penn State (The Penn State Particle Separator). O método para mensurar consiste em passar uma amostra do material nas peneiras (19 mm, 8 mm, 1,18 mm e fundo).
Porém, no campo a peneira 1,18 mm foi substituída pela de 4 mm devido muitas partículas ficarem retidas na peneira 1,18 mm serem de baixa ou nenhuma efetividade. Ainda assim, o material da peneira 4 mm deve ser avaliado com cautela, pois partículas de rápida fermentação ruminal podem ficar retidas na peneira superestimando os valores de FDNfe. Essa peneira pode ser desconsiderada na soma, caso o nutricionista adote isso como critério.
O que se sabe é que os zebuínos têm maior exigência de FDNfe, sendo algo em torno de 25-30%.
Essa exigência para demais bovinos ficaria próximo a 15%. Mas, estes valores podem ser muito variáveis, de acordo com o manejo da fazenda, maquinário existente na propriedade, qualidade de fibra e uso de aditivos.
Requerimento de FDNfe em bovinos (TMR = ração de mistura total). Fonte: Dados do NRC, 2016.
No gráfico a seguir, é visto que a diminuição do FDNfe resulta em menor pH ruminal, podendo chegar a níveis muito baixos dependendo da dieta fornecida. Por isso, é importante estarmos atentos aos níveis de FDNfe dos alimentos mais utilizados.
A influência do teor de fibra fisicamente efetiva na dieta sob o pH ruminal de bovinos.
Nas dietas formuladas, principalmente em confinamentos, alguns alimentos são utilizados com o único intuito de fornecer fibra efetiva aos animais.
Dentre os alimentos mais comumente utilizados no Brasil, alguns se destacam: o bagaço de cana que além de preço acessível (dependendo da região) apresenta uma importante porcentagem de fibra fisicamente efetiva, o feno também pode ser utilizado com esse intuito e até mesmo silagens de milho, capim, sorgo, que passaram um pouco do ponto de ensilagem podem ser utilizados com intuito de fornecer fibra efetiva a esses animais.
Além desses, outros importantes alimentos podem apresentar importante perfil de FDNfe e devem ser levados em consideração.
O quadro abaixo ilustra a efetividade de alguns insumos utilizados para bovinos. Note que o processamento é um fator crucial para esse parâmetro. Portanto, cada fazenda precisa conhecer seu insumo, e para isso a análise bromatológica e física das partículas é imprescindível para uma boa formulação de dieta.

Alguns subprodutos podem ser utilizados com o objetivo de estimular a ruminação através de sua efetividade, como por exemplo a casquinha de soja e o caroço de algodão, ambos alimentos possuem em sua composição bromatológica característica interessantes, o caroço com 44% de FDN, em média, e a casquinha 70% de sua MS total, entretanto por características dessa fibra a utilização dos dois alimentos se diferem.
A fibra efetiva do caroço de algodão é significativa para proporcionar a ruminação dos bovinos, podendo ser utilizada então com esse intuito, já a casquinha não apresenta essas características, e apesar de ser uma excelente alternativa de alimento não deve ter sua efetividade levada em consideração para promover ruminação.
Quando pensamos em fornecer fibra aos animais buscando as características de sua efetividades, podemos acreditar que quanto maior o tamanho da partícula, melhor será para a dieta, entretanto partículas grandes em demais, acima de 19 mm, em grandes quantidades na dieta podem proporcionar uma seleção por parte dos animais, essa seleção acarreta diversos prejuízos como por exemplo, sobras no cocho e desempenho aquém do esperado para a dieta.
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]]>O post 4 principais doenças que acometem os bezerros apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Os primeiros cuidados logo após o nascimento, como a colostragem, cura de umbigo e nutrição adequada antes e após a desmama tornam-se imprescindíveis para garantir a saúde dos animais.
Caso estas ações não sejam realizadas corretamente ou sejam negligenciadas, as taxas de morbidade e mortalidade aumentam consideravelmente, trazendo prejuízos à propriedade.
Em algumas situações o prejuízo pode até não ser acentuado a curto prazo, mas o processo de determinadas doenças ocasiona alterações permanentes nos animais de forma a impactar no seu desenvolvimento e vida futura.
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Dentre as doenças que afetam as bezerras durante a fase de recria, as mais ocorrentes são as diarreias, as infecções umbilicais, as doenças respiratórias e a tristeza parasitária bovina.
Conforme será mostrado e discutido ao longo deste texto, dados de campo têm demonstrado quais são os períodos críticos para a ocorrência destas doenças.
Estes dados constituem informações valiosas que auxiliam na prevenção e no monitoramento dos distúrbios da saúde dos animais, podendo ser utilizados para definição de estratégias visando redução do número de casos de doenças.
A diarreia consiste em uma das principais razões pelas quais as bezerras adoecem ou morrem. Durante a fase de aleitamento as bezerras são altamente susceptíveis à ocorrência de diarreias devido ao sistema imunológico não estar plenamente desenvolvido e estabelecido.
Este fato contribui para que uma ampla diversidade de agentes patogênicos tenha a chance de se instalar no organismo do animal. Com isso, ocorrerão distúrbios intestinais de graus variáveis.
Esta ampla diversidade de agentes patogênicos constitui um dos motivos que dificultam o diagnóstico etiológico das diarreias. No entanto, conforme mencionado anteriormente, os dados de campo fundamentam-se como uma importante ferramenta que expressa os períodos críticos de atuação dos principais agentes envolvidos nas diarreias em bezerras leiteiras.
Todavia, há aquelas diarreias de origem não infecciosa, ou seja, não possuem um agente patogênico como causador. Estas diarreias tendem a se desenvolverem mediante a situações que prejudicam a absorção intestinal, fazendo com que solutos se acumulem na luz do órgão.
O acúmulo de solutos resulta na formação de um meio com alta osmolaridade que possui a capacidade de atração hídrica para o intestino, aumentando assim a fluidez das fezes.
As causas das diarreias não infecciosas envolvem principalmente erros no manejo alimentar das bezerras, como a má higienização dos utensílios e a oferta de sucedâneos de baixa digestibilidade.
Dentre os inúmeros efeitos que um quadro de diarreia ocasiona no animal, os principais são a desidratação, as perdas eletrolíticas e o desequilíbrio ácido-básico. Estes efeitos podem se apresentar em níveis variados, porém sempre possuem como característica o comprometimento do estado geral do animal e, consequentemente, facilitam a entrada de novos agentes infecciosos.
Portanto, assim como em qualquer outra doença/distúrbio, na diarreia o ideal é que o diagnóstico seja feito precocemente. Também é importante que o tratamento comece a ser realizado o mais rápido possível a fim de evitar maiores complicações no organismo do animal.
Dentre os agentes causadores de diarreia em bezerras leiteiras durante a fase de aleitamento, os principais são:
Agentes comuns em bezerras como a Escherichia coli e alguns vírus tendem a ocasionar diarreia logo nos primeiros dias de vida, enquanto agentes como Cryptosporidium spp. acometem mais o sistema digestivo do 5º ao 15º dia de vida, em média.
Todos os principais agentes patogênicos citados possuem as vias oral e fecal como potenciais meios de transmissão. Além disso, a higiene das instalações e do ambiente constitui uma medida básica e essencial de profilaxia.
O gráfico a seguir demonstra o ponto crítico para ocorrência de diarreia em bezerras leiteiras de acordo com a idade (dias):
Número de casos de diarreia em bezerras leiteiras de acordo com a idade (dias)
Dinâmica da excreção de oocistos de Cryptosporidium spp. (Fonte: Leite, 2014.)
O processo de cura de umbigo representa um dos primeiros cuidados que se deve realizar com as bezerras logo após o nascimento, visto que o umbigo do recém-nascido ainda está aberto e corresponde a uma grande porta de entrada de microorganismos.
Caso uma quantidade considerável de bactérias alcance as estruturas umbilicais intra-abdominais e se dissemine pelo organismo, várias alterações podem ser desencadeadas, dentre elas a septicemia, a pneumonia, abcessos pulmonares e hepáticos, poliartrites, endocardites, encefalites etc.
Além destas alterações, um umbigo curado inadequadamente, ou não curado, representa um excelente atrativo de moscas que desencadeiam processos de miíases.
Um dos métodos mais eficazes para avaliação da eficiência da cura de umbigo consiste na realização da palpação umbilical. Neste método objetiva-se o reconhecimento manual das estruturas umbilicais, classificando-as em escores de 0 a 2, sendo:
Uma meta ideal seria de que no mínimo 90% das bezerras avaliadas expressem escore umbilical 0, ou seja, sem alterações.
O período recomendado para que a palpação seja feita corresponde da 2ª à 3ª semana de vida. Caso a avaliação seja realizada antes da 2ª semana de vida, as estruturas umbilicais se apresentarão em uma conformação diminuta que inviabiliza a identificação manual.
Por outro lado, caso a palpação seja feita após a 3ª semana de vida as estruturas umbilicais estarão em maior dificuldade para palpação devido ao aumento da resistência da musculatura abdominal das bezerras.

Normalmente, a patogênese das doenças respiratórias bovinas envolve a associação de fatores de estresse que comprometem os mecanismos de defesa do organismo, facilitando a infecção primária das vias respiratórias por um ou mais micro-organismos.
Sinais clássicos de problemas respiratórios em bezerras leiteiras envolvem corrimento nasal, tosse, aumento da frequência respiratória, alteração do padrão respiratório, letargia e febre (temperatura retal igual ou superior a 39,3°C).
Dentre a diversidade das doenças respiratórias bovinas, a pneumonia é a mais comum. Quadros crônicos de pneumonia possuem a característica de provocar consolidação do parênquima pulmonar, reduzindo assim a capacidade respiratória do animal para o resto da vida.
Além de uma boa colostragem, assegurar uma adequada qualidade do ar nas instalações torna-se fundamental para evitar quadros de pneumonia. O ambiente onde as bezerras são alojadas deve ser seco, arejado e livre de odores e resíduos.
Conforme já mencionado anteriormente, a correta cura de umbigo também constitui um ponto importante para prevenção de pneumonia em animais recém-nascidos, visto a barreira química formada no cordão umbilical que impede a disseminação microbiana pelo organismo.
O gráfico a seguir demonstra os pontos críticos para ocorrência de pneumonia em bezerras leiteiras de acordo com a idade (dias):
Número de casos de pneumonia em bezerras leiteiras de acordo com a idade (dias)
A tristeza parasitária bovina baseia-se em uma doença de grande ocorrência nacional, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Os impactos ocasionados na cadeia leiteira são importantes e a morbidade durante a fase de recria tende a ser elevada em propriedades que não realizam a prevenção e o monitoramento para a doença.
A tristeza parasitária é ocasionada pela associação de dois agentes etiológicos intra-eritrocitários, sendo a bactéria Anaplasma marginale e o protozoário Babesia, com as espécies B. bigemina e B. bovis. Tanto a anaplasmose quanto a babesiose podem ser transmitidas através do uso de instrumentos perfurocortantes contaminados (agulha, bisturi, etc.).
O agente Anaplasma marginale ainda pode ser transmitido via picada de insetos hematófagos, como moscas e mutucas, e a Babesia sp. pode ser veiculada via repasto sanguíneo de carrapatos infectados.
Os sinais clássicos da doença incluem febre (temperatura retal igual ou superior a 39,3°C), letargia, apatia, alteração na coloração das mucosas (ictéricas, pálidas e/ou com presença de petéquias), corrimento lacrimal e perda de apetite.
Como profilaxia da tristeza parasitária bovina recomenda-se o controle de ectoparasitas e de insetos tanto nos animais quanto no ambiente, evitar o uso compartilhado de agulhas e realizar o monitoramento da temperatura retal dos animais.
Os animais positivos para a doença devem ser tratados o quanto antes, a fim de evitar a proliferação dos agentes, além de receberem tratamento de suporte com hidratação oral e/ou endovenosa e antipiréticos.
O gráfico a seguir demonstra o ponto crítico para ocorrência de tristeza parasitária bovina em bezerras leiteiras de acordo com a idade (dias):
Número de casos de TPB em bezerros leiteiros de acordo com a idade (dias)
Mucosas ictéricas (A) e pálidas com petéquias (B) em bezerras com TPB
Essas são algumas das principais doenças que podem acometer as bezerras leiteiras e, por isso, merecem a atenção do produtor.
Ressaltando, juntamente com o oferecimento adequado do colostro, a cura do umbigo é uma medida sanitária prioritária, que influenciará diretamente a saúde do rebanho de qualquer criatório bovino.
Pequenas melhorias podem trazer grandes resultados na sua produção de leite. Venha saber quais são elas no Curso Online Gestão da Pecuária Leiteira.
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]]>O post Análise genômica em bovinos leiteiros: veja a utilização apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>A seleção consiste na triagem de indivíduos superiores pertencentes a um determinado rebanho. Ou seja, os indivíduos que possuem uma melhor performance produtiva e/ou reprodutiva quando comparados aos outros indivíduos do mesmo rebanho são selecionados para permanecerem e perpetuarem a sua genética.
Já o acasalamento constitui a ferramenta onde os animais de melhor desempenho zootécnico são direcionados para serem os pais da próxima geração.
Em resumo, ambas as ferramentas possuem como objetivo aumentar a frequência de genes favoráveis em uma determinada população.
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Durante muito tempo, a análise do desempenho da cria de um determinado touro ou de uma determinada vaca foi o método mais eficaz para avaliação genética dos reprodutores. Este método ficou conhecido como Teste de Progênie, e é utilizado até os dias atuais devido a sua confiabilidade.
No entanto, uma de suas desvantagens se diz a respeito do longo tempo necessário para obtenção dos resultados. Também é válido citar a necessidade de ter uma progênie relativamente extensa para dar segurança aos dados.
Com o passar dos anos, por volta do final da década de 80 e início da década de 90, incorporou-se modelos estatísticos precisos nos programas de melhoramento genético. Este modelo ficou conhecido como Modelo Animal.
O modelo estatístico visa a associação dos dados de desempenho do próprio animal com os dados de sua matriz de parentesco (pai, mãe, irmãos, avós etc.). O intuito é ter uma estimativa e obtenção dos valores genéticos. A inclusão de um modelo estatístico nos programas de melhoramento animal propiciou o avanço e a otimização das ferramentas de seleção e acasalamento. Como consequência, houve o aceleramento do progresso genético dos rebanhos em todo mundo.
Nos anos de 2008/2009, nos Estados Unidos, a tecnologia da genômica foi lançada para a área da pecuária leiteira de modo a revolucionar todo o mercado da genética bovina.
Desde então, os testes genômicos têm mudado a forma como os produtores de leite tomam suas decisões, fazem a seleção e gerenciam os acasalamentos de seus rebanhos. A genômica permite aos técnicos e produtores a possibilidade de conhecer geneticamente os rebanhos, estratificando assim os grupos de animais que possuem uma genética superior ou inferior em diversos pontos.
A análise genômica nos bovinos atua de modo a identificar marcadores moleculares que são de interesse econômico para os produtores.
De forma a contextualizar melhor o assunto, marcadores moleculares são variações no material genético (genoma) que caracterizam as diferenças fenotípicas entre dois ou mais indivíduos. Variações fenotípicas estas que podem ser expressas em quesitos como:
Vários são os tipos de marcadores moleculares existentes, sendo que os principais identificados pelos testes genômicos são os polimorfismos de base única (Single Nucleotide Polymorphism – SNP).
Este tipo específico de marcador molecular se baseia na alteração em uma única base na molécula de DNA de um indivíduo em comparação com um genoma de referência. E, como já mencionado, são justamente tais alterações que ditam as variações fenotípicas em uma população.
Através da tecnologia da engenharia genética foram desenvolvidos chips capazes de analisar e identificar detalhadamente o genoma dos animais. Para isto, basta coletar uma amostra de material genético (bulbo capilar, sangue etc.) do indivíduo e enviar para uma empresa/laboratório especializado no assunto.
Lá, esse material genético é processado por sistemas automatizados contendo chips com milhares de marcadores moleculares. Ao final de todo o processo é gerado um relatório contendo as informações genéticas específicas que foram identificados de um determinado animal.
Fonte: Grupo Rehagro
Se formos comparar a avaliação genômica + avaliação convencional (pedigree, progênie) com a avaliação convencional isolada, notamos que ela propicia uma maior velocidade nas análises, maior acurácia dos valores e maior alcance do valor genético verdadeiro.
No entanto, devemos sempre ter em mente que a avaliação genômica é um acelerador de todo o processo de melhoramento genético, e não um substituto.
Antigamente, por exemplo, um touro só teria seus primeiros valores genéticos divulgados com a idade de aproximadamente 7 a 8 anos. Isso porque precisaria esperar suas filhas nascerem e entrarem em idade reprodutiva e produtiva.
Nos dias atuais, com a tecnologia da genômica, não há essa necessidade, pois um touro já possui seus valores genéticos mensurados até mesmo antes da puberdade. Este exemplo demonstra claramente o auxílio que a genômica proporcionou para aumentar o progresso genético dos rebanhos bovinos.
Além dos benefícios já citados, as avaliações genômicas são utilizadas para mensurar características caras e complexas de serem medidas, de manifestação tardia, de baixa herdabilidade, medidas pós morte e também para correção dos valores da matriz de parentesco.
Outros grandes benefícios da utilização da genômica nas fazendas consistem:
Após o seu lançamento, os testes genômicos têm sido utilizados para identificação das características dos animais em diversos aspectos.
Os principais são os que envolvem particularidades de produção, saúde, conformação, habilidade de parto e doenças. A maioria dessas características já eram mensuradas antes do advento da genômica. No entanto esta tecnologia aumentou a velocidade de obtenção e a acurácia dos valores.
Dentro do critério de seleção de produção de leite, as características de maior destaque são relacionadas ao volume de leite produzido e a quantidade e ao percentual de produção de gordura e proteína.
Atualmente, aumentamos bastante o número de rebanhos genotipados para a beta-caseína A2. Sua capacidade – quando em homozigose (A2A2) – não ocasiona distúrbios digestivos nos humanos consumidores de leite e derivados.
Os animais que sabidamente possuem o gene para beta-caseína A2 tendem a serem acasalados entre si para obtenção de uma progênie homozigota (A2A2). Logo, a tendência atual é de que cada vez mais se tenha rebanhos formados por animais com genótipo A2A2 para beta-caseína.
Com relação às doenças de cunho genético, estas são analisadas a partir de haplótipos – combinações alélicas que resultam na expressão de uma doença. Holandês, Jersey e Pardo Suíço são algumas das raças leiteiras que possuem haplótipos identificados para doenças (CVM, BLAD, BY etc).
As informações sobre os haplótipos podem ser importantes ferramentas na hora de realizar um acasalamento bem direcionado de modo a evitar a ocorrência de doenças genéticas.
Em um estudo de Adams e colaboradores, em 2016, há relatado que um touro holandês portador de um haplótipo foi amplamente utilizado em rebanhos leiteiros por volta da década de 60. Anos depois realizou-se um levamento a cerca deste caso. Concluíram que a utilização deste touro portador de um haplótipo causou uma perda estimada de 500 milhões de dólares devido a perdas gestacionais.
De modo geral, podemos concluir que as avaliações genômicas desempenham um importante papel no melhoramento do rebanho leiteiro. Elas contribuem em potencial para aumentar o progresso genético das populações.
No entanto, de nada adianta querer utilizar somente a genômica e fechar os olhos para as avaliações tradicionais (pedigree, progênie). Independente do avanço genômico, as informações de pedigree e de teste de progênie continuam sendo extremamente essenciais para condução do mapeamento e melhoramento genético dos rebanhos bovinos.
As ferramentas genéticas, quando bem utilizadas e manejadas, trazem bons retornos aos produtores nas mais diversas áreas, seja produção, reprodução, nutrição, sanidade, dentre outras.
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]]>O leite é um dos mais completos alimentos disponíveis e seu baixo custo relativo para a população faz dele um componente indispensável da dieta.

Composição média do leite
O principal grupo de proteínas do leite são as caseínas. Estas proteínas contêm uma composição de aminoácidos de grande importância para o crescimento e desenvolvimento infantil. Elas são facilmente digeridas no intestino quando comparadas com outras fontes de proteicas, fazendo do leite uma das melhores fontes existentes deste nutriente.
A composição do leite pode ser alterada basicamente por três fatores:
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As diferentes raças leiteiras apresentam diferentes composições de leite, como visto na tabela abaixo:

Dentro das diferentes raças, podemos ainda trabalhar geneticamente para a seleção de rebanhos com teores maiores ou menores de sólidos e/ou volume.
Sabemos que a seleção genética para volume de leite tem correlação negativa com percentuais de gordura e proteína, ou seja, quando selecionamos para altos volumes de leite (kg), a tendência é perdermos em percentuais de gordura e proteína.
Desta forma, é necessário traçar uma estratégia de seleção que atenda à demanda do mercado comprador. A tabela abaixo demonstra as diversas estratégias de seleção genética conforme interesse do mercado comprador.

Composição do leite conforme critério de seleção
Baseado nesta tabela, podemos optar pelo caminho a ser traçado na seleção genética para produção. Os atuais sistemas de pagamento do leite sugerem que volume de leite é uma importante característica a ser trabalhada. O volume de sólidos passa a ter importância no sistema de pagamento, com diversas empresas remunerando o produtor conforme teor de sólidos no leite produzido.
De acordo com estas colocações, nos parece mais lógico trabalhar com a seleção para volume de proteína, no entanto, rebanhos que já tenham altas produções médias nas suas vacas, podem se beneficiar trabalhando em selecionar percentuais (% proteína ou % gordura).
Basicamente, devemos estar atentos para a situação corrente do rebanho e, obviamente, para o que o mercado está buscando. A remuneração do produto (leite) definirá a estratégia de seleção genética para produção no rebanho.
A genética cumpre importante papel na determinação dos atuais níveis de produção e composição do leite. A seleção através do uso de touros e vacas superiores tem se mostrado uma ferramenta de alto valor para o melhoramento das diferentes raças leiteiras no que se refere à sua principal função, qual seja, produzir leite.
Confira o progresso genético obtido nos diferentes componentes do leite dentro da raça Holandesa nos EUA.

O gráfico acima representa os ganhos genéticos (EBVs) para volume de leite de vacas e touros ao longo dos últimos 40 anos. Os valores fenotípicos correspondentes passaram de 6.259 kg de leite em 1960 para os 11.623 kg em 2003!

O volume de gordura em 1960 era de 230 kg por lactação. Este volume passou para 426 kg em 2003. Grande parte deste aumento se deve ao próprio aumento em volume de leite, uma vez que os percentuais de gordura mostram-se estáveis.

A exemplo das outras características de produção, também a proteína teve grande aumento ao longo dos últimos 40 anos.
Notamos que este aumento é mais acentuado do que a de gordura, mais uma vez refletindo as demandas de mercado e sua influência na seleção genética. O volume de proteína na raça Holandesa em 1960 era de 196 kg por lactação. Este volume passou para 357 kg em 2003.
As características de produção têm médias a altas herdabilidades, até certo ponto em função da facilidade como são medidas e da acurácia das mensurações. Desta forma, o progresso genético obtido é relativamente rápido. Consideramos características de média a alta herdabilidades aquelas que estão acima de 0,12 (12%). Confira as herdabilidades para as características de produção:

Como fica evidente nos números mostrados acima, a seleção genética para as características de produção tem rápidas respostas em função das altas herdabilidades apresentadas.
Na prática, podemos dizer que o produtor tem uma relativa facilidade em obter melhorias nos teores de sólidos e volumes de produção com o uso da genética adequada. No entanto, como mencionado, a seleção isolada para produção atende apenas a uma parte do processo.
Para o produtor, é essencial que ele obtenha alta produção de uma matéria prima de qualidade com vacas eficientes e rentáveis.
Características como fertilidade, longevidade e baixo custo de manutenção são essenciais para obter a rentabilidade esperada. Estas características dependem em muito de uma correta estrutura funcional da vaca.
Com isso, queremos dizer que a funcionalidade de sistema mamário, correção de aprumos, estrutura de garupa adequada que facilite os processos reprodutivos e dê correta sustentação de úbere, além de equilibrada força e caracterização leiteira, são características importantes num processo de seleção.
Muitas destas características têm herdabilidades consideradas médias a baixas.
Desta forma, o processo de seleção torna-se ainda mais importante, devendo o produtor estar constantemente atento ao uso de touros que mantenham o equilíbrio desejado entre produção e tipo funcional. Touros extremos para uma ou outra característica nem sempre trazem o melhor resultado no longo prazo.
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]]>Logo após ao parto essas estruturas se rompem, perdem a funcionalidade e originam o coto umbilical, que ainda assim possui importância para as bezerras recém-nascidas devido representar uma “ferida aberta” que serve como porta de entrada de microrganismos do ambiente para o organismo.
Sendo assim, o processo de cura de umbigo representa um cuidado inicial extremamente importante para a saúde das leiteiras e que impacta diretamente seu desenvolvimento futuro.
Neste texto serão discutidos aspectos sobre a anatomia umbilical, consequências das onfalites, cura adequada do umbigo e monitoramento da saúde umbilical. Acompanhe!
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Conforme demonstrado pela imagem abaixo, a anatomia umbilical é composta por uma veia que se direciona diretamente ao fígado, por duas artérias que se distribuem pelo organismo e pelo úraco que estabelece ligação com a bexiga.

Conhecer as estruturas que compõem o umbigo das bezerras é essencial para entender as consequências das infecções umbilicais, denominadas também como onfalites.
O desfecho dos quadros de onfalite depende principalmente da estrutura umbilical acometida e da eficiência de processos como a colostragem. O esquema apresentado abaixo expõe as principais consequências das onfalites de acordo com a estrutura umbilical acometida.


Casos de onfalite em bovinos recém-nascidos. (Fonte: Rafael Perez, Grupo Rehagro).
Além da possibilidade de acarretar alterações físicas e fisiológicas no organismo das bezerras, estudos demonstram que os distúrbios gerados pelas infecções umbilicais possuem correlação com redução da produção de leite já na primeira lactação.
Em casos onde a bezerra não foi bem colostrada e desenvolveu onfalite, por exemplo, as consequências são ainda mais graves. Onfalites não diagnosticadas e/ou não tratadas tendem a se complicar, ocasionando septicemia e levando os animais ao óbito.
Realizar a cura de umbigo significa imergir o coto umbilical até a sua base em uma substância antisséptica e desidratante. A substância que possui essas características e que é mais recomendada para este processo é a tintura de iodo com concentração a 10%.
Recomenda-se que a cura de umbigo seja feita imediatamente após o nascimento da bezerra, imergindo o cordão umbilical até a sua base na tintura de iodo durante aproximadamente 30 segundos.
A frequência mínima a ser adotada é de 2 vezes por dia, até o dia em que o umbigo seque e se desprenda do abdômen.
A conservação da tintura de iodo ao abrigo da luz solar e da matéria orgânica é essencial para garantir o seu desempenho, visto que o contato do produto com esses fatores reduz a sua bioeficiência.
É por esses motivos que se indica o armazenamento do iodo em um recipiente âmbar (reduz a passagem de radiação solar) do tipo copo sem retorno (evita o retorno de sujidade do ambiente para a tintura).

Copo sem retorno para armazenamento da tintura de iodo. (Fonte: José Zambrano, Grupo Rehagro)
A tintura de iodo pode ser de origem comercial ou produzida pela própria fazenda. Independente da sua origem, a tintura deve ser de qualidade a fim de promover uma adequada cura de umbigo.
Na tabela a seguir está demonstrada uma fórmula de tintura de iodo 10% para fabricação na fazenda, confira.

Como fazer a tintura:
A eficiência da cura de umbigo deve ser monitorada constantemente e periodicamente.
Recomenda-se realizar a avaliação do umbigo das bezerras por meio de palpação manual cerca de 15 a 20 dias após o nascimento para averiguar a eficiência do processo de cura de umbigo e detectar possíveis alterações/infecções.
O esperado é que bezerras com umbigo saudável apresentem diâmetro umbilical próximo ao de uma carga de caneta esferográfica. Avaliações a campo tem observado que os animais oriundos de fecundação in vitro (FIV)/ transferência embrionária (TE) têm apresentado um maior diâmetro do umbigo, o que deve ser diferenciado dos casos de onfalite.
Palpações umbilicais realizadas fora do período ideal, ou seja, entre os 15 e 20 dias de idade, não são muito confiáveis, pois antes dessa fase o reconhecimento das estruturas umbilicais internas não é tão fácil e após os 20 dias aumenta-se a tensão da musculatura abdominal das bezerras, dificultando o acesso das estruturas pela palpação.
Durante a palpação deve-se classificar o umbigo em um escore de 0 a 2:

Uma meta comumente trabalhada como ideal é de que no mínimo 90% das bezerras avaliadas apresentem escore umbilical 0, ou seja, sem alterações.
Dada a importância da saúde do umbigo, torna-se essencial intensificar e dar prioridade ao processo de cura de umbigo.
Casos de onfalite contribuem para redução do desempenho das bezerras, ocorrência de doenças concomitantes, aumento nos custos com tratamento e redução nas taxas de sobrevivência dos animais. Avaliar a condição umbilical de forma periódica e sistemática através da palpação manual garante o monitoramento da eficiência do processo de cura de umbigo.
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