bovinos Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/bovinos/ Mon, 13 Feb 2023 08:22:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://blog.rehagro.com.br/wp-content/uploads/2018/05/favicon-rehagro.png bovinos Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/bovinos/ 32 32 Suplementação a pasto: maximize resultados na pecuária de corte https://blog.rehagro.com.br/suplementacao-a-pasto-maximize-resultados-na-pecuaria-de-corte/ https://blog.rehagro.com.br/suplementacao-a-pasto-maximize-resultados-na-pecuaria-de-corte/#respond Wed, 20 Jul 2022 17:51:01 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4802 Do ponto de vista econômico, as tecnologias devem estar enquadradas no sistema produtivo de forma a elevar sua lucratividade. Toda nova técnica apresenta um custo adicional por unidade produzida, e quando bem aplicada dilui gastos com serviços administrativos e jurídicos, impostos, depreciações de máquinas e equipamentos, aumentando a lucratividade da empresa. A suplementação com energia […]

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Do ponto de vista econômico, as tecnologias devem estar enquadradas no sistema produtivo de forma a elevar sua lucratividade.

Toda nova técnica apresenta um custo adicional por unidade produzida, e quando bem aplicada dilui gastos com serviços administrativos e jurídicos, impostos, depreciações de máquinas e equipamentos, aumentando a lucratividade da empresa.

A suplementação com energia e/ou proteína na produção de gado de corte pode ser estabelecida de acordo com o valor nutritivo da forragem, intimamente ligado à estratégia de manejo do pasto.

 

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É importante destacar que o desempenho do gado de corte a pasto é limitado especialmente pela ingestão de nutrientes, determinada pela composição bromatológica e pelo consumo de forragem feito pelo animal.

Pesquisadores mostram que animais mantidos em pastagens tropicais durante a seca, com baixos teores proteicos e energéticos, recebendo apenas suplementação mineral, normalmente apresentam perda de peso durante esse período.

Nesse caso, o baixo teor de proteína na forragem limita a fermentação ruminal, a degradação da fração fibrosa do alimento e a ingestão de forragem.

Suplementação a pasto

O consumo de forragem de animais em pastagens é um processo complexo, afetado por diversos fatores, alguns relacionados ao animal em si, como sexo, peso e composição corporal, nível de produção e potencial genético e fatores relacionados à pastagem, como a disponibilidade de forragem, a estrutura do pasto, a composição bromatológica da forragem e, finalmente, a suplementação ou não com alimentos concentrados.

Animais mantidos exclusivamente em pastagens tropicais durante o período quente e chuvoso do ano apresentaram ganho de peso diário entre 0,500 e 0,890 kg cab-1, com médio ao redor de 0,700 kg cab-1, segundo uma pesquisa de Ramalho, em 2006 e Santos e colaboradores em 2007.

Dessa maneira, mesmo na estação chuvosa, com forragens apresentando maior qualidade quando comparada ao período seco do ano, os animais não conseguem expressar todo o potencial genético.

Muitas vezes, esse potencial é limitado pela falta de energia, e, também, por proteína, quando em pastagens mais pobres. A suplementação com concentrado pode constituir-se em ferramenta auxiliar para:

  • Melhorar o desempenho individual dos animais;
  • Aumentar a taxa de lotação dos pastos;
  • Aumentar a produção total de carne por unidade de área;
  • Melhorar a qualidade da carcaça obtida;
  • Favorecer a preparação dos animais que serão terminados em confinamento, além de encurtar o período do mesmo.

Suplementação como ferramenta para a melhor utilização das forragens

Adotando a suplementação como ferramenta para a melhor utilização das forragens, pode-se manipular a dieta através de dois mecanismos: aumentando a taxa de digestão ruminal e/ou acelerando a taxa de passagem de componentes indigestíveis.

Porém, adequar níveis de proteína e energia que propicie maior crescimento microbiano e maior utilização da fibra é um grande desafio. Desafio este, que aumenta quando pensamos nas interações entre suplemento e forragem, dependente da quantidade e qualidade de forragem, quantidade e tipo de suplemento oferecido.

Webinar Suplementação a pasto

Em sistemas de produção já estabelecidos, a suplementação surge como uma ferramenta de auxílio às pastagens, visando produções compatíveis com a capacidade genética dos animais.

No entanto, é importante se atentar às estratégias compatíveis e adequadas para cada categoria animal, época e sistema, a fim de que não comprometa a eficiência econômica da propriedade. Uma alternativa para diminuir os custos adicionais com suplementação é a utilização de suplementos de baixo consumo.

Em uma pesquisa, novilhos Nelores foram suplementados com 1,5g/kg PV e o resultado foi melhor do que o obtido com animais suplementados apenas com sal mineral. Isso se deve ao fato de que nem sempre maiores resultados biológicos significam maiores respostas econômicas.

Ao avaliar o efeito da suplementação com sal mineral ou suplemento proteico, na época das águas, fornecido na quantidade de 1g/kg de peso corporal, estudiosos observaram diferença estatística nos ganhos médios diários, 0,630 e 0,812 kg/dia nos animais dos tratamentos com sal mineral e suplemento proteico, respectivamente.

Em outro estudo, foi testado o efeito da suplementação com mistura proteica energética fornecido na quantidade de 6g/kg PC contra um grupo controle e obteve-se resultados superiores nos animais que receberam suplementação (1,06 contra 0,77 kg/animal/dia).

As respostas à suplementação são maiores na época seca do ano, sendo principalmente devido a incrementos de 45 a 65% na taxa de degradação da fibra em detergente neutro potencialmente degradável da forragem de baixa qualidade, quando emprega-se suplementação exclusiva com compostos nitrogenados.

Assim, para manejar a nutrição dos animais de corte mantidos a pasto é importante conhecer a dinâmica do manejo das forragens, se atentar a qualidade e quantidade da forragem ofertada, e a interação com a quantidade e tipo de suplemento fornecido, de acordo com diferentes épocas do ano e metas a serem alcançadas.

Saiba mais!

Aqui no Rehagro, temos o Curso Gestão da Nutrição e Pastagens na Pecuária de Corte, que é uma capacitação que reúne a solução para os maiores problemas que os pecuaristas enfrentam na nutrição do gado.

Os professores são grandes consultores, com muitos anos de experiência no dia a dia das fazendas. Eles ensinam as técnicas e ferramentas usadas por eles para aumentar a rentabilidade na atividade, de forma muito clara, direta e prática.

Curso Gestão da Nutrição e Pastagens na Pecuária de Corte

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Principais plantas tóxicas para bovinos https://blog.rehagro.com.br/principais-plantas-toxicas-para-bovinos/ https://blog.rehagro.com.br/principais-plantas-toxicas-para-bovinos/#respond Thu, 19 May 2022 15:57:43 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=13160 Quais são as principais plantas tóxicas presentes nas pastagens? Saiba como e quais plantas podem afetas diretamente a saúde dos seus animais. Neste e-book você irá encontrar: Imagens das plantas tóxicas para ajudá-lo a identificá-las em sua propriedade; Principais regiões onde podem ser encontradas em maior quantidade; Primeiros sintomas de intoxicação nos animais e os […]

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Quais são as principais plantas tóxicas presentes nas pastagens? Saiba como e quais plantas podem afetas diretamente a saúde dos seus animais.

Neste e-book você irá encontrar:

  • Imagens das plantas tóxicas para ajudá-lo a identificá-las em sua propriedade;
  • Principais regiões onde podem ser encontradas em maior quantidade;
  • Primeiros sintomas de intoxicação nos animais e os possíveis tratamentos.

Mantenha a qualidade de suas pastagens

Para estabelecer as medidas profiláticas apropriadas, diagnósticos corretos e específicos devem ser realizados, por isso é importante ter um material de qualidade pensando no dia a dia do produtor.

Este e-book será o seu guia prático para ter em mãos sempre que precisar de mais informações. Clique no botão abaixo e tenha uma boa leitura!

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Métodos de reprodução bovina: monta natural, inseminação artificial e IATF https://blog.rehagro.com.br/manejo-reprodutivo/ https://blog.rehagro.com.br/manejo-reprodutivo/#comments Wed, 17 Nov 2021 15:00:50 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4864 O sucesso da atividade da pecuária de corte está relacionado com a eficiência na produção, tanto em aspectos produtivos quanto reprodutivos. Bons índices de reprodução bovina na propriedade representam um importante passo para pecuarista se manter na atividade com bom retorno econômico. Em uma fazenda de cria de gado de corte, de forma simplicista, é […]

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O sucesso da atividade da pecuária de corte está relacionado com a eficiência na produção, tanto em aspectos produtivos quanto reprodutivos. Bons índices de reprodução bovina na propriedade representam um importante passo para pecuarista se manter na atividade com bom retorno econômico.

Em uma fazenda de cria de gado de corte, de forma simplicista, é esperado a produção anual de um bezerro de qualidade por matriz para que justifique os custos daquela matriz na propriedade.

Entretanto, a obtenção de um bezerro por vaca por ano, pode ser um grande desafio. Períodos prolongados de anestro (ausência de cio) pós-parto, fatores ambientais ou nutricionais, falhas na detecção de cio, deficiência dos touros e falhas com as técnicas de IATF são alguns dos fatores que impactam e prolongam o intervalo entre partos.

Para obtenção de resultados satisfatórios é importante definir cada técnica de manejo reprodutivo, elucidar os pontos positivos e entender as limitações de cada uma delas, das quais podem ser determinantes para a eficiência ou ineficiência da técnica.

 

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Monta natural (MN)

A técnica de acasalamento mais tradicional é a monta natural (MN), que consiste no touro mantido com as vacas durante o ano todo ou durante o período da estação de monta.

Esse método reprodução bovina é conhecido por aparentemente gerar mínimos custos, além de não haver a necessidade de detecção de cio e mão-de-obra altamente treinada, porém, essa prática possui limitações devido à ausência de informações e controle zootécnico.

Alguns pontos fracos dessa técnica podem ser citados, tais como:

  • Aumento de transmissão de doenças no rebanho;
  • Lesões em vacas devido ao tamanho e o peso dos touros;
  • Chances de lesionar o touro pela tentativa de monta;
  • Necessidade de manter mais touros na fazenda para obter uma relação adequada touro-vaca, comumente sendo utilizado um touro para cada trinta ou quarenta matrizes.

Quando consideramos a monta natural em um sistema sem estação de monta, os pontos fracos da utilização podem se acentuar:

  • Datas de cobertura e partos desconhecidas;
  • Dificuldades no manejo de bezerros ao longo do ano;
  • Fertilidade das matrizes prejudicada pela susceptibilidade à sazonalidade climáticas e de forrageiras;
  • Avanços;
  • Paternidade desconhecida;
  • Redução da vida útil do touro devido ao desgaste pelo excesso de montas.

Além desses pontos levantados, vale destacar que o melhoramento genético nesse cenário se torna lento e, na maioria das vezes, inexistente pela falta de informação dos cruzamentos e utilização de animais geneticamente superiores.

Monta natural controlada (MNC)

Diante desse cenário, a monta natural controlada (MNC) surgiu com o objetivo de suprir alguns dos pontos fracos da monta natural. Nesse método, as vacas são expostas ao touro quando apresentam cio, possibilitando melhor controle reprodutivo quando comparado com a monta natural.

Aqui, é possível registrar a paternidade, as datas de cobertura e estimar as datas de parição, assim possibilita calcular o intervalo entre partos. A identificação de problemas reprodutivos fica facilitada e a ocorrência de animais lesionados é minimizada já que a vaca está apta à monta.

A relação touro-vaca também é otimizada, podendo esta ser de até 1:100 o que maximiza a vida útil desse reprodutor e diminui o custo do bezerro produzido.

Para melhores resultados, é preciso que a equipe seja treinada para detectar o cio da vaca ainda quando ela esteja aceitando a monta, o que pode acarretar em perdas de cio caso ocorra falha no processo. O uso de rufião também é bastante comum para auxiliar na detecção do cio.

O macho deve ficar em piquete separado para receber as fêmeas, o que pode significar gastos com instalações e mão-de-obra. Neste tipo de manejo reprodutivo, é possível determinar um período do ano para a estação de monta, concentrando os partos na época mais favorável do ano.

A nutrição do reprodutor deve estar adequada para garantir o máximo desempenho reprodutivo, portanto, a recomendação nutricional de um profissional é importante.

Aqui é possível ter uma melhor seleção genética devido ao melhor controle da monta comparado à monta natural, porém o uso de algumas raças torna-se inviável devido a dificuldade de cobertura por touros de raças não adaptadas à algumas regiões do Brasil, limitando assim a adição de genes de interesse econômico na fazenda.

Vale ressaltar que tanto na monta natural como na monta natural controlada, a realização de exame andrológico em touros é essencial para garantir a saúde do rebanho evitando a disseminação de doenças, e também para o ajuste da relação touro-vaca de acordo com a qualidade espermática do macho a fim de não haver a subutilização dos touros, o que pode ter impactos negativos na produção e custo do bezerro.

Inseminação artificial (IA)

Outra técnica de reprodução bovina bastante difundida é a inseminação artificial (IA) que é definida pela deposição do sêmen do reprodutor no interior do útero da vaca.

Essa técnica trouxe maiores possibilidades e melhorias para o mercado da carne, dentro dos quais podem destacar melhoramento genético acelerado dentro da propriedade, possibilitando a aquisição de sêmen de touros comprovados por centrais genéticas.

Além da comprovação de descendentes superiores, podemos inserir ao rebanho características desejáveis já avaliadas através das DEPs (diferenças esperadas nas progênies) dos touros de centrais.

A escolha das características pode ser também corretiva, por exemplo, vacas com dificuldade no parto devido a bezerros muito pesados ao nascimento, a inseminação artificial traz a possibilidade de corrigir esses problemas com touros que possuem progênies mais leves ao nascer.

A técnica também possibilitou a produção de bezerros cruzados entre raças que dificilmente teriam bons desempenhos reprodutivos em certas regiões do Brasil. Como é o caso de matrizes zebuínas serem inseminadas com touros europeus, ou vice-versa, gerando progênies superiores e com alto valor de mercado.

A chegada da inseminação artificial reduz drasticamente a transmissão de doenças no rebanho, já que as centrais de sêmen possuem rigoroso controle sanitário. Além disso, podemos destacar também a redução de acidentes com os animais e com as pessoas envolvidas no manejo, já que o reprodutor é sempre um animal mais agressivo.

Assim como a monta natural controlada, o controle zootécnico é maior nesse tipo de manejo, já que a técnica exige a observação e anotações diárias do rebanho. A adoção de uma estação de monta facilita bastante o manejo e concentração das atividades

Embora o custo inicial da inseminação artificial seja maior, os resultados gerados com ganhos genéticos, redução de problemas no parto, gastos com reprodutores, controle do zootécnico do rebanho etc, tornam essa técnica financeiramente vantajosa para pequenos, médios e grandes produtores.

Entretanto, é preciso estar atento aos pontos que podem resultar em fracasso na adoção dessa tecnologia. A detecção do cio por uma equipe altamente treinada é fundamental para uma taxa de prenhes satisfatória, caso contrário o custo de produção será onerado.

A técnica é simples, mas exige que o inseminador a domine. Portanto, cursos e treinamentos são sempre necessários para se obter melhores resultados.

A aquisição de sêmen deve ser feita em centrais registradas para evitar problemas de disseminação de doenças ou mesmo de características de expressão genética negativa no rebanho. O armazenamento adequado deste sêmen em botijões contendo nitrogênio líquido é imprescindível para o sucesso da técnica.

A dificuldade de detecção de cio resulta em taxa de prenhez menores quando a inseminação artificial é utilizada, desse modo a técnica de inseminação em tempo fixo (IATF) tem suprido essa falha de manejo através da sincronização do estro das vacas com a utilização de hormônios para a recepção do sêmen inseminado no tempo em pré-determinado.

Inseminação artificial em tempo fixo (IATF)

Basicamente, todos os benefícios discutidos na inseminação artificial podem ser considerados na inseminação artificial em tempo fixo. Adicionalmente, a concentração das atividades e concepções pode ser ainda maior.

A inseminação artificial em tempo fixo requer menos mão-de-obra, já que não há necessidade de detecção do cio, entretanto, essa mão-de-obra deve ser especializada e devidamente treinada para que bons resultados sejam garantidos.

Diante das técnicas abordadas aqui, podemos ressaltar que não necessariamente elas precisam ser utilizadas isoladamente. A adoção de uma ou mais técnica pode ser estratégica para a otimização dos índices reprodutivos. Por exemplo, após a IATF podemos ter o repasse com touros. Ou então podemos utilizar a inseminação artificial após uma IATF, aproveitando o cio de retorno, cerca de 21 dias após a primeira IA.

Webinar Protocolos da IATF

Saiba mais sobre reprodução bovina e melhoramento genético!

Independente da técnica adotada ou do conjunto de técnicas, precisamos estudar o sistema e traçar metas de adoção da tecnologia. Motivar e adaptar a equipe às novas implementações é tarefa primordial para gerar bons resultados.

Fatores como nutrição adequada, controle da sanidade do rebanho, baixa taxa de aborto, controle zootécnico e acompanhamento de um profissional também são pontos chaves para o sucesso da tecnologia e retorno econômico.

É importante que o produtor conheça as vantagens e limitações de cada técnica de manejo reprodutivo, para que junto com o profissional de sua confiança possam implantar um protocolo que mais se adeque a sua realidade.

Aqui no Rehagro, temos a Pós-Graduação em Produção de Gado de Corte, que desenvolve veterinários e zootecnistas para que se tornem especialistas na área, dominando as principais áreas de atuação das fazendas, inclusive a reprodução e melhoramento genético. Caso você queira saber mais sobre ela, acesse pela imagem abaixo:

Pós-Graduação em Produção de Gado de Corte

Andrea Mobiglia

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5 dicas importantes para a condução da atividade da pecuária leiteira https://blog.rehagro.com.br/dicas-importantes-para-a-conducao-da-atividade-na-pecuaria-leiteira/ https://blog.rehagro.com.br/dicas-importantes-para-a-conducao-da-atividade-na-pecuaria-leiteira/#comments Wed, 10 Nov 2021 12:27:23 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9932 Ao iniciar um negócio, uma das principais preocupações consiste na sua rentabilidade, para que todo o investimento feito seja retornado com uma margem de lucro significativa. Com a pecuária leiteira não é diferente: é preciso identificar os principais pontos do negócio, antes mesmo de iniciá-lo. Dessa forma, aumentam-se as chances de o planejamento traçado ser […]

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Ao iniciar um negócio, uma das principais preocupações consiste na sua rentabilidade, para que todo o investimento feito seja retornado com uma margem de lucro significativa. Com a pecuária leiteira não é diferente: é preciso identificar os principais pontos do negócio, antes mesmo de iniciá-lo.

Dessa forma, aumentam-se as chances de o planejamento traçado ser certeiro, prevenindo imprevistos e surpresas desagradáveis.

 

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Conhecendo o negócio leite

Independente do status da propriedade leiteira – se ela já se encontra em atividade, se iniciou a produção de leite há pouco tempo ou se ainda está apenas no papel – é importante conhecer de forma profunda e detalhada os pontos que a permeiam e que influenciam no seu resultado.

Esses pontos devem abranger não somente a propriedade de forma específica, mas também as pessoas envolvidas, a região onde ela está localizada e o mercado comprador/consumidor.

A melhor forma de conhecer a fazenda é por meio da ferramenta de Diagnóstico da Propriedade. Com ela é possível entender melhor o projeto, identificando as oportunidades, os riscos, alinhando as ações e atuando para melhorias.

Webinar Indicadores Econômicos e Zootécnicos

Construindo o diagnóstico da propriedade

Conforme já mencionado, o diagnóstico deve compreender fatores internos e externos da propriedade. O diagnóstico nada mais é do que um retrato da propriedade em um momento específico do tempo, relatando de forma detalhada todo o perfil da fazenda e da região.

Para organizar o raciocínio, podemos dividir os fatores em cinco grandes grupos:

1. Caracterização do mercado e do perfil da região

Avaliar qual a aptidão econômica da região, se há facilidade de obtenção de mão de obra qualificada, quais são os compradores de leite, se existe mercado de compra e venda de animais, quais os possíveis fornecedores de insumos, qual a facilidade de acesso e escoamento da produção etc.

Tais fatores permitem reconhecer se a propriedade está/estará inserida em algum determinado polo leiteiro que a beneficie, até mesmo agregue valor à produção de leite.

2. Geografia do terreno

Diz respeito à localização da propriedade, ao clima da região com as médias históricas de temperatura e pluviosidade ao longo do ano, ao relevo, ao tipo de solo, à disponibilidade de água, etc.

O conhecimento dessas variáveis permite, por exemplo, que saibamos qual o potencial agrícola da propriedade para a produção de comida dos animais.

3. Áreas, instalações e maquinários

Não basta apenas conhecer o relevo e o clima da propriedade: é necessário mensurar a sua área total e descrever a ocupação de cada divisão, como a extensão destinada à área de preservação permanente (APP), reserva legal, área mecanizável, área de manejo extensivo etc.

Compreender a divisão das áreas auxilia, por exemplo, na determinação de quantos hectares estão disponíveis para o plantio de milho para silagem ou então, quantos hectares podem ser trabalhados com pasto.

Além das áreas, devemos caracterizar também as instalações e os maquinários presentes na propriedade.

  • Qual a vida útil e o estado de conservação de cada um dos itens?
  • É possível trabalhar com o galpão de ordenha atual por mais 15 ou 20 anos?
  • O trator utilizado para a distribuição da dieta dos animais consegue realizar esta tarefa por mais quanto tempo?

Essas informações fazem a diferença quando pensamos na depreciação e na necessidade de aquisição/construção de novas unidades.

Trator de alimentos

4. Perfil do proprietário e dos colaboradores

Conhecer o perfil daqueles que lidam diretamente e diariamente com a propriedade faz toda a diferença.

  • Qual o perfil cultural e socioeconômico do proprietário?
  • Ele já possui experiências na pecuária leiteira?
  • Qual é o objetivo do produtor com a atividade pensando em volume de produção de leite, sistema de criação dos animais, remuneração, venda de genética, fabricação de produtos (laticínios, por exemplo)?
  • A atividade será conduzida pelo produtor mais como hobby ou terá a importância de ser a sua principal fonte de renda?
  • Há capital para investimento no negócio e/ou facilidade de obtenção de crédito?

Em relação aos colaboradores, qual é a mão de obra envolvida atualmente na propriedade com a produção de leite? Elaborar um organograma descrevendo o número de envolvidos com suas respectivas funções e remuneração recebida é uma excelente ideia!

Isto vale tanto para os colaboradores fixos quanto para aqueles esporádicos, como técnicos/consultores ou prestadores de serviço, por exemplo.

Esta etapa é de fundamental importância, assim como as demais já citadas. Por meio dela, podemos ter uma noção se os objetivos do proprietário e dos colaboradores estão alinhados com aquilo que a propriedade está retornando e com o potencial que ela pode entregar.

5. Sistema de produção, composição do rebanho e manejos realizados

Enfim, daremos foco específico aos animais e às rotinas. Categorizar o rebanho em grupos é o ideal, quantificando qual o número de vacas em lactação, vacas secas, recria de 0 a 12 meses, recria de 12 a 24 meses e recria acima de 24 meses, por exemplo.

Se, porventura, a propriedade possuir touro ou criação de machos leiteiros, estes também devem ser contabilizados na composição do rebanho em uma categoria específica. Junto com a composição do rebanho devemos informar qual o padrão racial dos animais e qual a distribuição de grau sanguíneo em casos de animais mestiços no rebanho.

Qual o sistema de produção adotado pela fazenda? Extensivo, semi-intensivo ou intensivo? A pasto, semiconfinamento ou confinamento total? Essa informação é básica e essencial para o diagnóstico!

A verificação e a descrição dos manejos realizados na propriedade devem ser muito bem-feitas, possibilitando compreender de forma clara quais ações são feitas na rotina.

  • Como é a reprodução das vacas e das novilhas?
  • É utilizada inseminação artificial? Se sim, com quais critérios?
  • Como ocorre a liberação das novilhas para reprodução?
  • Os animais em lactação são divididos em lotes? Se sim, com base em quais critérios?
  • Qual a produção de leite por lote?
  • Como é o manejo alimentar dos animais?
  • Quais alimentos compõem a dieta?
  • A dieta sofre variação entre as estações de chuva e seca?
  • Como as bezerras são criadas?
  • Qual o programa alimentar durante o aleitamento e após a desmama?
  • Quais as principais doenças que acometem os animais?
  • Existem protocolos de tratamento e calendário sanitário?
  • A fazenda realiza gestão financeira?

Todas estas perguntas relacionadas ao manejo, além de várias outras, estão atreladas aos indicadores da propriedade. Sendo assim, o recomendado é que, caso a fazenda trabalhe com indicadores, eles sejam mencionados juntos aos respectivos manejos, de modo a entender em que nível está a eficiência dos processos.

Saiba mais!

Se você deseja melhorar sua atuação nas fazendas onde atua e ser capaz de conquistar as melhores oportunidades na pecuária leiteira, venha conhecer a Pós-Graduação Online em Pecuária Leiteira do Rehagro.

As aulas são dadas pelos nossos melhores consultores, que atendem hoje mais de 110 fazendas em 7 estados do Brasil, de todos os portes. Elas totalizam uma produção de mais de 1.000.000 de litros de leite por dia.

Pós-Graduação em Pecuária Leiteira

Bruno Guimarães

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E-book Manual de prevenção e controle da mastite bovina https://blog.rehagro.com.br/manual-de-prevencao-e-controle-da-mastite-bovina/ https://blog.rehagro.com.br/manual-de-prevencao-e-controle-da-mastite-bovina/#respond Tue, 01 Jun 2021 15:00:39 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9313 O controle da mastite bovina, quando realizado corretamente, permite eliminar as infecções existentes no rebanho, prevenir novos casos e monitorar a saúde da glândula mamária. O custo com tratamento tem sido importante no valor total gasto com medicamentos nas propriedades, por isso, reduzi-lo é muito interessante para o sistema de produção. Saiba mais sobre o […]

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O controle da mastite bovina, quando realizado corretamente, permite eliminar as infecções existentes no rebanho, prevenir novos casos e monitorar a saúde da glândula mamária.

O custo com tratamento tem sido importante no valor total gasto com medicamentos nas propriedades, por isso, reduzi-lo é muito interessante para o sistema de produção.

Saiba mais sobre o assunto no nosso e-book gratuito! Faça o download clicando no botão abaixo!

Manual de controle da mastite

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Cocho para gado de corte: a importância da rotina de inspeção https://blog.rehagro.com.br/voce-sabe-a-importancia-de-mexer-o-cocho/ https://blog.rehagro.com.br/voce-sabe-a-importancia-de-mexer-o-cocho/#respond Thu, 17 Sep 2020 18:30:45 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8178 Aprenda a importância da rotina de inspeção dos cochos para manter uma suplementação adequada para a bovinocultura de corte. Os minerais são fundamentais para o metabolismo animal, tendo participação ativa em vários processos digestivos e metabólicos. Consequentemente, têm influência direta na produção individual de cada animal. A deficiência dos mesmos é considerada uma enfermidade metabólica. […]

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Aprenda a importância da rotina de inspeção dos cochos para manter uma suplementação adequada para a bovinocultura de corte.

Os minerais são fundamentais para o metabolismo animal, tendo participação ativa em vários processos digestivos e metabólicos. Consequentemente, têm influência direta na produção individual de cada animal. A deficiência dos mesmos é considerada uma enfermidade metabólica.

Para bovinos mantidos exclusivamente em pasto, geralmente, a suplementação de minerais é feita em cochos, na maioria das vezes descobertos, colocados em locais estratégicos do pasto e com abastecimento semanal.

O fornecimento da mistura mineral deve ser contínuo. Portanto, a mistura deve estar sempre à disposição do animal no cocho para que o consumo seja o mais uniforme possível, suprindo as exigências de minerais dos animais e garantindo o ganho de peso adequado para a estratégia nutricional.

 

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Fornecimento de misturas minerais no cocho

Um dos problemas relacionados com o fornecimento de misturas minerais à vontade é o consumo variável e, muitas vezes, o “não consumo”.

Vários fatores interferem nessa variação como: 

  • Estado fisiológico;
  • Raça;
  • Idade;
  • Distância da água e cochos;
  • Qualidade do produto, entre outros.

Inspeção de cochosInspeção de cochos, suplemento mineral com alta umidade. Fonte: arquivo pessoal de Gabriel Martins, estagiário do Rehagro.

O fornecimento de suplementação mineral é uma estratégia viável que permite ganhos adicionais quando aliada à uma boa oferta de forragem. Porém, para que o produtor obtenha bons resultados, além do bom manejo da pastagem e do pastejo, são necessários alguns cuidados no manejo e na qualidade desse produto no cocho.

Webinar Manejando Pastagens

Os cochos de suplementação mineral sem cobertura são os mais encontrados em propriedades rurais pelo país. Apesar de ser um método eficaz, traz consigo alguns desafios, como baixa proteção contra umidade e chuvas.

A água ou excesso de umidade no suplemento pode formar crostas ou até mesmo endurecê-lo, formando torrões e alterando a palatabilidade do produto, o que resulta na redução do consumo.

Em um estudo de Nicodemo, feito no ano 2000, foi observado que o consumo de um determinado suplemento sofre maior influência de sua palatabilidade, do que da sua capacidade em satisfazer demandas nutricionais específicas.

Cocho mal inspecionadoCocho de suplementação mineral descoberto e com alta umidade, atoleiro ao redor. Fonte: Rafael Araújo, técnico Rehagro / Acervo pessoal.

Rotina de inspeção de cochos

A rotina de inspeção dos cochos por uma pessoa previamente treinada é uma das práticas mais negligenciadas na propriedade rural. Entretanto, a adoção dessa rotina na fazenda garante o fornecimento do suplemento em condições adequadas para o consumo dos bovinos.

De acordo com um conceituado estudo conduzido por Ortolani, em 1999, há influência da forma física do suplemento mineral e seu consumo pelos bovinos.

Ele observou que os suplementos minerais ofertados de forma empedrada, devido à exposição à umidade, tiveram sua ingestão reduzida em 55%, quando comparados a um suplemento fornecido de forma fresca e seca.

Portanto, os benefícios dessa estratégia nutricional só poderão ser atingidos quando o produto é fornecido de forma adequada e com espaçamento de cocho recomendado de 5 cm/UA. Esse espaçamento pode diferir dependendo da categoria animal, raça, tamanho de lote, entre outros, por isso é sempre recomendável observar com cautela esse critério.

Portanto, implementar essa rotina de inspeção de cochos e “mexer o cocho” diminuindo ou acabando com os torrões possibilita um consumo menos variável e constante, garantindo que as exigências nutricionais dos animais sejam atendidas e, consequentemente, melhor desempenho do lote.

Agora, sabendo da importância desta rotina, já deu uma conferida nos “cochos” de sua fazenda hoje?

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Cristiano Rossoni

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Doenças com sintomatologia neurológica são um grande desafio nas propriedades de pecuária de corte em todo mundo. Raiva, herpesvírus bovino 5, tétano, botulismo, dentre outras doenças, apresentam quadros clínicos neurológicos graves e podem, potencialmente, causar grandes prejuízos em diferentes sistemas de produção.

Dentre essas doenças, o botulismo bovino se destaca, e os surtos são comumente relatados em todas as partes do país com cenas de dezenas de animais acometidos que chamam a atenção e assustam pela gravidade da situação.

 

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O botulismo em bovinos é causado pela ingestão de neurotoxinas C ou D da bactéria Clostridium botulinum que são formadas no processo de decomposição da matéria orgânica vegetal ou carcaças de animais mortos, podendo ser encontrada na água, no solo e alimentos.

Muitos têm a ideia errada de que se trata de uma infecção, mas na verdade é uma intoxicação. No Brasil, segundo a Embrapa, o primeiro caso registrado ocorreu no final da década de 1960, na região de Campo Maior, no Piauí.

A intoxicação causa paralisia que ascende a partir dos membros posteriores chegando até a paralisia cardiorrespiratória, ocasionando a morte do animal. O quadro de evolução da doença pode demorar dias, uma ou duas semanas para evoluir, e seu diagnóstico pode ser desafiador.

“Não tem lesão que identifique botulismo. A toxina se aloja na placa neuromuscular e evita que o animal se movimente, mas não causa lesão macroscópica”, esclarece o médico veterinário Dr. José Zambrano, especialista em sanidade e técnico do Rehagro.

Bovino com botulismoBovino acometido pelo botulismo. Fonte: Fotos do material da disciplina de sanidade, Dr. José Zambrano, técnico em sanidade do Rehagro.

“Microscopicamente, coletamos muito material para fazer histopatologia, mas também não encontramos outros sinais que sejam característicos de botulismo, apenas algumas alterações de hemorragia ou congestão pulmonar devido ao tempo que o animal permanece deitado”, completa o especialista.

O período de incubação e intoxicação clínica evoluem de acordo com a quantidade de toxinas ingeridas e a susceptibilidade do animal. Quanto maior for a ingestão, menor é o período de incubação e mais rápida é a evolução.

Quais são os sintomas do botulismo bovino?

Zambrano explica que após a contaminação, o animal começa a ter dificuldades para levantar os membros posteriores e, diferente de outras enfermidades como a raiva – primeira suspeita quando se trata de doenças neurológicas – é que o botulismo não provoca perda de consciência. O animal tenta se locomover, se alimentar, e não consegue.

Hipotonia em bovino com botulismoHipotonia de língua em bovino acometido pelo botulismo. Fonte: Material da disciplina de sanidade, Dr. José Zambrano, técnico em sanidade do Rehagro.

Dois sintomas importantes se destacam na sintomatologia clínica do botulismo, a diminuição dos movimentos da cauda e a perca do tônus da musculatura da língua, entretanto, alguns animais podem não apresentar esses sintomas no curso da doença.

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Como diagnosticar a doença?

O diagnóstico clínico do botulismo bovino deve ser feito por um médico veterinário. 

O primeiro passo para o diagnóstico assertivo do botulismo, é a realização de uma anamnese robusta na propriedade:

  • Avaliar além dos sintomas do caso clínico apresentado, também, possíveis fontes de contaminação, em reservatórios de água e alimentos destinados aos animais por exemplo;
  • Avaliar a presença de carcaças de animais nos pastos também deve fazer parte desse processo;
  • Avaliar se existe um calendário sanitário na propriedade e se este calendário contempla vacinas contra o botulismo;
  • Fazer a necrópsia, mesmo sem a presença de alterações macroscópicas apresentadas. São coletados o conteúdo do rúmen, do intestino e fígado enviados para análise.

Bovino com botulismoBovino com dificuldade de locomoção devido à intoxicação por botulismo. Fonte: Fotos do material da disciplina de sanidade, Professor José Zambrano.

“É uma doença com diagnóstico muito clínico. Às vezes pode ser que o animal morra infectado pela doença e mesmo assim ela não seja identificada nos exames, porque uma quantidade pequena da toxina que se aloja na placa neuromuscular já tem potencial para levar à morte”, conta o especialista sanitário do Rehagro.

O que causa os surtos de botulismo?

Os surtos, como o que matou mais de mil animais em uma propriedade em Ribas do Rio Pardo (MS), caso bastante divulgado em 2017, estão associados à ingestão da toxina, formada em carcaças decompostas, alimentos indevidamente armazenados – milho, silagem, feno e ração – cama de frango (proibido seu uso por lei), ou veiculação hídrica. 

Dias após o ocorrido no Mato Grosso do Sul, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), divulgou uma nota confirmando a presença de toxinas botulínicas na silagem de milho que foi oferecida aos bovinos confinados.

Surto de botulismo em bovinosSurto de botulismo em confinamento no Mato Grosso do Sul. Fonte: Retirado do site Revista Globo Rural em 20 de maio de 2020.

Como prevenir o botulismo bovino?

A prevenção é essencial, mas se os animais começarem a apresentar sintomas da doença, o produtor deve fazer de forma rápida com um veterinário, o diagnóstico. De acordo com Dr. Zambrano:

“O botulismo é uma das poucas doenças que mata muitos animais ao mesmo tempo e o diagnóstico deve ser feito de forma adequada, pois a intoxicação pode ser confundida com outras doenças como a raiva.”

Segundo o Gerente da equipe corte do Rehagro, Diego Palucci, “no momento da compra do alimento é muito importante saber se o produto apresenta umidade dentro do padrão estabelecido. O milho e a soja, por exemplo, não podem ter mais de 14% de umidade. No armazenamento, a fermentação é favorecida, ocasionando perda do recurso”, alerta.

Palucci acrescenta, dizendo que o produtor deve estar atento à procedência dos grãos, observando o aspecto visual e possível contaminação por fungos.

Animal em decomposição contaminando água de açudeCarcaça de animal em decomposição em açude contaminando a água. Fonte: Arquivo pessoal de Vinícius Costa, trainee técnico do Rehagro.

Ter informações sobre a colheita, saber se choveu ou não durante o processo, é necessário. Os cuidados com o armazenamento também são de extrema importância“deve-se armazenar em um local que tenha ventilação, estrutura para evitar o acesso, principalmente, de ratos e pássaros, dois animais que sempre entram em estruturas mal feitas”– explica Palucci.

Zambrano complementa que o caminho para se evitar botulismo nas fazendas, além de conservar bem os alimentos, é eliminar o uso da cama de frango – que representa alto risco – e vacinar os animais. A vacina que protege contra gangrena gasosa, hemoglobinúria bacilar, botulismo e outras clostridioses, deve ser aplicada uma vez ao ano.

Importante ressalva deve ser feita também, sobre as fontes de água dos animais, bebedouros sem manutenção, açudes, e outras fontes de água, podem representar um grande risco.

O que fazer caso a doença já esteja acometendo os animais?

Identificado o botulismo, há ações a serem tomadas. O soro antibotulínico é uma opção e deve ser aplicadas 40 ampolas em cada animal já doente e duas em animais que ainda não apresentaram sintomas.

O custo benefício do medicamento é baixo, pois cada ampola custa em torno de R$10, atualmente, o que somaria um gasto de R$400 por animal doente.

“Utilizamos muito o soro em gado de elite, de preço elevado. Nesses animais, mesmo os que já apresentam sinais clínicos, vale a pena aplicar. Nos que ainda não adoeceram, mas têm a toxina, o soro também é uma boa opção”, conta Dr. Zambrano de sua experiência no campo.

Atenção!

“O maior erro quanto às questões nutricionais é que, muitas vezes, o produtor querendo melhorar a qualidade do alimento, não tem uma estrutura necessária e equipamento correto para isso. Ele acredita que a produção é simples e não toma os cuidados básicos, faz silo a céu aberto e sem cercamento, propiciando a invasão de roedores.

Por isso ao conservar um alimento temos que saber se a estrutura que possuímos é adequada para isso. Se não temos um local seguro, o melhor é armazenar fora da fazenda e comprar para uso momentâneo. Acredito que o mais importante é o nutricionista,  junto com o produtor, ter uma rotina de análise de alimentos para conhecer realmente o produto que possui.” – Diego Palucci, médico veterinário e Gerente da equipe corte do Rehagro.

O botulismo é um grande desafio em propriedade de gado de corte, embora esporádica, um surto de botulismo pode causar sérios problemas e grande prejuízo ao produtor. 

Vamos em frente?

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Andrea Mobiglia

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O processo de intensificação dos sistemas de produção de gado de corte é muito buscado por pecuaristas que desejam elevar suas margens de lucro na atividade. Porém, é importante saber que ela traz consigo uma série de exigências. Há um aumento dos riscos da atividade, e, consequentemente, da demanda por gestão, acompanhamento de metas e controle da operação.

Acompanhando a evolução da atividade, as metodologias e as ferramentas disponíveis para realização da gestão eficiente também evoluíram.

Entretanto, algumas ferramentas há muito tempo utilizadas ainda são indispensáveis para o sucesso de qualquer projeto pecuário: o plano de negócios e o fluxo de caixa, que veremos neste artigo.

O fluxo de caixa representa um importante ponto da gestão dentro de qualquer empresa, seja ela rural (como uma fazenda), ou urbana.

Por meio dele, são avaliadas todas as entradas e saídas, ou seja, todo o fluxo de dinheiro em um determinado período de tempo, daquela empresa. Portanto, toda quantia financeira, movimentações que entram ou saem das contas da empresa são registradas no fluxo de caixa.

 

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Como deve ser a rotina de lançamento das informações do fluxo de caixa?

O primeiro passo para a realização de um fluxo de caixa eficaz e com informações precisas que auxiliem as tomadas de decisão dentro da propriedade é a criação de uma rotina para os lançamentos. 

Nessa rotina, é preciso estabelecer com muito critério um profissional capacitado e treinado para realização dessa função. Ele terá acesso a todas as informações de pagamentos e recebimentos da propriedade. Sendo assim, deve ser um colaborador organizado, comprometido e, acima de tudo, de confiança dos gestores.

No momento de inserir os dados no sistema ou planilha de fluxo de caixa, já deverá ter em mãos todas as informações relevantes, por exemplo:

  • Quem são os fornecedores ou clientes;
  • Datas de emissão;
  • Vencimento;
  • Recebimento e pagamento de cada um dos documentos lançados, juntamente com o número do documento.

Uma parte importante desses lançamentos é o plano de contas utilizado. Grosseiramente falando, cada uma das saídas e entradas será lançada com uma classificação específica.

Assim sendo, fica fácil para, posteriormente, avaliar quanto a fazenda gastou com milho, por exemplo, pois todas as notas fiscais de milho estarão lançadas em uma mesma conta gerencial. Isso irá ocorrer com outros insumos, e também com todos os recebimentos.

Além dessas ferramentas, existem algumas outras que podem auxiliar no controle dos números da fazenda.  Aqui, vamos focar no fluxo de caixa.

fluxo de caixa

Exemplo de gráfico ilustrando o fluxo de caixa.

Outro critério importante para o lançamento das informações que abastecerão o fluxo de caixa está ligado à conciliação bancária.

Para garantir confiabilidade às informações, é indispensável que todas as informações do fluxo de caixa estejam conciliadas com a conta bancária, ou seja, tudo que está no fluxo como entrada ou saída, também deve constar na conta corrente da propriedade, e o contrário também se aplica, tudo que está na conta corrente deve constar no fluxo de caixa, isso permite ter certeza que ao analisarmos o fluxo de caixa estaremos, realmente, avaliando os números e as informações de forma confiável.

O que compõe o fluxo de caixa?

A estrutura do fluxo de caixa é composta basicamente por três itens principais: entradas, saídas e o saldo acumulado.

As entradas no caixa da propriedade, independente da sua origem, toda quantia positiva que é somada ao caixa é considerada uma entrada, ou recebimento. Comumente, são oriundas da venda dos produtos daquela propriedade. Uma fazenda de cria, por exemplo, tem em sua principal fonte de entradas os valores advindos das vendas de bezerros, mas também pode ter entradas com venda de matrizes de descarte, aluguel de maquinários, resgate de investimentos financeiros, recebimento de recursos de empréstimos, etc.

Outro componente do fluxo de caixa são as saídas, ou todo e qualquer valor financeiro que gere desembolso ao caixa da propriedade, pagamento de insumos nutricionais, funcionários, energia dentre outros, são valores lançados como saídas.

Ao final de cada período avaliado, um mês por exemplo, a diferença entre as entradas e as saídas resulta no saldo de caixa daquele período.

O somatório dos saldos em dois ou mais desses períodos, representa o saldo acumulado. Exemplificando, em um determinado mês uma propriedade apresentou R$100.000,00 em entradas e R$80.000,00 em saídas, obtendo um saldo de R$20.000,00. No mês seguinte, os valores obtidos geraram um saldo positivo de R$25.000,00 e, por consequência, um saldo acumulado de R$45.000,00.

Representação de um fluxo de caixa com entradas, saídas e saldo acumulado

Representação de um fluxo de caixa.

Saldo Acumulado

O saldo acumulado é um importante ponto a ser avaliado em um fluxo de caixa, obtido através do somatório de cada fechamento, seja diário, semanal ou mensal. Quando estamos avaliando um fluxo de caixa projetando o futuro, ele nos aponta alguns pontos de extrema importância, como por exemplo a necessidade de capital de giro, também conhecida como “fundo de piscina”.

O “fundo de piscina”, como observado no gráfico abaixo, mostra qual a maior necessidade de caixa em um determinado período avaliado.

Representação gráfica do saldo acumulado em um fluxo de caixa

Gráfico representando o saldo acumulado de um fluxo de caixa. 

Observe assinalado em vermelho, na simulação acima, o momento do ano em que teremos a maior necessidade de caixa, de capital de giro, para poder suprir esses meses que por algum motivo o saldo acumulado está no negativo.

Importante nesse momento, é avaliar justamente os porquês desse saldo acumulado negativo e, principalmente, se existem alternativas para suprir esse “buraco”, por exemplo, com antecipações de receitas, adiamento de gastos, obtenção de empréstimos ou aporte pelo proprietário.

Manual de fluxo de caixa para fazendas de gado de corte

Prevendo o futuro via fluxo de caixa

Uma importante alternativa, fornecida pelo fluxo de caixa e que pode ser de grande valia para as propriedades é a possibilidade de visão de futuro. De fato, prever o futuro não é uma tarefa fácil, entretanto, com os lançamentos em dia, há uma real possibilidade da propriedade se programar quanto a suas demandas financeiras.

Para isso, dois pontos são extremamente importantes de serem administrados com atenção no fluxo de caixa: as contas a pagar e as contas a receber. Com o correto lançamento de todos os compromissos e contas que devemos pagar e receber, é possível que a propriedade se organize e preveja o futuro.

Essa avaliação pode ser realizada a curto e médio prazo. A curto prazo, sabemos por exemplo quanto a fazenda tem para receber e pagar na próxima semana e se o saldo da conta bancária é suficiente para quitar todas as obrigações daquele período.

Podemos citar como médio prazo a mesma situação para o próximo mês ou meses.

Mas afinal, qual a importância do fluxo de caixa?

O correto lançamento dos dados no fluxo de caixa é indispensável para a confiabilidade da ferramenta, entretanto, ele não deve ser utilizado apenas para o armazenamento desses dados, pelo contrário, a utilização dessa ferramenta é fundamental para que informações sejam levantadas e, a partir delas, seja possível a tomada de decisões em busca da maximização da eficiência em uma propriedade.

  • O fluxo de caixa permite que avaliemos de maneira simples, qual a condição do caixa. Ou seja: se o caixa está negativo ou positivo e em quanto está esse saldo.
  • Possibilita avaliar a situação financeira futura do negócio.
  • Permite avaliar quanto e quando será a maior necessidade de capital.
  • O fluxo de caixa, na implantação de um projeto, permite que avaliemos qual o período de payback dos valores investidos, ou seja, quando haverá o retorno de determinada quantia investida.
  • Demonstra se é necessário e quanto será necessário de capital externo para gerenciar o negócio.
  • As análises e o acompanhamento do fluxo de caixa permitem que evitemos o pagamento de juros e multas.

Conclusão

Em resumo, o fluxo de caixa é uma ferramenta relativamente simples, mas essencial para toda empresa. Ele nos permite a avaliação e a realização de importantes tomadas de decisões relativas ao sistema de produção.

Saiba mais!

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Cristiano Rossoni

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Cerca elétrica em sistemas de pastejo: saiba como é a utilização https://blog.rehagro.com.br/a-utilizacao-da-cerca-eletrica-em-sistemas-de-pastejo/ https://blog.rehagro.com.br/a-utilizacao-da-cerca-eletrica-em-sistemas-de-pastejo/#respond Wed, 15 Jul 2020 18:00:32 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7947 A forragem representa a principal fonte de alimento para a produção de bovinos de corte no Brasil. Um consenso entre técnicos e pecuaristas é que a criação dos animais a pasto permite ganhos produtivos e econômicos, isso porque o custo da arroba produzida em pastagens é significativamente menor do que o custo dessa mesma arroba, […]

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A forragem representa a principal fonte de alimento para a produção de bovinos de corte no Brasil. Um consenso entre técnicos e pecuaristas é que a criação dos animais a pasto permite ganhos produtivos e econômicos, isso porque o custo da arroba produzida em pastagens é significativamente menor do que o custo dessa mesma arroba, produzida no confinamento, por exemplo.

Entretanto, há um fator importante a se destacar, para que alcancemos bons resultados, tanto em desempenho zootécnico e principalmente em desempenho econômico financeiro. É indispensável que a utilização dessas pastagens seja realizada de maneira adequada e eficaz.

O manejo bem feito do pastejo e das pastagens é determinante para o sucesso na atividade, bem como para a obtenção dos resultados positivos, produzir a supracitada, arroba com menores custos, e isso só se faz possível com uma condução bem ajustada dos recursos forrageiros disponíveis.

Além de proporcionar boas possibilidades referentes ao ganho de peso, bem como a bons resultados econômicos, o manejo correto das pastagens e do pastejo, está diretamente relacionado à manutenção das condições dessa pastagem.

Estima-se que 80% das pastagens do Brasil, encontram-se em algum grau de degradação, esse fato se dá, entre outros motivos, principalmente pela falha no processo de condução de manejo dessas pastagens.

 

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De maneira resumida e direta, o manejo correto das pastagens se torna possível, basicamente, quando respeitamos as alturas daquela forrageira quando os animais entram e saem de uma determinada área empastada.

Outros fatores, como adubação, correção de solo, controle de invasora, localização de cochos e bebedouros e outros, compõem esse processo, mas o princípio básico de respeitar as alturas de entrada e saída é fundamental.

Esse princípio só se faz possível, quando conduzimos os animais às pastagens nesse momento ideal, para isso existem algumas ferramentas e métodos de pastejo. Basicamente, podemos citar alguns desses métodos:

  • Pastejo alternado, quando um mesmo lote alterna momentos de pastejo entre dois piquetes; 
  • Pastejo rotacionado quando um lote utiliza 3 ou mais piquetes para pastejar. 

Esses são exemplos de métodos de manejo que permitem essa condução de maneira eficiente.

Cada um desses métodos e suas variáveis, apresentam suas características, benefícios e pontos de ajuste, entretanto, um fator é indispensável nesse processo, independente de qual manejo se escolha, e principalmente no manejo rotacionado, a cerca, sendo um componente de extrema importância nesse contexto.

Somente com uma boa estrutura de cerca, é possível a condução desses animais, da maneira que nós desejamos. Existem algumas estruturas de cerca possíveis de serem utilizadas, e uma delas vem ganhando destaque: a cerca elétrica.

A cerca elétrica é uma alternativa importante que, diferente das cercas convencionais de arame liso, a “cerca paraguaia”, podem ser móveis e de grande praticidade. Permitindo a condução do pastejo, potencializando e maximizando a utilização das pastagens.

A mobilidade e a praticidade da cerca elétrica ganham um destaque ainda maior, quando adotamos o pastejo rotacionado. A frequência da movimentação dos animais, e a necessidade de uma grande rede estrutural de cerca, são pontos que favorecem a utilização dessa tecnologia.

A cerca elétrica também tem encontrado muita resistência por parte dos produtores e funcionários devido à eficiência em segurar os animais na área delimitada, mas, quando se utiliza materiais de boa qualidade e a construção é criteriosa, a sua eficácia é muito alta.

Critérios como qualidade do aterramento, dimensionamento do aparelho eletrificador, vida útil do material, utilização de fio negativo, proteção contra descargas elétricas (raios) e uso de linha-mestra são muito importantes para o bom resultado deste tipo de cerca.

Como vantagens da cerca elétrica podemos citar, além do melhor aproveitamento das pastagens:

  • Fácil e rápida construção;
  • Facilita o manejo;
  • Amansa os animais;
  • Versátil;
  • Viável economicamente;
  • Ideal para sistemas de integração.

Dicas práticas para um bom funcionamento e vida útil da cerca é o grande “tripé” que garante a eficiência e a perfeita utilização de sistemas de cerca elétrica. Esse tripé é composto pela associação de potência adequada, isolamento eficiente e um aterramento bem feito.

Webinar Cercas Elétricas

Aterramento

Este é um dos pontos-chave para o sucesso da cerca elétrica, principalmente quando o solo não tem boa condutividade, em específico em estações secas.

Quando o animal toca ao mesmo tempo nos dois fios, tanto no fio positivo quanto fio terra (fase neutra), ele fecha o circuito via fio aterrado.

O número de hastes deve variar de acordo com o tamanho do aparelho, mas deve ter no mínimo 3 hastes. Existe um teste que indica a quantidade necessária para aterrar cada aparelho em cada tipo de solo. Esse teste consiste em medir a voltagem no aterramento após colocar 3 hastes em contato com a cerca e o solo (a uma distância de 100 metros do aterramento).

É muito importante que as hastes sejam aterradas em local que fique úmido mesmo na época da seca. Caso isto não seja possível, o aterramento deverá ser molhado com fartura e semanalmente na época de seca.

Lembrar que se a haste for de cobre, o fio de ligação deve ser de cobre e se for zinco, fio de ligação deve ser de zinco. A distância entre as hastes é de 3 metros. Quando o raio de distância do aparelho ultrapassar 1 Km, devem ser construídos aterramentos secundários no fio negativo usando uma ou duas hastes em cada aterramento.

Aterramento de cerca elétricaDiagrama de aterramento da cerca elétrica. Fonte: Manual prático de cercas elétricas da Speedrite.

Proteção contra raios

É outro fator muito importante. Deve ficar a uma distância de 20 metros do aterramento do aparelho. É feito no fio eletrificado, sendo que ele é interrompido com um isolador tipo castanha e interligado com uma mola própria (resistência).

Próximo à mola deve ser colocado o centelhador e este ligado ao fio eletrificado e ao aterramento contra raios. Este aterramento deve ter sempre uma haste a mais que o aterramento do seu respectivo aparelho. Em projetos muito longos, podem ser feitas outras proteções secundárias.

Esquema de ligação da proteção contra raios. Fonte: Manual prático de cercas elétricas da Speedrite.

Número e altura de fios

As cercas devem, no mínimo, ter dois fios (dois fios positivos ou um positivo e outro negativo), sendo que o fio de cima a uma altura 100-110 cm (positivo) e o fio de baixo (negativo) com 50-60 cm do solo.

Nas áreas de sequeiro onde há má distribuição de chuvas, também em projetos mais distantes (acima de 5 km de raio) e solos mais arenosos há a necessidade de que o fio de baixo seja sem choque (negativo).

Nas áreas irrigadas, como o uso será intensivo, a cerca pode ser com os dois fios positivos (devido ao solo úmido), o que torna esta cerca mais segura. O fio negativo deve acompanhar toda a cerca e em todas as passagens subterrâneas até que chegue ao aterramento principal do aparelho.

No aterramento, este fio deve ser ligado à haste mais distante do aparelho. O arame deve ser próprio para cerca elétrica (tripla camada de galvanização), mas o arame ovalado pode ser usado (é mais caro e tem vida útil menor).

Altura de fios da cerca elétricaEsquema de isolamento. Fonte: Manual prático de cercas elétricas da Speedrite. 

Dimensionamento do Aparelho

A recomendação do aparelho é que este tenha a potência de 1 Joule para 5 km de fio eletrificado (metade da distância recomendada pelos fabricantes), visando suprir possíveis perdas.

Importante ressaltar que, quanto mais intensificado for o sistema, maior será a demanda por potência, devido a pressão dos animais ser maior e mais frequente em sistemas com alta densidade demográfica.

Uso de Fio Subterrâneo

Nas passagens de porteiras e estradas é mais indicado o uso de fio subterrâneo com dupla camada de revestimento, ao contrário do fio aéreo ou de arames revestidos por mangueiras. Nestas passagens deve passar também o fio negativo (arame sem capa).

Uso de Catracas Isoladas

Nos casos de linhas de cercas mais longas (acima de 100 m) é indicado o uso de catracas isoladas para manter a boa tensão dos fios positivos (fácil manutenção). No caso das cercas de pivô onde os lances são curtos (50 metros) não há esta necessidade.

Madeira

Nas linhas longas há a necessidade do uso de esticadores nos cantos, com diâmetro acima de 10 cm. Nos lances curtos de pivô e nas estacas de meio pode ser usada madeira com diâmetro de 6-8 cm.

A distância entre estacas pode ser até de trinta metros (média de 20 m) No caso dos lances do pivô serão usadas 3 estacas por lance.

Isoladores

Os isoladores devem ser de bom isolamento e com proteção para raios UV. Os melhores são do tipo W ou anel, mas a mangueira própria também pode ser usada. Nos isoladores de canto é usado o tipo castanha.

Porteiras

É sugerido o uso de porteiras com molas de maior elasticidade (igual à do para-raios), com manopla isolante própria e o mesmo número e altura de fios existentes na cerca. Nestas porteiras elétricas, a largura deve ser de 6-8 metros. Também nos corredores, quando houver, a largura deve ser de 8 metros.

Porteira com cerca elétricaEsquema de isolamento das porteiras. Fonte: Manual prático de cercas elétricas da Speedrite. 

Área de Lazer

O mínimo de área por animal deve ser de 10 m2, onde houver mais espaço a área poderá ser de 20 m2 por animal. A sombra é muito importante e a sua projeção deve ter, no mínimo, 4 m2 por animal.

Aceiros

Com relação aos aceiros, os aparelhos quando bem dimensionados, suportam algumas perdas com o encosto do capim. Isto deve ser monitorado com o voltímetro e quando estiver sendo limitante, deve ser feito o aceiro químico (dessecante). Normalmente é feito no início do verão nas áreas de sequeiro e outra segunda vez (se necessário) nas áreas irrigadas.

Ligações

As ligações feitas nas passagens subterrâneas, nos cantos de cercas e nas emendas devem ser de boa qualidade e com grampo conector próprio.

No caso de desligar as cercas que não estão sendo usadas, ela deve ser feita com chave própria (chave faca). Para que não se gaste muitas chaves e para diminuir a administração, esta chave pode ser usada de maneira setorizada.

Linha-Mestra

Em projetos com raio muito grande (acima de 5 km), é necessário o uso de uma linha-mestra que leve energia para a cerca nas áreas mais distantes. Esta linha deve conter mais fios eletrificados (3 ou 4) e interligados entre si.

Painel Solar

Um grande avanço para utilização da cerca elétrica, é a disponibilidade da utilização de fontes de energia elétrica, fotovoltaicas, essa ferramenta permite que cercas elétricas sejam instaladas distantes da rede elétrica convencional, sem que haja perda da eficiência da utilização.

Considerações sobre a cerca elétrica

O uso de cerca elétrica é uma tecnologia bastante eficiente que permite ganhos imensuráveis, com a adoção de pastagens rotacionadas, seja em pivôs ou não.

Utilizar e demandar da estrutura correta para a implantação do processo é essencial para o perfeito funcionamento e garantia de sucesso dessa tecnologia. Um bom projeto garante o sucesso de seu uso, com baixos custos de manutenção.

Mãos à obra!

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Cristiano Rossoni

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Como detectar o cio em vacas leiteiras de forma eficiente? https://blog.rehagro.com.br/como-melhorar-a-taxa-de-deteccao-de-cio/ https://blog.rehagro.com.br/como-melhorar-a-taxa-de-deteccao-de-cio/#respond Wed, 15 Jul 2020 18:00:13 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7898 A maximização da eficiência reprodutiva do rebanho e a taxa de detecção de cio consiste em uma das chaves para o sucesso da atividade leiteira. A obtenção de boas taxas reprodutivas tende a contribuir para o aumento dos lucros da fazenda, pois eleva-se a proporção de vacas em fase inicial de lactação. Nesta fase, o […]

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A maximização da eficiência reprodutiva do rebanho e a taxa de detecção de cio consiste em uma das chaves para o sucesso da atividade leiteira. A obtenção de boas taxas reprodutivas tende a contribuir para o aumento dos lucros da fazenda, pois eleva-se a proporção de vacas em fase inicial de lactação.

Nesta fase, o fato de a produção de leite ser maior possibilita uma otimização do retorno sobre o custo alimentar. No entanto, para que haja maior proporção de vacas em fase inicial de lactação e otimização do retorno sobre o custo alimentar é necessário, dentre outros fatores, que haja eficiência reprodutiva.

Uma situação observada comumente no campo em grande parte das fazendas é a baixa taxa de serviço nos rebanhos leiteiros. Ou seja, uma menor proporção de vacas é servida (coberta, inseminada, etc) em comparação com o ideal.

O objetivo deste texto baseia-se em apresentar e discutir os principais métodos que auxiliam na detecção de cio e, consequentemente, no aumento do indicador da taxa de serviço e na maximização da eficiência reprodutiva.

É importante salientar que não basta apenas garantir o serviço reprodutivo para a vaca, sendo necessário também que ele ocorra no momento adequado e que a gestação se mantenha de forma saudável e venha a gerar um parto.

 

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Cio: no que consiste?

O cio, também conhecido como estro, é comumente referido como o dia zero (D0) do ciclo estral das fêmeas bovinas, consistindo no período da fase reprodutiva no qual a fêmea apresenta sinais de receptividade sexual (aceitação de monta), seguida de ovulação.

A duração média do cio é de aproximadamente 12 a 18 horas, sendo que a ovulação ocorre de 12 a 16 horas após o término do cio, ou 28 horas após o início do estro. No entanto, em vacas leiteiras de alta produção tem-se observado que a duração média do cio se encontra inferior a 8 horas.

O início das atividades que caracterizam o cio tende a ocorrer durante a noite, madrugada ou começo da manhã, conforme demonstrado pela figura a seguir.

Gráfico mostrando relação das atividades de cio de acordo com as horas do dia

Características relacionadas ao cio das vacas

No período do cio, os elevados níveis circulantes de estradiol promovem alterações anatômicas e comportamentais nas fêmeas bovinas.

Um conjunto de comportamentos e alterações características são manifestadas pelos animais antes, durante e depois do estro, sendo importante que o colaborador responsável pela observação de cio conheça tais comportamentos para que redobre sua atenção.

As principais alterações comportamentais das vacas devido ao cio envolvem:

  • Pressão do queixo sobre o períneo/garupa;
  • Tentativa de monta;
  • Agitação;
  • Micção frequente;
  • Perda de apetite.

Associado às alterações comportamentais estão as mudanças anatômicas do aparelho reprodutivo da fêmea. Dentre elas, as principais são:

  • O edema e o avermelhamento da vulva;
  • A abertura da cérvix;
  • Corrimento muco-vaginal claro e viscoso.

A pergunta que fica é a seguinte: “Por que é tão difícil observar o cio?”.

De forma resumida, se deve ao fato de que as vacas leiteiras modernas apresentam uma série de fatores que contribuem para esta menor observação de cio, sendo os principais: maior produção de leite, menor duração do cio e maior desbalanço hormonal.

Estudos científicos, conforme demonstrado pelo gráfico a seguir, apontam que a duração do cio (horas) está associada a produção de leite (kg/dia), sendo que o cio tende a ser menor quanto maior for a produção de leite da vaca.

Este fato está relacionado em grande parte com a taxa de metabolismo das vacas, onde naquelas de alta produção tende a ser mais elevado, depurando de forma mais acelerada os hormônios esteroides e interferindo na duração do estro.

Gráfico mostrando a produção de leite de acordo com a detecção de cio

Outros estudos observaram a distribuição da duração do estro em vacas holandesas.

O encontrado foi de que aproximadamente 60% das vacas demonstraram atividade de cio por no máximo 8 horas. Destas vacas, 50% ficaram menos de 4 horas em estro. Veja o gráfico abaixo:

Gráfico mostrando a distribuição da duração do estro em vacas holandesas

Os dados e as informações apresentadas nos dois gráficos reforçam ainda mais a importância da adoção de estratégias e ferramentas auxiliares de identificação de cio.

É corriqueira a situação de vacas que não são identificadas em cio, não são trabalhadas reprodutivamente e contribuem para redução dos indicadores de eficiência reprodutiva e produtiva da fazenda.

E-book Estratégias para aumentar detecção de cio

Métodos auxiliares de identificação do cio em vacas

A observação de aceitação de monta representa o método clássico para identificação de cio, no entanto apresenta alguns fatores limitantes para sua utilização isolada em rebanhos com maior produção de leite.

Conforme citado anteriormente, os sinais de cio frequentemente são expressos mais no período noturno, momento em que, geralmente, não há ninguém observando cio.

Além disso, o elevado consumo de matéria seca que é necessário para suprir as exigências nutricionais da alta produção de leite faz com que se eleve a taxa do metabolismo hepático das vacas, aumentando assim a depuração dos hormônios esteroides relacionados à reprodução. Esse fato contribui para redução da duração e intensidade dos sinais de estro.

A seguir serão discutidos alguns métodos/ferramentas que auxiliam no controle dos problemas relacionados à identificação de cio.

Raspadinha

A raspadinha consiste em um dispositivo semelhante a uma raspadinha de loteria que é colada na base da cauda do animal. No momento em que o animal é montado, a tinta da tira adesiva é removida, o que torna possível identificar que o animal aceitou monta.

Uma grande vantagem da utilização dessa ferramenta é identificar os animais que manifestaram cio durante a noite ou em momentos sem observação de cio. Uma das desvantagens é que utilizar em todo rebanho pode se tornar inviável economicamente.

Um ponto de atenção deve ser considerado quanto a utilização desta ferramenta em novilhas, uma vez que esta categoria animal normalmente apresenta cios mais intensos em comparação às vacas e possui instinto curioso, podendo contribuir para que a raspadinha seja desgastada com maior facilidade e até mesmo se solte do animal.

Uma das alternativas adotadas pelas fazendas para contornar esta situação consiste em associar o uso da raspadinha com o bastão de cera, que será discutido mais à frente. Esta associação aumenta a segurança e a certificação da identificação de cio.

Raspadinha para detecção de cio

Medidores de atividade

São ferramentas que se baseiam no aumento da atividade dos animais quando estão em estro. Além disso, alguns desses medidores atualmente conseguem realizar outras funções como identificar possíveis animais doentes, avaliação de estresse térmico e monitorar alimentação.

Os principais medidores disponíveis no mercado até o momento são pedômetros, colares e, recentemente, os brincos.

Por se tratar de dispositivos tecnológicos sujeitos a falhas, devemos nos lembrar de solicitar auditorias periódicas nestas ferramentas através do fabricante para que os resultados gerados sejam coerentes com as ocorrências de cio.

Caso as informações sejam repassadas incorretamente pelos dispositivos, as ações realizadas na rotina reprodutiva da fazenda também estarão incorretas.

Medidores de atividade em vacas leiteiras

Bastão de tinta

Consiste em pintar a base da cauda do animal e observar se o bastão passado foi apagado, indicando que o animal aceitou monta.

Esse manejo é realizado, geralmente, após a ordenha, na saída dos animais, aproveitando a passagem dos animais pelos currais de manejo. Fazendas que possuem canzis conseguem realizar esse manejo em momentos desvinculados da ordenha.

Todas as vacas em lactação devem ser pintadas para padronizar o manejo e evitar equívocos, inclusive vacas recém-paridas, vacas prenhes e vacas descarte.

No entanto, caso o rebanho seja menor e a situação reprodutiva dos animais seja facilmente conhecida de perto torna-se possível realizar o manejo do bastão de forma direcionada. Ou seja, em um rebanho de 30 vacas, por exemplo, sabemos de forma fácil e rápida quais são os animais que estão sendo e devem ser trabalhados na reprodução (vacas aptas, vacas inseminadas, vacas gestantes etc.).

Um outro tipo de manejo que algumas propriedades adotam é o uso de uma cor específica de bastão para cada situação reprodutiva. Por exemplo: as vacas inseminadas recebem bastão de cor amarela, as vacas gestantes recebem bastão de cor verde e as vacas aptas e vazias recebem bastão vermelho.

Vale ressaltar que esta estratégia deve ser pensada conforme a rotina da propriedade e do rebanho, justamente para que o emprego de cores variadas de bastão não complique as atividades e prejudiquem a eficiência desta técnica.

Técnica de bastão de tinta para detecção de cio

Considerações sobre a detecção de cio

O aumento da produção de leite e a otimização do custo alimentar das propriedades leiteiras passam, além de outros pontos, pela obtenção de eficiência reprodutiva.

Uma reprodução bem ajustada pode ser responsável por alcançar um DEL médio baixo no rebanho, ou seja, alcançar uma maior proporção de vacas em início de lactação produzindo mais leite.

A associação de métodos auxiliares de detecção de cio com outras ferramentas, tecnologias e estratégias torna-se interessante quanto mais intensificado for o sistema de produção. Identificar os pontos críticos de cada propriedade torna-se essencial para encontrar as oportunidades e atuar de modo a otimizar não só a reprodução, mas todos os setores da fazenda.

Além disso, adotar e seguir fielmente uma rotina reprodutiva é tão importante quanto o uso de ferramentas auxiliares de detecção de cio.

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Bruno Guimarães

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Escore de Condição Corporal – ECC: importância para sistemas de cria https://blog.rehagro.com.br/importancia-do-escore-da-condicao-corporal-em-sistema-de-cria/ https://blog.rehagro.com.br/importancia-do-escore-da-condicao-corporal-em-sistema-de-cria/#respond Tue, 07 Jul 2020 18:00:19 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7878 A evolução dos sistemas de produção faz com que estratégias e avaliações sejam mais utilizadas a cada dia, com intuito de melhorar a eficiência dos processos e a assertividade nos manejos produtivos. Dentro desses processos e ferramentas, algumas estratégias se destacam, pelo baixo custo apresentado, pela praticidade na adoção e principalmente, pela eficácia e impacto […]

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A evolução dos sistemas de produção faz com que estratégias e avaliações sejam mais utilizadas a cada dia, com intuito de melhorar a eficiência dos processos e a assertividade nos manejos produtivos.

Dentro desses processos e ferramentas, algumas estratégias se destacam, pelo baixo custo apresentado, pela praticidade na adoção e principalmente, pela eficácia e impacto nos resultados.

O escore de condição corporal é uma medida subjetiva, fundamentada na classificação dos animais em função da cobertura de gordura e da massa muscular, o que estima o estado nutricional dos ruminantes de interesse zootécnico.

 

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Desse modo, o Escore de Condição Corporal (ECC) afere o estado nutricional dos animais a partir de avaliação visual e/ou tátil, sendo uma ferramenta fundamental no manejo.

Essa ponderação reflete as reservas energéticas dos animais e pode ser utilizada como acessório na indicação de práticas a serem seguidas no manejo nutricional do rebanho.

Os bovinos passam por diferentes ciclos produtivos e reprodutivos ao longo do ano, acarretando alterações em suas necessidades nutricionais.

A disponibilidade de pastagens e alimentos muda em decorrência das mudanças climáticas, dessa forma, ganhos ou perdas de peso dos animais são comuns e representam a produtividade do sistema, assim, essas modificações na condição corporal devem ser monitoradas.

Escore de condição corporal ECCFonte: acervo pessoal, Vinicius Costa, técnico trainee do Rehagro. 

Um bom indicador do estado nutricional é a avaliação do peso, mas deve-se ter atenção às variações entre raças e tamanho dos indivíduos (frame), pois, nem sempre um animal pesado apresenta uma boa condição corporal. A mensuração do peso vivo modifica em decorrência da função fisiológica do animal, por exemplo, a fêmea prenhe.

A importância de conhecer o escore de condição corporal (ECC)

Conhecer o ECC do rebanho contribui para a tomada de decisões assertivas no manejo nutricional e garante medidas de redução no impacto na produção e nos custos do pecuarista. Por exemplo, com ele é possível definir quando e quanto suplementar um lote de matrizes, com objetivo de reduzir o período de anestro pós-parto.

A acuidade da ponderação do escore corporal provém do conhecimento sobre o direcionamento de nutrientes da dieta de acordo com a prioridade do animal.

Short e Adams (1988) apresentaram a ordem de partição de nutrientes energéticos, sendo na ordem crescente:

  • Metabolismo basal;
  • Atividades mecânicas;
  • Crescimento;
  • Conjunto de reservas corporais básicas de energia;
  • Manutenção da prenhez;
  • Lactação;
  • Reservas extras de energia;
  • Ciclicidade estral;
  • Ovulação e o início da prenhez;
  • Reservas de excesso.

Portanto, os animais direcionam suas energias oriundas dos alimentos para suprir as necessidades básicas, seguindo a ordem acima relacionada, e posteriormente direcionam suas funções para atividades “secundárias”.

No entanto, essas atividades não primárias, representam grande parte dos resultados que geram produtividade ao negócio, como ganho de peso, produção de leite, e reprodução.

E-book Manual Sanitário da estação de monta

É possível perceber que as funções reprodutivas não são prioritárias do ponto de vista de partição de nutrientes. Estudos apontam que quanto maior a perda de condição corporal entre o parto e a primeira inseminação menor será a taxa de concepção quando comparado a animais com perda moderada.

Além disso, a avaliação do ECC no início da estação de monta pode impactar na eficiência reprodutiva. No entanto, é importante salientar que as vacas de corte demasiadamente condicionadas (ECC maior que sete) podem apresentar dificuldades ao parto, bem como altos custos de mantença quando confrontadas com vacas de ECC moderado.

Probabilidade de prenhes de acordo com o ECC

Prenhez de acordo com condição corporal ao partoEscore de condição corporal ao parto e porcentagem de prenhez. Fonte: adaptado de Wettemann (1994).

As matrizes com boas condições corporais ao parto retornam ao cio mais cedo e apresentam melhores índices de concepção sendo a suplementação das vacas nos períodos pré e pós-parto resultam em incremento do peso corporal.

Isso acaba interferindo na taxa de prenhes positivamente, haja vista que animais com escores melhores durante a estação de monta possuem uma maior probabilidade de emprenhar.

A tabela abaixo mostra o desempenho reprodutivo de vacas de corte de raças europeias com ECC diferentes.

Efeito da condição corporal durante a estação reprodutiva na taxa de prenhez de bovinosFonte: adaptado de Faulkner (1990).

Os resultados da tabela acima evidenciam que há necessidade de ajustes no manejo nutricional, de modo que as vacas atinjam ECC de 5 a 7 ao parto, pois, a recuperação do ECC no pós-parto é mais difícil, especialmente, quando essa época se sobrepõe à estação de monta subsequente.

Do ponto de vista prático, se o rebanho de matrizes não atingiu condição corporal aceitável no período de parição, é necessário à suplementação alimentar. Em um ano em que as condições climáticas estão favoráveis, a condição corporal das vacas pode ser um indicativo de quão bem as demandas do rebanho estão sendo atendidas pelos recursos da fazenda.

Entretanto, se as vacas continuam magras, reflexo disso é um ECC baixo, a dieta dessas deve ser alterada. Assim, pode haver uma suplementação concentrada (sal ureado, proteico, proteico-energético, energético, sal mineral aditivado) visando atender suas exigências nutricionais.

No entanto, se não obtiver sucesso, mesmo após a suplementação, é importante alterar a lotação da fazenda, reduzindo, a fim de fornecer uma forragem de melhor qualidade e com volume maior por animal do rebanho.

Há casos em que se fazem necessárias suplementações mais impactantes, por exemplo, suplementação de volumoso, feno ou silagem, visando o sucesso da estação reprodutiva.

Visto que o suprimento de forrageiras é considerado como adequado, estratégias de melhoramento genético animal devem ser suscitadas, por exemplo, reduzir o tamanho corporal (frame) e/ou aspectos produtivos que estejam superdimensionados para o sistema, como a produção de leite.

Não se pode selecionar apenas para habilidade materna, é preciso que haja um equilíbrio entre as outras características de relevância significativas quanto esta, ou seja, é importante obter um foco na seleção e traçar um plano genético adequado a realidade de cada propriedade.

A avaliação do escore de condição corporal

Os animais são classificados de acordo com a quantidade de reservas teciduais, sobretudo de gordura e de músculos, em determinadas regiões do corpo, tais como algumas protuberâncias ósseas:

  • Costelas;
  • Processos espinhosos da coluna vertebral;
  • Processos transversos da coluna vertebral;
  • Vazio;
  • Ponta do íleo;
  • Base da cauda;
  • Sacro;
  • Vértebras lombares. Os escores extremos (superior ou inferior) são indesejáveis em qualquer escala e em qualquer espécie animal avaliada.

Escore visual para avaliação da condição corporal de vacas de criaFonte: adaptado de Nicholson e Butterworth (1986). 

Portanto, a obtenção de altas taxas reprodutivas está intimamente relacionada à produtividade e à lucratividade das explorações pecuárias.

Para que o produtor tenha êxito é importante que haja adoção de determinadas práticas de manejo, dentre essas, a nutrição. Essa deve prover às matrizes condições metabólicas ideais para enfrentar determinadas ocasiões estratégicas do ciclo produtivo, como a época de reprodução, período de parto e o momento de aleitamento.

Nesse cenário, o escore de condição corporal é uma ferramenta favorável na ponderação do estado nutricional do animal e, por consequência, tem aproveitamento estratégico no manejo do rebanho.

O emprego racional da informação conduzida pelo conhecimento do ECC do rebanho é altamente eficiente para o aumento da eficiência reprodutiva das matrizes e produtiva, pensando não só nas matrizes, mas também, nas demais categorias do sistema.

As primíparas requerem uma atenção especial. A avaliação do ECC dessa categoria extrapola os cuidados exigidos pelas matrizes de dois ou mais partos, multíparas, por se tratar de uma fase na vida onde as fêmeas são desafiadas em demasia, estão crescendo, amamentando, e ainda necessitam de energia para reproduzir, qualquer deslize para com esses animais, pode significar um grande fracasso durante a estação de monta.

Animais no pastoFonte: acervo pessoal, Vinicius Costa, técnico trainee do Rehagro. 

Dica extra!

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Cristiano Rossoni

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Bebedouro para gado: saiba a importância da qualidade da água https://blog.rehagro.com.br/a-importancia-da-qualidade-da-agua-na-producao-de-bovinos/ https://blog.rehagro.com.br/a-importancia-da-qualidade-da-agua-na-producao-de-bovinos/#respond Wed, 17 Jun 2020 19:00:29 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7764 A busca pelo aumento da produtividade e da lucratividade na pecuária de corte passa por uma série de fatores, pesquisas e experimentos que são constantemente divulgados mostrando o impacto da genética, dos manejos sanitários, da eficiência no pastoreio e, principalmente, dentre outros fatores, da nutrição, no aumento da produtividade. Todavia, as ações e melhorias buscadas […]

O post Bebedouro para gado: saiba a importância da qualidade da água apareceu primeiro em Rehagro Blog.

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A busca pelo aumento da produtividade e da lucratividade na pecuária de corte passa por uma série de fatores, pesquisas e experimentos que são constantemente divulgados mostrando o impacto da genética, dos manejos sanitários, da eficiência no pastoreio e, principalmente, dentre outros fatores, da nutrição, no aumento da produtividade.

Todavia, as ações e melhorias buscadas nas dietas são quase sempre voltadas a fontes de volumosos e concentrados, porém, um fator determinante para o bom desempenho dos animais é a água. Entender o efeito e a importância de oferecer água em abundância e qualidade aos animais é fundamental.

 

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Apesar de parecer simples e básico, cenas como a mostrada na Figura 1, são ainda muito comuns e corriqueiras no Brasil. Não apenas em criações extensivas de gado a pasto, mas também em confinamentos. Encontramos com frequência fontes de água totalmente inadequadas ao consumo.

Água em más condições de usoFoto ilustrando as más condições de água em propriedade de bovinos de corte a pasto. (Fonte: Vinicius Costa, trainee da Equipe Corte do Rehagro).

Bebedouro com água em má qualidadeFoto de bebedouro em confinamento com má qualidade de água devido a falta de limpeza.  (Fonte: Dra. Andrea Mobiglia, coordenadora de ensino da pecuária de corte e consultora do Rehagro).

A variedade das fontes de água encontradas nas fazendas de gado de corte é muito alta, desde açudes e cacimbas, rios e lagoas naturais a estruturas de bebedouro bem dimensionadas com a manutenção em dia. Podendo ainda ser observadas em diversas fontes dentro da mesma propriedade.

Água e a sanidade do rebanho

O primeiro ponto que devemos chamar a atenção, está relacionado aos impactos diretos da qualidade da água na saúde dos animais.

Fontes de água contaminadas, principalmente em açudes, cacimbas ou mesmo em bebedores sem manutenção e que contém água provinda de fontes não adequadas, representam sérios riscos à saúde dos animais, e consequentemente impacto negativo na produção.

Diarreia, eimeriose, leptospirose, botulismo, verminoses são algumas das doenças que podem afetar diretamente a saúde do animal.

Doenças como o botulismo podem causar grandes prejuízos, levando ao um surto e morte de muitos animais de maneira instantânea em uma propriedade. Já a leptospirose pode causar prejuízos incalculáveis durante uma estação de monta, aumentando abortos e reduzindo a taxa de prenhez.

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Pensando ainda em prejuízos diretos à saúde dos animais, os bezerros também são diretamente impactados. No início de suas vidas, ao contrário do que muitos pensam, a disponibilidade de uma fonte de água de qualidade é fundamental para o desenvolvimento dos bezerros.

Casos de diarreia não são incomuns em fazendas em que o acesso dos bezerros à água está muito aquém do desejável, aumentando a mortalidade dessa categoria.

Dependendo da temperatura e da dieta utilizada, um bovino consome em média 5 litros de água, por quilo de matéria seca (MS) ingerida, frequentando em média a fonte de água quatro vezes ao dia em sistema de pastejo.

Água e o impacto no desempenho

Além dos impactos já supracitados, que influenciam direta e imediatamente a saúde dos animais, um ponto se destaca e requer bastante atenção é o desempenho dos animais.

Citamos que o consumo de matéria seca é diretamente proporcional ao consumo de água pelos animais. 

Limitações ao acesso da água, como barreiras físicas, estreitamento dos trilheiros na chegada às fontes de água, baixa disponibilidade de água e principalmente, água de má qualidade, irão impactar diretamente no consumo de MS pelos animais.

Bovinos em bebedouro mal planejadoFoto de confinamento ilustrando a dificuldade de acesso dos animais no bebedouro devido abertura de buracos no solo ocasionados pela falta de planejamento para a limpeza de bebedouro, onde a água escorria dentro da baia. (Fonte: Dra. Andrea Mobiglia, coordenadora de ensino da pecuária de corte e consultora do Rehagro).

Um estudo realizado por Willms et al. (2002) mostrou que houve redução do consumo de MS e ingestão de água à medida que a água era “propositadamente” contaminada com fezes. Um cenário não incomum em fazenda, o que neste estudo resultou em resolução de aproximadamente 12,5% no consumo MS, como ilustrado no Gráfico 1.

 

Qualidade da água x consumo dos bovinosIngestão de água e matéria seca de bovinos a medida que a fonte de água era contaminada com fezes. (Fonte: Adaptado de Willms et al., 2002).

Diminuir consumo de matéria seca, por esse motivo, é sinônimo de menores desempenhos, BICA et al., 2006, mostraram em seus estudos que bovinos de corte com acesso a água de fonte artificial, bebedouro, apresentaram desempenhos de 0,105Kg ou 29% superiores aos animais que consumiam água de açudes.

Portanto, a água é o primeiro e o mais barato ingrediente da dieta de um ruminante, o cuidado e a preservação desse recurso, a disponibilidade de águas de boa qualidade podem determinar o sucesso da atividade.

Capacidade dos bebedouros

Em confinamento, a métrica se mantém, ou até mesmo se acentua. Confinamentos, são na prática locais com maiores densidades de animais por m², o consumo de água é maior devido às características das dietas e o acesso ao bebedouro é observado constantemente por vários animais ao mesmo tempo, implicando em uma característica muito importante das recomendações do bebedouro.

É importante que esses sejam de alta vazão, ou seja, que tenham grande capacidade e velocidade de enchimento.

Bebedouro de alta vazãoProjeto de bebedouro pequeno mas de alta vazão. (Fonte: Cristiano Rossoni, consultor do Rehagro). 

A utilização de bebedouros artificiais, foi um grande avanço e é uma grande necessidade ainda em muitas propriedades, em grandes piquetes, ou mesmo em confinamentos.

Grandes estruturas de bebedouros foram instalados com intuito de armazenar muita água, que fosse capaz de suprir as necessidades de todos os animais de um lote, porém essas estruturas com grandes capacidades de armazenamento, apresentam uma maior dificuldade de manutenção, é em tese mais difícil se limpar um bebedouro ou uma caixa d’água com grandes volumes do que um bebedouro pequeno.

Bebedouro com enchimento lentoBebedouro com vazão insuficiente, enchimento lento. (Fonte: Cristiano Rossoni, consultor do Rehagro).

Se podemos observar vantagens em grandes estruturas para armazenar água para os bovinos, está justamente relacionado à diminuição de riscos de falta desse insumo tão importante.

Uma grande estrutura tem capacidade para garantir água aos animais por 2, 3 ou mais dias, mesmo se algum problema ocorrer com a distribuição da água.

Um ponto de atenção importante, quando pensamos em bebedouros menores, é a capacidade dessa estrutura em atender uma grande demanda por parte dos animais em um curto espaço de tempo.

A partir de então, passou-se a dar mais atenção à vazão dos bebedouros, estrutura menores, com grande capacidade de enchimento. São mais práticos, fáceis de limpar e podem atender, perfeitamente, a todos os animais.

Ainda em relação ao dimensionamento, quando falamos em tamanho de bebedouro, uma métrica utilizada são 2 cm lineares por cabeça, mas insistimos que mais importante do que o tamanho do bebedouro, e sempre relacionado ao sistema de produção, é importante avaliar a vazão do mesmo.

Manutenção e Limpeza

Independente da capacidade e da vazão do bebedouro, um ponto é indispensável em qualquer sistema de produção, a manutenção e limpeza dos bebedouros.

Principalmente quando pensamos em sistemas mais intensivos, como confinamentos, a frequência de manutenção e limpeza dos bebedouros requer atenção, e deve ser realizada no mínimo duas vezes por semana.

Dicas para limpeza:

  • Retire a água do bebedouro, deixando apenas um fundo;
  • Esfregue toda a superfície do bebedouro, incluindo paredes e fundo, com uma escova ou vassoura rígida. Caso necessário, utilize auxílio de produtos químicos para a limpeza, lembre caprichar no enxágue.);
  • Acabe de retirar a água e esfregar o fundo removendo toda sujeira, lodo e matéria orgânica;
  • Enxágue o bebedouro;
  • Deixe encher novamente.

Algumas plantas e estruturas de confinamento fazem avaliação e limpeza das fontes de água diariamente.

Alternativas podem ser utilizadas como auxílio à limpeza, no intuito de manter a água sempre em bom estado. A utilização de cloro e plantas aquáticas, por exemplo, também podem ser utilizadas e irão retardar o processo de sujeira da água, entretanto a limpeza, a lavagem do bebedouro é indispensável.

Cuidado com fontes alternativas, como criar peixes, essas culturas eliminam resíduos na água que afetam o desempenho de bovinos. Portanto, a maneira mais adequada e barata é manter uma rotina de limpeza na fazenda.

Custo de instalação

Um ponto de bastante indagação, principalmente por parte dos produtores, está relacionado ao custo de instalação dos bebedouros. Esse custo está associado a algumas particularidades, como distância do bebedouro à fonte de água e da quantidade de piquetes na fazenda, por exemplo. A quantidade de tubulação e mão de obra impactam nesse custo, além da própria estrutura.

Independente de maiores ou menores custos, a qualidade da água obtida em bebedouros artificiais, representa benefícios suficientes que justificam o investimento na infraestrutura.

Manejo das Pastagens

A instalação de bebedouros para gado, representa um benefício pouco comentado. Bovinos em pastejo preferem andar não mais de 200 metros de distância da água para pastejarem. Só o fazem quando consomem 50% da forragem disponível naquele raio e relutam a andar mais do que 600m de distância da água. Apenas andarão distâncias superiores a essa, quando consumirem mais do que 40 a 50% da forragem disponível.

Esse comportamento dos animais, quando a distância não está adequada, resulta em superpastejo em algumas áreas do piquete e subpastejo em outras, o que impacta diretamente no desempenho do animal. Além disso, ainda abre oportunidade de plantas invasoras em áreas mais prejudicadas pelo mau manejo do pastejo.

A localização adequada do bebedouro, tem potencial para maximizar a utilização dos piquetes, ressalvadas devidas proporções de possibilidades, pode ser uma grande opção.

Análise da água

Tomadas todas as providências de limpeza, manutenção e avaliação da capacidade de fornecimento, um passo importante é a realização periódica de análises da água fornecida aos animais.

Avaliação de fatores como acidez, alcalinidade, presença de sulfetos de hidrogênio, sulfatos de ferro e manganês, conteúdos sólidos totais dissolvidos, bactérias (coliformes fecais por exemplo) e população de algas devem ser realizadas, permitindo assim, controle e ações de melhoria na qualidade da água ofertada, respeitando as normativas e portarias do RIISPOA.

Relatório de análise da água

Relatório de análise da água. 

Conclusão

A qualidade da água na produção de bovinos é um ponto que merece grande atenção. Bovinos de corte podem beber mais de 50 litros de água por dia!

Fornecer água de qualidade e em abundância, não somente mitiga problemas sanitários dentro da propriedade, mas principalmente potencializa desempenho e maximiza resultados.

Vamos em frente?

Aqui no Rehagro, temos o Curso Online Gestão na Pecuária de Corte, que é uma capacitação que reúne a solução para os maiores problemas que os pecuaristas enfrentam na nutrição, reprodução, sanidade, gestão financeira e de equipes, em todos os sistemas de criação.

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Curso Gestão da Pecuária de Corte

Cristiano Rossoni

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A produção animal depende de grãos como, milho, sorgo e cevada como fontes principais de energia, sendo que, no Brasil, o milho exerce um importante papel na alimentação animal, sendo o cereal mais comumente utilizado para bovinos.

Existem várias formas de utilização do milho, como silagem, milho grão inteiro, moído, floculado, etc. Dentre as várias alternativas, o uso de silagem de grãos úmidos de milho pode constituir uma alternativa importante para a utilização desse cereal na alimentação animal.

Atualmente, a silagem de grãos úmidos é uma das tecnologias de maior expansão no setor produtivo pela sua eficiência na conservação do milho, reduzindo os custos com alimentação em criações de suínos e bovinos leiteiros.

 

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A tecnologia de ensilagem de grãos úmidos de milho já é descrita desde a década de 70 e utilizada por muitos confinadores nos Estados Unidos.

No Brasil, a silagem de grãos úmidos de cereais foi introduzida a partir de 1981 na região de Castro – PR pelos criadores de suínos e, posteriormente, utilizada na alimentação de bovinos de leite e de corte.

Webinar silagem de milho

A silagem de grãos úmidos

O uso desta tecnologia traz inúmeras vantagens, permitindo, por exemplo:

  • Antecipação da colheita, liberando terra para outras culturas;
  • Utilização de um sistema de armazenamento mais simples e econômico, evitando o ataque de roedores e carunchos nos grãos, diminuindo deste modo as perdas a campo;
  • Conservação do valor nutritivo por um maior período de tempo.

A silagem de grãos úmidos de milho consiste na conservação do milho grão, moído ou inteiro, com umidade entre 35 e 45%, pela fermentação e redução do pH.

A Tabela 1 apresenta a composição bromatológica do milho seco comparada com a silagem de grãos úmidos de milho, de acordo com o NRC (2001). Segundo dados do NRC (2001), a silagem de grãos úmidos de milho é mais energética do que o milho seco e apresenta pequena diferença na concentração de fibra.

Tabela com composição média do milho seco e do milho úmidoTabela 1. Composição média do milho seco moído e da silagem de grãos úmidos de milho. Fonte: Adaptado do NRC (2001).

Legenda: MS = matéria seca; NDT = nutrientes digestíveis totais; PB = proteína bruta; FDN = fibra insolúvel em detergente neutro; FDA = fibra insolúvel em detergente ácido; NEL = energia líquida para lactação; ME = energia metabolizável. 

É grande a variação da umidade observada nos diferentes trabalhos, mas esta está entre 27 – 36%. Apesar da grande variação da umidade, em geral, o valor nutritivo da silagem de grão úmido de milho apresenta melhores resultados quando o valor é próximo de 32%.

O armazenamento de grãos de milho sob a forma de silagem não é feito apenas para reduzir perdas. O armazenamento de grãos de milho, através da ensilagem, promove alterações químico-físicas nas moléculas do amido, facilitando a ação das enzimas amilolíticas microbianas ruminais e das enzimas pancreáticas na sua digestão.

Essas alterações podem ocorrer devido à elevação da temperatura no interior do silo no início do processo da ensilagem, promovendo a gelatinização dos grãos de amido, o que possibilita o seu maior aproveitamento pelos ruminantes.

A composição química da silagem de grãos úmidos de milho (Tabela 2) pode variar em função do teor de umidade no momento da ensilagem e da proporção de sabugo presente, entre outros fatores.

Apesar do aumento na digestibilidade do grão de milho neste tipo de silagem, alguns estudos têm mostrado que a solubilização do nitrogênio ocorre durante o período de fermentação e armazenagem da silagem de grãos úmidos, acarretando a diminuição no teor de nitrogênio proteico ao longo do tempo de armazenagem.

Tabela com composição química da silagem de grãos úmidos de milhoTabela 2. Composição química da silagem de grãos úmidos de milho. Variáveis DeBrabander et al. (1992) Jobim et al. (1997) Reis et al. (2000) Santos et al. (2000) Taylor e Kung Jr (2002)

Fonte: Jobim et al. (2003)

Benefícios da silagem de grãos úmidos

Apesar da pequena queda nos teores proteicos, é consenso que o uso de silagem de grãos úmidos de milho melhora a eficiência alimentar, seja devido ao desempenho semelhante com menor consumo ou por consumo semelhante com melhor desempenho.

Existem estudos americanos que obtiveram melhor eficiência alimentar entre 9 e 25%, com redução de consumo, quando se utilizou silagem grão úmido de milho.

Outros estudos mostram que as dietas contendo silagem de grãos úmidos de milho têm maior digestibilidade da matéria seca, matéria orgânica, nitrogênio não-protéico, extrato etéreo e nutrientes digestíveis totais (NDT) em comparação com rações de milho seco, por unidade de matéria seca.

No entanto, não foram observadas diferenças entre rações com silagem de grãos úmidos de milho ou milho seco para digestibilidade da proteína bruta e da fibra em detergente neutro (FDN).

Estes maiores valores de NDT podem ser explicados devido às alterações relacionadas ao amido, refletindo em um melhor padrão de fermentação ruminal da silagem de grão úmido de milho.

Os efeitos obtidos pelo processo de ensilagem do grão úmido de milho também refletem no ambiente rumenal, podendo promover redução da relação acetado:propionato em lactação, além de elevar a concentração de ácidos graxos voláteis do rúmen (acetato, propionato e butirato).

Essa alteração na produção de ácidos graxos voláteis no rúmen foi observada em bovinos confinados durante 70 dias alimentados com silagem de grãos úmidos de milho, milho seco esmagado e misturas de ambos na proporção 67:33 e 33:67, respectivamente.

Nos animais alimentados com silagem de grãos úmidos de milho e as misturas, em relação ao milho seco esmagado, houve maior ganho de peso e melhor eficiência alimenta. Porém, nem todos os estudos apresentam diferenças na produção de ácidos graxos voláteis no rúmen, mas na grande maioria sempre há aumento dos índices produtivos, seja na produção de leite ou de carne.

Com relação à produção e composição do leite, os estudos são contraditórios quanto a porcentagem de gordura.

Estudos constataram que vacas alimentadas com silagem de grãos úmidos de milho produziram mais leite (39,8 kg/dia) em relação às vacas que receberam grãos secos de milho (38,0 kg/dia) na dieta, uma diferença de 4,6% superior em produção de leite a favor da silagem de grãos úmidos.

Juntamente com a maior produção de leite, também houve maior produção de proteína (kg/dia) para as vacas que receberam silagem de grãos úmidos em relação às alimentadas com grãos secos na dieta.

Com isso, destaca-se que o aumento na digestibilidade do amido pode refletir em elevação na produção de leite, de proteína microbiana no rúmen e melhorar a utilização de nitrogênio pela vaca e, também, que a fermentação ruminal foi favorecida pela alta disponibilidade de amido, o que eleva a utilização da amônia ruminal e promove maior suprimento de energia para o animal.

Tabela com efeito do processamento dos grãos de milhoTabela 3. Efeito do processamento dos grãos de milho sobre a produção e composição do leite de vacas. Fonte: Adaptado de San Emeterio et al. (2000)

Wilkerson et al. (1997) registraram produção de 2,0 kg/dia de leite a mais para vacas da raça Holandesa que receberam silagem de grãos de milho na dieta ao comparar grãos úmidos e grãos secos, além de duas formas de processamento dos grãos (amassados ou moídos).

Além disso, o teor de proteína e de gordura no leite foram maiores para as vacas que receberam grãos moídos na dieta, independente da forma de conservação (Tabela 4).

Tabela com Ingestão de Matéria sec de vacas alimentadas com grãos de milho seco ou úmidosTabela 4. Ingestão de matéria seca, produção e composição do leite de vacas da raça Holandesa alimentadas com grãos de milho seco ou ensilados úmidos em diferentes formas de processamento.

Fonte: Adaptado de Wilkerson et al. (1997)

Atualmente, com a mudança nos conceitos sobre a eficiência do uso do amido pelos ruminantes, está comprovado o melhor desempenho animal quando alimentados com amido de alta degradação ruminal.

No entanto, no Brasil não têm sido realizado trabalhos científicos avaliando os possíveis benefícios do uso da silagem de grãos úmidos na alimentação de vacas leiteira, embora seja uma prática corrente em muitas regiões do país.

A partir dos resultados de estudos e das observações de campo nas fazendas brasileiras que utilizam a silagem de grão úmido de milho, pode se evidenciar que o processo de ensilagem de grãos úmidos de milho provoca alterações na conformação do amido do grão e, consequentemente, no local de digestão e na digestibilidade desse amido para ruminantes, resultando em mais energia disponível.

A maior quantidade de energia da silagem de grão úmido de milho, por sua vez, promove maior disponibilidade de energia para os processos produtivos do animal, como a produção de carne e leite.

Além disso, essa tecnologia pode contribuir para solucionar graves problemas de armazenagem de grãos nas fazendas, onde normalmente ocorrem grandes perdas qualitativas e quantitativas, em função do ataque de insetos e de ratos.

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Qual a cerca ideal para produção de gado de corte? https://blog.rehagro.com.br/cerca-ideal-para-a-propriedade/ https://blog.rehagro.com.br/cerca-ideal-para-a-propriedade/#comments Wed, 11 Mar 2020 17:00:37 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7065 O sucesso da produção na cadeia produtiva da carne se deve à uma série de fatores. Em especial, a grande capacidade de produzir forragem durante praticamente todo o ano. De dimensões continentais, com clima tropical extremamente favorável à produção e desenvolvimento vegetal, a pecuária brasileira tem destaque no mundo pela criação de bovinos exclusivamente a […]

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O sucesso da produção na cadeia produtiva da carne se deve à uma série de fatores. Em especial, a grande capacidade de produzir forragem durante praticamente todo o ano.

De dimensões continentais, com clima tropical extremamente favorável à produção e desenvolvimento vegetal, a pecuária brasileira tem destaque no mundo pela criação de bovinos exclusivamente a pasto.

As características descritas acima, representam um potencial em se produzir pastos de qualidade. Por consequência, permitem que se produza arrobas a baixo custo. Contudo, somente o potencial produtivo não se faz suficiente para que a produção atinja níveis satisfatórios. Também é necessário que transformemos esse potencial em real produção de carne.

 

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Manejo da pastagem e o manejo do pastejo

É importante que otimizemos todas essas “vantagens naturais” com objetivo de melhorar e maximizar a produção animal.

Existem várias estratégias e ferramentas que nos permitem aumentar a produção de arrobas em dado hectare. Seguem alguns exemplos de poderosas ferramentas que auxiliam na busca por melhores desempenhos dos animais e áreas:

  • Melhoramento genético do rebanho;
  • Suplementação mineral, proteica e/ou energética.

Entretanto, há dois fatores, de certa forma abrangentes, que são indispensáveis na busca pelo aumento da eficiência produtiva de animais criados a pasto: manejo da pastagem e o manejo do pastejo.

Exatamente o conjunto de ações que realizamos envolvendo os componentes solo-planta-animal serão denominados manejo da pastagem. Já a condução que proporcionamos aos animais para colheita da forragem produzida é o manejo do pastejo.

Somente adequando e aumentando ao máximo a eficiência no manejo da pastagem e do pastejo vamos conseguir, de fato, transformar todo nosso potencial produtivo em maiores produções de arrobas.

Dentre essas ações e ferramentas que utilizamos no manejo da pastagem, uma estrutura chama muita atenção por sua importância e também por ser, em muitos casos, negligenciada, a cerca. Isso mesmo, para se ter um pastejo adequado, é fundamental que tenhamos em nossa propriedade uma boa e eficiente estrutura de cerca.

A cerca na pecuária vem sendo utilizada e evoluindo ao longo dos últimos anos. Desde a época onde as cercas eram confeccionadas de pedra e valas até os dias de hoje, onde encontramos modernos sistemas automatizados de cerca e até mesmo cercas de campo magnético.

Além de proteger contra a fuga dos animais de uma propriedade, existe uma série de vantagens em se ter uma boa cerca. Veja algumas delas:

Separar os animais de diferentes categorias

Alguns exemplos são:

  • Em períodos ou estados reprodutivos diferentes;
  • Com peso, escore ou frame diferenciados;
  • Apresentando status sanitário especial, em quarentena por exemplo;
  • Grupos genéticos distintos;
  • Com exigências nutricionais diferenciadas.

Direcionar os animais pela propriedade

  • Corredores de acesso à currais, retiros ou outros pastos.

Limitar acesso dos animais em determinada localidade

  • Não permitir que os animais tenham acesso a uma nascente dentro do pasto;
  • Evitar o acesso de determinada categoria ao cocho, creep feeding.

Proporcionar o manejo adequado dos animais

  • É sabido que grandes extensões de pastagem é desfavorável para o pastejo uniforme dos animais. Sendo assim, a principal função de uma cerca dentro da propriedade é delimitar os piquetes e, por consequência, permitir a padronização e melhor utilização daquela forrageira por parte dos animais.

Mas afinal, qual a melhor opção de cerca para o meu negócio?

Existem, como citado acima, alguns tipos de cerca que podem auxiliar o produtor em diferentes finalidades. Cerca de arame farpado, cerca com arame liso “paraguaia”, cerca elétrica são os principais tipo de cercas encontrados em sistemas de pecuária de corte no Brasil.

Cada uma delas tem sua particularidade, seus benefícios e suas deficiências. Para conseguirmos alcançar o objetivo tratado nesse texto como principal, da cerca, devemos conhecer as características de cada um desses tipos e estabelecer qual será a melhor opção para nosso sistema.

Cerca de arame farpado

A cerca de arame farpado, talvez seja ainda a cerca mais utilizada por pecuaristas no Brasil e no mundo. Sua utilização se destaca em terrenos onde a topografia é mais acentuada, por exemplo:

  • Regiões de amplitude no relevo;
  • Regiões acidentadas;
  • Cercas que contém diversas mudanças de direção a cerca de arame farpada é preterida.

Pela menor elasticidade do arame farpado, esse tipo de cerca necessita de um menor espaçamento entre os postes de madeira.

No geral, o espaçamento não deve ser muito maior do que 3 a 5 metros entre os postes, exigindo ainda maior número de fios na cerca. As duas últimas características citadas, imprime na cerca de arame farpado, um maior custo de instalação quando comparamos com os outros dois tipos de cerca citados anteriormente.

Entretanto, pela menor necessidade de esticadores e pela praticidade na instalação, a mão de obra para se utilizar na instalação e manutenção desse tipo de cerca é fácil de se encontrar.

Cerca de arame liso

A cerca de arame liso, ao contrário da cerca de arame farpado tem maior elasticidade. Isso permite que o espaçamento entre os postes de suporte seja maior, mesmo necessitando de esticadores com menor intervalo.

No geral, cercas de arame liso permitem distância, não maiores do que 8m entre os postes. Justamente pela necessidade dos esticadores, a mão de obra para instalação e manutenção desse tipo de cerca requer um pouco mais de experiência.

A cerca de arame liso é recomendada, normalmente, para regiões mais planas e sem muita mudança de direção. Assim como na cerca de arame farpado o número de fios recomendado para uma boa cerca de arame liso são 5 fios.

Uma grande problemática, quando pensamos em cercas de arame farpado ou arame liso, principalmente em se tratando de divisões internas das propriedades, é o fato desses modelos de cercas serem fixas, ou seja, não há a possibilidade de movimentação ou mudança do local da cerca, sem que haja um grande desprendimento de tempo e recursos financeiros.

Cerca elétrica

A cerca elétrica é uma alternativa que se opõe as cercas convencionais de arame farpado ou liso, por poderem ser móveis e de grande praticidade, podendo ser utilizada para conduzir o pastejo, potencializando e maximizando a utilização das pastagens.

Ao contrário do que se parece, a técnica não necessariamente precisa estar próximo a fontes de energia tradicionais, existem modernos eletrificadores que são alimentados por painéis solares.

Esta pode ser até 4 vezes mais barata do que as cercas convencionais, entretanto, exige uma mão de obra qualificada e um projeto bem elaborado. Os aparelhos utilizados na cerca elétrica devem, necessariamente, serem de boa qualidade, para garantir o choque no fio. Esse fio não é muito esticado para melhor eficiência.

Webinar Cercas Elétricas

Considerações finais

Avaliando essas características, percebemos que não existe um modelo de cerca ideal, e que cada sistema deve entender suas peculiaridades e alternativas, para então escolher o melhor tipo a ser utilizado.

Existe ainda a possibilidade de se utilizar outros tipos de maneira consorciada, por exemplo o entorno de um módulo de pastejo feito com um modelo de arame liso e suas divisórias realizada de maneira móvel com a elétrica. Conte para nós, qual melhor se adéqua ao seu sistema?

Sucesso na sua produção!

Dica extra!

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Cristiano Rossoni

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Suplementação para bovinos de corte: importância e utilização https://blog.rehagro.com.br/principais-suplementos-multiplos-e-concentrados-para-gado-de-corte/ https://blog.rehagro.com.br/principais-suplementos-multiplos-e-concentrados-para-gado-de-corte/#respond Wed, 28 Nov 2018 15:57:20 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5581 A produção de bovinos no Brasil é predominantemente baseada na utilização de pasto, sendo a fonte mais econômica de nutrientes para os ruminantes nos trópicos. A estacionalidade de produção das forrageiras tropicais devido ao impacto das condições climática é uma realidade na produção de bovinos a pasto, que prejudicam a produção das pastagens no inverno. […]

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A produção de bovinos no Brasil é predominantemente baseada na utilização de pasto, sendo a fonte mais econômica de nutrientes para os ruminantes nos trópicos.

A estacionalidade de produção das forrageiras tropicais devido ao impacto das condições climática é uma realidade na produção de bovinos a pasto, que prejudicam a produção das pastagens no inverno.

Esses períodos, também conhecidos por época de seca, são caracterizados pela redução de incidência de luz solar, temperatura e pluviosidade, podendo um ou mais desses fatores serem mais ou menos predominantes em cada região. Os fatores supracitados interferem no crescimento das forrageiras, diferenciando-o da época do verão.

 

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Nos períodos de seca, há uma redução nos nutrientes das plantas, principalmente de proteínas e minerais com o avanço do processo de maturação das pastagens. Nesse cenário um plano nutricional com a utilização de suplementos torna-se fundamental ganhos satisfatórios.

Embora as pastagens das águas não sejam consideradas deficientes em proteínas, a exigência do animal pode superar esses valores, o que resulta em ganhos de peso obtidos nestas condições aquém do observado quando uma estratégia de suplementação adequada é adotada.

Desta forma, a curva de crescimento animal fica comprometida, aumentando a idade ao abate e/ou ao primeiro parto, dependendo da categoria animal que a fazenda trabalha. Contudo, variações quantitativas e qualitativas de forragens ao longo do ano comprometem os índices produtivos, afetando na produção por animal e por área.

Suplementação para o gadoMaximização de resultados através de estratégias de suplementação adotadas na fazenda. Fonte: Arquivo Pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro. 

Diante disso, torna-se importante avaliar a utilização dos suplementos e concentrados, já que para um ganho de peso satisfatório temos que ajustar as deficiências das pastagens e intensificar o sistema de produção para maximizar a lucratividade da propriedade.

Importância da suplementação

Quando a oferta de pastagem, quantativamente e qualitavivamente, não é suficiente para suprir as exigências nutricionais e atender as necessidades para o desempenho esperado dos animais, se faz necessário a utilização de suplementos e um plano nutricional adequado ao longo do período.

A suplementação surge como aliada para maximizar a produção animal individual e aumentar a produção por área. Quando feita de forma correta, suprindo as exigências básicas dos animais, os resultados serão sempre positivos.

A qualidade da pastagem ofertada aos nossos animais, é de suma importância e terá grande influência na produção. Por isso, o manejo correto das pastagens e do pastejo, nas águas e nos períodos das secas, é uma prática que deve ser implementada na propriedade, quando visamos uma produção lucrativa.

Um manejo de pastagem bem feito associado ao bom planejamento nutricional, garante a expressão máxima do potencial produtivo dos animais, reduzindo inclusive custos com suplementação e em outras frentes dentro da propriedade, como nos custos operacionais. Vale ressaltar que as forragens representam cerca de 70 a 95% da dieta do animal, dependendo da suplementação adotada, em um sistema de criação a pasto. Portanto, a suplementação maximiza resultados e evita perdas de peso em épocas desafiadoras, porém, ela não corrige a deficiência e inadequado manejo das pastagens.

Em resumo, a suplementação de animais em pastejo é uma ferramenta que nos permite corrigir dietas desbalanceadas, melhorando o ganho de peso vivo, a conversão alimentar, e por consequência, diminui os ciclos produtivos da pecuária de corte.

Webinar Suplementação a pasto

Área de cocho

O cocho é uma instalação rural viável e indispensável para a pecuária que permite o uso correto dos suplementos.

Infelizmente, a inspeção dos cochos nas propriedades é uma das práticas mais negligenciadas. Antes de representar custo, o cocho é uma solução eficaz para levar nutrientes aos animais de forma simples e barata.

Cocho para o gadoTécnico do Rehagro, Hugo Pereira, mensurando a dimensão dos cochos para avaliar o espaçamento de cocho. Fonte: Arquivo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro.

No manejo diário em fazendas, podemos identificar erros comuns para essas estruturas, como:

  • Quantidade e dimensionamento inadequados;
  • Localização errada;
  • Cochos descobertos que permitem o suplemento sofrer alterações físico-químicas, desperdiçando a mistura e altera o padrão de consumo;
  • Formação de atoleiros ao redor do cocho, dificultando ou mesmo impedindo o acesso dos animais;
  • Falta de reposição adequada do suplemento.

A quantidade e o tamanho dos cochos, devem estar diretamente relacionadas com o número de animais existentes no pasto, sendo que quanto maior o número de animais, maior a quantidade de metros de cochos, necessários para aquele rebanho.

Outros fatores a ser considerados são o tamanho dos pastos e a topografia da fazenda, que dependendo do caso (terrenos inclinados e acidentados) podem até dobrar ou triplicar a necessidade normal de cochos (ASBRAM, 2003).

Cocho com acesso aos dois ladosEm cochos com acesso aos dois lados, os animais se posicionam intercalados e nunca cabeça com cabeça. Fonte: Arquivo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro. 

A necessidade de cocho é variável de acordo com a suplementação utilizada, de forma geral, quando maior e mais rápido for o consumo dos animais de determinado suplemento, maior será a exigência por espaçamento de cocho.

Importância da suplementação mineral

A concentração de minerais nas plantas forrageiras é bastante variável, pois dependem do gênero, espécie e variedade; época do ano, do tipo de solo e suas condições.

Os minerais obtidos pelos ruminantes são em sua totalidade advindos da ingestão de alimentos, uma vez que os ruminantes não são capazes de sintetizar elementos minerais.

Os minerais estão envolvidos em quase todas as vias metabólicas do organismo animal e na fermentação ruminal, com funções importantes na performance reprodutiva, no crescimento, no metabolismo energético, na função imune entre outras tantas funções fisiológicas. Diante disso, os requerimentos minerais não são apenas para a manutenção da vida, como também para o aumento da produtividade animal (LAMB et al., 2008; WILDE, 2006).

No Brasil, a deficiência mineral sofrida pelos animais ruminantes ainda é observada em fazendas, embora seja notório que este cenário venha melhorando devido a maior adoção da suplementação pelos gestores.

A suplementação mineral do rebanho deve ser feita de forma objetiva, considerando a sanidade, categoria, produtividade e aspectos econômicos. O consumo de suplemento mineral é de 0,025% PV, podendo ser maximizado quando adicionado milho para possibilitar a adição de aditivos alimentares, denomina-se “sal mineral aditivado”.

Algumas características foram levantadas por McDowell (2001) para um suplemento mineral completo aceitável para bovinos, tais como:

  1. Incluir sais minerais de alta qualidade que contenham as melhores formas biologicamente disponíveis de cada elemento mineral, e evitar a inclusão mínima de sais minerais contendo elementos tóxicos.
  2. Ser suficientemente palatável para permitir o consumo adequado em relação às exigências da categoria animal que será suplementada.
  3. Ser produzido por um fabricante idôneo com controle de qualidade, e garantias quanto aos valores de etiqueta.
  4. Ter um tamanho de partícula aceitável, permitindo uma mistura adequada, sem partículas muito pequenas que acabam sendo perdidas.
  5. Ser formulado para uma determinada área, nível de produtividade animal, ambiente (temperatura, umidade, etc.) na qual será utilizado, e ser tão econômico quanto possível.

Importância da suplementação proteica

A suplementação proteica causa efeitos positivos associativos quando adicionada à dieta de forragem de baixa qualidade, principalmente na época seca do ano. Produtos proteicos ureados, potencializam o ganho de peso de bovinos que consomem forragem de moderada a baixa qualidade por aumentar a ingestão e degradabilidade da forragem.

O consumo de um suplemento proteico é de 0,1% PV, o que é denominado também de suplemento de baixo consumo. Consumo de 0,3% PV é considerado suplementação proteico energética, já que requer maiores níveis de energia através da adição de insumos energéticos no suplemento.

Entretanto, a suplementação proteica na estação seca só é eficiente quando a forragem disponível não for limitante. Por exemplo, pastagens muito “passadas”, em que houve a formação de talos, a ingestão será limitada pela dificuldade de apreensão do alimento e tempo de pastejo do animal, o que a suplementação não conseguirá suprir o déficit na ingestão de matéria seca diário.

Cocho com distribuição uniforme do suplementoCocho com distribuição uniforme do suplemento. Fonte: Arquivo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro.

Outro ponto importante para considerar na suplementação é a relação carboidratos e proteína da dieta. Aqui quando falamos dieta, estamos nos referindo à forragem e suplemento juntos.

O simples aumento dos teores proteicos do material ingerido não é uma garantia de maior suprimento intestinal de proteína por unidade de matéria seca ingerida, ou maior quantidade de proteína absorvida.

Tal eficiência no aproveitamento da fração proteica, depende da disponibilidade de energia para os microrganismos ruminais utilizarem a amônia oriunda da proteína degradada ou da ureia no rúmen. Essa sincronia aumentará a produção de proteína microbiana, e esta sim será responsável pelo suprimento de aproximadamente 70% das exigências proteicas do animal.

Portanto, maximizar a produção de proteína microbiano é um dos grandes objetivos da suplementação proteica.

Desse modo, conseguimos entender a necessidade da adição de ureia no suplemento para o fornecimento “imediato” de amônia no rúmen para o crescimento microbiano.  Sempre que os teores proteicos das gramíneas estivem abaixo do valor mínimo de 7% de PB, se torna um fator limitante para atividade dos microrganismos do rúmen (LAZARRINE et al., 2006).

Exemplos de insumos proteicos:

  • Farelo de soja (48 a 50% de PB e 82% de NDT);
  • Farelo de algodão (38 a 41% de PB e 66 a 75% de NDT);
  • Ureia (45% de N, PB tem 16% de N, logo, o equivalente de ureia é 281% Cada kg de ureia equivale a 2,81 kg de PB;
  • Outros: Farelo de amendoim, cevada, glúten de milho, etc.

Destes insumos supracitados, a ureia é comumente citada pelos pecuaristas como estratégia de uso nas fazendas, ligada também a possibilidade de redução de custos da dieta, pela substituição parcial de fontes proteicas vegetais.

Os microrganismos ruminais conseguem transformar o nitrogênio vindo da ureia em um equivalente proteico de altíssima qualidade.

Apesar desta característica, é importante ressaltar que, a ureia é extremamente solúvel, em contato com o ambiente ruminal, é rapidamente degradada e transformada em amônia, o excesso de nitrogênio será transportado para o fígado, onde poderá sofrer uma reciclagem e voltar como ureia por via metabólica através da saliva, onde será aproveitado pelo animal, este processo demanda muita energia, o que levará a redução da disponibilidade da mesma para o animal.

A alta concentração de amônia no rúmen, irá fazer com que não ocorra um sincronismo entre as fermentações de carboidratos ocorre, portanto, uma redução da captura ruminal de nitrogênio  para a síntese de proteínas microbianas devido à falta de carboidratos no rúmen, levando a um quadro de intoxicação.

Casos de intoxicação por ureia são relatados por vários motivos, muitas vezes essa intoxicação esta diretamente ligada com a forma de distribuição da ureia para o animal. Essas intoxicações são mais relatadas quando ocorre o acúmulo de água no cocho, diluindo a ureia na água. O bovino ao “beber essa sopa” ingeri níveis muito acima da capacidade utilização no rúmen, causando quadro de intoxicação. A ingestão diária máxima de ureia é de 40 g a cada 100 kg de PV.

É comum utilizarmos o sal ureado na época da seca, que nada mais é que o sal mineral mais a ureia, porém, alguns cuidados devem ser levados em consideração, como:

  • Cochos cobertos e inclinados, com furos para evitar o excesso de água;
  • Jamais fornecer ureia misturada em água;
  • Deve ser introduzida de maneira gradativa (iniciando com 20g/100kg PV).

No contexto descrito, o fornecimento de suplementos proteicos propicia melhorias no desempenho animal, desde que aplicados de forma correta, considerando os valores nutricionais e disponibilidade da forrageira.

Importância da suplementação energética

O uso de maiores quantidades de alimentos concentrados energéticos para bovinos de corte é inevitável, uma vez que o melhoramento genético dos animais é acompanhado ao aumento das exigências nutricionais, e consequentemente maior desempenho animal.

A suplementação energética (suplemento de alto consumo) tem consumo superior a 0,3% PV, sendo que acima de 0,7% PV consideramos como ração, já que o fornecimento de 1% PV equivale 50% da dieta.

O crescimento microbiano no rúmen depende da quantidade de energia proveniente da fermentação ruminal. Uma característica que são relatadas com o uso desta suplementação, é o efeito de substituição. Este ocorre quando o suplemento alimentar reduz a ingestão da forragem. Começamos observar isso na prática quando o consumo de suplemento é maior que 0,5% PV.

O uso correto desta suplementação a pasto, é uma estratégia interessante no período das águas e secas. Nas águas, onde o nível de proteína da forrageira está alto e o de energia mais baixo, são relatados aumento de ganho de peso médio diário de animais destinados para produção de carne. Porém, nas secas quando deseja-se ter ganhos superior a 0,4 kg/dia, esta estratégia é comumente adotada.

Um exemplo de estratégia são animais suplementados energeticamente na recria a pasto, podem entrar mais pesados no confinamento e podem ser abatidos mais pesados ou com o mesmo peso de animais não suplementados, porém com menor tempo de confinamento.

Os alimentos com alto teor de energia, 75 a 92% de NDT (%MS) e < 12% de PB são:

  • Milho;
  • Sorgo;
  • Milheto;
  • Polpa cítrica;
  • Farelo de trigo;
  • Farelo de mandioca, entre outros.

Suplementação de gadoFonte: Arquivo pessoal, Cristiano Rossoni.

Suplementação de animais a pasto é uma estratégia!

A suplementação mineral com energia e/ou proteína na produção de gado de corte é estabelecida de acordo com o valor nutritivo da forragem, intimamente ligado à estratégia de manejo do pasto.

A suplementação afeta a taxa de lotação, que decresce linearmente com acréscimo na altura de pastejo, independente da suplementação utilizada. No entanto, a lotação deve ser sempre superior nos pastos em que os animais recebem suplemento proteico energético em relação aos suplementados com sal mineral.

Dessa forma, pode-se manter mais animais na mesma área, com a utilização da suplementação, em que é possível aumentar a capacidade suporte dos pastos, refletindo em maior produtividade por área.

É importante que o uso de suplementos venha a interagir com o pasto de forma a aperfeiçoar o uso da pastagem pelos animais. Além disso, deve-se sempre respeitar a capacidade de conversão alimentar e a ingestão do animal, em termos de custo/benefício e bem-estar animal.

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Eles dão todo o suporte à turma ao longo de 10 meses de um curso intensivo, que já impactou positivamente a produção de mais de 1.800 profissionais, que estão alcançando melhores resultados na atividade aplicando o que aprenderam.

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Reforma de pastagem: as 5 principais etapas para uma realização bem feita https://blog.rehagro.com.br/5-principais-etapas-para-uma-reforma-de-pastagem-bem-feita/ https://blog.rehagro.com.br/5-principais-etapas-para-uma-reforma-de-pastagem-bem-feita/#comments Wed, 31 Oct 2018 16:16:16 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5327 O Brasil possui aproximadamente 180 milhões de hectares de pastagens, que se não forem bem manejadas, se tornam o fator fundamental na restrição para o aumento dos índices produtivos na criação de gado. Assim, se não há pasto de qualidade, não há condições de se ter uma pecuária com bons índices de ganho de peso, […]

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O Brasil possui aproximadamente 180 milhões de hectares de pastagens, que se não forem bem manejadas, se tornam o fator fundamental na restrição para o aumento dos índices produtivos na criação de gado.

Assim, se não há pasto de qualidade, não há condições de se ter uma pecuária com bons índices de ganho de peso, animais com o escore corporal adequado e nem mesmo lotação elevada.

Muitos pecuaristas almejam reformar a pastagem, contudo, o alto investimento e o tempo de inutilização da área, necessários no método tradicional, impossibilita muitos projetos.

 

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Para que a reforma de pastagem seja eficiente é importante dividir em etapas o programa de estabelecimento da pastagem, como mostra o exemplo abaixo de um calendário de ações aplicadas.

Cronograma para estabelecimento da pastagemCalendário de estabelecimento de pastagens. Fonte: Adilson Aguiar.

Nesse artigo, vamos ressaltar os pontos mais importantes das etapas do programa acima explicando o passo a passo para que você possa aplicar na sua fazenda.

1. Escolha da área a ser reformada e da forrageira

É muito importante checar qual relevo da área em questão para que se possa fazer um planejamento bem estruturado e mais eficiente. Assim, podemos avaliar se será necessária a utilização de máquinas de maior precisão ou mão de obra braçal.

A partir da escolha da área, é feita a escolha da forrageira, levando em conta onde será implantada (encosta leve, baixadas ou em morros). Além disso, devemos considerar a questão climática local (quantidade e distribuição de chuva e variação de temperatura ao longo do ano) e a fertilidade do solo.

2. Análise do solo

O manejo de reforma de pastagem inicia pela análise de solo. Não existe outra forma de se conhecer a real situação da fertilidade do solo sem uma correta amostragem e uma análise feita em um bom laboratório.

É importante salientar que caso a saturação de base esteja baixa, é necessário que a mesma seja elevada através da calagem, dando condições para que a gramínea se desenvolva através da disponibilidade dos nutrientes do solo.

Área dividida em glebasDivisão da área em glebas para amostragem de solos.

3. Recomendações agronômicas através da análise de solo

Calagem

Posteriormente à interpretação da análise do solo por um profissional da área, o engenheiro agrônomo, faz-se a recomendação da correção inicial, a relação Ca/Mg, que deve estar em torno de 3:1. Essa relação irá influenciar na escolha do tipo de calcário a ser usado.

Além disso, devemos prestar atenção para o teor de fósforo existente no solo, já que esse nutriente é de grande importância para um bom desenvolvimento das pastagens e que, infelizmente, é deficitário nos solos brasileiros.

O calcário deve ser aplicado com frequência, haja vista a extração de nutrientes ao longo do desenvolvimento das forrageiras.

Se o recomendado for abaixo de 1000 kg/ha pode ser feita em uma única aplicação e se for maior que 3000 kg/ha é apropriado dividir em duas aplicações. Após a distribuição do calcário, é interessante a ajuda de uma grade para melhor incorporação ao solo. Lembrando que esta atividade deve ser realizada antes do período chuvoso, assim como a gessagem.

Gessagem

A aplicação de gesso agrícola no solo tem como objetivo disponibilizar cálcio e enxofre e, também, reparar o ambiente em subsuperfície. O gesso pode ser utilizado como corretivo em solos salinos e sódicos. No entanto, por ser uma fonte mais solúvel do que o calcário, o gesso não promove a neutralização da acidez do solo.

Antes do cultivo é importante que haja a aplicação do gesso sempre em área total. A recomendação do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) indica as quantidades de gesso a serem aplicadas no solo de acordo com a análise do solo para os teores de Ca e Al. Também deve levar em consideração, além do aumento na saturação em bases em camadas de subsuperfície, a capacidade de troca catiônica (CTC).

Por ter alta solubilidade no solo, o gesso abastece o cálcio, que pode ser lixiviado em profundidade, aprimorando a fertilidade e aumentando a exploração das raízes.

Webinar Manejo da fertilidade

4. Execução da reforma da pastagem

Aragem

A aração é um processo que visa revolver a terra, popularmente conhecido como tombamento. Nessa etapa, há uma inversão da camada superficial e a profunda do solo (em aproximadamente 30 cm). A superficial vai para baixo e a camada mais profunda para cima.

Como resultado deste processo, podem surgir muitos torrões, fragmentos grandes de solo agregado. Para que o manejo (plantio e adubação) não seja prejudicado, é importante realizar a gradagem.

Gradagem

A gradagem deve ser realizada quantas vezes forem necessárias para descompactar o solo devidamente. Usualmente, de 2 a 3 gradagens são satisfatórias. É essencial terminar o preparo do solo com uma grade niveladora, a fim de um acabamento no preparo.

Escolha da semente e semeadura

É de grande importância termos cautela na compra da semente, pois é exatamente neste item que muitos pecuaristas acabam errando, considerando o melhor preço como fator principal na decisão da aquisição e não a semente mais pura.

O maior percentual de pureza indica melhor qualidade e maior as chances de sucesso com o plantio, pois não haverá sementes de outras espécies sendo “plantadas” podendo comprometer a cobertura da gramínea e a presença de plantas invasoras

Embora pareça lógico que o produto tenha o mais próximo possível de 100% de sementes da gramínea que o produtor escolheu, infelizmente a fiscalização no Brasil é deficiente e a contaminação com outras sementes ainda é uma realidade.

Dessa forma, o pecuarista na ânsia de economizar acaba comprando um produto de pior qualidade e tendo mais gastos futuros com controle de invasoras, além das falhas de cobertura no solo. .

Para operacionalizar a semeadura, temos que levar em consideração o clima e garantir que todos os passos anteriores foram bem feitos e no tempo correto, pois todos são muito importantes.

Caso a semeadura seja realizada após o prazo correto, podemos não ter níveis satisfatórios de chuva para o estabelecimento correto da forrageira escolhida, perdendo quase todo o trabalho feito, pois para a semente germinar é necessário a presença de umidade no solo.

5. Manejo da pastagem

Após a formação e com o início da utilização da pastagem entra a parte mais importante que é o manejo, ou seja, manter a qualidade da pastagem. Ele requer que se conheça a altura correta para o cultivar implantado e o período necessário de descanso desta para a sua rebrota.

Lembre-se que o homem é o responsável em determinar o momento de retirar o gado da pastagem, e o treinamento da pessoa que cuida dessa decisão na fazenda é fundamental. O Cepea, em 2017, fez uma comparação dos custos, em reais, para a reforma e manutenção de pastagem por hectare. É possível observar o elevado custo de se reformar uma pastagem comparada com o custo da manutenção.

Custos para reforma e manutenção da pastagem

Assim, devemos levar em consideração que a reforma da pastagem deve ser feita quando não há alternativas de manejo para manter a produção animal em alta. Caso todos os passos apresentados acima sejam seguidos e caso a climatologia seja favorável, a reforma não será necessária.

Deve-se apenas monitorar o manejo, ajustando sempre a lotação animal dentro de cada área para que se tenha um pastejo ótimo e um ganho de peso por animal e por área equilibrado, conseguindo uma amplitude ótima de pastejo não tendo áreas grandes de superpastejo ou subpastejo, como mostra a figura abaixo.

Monitoramento do manejo da pastagem

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Aqui no Rehagro, temos o Curso Online Gestão da Pecuária de Corte. Nele, nossos mais experientes consultores abordam:

  • Nutrição e pastagens;
  • Sanidade;
  • Reprodução;
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O conteúdo vai direto ao ponto: como realizar a gestão dos principais pilares da pecuária lucrativa com o objetivo de ampliar a lucratividade do negócio.

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Tripanossomose bovina: principais sintomas, tratamento e como evitar https://blog.rehagro.com.br/tripanossomose/ https://blog.rehagro.com.br/tripanossomose/#respond Wed, 03 Oct 2018 14:00:36 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5202 A tripanossomose bovina é uma doença causada por um parasita chamado Trypanosoma vivax, que atinge especificamente ruminantes, como bovinos, ovinos e caprinos. A transmissão desse hemoparasita originário da África pode ocorrer tanto por meio de moscas hematófagas –  tabanídeos e mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans) –  quanto após a utilização de uma mesma agulha em vários animais […]

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A tripanossomose bovina é uma doença causada por um parasita chamado Trypanosoma vivax, que atinge especificamente ruminantes, como bovinos, ovinos e caprinos.

A transmissão desse hemoparasita originário da África pode ocorrer tanto por meio de moscas hematófagas –  tabanídeos e mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans) –  quanto após a utilização de uma mesma agulha em vários animais durante a aplicação de medicamentos e vacinas.

 

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A primeira ocorrência do T.vivax nas Américas foi na Guiana Francesa e, mais tarde, em outros países da América do Sul, Central e em algumas ilhas do Caribe. O primeiro relato na Venezuela foi em 1920 e em 1931 na Colômbia. Na época, importavam-se muitos animais da Venezuela para a Colômbia, então, acredita-se que essa doença tenha sido disseminada por meio da importação de gado.

No Brasil a T. vivax é considerada nova, mas não é tão recente assim, e já existe há muitos anos no norte do país. Lá, o estágio é de endemia e os transmissores são as moscas tabanídeos, que se adaptam a períodos chuvosos e são de difícil controle.

Tripanossomose bovina na América do Sul

Tripanossomose bovina no Brasil

Tripanossomose bovina no sudeste do Brasil

No sudeste o problema é a Stomoxys calcitrans, que se prolifera em ambientes úmidos e que tenham matéria orgânica. Na região norte, o parasita se instalou e os animais já adquiriram resistência à doença – é uma situação crônica.

Agora, em São Paulo e no Rio de Janeiro, a tripanossomose chegou de surpresa por algum motivo, como pelo transporte de animais, e causou um estrago. Não existe programa de vacinação, mas é como se o gado do norte/nordeste fosse imunizado e o do sudeste não.

Em 2007 tivemos o primeiro caso de Trypanosoma vivax em Minas Gerais e o contágio na região nada tem a ver com as moscas hematófagas. O que mais temos visto é a doença ocorrer em animais na ordenha, principalmente devido ao uso da ocitocina.

Ao aplicar o hormônio na veia mamária da vaca, suga-se o sangue contaminado e transfere-se o parasita aos outros animais devido ao uso repetido da agulha infectada.

Em todas as fazendas que chegamos, que apresentam mortes e baixa produtividade por causa da doença, o problema está na ordenha. Geralmente, no estado, a T.vivax acomete animais livres da parasitose e que ainda não têm defesas para combatê-la.

Já em São Paulo, existe outra situação: os animais são atacados pelas moscas; então vemos bezerros, garrotes, vacas e bois reprodutores, todos infectados.

As usinas de cana de açúcar dão origem ao vinhoto, que é utilizado nas lavouras no processo de fertirrigação. Essa matéria orgânica é rica em nutrientes e favorece a reprodução das moscas. Por isso, como existem várias usinas no estado, a população de Stomoxys na região é altíssima.

Tripanossomose bovina em MG

Sinais clínicos da tripanossomose

Quando ocorre surto de Trypanosoma vivax numa fazenda, a produtividade é reduzida em torno de 50% a 60%. O parasita se instala no sangue, causando anemia e mucosas pálidas.

Em determinado momento do ciclo, ele se aloja nos linfonodos, provocando inchaço no local e hipertermia. Outros sintomas também são o emagrecimento e a cegueira, porque o parasita pode se hospedar na câmara anterior do olho.

Observamos o seguinte: após cerca de dois meses da entrada de um animal infectado na fazenda, o surto é iniciado. Neste momento, a produção de leite é reduzida em 40 – 60% e 5% dos que ficam doentes, morrem – o que representa cerca de 4 a 6 animais por fazenda; o tempo de vida após a infecção é de 15 a 21 dias.

Quando a parasitose é transmitida no momento da aplicação da ocitocina, a quantidade de sangue infectado que é repassado aos outros animais e a imunidade de cada um, impacta no desenvolvimento da doença. Se o animal é forte, bem alimentado, ele é mais resistente e demora a adoecer.

Vários trabalhos mostram que a tripanossomose quando ataca os machos causa uma inflamação nos testículos e epidídimos chamada orquite epididimite, ocasionando diminuição da fertilidade e deixando a qualidade do sêmen comprometida.

A T.vivax é uma doença muito inespecífica, não existe um sinal clínico que facilite a sua identificação. Um dos sintomas, como o aborto, por exemplo, é provocado por várias doenças como brucelose, leptospirose, neosporose, tristeza parasitária bovina, entre outras.

A tripanossomose é uma doença de rebanho aberto, de propriedades que compram e vendem gado. Em rebanhos fechados, geralmente, não há problema algum, porque não existe o risco de contágio por um animal externo infectado no momento da aplicação da ocitocina, por exemplo.

Animal com TripanossomoseAnimal com sinais clínicos de tripanossomose

A doença acomete humanos e outros animais?

Outros animais, como cães, cavalos e até mesmo nós, humanos, podemos contrair outros tipos de tripanossomose, que nada têm a ver com a que atinge os bovinos. Os equinos podem ser infectados pelo Trypanosoma evansi, já os cães e humanos, pelo Trypanosoma cruzi, a famosa doença de chagas.

Manual de controle da mastite

Tratamento da tripanossomose bovina

A doença tem tratamento, mas é preciso cuidado com o medicamento, dose e via a ser utilizada. Dependendo da forma como a parasitose é combatida, os animais podem adquirir resistência. Neste caso, após um ou dois meses da primeira infecção, o contágio volta a ocorrer, atingindo todo o rebanho.

Dessa forma, por erro de tratamento, a doença retorna e causa os mesmos transtornos, baixa de produtividade e mortes, como se nunca tivesse ocorrido na fazenda em questão.

O melhor tratamento é feito a base de “cloreto de isometamidium”. O medicamento deve ser aplicado na medida correta – 1mg/kg. Muitas pessoas, para fazer economia, utilizam meio miligrama por quilo, ou seja: a metade da dose.

Muitos dizem que o tratamento não funciona, mas não é bem assim. A eficácia perdura por um período aproximado de 3 meses – tempo necessário para o produtor controlar a infecção. Se o problema não é resolvido em sua essência, com a regulagem da ocitocina ou o controle das moscas, os surtos continuarão ocorrendo.

Quais erros podem ser evitados?

  • Compra de gado sem procedência.
  • Má aplicação de ocitocina.
  • Falta de controle de vetores.
  • Diagnóstico intuitivo. O diagnóstico do Trypanosoma vivax deve ser feito por um veterinário, pois a doença possui diversos sinais clínicos e é de difícil identificação.

O caminho para se prevenir tripanossomose nas fazendas é o cuidado com a compra de gado e esse é um desafio.

Mas, é possível driblar a doença e impedir que o rebanho seja contaminado no momento da ordenha, durante a aplicação da ocitocina. Utilizamos a estratégia de ter uma seringa para cada animal.

Dividimos as agulhas em dois potes – em um deles colocamos as agulhas limpas e no outro as que já foram utilizadas. Dessa forma, é impossível a contaminação. Logo depois de aplicar a ocitocina em todas as vacas, lavamos as seringas com água e sabão e pronto, podemos utilizá-las novamente.

Outra possível alternativa é a eliminação do uso de ocitocina. Vacas holandesas, Jersey, animais mais puros, produzem leite sem a necessidade de um bezerro ou da ocitocina como estímulo.

Já os animais mestiços, que precisam da estimulação externa, é possível treiná-los desde o nascimento. É um trabalho demorado, mas o melhor exemplo que podemos dar, é a Fazenda Santa Luzia, uma das maiores produtoras do país com animais Girolando, atendida pelo Rehagro Consultoria em Passos (MG). Hoje a propriedade não utiliza ocitocina.

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Indicadores de alto impacto na pecuária de corte https://blog.rehagro.com.br/webinar-corte-indicadores-de-alto-impacto-na-pecuaria-de-corte-ed-06/ https://blog.rehagro.com.br/webinar-corte-indicadores-de-alto-impacto-na-pecuaria-de-corte-ed-06/#respond Thu, 27 Sep 2018 18:18:36 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5158 Veja nesta edição do Webinar Corte, sobre “Indicadores de alto impacto na Pecuária de Corte“, com o Médico Veterinário, Vitoriano Dornas: Intensificar sem ter desempenho e planejamento pode trazer grandes prejuízos; Como os índices podem te mostrar como o negócio funciona; Entenda o “ciclo da pobreza”; Como algumas características de liderança podem motivar equipes e […]

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Veja nesta edição do Webinar Corte, sobre “Indicadores de alto impacto na Pecuária de Corte“, com o Médico Veterinário, Vitoriano Dornas:

  • Intensificar sem ter desempenho e planejamento pode trazer grandes prejuízos;
  • Como os índices podem te mostrar como o negócio funciona;
  • Entenda o “ciclo da pobreza”;
  • Como algumas características de liderança podem motivar equipes e muito mais.

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Doenças de casco bovino: fatores de risco e prejuízos para o produtor https://blog.rehagro.com.br/problemas-de-casco/ https://blog.rehagro.com.br/problemas-de-casco/#respond Mon, 27 Aug 2018 18:14:54 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4985 A doença de casco em conjunto com a mastite e os problemas reprodutivos são alguns dos maiores desafios na bovinocultura de leite e corte em todo o mundo, acarretando grandes perdas econômicas. Animais estão sendo descartados mais cedo por problemas de casco e antes dessa decisão, as perdas e custos já se fizeram presentes de […]

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A doença de casco em conjunto com a mastite e os problemas reprodutivos são alguns dos maiores desafios na bovinocultura de leite e corte em todo o mundo, acarretando grandes perdas econômicas.

Animais estão sendo descartados mais cedo por problemas de casco e antes dessa decisão, as perdas e custos já se fizeram presentes de maneira impactante.

 

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Fatores de risco para afecções de casco

Os fatores de risco para doenças de casco são as características do animal ou do ambiente (condições ou situações) favoráveis ao surgimento ou agravamento das lesões nos cascos.

O conhecimento e a identificação rápida desses sinais são importantes no estabelecimento de medidas para evitá-los, corrigi-los ou minimizá-los.

  • Nível de produção: animais mais produtivos exigem dietas mais “pesadas”, com maiores riscos de alterações metabólicas. São mais desafiados e, por isso, susceptíveis a problemas de casco.
  • Fase da lactação: os problemas podais são mais frequentes no início da lactação até 70 dias após o parto, aproximadamente.
  • Instalações: boas instalações desempenham um importante papel no conforto e bem estar dos animais. Diversos fatores devem ser avaliados, como o tipo de piso, as camas, a ventilação, cochos e bebedouros, as trilhas, as áreas de descanso, etc. Em geral avalia-se o conforto do animal.
  • Higiene e umidade: excesso de matéria orgânica, umidade e piso abrasivo proporcionam uma alta taxa de desgaste do casco, aumentando os riscos de infecções.
  • Densidade animal: quando elevadas, ocasionam competições, redução do conforto e maiores dificuldades no manejo, higiene e umidade.
  • Alimentação: a qualidade, quantidade e o balanceamento da dieta são essenciais para uma boa formação e nutrição dos cascos. Sobras excessivas (mais que 5%), fibras (mínimo 40-45%), tamanho da fibra (20% com 5 cm) e uniformidade da mistura são pontos importantes a serem avaliadas na dieta.

A ocorrência das afecções podais é maior nos membros posteriores do que nos anteriores. Isto é devido à biomecânica da locomoção.

Nos membros anteriores há maior massa muscular, enquanto nos posteriores a estrutura óssea funciona como um sistema de alavanca. Este fato proporciona uma força do casco sobre o solo e uma reação do solo sobre o casco com diferenças de amortecimento entre os membros anteriores e os posteriores. Além do fato dos posteriores pisarem com maior frequência em fezes e urina.

E-book Afecções de casco

Em relação aos dígitos, a ocorrência é maior nos dígitos laterais dos membros posteriores, e nos membros anteriores são os dígitos mediais.

Por este motivo, devemos sempre conduzir as vacas de leite no seu passo, ritmo. Quanto mais acelerarmos os animais para a ordenha ou na saída, maior o risco de injúrias. O bovino deve ser conduzido de maneira calma.

O homem é também considerado um importante fator de risco, uma vez que está diretamente associado à saúde dos cascos dos bovinos. O manejo inadequado dos animais, desconsiderando o conforto do animal, possui um grande impacto no surgimento de claudicações.

Classificação por grau de intensidade das lesões de casco

As lesões podem ser classificadas quanto a sua intensidade. Ou seja:

  • Lesões leves (grau 1);
  • Lesões moderadas (grau 2);
  • Lesões graves (grau 3).

Normalmente, a prevalência de lesões grau 1 e 2 é superior às lesões de grau 3. Este fato pode ser observado quando realizamos o escore de claudicação e identificação das lesões.

No dia a dia da fazenda, a percepção é de baixa prevalência de animais claudicando, pois, a atenção é maior para as lesões de grau 3. Sendo assim, a atuação nos problemas podais torna-se basicamente curativa e imediatista.

O foco para um bom controle deve ser animais de escore 2 e 3. Desta forma, evitando a evolução das lesões, menor será o impacto no sistema de produção. O objetivo é ter o menor número de animais nos escores 4 e 5. É importante conhecer qual o problema de casco mais prevalente na propriedade, pois as lesões de casco podem ser divididas de acordo com a origem.

Prejuízos decorrentes dos problemas de casco

As perdas econômicas decorrentes das doenças de casco são um somatório de gastos com tratamento (medicamentos + mão de obra), perdas reprodutivas e mastite. Para termos uma noção completa deve-se considerar, ainda, as perdas por vaca e por ano no rebanho.

Embora muitos pensem que o gasto maior dos problemas locomotores está no tratamento, este custo é o menor quando comparado com a perda produtiva, reprodutiva e com os descartes involuntários.

As perdas são ainda maiores quando os problemas não são identificados no início, pois quando já estão em grau avançado, além das perdas na produção existe o gasto com medicamentos a fim de conter as infecções.

Prejuízos das doenças de casco

  • Queda de produção: o estresse causado pela dor leva à queda de produção.
  • A diminuição do consumo de alimentos, que de maneira geral ocorre em casos de doenças, é exacerbada nos problemas de cascos, já que o animal evita se locomover. Tudo isso, acarreta em perda de condição corporal, que prejudica ainda mais a produção.
  • Reprodução: animais com afecções de casco não realizam a monta, o que prejudica a identificação do cio. A concepção em animais mancos é menor.
  • Mastite: os animais passam mais tempo deitados, muitas vezes em locais inadequados.
  • Tratamento: alto custo com medicamentos, descarte de leite com resíduos de medicamentos, necessidade de mão de obra especializada e aumento da mão de obra na rotina.
  • Descartes involuntários: menor longevidade de animais, descartados precocemente.
  • Mortes: decorrentes de complicações das afecções.

Os problemas de casco são constantes nas propriedades leiteiras e acarretam grandes prejuízos.

Conhecer os fatores de riscos para ocorrência das lesões, assim como conseguir definir quais as lesões mais prevalentes em cada rebanho e como monitorá-las são fundamentais para um bom controle das afecções de casco. 

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Práticas de manejo para adoção do sistema rotacionado de pastejo https://blog.rehagro.com.br/sistema-rotacionado-de-pastejo/ https://blog.rehagro.com.br/sistema-rotacionado-de-pastejo/#respond Wed, 22 Aug 2018 20:06:08 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4949 O pasto é a principal fonte de nutrientes para o gado de corte, entretanto quando o seu manejo é ineficiente os animais podem apresentar baixa produtividade de @/hectare/ano. Por isso, adotar boas práticas de manejo nas pastagens é um caminho para quem deseja elevar a produtividade na fazenda. Nesse e-book você verá as principais técnicas de […]

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O pasto é a principal fonte de nutrientes para o gado de corte, entretanto quando o seu manejo é ineficiente os animais podem apresentar baixa produtividade de @/hectare/ano. Por isso, adotar boas práticas de manejo nas pastagens é um caminho para quem deseja elevar a produtividade na fazenda.

Nesse e-book você verá as principais técnicas de manejo e como colocá-las em prática, conforme a sua realidade. Antes de optar por adotar qualquer prática de manejo, no que diz respeito à condução de pastagens, deve-se estar atento às necessidades fisiológicas das gramíneas tropicais.

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Perímetro escrotal de bovinos: importância da seleção https://blog.rehagro.com.br/perimetro-escrotal-na-pecuaria-de-corte/ https://blog.rehagro.com.br/perimetro-escrotal-na-pecuaria-de-corte/#comments Thu, 19 Jul 2018 17:43:26 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4744 Veja como controlar e melhorar a eficiência reprodutiva na pecuária de corte através do critério de seleção para perímetro escrotal. Atualmente o rebanho brasileiro possui aproximadamente 74,5 milhões de matrizes de corte em reprodução (ANUALPEC 2012). Se considerarmos que somente 6% destas matrizes são inseminadas (ASBIA 2012), temos aproximadamente 70 milhões de matrizes que necessitam […]

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Veja como controlar e melhorar a eficiência reprodutiva na pecuária de corte através do critério de seleção para perímetro escrotal.

Atualmente o rebanho brasileiro possui aproximadamente 74,5 milhões de matrizes de corte em reprodução (ANUALPEC 2012).

Se considerarmos que somente 6% destas matrizes são inseminadas (ASBIA 2012), temos aproximadamente 70 milhões de matrizes que necessitam serem entouradas anualmente. Com uma relação média touro/matriz de 1/40, a necessidade é de 1,75 milhões de reprodutores ativos.

Para termos eficiência reprodutiva na pecuária de corte, aumentar a taxa de desfrute e consequentemente a rentabilidade da cadeia produtiva, é essencial que os reprodutores e as matrizes sejam criteriosamente selecionados para as características reprodutivas que influenciam diretamente nos resultados.

 

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Rebanhos detentores de elevada precocidade sexual e fertilidade possuem maior disponibilidade de animais, tanto para venda como para reposição, permitindo maior intensidade seletiva e, consequentemente, progressos genéticos mais elevados e maior lucratividade (BERGMANN,1998).

Embora os programas de melhoramento genético mais tradicionais tenham dado maior ênfase às características de desempenho ponderal, hoje já se sabe que a utilização de características reprodutivas como critério de seleção é indispensável para a melhoria do sistema produtivo (TOELLE& ROBISON, 1985).

Sabemos da importância da fertilidade em um rebanho, portanto, selecionar animais com idade mais precoce ao primeiro parto é estar pensando também em viabilidade econômica.

Para otimizar os índices reprodutivos e consequentemente a produtividade dos rebanhos de cria, é de fundamental importância definir os critérios de seleção para os rebanhos a serem explorados, conforme suas necessidades de evolução genética.

Seleção para Perímetro Escrotal

Medição do perímetro escrotalBovino com 19 meses e 40 cm de circunferência escrotal / Crédito: Rehagro – Corte.

A seleção para Perímetro Escrotal (PE) é de média à alta herdabilidade, ou seja, sofre pouca influência do meio ambiente, e em pouco tempo pode ser incorporada ao rebanho.

Já a seleção para Idade ao Primeiro Parto (IPP) é de baixa à média herdabilidade, sofre influência do meio, e demora mais para ser fixada ao rebanho.

Com isso sabemos que selecionar animais para maior Perímetro Escrotal (PE), nos ajuda muito no processo do ganho genético do rebanho para características reprodutivas, devido à rapidez na fixação desta, e nos demonstra que a seleção para Idade ao Primeiro Parto (IPP) e demais características reprodutivas devem ser trabalhadas juntas, pois como o ganho é aditivo, mesmo que de baixa herdabilidade vão ser fixadas no rebanho no decorrer da seleção.

Segundo BERGMANN (1998), face às dificuldades operacionais para implementação de programas de seleção para idade à puberdade, torna-se importante a utilização de características indicadoras de precocidade sexual, que tenham variabilidade genética adequada, que sejam de mensuração fácil, e que tenham correlação genética favorável com a idade à puberdade e outras características economicamente importantes.

Quando não são conhecidas, a idade à puberdade e a data da primeira fecundação da fêmea bovina, as informações reprodutivas disponíveis são a ocorrência ou não do parto e a data do parto.

Destas informações, a característica que emerge como indicativa do início da atividade reprodutiva das fêmeas jovens é a idade ao primeiro parto (BERGMANN, 1998), que é uma característica de fácil mensuração (PEREIRA et al., 2000; FRIES, 2003). A utilização de fêmeas sexualmente mais precoces terá reflexo direto na eficiência, rentabilidade e competitividade da pecuária bovina nacional (FRIES, 2003).

Nos machos, o perímetro escrotal é a mais recomendada dentre as características indicadoras de precocidade sexual, (BERGMANN, 1998).

Características relacionadas à medição do Perímetro Escrotal

Existem duas características importantes correlacionadas diretamente com Perímetro Escrotal (PE), ligadas à produtividade e rentabilidade, que são: maior peso ao desmame (210 dias) e maior peso ao ano (365 dias), em rebanhos que priorizam esta seleção.

Existem também correlações entre perímetro escrotal e ganho médio diário do nascimento à desmama, indicando que ao selecionar para maior perímetro escrotal, irá reduzir a idade ao primeiro parto de suas filhas. Quando touros com maior perímetro escrotal são selecionados para a reprodução, indiretamente aumenta-se o ganho médio diário do nascimento à desmama (210 dias).

Outra característica interessante na seleção de reprodutores selecionados para maior Perímetro Escrotal (PE), é que touros jovens apresentam alta motilidade (60-80%), indicando melhor qualidade seminal e esta característica pode ser utilizada como um dos critérios na seleção de animais de alto potencial reprodutivo.

Selecionar machos para Perímetro Escrotal (PE) ao ano (365 dias) e ao sobreano (450 dias) é de extrema importância para identificar os animais melhoradores desde a idade jovem, com medidas de PE estabelecidas como critério de seleção, serão mantidos somente os animais superiores e consequentemente aqueles que mais vão contribuir para a evolução genética do rebanho.

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Distrofia nutricional: doença do músculo branco https://blog.rehagro.com.br/distrofia-nutricional/ https://blog.rehagro.com.br/distrofia-nutricional/#respond Fri, 06 Jul 2018 14:01:09 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4621 A distrofia muscular nutricional, ou doença do músculo branco, é uma patologia miodegenerativa hiperaguda/subaguda, causada por uma deficiência de selênio e vitamina E, gerada em animais que se encontram em situações de stress, frio ou mal alimentados. . Dá-se também por um acúmulo de substâncias formadoras peróxido na dieta. Como exemplos de situações causadoras, podemos […]

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A distrofia muscular nutricional, ou doença do músculo branco, é uma patologia miodegenerativa hiperaguda/subaguda, causada por uma deficiência de selênio e vitamina E, gerada em animais que se encontram em situações de stress, frio ou mal alimentados. .

Dá-se também por um acúmulo de substâncias formadoras peróxido na dieta. Como exemplos de situações causadoras, podemos citar suplementação contínua com óleo de fígado de bacalhau e uma brusca saída de animais para o pasto, induzindo uma deficiência de vitamina E.

Esta patologia é mais comum em bezerros, cordeiros, potros e leitões jovens, podendo elevar sua ocorrência após um crescimento rápido dos animais, um alto grau de ácidos graxos insaturados na dieta e exercícios incomuns em excesso.

Em bezerros e cordeiros normais, a atividade de uma enzima chamada de transaminase glutamínica oxaloacética (SGOT), importante para várias atividades do organismo, raramente excede a 200U/ml e em animais doentes, sua atividade é de 5 a 10 vezes maior. Assim, de uma forma mais completa, a doença do músculo branco é caracterizada por níveis subnormais de selênio, da concentração de GSH-PX no sangue e tecidos e por altos níveis da SGOT e desidrogenase lática.

Poucas vezes, ocorre uma distrofia muscular nutricional de forma espontânea em animais adultos, podendo, raramente, acontecer de uma forma congênita. 

 

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Sinais clínicos da distrofia nutricional

Nesta doença, os animais apresentam corrimento nasal espumoso, resultante de edema pulmonar e dispnéia, podendo detectar fraqueza profunda, decúbio e batimento cardíaco irregular, que, pela auscultação, são audíveis murmúrios cardíacos.

Estes sintomas associados com uma descompensação hiperaguda e esquelética ou ligada a uma miastenia, ambas as formas, os acometidos, são aqueles que crescem de forma rápida.

Segundo MENDES (2001), os doentes podem morrer de forma aguda, sem aparecer sintomas ou após uma depressão e dispnéia. Taquicardia e taquipnéia são observadas nos animais idosos, podendo acometer o músculo do diafragma.

Na distrofia aguda, o tratamento geralmente é ineficaz, pois a mortalidade  varia de 85 % a 100%. A forma mais comum encontrada é subaguda, onde bezerros e cordeiros são os mais afetados, ficando em decúbito. Nesta, seus sinais clínicos são rigidez dos músculos, dificuldade de locomoção, tremores, posturas anormais, depressão e morte.

Raramente, pode observar tumefação bilateral e simétrica dos músculos glúteos, dorsolombares e paletas. Já quando o animal sofre dispnéia, está se deve ao envolvimento dos músculos da faringe e esôfago, podendo gerar pneumonias secundárias. Na forma subaguda o tratamento surte efeito, podendo ver recuperação em até cinco dias nos doentes.

Pesquisas realizadas por AIELLO et al (2001) notaram um tipo retardado da miodistrofia nutricional com envolvimento cardíaco, ocorrendo em animais que passaram por exercícios exacerbados. Nesta forma, apresentam um andar com costas arqueadas, se tratando de uma lesão muito grave. Os bezerros têm dificuldade para mamar, podendo morrer por inanição. Nos casos crônicos, pode ocorrer um relaxamento da cintura escapular e deslocamento dos dedos.

Na deficiência subclínica, animal diminui performance, ganho de peso, eficiência reprodutiva e ocorre aumento de nascimentos de bezerros prematuros e fracos.

MENDES et al. (2001) observou que estes sinais clínicos ocorrem devido ao aumento da atividade plasmática da creatina fosfoquinase (CPK). Esta enzima é liberada na corrente sanguínea após exercícios em grande proporção e degenerações musculares, por se tratar de uma proteína específica para alterações dos músculos esqueléticos e cardíacos.

Seus níveis normais são de 26 mais ou menos cinco UI/ litro para bovinos, onde na doença, sobe para acima de 1000 UI/ litro. A transaminase glutâmico-oxalacética sérica também se eleva de concentração, apesar de não ser tão específica para lesões musculares como a CPK. O grau de elevação destas enzimas está diretamente proporcional à intensidade da lesão muscular.

Alterações macroscópicas

Animais doentes apresentam estrias brancas na musculatura esquelética, que geram dificuldades de locomover, respiratórias, cardíacas, até a morte súbita. (MARTIM 1993). Os músculos afetados variam com a idade do animal. Língua e musculatura do pescoço são acometidas em lactentes.

Já nos músculos do dorso, coxa, pescoço e respiratórios em ruminantes mais velhos, observa-se musculatura um pouco pálida. Uma vez estabelecida a calcificação, as lesões tornam- se opacas, brancas e muito óbvias.

Nos músculos esqueléticos verifica-se necrose simétrica, podendo afetar vários grupos musculares, exibindo estriações longitudinais distintas, devido deposição anormal de cálcio difuso. As lesões cardíacas ocorrem em placas subendocárdicas, mais no ventrículo esquerdo de bezerros e direito de cordeiros.

Segundo SMITH (1994), o músculo torna-se seco com edema intramuscular, onde os feixes afetados ficam numa posição adjacente ao músculo normal. Além disso, pode ocorrer da musculatura se tornar pálida, por reduzir concentrações de mioglobina, e a urina vermelho escuro, devido mioglobinúria.

distrofia-nutricional-doenca-do-musculo-branco

Músculos da perna de cordeiro. A – as numerosas listras cinzas e brancas são áreas de necrose segmentar e calcificação. B – Miopatia nutricional, bezerro. Os túbulos sarcolemais estão intactos e preenchidos por mioblastos e macrófagos – regeneração inicial. (imagens: W.J.Hadlow)

Alterações microscópicas

Por CARTON e colaboradores, 1998, microscopicamente verificam-se necrose segmentar, calcificação e regeneração. THONSON (1990) observou que o sucesso da regeneração depende da integridade dos tubos sarcolêmicos, sendo que se intactos, após animais tratados com selênio, tem a capacidade de regenerar rapidamente.

Porém, se sofrerem necrose segmentar, as miofibrilas se rompem sob o estresse da contração, fraturando os túbulos sarcolêmicos, resultando numa regeneração por brotamento e fibrose.

Nota-se ainda, após alterações sequenciais na musculatura, um inchaço mitocondrial e lise miofibrilar gerando degeneração hialina ou granular. Quando envolve o coração, as fibras de purkinje ficam danificadas e animal pode sofrer derrames pleurais, pericárdicos e peritoneais.

Ao microscópico eletrônico, demonstra um engarçamento dos miofilamentos com comprometimento inicial da síntese de miosina, seguindo por uma alteração na actina. 

E-book Sanidade do gado de corte

Diagnóstico da distrofia nutricional

O diagnóstico pode ser dado pelos achados clínicos, porém a confirmação exata é através de análises de tecidos, medindo seus níveis de selênio e tocoferol. Devida à atividade da enzima glutation- peroxidase eritrocitária ter altas correlações com níveis sanguíneos de selênio, a atividade da enzima pode ser usada na avaliação do status do animal para selênio.

Assim, pelas análises dos índices de selênio identifica-se que a micronecrose segmentar é causada mesmo pela deficiência deste mineral ou outra substância. (THONSON, 1990). MENDES et al (2001), verificou que, para o diagnóstico, devem ser consideradas ainda as miopatias tóxicas, como aquelas causadas por plantas (ex: fedegoso) ou por antibióticos ionóforos como a monensina, onde nesta deve ser pesquisado o agente na alimentação do animal.

Uma forma de diferenciar o diagnóstico é que a miopatia tóxica acomete animais de todas as idades, com maior intensidade nos adultos e já a miopatia nutricional é mais comum em animais jovens.

Segundo AIELLO et al (2001), é preciso tomar cuidado também para não confundir a miopatia nutricional com artrite não supurativa infecciosa. Além disso, as mortes súbitas devem ser diferenciadas daquelas que acontecem quando animal sofre uma insuficiência cardíaca, onde, neste caso, o diagnóstico definitivo pode ser obtido por necropsia e anamnese.

Tratamento da distrofia nutricional

Através de experimentos realizados por AIELLO et al (2001), chegou-se à conclusão que animais com distrofia muscular nutricional deveriam receber selenito de sódio e vitamina E em emulsão estéril via subcutânea ou intramuscular na dose de 0,055 a 0,067mg/kg, sendo uma média de 2,5 a 3mg de selênio para cada 45 kg e 50mg/ml (68UI) de vitamina E.

Esta última, deve ser na forma de acetato de alfa tocoferol para cada 18kg de peso corporal. Não se devem administrar altas concentrações devido ao risco de intoxicar o animal e é necessário repetir o tratamento por duas semanas. Necessitando de doses maiores que as indicadas, é preciso tomar muito cuidado ao administrá-las.

Quando ocorrer uma grande queda de vitamina E, pode-se suplementar o doente com alfa tocoferol, sendo que não existem dosagens mínimas para esta substância. Para bezerros, utilizar de 25 a 60mg/kg no alimento seco. Se for observado uma grande quantidade de antagonistas de vitamina E na dieta (ex: gorduras polinsaturadas desprotegidas), deve primeiramente removê-los e, não funcionando, pode-se estabilizá-los com antioxidantes.

Não é correto fazer o tratamento da distrofia muscular nutricional com apenas o uso de selênio, pois necessita da administração de antioxidantes para o tratamento ser completo. (Kolb 1980).

As respostas depois de efetivado tratamento, não são rápidas, por necessitar da eritropoiese para produção de GSH-PX, que demora cerca de 30 dias após o animal suplementado com selênio. Porém, apesar de GSH- PX não aumentar fácil nos eritrócitos, no músculo, coração e fígado, ela sobe mais rápido.

Depois de suplementado com os minerais e vitaminas, o animal deve ficar em repouso para reduzir a oxidação dos músculos. Além disso, faz-se uma terapia auxiliar com antibióticos para auxiliar no combate de possíveis pneumonias secundárias.

O fornecimento de uma dieta com níveis adequados de energia, mantendo o balanço hidroeletrolítico é de extrema importância para recuperar o animal. (SMITH 1994).

Prevenção e controle da distrofia nutricional

A prevenção e controle são feitas por uma suplementação correta de selênio e vitamina E, fazendo diversas tentativas para assegurar o correto fornecimento destes minerais na dieta dos animais.

Segundo SMITH (1994), o regulamento de selênio incorporado na ração de ruminantes é de 0,3 partes por milhão (PPM). Nos sais minerais pode ser usado cerca de 20ppm. Porém, em alguns tipos de solo, já verificou 200ppm para manutenção de níveis adequados aos animais, sendo seu uso limitado em no máximo 3mg/cabeça/dia em qualquer que seja o método de suplementação para bovinos.

Em pastagens, como é difícil avaliar a ingestão correta da mistura mineral, estão em fase experimental os bolus ruminorreticulares de depósito, que liberam a quantidade precisa de selênio, diariamente. Os minerais injetáveis também são uma forma de adequar o animal com a concentração correta de selênio e vitamina E.

Portanto, independente do método de suplementação, há necessidade da coleta periódica de sangue ou tecido de animais em risco, sendo que estas deverão ser realizadas a cada 60 a 90 dias, para que seja determinado o grau correto no organismo destes minerais. Com estas avaliações, poderão ser feitos reajustes quanto à dose ou extensão da suplementação. (SMITH 1994)

Conclusão

Podemos concluir que o nível nutricional é um fator determinante para manter íntegra a saúde do animal. Assim, um manejo inadequado de pastagens e concentrados que gere um consumo excessivo ou deficiente de energia, proteína, vitaminas, macro e microminerais relacionam no desempenho e ganhos produtivos nos meios de produção.

Na maioria das situações, os nutricionistas devem avaliar vários parâmetros para suplementar os animais, levando em consideração análises bromatológicas e sanguíneas, metabolismo singular de alguns animais e interações entre nutrientes, pois qualquer descuido pode gerar perdas incalculáveis no desempenho e sanidade do rebanho.

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Tratamento de lesões de casco em bovinos https://blog.rehagro.com.br/tratamento-de-cascos-em-bovinos/ https://blog.rehagro.com.br/tratamento-de-cascos-em-bovinos/#comments Fri, 06 Jul 2018 13:42:18 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4607 Lesões de casco em bovinos estão diretamente relacionadas ao desempenho do animal, podendo levar à perda de peso, queda na produção de leite e perdas econômicas. Animais que caminham sobre superfícies irregulares e duras, que apresentam pedregulhos ou trilhas acidentadas, como nos casos de pisos duros, escorregadios, sujos, úmidos; ou, que a limpeza e controle […]

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Lesões de casco em bovinos estão diretamente relacionadas ao desempenho do animal, podendo levar à perda de peso, queda na produção de leite e perdas econômicas.

Animais que caminham sobre superfícies irregulares e duras, que apresentam pedregulhos ou trilhas acidentadas, como nos casos de pisos duros, escorregadios, sujos, úmidos; ou, que a limpeza e controle da umidade nas suas instalações não são feitos de forma correta, estão mais propícios a desenvolverem lesões nos cascos.

Além disso, distúrbios nutricionais, como a acidose subclínica, provocada pelo alto consumo de alimento concentrados, também são responsáveis pela incidência do problema.

Outras causas são: hereditariedade (características de pés e pernas), falta de casqueamento preventivo e/ou casqueamento incorreto, e até a fase da lactação, sendo mais frequentes nos primeiros 70 dias pós-parto.

 

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Lesões de casco bovinos mais frequentes

Lesão circunscrita no cascoLesão circunscrita que expõe o tecido corium / Fonte: Arquivo Rehagro

Doença da Linha BrancaDoença da Linha Branca – Consequência comum da laminite / Fonte: Arquivo Rehagro

Erosão de talãoErosão de talão – baixa qualidade dos tecidos córneos secundária à laminite e a infecções bacterianas secundárias / Fonte: Guia Bayer de podologia bovina

Dermatite interdigitalDermatite interdigital – Frieiras e ferimentos, sarnas

Outras lesões de casco são:

  • Sola Fina – Abaixo de sete mm;
  • Podridão do Casco (foot root) – Causada pela alta umidade e falta de higiene (más instalações).

E-book Afecções de casco

Auxílio no tratamento das lesões de casco

Uma alternativa usada como auxiliar para o tratamento destas afecções, além da prevenção feita com o casqueamento regular, é o uso de um tamanco na unha oposta àquela afetada.

O objetivo de se usar o tamanco é fazer um desnivelamento entre as unhas, evitando que a unha lesionada apoie no chão.

Uma peça de madeira é fixada na unha oposta à desgastada, usando resina acrílica na forma de uma massa pastosa. Toda a unha do casco precisa ser coberta pela massa de resina, para que o tamanco não se solte quando o animal andar.

Preparo da massa acrílicaPreparo da massa acrílica e deposição no tamanco. No detalhe: Pote de resina acrílica

Fixação do tamanco na unhaFixação do tamanco na unha oposta à afetada, a unha e o tamanco devem ser totalmente envoltos pela resina para melhor fixação

Desnivelamento entre as unhasDesnivelamento entre as unhas

É importante ressaltar que antes da fixação do tamanco deve ser feito o casqueamento rotineiro, com limpeza das unhas, nivelamento da sola sadia e tratamento da lesão. Acompanhe abaixo o procedimento completo:

Procedimento de colocação de tamanco em gado leiteiro

Com o passar dos dias o tamanco vai se desgastando no atrito com o solo até as unhas ficarem rentes novamente. Esse tempo, propicia a recuperação da unha afetada.

Assim, são necessárias revisões periódicas e um adequado tratamento das lesões para recuperação do animal, sendo o uso do tamanco apenas um auxiliar.

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Intoxicação por samambaia em bovinos: saiba quais são as formas https://blog.rehagro.com.br/intoxicacao-por-samambaia/ https://blog.rehagro.com.br/intoxicacao-por-samambaia/#respond Thu, 28 Jun 2018 13:30:23 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4544 A samambaia é uma planta cosmopolita e ocorre em solos ácidos e arenosos. Toda a planta é tóxica, mas o broto é a parte que apresenta maior toxicidade. Portanto a utilização de queimadas aumenta o potencial de intoxicação da planta, uma vez que após a queimada, a samambaia brota. A intoxicação ocorre em animais com […]

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A samambaia é uma planta cosmopolita e ocorre em solos ácidos e arenosos. Toda a planta é tóxica, mas o broto é a parte que apresenta maior toxicidade. Portanto a utilização de queimadas aumenta o potencial de intoxicação da planta, uma vez que após a queimada, a samambaia brota.

A intoxicação ocorre em animais com fome, em condições de falta de pasto, seca ou superlotação. A ingestão de feno contaminado com samambaia é capaz de intoxicar o animal, pois a fenação não destrói o princípio tóxico. Há indícios que os animais viciam na planta, procurando-a após as primeiras ingestões.

 

 

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Formas de intoxicação por samambaia

A intoxicação ocorre de três formas clínicas: aguda, hematúria crônica ou enzoótica e tumores do trato digestivo superior.

Intoxicação aguda

A intoxicação aguda ocorre principalmente em animais jovens, até dois anos e, em alguns casos em animais mais velhos. O período de maior ocorrência é de novembro a maio.

Animais que nunca tiveram contato com a planta e são transferidos para pastos contaminados desenvolvem o quadro clínico rapidamente. Animais famintos, como, por exemplo, aqueles submetidos a viagens longas, são mais susceptíveis. A morbidade está por volta de 70% e a letalidade é de 100%.

Os animais começam a apresentar pelo arrepiado, perda de peso, andar cambaleante, diarreia sanguinolenta, perda de apetite e febre (41 a 42ºC). As mucosas vulvovaginal, conjuntival e oral tornam-se pálidas e podem haver petéquias nas mesmas.

Os locais de picadas de insetos, carrapatos e agulhas apresentam hemorragia constante. O animal permanece deitado a maior parte do tempo. O hemograma demonstra anemia normocítica normocrômica, leucopenia e neutropenia.

Na necropsia, são observadas palidez de mucosas e vísceras, equimoses e sufusões nas mucosas e serosas das cavidades torácica e abdominal. No fígado, podem ser observadas áreas de infarto e necrose. No intestino, podem ser encontradas grande quantidade de sangue e ulcerações na mucosa.

O exame histológico revela hemorragia em diversos órgãos, rarefação e necrose do sistema hematopoiético e atrofia dos centros germinativos dos folículos linfáticos do baço.

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Hematúria crônica ou enzoótica

Animais acima de quatros anos são os mais acometidos, e ocorrem em qualquer época do ano. A taxa de morbidade está por volta de 10% e a letalidade é de 100%.

O principal sinal clínico é a hematúria, que pode ser constante ou intermitente. O animal emagrece progressivamente, as mucosas estão pálidas. O quadro pode prolongar por vários meses até um ano, e o animal morre de caquexia.

Na necropsia são observadas palidez das vísceras e conteúdo e vermelho, ás vezes coagulado, na bexiga. O epitélio vesical pode estar engrossado e podem ser vistos hematomas ou pequenos nódulos na bexiga.

O exame microscópico revela hiperplasia do epitélio de transição, e pode apresentar tumores como papilomas, adenomas, adenocarcinomas, carcinomas epidermóides, fibromas e hemangiomas.

Tumores do trato digestivo superior

Os animais mais frequentemente acometidos são mais velhos, acima de 5 anos. Entre 7 a 8 anos ocorrem o maior número de casos. A morbidade é de aproximadamente 3% e a letalidade é de 100%.

A primeira alteração clínica é a tosse, e posteriormente o animal tem dificuldade de deglutição e regurgitação dos alimentos, com emagrecimento progressivo. Apresenta também diarréia em estágios avançados da doença.

Em alguns casos pode ocorrer timpanismo crônico. Os linfonodos submandibulares e pré-escapulares podem estar aumentados de tamanho. A morte ocorre por caquexia, 2 a 4 meses após o início do quadro clínico.

Na necropsia, os tumores são principalmente encontrados na região faringeana e base da língua. Tumores no rúmen, cárdia e esôfago também podem ser encontrados, mas com menor freqüência. Geralmente estão associados a papilomas. Exames histológicos desses tumores revelam carcinomas epidermóides.

O princípio tóxico é uma tiaminase do tipo I, que inativa a tiamina e acumula ácido pirúvico em equinos, suínos e ratos. Nos bovinos, a intoxicação por samambaia é metabolizada a algumas substâncias, tais como, fator de anemia aplástica ou radiomimético, fenóis, fator determinante de hematúria ou de neoplasia enzoótica e outros.

O fator radiomimético determina depressão da medula, com anemia normocítica normocrômica, leucopenia e trombocitopenia. O fator determinante de neoplasia leva à formação de papilomas no tubo digestivo e na bexiga.

O diagnóstico é baseado nos sinais clínicos e na presença da samambaia nas áreas de pastagens. O hemograma pode auxiliar no diagnóstico. Deve-se diferenciar intoxicação por samambaia de outras enfermidades como pasteurelose, carbúnculo hemático, leptospirose e anaplasmose.

Não existe tratamento efetivo para os bovinos. A transfusão de sangue e antibioticoterapia, como preventivo de infecção secundária, são apenas paliativos.

Portanto, o melhor controle é a erradicação da planta, que pode ser conseguida em 1 a 2 anos com correção do solo através de calagem. Não é indicado realizar queimadas e roçar o pasto, pois só levariam a emissão de novos brotos pela planta.

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Exigências minerais para bovinos: conheça quais são elas https://blog.rehagro.com.br/exigencias-minerais-de-bovinos/ https://blog.rehagro.com.br/exigencias-minerais-de-bovinos/#comments Thu, 21 Jun 2018 20:41:09 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4450 Para que os bovinos sejam capazes de manter seus processos metabólicos (crescimento, produção de leite, reprodução, etc) uma grande quantidade de exigências minerais são necessárias.   Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em PDF! Elementos inorgânicos necessários em gramas são referidos como macrominerais. São eles: Cálcio; Fósforo; Sódio; Cloro; Potássio; Magnésio; Enxofre. Os […]

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Para que os bovinos sejam capazes de manter seus processos metabólicos (crescimento, produção de leite, reprodução, etc) uma grande quantidade de exigências minerais são necessárias.

 

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Elementos inorgânicos necessários em gramas são referidos como macrominerais. São eles:

  • Cálcio;
  • Fósforo;
  • Sódio;
  • Cloro;
  • Potássio;
  • Magnésio;
  • Enxofre.

Os elementos inorgânicos necessários em miligramas ou microgramas são referidos como microminerais. São eles:

  • Cobalto;
  • Cobre;
  • Iodo;
  • Ferro;
  • Manganês;
  • Molibdênio;
  • Selênio;
  • Zinco.

De uma maneira simples, a quantidade destes minerais necessária para manter um animal vivo (mantença), mais a quantidade presente no leite, adicionada da quantidade presente necessária ao feto, define o requerimento de uma vaca leiteira.

A soma total do mineral disponível na dieta menos o requerimento do animal, define a quantidade que precisa ser suplementada.

As exigências minerais em bovinos variam de acordo com o tipo e nível de produção, a idade do animal, a raça e o grau de adaptação dos animais, o nível e a forma química do mineral no alimento, e suas relações com os outros nutrientes da dieta (McDowell, 1999).

As deficiências minerais são causa de algumas das principais doenças metabólicas que acometem os bovinos leiteiros, afetando a produtividade do rebanho. Estas desordens estão relacionadas com o desequilíbrio entre ingestão, absorção e exigências.

Absorção e interação entre minerais

Os minerais presentes nos alimentos (forragem ou concentrado) não são tão bem absorvidos pelo animal. A disponibilidade dos minerais é maior nos sais comumente usados (calcário, cloreto de sódio, etc.).

Por exemplo, somente 30% do cálcio contido nas forragens são absorvidos pelo animal.

Além disso, é preciso lembrar que também que existem interações entre os minerais no rúmen e no intestino do animal.

O nutricionista se baseia em seus conhecimentos sobre a disponibilidade e as interações presentes, o que lhe permite trabalhar com números para atender os requerimentos do animal.

Macrominerais

Cálcio

Dentre os macrominerais, o cálcio tem um requerimento muito alto para a vaca leiteira, já que entre outras funções, está presente em grande quantidade no leite.

O cálcio também atua na formação de ossos e dentes, na contração muscular e na coagulação sanguínea. A quantidade requerida por vacas em lactação é o dobro daquela necessária para animais adultos não lactantes.

Para gestantes, o requerimento é maior nas últimas semanas de lactação, quando ocorre maior calcificação dos ossos do feto. Animais jovens apresentam maiores exigências deste mineral, devido à maior deposição em tecidos esqueléticos.

Atenção para suplementação excessiva! A proporção de cálcio absorvida diminui com o aumento de cálcio dietético acima das exigências minerais.

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Fósforo

O Fósforo é o mineral que tem mais funções no corpo em relação a todos os outros. É também um dos minerais mais caros, e comumente é oferecido muito acima do requerimento.

A suplementação acima da exigência não apresenta impacto na produção e no consumo. Por outro lado, a deficiência de fósforo leva a infertilidade ou diminuição da performance reprodutiva.

Sódio

Se a fonte de sódio para a dieta for cloreto de sódio, o requerimento de cloro será atingido ou ultrapassado.

A perda de cloro pelo animal devido ao suor em temperaturas altas é pequena. Em adição, em um experimento utilizando 1.444 vacas foi observado que o aumento de cloro de 0,15% até 1,62% da dieta resultou em um declínio linear na ingestão de matéria seca e produção de leite.

Portanto, deve ser tomado cuidado quando da utilização da prática de aumento da porcentagem de NaCl no verão, devido ao estresse térmico.

Potássio

O potássio é um mineral que, muitas vezes, já está balanceado nas dietas comumente oferecidas para o gado leiteiro. 

Magnésio

O magnésio apresenta como maior ponto de absorção no animal o rúmen e o retículo. A absorção de magnésio diminui drasticamente quando o pH do rúmen está acima de 6.5, o que pode explicar a ocorrência de tetania das pastagens (tetania hipomagnesêmica).

Enxofre

O enxofre faz parte dos aminoácidos metionina, cisteína, homocisteína e taurina. Também está presente nas vitaminas do complexo B (tiamina e biotina).

A metionina, tiamina e biotina não podem ser sintetizados pelas células animais e devem ser oriundos da dieta ou dos microrganismos ruminais.

Microminerais

O cobalto é um dos componentes da vitamina B12. Se houver cobalto suficiente, os microrganismos ruminais podem produzir uma grande parte da vitamina B12 requerida pela animal.

Os sinais da deficiência de cobalto são falhas no crescimento, perdas de peso, degeneração do fígado, menor resistência às infecções (MacPherson et al, 1987)

Dentre os microminerais, o zinco, cobre e o selênio foram os minerais que mais foram estudados. Tem sido recomendada a adição acima do requeridos destes minerais, quando respostas em saúde do animal (melhora qualidade do casco, baixa contagem de célula somática e melhora queratina no teto do úbere) têm sido observadas.

Vitaminas

É muito comum empresas adicionarem vitaminas juntamente aos minerais no mesmo produto. As vitaminas também possuem um papel essencial para o funcionamento da célula no animal.

Os cálculos para o requerimento de vitaminas são semelhantes ao cálculos utilizados para os requerimento dos minerais. As vitaminas são classificadas em solúveis em óleo (A, D, E e K) e solúveis em água (vitaminas B e C).

As vitaminas A e E são requeridas, mas as vitaminas K e D não. Vitamina D é sintetizada na pele, utilizando energia contida na luz solar. A vitamina K é sintetizada por microrganismos presentes no rúmen e no intestino.

A vitamina A é necessária para o metabolismo das células da retina e não deve estar presente em quantidades superiores a 66.000 UI/kg de MS.

A vitamina E é um nome genérico para compostos solúveis em óleo chamados tocoferol e tocotrienol. Dentre estes, alfa-tocoferol é substância mais comum encontrada nos alimentos. Juntamente com selênio e zinco compõe o grupo de substâncias que atuam no sistema antioxidativo da célula. Sua suplementação tem sido muito praticada e apresenta resultados positivos na saúde animal.

O NRC de 2001 assume que o requerimento para o grupo de vitaminas do complexo B (biotina, acido fólico, inositol, niacina, acido pantotênico, B1, B2, e B12) é atingido através da síntese pelos microrganismos ruminais.

Entretanto, a suplementação de vitaminas do complexo B (biotina, niacina e B12) tem sido estudado e tem apresentado resultados positivos.

Mineral na dieta ou no cocho separado?

O método mais eficiente de fornecer minerais para bovinos é através de suplementos minerais combinados com concentrados, assegurando maior exatidão na quantidade a ser ingerida diariamente.

O consumo de minerais à vontade, por outro lado, é a maneira mais comum de oferecer minerais aos bovinos a pasto. O sal comum é o veículo usado para dar palatabilidade à mistura mineral, ao mesmo tempo em que também funciona como regulador de consumo.

Quando fornecido separadamente, é essencial que o mineral esteja sempre disponível no cocho, evitando que os animais o encontrem vazio ao buscar a suplementação (foto). O cocho deve ter cobertura, já que alguns componentes são solúveis em água.

Vacas leiteiras se alimentando no cocho

Existem trabalhos mostrando que, quando animais têm acesso livre a minerais, os requerimentos não são atingidos.

Quantidade de minerais exigidos na água

Em um experimento onde foram coletadas 3.618 amostras de água em propriedades americanas, os autores concluíram que somente a água pode ser suficiente para suprir os requerimentos de alguns minerais.

Quantidade de minerais presentes na água

Orgânico vs. Inorgânico

Na forma orgânica, o mineral é ligado a um carboidrato, aminoácido ou proteína. São chamados também de quelato (mineral quelatado).

Os minerais orgânicos possuem uma maior disponibilidade para a célula animal que os minerais inorgânicos. Entretanto, resposta em parâmetros digestivos, produtivos e reprodutivos ainda não são claras.

Determinação das necessidades e suplementação

O atendimento pleno às exigências minerais de bovinos leiteiros é premissa à saúde e produtividade. A determinação da quantidade a ser suplementada, assim como o cálculo e formulação adequada de dietas, não é tarefa simples.

Desta forma, para ser eficiente, evitando deficiências e também excessos, o trabalho do técnico com formação apropriada para tal é fundamental.

Este profissional, por meio de análise de cada realidade é capaz de determinar as possibilidades a serem exploradas por cada sistema de produção.

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Tristeza parasitária bovina: qual a melhor forma de atuar contra essa doença? https://blog.rehagro.com.br/tristeza-parasitaria-bovina/ https://blog.rehagro.com.br/tristeza-parasitaria-bovina/#comments Fri, 15 Jun 2018 18:46:52 +0000 http://blog.rehagro.xyz/?p=4324 A tristeza parasitária bovina (TPB) é formada por um complexo de doenças hemolíticas que possuem agentes etiológicos diferentes, porém com sinais clínicos parecidos. Dentre elas estão a anaplasmose e a babesiose, sendo estas doenças ocasionadas pelas riquétsias e por protozoários, respectivamente. No Brasil, Anaplasma marginale, Babesia bovis e Babesia bigemina são os principais patógenos envolvidos […]

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A tristeza parasitária bovina (TPB) é formada por um complexo de doenças hemolíticas que possuem agentes etiológicos diferentes, porém com sinais clínicos parecidos.

Dentre elas estão a anaplasmose e a babesiose, sendo estas doenças ocasionadas pelas riquétsias e por protozoários, respectivamente.

No Brasil, Anaplasma marginale, Babesia bovis e Babesia bigemina são os principais patógenos envolvidos no complexo da TPB. Os prejuízos ocasionados pela tristeza parasitária bovina são altamente significativos, principalmente nas regiões endêmicas de sua ocorrência.

 

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Transmissão da tristeza parasitária bovina

Tanto a anaplasmose quanto a babesiose podem ser transmitidas através do uso de fômites contaminados (agulha, bisturi etc.).

O agente Anaplasma marginale ainda pode ser transmitido via picada de insetos hematófagos, como moscas e mutucas, e a Babesia sp. pode ser veiculada via repasto sanguíneo de carrapatos infectados.

O carrapato representa um importante vetor da doença, principalmente da babesiose. As fêmeas do carrapato fixadas na epiderme dos bovinos se ingurgitam de sangue, ingerindo com ele o parasito.

Após completar o ciclo de vida parasitária, o carrapato abandona o hospedeiro e inicia a ovoposição no solo das pastagens, transmitindo à sua descendência os parasitos com os quais se infectou. A reconhecida transmissão efetiva de B. bovis se dará, portanto, pelas formas larvares do carrapato originada de teleóginas infectadas, e a B. bigemina, por ter um ciclo mais longo, será transmitida a partir do estágio de ninfa, até parte do estágio adulto do carrapato.

Vale ressaltar que o clima tropical/subtropical do Brasil é favorável à disseminação dos principais vetores do complexo da tristeza parasitária bovina.

Ocorrência da tristeza parasitária bovina e fatores predisponentes

A tristeza parasitária bovina pode ocorrer em qualquer fase da vida dos animais. No entanto, dados de campo do Rehagro envolvendo 15.940 casos clínicos demonstram que o período crítico para ocorrência da tristeza parasitária bovina em bezerras leiteiras se encontra entre 100 e 170 dias (3 a 6 meses de vida, aproximadamente).

Número de casos de tristeza parasitária bovina em bezerrosNúmero de casos de TPB em bezerros leiteiros de acordo com a idade. Fonte: Rehagro Consultoria

Em regiões onde há flutuações periódicas na população de vetores devido às condições climáticas juntamente a estratégias inadequadas de controle contra ectoparasitas, os animais infectados tendem a apresentar mais casos com sintomatologia clínica aguda. Essa situação de desequilíbrio vetorial é chamada de instabilidade enzoótica.

A outra situação ocorre nas áreas endêmicas, onde a população de vetores está presente durante o ano todo. Nestas regiões, os animais apresentam maior resistência à infecção, pois desenvolvem certa imunidade nos primeiros meses de vida ao serem infectados quando ainda estão protegidos pelos anticorpos colostrais. Esta situação caracteriza áreas de estabilidade enzoótica, onde não são esperados surtos, nem altas taxas de mortalidade pela doença.

Outros fatores são predisponentes para o desenvolvimento do complexo da tristeza parasitária bovina, como falhas na transmissão da imunidade passiva (TIP), ocorrência de doenças concomitantes, instalações em condições sanitárias precárias, alta densidade animal, lotes sem divisão por faixa etária, nutrição inadequada, etc.

Todos estes fatores (isolados ou associados) reduzem as defesas imunológicas e aumentam os riscos dos animais contraírem a TPB, podendo até mesmo aumentaram a gravidade da doença.

Algumas características de Babesiose e Anaplasmose

A patogenia da Babesia nos bovinos está ligada à espécie (sendo B. bovis mais patogênica que a B. bigemina), cepa, taxa de inoculação, idade do animal, fatores de estresse. A babesiose tem um período de incubação de sete a vinte dias.

Quando um animal se torna infectado, ocorre uma multiplicação dos protozoários nas hemácias, levando-as à destruição por meio da lise celular. Desta forma, ocorre o desenvolvimento de hemólise grave levando a sinais clinicamente detectáveis.

Os mecanismos da patogenia da A. marginale provocam alterações na membrana celular das hemácias parasitadas. Essas alterações induzem à produção de anticorpos contra estas células e também contra as hemácias não parasitadas, que são retiradas da corrente sanguínea pelas células do sistema de defesa do animal, chamado sistema monocítico-fagocitário (SMF).

O período de incubação da A.marginale é variável de duas a quatro semanas, ou mais, pois depende da sensibilidade do hospedeiro e da quantidade de parasitas no sangue. Se houver inoculação com sangue contaminado o período pode ser de uma ou duas semanas, até cinco semanas.

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Quais são os sinais clínicos da TPB?

Os sinais clássicos da doença incluem:

  • Febre (temperatura retal igual ou superior a 39,3°C);
  • Letargia;
  • Apatia;
  • Alteração na coloração das mucosas (ictéricas, pálidas e/ou com presença de petéquias);
  • Desidratação;
  • Corrimento lacrimal;
  • Perda de apetite.

Casos graves de anemia podem ser acompanhados de aumento nas frequências respiratória e cardíaca.

Animais que são infectados com B. bovis podem apresentar babesiose cerebral, que se manifesta por sinais neurológicos de incoordenação, paralisia e convulsões.

Diagnóstico da tristeza parasitária bovina

Atualmente o exame de esfregaço sanguíneo consiste no método mais assertivo para o diagnóstico da TPB. A associação da aferição da temperatura retal e do monitoramento clínico com exame do esfregaço sanguíneo possibilita a identificação precoce dos animais infectados.

O ideal é que a aferição da temperatura retal seja adotada como exame de triagem dos animais, e, sendo assim, aqueles que apresentarem hipertermia (> 39,3°C) devem ser submetidos ao exame de esfregaço sanguíneo. A vantagem do esfregaço sanguíneo está na capacidade de diagnosticar a doença logo no seu início, direcionando o tratamento para o agente específico que está causando a doença.

Devido ao fato de a tristeza parasitária bovina ser caracterizada por quadros de anemia ocasionada pelos agentes etiológicos, o acompanhamento do hematócrito (Ht) – ou volume globular (VG) – dos animais permite conhecer o grau da anemia instaurada.

Diferente do esfregaço sanguíneo que é capaz de identificar a TPB logo no início, o exame de hematócrito geralmente indicará a gravidade do quadro algum tempo após a infecção, visto a necessidade dos agentes se instalarem primeiramente no organismo e só assim iniciarem a destruição dos glóbulos vermelhos ocasionando anemia.

A realização do exame de hematócrito consiste em um parâmetro extremamente importante para definição dos animais que necessitam repor o déficit de sangue através da transfusão sanguínea.

Um dos pontos que dificulta a adoção dos exames de esfregaço sanguíneo e hematócrito como formas de monitoramento da TPB nas propriedades é a necessidade de aquisição de equipamentos específicos, além da presença de mão de obra capacitada. Entretanto, ambos os exames representam as formas mais confiáveis para o diagnóstico e a condução dos casos clínicos da doença.

Já a palidez das mucosas ocular, vulvar, gengivais é o sinal clínico perceptível da doença, porém após o pico da parasitemia. Ou seja, o ponto mais baixo do hematócrito é após o pico da parasitemia, sendo percebida tardiamente.

Sinais da tristeza parasitária bovinaSinais clássicos da TPB em bezerras leiteiras: mucosas ocular e vulvar anêmicas e anorexia. Fonte: Rehagro consultoria

Controle e prevenção da tristeza parasitária bovina

A prevenção e o controle dos casos de TPB é feita através da adoção de pontos básicos, como:

  • Controle dos vetores (carrapatos e moscas hematófagas);
  • Garantia de eficiência na colostragem e no processo de TIP;
  • Proibição ao uso compartilhado de instrumentais perfuro-cortantes entre os animais.

É necessário fazer um programa adequado de vacinação dos animais do rebanho para evitar doenças concomitantes com a TPB, fornecer dieta com qualidade e regularidade, detectar de forma precoce a doença e fazer o tratamento eficaz.

O tratamento para babesiose pode ser feito com diaceturato de diminazeno na dose de 3,5 a 7 mg/ kg ou imidocarb na dose de 1 a 3 mg/kg. Não se deve utilizar imidocarb em animais debilitados devido ao risco de intoxicação.

Já o tratamento de anaplasmose pode ser feito através de imidocarb – 1 a 3mg/kg ou tetraciclinas – 8 a 11 mg/kg ou tetraciclinas de ação prolongada (LA) – 20 a 30 mg/kg ou enrofloxacino – 7,5 mg/kg.

Independente da enfermidade, a hidratação do animal é extremamente importante para o reestabelecimento das condições eletrolíticas. Para os animais que se encontram em decúbito e desidratados, o ideal é realizar terapia intravenosa incialmente para auxiliar no retorno à posição em estação. Já aqueles animais que se estão desidratados, mas em pé, pode-se realizar a hidratação via oral com auxílio de sonda esofágica.

Casos onde o hematócrito se encontra abaixo de 12% e/ou a clínica do animal está desfavorável, recomenda-se realizar transfusão sanguínea na dose de 10 mL de sangue/kg.

Vale ressaltar que o animal doador de sangue deve ser examinado previamente quanto à presença ou não de TPB, coletando o seu sangue somente em casos negativos. Animais que são submetidos a mais de uma transfusão sanguínea possuem maior risco de desenvolverem reações hemolíticas, e, por isso, podem necessitar de terapia com corticoides.

Considerações finais sobre a TPB

Devemos ter foco basicamente em três pilares determinantes para a ocorrência da doença:

  1. Reduzir os desafios e os fatores de estresse no ambiente;
  2. Promover a imunidade dos animais;
  3. Controlar a carga de vetores (carrapatos e moscas hematófagas).

Além disso, diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para a sobrevivência dos animais infectados.

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Cisticercose bovina: como evitar prejuízos com essa doença https://blog.rehagro.com.br/prejuizos-com-cisticercose-bovina/ https://blog.rehagro.com.br/prejuizos-com-cisticercose-bovina/#comments Thu, 14 Jun 2018 19:57:02 +0000 http://blog.rehagro.xyz/?p=4310 O agronegócio representa, hoje, em torno de um terço de tudo que é produzido no país, sendo o setor mais importante da economia brasileira. Como parte do agronegócio, a pecuária responde por 7% do PIB brasileiro. Dentro deste cenário, torna-se de suma importância o desenvolvimento de um programa de sanidade animal para o controle de enfermidades […]

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O agronegócio representa, hoje, em torno de um terço de tudo que é produzido no país, sendo o setor mais importante da economia brasileira.

Como parte do agronegócio, a pecuária responde por 7% do PIB brasileiro. Dentro deste cenário, torna-se de suma importância o desenvolvimento de um programa de sanidade animal para o controle de enfermidades que causam perda de produção e produtividade à pecuária nacional, como é o caso da cisticercose.

O complexo teníase/cisticercose é uma zoonose determinada pela Taenia saginata e está relacionada com aspectos socioeconômicos e culturais. Apresenta distribuição cosmopolita e representa um grave problema de saúde pública, estando amplamente difundido na maioria dos países em que há criação bovina, principalmente naqueles em desenvolvimento.

 

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No Brasil, acredita-se que a prevalência da cisticercose bovina está entre 0,7 e 5,3%.

O ciclo da T. saginata depende de dois hospedeiros, um definitivo e um intermediário, e uma fase de vida livre. O hospedeiro definitivo dessa tênia é exclusivamente o homem e os hospedeiros intermediários, na maior parte das vezes, são os bovinos.

Há, portanto, três fases no ciclo de vida deste parasitas: adulto no hospedeiro definitivo, ovos no ambiente e cisticercos (fase larval) no hospedeiro intermediário.

A cisticercose bovina

A cisticercose é uma enfermidade parasitária, vulgarmente denominada cisto, que acomete os hospedeiros intermediários. A infecção se dá pela ingestão de ovos de Taenia sp. que podem estar junto ao pasto ou a água.

Esses ovos são originados do verme adulto que se encontra no hospedeiro definitivo. Dessa forma, para que alcancem o ambiente e contaminem seus hospedeiros intermediários são eliminados através das fezes humanas.

Esses ovos da T.saginata se transformam em larvas, o Cysticercus bovis, que se desenvolvem, de preferência, no tecido conjuntivo intermuscular, sendo os músculos de maior incidência o masseter, o lingual, o cardíaco, o esofágico e o diafragmático; e ocasionalmente no fígado, pulmão, olhos, cérebro, baço, rins e linfonodos.

Ciclo de vida da Taenia saginataCiclo de vida da Taenia saginata / Fonte: Portal São Francisco

Apesar de os bovinos normalmente evitarem pastar ao redor de fezes, hábitos humanos de pouca higiene, como defecar diretamente no ambiente ou em sanitários sem as devidas fossas, muitas delas instaladas sobre córregos e rios, contribuem para o problema.

Além disso, a viabilidade dos ovos no meio ambiente permite que o animal se contamine sem que, necessariamente, ingira fezes. Alguns fatores auxiliam a dispersão dos ovos, tais como: a contaminação fecal do solo, o transporte através do vento, aves, anelídeos e artrópodes (moscas, besouros, traças, formigas, pulgas e ácaros).

O homem também pode desenvolver cisticercose quando ingere ovos da Taenia saginata. No entanto, o quadro mais comumente encontrado no homem é a teníase, que é a presença da forma adulta do parasita no intestino delgado.

Os ovos de Taenia podem permanecer viáveis na pastagem por períodos de 4 a 12 meses. Eles são resistentes ao tratamento convencional de esgotos, porém o tratamento convencional da água como floculação, sedimentação e filtração é suficiente para eliminá-los.

Para a utilização de fezes como fertilizantes, a maneira mais prática de inviabilizar os ovos de tênia seria pela elevação da temperatura através da compostagem aeróbica, uma vez que os ovos são sensíveis às altas temperaturas.

Como a cisticercose não dá qualquer sinal ou sintoma que necessite de tratamento medicamentoso, medidas preventivas ou profiláticas, o criador e o veterinário não detectam a doença durante a produção. Só vão dar conta da importância da enfermidade no momento do abate pelas perdas financeiras que ocasiona devido ao aproveitamento condicional e até condenação total de vísceras e carcaças.

As perdas econômicas com a cisticercose animal são da ordem de 10% a 15% do valor da produção. As carcaças ou órgãos parasitados com o Cysticercus bovis podem ter destinos variados, dependendo do grau de acometimento. Segundo o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento devem ser condenadas as carcaças com infestações intensas pelo Cysticercus bovis ou quando a carne é aquosa ou descorada.

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Prejuízos com a cisticercose bovina

De acordo com o Art. 185 do Decreto 9013/17, do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA), os prejuízos dependerão do grau de infestação da carcaça.

O diagnóstico da cisticercose bovina é realizado durante a inspeção post mortem que ocorre durante o abate nos matadouros, e consiste basicamente na avaliação visual macroscópica de cisticercos em tecidos e órgãos da carcaça.

Em geral, na rotina de inspeção, a carcaça será considerada por infecção intensa se encontrados, pelo menos, oito cistos viáveis ou calcificados, ou dois ou mais cistos localizados, simultaneamente em pelo menos dois locais de eleição examinados na linha de inspeção, ou quatro ou mais cistos localizados no quarto dianteiro ou no quarto traseiro.

Coração, músculos da mastigação, língua, diafragma e seus pilares e massas musculares da carcaça são as principais áreas analisadas.

Para o aproveitamento condicional, considerando uma pesquisa em todos os locais de eleição examinados na linha de inspeção e na carcaça correspondente, pode-se utilizar o uso do calor quando encontrado mais de um cisto viável ou calcificado, ou tratamento pelo frio ou salga quando encontrado um cisto viável, ou até mesmo destinado ao consumo humano quando observado apenas um cisto já calcificado, em todos os casos, sempre após a remoção e condenação das áreas atingidas.

Prejuízos para o produtor

  • Recusa dos frigoríficos em comprar gado de propriedades altamente infectadas;
  • Condenação da carcaça pela inspeção quando ocorre alta infestação, destinando-a para graxaria. Neste caso, o produtor nada recebe pelo seu animal;
  • Condenação da carcaça para conserva ou salga quando há média infestação, levando a perdas no valor da mesma;
  • Retirada de partes da carcaça onde se localizam os cisticercos pode levar a perda de até 15 kg de carne por animal;
  • Marketing negativo que pode levar à diminuição do consumo.

Para frigoríficos e criadores, em particular, e para a pecuária brasileira como um todo, a cisticercose causa prejuízos que vão além de perdas materiais devido ao aspecto moral da questão, pois põe em cheque a qualidade da carne, um dos itens mais importantes da pauta de exportação.

Perdas financeiras para frigoríficos

  • Custos de armazenamento e o custo financeiro do período de tempo quando há condenação da carcaça para congelamento;
  • Perda total das vísceras.
  • Desconfiguração da carcaça condenada pela procura e retirada dos cistos;
  • Diminuição do peso da carcaça e depreciação da venda ao varejo devido ao congelamento
  • Perdas quando o destino da condenação é a conserva, salga ou graxaria, devido ao custo de processamento e de linha de abate.

Não há nenhum teste ou reação sorológica confiável que identifique previamente e de maneira segura se os animais estão contaminados por cisticercose, dessa forma o seu diagnóstico baseia-se na visualização do cisticerco nos tecidos no momento do abate.

Alguns autores recomendam o tratamento de animais de áreas que sabidamente são acometidas pela patologia. Para isso, cita-se o uso de Mebendazol ou Praziquantel nas doses, respectivamente, de 25 a 50 mg/kg de peso e 50 a 100 mg/kg de peso. É importante observar o período de carência desses medicamentos para programar o abate.

Na rotina, os técnicos têm associado um endectocida (Ex: Albendazol) ao protocolo sanitário usado nos animais antes destes entrarem para o confinamento, 75 a 90 dias antes do abate. Administra-se por via oral 1 mL para cada 20 kg de peso vivo, essa ação tem diminuído a incidência de cisticercos nas carcaças bovinas.

Problema de saúde pública

A cisticercose é uma zoonose e o homem pode ser acometido de duas maneiras: pela ingestão da carne contaminada com cisticercos que vão se desenvolver para a fase adulta do verme (teníase); e pela ingestão direta de ovos (cisticercose humana).

O homem adquire a tênia ao ingerir carne contaminada crua ou mal cozida contendo cisticercos que são liberados durante a digestão da carne.

A tênia vive no intestino delgado do homem e, normalmente, o hospedeiro alberga apenas um parasita. Isso pode ser devido à imunidade desenvolvida pelo próprio hospedeiro, impedindo o desenvolvimento de outras tênias da mesma espécie.

Após 60 a 70 dias da ingestão dos cisticercos, já começam a serem eliminadas as primeiras proglotes. A teníase pode se apresentar de forma assintomática, porém alguns pacientes manifestam alterações no apetite (anorexia ou apetite exagerado), náuseas, vômitos, dor abdominal, diarréia, emagrecimento, irritabilidade e fadiga.

Mas, a grande importância do complexo teníase-cisticercose para a saúde pública está no fato de que o homem, além de hospedeiro definitivo da tênia, pode se tornar hospedeiro intermediário e abrigar a fase larval. A enfermidade está ligada a hábitos alimentares, sendo mais frequente em pacientes com maior contato com o meio rural.

A infecção se dá através de água ou alimentos contaminados com fezes humanas contendo ovos das tênias. A contaminação do homem pode ocorrer ainda por autoinfecção, devido à falta de hábitos higiênicos ou por movimentos retrógrados do conteúdo intestinal (refluxo, vômitos).

A cisticercose humana gera grandes transtornos devido à localização do parasita em tecidos nobres, como os do globo ocular (oftalmocisticercose) e do sistema nervoso central (neurocisticercose), sendo que em outras localizações, como a subcutânea, a muscular e a visceral (forma disseminada), o cisticerco representa, de maneira geral, achado sem maiores implicações.

O parasita vive entre 18 meses e 2 anos e em 60 a 90% dos casos os cistos se localizam no sistema nervoso central. Essa enfermidade é considerada a mais grave das infecções parasitárias do sistema nervoso humano.

O tratamento da neurocisticercose pode ser simplesmente sintomático, ou antiparasitário, ou ainda cirúrgico, dependendo do número, tamanho, localização e grau de atividade dos cistos.

Controle da cisticercose

Interromper o ciclo evolutivo do parasita deve ser a estratégia fundamental, a fim de evitar a infecção nos animais e nos homens.

Podem ser citadas como recomendações:

  • Melhoramento das condições de saneamento do meio ambiente;
  • Tratamento de toda a população acometida;
  • Tratamento de esgotos;
  • Melhoramento da criação de animais (evitar o acesso de animais a fezes humanas);
  • Incremento da inspeção veterinária de produtos cárneos;
  • Evitar o abate e comércio de produtos clandestinos;
  • Educação sanitária para o esclarecimento da população enfatizando a adoção de hábitos de higiene;
  • Orientação sobre o autodiagnóstico;
  • Diagnóstico preciso em matadouros e destinação adequada das carcaças e órgãos afetados;
  • Tratamento da carne por congelamento ou cocção adequados.

Agora que você já sabe que a cisticercose é um problema de saúde pública e limitador de faturamento, saiba quais as medidas adequadas para evitar que essa doença cause ainda mais prejuízos aos seus negócios.

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Plantas tóxicas para os bovinos são aquelas que, ingeridas espontaneamente pelos animais em condições naturais, causam danos à saúde ou até mesmo levam à morte os animais.

A importância econômica das intoxicações deve-se, principalmente, a fatores como: diminuição da produção, morte dos animais e custos com medidas profiláticas e de controle.

O comportamento tóxico das plantas é bastante variável, pois existem fatores que influenciam sua toxicidade como solo, clima, estádio vegetativo da planta, parte da planta, período de ingestão.

Neste artigo, você irá conhecer algumas das principais plantas tóxicas para os bovinos.

 

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1. Senecio spp. — Tasneirinha, flor-das-almas e maria-mole

  • Família: Compositaceae.

É uma planta anual, que floresce a partir do mês de outubro e apresenta inflorescências amarelas, comportando-se como invasora de culturas e pastagens nativas. É encontrada na região Centro-Sul do Brasil.

Os animais se intoxicam pela ingestão acidental da planta com feno e silagem, pois, a mesma é pouco palatável. Seu princípio ativo são os alcalóides pirrolizidínicos hepatotóxicos e causadores de lesão crônica irreversível.

Sinais clínicos nos bovinos

Agressividade, incoordenação, tenesmo (prolapso retal), diarreia, falta de apetite, paralisia ruminal, fezes com sangue, elevada atividade cardíaca.

Achados de necropsia

Edema de mesentério, abomaso e intestino; líquido no abdômen; hemorragias peri e endocárdicas; fígado aumentado de tamanho (aguda) ou diminuído (crônica); vesícula biliar aumentada de tamanho, com parede engrossada e edemaciada e lesões nodulares. Lesões de espongiose no sistema nervoso.

Senecio Senecio spp.

2. Tetrapterys multiglandulosa spp. — Cipó-preto, Cipó-ruão e Cipó-vermelho

  • Família: Malpighiaceae.

É uma planta perene, presente em todos os estados da região Sudeste. A intoxicação ocorre mais no período da seca, quando os animais passam por restrição alimentar, pois a planta tem baixa palatabilidade, exceto os brotos jovens, que apresentam boa palatabilidade.

Mesmo na seca a planta se mantém verde nos pastos, atraindo os animais. Os princípios tóxicos são os heterosídeos flavônicos e esteróides na folha jovem, taninos condensados, alcalóides quaternários e esteróides na folha madura.

Sinais clínicos nos bovinos

Edema de barbela e na região esternal, jugular com pulso positivo, aborto, relutância do animal em andar, emagrecimento progressivo, fezes ressequidas.

Achados de necropsia

Áreas mais claras no coração (epicárdio), miocárdio endurecido, fígado com aspecto de noz-moscada, edemas subcutâneos (região esternal).

Tetrapterys multiglandulosaTetrapterys multiglandulosa spp.

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3. Conium maculatum Cicuta, funcho-selvagem

  • Família: Umbeliferae.

É uma planta perene, com 180 cm de altura, caule oco, recoberto com manchas púrpuras, folhas pinatipartidas, lembrando as de salsa. A planta é encontrada nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os princípios tóxicos são os alcalóides (coniína, coniceína) voláteis.

Sinais clínicos nos bovinos

Dificuldade de deglutição, dificuldade de locomoção, incoordenação, tremores musculares, prolapso da terceira pálpebra, dificuldade respiratória, salivação, eructação intensa, regurgitação do conteúdo ruminal, movimento de pedalagem, abortos e nascimentos de bezerros com defeitos teratogênicos.

Achados de necropsia

Presença de espuma e fragmentos verdes nas vias respiratórias, presença de líquido ruminal aspirado no pulmão.

Conium maculatumConium maculatum

4. Solanum malacoxylon — Espichadeira – variedade glabra e pilosa

  • Família: Solanaceae.

São descritas intoxicações naturais em bovinos acima de 15 meses. A planta é encontrada no pantanal do Mato Grosso em terrenos argilosos e região alagadiça. Nos meses de julho a setembro, há uma incidência maior de intoxicação.

O princípio ativo que deixa essa planta tóxica é o calcinogênico (vitamina D), que provoca aumento da absorção de cálcio, levando à calcificação distrófica no endocárdio, artérias, tecidos moles e tendões.

Esse princípio ativo também provoca inibição da maturação dos condrócitos das cartilagens epifisais e articulares, levando à parada do crescimento longitudinal, os tecidos moles sofrem degeneração e calcificação patológica e a deposição óssea intramedular provoca inibição da eritropoiese.

Sinais clínicos nos bovinos

Emagrecimento progressivo, pelos ásperos, sinais de fraqueza, abdômen retraído, dificuldade de locomoção e andar rígido, apoio das pinças dos cascos no chão, principalmente nos membros anteriores.

Após movimentação brusca, os animais intoxicados apresentam insuficiência cardíaca e respiratória, caracterizadas por cansaço e dispneia, carpo ligeiramente flexionado e cifose, decúbito, pulso arterial duro, arritmias cardíacas.

Achados de necropsia

Mineralização em diversos órgãos, principalmente nos sistemas cardiocirculatório e pulmonar; endocárdio e válvulas cardíacas espessadas, com perda da elasticidade; aumento e rigidez das grandes artérias (faciais e ilíacas), que se apresentam esbranquiçadas, endurecidas e espessadas, mostrando na camada íntima elevações irregulares e placas esbranquiçadas; calcificação associada a enfisema pulmonar; anasarca e ascite; rins com pontilhados esbranquiçados.

Tratamento: não existe tratamento.

EspichadeiraEspichadeira

5. Mascagnia — Pubiflora, Rigida, Coriacea, Elegans

  • Família: Malpighiaceae;
  • Nomes vulgares: Mascagnia pubiflora: corona, timbó, cipó-prata / Mascagnia rígida: tingui, salsa-rosa, péla-bucho, quebra-bucho / Mascagnia coriaceae: suma-roxa, suma, quebra-bucho / Mascagnia elegans: rabo-de-tatu.

A planta é encontrada nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, e Espírito Santo. Por causa da boa palatabilidade, é ingerida junto com a forragem durante todo o ano.

Entretanto, quando a planta está brotando, a toxicidade é maior e a movimentação dos animais que ingeriram a planta favorece a intoxicação. O princípio tóxico da planta é o Glicosídeo digitálico.

Sinais clínicos nos bovinos

Relutância em levantar e caminhar, tremores musculares, quedas, movimento de pedalagem, convulsões, morte. O animal pode ter alterações cardíacas e neuromusculares de evolução superaguda, com morte súbita.

Achados de necropsia

Em bovinos que morrem após doses únicas, não são encontradas alterações consistentes na necropsia, porém podem ser observados:

  • Mascagnia pubiflora: Petéquias no epicárdio, superfície de corte do miocárdio pálida, congestão hepática e pulmonar.
  • Mascagnia rigida: Muco na porção final do intestino grosso, hemorragias nos pulmões e rins, congestão hepática.

Tratamento: não se conhece.

MascagniaMascagnia

6. Palicourea marcgravi — Cafezinho, erva-de-rato, erva-café, café-bravo, roxa, roxinha

  • Família: Rubiaceae.

Uma das plantas tóxicas de maior importância no Brasil com ampla distribuição, exceto na região Sul, apresentando alta palatabilidade e elevada toxicidade com efeito cumulativo.

É ingerida em qualquer época do ano, porém o número maior de intoxicações ocorre na seca, quando os animais penetram nas matas e capoeiras. O princípio tóxico é o ácido monofluoracético e a planta seca apresenta cerca de quatro vezes mais do que a planta verde.

Sinais clínicos nos bovinos

Desequilíbrio do trem posterior (os animais caem), tremores musculares, movimentos de pedalagem, dispneia, membros distendidos, taquicardia, convulsão e morte; Os sinais aparecem em poucas horas após a ingestão da planta (5 a 24 horas) e apresentam um quadro superagudo( o animal pode morrer em 1 a 15 minutos).

Achados de necropsia

Como a morte ocorre rapidamente, muitas vezes não se observam lesões macroscópicas. Em algumas ocasiões, observam-se mucosas cianóticas, congestão de pulmões, rins e fígado, e hemorragias na meninge e rins.

Tratamento: não existe tratamento específico

Planta CafezinhoCafezinho

7. Cestrum — Coerana, canema, anilão, maria-preta, pimenteira

  • Família: Solanaceae.

Esta planta ocorre especialmente em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso e Santa Catarina, sendo que os Cestrum axillare e Cestrum corymbosum desenvolvem-se em partes úmidas, o Cestrum sendtenerianum desenvolve-se em capoeiras.

O princípio tóxico da planta são as saponinas (digitogexina e gitogenina).

Sinais clínicos nos bovinos

Apatia e anorexia, narinas secas, pêlos arrepiados, ranger de dentes, andar relutante, sonolência. Quando em pé, o animal mantém a cabeça baixa ou apoiada em obstáculos, isolamento, diminuição dos movimentos do rúmen, salivação abundante, agressividade, hiperexitabilidade, tremores musculares.

Algumas horas após o início dos sintomas, os animais permanecem decúbito esternal e às vezes com a cabeça voltada para o flanco, movimentos de pedalagem, extremidades frias.

Achados de necropsia

As alterações macroscópicas mais significativas são observadas no sistema digestivo. Fígado com cirrose e coloração mais clara, com aspecto de noz-moscada, coração com hemorragia do tipo petequial, sufusões no epicárdio, miocárdio e endocárdio.

Tratamento: não existe tratamento específico

CoeranaCoerana

8. Senna ocidentallis — Fedegoso

  • Família: Leguminosae.

Planta causadora de miopatia e cardiomiopatia degenerativas em várias espécies. Esta leguminosa é encontrada nas pastagens ao longo de beiras de estrada, em lavouras, em solos ricos ou bastante fertilizados.

As intoxicações ocorrem mais na época seca do ano quando os pastos estão secos e também pela ingestão de cereais e feno contaminado com sementes ou outras partes da planta. Os princípios tóxicos são o N-metilmorfoline e o Oximetilantraquinona.

Sinais clínicos nos bovinos

Diarreia com cólica e tenesmo em 2 a 4 dias após a ingestão, fraqueza muscular, ataxia dos membros posteriores e relutância em se mover. Mioglobinúria, decúbito esternal e lateral. Os animais podem adoecer mesmo após duas semanas de cessada a ingestão da planta.

Achados de necropsia

Áreas pálidas nos músculos esqueléticos, principalmente nas grandes massas musculares; lesões cardíacas discretas (palidez difusa do miocárdio), presença de grandes coágulos cruóricos nos dois ventrículos; fígado aumentado e pálido, com manchas escuras na cápsula; rúmen repleto e fétido; pulmões avermelhados, pouco crepitantes e com espuma na traqueia e brônquios.

Tratamento: não há tratamento eficaz

Planta FedegosoFedegoso

9. Pteridium aquilinum — Samambaia, samabaia-do-campo, samambaia-das-taperas

  • Família: Polypodeaceae.

É uma planta que vegeta em lugares de maior altitude em solos ácidos e arenosos, após derrubada de matas, nas beiradas de estradas e capoeiras. A samambaia é tóxica verde ou seca e tem poder cumulativo.

Ela possui uma tiaminase do tipo I, que é metabolizada para outras substâncias como o fator de anemia aplástica, fenóis, tiazol, pirimidina, ácido cinâmico, chiquímico e fator determinante de hematúria.

As intoxicações por samambaiaocorrem mais quando os animais estão com fome, habituados a comer a planta, em fenos contaminados com a mesma, ou no caso de bovinos que recebem escasso material fibroso.

Sinais clínicos nos bovinos

  • Tipo laríngeo da intoxicação: animais começam a apresentar pelos arrepiados, perda de peso e andar cambaleante, tristeza, indiferença, hemorragias cutâneas e das cavidades naturais como boca e fossas nasais, edema de garganta, aumento da temperatura corporal.
  • Tipo entérico da intoxicação: anorexia, depressão, enterite, fezes diarreicas de cor escura e com coágulo de sangue, mucosas pálidas com petéquias, temperatura elevada, hemorragias no local de picada de insetos ou de agulhas.
  • Forma crônica da intoxicação: a principal alteração clínica é a presença de hematúria enzoótica (sangue), mas também são frequentes os carcinomas epidermóides no esôfago, faringe rúmen, com tosse, dificuldade de apreensão e deglutição dos alimentos. Achados de necropsia
  • Forma aguda da intoxicação: palidez das mucosas da vagina e gengiva, petéquias na mucosa vaginal, hemorragias na forma de sufusões na serosa das cavidades abdominais e torácica. Também são observadas hemorragias nas fáscias musculares e sufusões no endocárdio, úlcera na mucosa intestinal. Tanto o fígado, como rins e pulmões, apresentam áreas de infarto e necrose.
  • Forma crônica da intoxicação: bexiga com conteúdo urinário de cor vermelha e, às vezes, com coágulos sanguíneos. Tanto na faringe, como no esôfago e rúmen, são observados papilomas de diversas formas, carcinomas na base da língua, nódulos firmes na bexiga.

Tratamento: não há tratamento terapêutico eficaz.

SamambaiaSamambaia

10. Ricinus communis — Mamona, carrapateira, palma-de-cristo, regateira

  • Família: Euforbiaceae.

A intoxicação natural pela planta tem sido registrada na região nordeste, devido à fome. Quanto aos princípios tóxicos, as folhas possuem a ricinina, responsável por sintomas neuromusculares, que não possui efeito cumulativo e as sementes possuem uma toxalbumina, a ricina, além de uma fração alergênica (complexo proteína-polissacarídeo), uma lípase, traços de riboflavina, ácido nicotínico e óleo de rícino.

Sinais clínicos nos bovinos

  • Quando os animais ingerem as folhas e pericarpo dos frutos: inquietação, andar desequilibrado, necessidade de deitar após certa marcha, tremores musculares, sialorreia, eructação excessiva, atonia ruminal.
  • Quando os animais ingerem as sementes: diarreia sanguinolenta, dores abdominais, anorexia, incoordenação, insuficiência respiratória, insuficiência renal aguda (uremia).

Achados de necropsia

Gastroenterite hemorrágica Tratamento: Soro anti-rícino, Antiespasmódicos, hidratação parenteral.

MamonaMamona

11. Stryphnodendron spp. — Barbatimão

  • Família: Leguminosae.

Árvore descrita nos estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Ceará, Maranhão e Piauí. Os princípios tóxicos da planta são os taninos, presentes na casca da árvore e as saponinas, presentes nos frutos.

As intoxicações ocorrem com mais frequência de junho a setembro, principalmente em animais que estão passando fome, que comem as favas que caem no chão.

Sinais clínicos nos bovinos

Apatia, anorexia, ressecamento do focinho, atonia ruminal, emagrecimento progressivo, sonolência, hipotermia, tremores musculares, lacrimejamento, sialorreia, erosões na mucosa bucal, lesões de pele, polaciúria (micções muito frequentes e pouco abundantes).

Achados de necropsia

Gastroenterite discreta, intestinos quase vazios, fígado levemente amarelado, bile com cor vermelha escura a amarela, rins pálidos e ligeiramente aumentados de volume, baço com discreta hiperemia.

Tratamento: administração de purgantes oleosos e salinos, soro glicosado e anti-histamínico, aplicação de pomadas e ungüentos nas lesões de pele.

BarbatimãoBarbatimão

12. Lantana spp. — Chumbinho, camará, cambará, margaridinha

  • Família: Verbenaceae;

Planta com ampla distribuição pelo Brasil sendo descrita nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul.

As intoxicações ocorrem mais situações de escassez de alimento e superlotação de pastagens, após as primeiras chuvas, pois a planta brota mais rapidamente. Os princípios tóxicos são o Lantadene B e Lantadene A.

Sinais clínicos nos bovinos

  • Curso agudo da intoxicação (24- 48 horas): Apatia, anorexia, midríase, icterícia, fezes moles e com sangue, edema de faces e membros, urina de cor escura, lacrimejamento, sialorreia, fotossensibilização.
  • Curso crônico da intoxicação (15-42 dias): Manifestações de fotossensibilização hepatógena como eritema, edema inflamatório das partes claras, com exsudato seroso e face ventral da língua ulcerada; diminuição ou parada dos movimentos do rúmen, inquietação, icterícia, urina de coloração marrom, fezes ressecadas, nefrose, mumificação da pele nos animais que não morrem.

Achados de necropsia

Icterícia generalizada, fígado aumentado de tamanho e de coloração alaranjada, vesícula biliar distendida e edemaciada, rins com edema de pélvis e urina de coloração marrom, pele com lesões de fotossensibilização.

Tratamento: soro glicosado, purgantes salinos, pomadas a base de vitamina A e zinco nas lesões de pele, corticóide, antibióticos, anti-histamínicos, rumenotomia com remoção do conteúdo e substituição por conteúdo ruminal normal.

LantanaLantana spp.

13. Enterolobium spp. — Contortisiliquum, Schomburgkii, Gummiferum

  • Família: Leguminosae;
  • Nomes vulgares: Enterolobium contortisiliquum: Orelha-de-macaco, timbaúba, tamboril-da-mata / Enterolobium schomburgkii: Tamboril-da-mata / Enterolobium gummiferum: Tamboril-do-campo, orelha-de-onça, vinhático-do-campo.

Distribuição da planta: E. Contortisiliquum: Amazonas, Mato Grosso, Ceará, Bahia, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul / E. Shomburgkii: Amazonas, Pará, Rio de Janeiro, Minas Gerais /  E. Gummiferum: Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Goiás, São Paulo e região Centro-Oeste do Brasil.

Os animais se intoxicam através da ingestão da fava, que tem boa palatabilidade, e as intoxicações são mais freqüentes durante a seca. Os princípios tóxicos são as saponinas (gitogenina, digitogenina).

Sinais clínicos nos bovinos

  • Curso agudo da intoxicação: Diminuição ou ausência completa de apetite, apatia, fezes extremamente diarreicas, sede intensa, desidratação, diminuição da frequência cardíaca e respiratória, corrimento nasal seroso bilateral.
  • Curso crônico da doença: Apatia, anorexia, diarreia com fezes pretas e fétidas, mucosa ocular ictérica, lesões de pele do tipo fotossensibilização.

Achados de necropsia

  • Curso agudo da doença: Presença de sementes de Enterolobium spp. no rúmen, fígado aumentado de volume e com pontilhado branco na superfície do parênquima, gastroenterite catarral, intestinos vazios e mucosas congestas, icterícia generalizada.
  • Curso crônico da doença: icterícia generalizada, lesões de pele tipo fotossensibilização, lesões necróticas de pele e tecido subcutâneo.

Tratamento: soro glicosado, antidiarreicos, pomadas cicatrizantes.

Enterolobium ContortisiliquumEnterolobium contortisiliquum

Plantas Cianogênicas

  • Graminae: Shorgum vulgare: sorgo, Shorgum halepense (sorgo-de-alepo), Shorgum sudanense (sorgo-sudão, capim-sudão);
  • Leguminosae: Trifolium repens (Trevo-branco);
  • Rosaceae: Prunus sphaerocarpa (Pessegueiro-bravo);
  • Caesalpinaceae: Holocalyx glaziovii (Alecrim-de-campinas);
  • Euphorbiacea: Manihot spp. (Mandioca).

Os ruminantes são os animais mais sensíveis, devido ao pH ruminal, ao contrário dos monogástricos, os quais o pH do estômago inativa as enzimas hidrolíticas da planta. As plantas cianogênicas contêm o ácido cianídrico (HCN), formando compostos cianogênicos, geralmente glicosídeos ou hidroxinitrilos, inibindo a fosforilação e resultando em asfixia tissilar.

Sinais clínicos nos bovinos

Dispneia, tremores musculares, excitação, salivação, lacrimejamento, incoordenação, opistótono, decúbito, convulsões, dilatação de pupilas.

Achados de necropsia

Mucosas avermelhadas; sangue vermelho-brilhante, que coagula com dificuldade; petéquias no abomaso e intestinos; rúmen com cheiro de amêndoas amargas, musculatura escura.

Tratamento

Na maioria das vezes os animais já são encontrados mortos devido a rapidez da intoxicação cianídrica, além disso não há um tratamento específico de recuperação imediata. O tratamento é feito com uma solução aquosa de tiossulfato de sódio 20% via endovenosa.

A melhor forma de evitar a intoxicação pelas plantas tóxicas citadas acima é a profilaxia, e essa consiste em manejar adequadamente as pastagens evitando assim o aparecimento de invasoras, além de evitar o acesso dos animais famintos em áreas com incidências dessas plantas.

Portanto, um bom planejamento nutricional é o melhor caminho para solucionar esse problema no campo.

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Siistema digestivo dos bovinos: conheça a anatomia e fisiologia https://blog.rehagro.com.br/sistema-digestivo-dos-bovinos/ https://blog.rehagro.com.br/sistema-digestivo-dos-bovinos/#comments Thu, 14 Jun 2018 14:43:04 +0000 http://blog.rehagro.xyz/?p=4240 O sistema digestivo dos bovinos compreende boca, faringe, esôfago, pré-estômagos (rúmen, retículo, omaso), abomaso (estômago verdadeiro ou glandular), intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus. Os órgãos acessórios são: dentes, língua, glândulas salivares, fígado e pâncreas. Pela presença dos pré-estômagos, os bovinos, assim como a cabra, a ovelha, o búfalo, o camelo e os cervídeos, […]

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O sistema digestivo dos bovinos compreende boca, faringe, esôfago, pré-estômagos (rúmen, retículo, omaso), abomaso (estômago verdadeiro ou glandular), intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus. Os órgãos acessórios são: dentes, língua, glândulas salivares, fígado e pâncreas.

Pela presença dos pré-estômagos, os bovinos, assim como a cabra, a ovelha, o búfalo, o camelo e os cervídeos, são classificados como poligástricos ou ruminantes, animais que têm capacidade de ruminar, consistindo na regurgitação dos alimentos ingeridos, na remastigação e em nova deglutição.

 

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A língua é o principal órgão prensor, conduzindo o alimento até a boca. Ruminantes não têm dentes caninos nem incisivos superiores. A função antagonista dos incisivos inferiores se realiza pela lâmina dental constituída de tecido conjuntivo fibroso, recoberto por epitélio intensamente cornificado. A fórmula de dentição permanente de ruminantes é 2(I 0/4, C 0/0, P 3/3, M 3/3), quer dizer, 32 dentes.

A eficácia da mastigação é uma condição prévia vital para a digestão em ruminantes porque reduz o material vegetal a partículas de tamanho pequeno, que permite o ataque de microrganismos do rúmen aos carboidratos estruturais.

Os bovinos pastejam durante longos períodos de tempo, mastigam inicialmente de forma breve, ainda dispõem de amplos períodos de ruminação para reduzir as partículas de alimentos de forma a favorecer o ataque microbiano.

Os ruminantes jovens dispõem de uma dentição caduca que na maioria dos casos emerge antes do nascimento. A fórmula de dentição caduca de ruminantes é 2 (I 0/4, C 0/0, P 3/3), ou seja, 20 dentes.

Compartimentos digestivos dos bovinos

A função primária do trato digestivo é o de converter alimentos em componentes químicos capazes de serem absorvidos para a corrente sanguínea, para o uso como nutrientes para uma variedade de necessidades como manutenção corporal, crescimento, engorda, produção de leite e reprodução.

O estômago de ruminantes tem quatro compartimentos: o rúmen, retículo, omaso e abomaso. Coletivamente, estes órgãos ocupam quase 3/4 da cavidade abdominal, enchendo virtualmente todo o lado esquerdo e estendendo significativamente ao lado direito.

O retículo relaciona-se com o diafragma e é unido ao rúmen por uma dobra de tecido. O rúmen, o maior dos pré-estômagos, é propriamente saculado por colunas musculares que são chamadas saco dorsal, ventral, caudodorsal e caudoventral.

Em muitos aspectos, o retículo pode ser considerado uma bolsa cranioventral do rúmen; a digesta flui livremente entre estes dois órgãos. O retículo é conectado ao esférico omaso por um túnel pequeno, o orifício retículo-omasal. O abomaso é o estômago glandular ou verdadeiro do ruminante.

O interior do rúmen, retículo e omaso é exclusivamente coberto com epitélio estratificado escamoso, semelhante ao que é observado no esôfago.

Cada um destes órgãos tem estrutura mucosa muito distinta, embora dentro de cada órgão, alguma variação regional em morfologia possa ser observada. A superfície interior do rúmen forma numerosas papilas que variam em forma e tamanho, desde pequenas e pontiagudas a longas e folhadas.

O epitélio reticular é lançado em dobras que formam camadas poligonais que dão ao retículo, uma aparência de colmeia. Dentro do omaso ocorrem dobras longitudinais largas que lembram as páginas de um livro (um termo comumente utilizado para o omaso é livro). As pregas omasais são acumuladas com ingesta finamente moída e representam aproximadamente um terço da área de superfície total dos pré-estômagos. Epitélio estratificado, escamoso como achado no rúmen não é normalmente considerado um tipo de epitélio absortivo.

Papilas ruminais são muito ricamente vascularizadas e os ácidos graxos voláteis abundantes produzidos por fermentação são prontamente absorvidos através do epitélio. Sangue venoso dos pré-estômagos, como também do abomaso, leva estes nutrientes absorvidos até a veia porta. Ultrapassando estes compartimentos, a digesta chega ao intestino delgado e ao intestino grosso.

Rúmen

O rúmen é o maior dos quatro pré-estômagos. Localiza e preenche quase todo o lado esquerdo da cavidade abdominal. Ele é dividido em quatro áreas ou sacos por estruturas musculares chamadas de pilares ruminais. Há um saco dorsal, um ventral e dois sacos posteriores. Os pilares movem o bolo alimentar pelo rúmen em sentido rotatório, misturando o conteúdo sólido com o conteúdo líquido.

O órgão movimenta-se continuamente, a um ritmo de um a três movimentos por minuto, proporcionando uma divisão física (conhecida pelo nome de estratificação da digesta) e mistura das forragens e outras partículas ingeridas aos líquidos.

Quando completamente desenvolvido, apresenta vilosidades na face interna de sua parede, chamadas papilas ruminais. Estas papilas variam em número e tamanho em função do tipo de alimento fornecido. Quando bovinos são alimentados com dietas ricas em alimentos concentrados, o número e o tamanho das papilas ficam maiores para facilitar a absorção da grande quantidade de ácidos orgânicos produzidos durante a fermentação dos carboidratos.

O rúmen funciona como um combinado de reservatório e câmara fermentativa dos alimentos ingeridos. Os alimentos que chegam ao rúmen pela deglutição são digeridos ou degradados por processos fermentativos realizados pelos microrganismos que vivem dentro do órgão: bactérias, protozoários e fungos.

O processo de digestão ou fermentação é garantido por enzimas produzidas por estes microrganismos, enzimas estas que não são secretadas, mas ficam aderidas a parede celular. Tanto o rúmen quanto o retículo (e também o omaso), fornecem condições ideais para a colonização e crescimento destes microrganismos, que são os maiores responsáveis pelos processos digestivos dos ruminantes.

Condições ideais ao desenvolvimento e permanência dos microrganismos

  • Anaerobiose, ou seja, ausência quase total de oxigênio (O₂);
  • pH entre 5,5 a 7,0, sendo mais comum valores entre 6,8 a 6,9;
  • Temperatura entre 39 e 40ºC, ideal para a atividade enzimática microbiana;
  • Fornecimento contínuo de substrato, que é o alimento destes microrganismos;
  • Movimentos contínuos do retículo-rúmen, que apresentam e inoculam estes microrganismos nas partículas de alimento (substrato microbiano);
  • Alta umidade (em torno de 80% até 90% de água);
  • Retirada contínua dos produtos finais da fermentação, que poderiam acumular e se tornarem tóxicos.

A decomposição do conteúdo ocorre através da fermentação bacteriana, pois a saliva dos bovinos não contém enzimas digestivas e o revestimento dos pré-estômagos não têm glândulas capazes de secretar estas enzimas.

De uma maneira geral, a fermentação pelas bactérias ruminais irá ocorrer sobre cada um dos nutrientes dos alimentos.

Os carboidratos das plantas e outros alimentos (celulose, amido e açúcares) serão fermentados a ácidos graxos voláteis (os AGVs) e então absorvidos pelas papilas ruminais. As proteínas e outras fontes de nitrogênio (ureia, por exemplo) serão degradadas até amônia (NH₃), que será então utilizada para a síntese de proteína microbiana.

Os lípides/gordura serão quebrados em glicerol e ácidos graxos de cadeia longa, sendo o primeiro fermentado até AGV e o segundo hidrogenado, ou seja, as ligações duplas e triplas da cadeia de carbono são transformadas em ligações simples.

Os microrganismos do rúmen sintetizam vitaminas do Complexo B e K. Os AGV são absorvidos no rúmen, enquanto que os outros nutrientes passam para os compartimentos digestivos posteriores.

A atividade motora do rúmen e dos outros pré-estômagos é controlada pelo nervo vago (ramo dorsal, que inerva o saco dorsal do rúmen e o ramo ventral, que inerva o saco ventral do rúmen,retículo,omaso e abomaso), ligado ao sistema nervoso autônomo.

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Retículo

O retículo ocupa uma posição cranial e não completamente separado do rúmen. Logo, suas funções e motilidades estão muito ligadas às do rúmen. A abertura do esôfago no cárdia é comum ao retículo e ao rúmen.

As paredes internas do retículo estão revestidas por uma membrana mucosa, disposta em inúmeras pregas (em forma de favos de mel).

Os corpos estranhos ingeridos pelo bovino (arames, pregos e outros) ficam retidos nestas pregas e impedidos de passar para os demais compartimentos do aparelho digestivo posterior, com consequentes reticulites e pericardites, altamente indesejável para estes animais, que, não raramente, levam o animal à morte.

Semelhante ao rúmen, o órgão não secreta nenhuma enzima. Apresenta um movimento constante, em sintonia com o rúmen. Do retículo, o alimento passa para o rúmen (alimento ainda não totalmente degradado/fermentado) ou para o omaso (alimento fermentado) e deste, para o trato digestivo posterior (abomaso e intestinos).

O retículo é o principal órgão que participa do processo de ruminação, já que é o responsável pela contração que leva a regurgitação.

Omaso

O omaso localiza-se do lado direito do retículo-rúmen, apresentado um formato esférico. Contêm em seu interior muitas lâminas musculares, que lhe conferiram o nome popular de folhoso (folhas semelhantes às de um livro). Na mucosa destas lâminas formam-se papilas, mais curtas e menos numerosas, se comparadas com as do rúmen.

Suas principais funções estão ligadas a absorção de água, de minerais, de ácidos graxos voláteis e redução de partículas alimentares.

Algumas pesquisas apontam o omaso como um órgão selecionador, ou seja, ele definiria se a digesta (alimento sendo digerido) que vem do retículo-rúmen está apta ou não para prosseguir para o abomaso. O material semi-líquido do retículo entra no omaso pelo orifício retículo-omasal.

Contrações omasais frequentes e fortes comprimem e trituram a digesta e de 60 a 70% da água é absorvida. O material de consistência mais sólida passa para o abomaso.

Abomaso

Corresponde ao estômago verdadeiro ou glandular dos bovinos. Possui uma mucosa mais úmida do que os outros pré-estômagos, com pregas longas e altas. Localiza-se ventralmente ao omaso, do lado direito do rúmen.

No bezerro, o abomaso cobre uma grande parte do assoalho do abdômen. A mucosa possui glândulas responsáveis por secretar o suco gástrico ou abomasal, numa velocidade que compensa, mais ou menos, a perda de líquido no omaso. O conteúdo do suco gástrico determina o pH, que pode ser de 1,5 a 3,0. Nestas condições, os microrganismos vindos do retículo-rúmen acabam morrendo.

Os principais produtos secretados pelas glândulas do abomaso são: enzimas (pepsina e pepsinogênio), hormônios (gastrina), ácidos (ácido clorídrico – HCl) e água. No bezerro, o abomaso secreta uma enzima específica para a digestão do leite, a quimosina, que coagula o colostro/leite, formando um coágulo de caseína e liberando o soro.

Intestinos

Os intestinos são divididos em duas porções, as quais sofrem, ainda, subdivisões:

  1. Intestino Delgado: duodeno (porção ativa de digestão e absorção), jejuno (porção para absorção) e íleo (porção para absorção e reabsorção);
  2. Intestino Grosso: ceco (saco cego), colo (parte mais volumosa do intestino grosso) e reto (termina no ânus).

As alças intestinais ocupam os dois terços posteriores do lado direito do abdômen. O rúmen cheio desloca as alças intestinais para a direita da linha média.

A digestão enzimática, que se iniciou no abomaso com a quimosina (bezerro) ou a pepsina (bovino adulto), é completada no intestino delgado com a participação das enzimas pancreáticas (tripsina, quimiotripsina, amilase pancreática, lipase) e de outras enzimas intestinais (lactase, maltase, sacarase, dissacaridases e outras).

Portanto, é no intestino delgado (especialmente no duodeno e jejuno) onde ocorrerá a maior parte da digestão e absorção dos nutrientes (proteínas, lipídios, minerais e vitaminas), ao passo que a maior parte dos carboidratos já foi fermentada no rúmen.

As paredes internas (mucosas) do intestino delgado são revestidas por inúmeras projeções papilares chamadas vilos ou vilosidades, que servem para aumentar a superfície de absorção destes nutrientes. A digestão enzimática desenvolve-se nas primeiras semanas de vida do bezerro, quando começa a ingerir nutrientes que exigem clivagem: dissacarídeos, amido e lipídios.

No intestino grosso, o processo de decomposição, síntese e conversão são mediadas por enzimas bacterianas. É justamente neste órgão que a maior parte da água ingerida será absorvida.

Existe no intestino grosso, uma população microbiana semelhante à do rúmen, mas bem menor em número. Estes microrganismos fermentam o pouco substrato que lá chega, da mesma forma que os do rúmen, produzindo ácidos graxos voláteis e proteínas microbianas.

Ocorre também certa digestão da celulose, pelas enzimas destes mesmos microrganismos. As vitaminas B e K, assim como no rúmen, também são sintetizadas neste órgão. Existe absorção destes nutrientes produzidos no intestino grosso, mas ela é bastante limitada.

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Qual a importância do controle da brucelose e da tuberculose bovina? https://blog.rehagro.com.br/controle-da-brucelose-e-tuberculose/ https://blog.rehagro.com.br/controle-da-brucelose-e-tuberculose/#respond Sun, 06 May 2018 18:57:11 +0000 http://blog.rehagro.xyz/?p=4081 Falar sobre brucelose e tuberculose pode parecer assunto antigo, mas na verdade, trata-se de um tema bastante atual, visto o impacto econômico e a gravidade dessas doenças para a saúde pública. O que acontece muitas vezes é que os produtores rurais obedecem a normas impostas pelos órgãos competentes no controle dessas enfermidades sem conhecer bem […]

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Falar sobre brucelose e tuberculose pode parecer assunto antigo, mas na verdade, trata-se de um tema bastante atual, visto o impacto econômico e a gravidade dessas doenças para a saúde pública.

O que acontece muitas vezes é que os produtores rurais obedecem a normas impostas pelos órgãos competentes no controle dessas enfermidades sem conhecer bem o porquê de estarem fazendo aquilo.

Para começar, a importância da brucelose e tuberculose é tamanha que mereceram a elaboração de um programa inteiro, exclusivamente destinado ao controle e erradicação das mesmas.

 

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O PNCEBT (Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal) foi instituído em 2001 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com o objetivo de diminuir o número de casos da doença (prevalência), assim como de novos casos (incidência).

Para tal, é obrigatória a vacinação de bezerras com idade entre 3 e 8 meses contra brucelose, o sacrifício de animais positivos para qualquer uma das duas doenças e a apresentação de atestado negativo para essas enfermidades ao transportar animais destinados à reprodução para fora do estado ou para ingressar em feiras e exposições.

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A brucelose é comum tanto para gado de corte, como para leite, porém, a tuberculose é um problema mais sério para os produtores de leite, porque esta se dissemina pelo ar, urina e fezes, portanto, as chances de infecção são maiores em rebanhos mais confinados.

Uma vez que, só exigência sem incentivo tem chances reduzidas de sucesso, estão sendo criados, em colaboração com a indústria, métodos de incentivar os produtores a controlarem as doenças em seus plantéis.

De acordo com a resolução número 3207, de 2004 do Banco Central, é estabelecida uma linha de crédito para reposição de matrizes positivas para brucelose e tuberculose aos produtores que:

  • Tenham aderido à certificação de propriedades livres ou monitoradas em relação a estas doenças;
  • As propriedades que estejam participando de inquérito epidemiológico oficial em relação às doenças citadas, tenham tido animais sacrificados em virtude de reação positiva a testes detectores de brucelose ou tuberculose;
  • Atendam a todos os requisitos referentes à Instrução Normativa 6, de 8 de janeiro de 2004, da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e outros normativos correlatos.

Para tanto, o limite de crédito é de R$75.000,00 (setenta e cinco mil reais) por produtor e R$1.500,00(mil e quinhentos reais)por animal.

As medidas de erradicação da brucelose e tuberculose das propriedades visam não somente a saúde dos animais, como a saúde do produtor, de seus familiares, tratadores, trabalhadores da propriedade e dos consumidores dos produtos de origem animal. Tendo em vista que estas são doenças de caráter zoonótico, sendo transmitidas do animal para o homem quando há o consumo de produtos oriundos de animais infectados ou contato com estes.

O produtor pode obter do PNCEBT a certificação de propriedade livre ou monitorada. Além dos benefícios sanitários, isso trará benefícios econômicos, já que haverá a redução dos prejuízos ocasionados pelas doenças, maior credibilidade sanitária de seus produtos, levando a maiores valores agregados e facilidades no trânsito de animais.

Perdas econômicas com as doenças

Brucelose

A brucelose é causada pela Brucella abortus e é uma doença infecto-contagiosa que acomete algumas espécies importantes de animais domésticos e o homem, incapacitando-o parcial ou totalmente para o trabalho.

Os sintomas no ser humano são parecidos com os da gripe: febre, sudorese noturna, dores musculares e articulares, podendo se agravar, levando, inclusive à morte. Os prejuízos, além do tempo sem trabalhar, contemplam também custos com o diagnóstico, tratamento e internação.

A forma mais comum de ser infectado é pela ingestão de leite, carne e derivados, sem tratamento térmico adequado, provenientes de animais contaminados. Para os trabalhadores rurais, o maior risco é a transmissão por meio do contato da bactéria com mucosas ou através de feridas na pele por ocasião do manuseio de animais e restos fetais provenientes de aborto.

Nos bovinos e bubalinos, a brucelose acomete principalmente o trato reprodutivo, ocorrendo preferencialmente em fêmeas, gerando:

  • Perdas diretas devido aos abortos e natimortos;
  • Aumento do intervalo entre partos;
  • Diminuição dos índices reprodutivos;
  • Diminuição da produção de leite;
  • Interrupção de linhagens genéticas.

O aborto ocorre no terço final da primeira gestação após a infecção, menos frequente na segunda subsequente e raramente nas próximas. Isso ocorre devido ao desenvolvimento de imunidade e, por isso, em rebanhos infectados, a doença se manifesta principalmente em novilhas. Nestes partos onde o animal já adquiriu certa resistência à doença, é mais comum o nascimento de bezerros fracos ou mortos. A retenção de placenta é frequente.

A vaca prenhe contaminada é a principal fonte de infecção para o rebanho por eliminar a bactéria por ocasião do aborto, disseminando bactérias no ambiente.

Ocorre desvalorização de animais provenientes de fazendas onde há casos positivos da doença e, nas regiões onde esta se encontra de forma endêmica, há desvantagem na disputa por novos mercados.

Dados indicam a brucelose como a responsável pela diminuição de 25% na produção de leite e de carne e redução de 15% na produção de bezerros. Há ainda estimativas mostrando que a cada 5 vacas infectadas, uma aborta ou torna-se permanentemente estéril. (Manual técnico do PNCEBT).

Para controlar a brucelose, além das medidas exigidas pela legislação, é preciso evitar a introdução de animais infectados no rebanho por meio da realização de exames antes de efetivar a compra. Além disso, a implementação de piquete de parição na propriedade ajuda a evitar a disseminação.

Tuberculose

A tuberculose é também uma doença infecto-contagiosa causada por bactéria. Nos bovinos, o agente responsável pela enfermidade é o Mycobacterium bovis, causador do desenvolvimento de lesões nodulares denominados tubérculos, que podem se localizar em qualquer tecido ou órgão do animal.

A evolução crônica da doença dificulta a identificação de sintomas, gerando disseminação pelo rebanho. Não apresenta sintomas alarmantes como aborto, febre alta e queda abrupta de produção, porém reduz o ganho de peso e a produção de leite, podendo levar à morte, além de promover o descarte precoce de animais com alto valor zootécnico e a condenação de carcaças no abate.

Há estimativas de que animais contaminados percam de 10 a 25% da sua eficiência produtiva, além da perda do prestígio e da credibilidade da fazenda onde há casos positivos de tuberculose.

Os sinais clínicos são poucas vezes associados à doença já que se desenvolvem lentamente. São eles:

  • Emagrecimento progressivo;
  • Cansaço;
  • Dificuldade respiratória;
  • Tosse;
  • Mastite, entre outros.

Pulmão e linfonodo bovino infectados pela tuberculosePulmão e linfonodo bovino com diversos nódulos de aspecto caseoso.

Em humanos, a contaminação se dá principalmente pelo consumo de leite e carne crua ou mal passada, oriundos de animais infectados. Como o agente da doença é eliminado pelo ar expirado, fezes, urina, leite e outros fluidos corporais dos bovinos, os trabalhadores das propriedades rurais e da indústria de alimentos também estão no grupo de risco da doença.

Isso se torna mais preocupante pelo fato de os animais infectados eliminarem a bactéria antes do aparecimento dos sintomas. Vale lembrar que os humanos portadores de tuberculose também podem ser fonte de infecção para o rebanho. As lesões em humanos variam de acordo com a via de penetração inicial da bactéria.

Assim como na brucelose, é importante exigir o exame de tuberculose antes de adquirir um animal. Também é medida de controle ter instalações que permitam a entrada da luz solar e evitar a aglomeração de animais em estábulos.

A partir de tudo isso, fica claro o porquê de se fazer um controle e manejo estratégico de eliminação destas duas doenças. O diagnóstico das duas doenças é simples e pode ser feito por médico veterinário habilitado.

Diagnóstico da brucelose

Para identificar a presença da brucelose no rebanho, dois exames podem ser feitos pelo médico veterinário habilitado: o Antígeno Acidificado tamponado (AAT) e o teste do anel em leite (TAL).

Ambos identificam a presença de anticorpos contra a doença, porém o último é feito em uma mistura do leite de vários animais. O AAT é individual, feito a partir do sangue coletado de cada bovino. Veja abaixo como é realizado o procedimento:

Coleta de sangue sendo realizada em uma vacaColeta de sangue da artéria coccígea, localizada no sulco central da parte ventral da cauda. As agulhas utilizadas devem ser individuais e descartáveis.

Amostra de sangue de gadoAmostras acondicionadas em tubos, preferencialmente, à vácuo.

Sangue sendo centrifugado para separação do soroCentrifugação do sangue por 3 minutos para promover a separação do soro. No caso de não possuir este aparelho, é possível a obtenção do soro deixando os tubos à temperatura ambiente por tempo suficiente para que o sangue se coagule.

Placa de vidro com amostra de soro e antígeno da bruceloseEm uma placa de vidro, são adicionados 0,03 ml deste soro e a mesma quantidade do antígeno acidificado tamponado, misturando-os com o auxílio de uma espátula.

Mistura entre o soro do sangue e o AAT Mistura entre o soro sanguíneo e o AAT. Em exames positivos, formam-se coágulos de fácil percepção nesta mistura.

Placa com exames negativos para a brucelosePlaca com todos os exames negativos.

Exemplo de resultado de exame positivo para bruceloseExemplo de reação positiva. (Fonte: Manual técnico do PNCEBT)

AAT é um exame de alta sensibilidade, ou seja, existem poucas chances de ser falso negativo.

Porém, falsos positivos podem ocorrer pela reação cruzada com determinadas bactérias. Nestes casos, a repetição da prova ou a realização de outro exame, denominado 2-mercaptoetanol, é recomendada.

Diagnóstico da tuberculose

O exame diagnóstico a seguir é a prova de tuberculinização, que consiste na inoculação intradérmica de uma tuberculoproteína , a tuberculina (CORRÊA & CORRÊA, 1992; PAES, 1990).

Existem três modalidades para este teste: a inoculação do Micobacterium Bovis na região cervical (teste cervical simples), do M. bovis e do M. avium na mesma região (teste cervical comparativo) ou tendo a prega caudal como local de inoculação do M.bovis. Este último só é permitido em rebanhos de corte.

As variações do teste cervical servem para descartar a possibilidade de um caso positivo na prova simples ser devido ao contato com a espécie aviária da tuberculose.

Veja nas fotos abaixo, como é realizado o procedimento de tuberculinização no exame comparativo:

São realizadas duas raspagens na região escapular do animal. No local da primeira raspagem (frente), faz-se o teste da tuberculose aviária, com a inoculação da tuberculina aviária e, no segundo, da tuberculose bovina, inoculando-se a tuberculina bovina.

Raspagem em bovino para retirada de sangue para exame de tuberculoseÁreas raspadas para demarcação das regiões a receber as inoculações de M.avium e M.bovis.

Dobra de pele de bovino sendo medida pelo cutímetroAntes das aplicações, a dobra de pele dos locais deve ser medida com o auxílio de um cutímetro e os valores obtidos devem ser anotados.

Nova medição com o cutímetro deve ser feita 72 horas após a inoculação dos reagentes. Com o cálculo da diferença de espessura das dobras de pele é obtido o resultado de acordo com o exemplo abaixo:

Valores de interpretação de teste de tuberculose

Os valores de interpretação do teste podem ser encontrados na bibliografia consultada na confecção deste artigo.

Observação

Os exames diagnósticos descritos acima (AAT e Prova de tuberculinização) foram realizados na Fazenda Suzana, localizada próximo a Ibitira/MG, de propriedade do Sr. Daniel Alves da Silva, gerenciada pelo Sr. José Valdemir e assistida pelo médico veterinário da equipe Rehagro, Ernane Campos. Para ambos os testes não houve diagnósticos positivos.

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