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]]>Conhecer os principais insetos praga que atacam este cultivo, bem como os danos que podem ser causados é um passo muito importante no manejo da lavoura, o qual poderá contribuir significativamente para maiores produtividades.
Você conhece as principais pragas que afetam o cultivo da cana-de-açúcar? Quais os danos são causados por elas? Nesse texto será possível conhecer um pouco mais sobre as pragas que podem reduzir de maneira expressiva, os lucros do produtor.
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Em seu estádio juvenil, a broca da cana é encontrada na forma de lagarta, a qual causa grandes prejuízos ao cultivo.
A lagarta jovem apresenta coloração branco-amarelada, cabeça marrom escuro e possui pontuações e manchas marrons pelo corpo, como pode ser visualizado na imagem abaixo:

A mesma se alimenta inicialmente das folhas e depois penetra o colmo da planta pelas partes mais moles, ou seja, pela região do nó, fazendo galerias, as quais podem ser longitudinais ou transversais.
Na imagem abaixo, é possível observar o início do broqueamento causado pela lagarta, bem como as alterações de coloração provocadas.

Esta praga pode ocorrer em todo o estádio de desenvolvimento da planta, podendo causar prejuízos diretos e indiretos. Conheça estes danos:
Danos diretos devido a abertura de galerias no colmo:

Danos indiretos causados pela broca:


O grande desafio de se manejar esta praga de solo, teve início após a proibição, em algumas regiões, da queima da lavoura para corte. Se por um lado esta proibição trouxe benefícios ao meio ambiente, por outro lado, representou desafio técnico no controle da mesma.
Atualmente, o sistema de colheita de cana “crua”, o qual não se tem a queima da palha, permite maior sobrevivência da cigarrinha-das-raízes, devido à formação de um microclima úmido favorável.
As formas jovens desta praga são conhecidas como ninfas, e tanto nesta forma quanto na forma adulta, elas causam bastante dor de cabeça aos produtores.
Como ninfas, as cigarrinhas se alimentam das raízes superficiais da cana, liberando uma espécie de espuma branca, que se acumula na parte inferior da planta ao nível do solo, como pode ser observado na figura abaixo:

Estes danos causados pelas ninfas nas raízes da planta, impedem ou dificultam o fluxo de água e nutrientes na mesma. Com isso, pode haver desidratação, “chochamento” e afinamento do colmo, levando ao aparecimento de rachaduras na parte externa.
Já os danos causados pelos adultos da cigarrinha são:

Alimentam-se da base da touceira da cana e do sistema radicular, podendo os destruir e causar a morte das plantas;
Podem causar danos desde o plantio, com a destruição das gemas e consumo das reservas dos toletes sementes, impedindo a germinação dos mesmos. Bem como, ao longo do desenvolvimento do canavial, o qual causa danos às raízes, bases do colmo e perfilhos.
Causa problemas também durante a fase de maturação, na cana adulta, o qual penetram o colmo e provocam secamento e morte dos mesmos;
Devido à sua vasta distribuição geográfica e dos custos para controle, as formigas cortadeiras tem se tornado uma praga importante e que tem causado grandes prejuízos. Estas se alimentam principalmente das folhas novas, causando desfolha característica;
Esta broca causa danos por abrir galerias no colmo, deixando-o oco, podendo gerar sintomas de “coração morto” na brotação da soqueira. Quando em alta intensidade na lavoura, pode ser necessário reformar o canavial, uma vez que reduz a longevidade do mesmo.
“Qual a melhor época para plantar cana-de-açúcar?”
“Controle biológico da cana-de-açúcar“
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]]>No entanto, o canavial será produtivo comercialmente durante todo esse tempo com alta produtividade de energia e matéria seca se seguidas as recomendações de correção do solo, adubação, manejo de pragas e plantas daninhas, colheita no período correto.
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Com canaviais bem conduzidos é possível obter uma produtividade de 120 a 150 t/ha, embora existam variedades com potencial de produção acima de 200 t/ha em um só corte.
Muitas vezes, as piores áreas da propriedade são destinadas ao plantio da cana-de-açúcar e não são seguidas as práticas recomendadas. Com isso, o canavial terá baixa produtividade, com pouca longevidade e a cultura será percebida como fonte de alimento com baixo teor nutritivo.

Para a implantação de um canavial com alta produtividade e longevidade é necessário seguir várias práticas que vão desde a correção do solo para o plantio das mudas até a colheita da planta.
O primeiro passo para uma boa correção é ter um profundo conhecimento desse solo.
Para isso é preciso ter em mãos os resultados da análise de solo, colhida e interpretada por um técnico responsável. Essa prática será um fator decisivo no sucesso da lavoura, pois é a partir dela que será feito o planejamento de adubos e fertilizantes.
Quando a amostragem de solo e a interpretação desses dados não são feitas corretamente, corre-se o risco de compra excessiva ou insuficiente de corretivos e fertilizantes, ocasionado assim uma queda de produtividade.

A calagem tem como principal objetivo reduzir a acidez do solo, elevando o valor do pH.
O valor de pH em água considerado ideal para um bom crescimento e desenvolvimento da maioria das culturas é de 5,5 a 6,5. Nesta faixa, as plantas terão condições ideais para absorção e aproveitamento dos nutrientes extraídos do solo.
A acidez do solo, quando excessiva, pode causar limitações no desenvolvimento da cultura comprometendo a sua produtividade. Sabe-se que para uma boa correção da acidez do solo é necessário a aplicação no mínimo 90 dias antes do plantio.
Dentre as características já citadas, o calcário tem várias vantagens com fornecimento de Ca e Mg para o solo, aumentar a eficiência de outros fertilizantes, melhora a atividade microbiana.
O uso do gesso agrícola é determinado através da interpretação da análise de solo e tem como principais funções fornecer Ca e redução da toxidez por alumínio nas camadas subsuperficiais (20 a 40 cm). Recomenda-se a aplicação do gesso agrícola quando: Ca: < 0,4 cmolc/dm3 e/ou Al: > 0,5 cmolc/dm3 e/ou saturação por alumínio (m%): > 30%.
As mudas devem ser obtidas da cana-planta com 10-12 meses de idade, devem estar sadias, com colmos eretos e bom desenvolvimento. Para o plantio de 1 hectare serão necessários 10 toneladas de colmo.
Devem ser plantas vigorosas, resistente a pragas e a doenças, com alta produção de colmos e sacarose, ausência de joçal e floração.
É recomendado o espaçamento entre linhas de 1,0-1,5m, dependendo do tipo de solo e da variedade a ser plantada. Profundidade do sulco em torno de 0,40 m cobrindo as mudas com 0,10m de terra. As plantas são dispostas no sulco no sentido pé com ponta de maneira que fique de 15 a 18 gemas por metro e os toletes picados a cada 3 a 4 gemas.
Após a distribuição das mudas no sulco e picagem dos toletes é recomendado o tratamento com inseticida para evitar a o ataque de pragas iniciais que atacam a cultura, principalmente formigas e cupins.
Antes do plantio das mudas, deve-se ter um cuidado no combate das plantas daninhas, para que não tragam problemas na condução da lavoura.
Atualmente, têm sido usadas três épocas distintas para o plantio da cana-de-açúcar:
Neste caso, realiza-se o plantio junto com início da estação chuvosa (setembro a novembro). Mesmo apresentando menor potencial produtivo no primeiro ano é o método mais utilizado pelos pecuaristas, pois a produção de volumoso é rápida.
No entanto, o que se observa nas propriedades é essa regra não está sendo seguida. Isso devido ao atraso nas atividades pré-plantio e também à escassez de chuvas em muitas regiões, reduzindo ainda mais o potencial produtivo da lavoura no primeiro ano após o plantio.

Outro cuidado que deve ser tomado é a escolha de áreas que apresentem menor risco de erosão, já que o solo ficará exposto durante grande parte da estação chuvosa.
Uma exigência é procurar solos com grande disponibilidade de água e nutrientes já que a cultura iniciará a formação dos colmos e terá pouco tempo com boa disponibilidade de água para se desenvolver, isso se tratando de áreas não irrigadas.
Esse método é recomendado nas fazendas somente em casos de urgência por alimento.
É um sistema muito adotado por usinas e destilarias. O canavial tem altas produtividades já no primeiro ano, pois terá de 15 a 18 meses para crescer e desenvolver. Pode ser cultivada em solos de baixa a alta fertilidade e cultivares de ciclo precoce, médio e tardio.
Neste método de cultivo, a cana é plantada nos primeiros meses do ano (janeiro a março). A planta inicia o seu desenvolvimento no fim do período chuvoso. Com a chegada do inverno, o desenvolvimento da planta fica mais lento durante cinco a seis meses (abril a setembro). Nos meses seguintes (outubro a abril), a planta paralisa o seu crescimento e só então amadurece nos meses seguintes até completar 15 a 18 meses.
Uma grande vantagem desse sistema é que a cultura aproveita os meses do ano com condições ideais de umidade e temperatura para o desenvolvimento das plantas, garantindo o pegamento das mudas.
Esse método é adotado em propriedades onde há irrigação disponível, obtendo altas produtividades já no primeiro ano. Neste sistema, podem ser plantados cultivares de ciclo precoce, médio ou tardio.

Deve-se tomar um cuidado imenso com o ataque de formigas após o plantio das mudas, pois essas pragas podem reduzir o seu estande necessitando, em alguns casos, de fazer o replantio da área.
Recomenda-se o plantio de variedades de todos os ciclos (precoce, médio e tardio) para se ter disponível plantas com alto teor de energia e matéria seca ao longo do ano.
A escolha da cultivar é um fator de suma importância para o sucesso da sua lavoura. Desejam-se variedades adaptadas à região e compatíveis com o sistema de produção, com boa resistência a pragas e doenças, alta produtividade de matéria seca.
Aconselha-se o combate no pré-plantio das plantas daninhas para que não haja problemas após a implantação da lavoura. Culturas infestadas podem ter a produção comprometida pela infestação por plantas daninhas, diminuindo o estande e reduzindo a vida útil do canavial.
Uma má condução do canavial pode comprometer a sua lavoura e aumentar o custo por hectare, tornando assim a sua produção inviável financeiramente.
É indispensável o acompanhamento do técnico durante a condução da lavoura, pois ele terá ferramentas e dicas práticas para uma boa condução da lavoura, levando-o a altas produtividades e canaviais bem duradouros.
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]]>No momento em que os olhos do mundo estão voltados para o aquecimento global, nossa tecnologia na obtenção de cana-de-açúcar tem servido de modelo para os demais países.
Dentro desta visão conservacionista devem-se realizar manejos na cultura que otimizem a produção de cana e que sejam coerentes com a produção sustentável.
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Cana implantada com 8 meses de idade
Área de implantação da cultura da cana de açúcar
Como toda cultura, a cana é atacada por uma série de insetos-praga desde sua implantação até o corte. Após a instalação deve-se ficar atento ao ataque de pragas, as quais são responsáveis por grandes perdas nas lavouras.
Nesse artigo, será dado mais destaque as duas das mais importantes pragas que atacam a cana-de-açúcar: broca-da-cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis) e cigarrinhas-das-raízes (Mahanarva fimbriolata). Para estes dois insetos o controle biológico apresenta-se como estratégia de controle viável, eficiente e a baixo custo.
O Controle biológico consiste na utilização de um organismo vivo (animal, inseto, fungo, bactéria, vírus, etc.) para a regulação populacional de outro organismo vivo que esteja causando dano numa cultura de interesse econômico.
A broca-da-cana é uma praga muito importante por causar prejuízos diretos e indiretos à cana.
Como prejuízos diretos têm-se: perda de peso do colmo devido ao mau desenvolvimento das plantas atacadas, secamento dos ponteiros, enraizamento aéreo, brotação lateral, morte de algumas plantas, quebra do colmo na região da galeria e redução da quantidade de caldo.
Já os prejuízos indiretos são provocados pela entrada do fungo Fusarium moniliforme e Colletotrichum falcatum (“complexo broca-podridão”), através do orifício deixado pela broca, ocasionando respectivamente, a podridão-de-fusarium e a podridão-vermelha, responsáveis pela inversão e perda de sacarose no colmo.
Orifícios de entrada e saída da broca-da-cana na base do colmo.
Para que se compreenda como usar o controle biológico para conter o ataque da broca é importante conhecer seu ciclo biológico.
Os ovos são colocados, geralmente, na face superior das folhas, de forma agrupada, assemelhando-se a escamas de peixe. Os ovos são muito sensíveis ao ressecamento em umidades relativas do ar inferiores a 70%.
As lagartas recém eclodidas (primeiros ínstares) alimentam-se das folhas do cartucho, raspando-as, onde se abrigam, alimentando-se da nervura central e fazendo pequenas galerias nas bainhas das folhas, caminhando em direção ao colmo.
As lagartas mais velhas (segundo ou terceiro ínstares) penetram no colmo pela parte mais mole e abrem galerias ascendentes na região do palmito e durante essa fase abrem galerias verticais e transversais, onde permanecem até o estágio adulto.
Lagarta-da-broca no interior das galerias abertas no colmo da cana-de-açúcar.
Após cerca de 40 dias, as lagartas abrem um orifício, fechando-o com fios de seda e serragem. Nessa fase, transformam-se em pupa e, posteriormente, em mariposas, as quais saem pelo orifício aberto e vão atingir novas plantas.
O ciclo completo do inseto varia de 53 a 60 dias. As lagartas de último instares podem durar muito tempo no inverno, quando as condições climáticas são desfavoráveis e o número de horas de luz diminui, passando por um período chamado de diapausa (dormência).
Galerias formadas pela alimentação das lagartas no colmo da cana.
Como as lagartas ficam dentro do colmo é muito difícil o controle químico da broca após sua entrada no colmo, pois os produtos químicos (inseticidas) não conseguem atingir o alvo (broca dentro do colmo).
Dessa forma, a única alternativa viável de controle é a liberação de uma vespinha (Cotesia flavipes) que consegue localizar a broca e parasitá-la no interior do colmo.
Antes da liberação da vespinha é importante que seja feito o levantamento da quantidade de lagartas na área quinzenalmente, quando as plantas apresentarem os primeiros internódios visíveis (plantas com três meses) e até quando não for possível entrar no meio do canavial (12 meses).
Para a amostragem são analisados dois pontos por hectare. Em cada ponto são avaliados os colmos de todas as plantas em 5 metros lineares de duas ruas paralelas, num total de 10 metros lineares por ponto. Todas as plantas devem ser avaliadas e os colmos com orifícios de entrada da broca abertos e observados.
Geralmente, a planta atacada apresenta o sintoma típico de “coração-morto” (folha central seca), o que é um indicativo da presença da broca. O amostrador deve anotar o número de lagartas menores e maiores que 1,5 cm, de pupas e de “massas” (grupo de pupas) da vespinha encontradas. Os valores devem ser extrapolados para 1 hectare para tomada de decisão.
A vespinha (Cotesia flavipes) consegue localizar as lagartas por meio do odor liberado pelas fezes no interior do colmo da cana parasitando-as em seguida. A liberação deve ser feita sempre que a população atingir o mínimo de 800 a 1000 lagartas/ha (1 a 1,5 lagartas/10 m amostrados).
As liberações de vespinhas podem ser parceladas ou únicas, com uma média de 6.000 adultos (fêmeas + machos)/ha/ano. As vespinhas devem ser liberadas de forma a cobrir toda a área-problema, posteriormente, transferindo-se o controle para outro local.
Sintoma típico do ataque da broca-da-cana: plantas com as folhas centrais secas (“coração-morto”).
Canaviais em maturação não devem receber liberações, pois nessa fase já não há mais tempo hábil para evitar danos. A maioria das grandes usinas sucroalcooleiras apresenta um laboratório para a criação massal dessas vespas e posterior liberação no campo em função do nível de infestação da broca-da-cana.
Também existem laboratórios particulares que comercializam a vespinha viabilizando a utilização dessa estratégia biológica de controle por todos os produtores.
Geralmente, o produtor adquire o parasitoide na fase pupal (em “massas”) em copos contendo cerca de 1.500 indivíduos. Esses copos devem permanecer com sua tampa, em sala com ar-condicionado (27oC), com umidade ao redor de 80% e iluminada, pois as vespinhas necessitam dessas condições para emergir e copular.
A liberação é realizada somente depois de 12 horas do início do nascimento (emergência) dos adultos, para que a cópula seja realizada. É usual a liberação de 1.500 adultos (um copo) por ponto, em 4 pontos/ha.
Resultados de pesquisa têm indicado que a liberação de 500 adultos/ponto em doze pontos/ha tem garantido uma melhor distribuição do parasitoide no canavial.
Entretanto, a quantidade de vespas a ser liberada é variável de acordo com o nível populacional da praga. Deve-se caminhar de um ponto ao outro com o copo aberto e, ao chegar ao local, pendurá-lo por entre as folhagens.
Liberação da vespinha Cotesia flavipes em copos contendo 1.500 adultos.
Uma outra alternativa de controle biológico é o uso da vespinha Trichogramma galloi, que parasita os ovos da broca-da-cana.
A associação das vespinhas C. flavipes e Trichogramma tem garantido excelente controle, visto que estas atuam em diferentes fases de desenvolvimento da praga (ovo e lagarta). Três liberações semanais consecutivas de T. galloi e uma de C. flavipes acarretam uma diminuição de mais de 60% no índice de intensidade de infestação causado pela broca.
Outra praga importante da cana é a cigarrinha-das-raízes, cuja infestação tem aumentado com a expansão da colheita mecanizada em função dos resíduos de palha deixados sobre o solo.
Para combatê-la é importante conhecer seu ciclo de vida. Os ovos são depositados nas bainhas próximas à base das touceiras, nos resíduos vegetais e na superfície do solo. Dessa forma, a palha remanescente da colheita mecanizada serve de proteção aos ovos.
Cada fêmea pode colocar em média 340 ovos, que após 20 dias originarão as ninfas (formas jovens). As ninfas inicialmente são ativas, movimentando-se em busca de alimento. Algumas se fixam, imediatamente, nos coletos e radicelas na base da planta e começam a sugar seiva e fabricar a espuma na qual, em pouco tempo, ficam cobertas e protegidas.
Essa fase dura em média 37 dias, dependendo das condições climáticas. Os adultos durante o dia ficam escondidos dentro dos cartuchos ou na parte inferior das folhas. Geralmente, o ciclo de M. fimbriolata inicia-se com o início do período das chuvas.
A ausência do inseto de maio a setembro/outubro é decorrente da associação de falta de água, queda de temperatura e redução do fotoperíodo. Geralmente, o primeiro pico populacional de adultos da cigarrinha ocorre em novembro/dezembro que encontrando condições favoráveis de temperatura e umidade dá sequência ao seu ciclo, por mais duas gerações, até chegar a março/abril, quando então reencontra a situação desfavorável.
Inoculação de toxinas nas folhas da cana-de-açúcar por adultos das cigarrinhas-das-raízes.
A alimentação dos adultos da cigarrinha gera a “queima da cana-de-açúcar” devido às toxinas injetadas que causam redução no tamanho e grossura dos entrenós, que ficam curtos e fibrosos.
Os sintomas iniciam-se nas folhas que primeiramente apresentam pequenas manchas amarelas. Com o passar do tempo, tornam-se avermelhadas e, finalmente, opacas, reduzindo sensivelmente a capacidade de fotossíntese da planta e, por consequência, o conteúdo de sacarose do colmo.
As ninfas causam “desordem fisiológica” em decorrência das picadas que atingem os tecidos vasculares da raiz e os deterioram, dificultando ou impedindo o fluxo de água e nutrientes. A morte das raízes ocasiona desequilíbrio na fisiologia da planta, caracterizado pela desidratação do floema e do xilema que podem tornar o colmo oco, afinado, com posterior aparecimento de rugas na superfície externa.
Pode ocasionar também morte dos perfilhos, quebra da dominância apical com o aparecimento de brotações laterais e mudança na arquitetura da planta que fica com as folhas espalmadas, semelhantes a folhas de palmeiras. A segunda geração da cigarrinha-das-raízes, geralmente em janeiro, ocasiona as maiores perdas à produção.
É importante ter em mente que os danos causados pelas cigarrinhas variam com a época de corte da cana, sendo que os danos são maiores na cana de final da safra, podendo haver uma redução de até 50% da produtividade.
Isto ocorre porque a cana se encontra em plena brotação (fase em que é mais sensível ao ataque das cigarrinhas) na época em que a população de cigarrinhas está em alta no campo.
Falhas no canavial devido ao ataque das cigarrinhas-das-raízes.
O monitoramento de adultos da cigarrinha pode ser feito com armadilhas de placa amarelas e o de ninfas, através da contagem de insetos por metro linear, 20 dias após as chuvas em dois pontos por hectare (2 metros de linha, afastando a palha e anotando-se o número de adultos e ninfas).
Considera-se como Nível de Controle (NC) de duas a três ninfas por metro linear de sulco e Nível de Dano Econômico (NDE) de cinco a oito ninfas por metro linear. A tomada de decisão quanto ao controle pode sofrer variação de acordo com o começo da safra (10-12 cigarrinhas/metro) e final da safra (3-5 insetos/metro).
O monitoramento é imprescindível para se decidir sobre a estratégia de controle da praga, sendo que quando realizado na primeira geração permite um controle mais eficiente.
Embora o emprego de inseticidas no controle das cigarrinhas seja recomendado, ele só deve ser utilizado em situações que exijam resposta rápida de controle. Isto ocorre geralmente quando a praga está em um ambiente extremamente favorável para sua proliferação (umidade próxima à saturação, variedade suscetível e área com histórico de ocorrência anterior da praga).
Para o controle efetivo das cigarrinhas-das-raízes, principalmente das formas jovens, tem-se utilizado o fungo entomopatogênico Metarhizium anisopliae quando for detectada 0-1 cigarrinha/metro linear. O fungo deve ser aplicado na concentração de 5 x 1012 conídios viáveis/hectare, equivalente a 225 gramas de conídios puros ou 5 kg do fungo + meio de cultura (arroz).
A aplicação deve ser realizada em alto volume, no mínimo 300 L/ha, utilizando bicos apropriados em pingente, com jato dirigido para a base da cana, de ambos os lados da touceira, preferencialmente ao entardecer para evitar a ação dos raios ultravioleta que degradam os conídios. O fungo consegue vencer a barreira fornecida pela espuma atingindo as formas jovens.
Não é recomendada a aplicação conjunta de inseticida químico com o fungo, pois a ação de ambos pode ser prejudicada. Dependendo da formulação e da concentração de conídios de M. anisopliae aplicados em suspensão, há necessidade de bicos especiais e filtros para se evitar os entupimentos. O fungo pode ser também aplicado em formulação granulada ou em óleo, fresco ou seco.
Alguns laboratórios comercializam o fungo e o enviam para diversas regiões do Brasil (Ex: Itaforte, Biocontrol).
Verifica-se então que na cultura da cana existem dois casos de sucesso do uso do controle biológico (vespinha X broca-da-cana; fungo X cigarrinha-das-raízes) para manutenção do nível de equilíbrio de duas pragas bastante expressivas quanto aos danos diretos e indiretos causados a cultura da cana.
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]]>Se bem manejada, esta cultura pode produzir 150 a 200 toneladas/ha de massa verde em um único corte. A época de plantio deve ser baseada no objetivo da sua produção.
A baixa produtividade obtida por alguns produtores está diretamente ligada à utilização de práticas inadequadas de manejo como: controle de pragas e doenças, combate a plantas daninhas, adubação de cobertura, época de corte, dentre outras.
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A escolha da variedade a ser implantada vai depender de uma série de fatores como:
Tabela 1. Época de Colheita em Função do Ciclo de Maturação das Variedades /Fonte: Oliveira (2010)
Com base na finalidade do canavial e de acordo com o planejamento anual da fazenda, são definidas três épocas distintas para o plantio da cana-de-açúcar:

Antes do plantio da cana, devem ser observados alguns fatores como:
O cumprimento de todas essas etapas e o monitoramento da cultura ao longo de todo o ciclo, aliado às condições ambientais favoráveis durante o ciclo da cultura, garante ao produtor a chance de explorar todo potencial produtivo da cana-de-açúcar.
Esse método é muito utilizado por pecuaristas com urgência de alimentos para os animais, pois proporciona rápida produção de alimento. O canavial apresenta baixa produtividade no primeiro ano.
Nesse sistema, o plantio da cana é realizado no início da estação chuvosa (outubro a dezembro). A planta tem o seu desenvolvimento paralisado nos meses de março a abril e nos próximos meses inicia-se o processo de maturação. Após o primeiro corte, a cana-soca passa a ter um ciclo de 12 meses.
Abaixo, segue o custo de formação de um canavial na região central de Minas Gerais.
Tabela 2. Custo de Formação de Canavial na Região Central de Minas Gerais Safra 2011/2012
No sistema de cana-de-ano, deve ser tomado grande cuidado durante o plantio em solos sujeitos à erosão, já que ficará exposto durante toda a estação chuvosa.
É um método onde a cultura terá de 15 a 18 meses para se desenvolver, obtendo-se assim altas produtividades logo no primeiro ano. É um método muito usado por usinas e destilarias.
A cana de ano e meio é plantada nos primeiros meses do ano (janeiro a março) época em que a planta encontra condições ideais de temperatura e umidade para seu desenvolvimento, permitindo assim brotação rápida e completo pegamento das mudas, reduzindo também o índice de doenças nos toletes.
O crescimento da planta é retomado com a chegada do inverno (abril a setembro) e finalmente tem o seu desenvolvimento paralisado nos meses de outubro a abril. Nos meses seguintes, a planta inicia o seu processo de maturação até completar 15 a 18 meses. Após o primeiro corte, a cana-soca passa a ter um ciclo de 12 meses.
Uma grande vantagem desse sistema é que o plantio não coincide com a colheita e há um melhor controle de plantas daninhas e também menor incidência de doenças.
Na figura abaixo, é possível perceber o comportamento do desenvolvimento de uma cana-de-ano em relação a cana-de-ano-e-meio.
Figura 1: Ciclos de Cana-de-açúcar e variações na temperatura e pluviosidade na Região Centro-sul do Brasil. Fonte: Castro (1999) citado por Maximiliano (2002)
Esse sistema é adotado em propriedades em que há disponibilidade de irrigação, pois o plantio é realizado na época seca do ano.
O canavial apresenta altas produtividades já no primeiro ano, pois é possível controlar a disponibilidade de água no solo.
Experimento conduzido por Moura et al (2005) no município de Capim-PB, comprovaram que a irrigação contribui para uma maior produção de matéria verde do canavial quando comparada com um tratamento sem irrigação.
Figura 2. Produção de Cana-de-açúcar em relação a Diferentes Adubações de Cobertura em Áreas Com e Sem Irrigação /Fonte: Adaptado Moura, et al (2005)
O melhor sistema é aquele que atenderá as necessidades de cada produtor. Para isso, é necessário avaliar bem cada sistema levando em consideração a finalidade de sua produção e os recursos disponíveis em sua propriedade.
A cana-de-açúcar é uma cultura que se bem conduzida exigirá reforma ou replantio após 5 a 6 anos de produção. Porém, só será produtivo durante todo esse tempo com produtividade alta se forem seguidas todas as recomendações de correção do solo, adubação, manejo de pragas e controle eficiente de plantas daninhas, colheita no período correto conforme recomendado pelo técnico responsável.
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