bezerros Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/bezerros/ Tue, 17 Jan 2023 13:59:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://blog.rehagro.com.br/wp-content/uploads/2018/05/favicon-rehagro.png bezerros Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/bezerros/ 32 32 Habilidade materna para seleção de bovinos: qual a importância? https://blog.rehagro.com.br/habilidade-materna/ https://blog.rehagro.com.br/habilidade-materna/#respond Thu, 15 Dec 2022 20:00:57 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=16772 As tendências mercadológicas visam um abate cada vez mais precoce, por isso é fundamental investir em estratégias que permitam a permanência e a inserção do produtor nesses mercados. Nesse artigo, iremos demonstrar a importância da habilidade materna para a eficiência produtiva na pecuária de corte.   Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em […]

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As tendências mercadológicas visam um abate cada vez mais precoce, por isso é fundamental investir em estratégias que permitam a permanência e a inserção do produtor nesses mercados.

Nesse artigo, iremos demonstrar a importância da habilidade materna para a eficiência produtiva na pecuária de corte.

 

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O que é habilidade materna?

Presente em diversos sumários e avaliações genéticas existentes no Brasil, a habilidade materna é uma das características mais valorizadas. Essa qualidade pode ser medida pelas DEPs (Diferença Esperada de Progênie) maternais e possibilita a escolha de reprodutores capazes de produzir filhas com aptidão para desmamar bezerros mais pesados.

A habilidade materna, portanto, corresponde a todos os aspectos da relação mãe-cria, englobando desde a facilidade ao parto, produção de leite e amamentação, até comportamentos como acolhida e proteção da cria. Essa qualidade contribui diretamente para a desmama de bezerros sadios, pesados e com bom desenvolvimento muscular.

A habilidade materna é medida por meio do peso do bezerro em quilos, aos 120 dias de vida. Dessa forma, quanto maior a habilidade materna, maior será o peso do bezerro aos quatro meses.

Qual a importância da habilidade materna?

A habilidade materna possui influência direta sobre todo o sistema produtivo. Dentre sua importância, podemos destacar o ganho de peso nos primeiros meses de vida, gerando bezerros mais pesados a desmama.

Há também uma menor dependência de ração nesse período, afinal, quando existem vacas que produzem uma quantidade adequada de leite para os animais, o aporte de suplementação é menor pois a demanda nutricional é suprida majoritariamente pelo leite.

Outro ponto importante a ser considerado, é que ao se utilizar touros que produzem boas filhas, há um maior ganho em fêmeas de reposição que são destaque dentro da fazenda, aumentando assim o ganho genético do rebanho.

A elevação do ganho genético a partir da habilidade materna cria uma base sólida no rebanho que, quando consolidada, permite o investimento do produtor em outras diretrizes, como o acabamento de carcaça, por exemplo.

Atenção para a seleção

A seleção para habilidade exige alguns cuidados. Deve-se respeitar um equilíbrio, visto que em alguns casos o desbalanço traz malefícios.

A seleção exacerbada para essa característica traz mudanças anatômicas para o sistema mamário da vaca e a predisposição a danos, pois quando se seleciona muito para produção de leite, há o maior desenvolvimento do úbere e aumento dos tetos, aumentando a exposição a danos.

Essa maior seleção para habilidade materna, além disso, aumenta a probabilidade de desenvolvimento de patologias mamárias como a mastite. Outro ponto importante é a elevação das exigências nutricionais e dos custos para manutenção das fêmeas.

Todos esses fatores somados podem contribuir para redução da fertilidade dos animais, prejudicando todo o sistema produtivo.

Conclusão

A habilidade materna é de extrema importância para pecuária de corte, contribuindo para todo o sistema produtivo.

Contudo, é fundamental manter o equilíbrio para seleção dessa característica, cabendo aos produtores e ao técnicos o bom senso de adequar essa característica a cada particularidade dos sistema produtivos.

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5 passos para a intensificação da cria na pecuária de corte https://blog.rehagro.com.br/intensificacao-da-cria-na-pecuaria-de-corte/ https://blog.rehagro.com.br/intensificacao-da-cria-na-pecuaria-de-corte/#respond Tue, 13 Dec 2022 13:33:51 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=16671 Toda dinâmica econômica de uma região, país ou mesmo a economia global, sofre influência de uma série de fatores que, quando somados, serão responsáveis por direcionar a toada dos negócios. De maneira mais localizada ou regional, esses fatores influenciadores se destacam desde o início das atividades comerciais e com o passar dos anos e o […]

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Toda dinâmica econômica de uma região, país ou mesmo a economia global, sofre influência de uma série de fatores que, quando somados, serão responsáveis por direcionar a toada dos negócios.

De maneira mais localizada ou regional, esses fatores influenciadores se destacam desde o início das atividades comerciais e com o passar dos anos e o avanço do fenômeno da globalização, a magnitude desses fatores aumentou em proporção e abrangência.

Um fator muito significativo que interfere diretamente na dinâmica do mercado, ficou conhecido como “lei da oferta e da demanda”, onde o preço dos produtos varia de acordo com a quantidade da procura por determinado produto versus a disponibilidade desse mesmo produto no mercado.

 

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Ao analisarmos o agronegócio, em específico o cenário da cadeia produtiva de carne, esses dois fatores, globalização e lei da oferta e demanda, nos mostra uma tendência importante e significativa.

Durante as duas últimas décadas alguns mercados antes restritos, abriram suas economias gerando um aumento significativo na demanda por produtos ligados ao agro.

Em suma, o cenário interno e global demanda por mais produtos e de melhor qualidade, o que leva à uma necessidade de aumento imediato da produção. Existe a demanda por carne, e precisamos aumentar nossa produção.

Tendo em vista esse cenário macro destacado acima, concluímos então que por diversos fatores, existe uma necessidade de se aumentar e principalmente intensificar a produção de carne no Brasil. 

Mesmo com a grande disponibilidade territorial, única no mundo, a cadeia produtiva da carne precisa aprimorar suas técnicas de produção para que em um mesmo espaço de terra seja possível produzir uma maior quantidade de carne.

Apesar de já encontrarmos sistemas de produção altamente intensivos onde todas as fases de produção, cria, recria e engorda, são feitas em sistemas de confinamento dos animais, a grande maioria da carne produzida no país é ainda oriunda de sistemas de criação a pasto. O pasto, quando bem trabalhado, permite ao pecuarista explorar a produção de arroba de maneira mais rentável.

Geralmente a arroba mais barata produzida é a produzida à pasto, ressaltando a necessidade de ser bem trabalhada. Em diversas ocasiões é possível encontrar sistemas de produção totalmente a pasto, onde o valor final da arroba é extremamente oneroso, principalmente pela ineficiência e deficiência nas etapas do processo de produção.

Para se ter eficiência, rentabilidade, e retorno com a atividade pecuária de animais criados à pastos, inevitavelmente então, devemos aumentar a competitividade de nossa atividade e a maneira mais segura de alcançarmos isso é justamente intensificando nossa produção.

Levando em consideração apenas criações a pasto, temos então algumas diretrizes para seguir, onde alcançamos então maiores níveis de intensificação e possivelmente com isso, melhores índices de rentabilidade e lucratividade.

Basicamente em um sistema intensificado o que se alcança é uma maior produtividade, ou seja, uma maior produção de carne em um mesmo espaço físico.

Teoricamente temos então um problema de fácil resolução. Aumentamos a quantidade de animais em determinada área, chegando assim a uma maior produtividade. A prática e a dinâmica do negócio, porém, não são tão simples assim. Para se alcançar esses objetivos, uma série de fatores e práticas devem ser levadas em consideração.

Para aumentarmos a quantidade de animais em uma mesma área tendo em vista o aumento da taxa de lotação em cada fase do sistema cria, recria ou engorda, a métrica é semelhante. Aumentamos a quantidade de pastagem de determinada área e teremos então a possibilidade de aumentarmos a carga animal daquela área.

É bem verdade que o aumento da taxa de lotação é tido como o principal ou um dos principais fatores responsáveis pelo aumento dos níveis de intensificação de uma propriedade de criação a pasto, entretanto, para cada uma dessas fases temos uma série de outros fatores que colaboram e podem levar ao aumento da produção de carne em um mesmo espaço ou em uma mesma área.

A partir de agora, vamos citar e discutir alguns dos principais fatores associados ao aumento da produtividade em cada uma das fases de produção.

A intensificação da cria

De maneira geral, a fase de cria, dentro de um sistema de produção de carne é a fase responsável por fornecer a “matéria prima” de toda a cadeia produtiva. 

É na fase de cria que se produz o bezerro que será fornecido à recriadores e, futuramente, entrarão na fase de engorda. Como produto da fase de cria então, temos o bezerro.

Para isso, a fase de cria é composta basicamente, além do bezerro, pelo conjunto de matrizes responsáveis por gestar e amamentar esses bezerros e touros que serão responsáveis pela cobrição dessas matrizes.

Importante salientar que esse último citado, o touro, pode ser substituído por uma importante tecnologia disponível no sistema: a IATF, que vamos citar dentro do tópico de reprodução.

Seguindo a lógica anteriormente citada, a intensificação nessa fase então proporciona, basicamente, uma maior quantidade de arrobas produzidas de bezerros em um determinado espaço e tempo, um ano, por exemplo.

Sendo assim vamos discutir nesse tópico algumas importantes alternativas e ferramentas que podem ser utilizadas para alcançar esse esperado aumento de produção em bezerros.

O primeiro ponto a se destacar é um fator comum a todas as fases do processo de produção:

1. Aumento da taxa de lotação

Quando trabalhamos o aumento da taxa de lotação de maneira eficiente, podemos em uma mesma área aumentar a quantidade de matrizes naquela pastagem.

Esse fator por si só implica em uma maior produção de bezerros por hectare, o que levaria ao aumento final da quantidade de arroba de bezerros produzido em um hectare durante o ano. Alguns estudos mostram que o aumento da taxa de lotação em um sistema de cria pode levar a um aumento em até 300% nas taxas de lucratividade dessa fase.

Para aumentar a taxa de lotação no sistema de produção à pasto, alguns fatores devem ser avaliados e levados em consideração. Muito porque, além da melhoria na oferta e qualidade dos pastos, outros fatores estão associados e relacionados ao aumento da taxa de lotação, como por exemplo a suplementação.

Nesse momento vamos avaliar e comentar apenas os fatores inerentes ao pasto e ao manejo das pastagens e, posteriormente, citaremos esses outros fatores dentro dos próximos tópicos.

O aumento da capacidade de uma determinada área suportar uma carga animal maior, passa inicialmente e principalmente pela melhoria da qualidade e pelo aumento da oferta de pasto aos animais que ali estão pastejando.

Antes de se tratar da melhoria de uma pastagem já estabelecida, é importante ressaltar que ao longo dos anos de utilização incorreta de uma pastagem esta, pode por diversos fatores, entrar em um estado de degradação.

Estima-se que cerca de 80% das pastagens brasileiras se encontram em algum estado de degradação e pastagens degradadas representam menor capacidade produtiva, que se tardiamente observada, pode levar até a perda total do potencial produtivo de uma área originalmente empastada, sendo necessário a implantação de uma nova pastagem no determinado local.

O processo de implantação de uma nova pastagem requer várias frentes de análise e cuidados, a que se estende desde o momento da escolha da forrageira a ser utilizada até o manejo dos animais.

O momento da escolha da forrageira é fundamental para o bom desenvolvimento das pastagens e nele devem ser levados em consideração diversos fatores, entre eles:

  • Clima;
  • Solo;
  • Pragas e doenças;
  • Aceitabilidade;
  • Distúrbios metabólicos;
  • Formas de plantio;
  • Formas de uso;
  • Método de pastoreio;
  • Nível tecnológico, entre outros.

Após uma escolha criteriosa e assertiva da forrageira a ser utilizada, o processo de implantação dessa forrageira também deve seguir um criterioso processo, para então termos um pasto com qualidade e quantidade de forragem suficientes para o bom desempenho dos animais.

Considerando então um pasto bem formado, com solo corrigido e adubado dentro de suas necessidades e exigências, onde a forrageira escolhida possa expressar o seu máximo potencial, temos que estar atentos ao manejo e a manutenção dessas pastagens.

A manutenção é fundamental para a continuidade de sua alta produtividade e será necessário de tempos em tempos, respeitando sempre a singularidade de cada sistema, processo de adubação e correção dessa área.

O melhor fator, provavelmente, o mais importante para se manter uma pastagem expressando suas melhores produções, é o manejo correto.

Quando manejamos de maneira adequada respeitando sempre as alturas de entrada e saída de cada pastagem, evitamos o processo de degradação dos pastos, minimizando o aparecimento de plantas invasoras, baixa produtividade, poder de rebrota, entre outros. O manejo correto da forrageira permite que ela tenha uma importante força de rebrota, sempre vigorosa, não permitindo o desenvolvimento de outras plantas no local.

Existem alguns métodos de pastoreios diferentes, entre eles podemos destacar o método rotacionado com carga variável, onde um lote de animais pasteja determinada área dividida em piquetes. Esse método rotacionado em piquetes de tamanhos adequados à carga animal, permite que se aumente a quantidade de animais utilizando uma mesma área, aumentando assim as taxas de lotação.

Se considerarmos como exemplo um aumento muito plausível de 20% de matrizes em um pasto vigoroso, sendo manejado de maneira adequada, teremos por consequência, sem aumentar a área destinada para a produção, um aumento de até 20% na produção do produto bezerro ao final de um ciclo de produção.

2. Trabalhando a nutrição na cria

Sistemas de cria a pasto por muito tempo foram tidos como uma atividade de baixa rentabilidade por pecuaristas. Entretanto percebeu-se que uma fase de cria bem feita e explorada de maneira adequada, aparando as arestas em suas deficiências aproveitando de maneira mais eficiente seu potencial, pode representar para o sistema como um todo um alto ganho de potencial, bem como apresentar ótimos retornos econômicos para os criadores.

A nutrição de fêmeas para a produção de bezerro deixou de ser negligenciada ao se perceber os saltos nos ganhos de produtividade. Quando se aprimora a nutrição dos animais nessa fase, a suplementação das matrizes e dos bezerros não somente melhora os desempenhos reprodutivos e de ganho de peso, respectivamente, como influencia no desempenho das crias durante toda a vida dos animais.

Muitos estudos estão sendo realizados e mostrando que vacas com bom aporte nutricional, principalmente durante o terço médio de gestação (fase onde ocorre a multiplicação de células musculares no feto, chamada “hiperplasia”) dão origem a bezerros com melhores desempenhos não somente até a desmama mas também durante o período de recria e engorda dos animais.

Nutrição das matrizes

O primeiro ponto a se destacar na nutrição em uma propriedade de cria é referente a nutrição das matrizes. Vacas criadas a pasto sofrem com a sazonalidade na produção forrageira, ou seja, durante o verão, período chuvoso onde as condições de precipitação de chuva, temperatura e incidência luminosa são ideias para o desenvolvimento forrageiro, obtém-se pastagens de melhor qualidade.

Já no inverno ou período seco do ano onde ocorre a diminuição das chuvas, dos dias e também da temperatura, os pastos na grande maioria das propriedades brasileiras sofrem uma piora significativa nos níveis nutricionais de suas pastagens, principalmente a diminuição dos níveis de proteína.

Por esses fatores citados, entende-se como necessário um programa de suplementação das fêmeas, específico para cada uma dessas estações do ano. Durante o período com maior qualidade e quantidade de oferta de forragem, em várias situações, a suplementação mineral apenas, é suficiente para a manutenção do escore de condição corporal dessas matrizes.

Mesmo no verão, porém, em algumas situações principalmente buscando o aumento da taxa de lotação, se lança mão da utilização de um fornecimento de suplementação energética desses animais, proporcionando assim uma melhor desempenho e um alto aproveitamento das pastagens.

Ao contrário do período das águas onde temos pastagens de alta qualidade, durante o período de estiagem precisamos auxiliar essas vacas com um suplemento mais específico, contendo principalmente níveis mínimos de proteína, aumentando assim a capacidade de aproveitamento da forragem nessa época do ano.

Dois aspectos devem ser ressaltados quando falamos sobre programas de suplementação para vacas. O primeiro deles, comum a programas de suplementação em outras categorias de animais, é a necessidade de boas pastagens.

Suplementação das vacas

A suplementação das fêmeas se dá como um suporte à dieta principal desses animais: O pasto. Sendo assim, quando falamos em suplementar, mesmo que apenas com mineral sem adição de fontes de nitrogênio não proteico, subentende-se como pré-requisito uma pastagem de qualidade e com quantidade.

O segundo fator importante a ser ressaltado é referente ao objetivo de um programa de suplementação de vacas. A manutenção de um bom escore de condição corporal é suficiente para que essas matrizes tenham bons desempenhos reprodutivos e sejam capazes de gestar e amamentar suas crias. Nesse caso em específico,  o objetivo não é a engorda ou o ganho de peso excessivo dessas fêmeas.

Nutrição dos bezerros

Outra categoria de destaque dentro da fase de cria, onde a nutrição requer alguns cuidados, é o próprio bezerro. Basicamente e imediatamente após o parto, o único alimento demandado pelos bezerros é o leite materno.

Chamamos atenção para esse período para um fato extremamente importante, a colostragem. Uma boa colostragem nas primeiras horas de vida, permite um desenvolvimento em termos de saúde imunológica dos animais, por outro lado, falhas na colostragem podem causar diversos problemas, inclusive a morte.

Com o passar dos dias após o nascimento em um processo tanto social de imitar a mãe quanto natural do desenvolvimento, o bezerro passa a ingerir as primeiras quantidades de pasto, ainda como pré ruminante, pois nessa fase da vida o principal alimento dessas crias é ainda o leite.

A principal ferramenta nutricional, considerando uma mãe bem nutrida produzindo leite com qualidade e em quantidade suficiente para o bezerro, nessa fase da vida, é a suplementação.

O Creep-feeding torna-se então uma importante alternativa. Trata-se da utilização de um cocho privativo aos bezerros, onde as matrizes não têm acesso. Um cercado com dimensões específicas permite o acesso somente dos bezerros ao cocho.

Essa ferramenta ajuda para que os animais antes da desmama tenham acesso a um suplemento balanceado e ajustado às suas necessidades. Importante destacar que a conversão alimentar nessa fase da vida é altíssima, e a resposta dos bezerros ao suplemento é igualmente alta.

Em tempos de bons preços de venda dos bezerros, sem dúvidas programas de suplementação dessa categoria se tornam extremamente atrativos. A utilização do creep-feeding permite a desmama de bezerros mais pesados, comparando com bezerros não suplementados.

Outro fator importante sobre a suplementação de bezerros é referente ao desempenho futuro desses animais. Animais suplementados no período de aleitamento, dão origem a animais com melhores desempenhos durante a fase de recria e engorda, desde que nessas fases o produtor mantenha os níveis satisfatórios e ajustados no quesito nutricional.

Um adendo importante sobre a suplementação de bezerros deve ser ressaltado, principalmente em relação aos produtores de ciclo completo. Quando suplementamos um bezerro, espera-se que durante as próximas fases da vida desse animal, mantenha-se bons níveis de suplementação e cuidados com a nutrição.

Muito comum bezerros suplementados quando entram na fase de recria extensiva sem suplemento ou em pastagens de baixa qualidade, desempenharem aquém do seu potencial. Sendo assim, programas de suplementação de bezerros devem ser seguidos por boas práticas de suplementação durante a cria e também durante a engorda.

Por fim, de menor destaque, propriedades que utilizam de touros para monta natural, devem estar atentas ao escore de condição corporal desses animais. Manter um touro com bom escore durante o ano, permite que esse animal desempenhe com qualidade durante o período da estação de monta, onde eles serão mais exigidos.

3. Estação de monta

A estação de monta é um período do ano onde as matrizes de uma propriedade são desafiadas à reprodução. O processo de inseminação das fêmeas pode acontecer tanto por monta natural, onde os touros são utilizados na vacada, quanto por inseminação artificial. Às vezes até pelos dois, sendo comum vacas serem inseminadas uma ou mais vezes, fazendo depois um repasse com os touros.

Existem vários motivos que justificam a utilização da estação de monta. Hoje um sistema intensivo de cria a pasto inevitavelmente terá que estabelecer, de acordo com suas particularidades, uma estação de monta.

Dentre os diversos motivos para a utilização de monta, um se destaca. Já citado anteriormente, a sazonalidade de produção forrageira é um importante motivador para a implantação de uma estação de monta. É sabido que no decorrer de um ano existem várias estações que refletem em características climáticas diferentes e cada uma dessas características causa, por consequência, o aumento ou a diminuição da oferta de forragem nos pastos.

O objetivo principal para a implantação de uma estação de monta é então, ajustar o período reprodutivo das fêmeas precisamente no período do ano onde obtém-se a maior disponibilidade de forragem. Para uma boa resposta reprodutiva e para emprenhar e gerar um bezerro saudável, a fêmea aumenta sua demanda por forragem.

A estação, então, sincroniza esse aumento da necessidade com o momento onde há maior oferta nos pastos. Além de atender a demanda da vacada, a estação de monta por consequência apresenta uma série de outros benefícios, inclusive para os bezerros.

Cada propriedade deve adequar sua estação de monta de acordo com as características da região onde ela se encontra. Uma propriedade onde o início das chuvas ocorre primeiro, pode antecipar sua estação. Em contrapartida, nas regiões onde a chuva demora um pouco mais para começar, a estação pode ser retardada em alguns dias ou até meses.

Outro fator que pode variar entre propriedades é o período de duração de uma estação de monta. Uma referência importante para esse período é uma estação de 90 dias ou três meses.

Nesse modelo é possível que todas as matrizes sejam inseminadas uma ou mais vezes e o mais importante, permite que toda vaca produza ao menos um bezerro por ano, que é o grande objetivo de um sistema de cria.

Em algumas situações específicas no entanto, relacionadas principalmente ao quesito clima, algumas propriedades realizam a estação por um período de tempo maior. É importante salientar que quanto menor o tempo da estação, maior a capacidade de selecionar as fêmeas e maior a concentração de partos, o que também é um fator positivo.

Uma propriedade que não adota uma estação de monta bem estabelecida e deseja então iniciar essa ferramenta tão positiva, deve resguardar alguns cuidados. No início a estação pode ser maior, em torno de 5 ou 6 meses e ao decorrer dos anos pode ser ajustada para os três meses, que é o habitual.

Alguns fatores que não estão relacionados à vaca também são encontrados em uma propriedade que pratica uma estação bem estabelecida e funcional.

Quando se tem um período de acasalamento no início das águas, o nascimento dos bezerros ocorre em um período mais seco do ano, o que para o bezerro pode ser muito positivo. Bezerros que nascem no período chuvoso do ano apresentam maiores problemas relacionados à sanidade.

Estudos ainda mostram que o desempenho dos bezerros nascidos no início da estação de nascimento (meses de agosto e outubro), apresentam desempenhos superiores de ganho de peso, tanto na desmama quanto durante a recria e engorda, quando comparados aos bezerros nascidos no final do período de nascimento.

Esse fato se deve por vários motivos, além do aspecto sanitário já mencionado, o período de desmama dos bezerros ocorre em uma época do ano mais favorável ao animal que inicia sua vida como dependente apenas de forragem.

Um outro aspecto importante que devemos destacar relacionado aos bezerros, é em relação à sua seleção. Quando limitamos o período de nascimento dos animais, a comparação entre eles é mais justa e possibilita avaliar quais os animais apresentam o melhor desempenho dentro de uma mesma categoria, recebendo as mesmas condições nutricionais.

A concentração dos partos destes animais permite ainda ao pecuarista um maior poder de negociação desses bezerros. À medida que temos um grande número de animais para venda, aumentamos então nossas condições em busca de melhores preços.

A seleção das matrizes também se dá de maneira mais eficiente em uma propriedade que utiliza da estação de monta. Ao final de cada estação, é possível identificar e descartar as matrizes que não lograram com êxito no período reprodutivo, devendo então serem descartadas.

Por fim, o estabelecimento do período de nascimento dos bezerros e de inseminação das fêmeas auxilia no manejo da propriedade. Estas fases demandam de cuidados específicos e de mão de obra qualificada e quando conseguimos concentrar essas atividades, aumenta a possibilidade de planejamento para esses períodos, além de aumentar também a facilidade em determinar o momento de receita com bezerros machos, com as bezerras excedentes e com as vacas de descarte, possibilitando maior controle financeiro da atividade.

A estação de monta é uma realidade para as propriedades de cria e devem ser consideradas um objetivo para os pecuaristas que ainda não adotam esse manejo, bem como um ponto de melhoria constante para aqueles que já o fazem. São muitos os benefícios decorrentes de uma prática relativamente de baixo custo para o pecuarista.

4. Genética

A procura de produzir mais em menos tempo, leva a um maior investimento na fase de cria, mantendo o animal menos tempo em confinamento e pasto. Consequentemente, essa ação leva a lucros maiores e para que isso seja possível, a genética do rebanho é um fator essencial a ser discutido e levado em consideração pelos produtores.

Dentro do melhoramento genético na pecuária de corte, temos seleção e cruzamento. A seleção permite que escolha o animal que será utilizado como parental da próxima geração, já o cruzamento é entre as diferenças raças.

O melhoramento genético deve ser direcionado de acordo com o sistema de produção desejado, porém o mais comum é que este processo seja feito de forma aleatória, sem objetivos concretos. É necessário um planejamento correto, pois quando não é feito de forma incisiva, a evolução será um retrocesso no desempenho produtivo dos animais.

De acordo com o especialista Roberto Carvalheiro (GenSys) “todo criador é um selecionador”, pois escolhe quais animais colocará em reprodução, quais de suas vacas e quais touros (ou sêmen) utilizará, tomando assim decisões de seleção genética.

Porém, segundo o especialista, “nem todo selecionador promove melhoramento genético do seu rebanho”. A escolha das características a serem selecionadas deve ser tomada da melhor maneira possível, considerando todos os seus prós e contras.

Em um melhoramento genético do rebanho, primeiramente é preciso traçar um objetivo que desenvolva um cruzamento que fornecerá a melhoria de características. Deste modo irá trazer benefícios futuros para a produção, permitindo um maior valor agregado ao produto final.

O planejamento genético é essencial para a fase de cria e todo o retorno que o animal agrega para a fazenda, começa nessa fase. Um animal com alta genética necessita de uma maior atenção na questão da nutrição e ambiência, diferentemente de um animal de genética inferior. O objetivo deve ser traçado juntamente com a disponibilidade de estrutura da fazenda. Não adianta ter um animal com alto potencial genético e não ter condições ideais para ele poder expressá-las.

Quando se trabalha com seleção, o técnico ou o produtor deve observar quais são as características que um determinado touro expressa e qual a porcentagem de passá-la para a geração futura. Isso é feito utilizando índices de seleção de touros que combinam as características definidas como critérios de seleção nas proporções desejadas e/ou necessárias para melhoria da atividade.

Recomenda-se a definição de índices baseados nas deficiências observadas nos indicadores zootécnicos da propriedade. A partir desses índices, define-se o sêmen de touros testados e aprovados, disponíveis em catálogos específicos, de acordo com o valor das Diferenças Esperadas nas Progênies (DEPs), que representa o valor genético dos touros para cada característica utilizada como critério de seleção.

É necessário ficar atento, já que a seleção de uma determinada característica pode afetar outras de acordo com as correlações genéticas existentes. Assim, a seleção direta, aquela realizada para a característica-alvo, pode afetar outra característica, resultando na seleção indireta caso a correlação existente seja favorável.

Existem muitos programas genéticos disponíveis e muitas empresas investem pesado na consultoria. Com a produtividade crescendo cada vez mais, os produtores veem a necessidade de investir na genética do rebanho. A orientação e a determinação de um objetivo andam juntos e o investimento deve ser feito de forma consciente. O produtor só conseguirá bons resultados se todos os pilares da pecuária de corte estiverem sendo respeitados.

Por isso, a evolução genética do rebanho é de extrema importância, principalmente em um país que é o primeiro em exportação de carnes e derivados. Produzir com qualidade vai além da genética que o animal proporciona. O potencial genético é atingido quando a nutrição, manejo e ambiência são respeitados.

De maneira mais ou menos intensiva, o melhoramento animal vem sendo realizado de maneira instintiva, ou científica, desde que o homem começou a domesticar os animais e percebeu que poderia potencializar a produtividade e aptidão para a produção ao longo das gerações.

Em específico para cria, temos algumas opções para o melhoramento genético, onde focamos na seleção pensando exclusivamente na produção de bezerros machos com maiores índices produtivos e fêmeas com maiores capacidades reprodutivas. Pensando inicialmente na primeira parte, “melhor produção de bezerros machos” devemos focar em algumas características no momento de selecionar e escolher quais os animais serão utilizados em determinada propriedade voltadas ao ganho de peso.

Lembramos que o produto principal de uma fazenda, exclusivamente de cria, é a produção e venda dos bezerros. Sendo assim, a utilização de animais que comprovadamente transmitem à suas crias grandes potenciais de produção com determinados dias de vida, como por exemplo aos 120 dias, permite maiores ganhos com a venda de arroba de bezerros por ano.

Utilizar animais que comprovadamente produzem proles com grande potencial de peso ao desmame pode ser uma excelente alternativa para uma fazenda de cria.

Um ponto importante para se ressaltar, que tem grande impacto na produção de bezerros, está relacionado à carga genética das matrizes dentro do rebanho. Diferente dos objetivos direcionados apenas ao ganho de peso à desmama, por exemplo, a construção ou o melhoramento de um plantel de matrizes deve respeitar critérios muito além dos de ganho de peso.

Fatores como precocidade (idade ao primeiro parto, probabilidade de parto precoce, idade à puberdade de machos), habilidade materna, fertilidade e Stayability dentre outras características, devem ser avaliados quando pensamos em melhorar e ou construir um rebanho de matrizes.

Outro ponto a se avaliar em relação à genética ou melhoramento genético, é em relação a propriedades que não são exclusivas de cria ou mesmo aquelas que são de produção única de bezerros mas que atendem a um mercado específico com determinada exigência.

Essas propriedades, além de um bom plantel de matrizes com proles bem desenvoltas no quesito ganho de peso, podem focar seu processo seletivo e seu melhoramento genético em características para marmoreio, acabamento de carcaça e assim por diante, agregando valor e qualidade ao seu produto.

Quando alcançamos um rebanho de matrizes com carga genética satisfatória dentro dos objetivos da propriedade, damos um grande passo rumo ao sucesso da produção.

A utilização de touros melhoradores, permite uma evolução de qualidade no rebanho em pouquíssimo tempo. Um trabalho de melhoramento pode exigir paciência por parte do produtor, entretanto, o adicional genético em uma propriedade, é percebido já nas suas primeiras crias.

Independente do seu objetivo e de suas metas com um programa de melhoramento genético, um ponto é comum para todas as situações. Esse ponto é um planejamento de programa muito bem delineado. Como um todo deve ser bem estruturado, seguir esse planejamento e acompanhar as métricas estabelecidas. Assim proporcionará maiores probabilidades de sucesso no programa.

5. Reprodução

Trabalhar a reprodução de uma propriedade é uma importante e necessária alternativa no processo de intensificação da fase de cria. Melhorar os índices reprodutivos de uma propriedade trará um impacto positivo, direto e significativo nos resultados finais do sistema de produção.

Existem algumas alternativas importantes para o aperfeiçoamento do processo reprodutivo dentro de uma fazenda. O principal seja talvez a utilização da IATF. A inseminação artificial em tempo fixo permite, dentre outras coisas, o incremento genético rápido e com custos acessíveis à propriedade.

Webinar Protocolos da IATF

A intensificação do processo reprodutivo está também muito ligada a outra ferramenta já mencionada: a estação de monta. Falar sobre intensificação do sistema de cria citando reprodução é fundamental. Vamos destacar a importância e o impacto que a estação de monta tem em uma propriedade, em específico nos resultados reprodutivos.

O alinhamento entre IATF e EM é então a chave para o sucesso reprodutivo em uma propriedade de cria, entretanto, alguns cuidados e práticas são de grande importância durante a utilização da IATF em uma EM.

O Escore de Condição Corporal (ECC) é de grande importância quando se trata de reprodução. Um ECC aceitável está entre 5 a 6 no parto e/ou no início da estação de monta. Respeitando esse ECC, promovemos um menor tempo para o 1o estro, produção suficiente de colostro e garante um bezerro saudável e com uma alta taxa de desmama.

É importante que o produtor avalie sua produtividade pelo número de bezerros desmamados e não nascidos. Uma variação de ECC de 4 para 6 aumenta em 20% a 30% a taxa de prenhez. Por isso, são necessárias tecnologias que aumentem o ECC antes delas parirem e que as mantenham até a próxima.

No sistema de produção de bovinos, a eficiência reprodutiva é um fator fundamental, visto que apresentam ciclo reprodutivo longo, e geram somente um descendente a cada parto. Assim sendo, a inseminação artificial ou acasalamento permite maior vida útil dos animais e mais nascimento de bezerros. Para se atingir o peso ideal vai depender do nível do manejo, ambiência, sanidade e nutrição.

A nutrição deve ser balanceada desde antes da gestação. A fêmea deve ter uma alimentação energética e o controle de escore deve ser feito, visando uma gestação de qualidade e nascimento de bezerro com peso ideal. O cuidado pós-parto, deve ser intensificado.

Animais com ECC acima de 7, dificultam o parto, além de se tornarem inviáveis financeiramente, devido ao maior gasto financeiro.

As vacas recém-paridas possuem um alto requerimento de energia. Dessa forma, o ECC também é essencial nessa fase. A energia está diretamente relacionada com o consumo de matéria seca (CMS). Quanto maior o CMS, maior será o balanço energético líquido (BEL).

O início da lactação é um período de balanço negativo de nutrientes (Balanço Energético Negativo – BEN). O período de pós-parto requer um alto suprimento de energia, mas o animal tem redução do CMS. Se tiver carência nutricional, esse consumo naturalmente será mais baixo, aumentando o BEN e afetando negativamente a reprodução.

O BEN, não permite que o animal volte à reprodução, pois toda reserva energética do animal que seria utilizada para promover o ciclo reprodutivo é desviado, indo então para a produção de leite e no final somente para a mantença do mesmo. Essa condição deve ser avaliada sistematicamente quando se visa uma reprodução eficiente e rentável, não basta só alimentar o animal, o acompanhamento da condição deles é de suma importância.

A reprodução é uma etapa que muitas vezes é negligenciada pelo produtor, muitas vezes por falta de respaldo técnico. O processo de reprodução não se inicia no momento do cio do animal. Toda a preparação advinda anteriormente irá influenciar os resultados posteriores. A pecuária não cabe mais amadorismo, novas tecnologias chegaram e para uma maior rentabilidade, será preciso segui-las.

Conclusão

Seguindo esses passos, sempre atentos ao preço de venda dos bezerros desmamados, à qualidade desses animais, concomitante a um trabalho de gestão avaliando custos e processos, a cria pode e será uma atividade de viabilidade importante dentro da cadeia produtiva da pecuária.

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Cristiano Rossoni

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Desmama de bezerros de corte: quais os principais cuidados com essa fase? https://blog.rehagro.com.br/desmama-de-bezerros-de-corte/ https://blog.rehagro.com.br/desmama-de-bezerros-de-corte/#respond Fri, 25 Nov 2022 19:15:44 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=16277 Eficiência produtiva e rentabilidade são os propósitos do pecuarista em todas as fases da produção. Dessa forma, é importante se atentar aos detalhes na desmama dos bezerros. Nesse artigo iremos pontuar os principais cuidados com a desmama e sua importância para o desenvolvimento dos bezerros.   Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em […]

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Eficiência produtiva e rentabilidade são os propósitos do pecuarista em todas as fases da produção. Dessa forma, é importante se atentar aos detalhes na desmama dos bezerros.

Nesse artigo iremos pontuar os principais cuidados com a desmama e sua importância para o desenvolvimento dos bezerros.

 

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A desmama na pecuária de corte

O desmame é o momento em que ocorre a separação do bezerro de sua mãe. No Brasil esse manejo tradicionalmente é realizado por volta dos 8 meses de vida do animal, sendo um período caracterizado por um grande estresse, tanto para a matriz quanto para a cria.

Em relação ao peso correto para desmama, é indicado realizar o manejo em bezerros que pesem entre 180 kg e 210 kg. Esse peso somado à idade (8 meses) contribui para o desmame saudável dos animais.

O respeito a esses parâmetros é importante, pois nesse período o bezerro terá uma imunidade robusta contra doenças que podem acarretar a mortalidade do animal.

Ademais, é na fase da desmama que o bezerro já é considerado um completo ruminante, sendo capaz de utilizar a forragem sólida como fonte de energia e nutrientes necessários para seu desenvolvimento.

Além disso, é importante levar em consideração outros fatores como: peso da vaca, idade, estado corporal da vaca e do bezerro, a quantidade e a qualidade dos alimentos disponíveis, à época do ano e a produção de leite da vaca.

Sistemas de desmama na pecuária de corte

Esse manejo pode ser realizado de diversas maneiras e a escolha vai de acordo com a finalidade do produtor, variando com os sistemas de produção.

Confira a seguir os quatro principais modelos de desmama no Brasil:

1. Desmama precoce

Esse manejo consiste na separação definitiva do bezerro, mais cedo que o momento tradicional, aos 8 meses de idade. 

Essa prática é recomendada para os períodos nos quais há escassez de forragem, objetivando reduzir o estresse da lactação e os requerimentos nutricionais da vaca (em especial novilhas), antecipando assim o restabelecimento da atividade reprodutiva.

É recomendado que essa prática ocorra no período de monta, a fim de alcançar a reconcepção imediata das fêmeas. 

2. Desmama temporária ou interrompida

Pode ser realizada com a remoção temporária do bezerro, por um período que pode variar de 48 a 72 horas, cerca de 40 dias após o parto. 

A remoção temporária do estímulo da amamentação provoca um aumento na liberação do LH (hormônio luteinizante), auxiliando assim o retorno do ciclo estral. Contudo, vacas de péssimo estado corporal não respondem a este estímulo.

3. Desmama lado a lado

Em algumas propriedades há a manutenção do contato visual mãe/cria, visando melhorar o bem-estar dos animais.

Nesse tipo de manejo, as vacas e os bezerros são mantidos lado a lado, separados apenas por uma cerca.

4. Separação completa/abrupta

Essa técnica consiste na separação realizada de uma vez (sem contato visual e auditivo).

Uma dica é retirar a matriz do pasto e deixar o bezerro, afinal aquele lugar já é conhecido para ele e dessa forma o estresse será menor.

Influência do desmame no desenvolvimento do bezerro

O período de desmame é um dos mais estressantes na vida do animal: a total dependência do rúmen, o distanciamento da mãe e a adaptação ao novo ambiente são desafios normalmente encontrados durante esta fase da vida.

O estresse desse manejo causa diversas perdas na produtividade do rebanho, afetando além do ganho de peso e da eficiência alimentar, a saúde e a reprodução dos animais.

Dessa forma, cuidados com os processos presentes nesse manejo, são essenciais para reduzir os efeitos negativos e minimizar a queda do desempenho dos animais.

Cuidados com a desmama

Os cuidados com a desmama se iniciam antes mesmo do bezerro nascer, afinal os manejos nesse período terão influência direta sobre o futuro do animal.

Esse processo começa nos cuidados com a mãe. As vacinas irão ajudar a estimular uma resposta imunológica que fornecerá proteção ao patógeno no colostro. É fundamental garantir a ingestão do colostro em quantidade e qualidade suficientes, nas primeiras 24 horas de vida dos bezerros.

Outro ponto de atenção é a realização de um programa completo de sanidade: vacinação, combate a endoparasitas e ectoparasitas. O correto manejo sanitário vai contribuir para a construção de uma imunidade robusta dos animais.

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Nos primeiros dias após a separação, deve-se evitar distúrbios aos recém-desmamados e caso os bezerros sejam transportados é necessário reduzir ao máximo o estresse desse manejo.

No dia do embarque, os bezerros devem ser manipulados por manejo racional e além disso, os animais devem embarcar prontamente. Evite os horários mais quentes do dia e se possível realize a comercialização e o transporte dos animais para propriedades mais próximas, quanto maior o trajeto, maior será o estresse.

Ao descarregar os animais, disponibilize um tempo para descanso e priorize o silêncio, forneça prontamente água fresca e ração de boa qualidade.

Conclusão

O desmame dos bezerros é com certeza um momento de grande impacto na vida dos animais, por isso é essencial estabelecer ações que visem reduzir os fatores estressantes. O planejamento deve ser multifatorial, levando em consideração o objetivo do produtor e o sistema da fazenda.

Estabelecer um plano específico para cada rebanho é o diferencial para alcançar os melhores resultados produtivos e o Rehagro pode te auxiliar nesse desenvolvimento.

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Brisa Sevidanes

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Suplementação de bezerros de corte: principais formas e como fazer https://blog.rehagro.com.br/suplementacao-de-bezerros/ https://blog.rehagro.com.br/suplementacao-de-bezerros/#comments Mon, 12 Sep 2022 17:26:08 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5090 O produtor busca pela harmonia perfeita entre cria, recria e engorda, pois são fatores determinantes para maior eficiência produtiva de um sistema de produção. Com isso, o peso dos bezerros a desmama é a essência para a redução da idade ao abate e a melhoria na taxa de desfrute. Do nascimento a desmama é a […]

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O produtor busca pela harmonia perfeita entre cria, recria e engorda, pois são fatores determinantes para maior eficiência produtiva de um sistema de produção. Com isso, o peso dos bezerros a desmama é a essência para a redução da idade ao abate e a melhoria na taxa de desfrute.

Do nascimento a desmama é a etapa da vida do animal em que se apresentam as melhores taxas de ganho de peso, alcançando, em apenas sete meses, aproximadamente 25 a 35% do peso final de abate.

 

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O leite proporciona nutrientes imprescindíveis à cria, sob uma forma simples e de fácil absorção, de maneira a suprir as exigências relativamente altas nesta fase. Até certo momento, quanto mais leite o bezerro recebe da matriz, mais rápido ele cresce.

Entretanto, a relação entre esses dois fatores (produção leiteira da mãe e ganho de peso da cria) diminui bastante de intensidade, depois de 16 semanas. Esperar, por conseguinte, que a partir da idade de 3 a 4 meses, boa parte dos nutrientes indispensáveis aos bezerros de corte origina-se de outras fontes que não somente do leite materno.

Formas de suplementação de bezerros

Para suprir as possíveis deficiências nutricionais, determinadas formas de suplementação de bezerros foram desenvolvidas.

Creep-feeding

O Creep-feeding ou cocho privativo, que é uma forma de suplementação com ração balanceada no cocho, dentro de uma área cercada, com acesso exclusivamente ao bezerro. O objetivo é suplementar a cria sem apartar da mãe.

Ainda que haja indicativos de uma melhora da eficiência reprodutiva da vaca, o creep-feeding visa principalmente ao bezerro. Tem como finalidade o aumento do peso a desmama, bem como habituá-lo à suplementação no cocho.

Creep-feedingExemplo de creep-feeding

Para que a suplementação alcance êxito, irá depender do consumo dos bezerros. Para que isso ocorra, determinadas práticas de manejo podem ser ressaltadas, primeiramente, quando se usa o sistema de cocho privativo: reunir às crias alguns bezerros mais velhos que já conhecem o sistema, servindo como exemplo, e espalhar ração do lado de fora do cercado, de maneira que as vacas possam treinar suas crias a comer, e posteriormente permitir o acesso ao cocho, tanto das vacas quanto dos bezerros, durante alguns dias.

Creep-grazing

O Creep-grazing ou pasto privativo, ainda pouco aproveitado no Brasil, é o método que consiste em permanecer os bezerros juntos às suas mães e têm acesso exclusivo a um piquete formado com forrageiras de alto valor nutritivo, pequeno porte e alta densidade, como azevém, aveia, tifton, milheto etc.

As instalações (exigências são parecidas às do creep-feeding) são proporcionais ao número de bezerros e à produção de matéria seca da forrageira escolhida pelo tamanho do piquete.

creep-grazingRepresentação do método creep-grazing

Além dessas duas formas de suplementação, pode ser utilizado a desmama precoce, uma vez que essa permite que as matrizes recuperem seu estado corporal e manifestem o cio.

Para a maior eficiência do sistema, todavia, é preciso que esta prática ocorra dentro da estação de monta, possibilitando uma nova concepção imediata.

Esta estratégia pode ser utilizada para descartar as fêmeas que não reconceberam ao final da estação de monta sem que as mesmas tenham que ficar por muito tempo na propriedade ocupando espaço de outra mais produtiva.

E-book Manual Sanitário da estação de monta

Para isso, os bezerros entre 90-120 dias de idade são desmamados e colocados em pastagens adequadas, bem afastados das mães. O pasto apropriado para desmama deve ser formado com forrageiras, correspondendo aos requisitos do creep-grazing (alto valor nutritivo, alta densidade, palatabilidade e baixo porte).

Além do pasto, aconselha-se suplementar os bezerros com uma ração concentrada, a mesma do creep-feeding, até 6-7 meses, idade correspondente à desmama tradicional, pois as crias têm a capacidade de retirar do concentrado a energia suficiente que encontrariam com o leite.

É esperado que os bezerros consumam de 200 – 400 g/cab/dia. Com o passar do tempo, eles somam gradativamente a ingestão, chegando a atingir, na fase final, 2 – 2,5 kg/cab/dia. Pode-se ofertar a quantidade de 1% do peso vivo médio de cada lote, para cada animal por dia, durante o período de 3 a 4 meses.

Portanto, em um sistema de produção de bovinos de corte, a taxa de desmama e a quantidade de kg de bezerro desmamado/vaca/ano influenciam diretamente a eficiência do processo de criação.

A suplementação, ainda que na fase de aleitamento, evidencia ser uma importante ferramenta complementar nos projetos que visam níveis altos de produtividade.

Quanto mais pesado desmamar o bezerro, menor será seu tempo no sistema até o abate, reduzindo seu custo de permanência na propriedade ou maior será seu valor de venda e mais rápido as fêmeas são destinadas à reposição. Além disso, permite que as matrizes recuperem seu estado corporal e retome a ciclicidade mais rápido.

Para o produtor é indispensável saber os custos do sistema e devem ser levados em consideração os custos com ração/bezerro. No entanto, é essencial atentar-se que um bezerro bem nutrido, durante o primeiro ano de vida, é capaz de suportar maiores estresses climáticos e/ou orgânicos e, consequentemente, te restituir um boi mais pesado no futuro, mostrando mais importante o fechamento econômico da operação.

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Creep-feeding e creep-grazing: como funcionam as suplementações de bezerros? https://blog.rehagro.com.br/creep-feeding-e-creep-grazing-como-funcionam-as-suplementacoes-de-bezerros/ https://blog.rehagro.com.br/creep-feeding-e-creep-grazing-como-funcionam-as-suplementacoes-de-bezerros/#respond Fri, 29 Jul 2022 13:00:55 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=14026 A fase inicial do processo de produção de gado de corte é fundamental para o desempenho dos animais ao longo da vida e, consequentemente, para a rentabilidade do negócio. Potencializar essa fase e acelerar o processo pode ser alcançado com a utilização de estratégias e ferramentas, como o creep-feeding e o creep-grazing.  O produtor busca […]

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A fase inicial do processo de produção de gado de corte é fundamental para o desempenho dos animais ao longo da vida e, consequentemente, para a rentabilidade do negócio. Potencializar essa fase e acelerar o processo pode ser alcançado com a utilização de estratégias e ferramentas, como o creep-feeding e o creep-grazing

O produtor busca pela harmonia perfeita entre cria, recria e engorda, pois são fatores determinantes para maior eficiência produtiva de um sistema de produção. Com isso, o peso dos bezerros a desmama é fundamental para a redução da idade ao abate e a melhoria na taxa de desfrute das propriedades.

Entre o nascimento e a desmama, há a etapa da vida do animal onde se apresentam as melhores taxas de ganho de peso, alcançando, em apenas sete meses, aproximadamente de 25 a 35% do peso final do abate.

O leite proporciona nutrientes imprescindíveis e de grande relevância para o desempenho da cria, sob uma forma simples e de fácil absorção, de maneira a suprir as exigências relativamente altas nesta fase. Até certo momento, quanto mais leite o bezerro recebe da matriz, mais rápido e mais saudável ele cresce.

A relação entre esses dois fatores (produção leiteira da mãe e ganho de peso da cria), no entanto, diminui bastante de intensidade depois de 16 semanas. Esperar, por conseguinte, que a partir da idade de três a quatro meses, boa parte dos nutrientes indispensáveis aos bezerros de corte se origina de outras fontes que não somente do leite materno.

Para suprir as possíveis deficiências nutricionais e potencializar os ganhos dos animais nessa etapa da vida, determinadas formas de suplementação de bezerros foram desenvolvidas.

 

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Creep-feeding

O creep-feeding ou cocho privativo, é uma forma de suplementação com ração balanceada no cocho, dentro de uma área cercada, com acesso exclusivamente ao bezerro. O objetivo é suplementar a cria sem apartar da mãe.

Ainda que haja indicativos da melhoria na eficiência reprodutiva da vaca, o creep-feeding favorece principalmente ao bezerro, tendo como finalidade o aumento do peso a desmama, bem como habituá-lo à suplementação no cocho.

Para que a suplementação alcance êxito, irá depender do consumo dos bezerros. Para que isso ocorra, determinadas práticas de manejo podem ser ressaltadas, primeiramente, quando se usa o sistema de cocho privativo:

  • Reunir às crias alguns bezerros mais velhos que já conhecem o sistema, servindo como exemplo;
  • Espalhar ração do lado de fora do cercado, de maneira que as vacas possam treinar suas crias a comer;
  • Permitir o acesso ao cocho, tanto das vacas quanto dos bezerros, durante alguns dias.

Creep-feeding

Creep-grazing

O creep-grazing ou pasto privativo, ainda pouco aproveitado no Brasil, é o método que consiste em permanecer os bezerros juntos às suas mães e têm acesso exclusivo a um piquete formado com forrageiras de alto valor nutritivo, pequeno porte e alta densidade, como azevém, aveia, tifton, milheto etc.

As instalações (exigências são parecidas às do creep-feeding), são proporcionais ao número de bezerros e à produção de matéria seca da forrageira escolhida pelo tamanho do piquete.

Creep-grazing

Outras alternativas de suplementação

Além dessas duas formas de suplementação, pode ser utilizada a desmama precoce, uma vez que essa permite que as matrizes recuperem seu estado corporal e manifestem o cio.

Para a maior eficiência do sistema, porém, é preciso que esta prática ocorra dentro da estação de monta, possibilitando uma nova concepção imediata.

Esta estratégia pode ser utilizada para descartar as fêmeas que não reconceberam ao final da estação de monta, sem que elas fiquem por muito tempo na propriedade ocupando espaço de outra mais produtiva.

Para isso, os bezerros entre 90-120 dias de idade são desmamados e colocados em pastagens adequadas, bem afastados das mães. O pasto apropriado para desmama deve ser formado com forrageiras, correspondendo aos requisitos do creep-grazing (alto valor nutritivo, alta densidade, palatabilidade e baixo porte).

Além do pasto, é aconselhado suplementar os bezerros com uma ração concentrada – a mesma do creep-feeding – até 6-7 meses, idade correspondente à desmama tradicional, pois as crias têm a capacidade de retirar do concentrado a energia suficiente que encontrariam com o leite.

É esperado que os bezerros consumam de 200 – 400g/cab/dia. Com o passar do tempo, eles somam gradativamente a ingestão, chegando a atingir, na fase final, 2 – 2,5 kg/cab/dia. Pode-se ofertar a quantidade de 1% do peso vivo médio de cada lote, para cada animal por dia, durante o período de 3 a 4 meses.

E-book Manual Sanitário da estação de monta

Característica do suplemento no creep

A suplementação utilizada, no creep, por exemplo, deve receber a devida atenção no momento da formulação, contendo em média, de 18 a 20% de proteína.

Em alguns casos, é interessante a utilização de produtos palatabilizantes na suplementação para fomentar e aumentar o consumo por parte dos bezerros.

Outro ponto de importância para o sistema como um todo é a possibilidade de fornecer aos animais nessa fase da vida, aditivos na suplementação, como salinomicina, monensina dentre outros. Estes, atuam como coccidiostáticos, no controle da coccidiose, o que apresenta grande importância para a fase de grande acometimento da eimeriose.

Considerações sobre creep-feeding e creep-grazing

Em um sistema de produção de bovinos de corte, a taxa de desmama e a quantidade de kg de bezerro desmamado/vaca/ano influenciam diretamente a eficiência do processo de criação.

A capacidade e a melhoria desse indicador está diretamente relacionado ao nível de intensificação da propriedade, quanto maior a taxa de lotação da propriedade, maior a eficiência nos manejos reprodutivos e sanitários com as matrizes e suas crias, e o peso de desmama influenciam diretamente nesse indicador de tamanha importância para propriedades de cria.

A suplementação, ainda que na fase de aleitamento, evidencia ser uma importante ferramenta complementar nos projetos que visam níveis altos de produtividade.

Quanto mais pesado desmamar o bezerro, menor será seu tempo no sistema até o abate, reduzindo seu custo de permanência na propriedade ou maior será seu valor de venda e mais rápido as fêmeas são destinadas à reposição. Além disso, permite que as matrizes recuperem seu estado corporal e retome a ciclicidade mais rápido.

Para o produtor é indispensável saber os custos do sistema e devem ser levados em consideração os custos com ração/bezerro. É essencial, no entanto, observar se um bezerro bem nutrido, durante o primeiro ano de vida, é capaz de suportar maiores estresses climáticos e/ou orgânicos e, consequentemente, te restituir um boi mais pesado no futuro, mostrando mais importante o fechamento econômico da operação.

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5 dicas para diminuir problemas uterinos no pós-parto de vacas leiteiras https://blog.rehagro.com.br/problemas-uterinos-no-pos-parto/ https://blog.rehagro.com.br/problemas-uterinos-no-pos-parto/#respond Sun, 12 Sep 2021 18:09:18 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5098 Os problemas uterinos no pós-parto, infelizmente, são comuns em vacas leiteiras e sua incidência contribui para a redução da fertilidade, queda nos indicadores reprodutivos e uma consequente ineficiência econômica do sistema de produção. Afinal, todo aspecto que leve a um atraso na concepção trará prejuízos ao sistema. Dessa forma, conhecer os fatores de risco é […]

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Os problemas uterinos no pós-parto, infelizmente, são comuns em vacas leiteiras e sua incidência contribui para a redução da fertilidade, queda nos indicadores reprodutivos e uma consequente ineficiência econômica do sistema de produção.

Afinal, todo aspecto que leve a um atraso na concepção trará prejuízos ao sistema. Dessa forma, conhecer os fatores de risco é essencial para conseguir atuar na prevenção, adaptando o manejo reprodutivo, evitando danos à vaca e perdas ao sistema.

É importante salientar que o desenvolvimento de doenças uterinas no pós-parto estará relacionado à diferença no “tamanho” do desafio e as condições das vacas em vencer e superar o mesmo.

Portanto, é preciso atuar em proporcionar melhores condições ao animal a fim de que o desafio seja menor e suas condições imunes e de resposta sejam maiores.

 

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Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de problemas uterinos no pós-parto são:

  • Balanço energético negativo;
  • Acúmulo de matéria orgânica no local do parto;
  • Animais com escore de condição corporal inadequado no momento do parto;
  • Distocias;
  • Nascimento de gêmeos;
  • Natimortos;
  • Retenção de placenta;
  • Abortos;
  • Estresse calórico;
  • Doenças infecciosas.

Baseado no conhecimento dessas dificuldades, trouxemos 5 dicas para diminuir a incidência de problemas uterinos no pós-parto e consequentemente melhorar os resultados reprodutivos e econômicos da fazenda.

1. Minimizar e monitorar balanço energético negativo

É preciso adoção de manejos que visem e estimulem um maior consumo dos animais como:

  • Fracionamento da dieta;
  • Aproximação do trato entre os horários de fornecimento da dieta;
  • Correto dimensionamento dos lotes;
  • Separação entre primíparas e multíparas;
  • Adequado balanceamento nutricional;
  • Boas condições de conforto.

Quanto ao monitoramento, uma boa opção são os programas de teste para cetose.

Para isso é necessário focar nas duas primeiras semanas após o parto e para que o teste seja realizado de forma adequada é preciso que uma gota de sangue do animal seja colocada em uma tira reagente já inserida no medidor que vai determinar a concentração sanguínea de BHBA em poucos segundos.

2. Utilização de dieta aniônica no pré-parto

A dieta aniônica é a alteração da composição mineral da dieta pré-parto e tem como objetivo principal evitar casos de hipocalcemia clínica e subclínica.

Somente a inclusão da dieta na propriedade não é suficiente para garantir que a mesma cumpra o seu objetivo. O monitoramento deve ser realizado por meio do pH urinário e mensurado nas vacas que estão ingerindo a dieta aniônica por pelo menos 5 dias até 3 semanas.

3. Boas condições higiênicas e de conforto para os animais

Quanto ao local de permanência dos animais no pré e pós-parto deve ser um ambiente limpo, com mínimo de estresse possível e, principalmente, provê-los de maior conforto.

Nesse sentido, um ponto importante é o sombreamento dos piquetes e demais locais onde esses animais permanecerão até o momento do parto, de modo a minimizar ao máximo o estresse térmico.

Webinar Conforto térmico

4. Monitorar escore de condição corporal

Preconiza que vacas devem parir com um ECC de 3,0 a 3,25 (escala de 1 a 5), pois um ECC inferior a 3,0 é associado com reduzida produtividade e desempenho reprodutivo, enquanto que um ECC igual ou superior a 3,5 e associado com redução do consumo, bem como da produção leiteira e aumento no risco de incidência de doenças metabólicas.

A meta é 75% das vacas nesta condição na secagem e também ao parto.

5. Correta escolha de touros

Ficar atento a seleção do touro na característica facilidade de parto, como visto a ocorrência de distocias é um importante fator de risco para o desenvolvimento do problemas uterinos pós-partos.

Para criação de uma vaca produtiva é essencial uma vaca saudável, portanto, o sucesso nesse momento é fundamental para toda lactação. A recíproca também é verdadeira, negligenciar os pontos citados acima poderá trazer reflexo em toda vida produtiva do animal.

Não há dúvidas, o sucesso raramente é resultado de sorte, busquemos os melhores resultados através de bons manejos.

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Importância do colostro bovino para bezerros: Saiba 4 dicas úteis https://blog.rehagro.com.br/colostro-para-bezerros-leiteiros-4-dicas-uteis/ https://blog.rehagro.com.br/colostro-para-bezerros-leiteiros-4-dicas-uteis/#respond Wed, 04 Aug 2021 15:01:37 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9561 A colostragem é um dos primeiros cuidados essenciais a serem oferecidos para as bezerras leiteiras. Alguns de seus benefícios são o crescimento e desenvolvimento do animal e redução das taxas de mortalidade antes do desmame. O colostro é a principal fonte de anticorpos para bezerras e um dos pilares da bovinocultura, que garante a saúde […]

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A colostragem é um dos primeiros cuidados essenciais a serem oferecidos para as bezerras leiteiras. Alguns de seus benefícios são o crescimento e desenvolvimento do animal e redução das taxas de mortalidade antes do desmame.

O colostro é a principal fonte de anticorpos para bezerras e um dos pilares da bovinocultura, que garante a saúde e a sobrevivência dos animais, protegendo-os contra as doenças.

Neste artigo, saiba mais sobre os conceitos básicos sobre o colostro, sua importância e confira quatro dicas para realização de uma boa administração do colostro.

 

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O que é colostro?

Colostro é a secreção oriunda da glândula mamária obtida durante a primeira ordenha pós-parto em fêmeas mamíferas.

Graças à sua composição rica em gordura, proteína (principalmente imunoglobulinas G – IgG), leucócitos, fatores de crescimento, hormônios e fatores antimicrobianos, o colostro materno possui a função de fornecer imunidade, fortalecer e aquecer o recém-nascido.

A tabela a seguir apresenta uma comparação da composição nutricional do colostro bovino com o leite bovino:

Tabela com a composição do colostro bovino

Importância da colostragem e da imunidade passiva

O colostro bovino representa a principal fonte de anticorpos para o neonato, visto que a placenta bovina é do tipo sindesmocorial, impedindo a passagem de grandes moléculas da mãe para o feto.

Quando realizada de forma correta, a colostragem permite a absorção intestinal de imunoglobulinas que auxiliarão a bezerra na proteção contra doenças. Este processo de absorção de anticorpos via colostro materno é conhecido como transferência de imunidade passiva (TIP).

Já é sabido que uma boa colostragem proporciona adequada TIP, estimula o crescimento e desenvolvimento do animal e reduz as taxas de morbidade e mortalidade antes do desmame.

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Os benefícios adicionais a longo prazo associados à transferência passiva bem-sucedida incluem redução da mortalidade no período pós-desmame, melhor taxa de ganho de peso, redução da idade ao primeiro parto, aumento do volume de leite produzido na primeira e segunda lactação e redução das chances de descarte durante a primeira lactação.

No entanto, quais são os pilares que garantem uma boa colostragem?

Diretrizes para uma boa colostragem

As diretrizes do modelo atual de criação de bezerras leiteiras apontam quatro aspectos básicos como sendo os pilares para se alcançar uma colostragem adequada e, consequentemente, eficiência na TIP. São eles:

  1. Tempo;
  2. Qualidade imunológica;
  3. Qualidade microbiológica;
  4. Quantidade de colostro.

1. Tempo até a colostragem

O ideal é que a colostragem de bezerras seja realizada em até duas horas após o nascimento, sendo permitido realizar em até seis horas.

O período entre o nascimento do animal e a colostragem é de extrema importância, pois após as seis primeiras horas de vida a taxa de absorção das imunoglobulinas do colostro materno cai consideravelmente devido à alteração estrutural das vilosidades intestinais.

2. Qualidade imunológica

Logicamente, a concentração de anticorpos no colostro bovino é outro aspecto que contribui para o sucesso da transferência de imunidade passiva. Nesse caso, o anticorpo colostral utilizado para mensuração da qualidade imunológica é a IgG.

O recomendado é que 90% das amostras de colostro bovino apresentem concentração de IgG maior que 50 g/L.

Um método indireto de se mensurar a concentração de IgG do colostro materno é através do refratômetro de Brix, seja ele óptico ou digital, sendo que valores iguais ou superiores a 22°Brix indicam boa qualidade imunológica.

No entanto, vale ressaltar que os valores de imunoglobulina estipulados como meta durante a avaliação do refratômetro variam conforme o desafio de cada propriedade. Raça, idade da vaca, duração do período seco, manejo alimentar no pré-parto e vacinação constituem alguns dos fatores que interferem na qualidade imunológica do colostro bovino.

3. Qualidade microbiológica

Os parâmetros de qualidade microbiológica avaliados no colostro são a contagem bacteriana total e a quantidade de coliformes totais, sendo que as metas consideradas ideais são < 100.000 UFC/ml e < 10.000 UFC/ml, respectivamente.

Diversos estudos demonstram haver correlação entre a quantidade sérica de IgG e a contagem total de coliformes, sendo que quanto maior a quantidade de coliformes menor é a concentração de IgG.

A qualidade microbiológica do colostro bovino está totalmente relacionada com a adoção de práticas de higiene durante a sua ordenha, manipulação e armazenamento.

4. Quantidade de colostro ingerida

Por muito tempo se trabalhou somente com uma única oferta de colostro na quantidade de 10 a 12% do peso corporal (PC) da bezerra nas 6 primeiras horas de vida.

Atualmente, estudos científicos vêm demonstrando os benefícios de uma segunda oferta de colostro na quantidade de 5% do peso corporal da bezerra.

Deste modo, o modelo atual de criação de bezerras leiteiras recomenda um plano de colostragem baseado em duas ofertas de colostro ao longo das primeiras 24 horas de vida, sendo a primeira ingestão do colostro materno em até 6 horas (10 a 12% do PC) e a segunda oferta ocorrendo nas demais 18 horas antes da bezerra concluir o primeiro dia de vida (5% do PC).

Uma alternativa interessante para a segunda oferta consiste no resfriamento do volume excedente utilizado para a primeira colostragem.

Sempre atentar para o correto armazenamento do colostro bovino refrigerado: de preferência em sacos plásticos resistentes e higienizados, em temperatura de 2 a 8°C e por um período não superior a 48 horas.

Colostro bovino sendo dado via sonda esofágica

Colostragem via sonda esofágica. (Fonte: Fazenda Queima Ferro).

Portanto, atenção!

Conforme já abordado durante o texto, o sucesso na colostragem é multifatorial, sendo influenciado desde questões práticas, como duração do período seco da vaca, manejo alimentar, programa vacinal, tempo até a colostragem, qualidade microbiológica do colostro e dentre outros, até questões inerentes ao manejo com os animais, como raça e idade da vaca.

O recomendado está em fazer o básico bem feito, ou seja, adotar um adequado manejo de colostro que se fundamente nos quatro pilares: tempo, qualidade imunológica, qualidade microbiológica e quantidade de colostro ingerida.

Lembre-se a colostragem apresenta diversos benefícios e é imprescindível para a proteção das bezerras contra as doenças, sendo sua principal fonte de anticorpos.

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Coccidiose bovina: o que é, principais sintomas e tratamento https://blog.rehagro.com.br/coccidiose-nos-sistemas-de-gado-de-corte/ https://blog.rehagro.com.br/coccidiose-nos-sistemas-de-gado-de-corte/#comments Thu, 14 May 2020 13:00:15 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7559 O avanço da pecuária e a grande corrida pelo aumento das margens de lucro na atividade, é inevitavelmente acompanhada por grandes desafios. Dentre esses desafios, os sanitários requerem atenção, pois podem e irão comprometer a saúde e o desempenho dos animais. Além dos impactos econômicos diretos, causados pela perda devido a morte de animais, o […]

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O avanço da pecuária e a grande corrida pelo aumento das margens de lucro na atividade, é inevitavelmente acompanhada por grandes desafios. Dentre esses desafios, os sanitários requerem atenção, pois podem e irão comprometer a saúde e o desempenho dos animais.

Além dos impactos econômicos diretos, causados pela perda devido a morte de animais, o impacto econômico nos sistemas é significativo, causado pela queda no desempenho e produtividade de animais acometidos, apresentando ou não sintomatologia por diversas doenças.

 

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O aumento da densidade dos animais dentro dos sistemas de produção, associado a baixa qualidade das fontes de água fornecida a esses animais implica em grandes desafios e podem ser o “estopim” para a demonstração de uma série de doenças dentro das fazendas.

Um desses problemas, que se destaca na produção pecuária, principalmente em sistemas de cria, é a eimeriose ou coccidiose.

A coccidiose bovina é uma parasitose causada por um protozoário do gênero Eimeria, um dos mais importantes gêneros causadores de problemas gastrointestinais em bovinos de todo o mundo.

O principal desafio relacionado a coccidiose nos sistemas de produção, está relacionado a bezerros de até um ano de idade. Entretanto, em ambientes de alta densidade populacional, podem acometer animais adultos.

A infecção

Sistemas mais intensivos, com grande densidade de animais, geram em sumo, ambientes mais contaminados, úmidos, com grande acúmulo de matéria orgânica. Também em bebedouros, predispondo a contaminação dos animais.

A contaminação dos animais pela eimeria ocorre quando há a ingestão de oocistos esporulados da eimeria, ao ingerirem água, alimentos ou até mesmo lambendo outros animais, onde bezerros ingerem junto os oocistos esporulados advindos de animais infectados.

Por sua vez, os animais infectados irão eliminar nas fezes novos oocistos, que se tornam esporulados e ficam viáveis por um longo período de tempo no ambiente. Temperaturas superiores a 35oC, baixa umidade e exposição a luz solar, tornam esses oocistos inviáveis.

Por esses motivos, manter ambientes, limpos e secos, são um grande auxílio contra a infecção por eimeria.

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Os sintomas da coccidiose

Grande parte dos animais infectados pela coccidiose, não apresentam quadro clínico da doença. Entretanto podem e provavelmente terão seu desempenho comprometidos pelo protozoário.

Alguns fatores, como estresse, condição nutricional, e eficiência da resposta imune e principalmente o volume do oocisto ingerido podem interferir na demonstração clínica da doença.

A destruição de células intestinais acometidas, além de prejudicar funções do órgão podem causar rompimento de vasos sanguíneos levando ao principal sintoma da doença. Os animais acometidos, que apresentam o quadro clínico, apresentam principalmente uma diarreia sanguinolenta, característica mais marcante no quadro da doença.

Fezes com sangueFonte: Dr. Jose Zambrano, consultor sanitarista do Rehagro.

Além da diarreia sanguinolenta, os animais acometidos, podem apresentar falta de apetite (comum também em animais que não apresentam o quadro clínico), emagrecimento e fraqueza.

Animais com coccidioseFonte: Dr. José Zambrano, consultor sanitarista do Rehagro.

Diagnóstico da coccidiose

O primeiro passo para um controle correto e eficiente da coccidiose nas propriedades, é justamente o diagnóstico para confirmar a infecção. Isso permite ações precisas e assertivas, levando ao sucesso do controle.

O diagnóstico deve passar primeiramente por uma anamnese sistemática e profunda. Entender as características do sistema de produção onde o problema ocorre, avaliar as estruturas de fornecimento de água e alimento dos animais, além é claro, de avaliar a sintomatologia dos animais, é fundamental para se chegar ao diagnóstico correto.

Além da anamnese para confirmar a suspeita de coccidiose, é necessário fazer um levantamento epidemiológico na fazenda.

Para esse levantamento, selecionamos amostras de animais em cada faixa etária. Por exemplo, em uma propriedade de cria, apresentando problemas com bezerros mamando selecionamos bezerros com 30 dias de idade, com 60, 90, 120, 150 e 180 dias, e de maneira aleatória faz-se a coleta de fezes desses animais.

As fezes coletadas devem ser armazenadas em resfriadas, em uma caixa com gelo, por exemplo, e enviadas ao laboratório, quando não for possível realizar a análise na própria fazenda.

No laboratório, próprio ou terceiro, será realizado o exame de contagem de ovos por grama de fezes OPG (o OPG é realizado para aproveitar a amostra de fezes coletadas) e contagem de oocistos por grama de fezes OOPG, esse último específico para coccídeo, onde identificaremos e confirmaremos a suspeita de infecção por coccidiose.

CoccidioseFonte: Dr. José Zambrano, consultor sanitarista do Rehagro.

No resultado de OOPG, podemos encontrar animais com negativos, animais apresentando contagens de oocistos entre 0 e 200, onde já identificamos a presença da eimeria na propriedade, animais com resultado entre 200 e 800, onde já ligamos a alerta para o problema e animais que realmente apresentam problemas com contagens superiores a 800 oocistos por grama de fezes.

Com resultado dessas amostras conseguimos identificar alguns pontos importantes, por exemplo quais os retiros mais acometidos, qual a faixa etária de idade de animais mais acometidos e qual o lote de maior desafio, por exemplo.

Tratamento da coccidiose

Após a identificação e a confirmação do diagnóstico por coccidiose na propriedade, vamos então focar na resolução do problema.

O primeiro ponto diz respeito ao tratamento e recuperação dos animais doentes, aqueles animais apresentando sintomatologia, diarreia sanguinolenta e os animais que apresentarem no OOPG em grande volume de contagem de oocisto por grama de fezes podem vir a óbito pela doença e devem ser tratados individualmente.

No mercado nacional, hoje, temos duas bases de medicamentos que podem ser utilizados no combate da coccidiose, a sulfa e o toltrazuril.

Uma importante limitação na utilização da sulfa está ligado a possível resistência a essas bases e outra limitação está ligado a frequência de administração das doses indicadas, sendo necessário várias aplicações para obtenção de resultados satisfatórios.

Os medicamentos, a base de toltrazuril, são drogas ministradas via oral. Entretanto, animais tratados apresentam ótimas respostas com apenas uma dose administrada. Ele se torna um medicamento de maior facilidade, principalmente pensando na praticidade em propriedades com grandes volumes de bezerros.

Controle

Além do tratamento de animais doentes, é de suma importância que as propriedades, façam o controle da doença. Isso evitará o aparecimento de novos animais doentes, também mitigando a infecção dos demais animais.

O controle deve ser incialmente voltado ao fornecimento de água de boa qualidade, de preferência em bebedouros artificiais, a manutenção e a conservação dos bebedouros também deve ser realizada com frequência.

A limpeza das praças de alimentação, dos cochos e a utilização de pastagens mais baixas em maternidades e pastos voltados aos bezerros, também deve auxiliar no controle.

Além das ferramentas de manejo e conservação dos ambientes de criação dos animais, supracitados, outros dois pontos importantes podem ser utilizados auxiliando no controle da doença.Aditivos como monensina e salinomicina, por exemplo, são excelentes coccidiostáticos.

A utilização desses aditivos fornecidos no creep-feeding dos bezerros, será uma boa alternativa em propriedades com grandes desafios. Sabe-se que bezerros muito jovens, 2 a 3 meses de idade, consomem pouco creep, mas a medida que vão crescendo e adaptam-se  com o creep, essa técnica auxilia muito.

Por fim, a suplementação mineral das matrizes, apesar de raramente causar problemas em adultos, a utilização de aditivos no mineral das fêmeas diminui a carga parasitária e por consequência diminuem a contaminação da coccidiose do ambiente.

Conclusão

A coccidiose é um desafio real, principalmente em propriedades de cria. A perda de animais e principalmente a diminuição do desempenho e da capacidade produtiva desses animais durante toda a vida, representa um impacto significativo ao sistema como um todo.

Várias são as estratégias de controle. Avaliar as possibilidades e escolher a que melhor se adeque a cada realidade é um passo importante para o sucesso da atividade.

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Bezerro do cedo: por que e como produzir com qualidade https://blog.rehagro.com.br/bezerro-do-cedo-ou-bezerro-de-qualidade-qual-voce-esta-criando/ https://blog.rehagro.com.br/bezerro-do-cedo-ou-bezerro-de-qualidade-qual-voce-esta-criando/#respond Thu, 31 Oct 2019 20:18:40 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=6265 Para termos uma pecuária de corte lucrativa, é essencial que as matrizes produzam um bezerro por ano, que seja de boa qualidade e pesado. O uso de biotecnologias e a implementação de uma estação de monta eficiente podem garantir o sucesso da produção de um bezerro de qualidade e a lucratividade do sistema. A época do […]

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Para termos uma pecuária de corte lucrativa, é essencial que as matrizes produzam um bezerro por ano, que seja de boa qualidade e pesado.

O uso de biotecnologias e a implementação de uma estação de monta eficiente podem garantir o sucesso da produção de um bezerro de qualidade e a lucratividade do sistema.

A época do nascimento do bezerro interfere no peso ao desmame. É notado que bezerros que nascem primeiro na estação de parição são de qualidade superior e mais pesados ao desmame do que os nascidos no final da estação.

Em uma estação de parição entre agosto a novembro, os animais nascidos em agosto terão um melhor desempenho quando comparados aos nascidos em novembro, teoricamente é visto em prática.

 

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É importante ressaltar que a estação de parição deve respeitar o calendário de chuvas e o período seco da região em que a propriedade está localizada, a sazonalidade da produção é muito impactante para a determinação da estação de monta e consequentemente da estação de parição. As variações climáticas de cada região que vão determinar a melhor data para o nascimento dos bezerros.

Fazenda de gado de corteFazenda de gado de corte. Fonte: Arquivo pessoal de Gabriel Gonçalves Martins, Médico Veterinário.

Bezerro do cedo: um conceito importante

O objetivo de uma matriz gerar um bezerro por ano vêm desde muito tempo, e é esse bezerro/vaca/ano que irá proporcionar uma boa margem de lucro para a atividade.

Porém, com as mudanças atuais do mercado, a consciência da população mundial sobre qualidade da carne e as margens de lucros da produção de gado estarem cada vez menores, nos faz concluir e buscar não somente um bezerro por ano, e sim um bezerro de qualidade por ano.

Neste sentido, o conceito de bezerro do cedo se faz importante, entretanto, o fato do bezerro nascer na época certa do ano não garante o sucesso da atividade. Na fase de cria, são realizados investimentos com intuito de maximizar e otimizar a produção de bezerros, ferramentas como IATF e creep-feeding são a cada dia mais difundidas.

A qualidade do pasto na estação chuvosa, permite que a matriz tenha alimento de qualidade para repor suas reservas energéticas proporcionando melhores desempenhos durante o período da estação de monta, e consequentemente um desempenho mais eficiente do bezerro. Muito já se discute sobre programação fetal, ou o impacto da nutrição das fêmeas durante a gestação, no desempenho futuro dos bezerros.

Avaliando somente a condição das matrizes, o parto durante o período chuvoso do ano, pela maior oferta de forragem, pode ser interessante, entretanto, o bezerro nascer nesse período representa um significativo aumento nos desafios sanitários, tendo ainda a coincidência do período de desmama no momento de pastos de baixa qualidade e com pouca oferta.

Neste sentido, antecipar a estação de parição na medida certa, pode equilibrar e otimizar, tanto o desempenho das vacas quanto o desenvolvimento e crescimento da cria.

Um rebanho detentor de grande potencial genético ou com uma boa nutrição, por exemplo, pode não ser suficiente para o sucesso da atividade, o manejo bem feito realizado por pessoas comprometidas, alinhadas e envolvidas com objetivo da propriedade, é fundamental dentro do processo.

Muitas vezes, os produtores focam suas energias na etapa final do processo, e negligenciam a matéria prima de todo processo, e mesmo dentro da fase da cria, pensam muito em peso a desmama, mas não se estabelece alternativas e suportes para o bom desenvolvimento dos animais.

Por isso, quando se trata de produção de qualidade, é importante o olhar crítico em toda a cadeia produtiva, não basta o bezerro nascer só na época boa, se o seu pasto está degradado, situação corriqueira em nosso país.

Também não adianta o bezerro advir de um melhoramento genético invejável, quando não há preocupação com a origem e qualidade da água fornecida ao bezerro, com a nutrição dos animais e mesmo com as questões sanitárias inerentes ao rebanho e com pequenos manejos diários.

O bezerro do cedo pode e deve ser o objetivo de uma fazenda de cria ou ciclo completo, mas sem atenção no básico da criação, o produtor continuará com resultados insatisfatórios.

A época de nascimento pode e vai sim ajudar quando se quer um bezerro de qualidade, mas só isso não basta. Muitas vezes, a cultura extrativista advinda da época de produção do período colonial. O caminho para uma melhor rentabilidade é possível quando se alia tecnologias aos métodos adequados de produção.

Uma outra técnica que também visa o aumento da eficiência do sistema, em busca de melhor rentabilidade do negócio, é o sequestro da recria.

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Cristiano Rossoni

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Umbigo de bezerros: como tratar as principais enfermidades? https://blog.rehagro.com.br/saude-e-umbigo-do-bezerro/ https://blog.rehagro.com.br/saude-e-umbigo-do-bezerro/#comments Mon, 30 Jul 2018 14:33:54 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4885 Durante a vida fetal, o umbigo é a via de comunicação entre o feto e a mãe. Pelo cordão umbilical chega sangue materno, rico em nutrientes e oxigênio e, por ele, também são eliminados os catabólitos do feto. Logo após o nascimento, o umbigo do bezerro perde totalmente a sua função, evolui rapidamente. Em poucos […]

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Durante a vida fetal, o umbigo é a via de comunicação entre o feto e a mãe. Pelo cordão umbilical chega sangue materno, rico em nutrientes e oxigênio e, por ele, também são eliminados os catabólitos do feto.

Logo após o nascimento, o umbigo do bezerro perde totalmente a sua função, evolui rapidamente. Em poucos dias, as veias e artérias utilizadas na comunicação materno-fetal fecham-se. Paralelamente, os músculos dessa região também se unem, constituindo uma massa muscular.

 

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Até que todo este processo se complete, o umbigo é uma porta aberta para vários agentes causadores de diversas enfermidades.

Nesse período, caso o umbigo não seja adequadamente curado, pode infeccionar e provocar onfalite, impedindo a cicatrização e prolongando o tempo em que esta porta de comunicação permanece aberta, facilitando a ascendência de microrganismos. A cura do umbigo ganha mais importância na medida em que se consideram os aspectos sanitários gerais do rebanho.

Esse procedimento e a administração correta do colostro representam medidas indispensáveis que influenciarão diretamente na saúde do rebanho de qualquer criatório de gado bovino. Por esse motivo, deverão ser consideradas como medidas sanitárias prioritárias.

Além das enfermidades infecciosas, as hérnias, as neoplasias, os defeitos congênitos e as miíases também assumem grande importância no conjunto das onfalopatias dos bovinos. Por esta razão, deverão ser sempre consideradas ao estudar as enfermidades do umbigo do bezerro.

Anatomia do umbigo dos bezerros

O umbigo dos bezerros consiste de três estruturas que sofrem alterações anatômicas e funcionais por ocasião do nascimento.

  1. A veia umbilical dirige-se cranialmente em direção ao fígado;
  2. As artérias umbilicais dirigem-se em sentido caudal para a artéria hipogástrica;
  3. O úraco em direção à bexiga.

No momento do parto, ocorrem transformações anatomofisiológicas, a partir da ruptura do cordão umbilical e retração das artérias e da veia.

Inicia-se assim a respiração autônoma, devido à falta das trocas gasosas placentárias e ao aumento da tensão de gás carbônico. Quando o parto é normal, a queda séptica e mumificação do umbigo se dão dentro de dez dias.

Anatomia do umbigo do bezerro

Anatomia do umbigo dos bezerros

Umbigo dos bezerros visto por dentro

Patologias umbilicais

Pode-se classificar as patologias umbilicais em não infecciosas e infecciosas e estas em extra e intra-abdominal. A extra-abdominal recebe o nome de onfalite e as intra-abdominais, de acordo com o segmento afetado.

Processos não infecciosos

Hérnias

Hérnias presentes no umbigo do bezerro

Na região próxima ao umbigo, em consequência da saída de parte das vísceras através da abertura umbilical, anormalmente dilatada, pode-se produzir uma evasão do peritônio e partes externas da pele, traduzindo-se externamente por aumento de volume.

Partes do omento maior e eventualmente porções do intestino delgado podem ser facilmente repostos na cavidade abdominal por meio do anel herniário, exceto nas hérnias estranguladas.

As hérnias umbilicais, congênitas ou adquiridas, aparecem nos bezerros e demais animais domésticos. As pequenas hérnias umbilicais podem resolver-se espontaneamente, porém as hérnias umbilicais grandes ou estranguladas exigem correção cirúrgica. Quando forem adquiridas, podem estar relacionadas com traumatismos, principalmente coices, pisadas e ao transporte inadequado.

Este último é observado em propriedades rurais em que o vaqueiro tem o hábito de transportar o recém- nascido, do pasto para o curral, na cabeça das selas ou arreios, sem qualquer proteção.

Fibromas e neoplasias

Na cicatrização do umbigo, quando ocorrem aderências entre o anel umbilical, ligamentos e peritônio com as outras partes, geralmente se desenvolve um tecido conjuntivo que adquire consistência fibrosa, enrijecido, de aspecto irregular e tumoral.

Entre os vários fatores que podem provocar este quadro estão a cicatrização umbilical complicada, os traumatismos, o uso de substâncias ou produtos químicos, dentre outros.

Em casos de neoplasias malignas, o prognóstico é reservado, porém estas são raramente encontradas. Os fibromas e cicatrizes mal consolidadas, quando cirurgicamente corrigidos, são de bom prognóstico.

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Persistências e defeitos

A conexão tubular entre a bexiga e o umbigo, que se mantém após o nascimento, é conhecida como úraco persistente.

Por ocasião do nascimento, com a ruptura do cordão umbilical, o úraco deve fechar-se e a urina será então eliminada pela uretra. Uma série de causas foi sugerida para explicar a incapacidade do úraco em evoluir completamente.

Algumas delas são o rompimento precoce do cordão umbilical, a inflamação, a infecção e a excessiva manipulação física do neonato. Nos bezerros, o úraco persistente é menos comum, mas pode levar à septicemia. Caso o úraco não se feche em até 24 horas após o nascimento, indica-se a ressecção cirúrgica para reduzir a probabilidade de septicemia.

O úraco persistente pode ser corrigido cirurgicamente por ligadura ou cauterização. Quando não for possível a realização da cirurgia, indica-se o uso parenteral de antibióticos de largo espectro e a cauterização com nitrato de prata ou iodo-lugol.

Miíases (bicheiras)

As miíases ocorrem em praticamente toda a região tropical e subtropical. Os ovos da mosca Cochliomya hominivarax são depositados na periferia seca de qualquer ferimento.

Destes ovos eclodem larvas 11 horas após a postura. Elas penetram ativamente através da lesão, alimentam-se das secreções e tecidos vivos, crescem ocupando grande espaço subcutâneo e tornam-se adultas em quatro a sete dias.

Os ferimentos tomados por miíases caracterizam-se por discreto abaulamento em torno da abertura central, proporcionalmente pequena, deixando fluir uma secreção sero-sanguinolenta, que passa a purulenta alguns dias mais tarde.

O comprometimento do estado geral ocorre quando as miíases não são tratadas e ocorrem reinfestações. Pomadas, líquidos ou spray cicatrizantes acrescidos de inseticidas devem ser usados tanto preventiva como curativamente.

Em bezerros leiteiros, não é aconselhado aplicar ivermectina e seus similares no primeiro dia de vida. É possível observar em várias propriedades produtoras de leite, o aumento na mortalidade de bezerros, especialmente nos esquemas de manejo, em que é feita mais de uma aplicação, em intervalos curtos de tempo.

Processos infecciosos

As onfalopatias infecciosas dos bezerros são todos os processos infecciosos da região umbilical, podendo comprometer um ou vários vasos ou segmentos umbilicais da região extra ou intra-abdominal. Os processos inflamatórios do cordão umbilical, com ou sem herniação, são comuns em bezerros.

Em geral, há uma flora bacteriana mista, que inclui E. coli, Proteus sp., Staphylococcus sp., Actinotnycespyogenes, Fusobacterium necrophorum, Pasteureila sp., Salmonella typhimurium e até os agentes bacterianos da tuberculose.

São causas predisponentes dos processos infecciosos umbilicais:

  • Constituição anatômica anômala;
  • Condições do parto;
  • Tamanho do cordão umbilical exposto;
  • Ambiente contaminado;
  • Bezerros prematuros;
  • Retardo da limpeza lingual por parte da mãe;
  • Tratamentos inadequados com soluções sujas ou contaminadas;
  • Manuseio do umbigo por pessoas leigas;
  • Puxadas ou lambidas bruscas;
  • Traumas em quinas ou cantos dos bezerreiros.

As infecções na região umbilical podem levar a muitas lesões intra-abdominais, bem como a celulite ou a abscedação externa à parede corporal. Elas resultam em inchaço doloroso e aumento de volume palpável dos vasos umbilicais. Pode ocorrer bacteremia com localização em articulações, meninges, olhos, endocárdio e artérias terminais dos pés, orelhas e cauda.

A septicemia resultante de bactérias, que ascendem a partir dos vasos umbilicais ou do úraco, constitui sempre uma ameaça. As complicações tardias envolvem, frequentemente, infecção dos resquícios uracais, disfunção vesical ou infecção recorrente do trato urinário.

A infecção crônica da veia umbilical pode causar abscedação hepática, enquanto a infecção da artéria umbilical pode causar infecção crônica que envolve a bexiga.

O ato cirúrgico muitas vezes complementa o diagnóstico, pois permite a visualização e correção de alterações que não foram diagnosticadas clinicamente. A ultrassonografia é um meio de diagnóstico eficiente na detecção das patologias do umbigo, especialmente na identificação das lesões do úraco, que é a estrutura umbilical mais comumente afetada.

O exame ultrassonográfico, a cirurgia e o exame post mortem constituem excelentes opções para a identificação de anormalidades das estruturas umbilicais. Entretanto, aderências intra-abdominais, observadas durante o ato cirúrgico, nem sempre são diagnosticadas por intermédio do exame ultrassonográfico.

Onfalite

Onfalite é a inflamação da porção externa do umbigo, sendo comum em bezerros com dois a cinco dias de idade e representam cerca de 10% dos problemas umbilicais destes animais. Podem ser agudas, flegmonosas, subagudas ou crônicas encapsuladas ou apostematosas, na maioria das vezes fistuladas, exsudando pus.

O umbigo aumenta de volume, torna-se doloroso à palpação e pode estar obstruído ou drenando a secreção produzida por meio de uma pequena fístula. Acredita-se que o C. pyogenes seja o principal agente da onfalite, mas também são encontrados Streptococcus, Staphylococcus, Pasteurela e outros agentes.

Enquanto as infecções subcutâneas geralmente permanecem circunscritas, levando a formação de abscessos ou fístulas, os agentes, as toxinas ou os produtos metabólicos localizados nos vasos sanguíneos podem alcançar outros órgãos e desencadear poliartrites, endocardites, pneumonias, nefrites, acompanhadas de emagrecimento e desenvolvimento retardado.

Onfaloflebite

Onfaloflebite é o processo inflamatório da veia umbilical e da porção externa do umbigo. A sintomatologia clínica é caracterizada por um aumento de volume no umbigo, com a presença de exsudato, que pode estar ou não exteriorizado. Pode ocorrer dor abdominal e durante a evolução muitas vezes ocorre hepatite, peritonite ou abscesso hepático, devido à ligação que existe entre o sistema porta e o umbigo do recém-nascido.

Pode ser considerada a causa mais frequente de artrite séptica em bezerros, mas não deve ser considerada como a única rota de infecção das artrites hematogênicas.

É mais comum nos animais que não receberam o colostro, e a este respeito tem-se sugerido que a diminuição da acidez do estômago nestes animais, pode facilitar a passagem dos microrganismos, que seriam normalmente destruídos no trato gastrointestinal.

Onfaloarterite

Nas onfaloarterites, que são menos comuns, os abscessos surgem ao longo do trajeto das artérias umbilicais, desde o umbigo até as artérias ilíacas internas.

Os sinais clínicos são semelhantes aos da onfaloflebite: toxemia crônica, subdesenvolvimento e ausência de resposta à antibioticoterapia. O tratamento é a extirpação cirúrgica dos abscessos. As onfaloarterites levam, como consequência extrema da sua infecção ascendente, ao quadro de poliartrite.

Uraquite

Processo infeccioso intra-abdominal que acomete o úraco com ascendência à bexiga. A disseminação da infecção para a bexiga pode resultar em cistite e piúria.

O tratamento preferível também consiste em laparotomia exploratória e remoção cirúrgica dos abscessos. Acredita-se que o maior percentual de ocorrência nas onfalopatias (40,4%) é representado pelas uraquites.

Onfaloarterioflebite

É um processo infeccioso de uma ou duas artérias, conjuntamente com a veia umbilical, ascendente à região abdominal.

Onfalouracoflebite

Esta patologia é um processo infeccioso do úraco e veia umbilical com ascendência intra-abdominal ao fígado e à bexiga e ocorre em 9% dos casos das patologias umbilicais. Nestes casos, também são encontradas e broncopneumonias, abscessos hepáticos, artrites e enterites concomitantemente à leucocitose.

Onfalouracoarterite

É um processo infeccioso do úraco e das artérias umbilicais, com ascendência intra-abdominal à bexiga e à artéria hipogástrica.

Pode ocorrer em 17% das infecções umbilicais e há, concomitantemente, broncopneumonia, lesão hepática, inflamação da bexiga, artrite e raramente enterite.

Panvasculite umbilical

Processo infeccioso de todo o complexo umbilical, comprometendo a veia, as artérias e o úraco. Acredita-se que pode ocorrer em 9% das onfalopatias e o quadro clínico varia de acordo com a patologia intra-abdominal e sua relação com os órgãos ascendentes.

Infecções no umbigo dos bezerros

O diagnóstico das infecções umbilicais tem sido baseado na história clínica e nos achados físicos e hematológicos.

Outros meios de diagnóstico envolvem radiografia abdominal, fistulografia e urografia excretora. A ultrassonografia tem sido utilizada para avaliar as estruturas umbilicais internas. A palpação da região umbilical é utilizada para investigar a existência de onfalite.

Os sinais clínicos são o aumento de volume e a consistência da região umbilical, sensibilidade ao toque e vasos umbilicais endurecidos e espessados em maior ou menor grau.

Inflamação umbilical de bezerro

No caso de inflamação umbilical, deve-se proceder ainda a palpação da cavidade abdominal ventral, utilizando ambas as mãos, para pesquisar a ocorrência de cordões espessados e sensíveis.

Quando estes estiverem direcionados cranialmente, deve-se suspeitar de onfaloflebite e quando se posicionarem caudalmente, de onfaloarterite e uraquite.

Prejuízos econômicos

O prejuízo econômico causado pelas onfalopatias propriamente ditas, e também por aquelas enfermidades secundárias às lesões umbilicais, assumem papel fundamental em qualquer criatório bovino, seja ele leiteiro ou de corte.

Apesar da prevalência de infecções umbilicais nos rebanhos bovinos ser variável, a importância econômica é significativa, mas nem sempre é levada em consideração.

A perda econômica final do criatório com este tipo de problema é obtida pelo somatório dos prejuízos decorrentes dos óbitos, dos custos com medicamentos e assistência veterinária, do retardo no crescimento e da depreciação da carcaça.

Um estudo com objetivo de determinar os impactos das infecções e hérnias umbilicais sobre o ganho de peso corporal e a altura de novilhas criadas em fazendas leiteiras comerciais foi realizado por um período de três meses. O diagnóstico das infecções e hérnias umbilicais foi determinado pela inspeção e palpação da região umbilical.

Os resultados mostraram que durante o terceiro mês de vida, as infecções umbilicais reduziram o ganho médio diário em 96 gramas e o ganho de peso corporal ao final do período em 2,5 kg.

Houve também uma redução no crescimento de 0,7 cm. Os efeitos das hérnias umbilicais sobre o crescimento não foram significativos. Concluiu-se que a prevenção das infecções umbilicais pode melhorar o ganho médio diário de novilhas.

Profilaxia das enfermidades umbilicais

Recomenda-se o corte e a ligadura somente dos cordões umbilicais muito compridos (acima de 10 cm), reduzindo-o para dois centímetros. Em seguida o umbigo deve ser mergulhado, por 30 segundos, em uma solução de álcool iodado a 5%. Este procedimento deve ser repetido por mais três ou quatro dias. A mesma solução pode ser usada em mais de um bezerro, porém ao final do dia deve ser desprezada.

O produto deve ser aplicado sob a forma de imersão para permitir a entrada da solução desinfetante na “luz” do coto umbilical e não somente na parede externa do mesmo.

Lucci (1989), recomenda a desinfecção por emborcação de um vidro âmbar de boca larga, com solução de iodo, constituída por iodo puro, éter sulfúrico e álcool na proporção de 15:10:100. Inspeção diária e uso de spray com antissépticos e repelentes até que o umbigo caia.

Figueirêdo (1999) indica a embebição no iodo (álcool iodado a 10%) antes do corte (20 segundos) e novamente após o corte (1 minuto). Esta prática deve ser repetida duas vezes ao dia, até o terceiro dia e diariamente, até o oitavo dia.

Tratamento do umbigo

Para as infecções umbilicais dos bezerros, é necessário um tratamento geral e outro local.

O umbigo e zonas adjacentes devem ser limpos e desinfectados exaustivamente, o tecido necrosado eliminado e os trombos retirados com cuidado. Os abscessos serão abertos e esvaziados por completo. Na abertura umbilical podem ser colocados preparados antibióticos ou quimioterápicos, nas formas de suspensões, pomadas ou pós.

O tratamento geral pode ser realizado com altas doses de penicilina, sulfonamidas, oxitetraciclinas ou enrofloxacina. As correções cirúrgicas das hérnias umbilicais e as ressecções de estruturas umbilicais infeccionadas são procedimentos comumente utilizados em bovinos.

Para os fibromas umbilicais, o que se recomenda é um tratamento local, que pode ser somente paliativo, ou um procedimento definitivo, com a remoção total por meio do ato cirúrgico corretivo, sem a abertura do abdômen.

Para determinar a melhor forma de tratamento das hérnias, deve-se levar em consideração o tamanho do saco herniário, a largura do orifício herniário, a natureza do conteúdo, a aderência do mesmo ao saco interno e o encarceramento. O tratamento cirúrgico deve ser instituído após ter a certeza de que a resolução espontânea ou métodos não-cirúrgicos não serão suficientes para solucionar o problema.

Esta observação é válida somente para as hérnias com pequeno anel. Outro fator que o cirurgião deve sempre considerar é a possível hereditariedade das hérnias.

A técnica cirúrgica consiste em uma incisão elíptica, reposição do conteúdo herniário e fechamento das bordas do anel. A redução pode ser feita com o saco herniário fechado e, nos casos de presença de aderências, após a sua abertura. Na primeira situação as chances de contaminação bacteriana da cavidade abdominal são menores, porém o risco de recidiva é maior.

No segundo caso, ocorre o contrário: diminuem as recidivas, porém aumentam as possibilidades de peritonite. Para a oclusão do anel herniário deve-se utilizar sutura em jaquetão, somada à invaginação das aponeuroses dos músculos abdominais, através de pontos simples separados e fio não absorvível ou categute cromado.

Em hérnias recidivadas o uso de suturas simples com fio de algodão três zeros, com pontos de relaxamento tem apresentado bons resultados.

De modo geral, o tratamento para as onfalites consiste em exploração e excisão cirúrgicas, podendo ser necessário manter um canal para drenagem temporária. O tratamento precoce, com antibióticos e cuidados auxiliares, pode permitir a resolução antes do desenvolvimento da abscedação e distensão do úraco ou da veia e artérias umbilicais. A exploração intra-abdominal é recomendada para avaliar uma possível extensão interna da infecção.

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Os cuidados com a vaca e o bezerro antes do parto são extremamente importantes, uma vez que qualquer problema na hora do nascimento pode comprometer o desempenho produtivo de ambos.

É importante estar atento desde a escolha do touro, passando pelo balanço nutricional, até o manejo adequado das vacas, principalmente nos 90 dias que antecedem o parto.

O tempo de gestação em bovinos varia de 280 a 300 dias, sendo o maior período observado em gados mestiços de raças zebuínas. Para a intensificação nos cuidados, é ideal que sejam formados lotes de vacas em final de gestação, o lote de transição pré-parto, onde se encontram animais de 90 a 30 dias antes do parto. Dos 30 dias ao parto, transferi-las para um piquete maternidade permite uma maior observação.

 

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Piquete maternidade

O piquete maternidade deve possuir uma boa cobertura vegetal, ser fresco e ventilado (mas sem corrente de vento), limpo, com boa drenagem e sombreamento. São indicadas sombras móveis para se evitar acúmulo de barro, fezes e urina, principalmente visando à prevenção de mastites e metrites. Deve haver pelo menos 4 m² de sombra por animal.

A localização deve facilitar a observação dos sinais do parto, ter acesso à água e alimentação à vontade. As medidas recomendadas são de 56 m²/animal, com um espaço de cocho de 70 cm/animal.

É ideal que haja uma maternidade para vacas e outra para novilhas, evitando competições e prejuízos para as mais jovens.

Área de um piquete maternidadeExemplo de piquete maternidade

Sinais de proximidade do parto

  • 2 a 3 semanas pré-parto, ocorre aumento do úbere. Em primíparas, isto pode acontecer um pouco mais cedo.
  • 2 a 3 dias antes do parto os tetos se enchem e perdem a rugosidade. Ocorre relaxamento dos ligamentos e músculos da pelve (flanco) e da cauda.
  • Mais próximo ao parto, ocorre liberação de muco viscoso pela vagina. A vulva fica edemaciada. Ocorre produção e liberação de colostro.

Cuidados com a vaca e o bezerro antes do parto

Estágio 1 do parto

No início do trabalho de parto, o animal fica agitado e inquieto, se afasta do grupo, fica tentando cheirar e lamber a vulva, se deita e se levanta diversas vezes, não come.

Estes sinais podem durar de 2 a 6 horas.

Vaca no estágio 1 do partoEstágio 1 do parto

Estágio 2 do parto

Ocorre o rompimento da 1ª bolsa, a de água (corioalantóica). Depois de aproximadamente 1 hora ocorre rompimento da segunda bolsa (amniótica). Ela libera um líquido mais viscoso que lubrifica o canal do parto. Logo que se rompe a bolsa de água, o útero já começa a contrair e o feto se insinua no canal, promovendo a dilação do mesmo.

Após 2 horas da ruptura da bolsa, já é possível ver o feto em pluríparas, e em primíparas normalmente após 4 h.

Em geral a posição mais confortável, e menos estressante para parir é a deitada. As vacas tendem a parir de pé quando o parto é anormal ou quando se sentem ameaçadas, por exemplo, com presença de cães e urubus.

Estudos mostram que este estresse durante o parto resulta em aumento de até 11% na mortalidade de bezerros.

Vaca no estágio 2 do partoEstágio 2 do parto

Estágio 3 do parto

Momento do nascimento à expulsão dos restos placentários. Pode variar de 30 min até 12 horas após o parto.

Problemas no parto

Analisando fazendas nos EUA, pesquisadores chegaram à conclusão que 2% das mortes de bezerros no útero estavam associadas ao parto demorado e à falta de assistência, e outros 2% morreram pelos mesmos motivos na primeira semana de vida.

A maioria das mortes está associada às distocias (partos difíceis). Por isso, sem dúvida, é preciso que o responsável pela maternidade esteja preparado para monitorar os partos, e caso seja necessário, intervir até certo ponto.

A intervenção deve ser considerada quando o parto não ocorreu 60 a 90 min após o aparecimento das membranas fetais em novilhas e, em vacas, de 30 a 60 min após o aparecimento das membranas fetais.

Em posição normal, o bezerro projeta primeiro as patas dianteiras acompanhadas pela cabeça (com o focinho voltado para fora) apoiada nas patas. Outras posições podem acontecer e cabe à experiência do técnico para identificar e intervir.

Toda e qualquer intervenção pode causar injúrias na vaca e no bezerro. Nunca se deve tentar romper as bolsas. É preciso checar todos os parâmetros vitais para intervenção e, caso seja preciso, optar por uma cesariana.

Cuidados com a vaca e o bezerro logo após o parto

Vacas

É importante avaliar condições fisiológicas e uterinas logo após o parto. Certificar-se da existência ou não de outro feto através do toque.

A utilização de soluções eletrolíticas, chamadas drench, é uma forma se antecipar aos efeitos provocados pela queda de apetite no período pós-parto, e consequentemente das doenças metabólicas provocadas pela diferença entre necessidades e consumo (balanço energético negativo). O fornecimento do drench é também uma forma de repor os nutrientes gastos durante o parto, principalmente energia.

Vaca recebendo o drenchFornecimento do drench para a vaca

Observe se o animal irá expulsar em até 12 horas os restos placentários. Caso isso não ocorra, adote medidas contra os efeitos da retenção de placenta.

Este período, crítico para as vacas, é um momento em que ocorrem diversas alterações fisiológicas e metabólicas. Qualquer problema aqui pode impactar na produção deste animal nesta lactação e nas seguintes.

Bezerros

Logo após o parto, o bezerro passa por alterações para que possa se adaptar à vida fora do útero. Imediatamente, inicia sua homeostasia respiratória, passa a regular o equilíbrio ácido-básico, a metabolizar carboidratos, gorduras e aminoácidos para produção de energia corporal. É importante remover todo muco da narina e da boca do bezerro. Se necessário, estimule  a respiração, fazendo cócegas na narina e massagem torácica.

Retirada de muco da narina de bezerroRetirada do muco das narinas

Neste momento, ele ainda não é eficiente na regulação da temperatura corporal. Além de possuir os pelos curtos, possui uma pequena massa corporal em relação à sua superfície corporal. Em função destas particularidades, sua temperatura diminui nas primeiras 12h de vida.

Assim, é recomendado secar o bezerro após o parto. Se as condições forem propícias, com ingestão de colostro, boa cobertura vegetal no piquete e ambiente favorável, entre 48 a 72h de vida sua temperatura estará normal.

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Avaliação das condições fisiológicas do bezerro

É primordial examinar o bezerro e a vaca. Para melhor avaliar as condições fisiológicas dos bezerros, siga as seguintes pontuações:

1. Testar a movimentação da cabeça sob estímulo de água fria:

  • 0 pontos- ausente;
  • 1 ponto – diminuída;
  • 2 pontos – espontânea.

2. Testar a resposta aos estímulos interdigitais e palpebrais:

  • 0 pontos – ausente;
  • 1 ponto – reduzidos;
  • 2 pontos – existentes e intensos.

3. Testar a respiração:

  • 0 pontos – imperceptível;
  • 1  ponto – lenta e irregular;
  • 2  pontos – rítmica com profundidade normal.

4. Avaliar a cor das mucosas:

  • 0 pontos – branca azulada;
  • 1 ponto – azul;
  • 2 pontos – róseas avermelhadas.

Ao final da soma de pontos, avalie os resultados:

  • 7 a 8 pontos – bezerros sadios com boa vitalidade.
  • 4 a 6 pontos – bezerros deprimidos, com vitalidade diminuída e acidose leve a moderada.
  • 0 a 3 pontos – bezerros com pouca vitalidade, acidose severa.

Em condições normais os bezerros levam em média:

  • 3 minutos para posicionar a cabeça corretamente;
  • 5 minutos para assumirem a posição esternal;
  • Até 20 minutos após o parto, já tentam ficar em pé;
  • Em cerca de 60 minutos já estão de pé, procurando a teta da vaca.

Outros cuidados com a vaca e a cria após o parto

Em muitas ações, é possível contribuir muito com a sobrevivência do bezerro, como por exemplo, na cura de umbigo.

O umbigo é como uma porta aberta ao organismo do animal. Veia umbilical, artéria umbilical e úraco estão diretamente em contato com o ambiente e serão via de transporte direta de microorganismos para circulação animal e podem promover infecções em diferentes sistemas.

Para uma proteção adequada, a cura de umbigo deve ser feita da seguinte forma:

  • O ideal é não cortar. Fazê-lo somente nos casos em que o umbigo estiver muito grande e arrastando no chão
  • Mergulhar o coto umbilical em uma solução de iodo de concentração entre 7% a 10% durante 10 segundos. Repetir por pelo menos 3 dias.

Umbigo de bezerro sendo tratado

Fornecimento de colostro para bezerros

Fornecer colostro para o bezerro nas 6 primeiras horas de vida é de extrema importância. Após este período, a taxa de absorção diminui muito. Toda a proteção do bezerro durante as primeiras duas semanas de vida será promovida pelos anticorpos absorvidos do colostro. Como o contato com os agentes patogênicos muitas vezes acontece antes mesmo do contato com o colostro, é essencial garantir uma boa colostragem.

O colostro, além das imunoglobulinas, é também fonte energia, de fatores de crescimento e de muitos outros nutrientes importantes para sobrevivência do bezerro.

Para cada raça animal existe uma quantidade sugerida de colostro a ser oferecida. Em média os pesquisadores acreditam que 4 litros de um colostro de boa qualidade sejam capazes de suprir as necessidades do bezerro.

Observar se o animal conseguiu mamar o colostro é muito importante, mas sem dúvida a forma mais fácil de garantir que o bezerro foi bem colostrado, em termos de quantidade ingerida e qualidade do colostro, é oferecer via mamadeira ou através de sonda esofágica. Para utilizar a sonda, o conhecimento para tal é primordial.

Bezerros sendo alimentados com colostro

Após todos os cuidados, é preciso identificar os bezerros e direcioná-los ao bezerreiro.

Todo investimento em cuidados com a vaca e a cria antes do parto, no momento do parto e após irá refletir na produção das vacas e na sobrevivência dos bezerros.

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