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]]>Dessa forma, é essencial que o produtor se integre sobre o tema e introduza na sua fazenda as normas de bem-estar específicas para os bovinos de corte.
Neste artigo você vai conhecer as 5 liberdades do bem estar animal, as principais técnicas e as vantagens de implementar manejos correlacionados na sua fazenda.
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O bem-estar animal (BEA) é uma ciência que estuda a relação de respeito entre o homem com os outros animais.
A partir do envolvimento de diversos pesquisadores e profissionais da agricultura e pecuária do Reino Unido, foram criadas 5 liberdades que devem ser garantidas para que o BEA ocorra. São elas:
Para que o bem-estar animal seja alcançado é necessário respeitar as 5 liberdades, proporcionando práticas de criação e produção adequadas.
Essas práticas exigem o envolvimento de todos: produtores, funcionários, veterinários e zootecnistas.
A adoção de boas práticas no manejo de bovinos de corte é fundamental em todas as fases da vida dos animais, afinal, técnicas que promovem o bem-estar animal podem aumentar a produtividade e ajudar a minimizar problemas na rotina da fazenda.
Com essa visão, existem alguns métodos de manejo e instalações que promovem o bem-estar animal na atividade pecuária, são eles:
A conscientização sobre o bem-estar animal para os funcionários da fazenda é fundamental, pois são eles os responsáveis pelo manejo do dia a dia. Capacitação e treinamento dos funcionários quanto ao BEA, promove a maior qualidade na execução das atividades pecuárias.
Compreender o comportamento dos animais pode auxiliar os métodos de condução dos mesmos, facilitando o manejo e reduzindo o estresse. Não utilizar ferrão ou outros objetos pontiagudos para o manejo, uma técnica que pode auxiliar a condução é o uso de bandeiras, que são movimentadas atrás dos animais, para que sigam em frente.
É essencial fornecer água limpa e suplementos nutricionais de boa qualidade durante todo o ano, que sejam suficientes para atender as necessidades de crescimento, mantença e produção dos animais.
Oferecer espaço suficiente para que os animais possam manter suas atividades e expressar o comportamento normal dentro do grupo, disponibilizar condições que evitem sofrimento físico e mental (como dor, desconforto, medo e angústia).
Promover cuidados de saúde, sob responsabilidade do médico veterinário, visando prevenir, diagnosticar e tratar doenças, objetivando eliminar ou reduzir o sofrimento dos animais.
Disponibilizar sombra em quantidade suficiente para protegê-los do excesso de calor durante as horas mais quentes do dia.
Dentre as vantagens do bem-estar animal, podemos destacar a influência direta sobre o aumento da produtividade, a melhora dos índices zootécnicos e a redução da mortalidade.
Esse aumento de eficiência se dá pelo fato de que esses animais adoecem menos e assim, ganham peso mais rápido, reduzindo os custos com a criação e, como consequência, aumento nos lucros.
Outra vantagem é o aumento da qualidade dos produtos, afinal quando o conhecimento e o respeito ao comportamento além das necessidades dos bovinos são aplicados, evitamos o estresse e os danos à carcaça.
Esses fatos, proporcionam melhores resultados econômicos pois aumentam o valor agregado, melhoram a qualidade do produto final e possibilitam maior acesso ao mercado.
Além disso, a prática melhora a qualidade de trabalho na fazenda, proporcionando menor nível de estresse durante as atividades, praticidade, menos acidentes e aumento da segurança dos vaqueiros no manejo.
Sendo assim aumenta a eficiência no curral e proporciona melhor qualidade de vida a todos os envolvidos no processo, animais e seres humanos.
Os conceitos de bem-estar animal, bem como a produção de carne com segurança, sanidade e sustentabilidade estão cada vez mais presentes na pecuária de corte.
Promover essas práticas na rotina da sua fazenda não apenas melhora a produtividade e qualidade, como também facilita o trabalho dos funcionários e agrega valor à pecuária de corte nacional como um todo.
Aqui no Rehagro, temos o Curso Online Gestão na Pecuária de Corte, que é uma capacitação que reúne a solução para os maiores problemas que os pecuaristas enfrentam na nutrição, reprodução, sanidade, gestão financeira e de equipes, em todos os sistemas de criação.
Os professores são grandes consultores, com muitos anos de experiência no dia a dia das fazendas. Eles ensinam as técnicas e ferramentas usadas por eles para aumentar a rentabilidade na atividade, de forma muito clara, direta e prática.

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]]>O post E-book Sistema Digestório dos Bovinos apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Você pode incrementar seus resultados desde que entenda os motivos que tornam o rúmen tão importante e as formas práticas de maximizar a digestão dos animais na cria, recria e engorda.
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Vamos abordar os principais pontos sobre o desenvolvimento do rúmen e como ele influencia grandemente o desempenho dos animais ao longo da vida.
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]]>O post Mastite bovina: o que é, como tratar e os impactos para pecuária leiteira apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Se você trabalha na produção de leite, provavelmente já sentiu os impactos dessa doença na propriedade. Mas você sabe o que pode causá-la?
A mastite bovina, ou mamite, consiste na inflamação do tecido da glândula mamária. Essa inflamação pode ocorrer devido a traumas, lesões no úbere e até mesmo devido a alguma agressão química.
No entanto, a ocorrência deste quadro está ligada, na maioria das vezes, a contaminações por microorganismos de um ou mais quartos mamários via ducto do teto. A mastite geralmente é causada por bactérias, mas também pode ocorrer devido a fungos, algas ou leveduras.
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Em resposta a infecção pela mastite, o sistema imune envia células de defesa ao local acometido para combater a invasão no tecido.
O estímulo lesivo da infecção e a ação das células de defesa levam ao aumento da resposta inflamatória tecidual que, além de eliminar o microrganismo invasor, visa também neutralizar toxinas produzidas pelos agentes infecciosos e restaurar o mais rápido possível o tecido mamário.
A associação das células de defesa (leucócitos) com as células de descamação do epitélio da própria glândula mamária representa as células somáticas. A resposta do organismo da vaca frente a um estímulo lesivo no úbere ocasiona aumento da contagem de células somáticas (CCS) no leite.
Como dito anteriormente, as células somáticas são compostas pelas células de descamação do epitélio da glândula mamária e pelas células de defesa do sistema imune que passam da corrente sanguínea para o leite. O aumento da CCS ocorre em casos de infecção/inflamação na glândula mamária.
Nem sempre as alterações na CCS são apresentadas de forma clara. Nos casos de mastite subclínica, conforme o próprio nome já diz, não são vistas alterações clínicas relevantes.
Por outro lado, nos casos de mastite clínica as alterações são perceptíveis, caracterizadas principalmente pela presença de grumos no leite e modificações no úbere da vaca, como dor, inchaço, vermelhidão e aumento de temperatura.
Conforme já dito, na mastite subclínica não é possível observar alterações no leite e no úbere do animal. No entanto, por ser uma infecção/inflamação da glândula mamária ela causa redução na produção de leite dos animais e pode acometer grande parte dos rebanhos.
Além disso, podem ocorrer alterações na composição do leite, como nos níveis de gordura, proteína e lactose. O aumento significativo na contagem de células somáticas afeta diretamente a qualidade do leite e a bonificação paga por grande parte dos laticínios, causando queda no valor do litro de leite recebido pelo produtor.
A mastite subclínica geralmente é causada por agentes contagiosos como o Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae, Corynebacterium bovis, dentre outros. Na maioria dos casos é transmitida dos quartos mamários contaminados para os sadios durante o processo de ordenha, seja pelas mãos dos ordenhadores ou pelo uso compartilhado de toalhas e teteiras contaminadas.
Algumas ferramentas têm sido utilizadas para mensurar os valores da CCS e identificar os animais portadores de mastite subclínica.
Atualmente, a contagem eletrônica individual da CSS é o exame mais utilizado para o diagnóstico da mastite subclínica, sendo que valores acima de 200 mil células/mL indicam um comprometimento da saúde do úbere (método quantitativo).
Exames como o CMT (California Mastitis Test) permitem identificar de maneira mais subjetiva a doença subclínica, devido ser baseado em uma análise visual da reação que ocorre entre o leite e o reagente no momento do exame (método qualitativo).
Uma vez identificada a mastite subclínica, torna-se interessante conhecermos o perfil do agente que está ocasionando a infecção. Nesse sentido, a cultura microbiológica do leite representa uma importante ferramenta para identificação dos patógenos e direcionamento dos tratamentos.
Por ser uma doença subclínica e necessitar de ferramentas específicas de diagnóstico, a mastite subclínica é muitas vezes negligenciada pelo produtor, acarretando em importantes prejuízos ao sistema de produção.
Consiste na forma da doença em que é possível observar alterações nas características do leite, na glândula mamária e até mesmo no comportamento do animal.
Nas vacas com mastite clínica é possível observar a presença de grumos no leite e alterações no úbere como inchaço, aumento de temperatura local, vermelhidão, aumento da sensibilidade dolorosa e até endurecimento dos quartos mamários acometidos.
Nos casos mais graves os animais podem apresentar um comprometimento geral do estado clínico, ocorrendo alguns sintomas como apatia, prostração, febre, desidratação e redução do apetite. Os animais com mastite clínica grave podem vir a óbito em situações onde os casos não são atendidos de forma rápida e adequada.
A mastite é uma doença que ocasiona grandes impactos negativos no sistema de produção de leite com perdas econômicas importantes. Dentre os gastos estão os custos com medicamentos para o tratamento de casos clínicos, descarte e morte de animais precocemente, custos com mão de obra, descarte do leite acometido e redução de produção dos animais doentes.
Devemos ter a consciência de que a redução da produção de leite dos animais doentes é o principal prejuízo da doença, sendo que muitas vezes não vemos essa redução que pode ir de 10 a 30%!
De forma específica, os prejuízos devido a mastite clínica envolvem descarte de leite, redução da produção a curto e longo prazo, custos com medicamentos e risco de antibiótico no leite. Já os prejuízos decorrentes da mastite subclínica são referentes a redução na produção de leite, sendo que esta forma de manifestação da doença representa cerca de 90 a 95% dos casos.
Nos Estados Unidos estima-se que o custo por caso de mastite seja de aproximadamente U$ 185/vaca/ano. Já na Europa a estimativa é de que este custo esteja por volta de € 190/vaca/ano. Em um estudo realizado no Brasil observou-se que a mastite subclínica foi responsável por uma redução de 17% no volume de produção de leite, representando uma perda de 2,4 bilhões de litros de leite/ano.
Para se alcançar sucesso no programa de controle da mastite é muito importante que os envolvidos na melhoria da qualidade do leite entendam cada etapa do processo, estejam abertos a receber treinamentos e percebam os benefícios que as ferramentas fornecem para o dia-a-dia no manejo dos animais. É essencial que durante o programa de controle exista um monitoramento periódico dos resultados obtidos.
O programa de 6 pontos de controle da mastite retrata ações fundamentais a serem realizadas para reduzir a ocorrência da doença. São eles:
Todas as medidas de controle visam reduzir o impacto econômico e os custos e, consequentemente, aumentar o lucro do produtor. O foco fica em prevenir novos casos de mastite e reduzir a duração dos casos existentes.
Você pode melhorar a sua produção de leite usando técnicas e ferramentas que não exigem um grande investimento de dinheiro na sua propriedade, mas podem trazer um grande retorno. Isso vale para todas as áreas na produção de leite!
Com pequenos ajustes na rotina, você pode melhorar a sua margem de lucro, tornando a pecuária leiteira um negócio mais rentável para você e sua família.
Com esse objetivo, o Rehagro criou o Curso Online Gestão na Pecuária Leiteira. Nele, os professores ensinam como melhorar a gestão da nutrição, reprodução, criação de bezerras, sanidade, qualidade do leite e gestão financeira na propriedade.

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]]>As células somáticas são representadas por células de descamação do epitélio da própria glândula mamária e por células de defesa (leucócitos) que passam do sangue para o úbere.
Vacas sadias e com boa saúde da glândula mamária possuem valores de CCS de até 200.000 células/mL de leite.
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Valores superiores indicam que há algum desequilíbrio na glândula mamária, possivelmente devido a ocorrência de mastite. Conforme demonstrado pela tabela abaixo, a elevação da contagem de células somáticas está diretamente associada à redução da produção de leite.
¹ Perda de produção calculada como porcentagem da produção esperada a 200.000 cél./mL.
* Contagem de células somáticas do tanque de expansão
Em uma situação onde a CCS do rebanho no tanque de expansão é de 500.000 células/mL, por exemplo, estima-se que o percentual de quartos mamários infectados no rebanho seja próximo a 16% e que as perdas na produção de leite girem em torno de 6%.
Além das perdas na produção de leite, a elevação da CCS contribui de forma negativa também com o aumento dos custos com tratamentos, descarte de leite, alteração na composição do leite (diminuição da gordura, caseína e lactose no leite) e perda da bonificação no pagamento do leite pelos laticínios.
Em casos onde a contagem de células somáticas permanece elevada (> 200 mil células/mL) de forma crônica a tendência é de que a vaca seja descartada do rebanho, caracterizando assim um outro impacto negativo do aumento da CCS.
O gráfico abaixo representa a relação entre os valores de CCS e a produção de leite na primeira lactação e da segunda lactação em diante. Pode-se observar que a queda na produção de leite está diretamente associada ao aumento na contagem de células somáticas dos quartos mamários.

É devido a estes fatores que é de grande interesse do produtor e de grande relevância para os animais e para o sistema de produção atuar para diminuir a contagem de células somáticas do leite. Para isso torna-se necessário prevenir, controlar e monitorar a mastite no rebanho, eliminando as infecções existentes e reduzindo novas infecções.
Conforme já citado anteriormente, a mastite representa o principal fator para o aumento da CCS. Sendo assim, torna-se importante entender um pouco sobre esta enfermidade.
A mastite pode ser classificada de duas formas, quanto a sua apresentação ou em relação ao agente causador. Quanto a sua apresentação, a mastite pode ser clínica ou subclínica.
A mastite clínica é caracterizada por demonstrações evidentes de processo infeccioso na glândula mamária através da apresentação de grumos e/ou sangue no leite, inchaço, vermelhidão e dor no úbere ao toque, podendo ocorrer até mesmo febre e desidratação do animal.
Por sua vez, a mastite subclínica não apresenta sinais clínicos visíveis, apenas o aumento da contagem de células somática no leite.
Já em relação ao agente causador, a mastite pode ser classificada como contagiosa ou ambiental.
Nas mastites contagiosas, os microrganismos tipicamente envolvidos na infecção possuem boa adaptação ao úbere da vaca, como é o caso das bactérias Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae. Estes patógenos possuem como principais reservatórios o úbere infectado, sendo bastante disseminados durante as ordenhas, seja de uma vaca infectada para uma vaca saudável ou entre quartos mamários.
Os principais meios de disseminação dos agentes contagiosos são o uso do equipamento de ordenha contaminado e mal higienizado, uso de uma toalha/papel para secagem de mais de um teto (o ideal é utilizar uma ou até duas toalhas/papeis por cada teto) e a mão dos ordenhadores. As infecções contagiosas tendem a serem persistentes na glândula mamária e se apresentarem de forma subclínica, podendo ocorrer episódios clínicos intermitentes.
As melhores formas de controle e prevenção da mastite contagiosa se dão através da realização da linha de ordenha, higienização adequada dos equipamentos de ordenha, desinfecção dos tetos após a ordenha, identificação e segregação dos animais infectados, tratamento de vaca seca.
Por outro lado, as mastites ambientais são geralmente ocasionadas por patógenos oportunistas, ou seja, não são adaptados ao úbere da vaca. Devido a este fato, é comum que as mastites ambientais sejam transitórias e apresentem casos clínicos graves, gerando queda brusca na produção de leite e até mesmo o óbito do animal.
Os agentes mais identificados neste tipo de mastite são os coliformes (Escherichia coli, Klebsiella spp., ect) e os Streptococcus (exceto o S. agalactiae), estando bastante presentes no ambiente onde as vacas vivem.
Realizar um bom manejo do ambiente evitando o acúmulo de matéria orgânica representa uma medida preventiva e de controle fundamental para os casos de mastite ambiental.
Para eliminar as infecções existentes é necessário identificar quais são os animais contaminados. A detecção da mastite subclínica pode ser realizada com o auxílio do California Mastitis Test (CMT) ou da CCS eletrônica, na qual deve ser coletada uma amostra de cada animal com auxílio de coletores e enviadas ao laboratório.
O recomendado é que o monitoramento da CCS eletrônica seja feito no mínimo uma vez por mês. A realização do teste de CMT juntamente a definição da frequência para sua realização ficam a critério do médico veterinário que acompanha a propriedade.
Para detectar a mastite clínica é necessário realizar o teste da caneca de fundo escuro no início de cada ordenha de cada animal. Neste teste, coleta-se os três primeiros jatos de leite de forma vigorosa de cada teto, observando a presença ou não de grumos no leite.
Em casos positivos o leite ordenhado do quarto afetado deve ser desviado do tanque, sendo recomendado a coleta de uma amostra desse leite para que seja feita a cultura microbiológica no intuito de identificar o agente patogênico envolvido (bactéria, fungo, levedura, alga).
Os exames de cultura microbiológica podem ser feitos em laboratórios especializados ou na própria fazenda caso detenha os equipamentos necessários. Sua realização é extremamente importante para o entendimento da dinâmica da mastite no rebanho e para definição dos tratamentos, uma vez que cerca de 50% dos cultivos microbiológicos não são indicativos de tratamento.
Assim como para a mastite subclínica, o auxílio do médico veterinário responsável pela propriedade é extremamente importante para a elaboração de protocolos de tratamento e estratégias de controle da mastite clínica.
O local de permanência dos animais deve ser o mais limpo possível, não havendo acúmulo de matéria orgânica. Esta medida reduz as chances do animal se infectar com patógenos ambientais no intervalo entre as ordenhas. O local também deve conter sombreamento adequado de forma a reduzir os impactos do estresse térmico.
São medidas importantes e essenciais: realização do teste da caneca para detecção de alterações no leite, realização de pré e pós-dipping e secagem dos tetos com um ou dois papéis/toalhas por teto. A premissa é de que a ordenha deve ser feita em tetos limpos e secos.
É importante que o tempo decorrido entre o teste da caneca e a colocação das teteiras seja em média de 1 minuto e meio, tempo que permite a melhor estimulação do animal e melhor atuação da ocitocina endógena para uma ordenha completa e gentil.
Para reduzir a infeção por patógenos contagiosos, as principais medidas são o uso do pós-dipping para eliminar os patógenos carreados pelas teteiras de uma vaca para outra, uso de luvas de forma higiênica pelos ordenhadores e limpeza e desinfecção adequada dos equipamentos de ordenha.
Outra ação que pode auxiliar na redução da contagem de células somáticas é o fornecimento de alimento de qualidade para as vacas logo após a ordenha. Esta prática evita que as vacas deitem imediatamente após o térmico da ordenha e que microrganismos adentrem à glândula mamária, já que nesse momento os esfíncteres dos tetos ainda estão abertos e assim permanecem por cerca de 30 minutos, facilitando a ocorrência de mastite.

Após a detecção de mastite clínica no teste da caneca de fundo escuro, o animal deve ser tratado o mais rápido possível. Quanto mais precoce for o início do tratamento, maior a chance de cura.
Outro fator que aumenta as chances de cura de casos clínicos é a cultura microbiológica, em que é possível direcionar o tratamento de acordo com a bactéria identificada.
O aumento da ocorrência de mastite pode estar associado diretamente ao mau funcionamento do equipamento de ordenha, que pode acarretar no refluxo de leite para a glândula mamária, piora do escore de esfíncter de teto dos animais e ordenha incompleta do animal.
Outro fator que influencia diretamente na ocorrência de mastite é a limpeza inadequada dos equipamentos, que pode favorecer a contaminação dos animais durante a ordenha.
Nesse tratamento são utilizados antibióticos intramamários de longa ação no momento da secagem das vacas com o objetivo de aumentar as chances de cura de infecções subclínicas existentes da lactação anterior e, também, evitar novas infecções no período seco. Deve ser realizado após a última ordenha da lactação, em todos os quartos mamários.
Há também a opção do uso do selante intramamário, que forma uma barreira física que impede a entrada de patógenos enquanto o tampão de queratina natural do animal não se formou.
Outro ponto importante é o descarte de animais que não respondem com sucesso aos tratamentos, além da segregação dos animais infectados através da linha de ordenha e divisão dos lotes.
Devemos lembrar que esses animais são fonte de infecção e devem ficar separados dos demais, sendo ordenhados por último. Em fazendas com problema por Staphylococcus aureus, os animais infectados por esta bactéria devem ser ordenhados por último e descartados assim que possível para evitar contaminação dos animais saudáveis. A taxa de cura das mastites por esta bactéria é extremamente baixa, ou até mesmo nula.
Outra bactéria que necessita de atenção especial é o Streptococcus agalactiae, entretanto, ao contrário do S. aureus, a taxa de cura varia de 80% a 100%. O método recomendado para tratamento e erradicação de S. agalactiae é a blitzterapia, que consiste no tratamento de todos os animais positivos para S. agalactiae durante a lactação com antibiótico intramamário por 3 dias com aplicação em todos os quartos mamários.
Feito este tratamento, deve-se realizar novas culturas no 7º e 14º dia após o tratamento e, somente assim, considerar o animal negativo e curado. Também é recomendado a realização da cultura microbiológica do leite das vacas e novilhas recém-paridas.
O monitoramento contínuo da situação no rebanho é outro fator imprescindível para a manutenção da baixa contagem de células somáticas no leite do tanque.
Através desse monitoramento objetiva-se ter um controle da ocorrência de novas infecções da mastite clínica e subclínica no rebanho, do número de casos crônicos e do perfil microbiológico dos agentes patogênicos. Esta ação permite construir uma base de dados que ajudará no entendimento da dinâmica da mastite no rebanho e nas tomadas de decisão para reduzir a CCS do leite.
Realizando-se todas essas medidas é esperado sucesso na redução da contagem de células somáticas do leite e, consequentemente, na redução dos prejuízos causados pela mastite.
Pequenas melhorias podem trazer grandes resultados na sua produção de leite. Venha saber quais são elas no Curso Online Gestão da Pecuária Leiteira.
Aprenda a planejar o quanto plantar para alimentar suas vacas, os cuidados com as suas bezerras leiteiras, como diminuir seus custos com nutrição e medicamentos, como fazer o controle do seu caixa, como colocar em prática uma rotina de ordenha que favorece a descida do leite e reduz a mastite e muito mais!
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]]>A associação da eficiência desse tripé somada à uma gestão eficiente dos recursos financeiros e das pessoas envolvidas no processo proporciona grande capacidade de obtenção de uma margem de lucratividade satisfatória.
Para se obter boa eficiência produtiva é importante que o manejo nutricional de bovinos de corte seja fundamentado em conhecimentos técnicos e aprofundados, revertidos em práticas eficientes de manejo nutricional. Isso permite que sejam adotadas estratégias para melhorar a eficiência alimentar dos animais e também a eficiência econômica do sistema.
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Alimentação combinada com manejo nutricional de gado de corte pode ser considerado um assunto complexo, pois são diferentes variáveis que podem influenciar no sucesso deste manejo. Pensando em pecuária de corte brasileira, o dinamismo na atividade é ainda maior.
As diferenças nos sistemas de produção variam de região para região, e mesmo de forma regional podem variar muito em função de quantidade de raças de animais utilizadas, condições climáticas e ambientais que mudam ao longo do território nacional, variedade da composição nutricional da dieta utilizada para os animais nos diferentes sistemas, diversidade de forrageiras disponíveis, entre outras variações observadas.
Os níveis de intensificação de cada sistema, também interferem muito nesse dinamismo. O país apresenta uma diversidade muito grande em tipo e níveis de intensificação dos sistemas, onde é possível observar desde sistemas altamente extensivos, de criações a pasto, como sistemas de ciclo completo com 100% dos animais confinados, recebendo a dieta no cocho.
Fonte: acervo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.
Embora todas estas variações citadas, existem alguns princípios que devem ser levados em consideração para se fazer um bom manejo nutricional de bovinos de corte, independente das variáveis como raça, condições climáticas e espécies forrageiras disponíveis.
Aqui, vamos explorar 5 pilares importantes para obter sucesso no manejo nutricional dos bovinos de corte.
O manejo nutricional adotado no sistema deve estar alinhado com os objetivos almejados para cada categoria. Os requerimentos nutricionais dos animais quanto aos nutrientes como proteína, energia, minerais e vitaminas variam conforme a categoria animal e também quanto a meta de desempenho produtivo.
Os bezerros, por exemplo, estão em uma fase onde o tipo de ganho é predominantemente o desenvolvimento dos tecidos musculares e ósseos, necessitando de uma dieta com níveis de proteína e minerais superiores às dietas dos animais mais erados, que por sua vez precisam de uma dieta mais energética, por estarem em uma fase onde o crescimento do esqueleto e desenvolvimento dos músculos já estão mais estabilizados e o aumento de deposição de tecido adiposo (gordura) torna-se mais acentuado.
Isso implica em planejar uma alimentação com os níveis adequados de nutrientes para garantir a efetividade do bom desempenho dos animais, sem contudo, perder eficiência econômica, seja pela falta de fornecimento de nutrientes, o que impossibilita o ganho de peso desejado, ou pelo excesso de nutrientes na alimentação, provocando aumento no custo de produção e desperdício de dinheiro.
Além dos objetivos traçados por exigências específicas de cada categoria, estabelecer o objetivo de ganho da categoria também é fundamental, desmamar bezerros com 240 kg, por exemplo, ou obter ganhos de 1,2 Kg por dia na engorda, são objetivos importantes de serem traçados em cada categoria.
Quando se fala em bovinos mantidos a pasto, a qualidade e a quantidade da forragem estão entre os principais fatores que influenciam a produtividade animal. As plantas forrageiras são responsáveis por fornecerem energia, proteína, minerais e vitaminas aos animais em pastejo com um baixo custo alimentar.
Contudo, estas estão sujeitas à estacionalidade de produção, apresentando boa qualidade e produtividade durante o período das chuvas, mas com perdas quantitativas e qualitativas durante os períodos secos do ano, como ilustrado na imagem.
A imagem representa a sazonalidade de produção forrageira em algumas regiões do Brasil, acompanhando as estações de seca e chuva.
Quando os bovinos não têm disponibilidade de pastagens com níveis mínimos de fibra e nutrientes, o desempenho produtivo destes animais é comprometido. Neste cenário, a probabilidade de que ao final do ciclo produtivo os animais não tenham apresentado o desempenho satisfatório é alta, o que provoca impacto negativo sobre a rentabilidade do sistema.
Para que isso não aconteça, é fundamental o planejamento nutricional antes do início do ciclo produtivo, para garantir que os níveis mínimos de nutrientes alimentares sejam oferecidos aos animais para atender suas exigências e o animal continue ganhando peso durante o período estabelecido.
Dessa forma, permite-se que os animais possam apresentar o desempenho satisfatório para que os objetivos produtivos e econômicos do sistema sejam alcançados.
Em um bom manejo nutricional, busca-se em geral maximizar a produção biológica e/ou econômica para determinado cenário socioeconômico, minimizar custos produtivos e garantir a sustentabilidade do sistema.
Fonte: acervo pessoal de Paulo Eugênio, coordenador de consultoria do Rehagro.
Durante o período de maior disponibilidade de forragem, podemos utilizar de suplementação também, diferente do período seco, onde além de corrigir as deficiências nutricionais das pastagens, aumentamos o consumo do capim mais seco.
Durante as águas, o pensamento é em maximizar os ganhos, ganhar ainda mais desempenho no período onde as pastagens são favoráveis, a conta não é simples, e não devemos simplesmente suplementar para ganhar mais, a estratégia deve compor um planejamento global e ser rentável economicamente.
Em função da estacionalidade produtiva das pastagens, estratégias alimentares que ajudem a sanar este problema devem ser adotadas, entre elas está a suplementação.
Bons resultados produtivos podem ser obtidos com a utilização da suplementação quando ela é realizada com um bom planejamento e apresenta coerência com a categoria animal e com o ganho desejado. É preciso estar atento, pois este cenário pode mudar em função de alguns fatores, como:
Critérios que devem ser observados para suplementar:
Fonte: acervo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.
É importante ressaltar que independente do tipo e nível de suplementação adotado, o objetivo desta estratégia deve ser sempre garantir a utilização eficaz da forragem e seus nutrientes pelos animais, potencializando o desempenho individual e aumentando a produção por hectare.
Ao se analisar o fator custo alimentar, os nutrientes obtidos através das forrageiras é consideravelmente inferior ao da suplementação, o que ressalta a importância da boa eficiência do pastejo.
Estratégias de suplementação podem ser utilizadas também para garantir sucesso em estratégias pontuais, como preparar novilhas para a estação de monta, desmamar bezerros, dentre outros.
Outro fator importante para se estabelecer o manejo nutricional dos animais, é a realização de uma análise sobre a viabilidade econômica. Não adianta fornecer alimentação diferenciada aos animais, garantindo bom desempenho, se ela não apresentar custo benefício favorável ao sistema. Em outras palavras, a produtividade animal tem que pagar o investimento realizado com a suplementação.
Por exemplo, em um sistema de cria onde a disponibilidade de forragens não atende aos requerimentos nutricionais das vacas em determinado período do ano, elas precisarão ser suplementadas.
Antes de qualquer decisão, deve-se realizar a análise da viabilidade econômica e o custo benefício da adoção desta estratégia. Isso pode ser realizado de diferentes maneiras, dentre elas, uma análise onde são levados em conta parâmetros como custo do suplemento, o tempo de suplementação e as taxas de desmame conseguidas (kg de bezerro desmamado/vaca/ano).
Somente através dessa análise e planejamento será possível garantir que o sistema apresente índices produtivos adequados com rentabilidade satisfatória.
Ressalva importante é que não devemos levar em conta somente os custos diretos com o suplemento, seja ele concentrado ou volumoso, os cálculos devem ser amplos levando em consideração, toda a logística e a operação envolvida no programa nutricional.
Sabe-se que produzir, entender, monitorar e controlar dados em uma empresa é fundamental para o sucesso do negócio. Na bovinocultura de corte isso não é diferente, principalmente quando se observa as margens de lucro, cada vez mais reduzidas na atividade.
Fonte: acervo pessoal de Paulo Eugênio, coordenador de consultoria do Rehagro.
Sendo assim, após um bom planejamento nutricional com a realização de estudos e análises que demonstram a viabilidade da estratégia, é fundamental o monitoramento da mesma ao longo de sua execução.
Isso permitirá que durante a execução desse manejo, caso aconteça algum desvio como, por exemplo, desempenho produtivo insatisfatório, seja possível avaliar a causa do problema e também uma intervenção que o sane e possibilita que se tenha sucesso no final do ciclo produtivo.
Aqui no Rehagro, temos o Curso Online Gestão na Pecuária de Corte, um treinamento completo, que aborda todos os tópicos acima em videoaulas de 15 minutos por dia e encontros online ao vivo para que os alunos possam tirar suas dúvidas.
As aulas podem ser feitas de qualquer lugar e são dadas por nossos mais experientes consultores, que focam na realidade do dia a dia da produção.
Eles dão todo o suporte à turma ao longo de 10 meses de um curso intensivo, que já impactou positivamente a produção de mais de 1.800 profissionais, que estão alcançando melhores resultados na atividade aplicando o que aprenderam.
Para saber mais informações, visite a nossa página:

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No dia 25/03, fizemos um Webinar Corte especial! O tema foi extremamente relevante para o momento em que estamos vivendo: “Análise semanal do impacto do coronavírus na cadeia da carne”. Esta palestra gratuita foi feita por nós, Grupo Rehagro, em parceria com o 3RLab.
Devido ao grande sucesso da transmissão, decidimos fazer um encontro semanal para atualizar os profissionais da área sobre o que está acontecendo no mercado. Escolhemos especialistas de alto nível para debater a respeito do futuro da pecuária:
Se você ainda não assistiu o primeiro Webinar da série, clique no link abaixo:
Se tiver dúvidas ou ressalvas sobre o assunto, deixe seu comentário registrado. Nossa equipe técnica irá respondê-lo!
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]]>A transmissão foi um sucesso! Mais de 1.500 pessoas participaram da palestra e debateram sobre o assunto. Todas aproveitaram o momento de quarentena para aprimorarem seus conhecimentos. Isso mostra que os profissionais estão 100% engajados e comprometidos. O agro não para!
Quem esteve no comando do evento online foi Thiago Bernardes, professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA).
O especialista falou sobre estratégias de produção, principalmente de alimentos energéticos para gado de corte em confinamento. Ele também explicou como o snaplage pode ser uma excelente alternativa para melhorar os resultados financeiros das fazendas.
Se você ainda não assistiu a explicação do professor, clique no link abaixo:
Se tiver dúvidas ou ressalvas sobre silagem de espigas, deixe seu comentário registrado. Nossa equipe técnica irá respondê-lo!
Aqui no Rehagro, temos o Curso Online Gestão na Pecuária de Corte, que é uma capacitação que reúne a solução para os maiores problemas que os pecuaristas enfrentam na nutrição, reprodução, sanidade, gestão financeira e de equipes, comercialização, em todos os sistemas de criação.
Os professores são grandes consultores, com muitos anos de experiência no dia a dia das fazendas. Eles ensinam as técnicas e ferramentas usadas por eles para aumentar a rentabilidade na atividade, de forma muito clara, direta e prática.
Caso você tenha interesse, na nossa página você poderá encontrar mais informações!
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]]>O post Tripanossomose bovina: principais sintomas, tratamento e como evitar apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>A transmissão desse hemoparasita originário da África pode ocorrer tanto por meio de moscas hematófagas – tabanídeos e mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans) – quanto após a utilização de uma mesma agulha em vários animais durante a aplicação de medicamentos e vacinas.
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A primeira ocorrência do T.vivax nas Américas foi na Guiana Francesa e, mais tarde, em outros países da América do Sul, Central e em algumas ilhas do Caribe. O primeiro relato na Venezuela foi em 1920 e em 1931 na Colômbia. Na época, importavam-se muitos animais da Venezuela para a Colômbia, então, acredita-se que essa doença tenha sido disseminada por meio da importação de gado.
No Brasil a T. vivax é considerada nova, mas não é tão recente assim, e já existe há muitos anos no norte do país. Lá, o estágio é de endemia e os transmissores são as moscas tabanídeos, que se adaptam a períodos chuvosos e são de difícil controle.


No sudeste o problema é a Stomoxys calcitrans, que se prolifera em ambientes úmidos e que tenham matéria orgânica. Na região norte, o parasita se instalou e os animais já adquiriram resistência à doença – é uma situação crônica.
Agora, em São Paulo e no Rio de Janeiro, a tripanossomose chegou de surpresa por algum motivo, como pelo transporte de animais, e causou um estrago. Não existe programa de vacinação, mas é como se o gado do norte/nordeste fosse imunizado e o do sudeste não.
Em 2007 tivemos o primeiro caso de Trypanosoma vivax em Minas Gerais e o contágio na região nada tem a ver com as moscas hematófagas. O que mais temos visto é a doença ocorrer em animais na ordenha, principalmente devido ao uso da ocitocina.
Ao aplicar o hormônio na veia mamária da vaca, suga-se o sangue contaminado e transfere-se o parasita aos outros animais devido ao uso repetido da agulha infectada.
Em todas as fazendas que chegamos, que apresentam mortes e baixa produtividade por causa da doença, o problema está na ordenha. Geralmente, no estado, a T.vivax acomete animais livres da parasitose e que ainda não têm defesas para combatê-la.
Já em São Paulo, existe outra situação: os animais são atacados pelas moscas; então vemos bezerros, garrotes, vacas e bois reprodutores, todos infectados.
As usinas de cana de açúcar dão origem ao vinhoto, que é utilizado nas lavouras no processo de fertirrigação. Essa matéria orgânica é rica em nutrientes e favorece a reprodução das moscas. Por isso, como existem várias usinas no estado, a população de Stomoxys na região é altíssima.

Quando ocorre surto de Trypanosoma vivax numa fazenda, a produtividade é reduzida em torno de 50% a 60%. O parasita se instala no sangue, causando anemia e mucosas pálidas.
Em determinado momento do ciclo, ele se aloja nos linfonodos, provocando inchaço no local e hipertermia. Outros sintomas também são o emagrecimento e a cegueira, porque o parasita pode se hospedar na câmara anterior do olho.
Observamos o seguinte: após cerca de dois meses da entrada de um animal infectado na fazenda, o surto é iniciado. Neste momento, a produção de leite é reduzida em 40 – 60% e 5% dos que ficam doentes, morrem – o que representa cerca de 4 a 6 animais por fazenda; o tempo de vida após a infecção é de 15 a 21 dias.
Quando a parasitose é transmitida no momento da aplicação da ocitocina, a quantidade de sangue infectado que é repassado aos outros animais e a imunidade de cada um, impacta no desenvolvimento da doença. Se o animal é forte, bem alimentado, ele é mais resistente e demora a adoecer.
Vários trabalhos mostram que a tripanossomose quando ataca os machos causa uma inflamação nos testículos e epidídimos chamada orquite epididimite, ocasionando diminuição da fertilidade e deixando a qualidade do sêmen comprometida.
A T.vivax é uma doença muito inespecífica, não existe um sinal clínico que facilite a sua identificação. Um dos sintomas, como o aborto, por exemplo, é provocado por várias doenças como brucelose, leptospirose, neosporose, tristeza parasitária bovina, entre outras.
A tripanossomose é uma doença de rebanho aberto, de propriedades que compram e vendem gado. Em rebanhos fechados, geralmente, não há problema algum, porque não existe o risco de contágio por um animal externo infectado no momento da aplicação da ocitocina, por exemplo.
Animal com sinais clínicos de tripanossomose
Outros animais, como cães, cavalos e até mesmo nós, humanos, podemos contrair outros tipos de tripanossomose, que nada têm a ver com a que atinge os bovinos. Os equinos podem ser infectados pelo Trypanosoma evansi, já os cães e humanos, pelo Trypanosoma cruzi, a famosa doença de chagas.
A doença tem tratamento, mas é preciso cuidado com o medicamento, dose e via a ser utilizada. Dependendo da forma como a parasitose é combatida, os animais podem adquirir resistência. Neste caso, após um ou dois meses da primeira infecção, o contágio volta a ocorrer, atingindo todo o rebanho.
Dessa forma, por erro de tratamento, a doença retorna e causa os mesmos transtornos, baixa de produtividade e mortes, como se nunca tivesse ocorrido na fazenda em questão.
O melhor tratamento é feito a base de “cloreto de isometamidium”. O medicamento deve ser aplicado na medida correta – 1mg/kg. Muitas pessoas, para fazer economia, utilizam meio miligrama por quilo, ou seja: a metade da dose.
Muitos dizem que o tratamento não funciona, mas não é bem assim. A eficácia perdura por um período aproximado de 3 meses – tempo necessário para o produtor controlar a infecção. Se o problema não é resolvido em sua essência, com a regulagem da ocitocina ou o controle das moscas, os surtos continuarão ocorrendo.
O caminho para se prevenir tripanossomose nas fazendas é o cuidado com a compra de gado e esse é um desafio.
Mas, é possível driblar a doença e impedir que o rebanho seja contaminado no momento da ordenha, durante a aplicação da ocitocina. Utilizamos a estratégia de ter uma seringa para cada animal.
Dividimos as agulhas em dois potes – em um deles colocamos as agulhas limpas e no outro as que já foram utilizadas. Dessa forma, é impossível a contaminação. Logo depois de aplicar a ocitocina em todas as vacas, lavamos as seringas com água e sabão e pronto, podemos utilizá-las novamente.
Outra possível alternativa é a eliminação do uso de ocitocina. Vacas holandesas, Jersey, animais mais puros, produzem leite sem a necessidade de um bezerro ou da ocitocina como estímulo.
Já os animais mestiços, que precisam da estimulação externa, é possível treiná-los desde o nascimento. É um trabalho demorado, mas o melhor exemplo que podemos dar, é a Fazenda Santa Luzia, uma das maiores produtoras do país com animais Girolando, atendida pelo Rehagro Consultoria em Passos (MG). Hoje a propriedade não utiliza ocitocina.
Pequenas melhorias podem trazer grandes resultados na sua produção de leite. Venha saber quais são elas no Curso Online Gestão da Pecuária Leiteira.
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]]>O post Perímetro escrotal de bovinos: importância da seleção apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Atualmente o rebanho brasileiro possui aproximadamente 74,5 milhões de matrizes de corte em reprodução (ANUALPEC 2012).
Se considerarmos que somente 6% destas matrizes são inseminadas (ASBIA 2012), temos aproximadamente 70 milhões de matrizes que necessitam serem entouradas anualmente. Com uma relação média touro/matriz de 1/40, a necessidade é de 1,75 milhões de reprodutores ativos.
Para termos eficiência reprodutiva na pecuária de corte, aumentar a taxa de desfrute e consequentemente a rentabilidade da cadeia produtiva, é essencial que os reprodutores e as matrizes sejam criteriosamente selecionados para as características reprodutivas que influenciam diretamente nos resultados.
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Rebanhos detentores de elevada precocidade sexual e fertilidade possuem maior disponibilidade de animais, tanto para venda como para reposição, permitindo maior intensidade seletiva e, consequentemente, progressos genéticos mais elevados e maior lucratividade (BERGMANN,1998).
Embora os programas de melhoramento genético mais tradicionais tenham dado maior ênfase às características de desempenho ponderal, hoje já se sabe que a utilização de características reprodutivas como critério de seleção é indispensável para a melhoria do sistema produtivo (TOELLE& ROBISON, 1985).
Sabemos da importância da fertilidade em um rebanho, portanto, selecionar animais com idade mais precoce ao primeiro parto é estar pensando também em viabilidade econômica.
Para otimizar os índices reprodutivos e consequentemente a produtividade dos rebanhos de cria, é de fundamental importância definir os critérios de seleção para os rebanhos a serem explorados, conforme suas necessidades de evolução genética.
Bovino com 19 meses e 40 cm de circunferência escrotal / Crédito: Rehagro – Corte.
A seleção para Perímetro Escrotal (PE) é de média à alta herdabilidade, ou seja, sofre pouca influência do meio ambiente, e em pouco tempo pode ser incorporada ao rebanho.
Já a seleção para Idade ao Primeiro Parto (IPP) é de baixa à média herdabilidade, sofre influência do meio, e demora mais para ser fixada ao rebanho.
Com isso sabemos que selecionar animais para maior Perímetro Escrotal (PE), nos ajuda muito no processo do ganho genético do rebanho para características reprodutivas, devido à rapidez na fixação desta, e nos demonstra que a seleção para Idade ao Primeiro Parto (IPP) e demais características reprodutivas devem ser trabalhadas juntas, pois como o ganho é aditivo, mesmo que de baixa herdabilidade vão ser fixadas no rebanho no decorrer da seleção.
Segundo BERGMANN (1998), face às dificuldades operacionais para implementação de programas de seleção para idade à puberdade, torna-se importante a utilização de características indicadoras de precocidade sexual, que tenham variabilidade genética adequada, que sejam de mensuração fácil, e que tenham correlação genética favorável com a idade à puberdade e outras características economicamente importantes.
Quando não são conhecidas, a idade à puberdade e a data da primeira fecundação da fêmea bovina, as informações reprodutivas disponíveis são a ocorrência ou não do parto e a data do parto.
Destas informações, a característica que emerge como indicativa do início da atividade reprodutiva das fêmeas jovens é a idade ao primeiro parto (BERGMANN, 1998), que é uma característica de fácil mensuração (PEREIRA et al., 2000; FRIES, 2003). A utilização de fêmeas sexualmente mais precoces terá reflexo direto na eficiência, rentabilidade e competitividade da pecuária bovina nacional (FRIES, 2003).
Nos machos, o perímetro escrotal é a mais recomendada dentre as características indicadoras de precocidade sexual, (BERGMANN, 1998).
Existem duas características importantes correlacionadas diretamente com Perímetro Escrotal (PE), ligadas à produtividade e rentabilidade, que são: maior peso ao desmame (210 dias) e maior peso ao ano (365 dias), em rebanhos que priorizam esta seleção.
Existem também correlações entre perímetro escrotal e ganho médio diário do nascimento à desmama, indicando que ao selecionar para maior perímetro escrotal, irá reduzir a idade ao primeiro parto de suas filhas. Quando touros com maior perímetro escrotal são selecionados para a reprodução, indiretamente aumenta-se o ganho médio diário do nascimento à desmama (210 dias).
Outra característica interessante na seleção de reprodutores selecionados para maior Perímetro Escrotal (PE), é que touros jovens apresentam alta motilidade (60-80%), indicando melhor qualidade seminal e esta característica pode ser utilizada como um dos critérios na seleção de animais de alto potencial reprodutivo.
Selecionar machos para Perímetro Escrotal (PE) ao ano (365 dias) e ao sobreano (450 dias) é de extrema importância para identificar os animais melhoradores desde a idade jovem, com medidas de PE estabelecidas como critério de seleção, serão mantidos somente os animais superiores e consequentemente aqueles que mais vão contribuir para a evolução genética do rebanho.
A pecuária de corte não para de evoluir e para que seja verdadeiramente lucrativa, nós, profissionais da área, devemos estar em constante atualização de nossas técnicas, ferramentas e estratégias.
Para isso, aqui no Rehagro, temos a Pós-Graduação em Produção de Gado de Corte. As aulas são online e o conteúdo tem aplicação prática. O objetivo final é tornar o profissional capaz de elevar a lucratividade do negócio, pelo domínio de todos os pilares responsáveis pelo sucesso do projeto: nutrição, reprodução, sanidade, melhoramento genético, gestão financeira e de equipes.
Caso você tenha interesse, você pode encontrar outras informações na nossa página.
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]]>O post Estresse térmico em vacas leiteiras: como identificar? apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Atuar de forma preventiva para minimizar os seus impactos representa um grande desafio e uma grande oportunidade para os diversos tipos de sistema de produção.
Animais em estresse térmico apresentam alterações clássicas que precisam ser identificadas para que o processo de resfriamento seja otimizado. Acompanhe neste texto um pouco sobre o que é o estresse térmico e quais são os principais sinais.
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Segundo West (2003), o termo estresse térmico é utilizado para referenciar os efeitos ocasionados na fisiologia, no comportamento e na produção dos animais devido as alterações no ambiente.
De modo semelhante, Yousef (1985) define que o estresse térmico consiste na soma das forças internas (metabolismo, ex.) e externas (ambiente) que atuam em um animal para causar um aumento na temperatura corporal e provocar uma resposta fisiológica.
Nos países de clima tropical, como o Brasil por exemplo, é muito mais comum a ocorrência de estresse térmico pelo calor do que pelo frio. Altos valores de temperatura e umidade, além da exposição à radiação solar, são fatores que contribuem de forma significativa para que as vacas acumulem calor corporal.
O estresse térmico em vacas leiteiras ocorre quando a taxa de ganho de calor do animal excede a de perda, fazendo com que o mesmo saia de sua zona de conforto. Desta forma, são necessários ajustes no comportamento e/ou fisiologia do animal.
Assim como qualquer outra espécie animal, os bovinos de leite também apresentam uma faixa de temperatura considerada como zona termoneutra. Nesta faixa de temperatura o animal não precisa direcionar grandes quantidades de energia para termorregulação, seja para capturar, seja para dissipar calor. Desse modo, o gasto de energia para manutenção é mínimo, resultando em máxima eficiência produtiva.
Em temperaturas inferiores àquela mínima da zona termoneutra as vacas entram em estresse térmico pelo frio. Já quando a temperatura se encontra superior ao limite máximo da zona termoneutra, o estresse térmico instaurado é pelo calor.
Adaptado de Kadzere et al., 2002
Vacas de alta produção são mais susceptíveis ao estresse térmico quando comparadas às vacas de baixa produção. A seleção genética para produção de leite contribuiu para que as vacas aumentassem a quantidade de calor metabólico, pois vacas que produzem mais leite ingerem mais alimentos e, logo, possuem metabolismo mais elevado em relação as vacas de menor potencial genético.
Com a menor capacidade de dissipação de calor, as vacas elevam sua temperatura corpórea com maior facilidade e perdem calor para o meio ambiente com maior dificuldade. O resultado final é o maior acúmulo de calor, podendo ocorrer mais facilmente o estresse térmico.
Ao analisarmos os dados de 2018 do Departamento de Agricultura do Estados Unidos, por exemplo, vemos que é relatado um amento de 13% na produção de leite na última década, passando de quase 9.000 kg de leite para 14.000 kg de leite/vaca/ano.
Conforme descrito por Berman (2005), o aumento na produção de leite de 35 kg de leite/dia para 45 kg de leite/dia contribui para que o limite de temperatura para estresse térmico seja reduzido em torno de 5°C, significando que as vacas tenderão a sofrer estresse térmico de forma mais precoce.
Vaca leiteira em estresse térmico pelo calor. Note: boca aberta, língua para fora e aumento de salivação.
A temperatura corporal representa o principal indicador da termorregulação do organismo, estando relacionada à saúde, sucesso reprodutivo e produtividade dos animais.
No entanto, vale ressaltar que não é somente o estresse térmico que ocasiona elevação da temperatura do organismo.
Eventos como doenças, lesões, infecções, toxinas, etc. podem provocar a hipertermia nos animais. Outros fatores que também ocasionam elevação da temperatura corporal, mas em uma menor magnitude, são nível de atividade do animal e estro.
Além da temperatura corporal, uma das primeiras alterações observadas em animais com estresse térmico é o aumento da frequência respiratória no intuito de perder calor para o ambiente.
Gaughan e colaboradores (2000) citam que a taxa respiratória dos bovinos sofre influência multifatorial, incluindo idade, nível de produção, condição corporal, ingestão de matéria seca, particularidades das instalações e dos sistemas de resfriamento, exposição a ambientes quentes, etc.
Resultados de pesquisas científicas demonstram que vacas expostas a ambientes com temperatura variando entre 24° e 39°C apresentaram aumento na frequência respiratória entre 2,8 e 3,3 movimentos respiratórios/minuto para cada 1°C a mais no ambiente.
A elevação da frequência respiratória consiste em um dos indicadores fenotípicos mais sensíveis para caracterizar o estresse térmico pelo calor em vacas leiteiras, sendo que taxas acima de 60 movimentos respiratórios/minutos já indicam provável alteração devido ao estresse térmico (Shultz, 1984; Berman et al., 1985).
Resfriamento térmico de vacas leiteiras com aspersores e ventiladores. (Fonte: Grupo Rehagro, Meara Gado Holandês – Fazenda Barreiro Alto).
Monitorar o conforto térmico das vacas leiteiras representa atualmente um dos pontos base dos sistemas de produção. Ofertar condições que previnam a ocorrência de estresse térmico tornou-se essencial, visto a magnitude que os impactos deste evento ocasionam na saúde, reprodução e produção dos animais.
Entretanto, para monitorar o conforto, primeiro devemos conhecer quais os sinais presentes no estresse térmico.
De forma geral, vacas leiteiras em estresse térmico apresentam os seguinte sinais, na tentativa de trocar calor com o ambiente:
Em situações como essa, se os animais estão em galpões onde haja ventiladores e aspersores, eles deverão ser ligados.
Caso não estejam alojados nestas instalações, molhar bem os animais em estado mais crítico pode ajudar no resfriamento.
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]]>O post Boi castrado ou boi inteiro: qual a melhor forma? apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Sendo assim, a proporção de músculos na carcaça aumenta inicialmente, decrescendo à medida que passa a predominar o tecido adiposo, com a elevação da proporção de gordura na carcaça. Por sua vez, a participação dos ossos decresce continuamente.
Chama-se de maturidade química da carcaça o ponto em que o peso adicional contém pouca proteína adicional, e o animal passa então a depositar mais gordura. Dessa forma, o estádio de desenvolvimento no momento do abate tem grande influência sobre a composição da carcaça.
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As mudanças nas proporções entre os tecidos e em sua composição durante o crescimento são influenciadas por vários fatores, dentre os quais se destacam peso, idade, raça, dieta e sexo. Já é de conhecimento amplo que o boi não castrado ganha mais peso que o castrado, numa mesma condição de alimentação.
Quem nunca ouviu dizer que “boi inteiro é melhor pra ganhar peso do que castrado?”.
Apesar de, em algumas situações, o proprietário ter que trabalhar com o boi castrado, devido principalmente a dificuldades de manejo, quando se têm fêmeas na fazenda, pela dificuldade de acabamento a pasto, ou quando o frigorífico exige que os animais sejam castrados, há normalmente a preferência pelo animal não castrado devido ao maior ganho de peso.
Essencialmente, essa “vantagem” do animal não castrado se dá pela composição do tecido depositado no ganho de peso. Traduzindo: o boi “inteiro” precisa ingerir menos energia para ganhar um quilo de peso quando comparado ao animal castrado. Mas por que isso acontece?
Bem, considerando-se animais de mesmo grau de sangue e com mesmo peso e idade, podemos citar algumas explicações para essa diferença.
A primeira está diretamente ligada à relação entre gordura e proteína no ganho de peso. Para cada quilo de peso que o animal ganhar, no castrado haverá mais tecido adiposo, gordura, do que musculatura. E a gordura possui mais que o dobro de energia que a musculatura.
Com isso, o animal castrado, para ganhar o mesmo 1 kg de peso corporal, tem que ingerir uma dieta com muito mais energia, ou então terá que ingerir uma maior quantidade de alimento. Isso, considerando-se que não castrado e castrado estão ganhando o mesmo peso. Assim, se ambos ingerirem a mesma dieta, o boi inteiro ganhará mais peso.
Essa diferença varia de 15 a 20%, ou seja, o animal castrado precisa ingerir 15 a 20% a mais de energia que o não castrado para ganhar o mesmo 1 kg de peso corporal.
A segunda explicação para essa maior eficiência do inteiro em relação ao castrado também está ligada à relação gordura e proteína no ganho de peso. Só que, dessa vez, isso não ocorre em relação ao teor energético dos tecidos adiposo e muscular, mas sim devido à proporção de água nestes tecidos.
O tecido adiposo possui muito menos água que o tecido muscular, ou seja, na realidade, o boi não castrado tem muito mais água no ganho de peso.
Essa diferença é muito grande. É claro que há variação entre animais, mas em média, o tecido adiposo contém 80% de matéria seca e 20% de água, e o tecido muscular contém 30% de matéria seca e 70% de água.
Isso quer dizer que para cada 1 kg de tecido adiposo que o animal depositar, na verdade serão 200g de água. Já no caso do animal não castrado, para cada 1 kg de musculatura que o animal ganhar, será 700g de água.
Faremos a comparação da necessidade nutricional de um animal que entra no confinamento com 14@, e sai com 18@, com ganho médio diário de 1,5 kg/dia.
Para alcançar este ganho, um boi não castrado deverá ingerir 6,89 Mcal/dia de energia líquida para ganho. Já no caso de um boi castrado, para ter este mesmo ganho de peso, seriam necessárias 7,92 Mcal/dia, ou seja, 15% a mais de energia (base de dados BR Corte, 2011, para zebuínos). Com isso, para obter um mesmo ganho de peso, o animal castrado precisa ingerir mais energia, que é um item de custo alto na alimentação.
No caso do animal a pasto, com ganho médio diário de 750g, a necessidade nutricional do boi inteiro seria de 3,21 Mcal de energia líquida para ganho, contra 3,69 Mcal/dia para o castrado. A diferença também seria de cerca de 15% a favor do animal não castrado.
Neste último caso, da terminação a pasto, o raciocínio é parecido, mas devem ser feitas algumas considerações.
Deve-se ter em mente que ao final do período de engorda, no acabamento da carcaça, há mais dificuldade em se ter deposição de gordura no boi não castrado. Isso porque, para que este animal deposite um bom teor de gordura na carcaça, ele teria que ingerir uma quantidade grande de energia, superior a sua capacidade de depositar musculatura.
Isso muitas vezes leva à necessidade de uma suplementação em maior qualidade ou quantidade, ou aumento na oferta de forragem para este animal. Entretanto, neste último caso, como o teor energético do capim, mesmo que bem manejado, não é alto, é comum o animal não castrado levar mais tempo para chegar ao ponto de abate.
E é aí a grande dúvida do produtor: uma vez que este boi normalmente atinge acabamento numa idade mais avançada, isso acarreta dificuldade de manejo e diminuição da taxa de desfrute.
Considerando então que o animal não castrado é mais eficiente para ganhar peso, a decisão de castrar ou não passa por fatores indiretos como:
Entretanto não se deve esquecer que os animais não castrados dão acabamento numa idade mais avançada, ou seja, com peso maior que os castrados, acarretando maior rendimento de carcaça.
Na realidade, existem vários fatores diretos e indiretos que influenciam na tomada de decisão entre castrar ou não os bois para a engorda, principalmente a pasto.
O prêmio pago pelo frigorífico aos animais castrados será determinante. Cabe então ao produtor analisar todos esses fatores para fazer a escolha certa. E se a decisão for a de castrar (a pasto), que ela seja o mais tardia possível para maximizar o peso corporal na fase de crescimento desse animal.
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]]>O post Verminoses em bovinos de corte: como realizar controle estratégico apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Dentro deste contexto, o controle de verminoses constitui uma prática importante, que tem como objetivo evitar perdas econômicas irreparáveis, uma vez que a presença de endoparasitas está ligada ao menor ganho ou perda de peso além da predisposição a outras doenças.
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Calcula-se que os prejuízos causados pelas verminoses em países como os Estados Unidos estão por volta de 330 milhões de dólares/ano.
Além dos danos financeiros causados diretamente pelos parasitas, a utilização de antiparasitários é feita na maioria das vezes de maneira inadequada, aumentando ainda mais os prejuízos causados pelas verminoses.
No Brasil, os gastos com medicamentos antiparasitários no ano de 2000, foram de 223 milhões de dólares. Nem por isso o controle das verminoses é satisfatório. Segundo Bianchin (2000), as épocas de vermifugação são inadequadas, além disso, 80% das doses de anti-helmínticos são utilizadas erroneamente, no Brasil.
A partir destes fatos, se faz necessário a implantação de um programa de controle de verminoses eficaz e de baixo custo, que vise a eliminação dos agentes em épocas corretas, como uso racional de medicamentos antiparasitários.
O controle das verminoses pode ser baseado no ataque às formas de vida livre ou parasitária, tendo, cada uma destas alternativas, pontos positivos e negativos. O combate aos estágios de vida livre tem como objetivo eliminar das pastagens as formas infectantes, diminuindo a probabilidade de ingestão destas pelos bovinos.
Dentre as práticas de manejo mais valiosas para este tipo de controle destacam-se a rotação ou vedação temporária das pastagens, ou a utilização de agentes biológicos.
A primeira estratégia tem o objetivo de exaurir as reservas corporais das larvas, levando-as a morte. Estima-se que 80% das larvas morram quando não ingeridas por bovinos em intervalos de 30 a 45 dias. Já o controle biológico baseia-se na utilização de parasitas dos ovos e larvas como os fungos nematófagos de gênero Arthrobotrys e bactérias do gênero Bacillus.
Outra estratégia é a utilização de besouros coprófagos, mais conhecidos como “rola-bosta”, que devido ao seu hábito de enterrar as fezes, acabam inviabilizando o desenvolvimento dos ovos e larvas.
No controle da fase de vida parasitária, a utilização de antiparasitários constitui a principal arma de combate das verminoses. Dentre as estratégias mais utilizadas podemos destacar:
Custo/Benefício das principais formas de tratamento de verminoses em bovinos. Fonte : Embrapa Gado de Corte
Esta estratégia de controle baseia-se no conhecimento da epidemiologia e a dinâmica dos parasitos nos bovinos e na pastagem durante o ano, e a partir disto, pré-determinar vermifugações nos melhores períodos.
Sabe-se hoje que as larvas encontram nas pastagens condições ideais de sobrevivência no período chuvoso do ano em grande parte do território brasileiro. Cerca de 90 a 95% dos endoparasitas existentes estão nas pastagens em épocas de chuva.
No entanto, durante o período mais seco (junho, julho, agosto), o número de larvas diminui drasticamente nas pastagens, e grande parte dos vermes está presente nos animais.
Dinâmica populacional dos endoparasitas em bovinos criados a pasto. Fonte: Pfizer Saúde Animal.
Com isso, a aplicação de vermífugos na época das chuvas tem pouco efeito no tratamento do rebanho, uma vez que a taxa de reinfecção é muito alta neste período pela alta carga de larvas nas pastagens.
Baseado nestes princípios, o controle estratégico preconiza a aplicação de vermífugos durante o período seco do ano, pois esta ação possibilita uma maior exposição dos vermes à ação dos antiparasitários. Consequentemente, os animais entrarão no período chuvoso com uma carga parasitária mínima, diminuindo a contaminação das pastagens por ovos.
O programa desenvolvido pela Embrapa Gado de Corte baseia-se na aplicação de antiparasitários em épocas do ano pré-determinadas, levando em consideração a categoria animal e a relação custo-benefício.
A utilização de vermífugos em bezerros é dita por muitos como de pouca utilidade devido à baixa mortalidade ocasionada por endoparasitas.
No entanto, estudos vêm demonstrando que bezerros vermifugados antes da desmama apresentam maior ganho de peso (10 a 15%) quando comparado a animais não tratados. Porém, a estratégia de tratar ou não esta categoria fica a cargo do proprietário ou médico veterinário, pois fatores econômicos podem pesar nessa decisão.
Para a utilização em bois de engorda, preconiza-se a utilização de antiparasitários nos meses de outubro ou novembro, momento no qual esta categoria entrará em pastagens vedadas, acarretando uma menor contaminação destas.
No caso de vacas, a vermifugação deve ser feita nos meses de julho e agosto, momento este anterior ao pico de parição, principalmente no Brasil Central (agosto e setembro). Com isso, o tratamento no periparto tem como objetivo uma menor contaminação das pastagens e consequentemente uma baixa infecção dos bezerros até o desmame.
Nos animais a partir da desmama até 24-30 meses, momento no qual as verminoses causam maiores prejuízos, a vermifugação deve englobar todo o período seco, com dosificações nos meses de maio, julho e setembro. Esta estratégia tem obtido bons resultados a campo, com redução da mortalidade em 2% e um ganho médio de peso vivo em torno de 41 quilos por animal (Bianchin et al.,1996).
A primeira aplicação (maio) tem o objetivo diminuir a carga parasitária adquirida pelo animal durante o período chuvoso, a segunda aplicação (julho) elimina os vermes que resistiram à primeira aplicação, além de combater os novos endoparasitas adquiridos no início do período seco.
A terceira aplicação combate os parasitas que sobreviveram às primeiras vermifugações, diminuindo o risco de contaminação das pastagens durante o período chuvoso que se iniciará.
Categoria animal, prejuízo e número de doses anti-helmínticas nos Cerrados. Fonte: Bianchin (1995)
Indicadores financeiros das alternativas de dosificação anti-helmíntica eficaz, expressos por 100 cabeças de bovinos, para um período de dois anos. (B=dosificados em julho e setembro, C=dosificados em maio, julho e setembro e D=dosificados em maio, julho, setembro e dezembro; @=arroba ). Fonte: Bianchin (1991).
Por fim, o produtor deve ter em mente que o controle estratégico, ao contrário de outros métodos basicamente curativos, deve ser repetido anualmente na propriedade, respeitando épocas, idades e categorias previamente determinadas.
Além disso, para se evitar falhas ou impedimentos que ponham em risco sua eficiência, a vermifugação pode ser executada conjuntamente a outras práticas de manejo, como vacinações.
Conclui-se então que, controle estratégico é uma alternativa viável na tentativa do produtor em explorar ao máximo a produtividade do seu rebanho, a baixo custo e de maneira prática.
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]]>Todas essas características positivas na idade adulta começam com o bom manejo das bezerras jovens, desde os primeiros cuidados, envolvendo a colostragem entre outros fatores, e principalmente, nos 2 a 3 primeiros meses de vida.
Um manejo inadequado nessas primeiras semanas de vida geralmente está associado a um alto índice de mortalidade e de doenças durante esse período. Esses problemas irão acarretar uma menor produtividade do rebanho como um todo.
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Em muitas fazendas do Brasil, é comum a regra de que devem ser fornecidos 4 litros diários de leite às bezerras durante a fase de aleitamento. Isso surgiu baseado em uma correlação das necessidades alimentares com o peso ao nascimento, sendo 10% do peso vivo em leite.
Na prática, pode ser que esse volume não atenda às necessidades de uma bezerra durante essa fase. A composição do leite varia de vaca para vaca, de fazenda para fazenda. Pode ser que esses animais estejam passando fome quando fixamos como regra geral 4 litros de leite.
Outro hábito comum entre os produtores é desmamar as bezerras aos 60 dias de idade ou sendo comum observar bezerras sendo desmamadas a partir de um único critério, sua idade: 1, 2 ou 3 meses de vida.
Mas, se a quantidade de alimento fornecido durante todo esse tempo foi insuficiente, os animais estarão em condições de sofrer mais uma restrição alimentar? Aos 60 dias já foi atingido o peso ideal para o desmame?
No entanto, dependendo do manejo realizado até então, é possível que as bezerras não consigam ingerir quantidades suficientes de alimento sólido e se sustentar sem o leite. Logo, desmamá-las a partir do único critério da idade pode ter consequências graves, já que bezerras subnutridas são mais susceptíveis às doenças e, consequentemente, a morte.
Para se fazer um bom desmame dos animais, deve-se ter como principais critérios o consumo de alimentos sólidos, mais especificamente concentrados, e o peso.
Em alguns sistemas que usam aleitamento artificial, com bezerras 3/4, 7/8 e 15/16 holandês-gir, tem-se observado melhores resultados quando a desmama das bezerras ocorre quando as bezerras têm por volta de 90 kg de peso vivo e estão comendo, aproximadamente, 1 kg de concentrado/dia, de maneira constante. Esses critérios podem ser alcançados quando a bezerra tem entre quatro a oito semanas de idade.
Bezerras que iniciam o consumo de alimentos sólidos mais cedo podem ser desmamadas mais precocemente do que aquelas cujo consumo é muito baixo. Isso porque, ao passar pelo rúmen, o concentrado sofre fermentação, e os gases resultantes têm contribuição essencial para o desenvolvimento do próprio rúmen, do retículo e do omaso.
Estes são os chamados pré-estômagos, que só quando bem desenvolvidos permitem que as bezerras aproveitem os nutrientes de alimentos sólidos a ponto de se sustentarem sem o leite. É a partir do momento em que os pré-estômagos estão desenvolvidos e funcionais que podemos chamá-las de ruminantes.
A desmama precoce traz como vantagens a redução do período de dieta líquida, o que diminui o tempo gasto com mão de obra para o fornecimento de leite aos bezerros e diminui os custos com a alimentação destes animais, já que o leite é mais caro do que alimentos sólidos.
O objetivo do manejo nutricional durante a fase pré-desmama é promover o consumo máximo de concentrado, pois possibilita o mais rápido desenvolvimento do rúmen e uma desmama precoce.
As características do concentrado oferecido à bezerra são muito importantes para que se otimize este processo. Um bom concentrado deve apresentar as seguintes características:
Caso o concentrado possua níveis adequados de fibra, não é preciso incluir forragem ou alimento volumoso até os 60 dias de idade dos bezerros. No entanto, se necessário para atingir os 7 a 9% de fibra, pode-se acrescentar até 5% de feno de boa qualidade ao concentrado de bezerros.
O feno ajuda a conferir textura grosseira a este alimento, estimula a ruminação e deve ser a primeira forrageira a ser oferecida aos bezerros. O consumo médio desta forrageira é menor do que 50 g/dia até a oitava semana de vida. Após este período o consumo tende a crescer rapidamente. O ganho de peso é pequeno quando somente feno é oferecido a bezerras em fase de aleitamento.
Um concentrado de boa qualidade garante que as bezerras consigam aproveitar ao máximo os nutrientes que o compõem, se desenvolvendo melhor.
O concentrado deve ser oferecido à vontade até o terceiro mês de idade, quando pode ser limitado a 2kg/dia, dependendo de seu manejo. Deve estar disponível, limpo e fresco durante todo o tempo. O ganho de peso deve girar em torno de 700 g/dia. Dependendo do porte, raça e grau de sangue do animal, este ganho de peso diário pode ser maior.
O concentrado deve ser oferecido à vontade para bezerras em aleitamento, para se alcançar o máximo desempenho desses animais.
Outra situação que deve ser observada é o umedecimento do concentrado por saliva das bezerras, chuva ou mesmo do vasilhame de água próximo, o que ocasiona a deterioração do concentrado oferecido, diminuindo a palatabilidade e consequentemente o consumo da mistura.
Além disso, o umedecimento pode promover o crescimento de organismos patogênicos, colocando em risco a saúde de bezerras. As trocas de concentrados, portanto, devem ser constantes e o vasilhame regularmente limpo para estimular o consumo de concentrado de boa qualidade.
Neste processo, o acesso à água desde os primeiros dias de vida da bezerra é essencial. Existem vários fatores que afetam a ingestão de concentrado pela bezerra.
A disponibilidade e a palatabilidade do concentrado estão entre eles. No entanto, um dos mais críticos é a disponibilidade de água. Para cada quilo de concentrado ingerido, as bezerras consomem, em média, 4 litros de água. Portanto, caso a água não esteja disponível, o consumo de concentrado pode ser limitado.
Várias práticas podem estimular o consumo de concentrado com a finalidade de obtenção de altas taxas de desenvolvimento dos pré-estômagos e realização de desaleitamento precoce. Dentre elas pode-se citar:
Colocar o concentrado no fundo do balde logo após o aleitamento, ou colocá-lo diretamente na boca do bezerro na mesma ocasião também estimula o consumo deste alimento.
Geralmente a desmama ocorre em um período crítico de transição de imunidade das bezerras, tornando esse animal suscetível à ocorrência de doenças.
Neste período, a imunidade passiva, transmitida pela ingestão de colostro materno, está em queda, ao mesmo tempo em que a imunidade ativa (própria) da bezerra ainda não se desenvolveu totalmente, sendo incapaz de proteger a bezerra de maneira eficiente (janela imunológica).
É importante ter em mente que a desmama, por si só, é um grande fator de estresse para as bezerras. Deve-se, portanto, evitar que maiores fatores de estresse atuem junto ao evento da desmama e favoreçam a debilitação da bezerra recém-desmamada.
Por isso, é fortemente recomendado que não se realize outras práticas de manejo (descorna, troca de dieta, vacinas, etc) juntamente com a desmama das bezerras.
Não menos importante é a recomendação de que as bezerras desmamadas permaneçam no mesmo local ao qual estão habituadas por um período de, pelo menos, 10 dias. Durante esse período o consumo de concentrado aumenta e estabiliza, favorecendo a adequada ingestão de nutrientes pelo animal.
É importante também manter a mesma composição de concentrado quando as bezerras forem transferidas e colocadas em pequenos grupos, que devem ter no máximo 8 a 12 animais. Também é recomendável que bezerras doentes ou que tiveram diarreia, pneumonia, etc, à época da desmama permaneçam com a dieta líquida (leite) até se recuperarem.
As bezerras representam o futuro do sistema, pois são a garantia de reposição e de continuidade do rebanho, além de serem resultado de cruzamentos que podem melhorar a qualidade genética do mesmo.
Por isso, cuidados durante toda a fase de criação das bezerras são fundamentais para se alcançar o máximo desempenho desses animais, com menor custo e melhor retorno para o produtor. O manejo sanitário é um dos pontos principais quando deseja-se alcançar o sucesso nessa fase.
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]]>O que acontece muitas vezes é que os produtores rurais obedecem a normas impostas pelos órgãos competentes no controle dessas enfermidades sem conhecer bem o porquê de estarem fazendo aquilo.
Para começar, a importância da brucelose e tuberculose é tamanha que mereceram a elaboração de um programa inteiro, exclusivamente destinado ao controle e erradicação das mesmas.
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O PNCEBT (Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal) foi instituído em 2001 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com o objetivo de diminuir o número de casos da doença (prevalência), assim como de novos casos (incidência).
Para tal, é obrigatória a vacinação de bezerras com idade entre 3 e 8 meses contra brucelose, o sacrifício de animais positivos para qualquer uma das duas doenças e a apresentação de atestado negativo para essas enfermidades ao transportar animais destinados à reprodução para fora do estado ou para ingressar em feiras e exposições.
A brucelose é comum tanto para gado de corte, como para leite, porém, a tuberculose é um problema mais sério para os produtores de leite, porque esta se dissemina pelo ar, urina e fezes, portanto, as chances de infecção são maiores em rebanhos mais confinados.
Uma vez que, só exigência sem incentivo tem chances reduzidas de sucesso, estão sendo criados, em colaboração com a indústria, métodos de incentivar os produtores a controlarem as doenças em seus plantéis.
De acordo com a resolução número 3207, de 2004 do Banco Central, é estabelecida uma linha de crédito para reposição de matrizes positivas para brucelose e tuberculose aos produtores que:
Para tanto, o limite de crédito é de R$75.000,00 (setenta e cinco mil reais) por produtor e R$1.500,00(mil e quinhentos reais)por animal.
As medidas de erradicação da brucelose e tuberculose das propriedades visam não somente a saúde dos animais, como a saúde do produtor, de seus familiares, tratadores, trabalhadores da propriedade e dos consumidores dos produtos de origem animal. Tendo em vista que estas são doenças de caráter zoonótico, sendo transmitidas do animal para o homem quando há o consumo de produtos oriundos de animais infectados ou contato com estes.
O produtor pode obter do PNCEBT a certificação de propriedade livre ou monitorada. Além dos benefícios sanitários, isso trará benefícios econômicos, já que haverá a redução dos prejuízos ocasionados pelas doenças, maior credibilidade sanitária de seus produtos, levando a maiores valores agregados e facilidades no trânsito de animais.
A brucelose é causada pela Brucella abortus e é uma doença infecto-contagiosa que acomete algumas espécies importantes de animais domésticos e o homem, incapacitando-o parcial ou totalmente para o trabalho.
Os sintomas no ser humano são parecidos com os da gripe: febre, sudorese noturna, dores musculares e articulares, podendo se agravar, levando, inclusive à morte. Os prejuízos, além do tempo sem trabalhar, contemplam também custos com o diagnóstico, tratamento e internação.
A forma mais comum de ser infectado é pela ingestão de leite, carne e derivados, sem tratamento térmico adequado, provenientes de animais contaminados. Para os trabalhadores rurais, o maior risco é a transmissão por meio do contato da bactéria com mucosas ou através de feridas na pele por ocasião do manuseio de animais e restos fetais provenientes de aborto.
Nos bovinos e bubalinos, a brucelose acomete principalmente o trato reprodutivo, ocorrendo preferencialmente em fêmeas, gerando:
O aborto ocorre no terço final da primeira gestação após a infecção, menos frequente na segunda subsequente e raramente nas próximas. Isso ocorre devido ao desenvolvimento de imunidade e, por isso, em rebanhos infectados, a doença se manifesta principalmente em novilhas. Nestes partos onde o animal já adquiriu certa resistência à doença, é mais comum o nascimento de bezerros fracos ou mortos. A retenção de placenta é frequente.
A vaca prenhe contaminada é a principal fonte de infecção para o rebanho por eliminar a bactéria por ocasião do aborto, disseminando bactérias no ambiente.
Ocorre desvalorização de animais provenientes de fazendas onde há casos positivos da doença e, nas regiões onde esta se encontra de forma endêmica, há desvantagem na disputa por novos mercados.
Dados indicam a brucelose como a responsável pela diminuição de 25% na produção de leite e de carne e redução de 15% na produção de bezerros. Há ainda estimativas mostrando que a cada 5 vacas infectadas, uma aborta ou torna-se permanentemente estéril. (Manual técnico do PNCEBT).
Para controlar a brucelose, além das medidas exigidas pela legislação, é preciso evitar a introdução de animais infectados no rebanho por meio da realização de exames antes de efetivar a compra. Além disso, a implementação de piquete de parição na propriedade ajuda a evitar a disseminação.
A tuberculose é também uma doença infecto-contagiosa causada por bactéria. Nos bovinos, o agente responsável pela enfermidade é o Mycobacterium bovis, causador do desenvolvimento de lesões nodulares denominados tubérculos, que podem se localizar em qualquer tecido ou órgão do animal.
A evolução crônica da doença dificulta a identificação de sintomas, gerando disseminação pelo rebanho. Não apresenta sintomas alarmantes como aborto, febre alta e queda abrupta de produção, porém reduz o ganho de peso e a produção de leite, podendo levar à morte, além de promover o descarte precoce de animais com alto valor zootécnico e a condenação de carcaças no abate.
Há estimativas de que animais contaminados percam de 10 a 25% da sua eficiência produtiva, além da perda do prestígio e da credibilidade da fazenda onde há casos positivos de tuberculose.
Os sinais clínicos são poucas vezes associados à doença já que se desenvolvem lentamente. São eles:
Pulmão e linfonodo bovino com diversos nódulos de aspecto caseoso.
Em humanos, a contaminação se dá principalmente pelo consumo de leite e carne crua ou mal passada, oriundos de animais infectados. Como o agente da doença é eliminado pelo ar expirado, fezes, urina, leite e outros fluidos corporais dos bovinos, os trabalhadores das propriedades rurais e da indústria de alimentos também estão no grupo de risco da doença.
Isso se torna mais preocupante pelo fato de os animais infectados eliminarem a bactéria antes do aparecimento dos sintomas. Vale lembrar que os humanos portadores de tuberculose também podem ser fonte de infecção para o rebanho. As lesões em humanos variam de acordo com a via de penetração inicial da bactéria.
Assim como na brucelose, é importante exigir o exame de tuberculose antes de adquirir um animal. Também é medida de controle ter instalações que permitam a entrada da luz solar e evitar a aglomeração de animais em estábulos.
A partir de tudo isso, fica claro o porquê de se fazer um controle e manejo estratégico de eliminação destas duas doenças. O diagnóstico das duas doenças é simples e pode ser feito por médico veterinário habilitado.
Para identificar a presença da brucelose no rebanho, dois exames podem ser feitos pelo médico veterinário habilitado: o Antígeno Acidificado tamponado (AAT) e o teste do anel em leite (TAL).
Ambos identificam a presença de anticorpos contra a doença, porém o último é feito em uma mistura do leite de vários animais. O AAT é individual, feito a partir do sangue coletado de cada bovino. Veja abaixo como é realizado o procedimento:
Coleta de sangue da artéria coccígea, localizada no sulco central da parte ventral da cauda. As agulhas utilizadas devem ser individuais e descartáveis.
Amostras acondicionadas em tubos, preferencialmente, à vácuo.
Centrifugação do sangue por 3 minutos para promover a separação do soro. No caso de não possuir este aparelho, é possível a obtenção do soro deixando os tubos à temperatura ambiente por tempo suficiente para que o sangue se coagule.
Em uma placa de vidro, são adicionados 0,03 ml deste soro e a mesma quantidade do antígeno acidificado tamponado, misturando-os com o auxílio de uma espátula.
Mistura entre o soro sanguíneo e o AAT. Em exames positivos, formam-se coágulos de fácil percepção nesta mistura.
Placa com todos os exames negativos.
Exemplo de reação positiva. (Fonte: Manual técnico do PNCEBT)
AAT é um exame de alta sensibilidade, ou seja, existem poucas chances de ser falso negativo.
Porém, falsos positivos podem ocorrer pela reação cruzada com determinadas bactérias. Nestes casos, a repetição da prova ou a realização de outro exame, denominado 2-mercaptoetanol, é recomendada.
O exame diagnóstico a seguir é a prova de tuberculinização, que consiste na inoculação intradérmica de uma tuberculoproteína , a tuberculina (CORRÊA & CORRÊA, 1992; PAES, 1990).
Existem três modalidades para este teste: a inoculação do Micobacterium Bovis na região cervical (teste cervical simples), do M. bovis e do M. avium na mesma região (teste cervical comparativo) ou tendo a prega caudal como local de inoculação do M.bovis. Este último só é permitido em rebanhos de corte.
As variações do teste cervical servem para descartar a possibilidade de um caso positivo na prova simples ser devido ao contato com a espécie aviária da tuberculose.
Veja nas fotos abaixo, como é realizado o procedimento de tuberculinização no exame comparativo:
São realizadas duas raspagens na região escapular do animal. No local da primeira raspagem (frente), faz-se o teste da tuberculose aviária, com a inoculação da tuberculina aviária e, no segundo, da tuberculose bovina, inoculando-se a tuberculina bovina.
Áreas raspadas para demarcação das regiões a receber as inoculações de M.avium e M.bovis.
Antes das aplicações, a dobra de pele dos locais deve ser medida com o auxílio de um cutímetro e os valores obtidos devem ser anotados.
Nova medição com o cutímetro deve ser feita 72 horas após a inoculação dos reagentes. Com o cálculo da diferença de espessura das dobras de pele é obtido o resultado de acordo com o exemplo abaixo:

Os valores de interpretação do teste podem ser encontrados na bibliografia consultada na confecção deste artigo.
Os exames diagnósticos descritos acima (AAT e Prova de tuberculinização) foram realizados na Fazenda Suzana, localizada próximo a Ibitira/MG, de propriedade do Sr. Daniel Alves da Silva, gerenciada pelo Sr. José Valdemir e assistida pelo médico veterinário da equipe Rehagro, Ernane Campos. Para ambos os testes não houve diagnósticos positivos.
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