O post 5 passos para a intensificação da cria na pecuária de corte apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>De maneira mais localizada ou regional, esses fatores influenciadores se destacam desde o início das atividades comerciais e com o passar dos anos e o avanço do fenômeno da globalização, a magnitude desses fatores aumentou em proporção e abrangência.
Um fator muito significativo que interfere diretamente na dinâmica do mercado, ficou conhecido como “lei da oferta e da demanda”, onde o preço dos produtos varia de acordo com a quantidade da procura por determinado produto versus a disponibilidade desse mesmo produto no mercado.
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Ao analisarmos o agronegócio, em específico o cenário da cadeia produtiva de carne, esses dois fatores, globalização e lei da oferta e demanda, nos mostra uma tendência importante e significativa.
Durante as duas últimas décadas alguns mercados antes restritos, abriram suas economias gerando um aumento significativo na demanda por produtos ligados ao agro.
Em suma, o cenário interno e global demanda por mais produtos e de melhor qualidade, o que leva à uma necessidade de aumento imediato da produção. Existe a demanda por carne, e precisamos aumentar nossa produção.
Tendo em vista esse cenário macro destacado acima, concluímos então que por diversos fatores, existe uma necessidade de se aumentar e principalmente intensificar a produção de carne no Brasil.
Mesmo com a grande disponibilidade territorial, única no mundo, a cadeia produtiva da carne precisa aprimorar suas técnicas de produção para que em um mesmo espaço de terra seja possível produzir uma maior quantidade de carne.
Apesar de já encontrarmos sistemas de produção altamente intensivos onde todas as fases de produção, cria, recria e engorda, são feitas em sistemas de confinamento dos animais, a grande maioria da carne produzida no país é ainda oriunda de sistemas de criação a pasto. O pasto, quando bem trabalhado, permite ao pecuarista explorar a produção de arroba de maneira mais rentável.
Geralmente a arroba mais barata produzida é a produzida à pasto, ressaltando a necessidade de ser bem trabalhada. Em diversas ocasiões é possível encontrar sistemas de produção totalmente a pasto, onde o valor final da arroba é extremamente oneroso, principalmente pela ineficiência e deficiência nas etapas do processo de produção.
Para se ter eficiência, rentabilidade, e retorno com a atividade pecuária de animais criados à pastos, inevitavelmente então, devemos aumentar a competitividade de nossa atividade e a maneira mais segura de alcançarmos isso é justamente intensificando nossa produção.
Levando em consideração apenas criações a pasto, temos então algumas diretrizes para seguir, onde alcançamos então maiores níveis de intensificação e possivelmente com isso, melhores índices de rentabilidade e lucratividade.
Basicamente em um sistema intensificado o que se alcança é uma maior produtividade, ou seja, uma maior produção de carne em um mesmo espaço físico.
Teoricamente temos então um problema de fácil resolução. Aumentamos a quantidade de animais em determinada área, chegando assim a uma maior produtividade. A prática e a dinâmica do negócio, porém, não são tão simples assim. Para se alcançar esses objetivos, uma série de fatores e práticas devem ser levadas em consideração.
Para aumentarmos a quantidade de animais em uma mesma área tendo em vista o aumento da taxa de lotação em cada fase do sistema cria, recria ou engorda, a métrica é semelhante. Aumentamos a quantidade de pastagem de determinada área e teremos então a possibilidade de aumentarmos a carga animal daquela área.
É bem verdade que o aumento da taxa de lotação é tido como o principal ou um dos principais fatores responsáveis pelo aumento dos níveis de intensificação de uma propriedade de criação a pasto, entretanto, para cada uma dessas fases temos uma série de outros fatores que colaboram e podem levar ao aumento da produção de carne em um mesmo espaço ou em uma mesma área.
A partir de agora, vamos citar e discutir alguns dos principais fatores associados ao aumento da produtividade em cada uma das fases de produção.
De maneira geral, a fase de cria, dentro de um sistema de produção de carne é a fase responsável por fornecer a “matéria prima” de toda a cadeia produtiva.
É na fase de cria que se produz o bezerro que será fornecido à recriadores e, futuramente, entrarão na fase de engorda. Como produto da fase de cria então, temos o bezerro.
Para isso, a fase de cria é composta basicamente, além do bezerro, pelo conjunto de matrizes responsáveis por gestar e amamentar esses bezerros e touros que serão responsáveis pela cobrição dessas matrizes.
Importante salientar que esse último citado, o touro, pode ser substituído por uma importante tecnologia disponível no sistema: a IATF, que vamos citar dentro do tópico de reprodução.
Seguindo a lógica anteriormente citada, a intensificação nessa fase então proporciona, basicamente, uma maior quantidade de arrobas produzidas de bezerros em um determinado espaço e tempo, um ano, por exemplo.
Sendo assim vamos discutir nesse tópico algumas importantes alternativas e ferramentas que podem ser utilizadas para alcançar esse esperado aumento de produção em bezerros.
O primeiro ponto a se destacar é um fator comum a todas as fases do processo de produção:
Quando trabalhamos o aumento da taxa de lotação de maneira eficiente, podemos em uma mesma área aumentar a quantidade de matrizes naquela pastagem.
Esse fator por si só implica em uma maior produção de bezerros por hectare, o que levaria ao aumento final da quantidade de arroba de bezerros produzido em um hectare durante o ano. Alguns estudos mostram que o aumento da taxa de lotação em um sistema de cria pode levar a um aumento em até 300% nas taxas de lucratividade dessa fase.
Para aumentar a taxa de lotação no sistema de produção à pasto, alguns fatores devem ser avaliados e levados em consideração. Muito porque, além da melhoria na oferta e qualidade dos pastos, outros fatores estão associados e relacionados ao aumento da taxa de lotação, como por exemplo a suplementação.
Nesse momento vamos avaliar e comentar apenas os fatores inerentes ao pasto e ao manejo das pastagens e, posteriormente, citaremos esses outros fatores dentro dos próximos tópicos.
O aumento da capacidade de uma determinada área suportar uma carga animal maior, passa inicialmente e principalmente pela melhoria da qualidade e pelo aumento da oferta de pasto aos animais que ali estão pastejando.
Antes de se tratar da melhoria de uma pastagem já estabelecida, é importante ressaltar que ao longo dos anos de utilização incorreta de uma pastagem esta, pode por diversos fatores, entrar em um estado de degradação.
Estima-se que cerca de 80% das pastagens brasileiras se encontram em algum estado de degradação e pastagens degradadas representam menor capacidade produtiva, que se tardiamente observada, pode levar até a perda total do potencial produtivo de uma área originalmente empastada, sendo necessário a implantação de uma nova pastagem no determinado local.
O processo de implantação de uma nova pastagem requer várias frentes de análise e cuidados, a que se estende desde o momento da escolha da forrageira a ser utilizada até o manejo dos animais.
O momento da escolha da forrageira é fundamental para o bom desenvolvimento das pastagens e nele devem ser levados em consideração diversos fatores, entre eles:
Após uma escolha criteriosa e assertiva da forrageira a ser utilizada, o processo de implantação dessa forrageira também deve seguir um criterioso processo, para então termos um pasto com qualidade e quantidade de forragem suficientes para o bom desempenho dos animais.
Considerando então um pasto bem formado, com solo corrigido e adubado dentro de suas necessidades e exigências, onde a forrageira escolhida possa expressar o seu máximo potencial, temos que estar atentos ao manejo e a manutenção dessas pastagens.
A manutenção é fundamental para a continuidade de sua alta produtividade e será necessário de tempos em tempos, respeitando sempre a singularidade de cada sistema, processo de adubação e correção dessa área.
O melhor fator, provavelmente, o mais importante para se manter uma pastagem expressando suas melhores produções, é o manejo correto.
Quando manejamos de maneira adequada respeitando sempre as alturas de entrada e saída de cada pastagem, evitamos o processo de degradação dos pastos, minimizando o aparecimento de plantas invasoras, baixa produtividade, poder de rebrota, entre outros. O manejo correto da forrageira permite que ela tenha uma importante força de rebrota, sempre vigorosa, não permitindo o desenvolvimento de outras plantas no local.
Existem alguns métodos de pastoreios diferentes, entre eles podemos destacar o método rotacionado com carga variável, onde um lote de animais pasteja determinada área dividida em piquetes. Esse método rotacionado em piquetes de tamanhos adequados à carga animal, permite que se aumente a quantidade de animais utilizando uma mesma área, aumentando assim as taxas de lotação.
Se considerarmos como exemplo um aumento muito plausível de 20% de matrizes em um pasto vigoroso, sendo manejado de maneira adequada, teremos por consequência, sem aumentar a área destinada para a produção, um aumento de até 20% na produção do produto bezerro ao final de um ciclo de produção.
Sistemas de cria a pasto por muito tempo foram tidos como uma atividade de baixa rentabilidade por pecuaristas. Entretanto percebeu-se que uma fase de cria bem feita e explorada de maneira adequada, aparando as arestas em suas deficiências aproveitando de maneira mais eficiente seu potencial, pode representar para o sistema como um todo um alto ganho de potencial, bem como apresentar ótimos retornos econômicos para os criadores.
A nutrição de fêmeas para a produção de bezerro deixou de ser negligenciada ao se perceber os saltos nos ganhos de produtividade. Quando se aprimora a nutrição dos animais nessa fase, a suplementação das matrizes e dos bezerros não somente melhora os desempenhos reprodutivos e de ganho de peso, respectivamente, como influencia no desempenho das crias durante toda a vida dos animais.
Muitos estudos estão sendo realizados e mostrando que vacas com bom aporte nutricional, principalmente durante o terço médio de gestação (fase onde ocorre a multiplicação de células musculares no feto, chamada “hiperplasia”) dão origem a bezerros com melhores desempenhos não somente até a desmama mas também durante o período de recria e engorda dos animais.
O primeiro ponto a se destacar na nutrição em uma propriedade de cria é referente a nutrição das matrizes. Vacas criadas a pasto sofrem com a sazonalidade na produção forrageira, ou seja, durante o verão, período chuvoso onde as condições de precipitação de chuva, temperatura e incidência luminosa são ideias para o desenvolvimento forrageiro, obtém-se pastagens de melhor qualidade.
Já no inverno ou período seco do ano onde ocorre a diminuição das chuvas, dos dias e também da temperatura, os pastos na grande maioria das propriedades brasileiras sofrem uma piora significativa nos níveis nutricionais de suas pastagens, principalmente a diminuição dos níveis de proteína.
Por esses fatores citados, entende-se como necessário um programa de suplementação das fêmeas, específico para cada uma dessas estações do ano. Durante o período com maior qualidade e quantidade de oferta de forragem, em várias situações, a suplementação mineral apenas, é suficiente para a manutenção do escore de condição corporal dessas matrizes.
Mesmo no verão, porém, em algumas situações principalmente buscando o aumento da taxa de lotação, se lança mão da utilização de um fornecimento de suplementação energética desses animais, proporcionando assim uma melhor desempenho e um alto aproveitamento das pastagens.
Ao contrário do período das águas onde temos pastagens de alta qualidade, durante o período de estiagem precisamos auxiliar essas vacas com um suplemento mais específico, contendo principalmente níveis mínimos de proteína, aumentando assim a capacidade de aproveitamento da forragem nessa época do ano.
Dois aspectos devem ser ressaltados quando falamos sobre programas de suplementação para vacas. O primeiro deles, comum a programas de suplementação em outras categorias de animais, é a necessidade de boas pastagens.
A suplementação das fêmeas se dá como um suporte à dieta principal desses animais: O pasto. Sendo assim, quando falamos em suplementar, mesmo que apenas com mineral sem adição de fontes de nitrogênio não proteico, subentende-se como pré-requisito uma pastagem de qualidade e com quantidade.
O segundo fator importante a ser ressaltado é referente ao objetivo de um programa de suplementação de vacas. A manutenção de um bom escore de condição corporal é suficiente para que essas matrizes tenham bons desempenhos reprodutivos e sejam capazes de gestar e amamentar suas crias. Nesse caso em específico, o objetivo não é a engorda ou o ganho de peso excessivo dessas fêmeas.
Outra categoria de destaque dentro da fase de cria, onde a nutrição requer alguns cuidados, é o próprio bezerro. Basicamente e imediatamente após o parto, o único alimento demandado pelos bezerros é o leite materno.
Chamamos atenção para esse período para um fato extremamente importante, a colostragem. Uma boa colostragem nas primeiras horas de vida, permite um desenvolvimento em termos de saúde imunológica dos animais, por outro lado, falhas na colostragem podem causar diversos problemas, inclusive a morte.
Com o passar dos dias após o nascimento em um processo tanto social de imitar a mãe quanto natural do desenvolvimento, o bezerro passa a ingerir as primeiras quantidades de pasto, ainda como pré ruminante, pois nessa fase da vida o principal alimento dessas crias é ainda o leite.
A principal ferramenta nutricional, considerando uma mãe bem nutrida produzindo leite com qualidade e em quantidade suficiente para o bezerro, nessa fase da vida, é a suplementação.
O Creep-feeding torna-se então uma importante alternativa. Trata-se da utilização de um cocho privativo aos bezerros, onde as matrizes não têm acesso. Um cercado com dimensões específicas permite o acesso somente dos bezerros ao cocho.
Essa ferramenta ajuda para que os animais antes da desmama tenham acesso a um suplemento balanceado e ajustado às suas necessidades. Importante destacar que a conversão alimentar nessa fase da vida é altíssima, e a resposta dos bezerros ao suplemento é igualmente alta.
Em tempos de bons preços de venda dos bezerros, sem dúvidas programas de suplementação dessa categoria se tornam extremamente atrativos. A utilização do creep-feeding permite a desmama de bezerros mais pesados, comparando com bezerros não suplementados.
Outro fator importante sobre a suplementação de bezerros é referente ao desempenho futuro desses animais. Animais suplementados no período de aleitamento, dão origem a animais com melhores desempenhos durante a fase de recria e engorda, desde que nessas fases o produtor mantenha os níveis satisfatórios e ajustados no quesito nutricional.
Um adendo importante sobre a suplementação de bezerros deve ser ressaltado, principalmente em relação aos produtores de ciclo completo. Quando suplementamos um bezerro, espera-se que durante as próximas fases da vida desse animal, mantenha-se bons níveis de suplementação e cuidados com a nutrição.
Muito comum bezerros suplementados quando entram na fase de recria extensiva sem suplemento ou em pastagens de baixa qualidade, desempenharem aquém do seu potencial. Sendo assim, programas de suplementação de bezerros devem ser seguidos por boas práticas de suplementação durante a cria e também durante a engorda.
Por fim, de menor destaque, propriedades que utilizam de touros para monta natural, devem estar atentas ao escore de condição corporal desses animais. Manter um touro com bom escore durante o ano, permite que esse animal desempenhe com qualidade durante o período da estação de monta, onde eles serão mais exigidos.
A estação de monta é um período do ano onde as matrizes de uma propriedade são desafiadas à reprodução. O processo de inseminação das fêmeas pode acontecer tanto por monta natural, onde os touros são utilizados na vacada, quanto por inseminação artificial. Às vezes até pelos dois, sendo comum vacas serem inseminadas uma ou mais vezes, fazendo depois um repasse com os touros.
Existem vários motivos que justificam a utilização da estação de monta. Hoje um sistema intensivo de cria a pasto inevitavelmente terá que estabelecer, de acordo com suas particularidades, uma estação de monta.
Dentre os diversos motivos para a utilização de monta, um se destaca. Já citado anteriormente, a sazonalidade de produção forrageira é um importante motivador para a implantação de uma estação de monta. É sabido que no decorrer de um ano existem várias estações que refletem em características climáticas diferentes e cada uma dessas características causa, por consequência, o aumento ou a diminuição da oferta de forragem nos pastos.
O objetivo principal para a implantação de uma estação de monta é então, ajustar o período reprodutivo das fêmeas precisamente no período do ano onde obtém-se a maior disponibilidade de forragem. Para uma boa resposta reprodutiva e para emprenhar e gerar um bezerro saudável, a fêmea aumenta sua demanda por forragem.
A estação, então, sincroniza esse aumento da necessidade com o momento onde há maior oferta nos pastos. Além de atender a demanda da vacada, a estação de monta por consequência apresenta uma série de outros benefícios, inclusive para os bezerros.
Cada propriedade deve adequar sua estação de monta de acordo com as características da região onde ela se encontra. Uma propriedade onde o início das chuvas ocorre primeiro, pode antecipar sua estação. Em contrapartida, nas regiões onde a chuva demora um pouco mais para começar, a estação pode ser retardada em alguns dias ou até meses.
Outro fator que pode variar entre propriedades é o período de duração de uma estação de monta. Uma referência importante para esse período é uma estação de 90 dias ou três meses.
Nesse modelo é possível que todas as matrizes sejam inseminadas uma ou mais vezes e o mais importante, permite que toda vaca produza ao menos um bezerro por ano, que é o grande objetivo de um sistema de cria.
Em algumas situações específicas no entanto, relacionadas principalmente ao quesito clima, algumas propriedades realizam a estação por um período de tempo maior. É importante salientar que quanto menor o tempo da estação, maior a capacidade de selecionar as fêmeas e maior a concentração de partos, o que também é um fator positivo.
Uma propriedade que não adota uma estação de monta bem estabelecida e deseja então iniciar essa ferramenta tão positiva, deve resguardar alguns cuidados. No início a estação pode ser maior, em torno de 5 ou 6 meses e ao decorrer dos anos pode ser ajustada para os três meses, que é o habitual.
Alguns fatores que não estão relacionados à vaca também são encontrados em uma propriedade que pratica uma estação bem estabelecida e funcional.
Quando se tem um período de acasalamento no início das águas, o nascimento dos bezerros ocorre em um período mais seco do ano, o que para o bezerro pode ser muito positivo. Bezerros que nascem no período chuvoso do ano apresentam maiores problemas relacionados à sanidade.
Estudos ainda mostram que o desempenho dos bezerros nascidos no início da estação de nascimento (meses de agosto e outubro), apresentam desempenhos superiores de ganho de peso, tanto na desmama quanto durante a recria e engorda, quando comparados aos bezerros nascidos no final do período de nascimento.
Esse fato se deve por vários motivos, além do aspecto sanitário já mencionado, o período de desmama dos bezerros ocorre em uma época do ano mais favorável ao animal que inicia sua vida como dependente apenas de forragem.
Um outro aspecto importante que devemos destacar relacionado aos bezerros, é em relação à sua seleção. Quando limitamos o período de nascimento dos animais, a comparação entre eles é mais justa e possibilita avaliar quais os animais apresentam o melhor desempenho dentro de uma mesma categoria, recebendo as mesmas condições nutricionais.
A concentração dos partos destes animais permite ainda ao pecuarista um maior poder de negociação desses bezerros. À medida que temos um grande número de animais para venda, aumentamos então nossas condições em busca de melhores preços.
A seleção das matrizes também se dá de maneira mais eficiente em uma propriedade que utiliza da estação de monta. Ao final de cada estação, é possível identificar e descartar as matrizes que não lograram com êxito no período reprodutivo, devendo então serem descartadas.
Por fim, o estabelecimento do período de nascimento dos bezerros e de inseminação das fêmeas auxilia no manejo da propriedade. Estas fases demandam de cuidados específicos e de mão de obra qualificada e quando conseguimos concentrar essas atividades, aumenta a possibilidade de planejamento para esses períodos, além de aumentar também a facilidade em determinar o momento de receita com bezerros machos, com as bezerras excedentes e com as vacas de descarte, possibilitando maior controle financeiro da atividade.
A estação de monta é uma realidade para as propriedades de cria e devem ser consideradas um objetivo para os pecuaristas que ainda não adotam esse manejo, bem como um ponto de melhoria constante para aqueles que já o fazem. São muitos os benefícios decorrentes de uma prática relativamente de baixo custo para o pecuarista.
A procura de produzir mais em menos tempo, leva a um maior investimento na fase de cria, mantendo o animal menos tempo em confinamento e pasto. Consequentemente, essa ação leva a lucros maiores e para que isso seja possível, a genética do rebanho é um fator essencial a ser discutido e levado em consideração pelos produtores.
Dentro do melhoramento genético na pecuária de corte, temos seleção e cruzamento. A seleção permite que escolha o animal que será utilizado como parental da próxima geração, já o cruzamento é entre as diferenças raças.
O melhoramento genético deve ser direcionado de acordo com o sistema de produção desejado, porém o mais comum é que este processo seja feito de forma aleatória, sem objetivos concretos. É necessário um planejamento correto, pois quando não é feito de forma incisiva, a evolução será um retrocesso no desempenho produtivo dos animais.
De acordo com o especialista Roberto Carvalheiro (GenSys) “todo criador é um selecionador”, pois escolhe quais animais colocará em reprodução, quais de suas vacas e quais touros (ou sêmen) utilizará, tomando assim decisões de seleção genética.
Porém, segundo o especialista, “nem todo selecionador promove melhoramento genético do seu rebanho”. A escolha das características a serem selecionadas deve ser tomada da melhor maneira possível, considerando todos os seus prós e contras.
Em um melhoramento genético do rebanho, primeiramente é preciso traçar um objetivo que desenvolva um cruzamento que fornecerá a melhoria de características. Deste modo irá trazer benefícios futuros para a produção, permitindo um maior valor agregado ao produto final.
O planejamento genético é essencial para a fase de cria e todo o retorno que o animal agrega para a fazenda, começa nessa fase. Um animal com alta genética necessita de uma maior atenção na questão da nutrição e ambiência, diferentemente de um animal de genética inferior. O objetivo deve ser traçado juntamente com a disponibilidade de estrutura da fazenda. Não adianta ter um animal com alto potencial genético e não ter condições ideais para ele poder expressá-las.
Quando se trabalha com seleção, o técnico ou o produtor deve observar quais são as características que um determinado touro expressa e qual a porcentagem de passá-la para a geração futura. Isso é feito utilizando índices de seleção de touros que combinam as características definidas como critérios de seleção nas proporções desejadas e/ou necessárias para melhoria da atividade.
Recomenda-se a definição de índices baseados nas deficiências observadas nos indicadores zootécnicos da propriedade. A partir desses índices, define-se o sêmen de touros testados e aprovados, disponíveis em catálogos específicos, de acordo com o valor das Diferenças Esperadas nas Progênies (DEPs), que representa o valor genético dos touros para cada característica utilizada como critério de seleção.
É necessário ficar atento, já que a seleção de uma determinada característica pode afetar outras de acordo com as correlações genéticas existentes. Assim, a seleção direta, aquela realizada para a característica-alvo, pode afetar outra característica, resultando na seleção indireta caso a correlação existente seja favorável.
Existem muitos programas genéticos disponíveis e muitas empresas investem pesado na consultoria. Com a produtividade crescendo cada vez mais, os produtores veem a necessidade de investir na genética do rebanho. A orientação e a determinação de um objetivo andam juntos e o investimento deve ser feito de forma consciente. O produtor só conseguirá bons resultados se todos os pilares da pecuária de corte estiverem sendo respeitados.
Por isso, a evolução genética do rebanho é de extrema importância, principalmente em um país que é o primeiro em exportação de carnes e derivados. Produzir com qualidade vai além da genética que o animal proporciona. O potencial genético é atingido quando a nutrição, manejo e ambiência são respeitados.
De maneira mais ou menos intensiva, o melhoramento animal vem sendo realizado de maneira instintiva, ou científica, desde que o homem começou a domesticar os animais e percebeu que poderia potencializar a produtividade e aptidão para a produção ao longo das gerações.
Em específico para cria, temos algumas opções para o melhoramento genético, onde focamos na seleção pensando exclusivamente na produção de bezerros machos com maiores índices produtivos e fêmeas com maiores capacidades reprodutivas. Pensando inicialmente na primeira parte, “melhor produção de bezerros machos” devemos focar em algumas características no momento de selecionar e escolher quais os animais serão utilizados em determinada propriedade voltadas ao ganho de peso.
Lembramos que o produto principal de uma fazenda, exclusivamente de cria, é a produção e venda dos bezerros. Sendo assim, a utilização de animais que comprovadamente transmitem à suas crias grandes potenciais de produção com determinados dias de vida, como por exemplo aos 120 dias, permite maiores ganhos com a venda de arroba de bezerros por ano.
Utilizar animais que comprovadamente produzem proles com grande potencial de peso ao desmame pode ser uma excelente alternativa para uma fazenda de cria.
Um ponto importante para se ressaltar, que tem grande impacto na produção de bezerros, está relacionado à carga genética das matrizes dentro do rebanho. Diferente dos objetivos direcionados apenas ao ganho de peso à desmama, por exemplo, a construção ou o melhoramento de um plantel de matrizes deve respeitar critérios muito além dos de ganho de peso.
Fatores como precocidade (idade ao primeiro parto, probabilidade de parto precoce, idade à puberdade de machos), habilidade materna, fertilidade e Stayability dentre outras características, devem ser avaliados quando pensamos em melhorar e ou construir um rebanho de matrizes.
Outro ponto a se avaliar em relação à genética ou melhoramento genético, é em relação a propriedades que não são exclusivas de cria ou mesmo aquelas que são de produção única de bezerros mas que atendem a um mercado específico com determinada exigência.
Essas propriedades, além de um bom plantel de matrizes com proles bem desenvoltas no quesito ganho de peso, podem focar seu processo seletivo e seu melhoramento genético em características para marmoreio, acabamento de carcaça e assim por diante, agregando valor e qualidade ao seu produto.
Quando alcançamos um rebanho de matrizes com carga genética satisfatória dentro dos objetivos da propriedade, damos um grande passo rumo ao sucesso da produção.
A utilização de touros melhoradores, permite uma evolução de qualidade no rebanho em pouquíssimo tempo. Um trabalho de melhoramento pode exigir paciência por parte do produtor, entretanto, o adicional genético em uma propriedade, é percebido já nas suas primeiras crias.
Independente do seu objetivo e de suas metas com um programa de melhoramento genético, um ponto é comum para todas as situações. Esse ponto é um planejamento de programa muito bem delineado. Como um todo deve ser bem estruturado, seguir esse planejamento e acompanhar as métricas estabelecidas. Assim proporcionará maiores probabilidades de sucesso no programa.
Trabalhar a reprodução de uma propriedade é uma importante e necessária alternativa no processo de intensificação da fase de cria. Melhorar os índices reprodutivos de uma propriedade trará um impacto positivo, direto e significativo nos resultados finais do sistema de produção.
Existem algumas alternativas importantes para o aperfeiçoamento do processo reprodutivo dentro de uma fazenda. O principal seja talvez a utilização da IATF. A inseminação artificial em tempo fixo permite, dentre outras coisas, o incremento genético rápido e com custos acessíveis à propriedade.
A intensificação do processo reprodutivo está também muito ligada a outra ferramenta já mencionada: a estação de monta. Falar sobre intensificação do sistema de cria citando reprodução é fundamental. Vamos destacar a importância e o impacto que a estação de monta tem em uma propriedade, em específico nos resultados reprodutivos.
O alinhamento entre IATF e EM é então a chave para o sucesso reprodutivo em uma propriedade de cria, entretanto, alguns cuidados e práticas são de grande importância durante a utilização da IATF em uma EM.
O Escore de Condição Corporal (ECC) é de grande importância quando se trata de reprodução. Um ECC aceitável está entre 5 a 6 no parto e/ou no início da estação de monta. Respeitando esse ECC, promovemos um menor tempo para o 1o estro, produção suficiente de colostro e garante um bezerro saudável e com uma alta taxa de desmama.
É importante que o produtor avalie sua produtividade pelo número de bezerros desmamados e não nascidos. Uma variação de ECC de 4 para 6 aumenta em 20% a 30% a taxa de prenhez. Por isso, são necessárias tecnologias que aumentem o ECC antes delas parirem e que as mantenham até a próxima.
No sistema de produção de bovinos, a eficiência reprodutiva é um fator fundamental, visto que apresentam ciclo reprodutivo longo, e geram somente um descendente a cada parto. Assim sendo, a inseminação artificial ou acasalamento permite maior vida útil dos animais e mais nascimento de bezerros. Para se atingir o peso ideal vai depender do nível do manejo, ambiência, sanidade e nutrição.
A nutrição deve ser balanceada desde antes da gestação. A fêmea deve ter uma alimentação energética e o controle de escore deve ser feito, visando uma gestação de qualidade e nascimento de bezerro com peso ideal. O cuidado pós-parto, deve ser intensificado.
Animais com ECC acima de 7, dificultam o parto, além de se tornarem inviáveis financeiramente, devido ao maior gasto financeiro.
As vacas recém-paridas possuem um alto requerimento de energia. Dessa forma, o ECC também é essencial nessa fase. A energia está diretamente relacionada com o consumo de matéria seca (CMS). Quanto maior o CMS, maior será o balanço energético líquido (BEL).
O início da lactação é um período de balanço negativo de nutrientes (Balanço Energético Negativo – BEN). O período de pós-parto requer um alto suprimento de energia, mas o animal tem redução do CMS. Se tiver carência nutricional, esse consumo naturalmente será mais baixo, aumentando o BEN e afetando negativamente a reprodução.
O BEN, não permite que o animal volte à reprodução, pois toda reserva energética do animal que seria utilizada para promover o ciclo reprodutivo é desviado, indo então para a produção de leite e no final somente para a mantença do mesmo. Essa condição deve ser avaliada sistematicamente quando se visa uma reprodução eficiente e rentável, não basta só alimentar o animal, o acompanhamento da condição deles é de suma importância.
A reprodução é uma etapa que muitas vezes é negligenciada pelo produtor, muitas vezes por falta de respaldo técnico. O processo de reprodução não se inicia no momento do cio do animal. Toda a preparação advinda anteriormente irá influenciar os resultados posteriores. A pecuária não cabe mais amadorismo, novas tecnologias chegaram e para uma maior rentabilidade, será preciso segui-las.
Seguindo esses passos, sempre atentos ao preço de venda dos bezerros desmamados, à qualidade desses animais, concomitante a um trabalho de gestão avaliando custos e processos, a cria pode e será uma atividade de viabilidade importante dentro da cadeia produtiva da pecuária.
Aqui no Rehagro, temos a Pós-Graduação em Produção de Gado de Corte, que desenvolve profissionais para que se tornem especialistas na área, dominando as principais áreas de atuação das fazendas e alcançando resultados financeiros robustos na produção.

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]]>O post Boi 777: como aplicar essa técnica que aumenta a produção e a produtividade apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Serão produzidas 7 arrobas na cria, 7 recria e 7 na terminação, totalizando 21 arrobas em 24 meses, conforme mostrado na imagem a seguir:

Porém, o mais importante não são os números (777) antes, é crucial entendermos de onde eles vêm.
São estudos de longa data comprovando que bezerros desmamados com 7 arrobas, seguindo de 7 arrobas produzidas na recria caracterizadas por serem as mais desafiadoras, e as 7 arrobas na terminação encaixa-se em um ótimo modelo em termos zootécnicos e principalmente econômico.
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O MAIS IMPORTANTE QUE DEVEMOS LEVAR É O CONCEITO E NÃO O NÚMERO.
Isso está ligado ao propósito do produtor dentro da propriedade, pois você pode buscar outros objetivos, e diferentes valores na hora de determinar as metas e mesmo assim conseguir resultados expressivos.
Você tem uma meta produtiva para cada fase do desenvolvimento dos bovinos de corte?
Para te ajudar com isso, separamos esse vídeo do Dr. Gustavo Siqueira, pesquisador da APTA, explicando o porque tão importante quanto conhecer a técnica, é ter um bom planejamento e gestão para desenvolver, mensurar e melhorar o seu sistema.
Busque sempre o maior ganho de peso a desmama, a melhor meta de ganho na recria, e a maneira mais eficiente de terminar os animais, baseado na realidade da propriedade.
Por isso o boi 777 traz a relevância de ter uma meta para cada etapa produtiva, afinal não adianta investir muito na cria, em detrimento da recria, ou vice e versa. É importante ter um equilíbrio do sistema e melhorar de forma contínua.
Logo, temos os conceitos de gestão, contornar, medir, analisar e consertar os problemas.
Quando falamos desse assunto não podemos deixar de falar sobre o nosso Curso Online Gestão da Pecuária de Corte. Nele você vai encontrar os principais pilares da pecuária explicados pelos melhores profissionais da área, tudo isso de forma simples e prática para você aplicar.
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]]>O post Primeiros cuidados com bezerras leiteiras: saiba quais são e sua importância apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Todos os cuidados a serem realizados com os animais recém-nascidos visam a manutenção de um bom status sanitário, possibilitando ao animal expressar um excelente desempenho desde o período inicial da vida.
A não execução de procedimentos essenciais nessa fase impactam diretamente a saúde e o desempenho do animal, prejudicando também sua desmama.
Entretanto, sabe-se que os cuidados com as bezerras recém-nascidas não começam somente após o parto, devendo ser planejados desde o acasalamento da matriz e passando por todo período gestacional.
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O colostro consiste na primeira secreção láctea das fêmeas mamíferas logo após o parto, sendo responsável principalmente por fornecer energia e imunidade passiva devido aos seus elevados teores de gordura (6,7%), proteína (14,0%) e imunoglobulina (6,0%).
Essas funções do colostro são extremamente importantes para o neonato, uma vez que o tipo de placenta dos bovinos (epiteliocorial) não permite a passagem de grandes moléculas para o feto e os bezerros recém-nascidos possuem pouca reserva energética no organismo.
Basicamente, os quatro pilares de uma colostragem adequada envolvem:

Todos os quatro pilares impactam diretamente na eficiência de colostragem das bezerras e no nível de proteção conferido a elas. Casos em que o colostro é ofertado após 6 horas do parto e/ou apresenta baixa concentração de IgG e alta contaminação microbiológica elevam consideravelmente os riscos das doenças perinatais.
O tempo máximo de 6 horas estipulado para realização do processo de colostragem se deve à circunstância de que após este período as vilosidades da mucosa intestinal reduzem a permeabilidade a moléculas grandes como os anticorpos.
Em eventos onde a bezerra não mame o colostro de forma espontânea através da mamadeira deve-se providenciar a colostragem via sonda esofágica de forma a garantir a execução deste procedimento.
A qualidade do colostro ofertado às bezerras é influenciada de modo multifatorial. As influências vão desde o período de ambientação da vaca no pré-parto até o modo como o colostro é ordenhado e armazenado. O perfil de anticorpos colostrais da fêmea gestante é moldado frente aos patógenos do ambiente, as vacinas utilizadas, ao padrão de nutrição, ao status de condição corporal, etc.
Já o perfil sanitário do colostro se estabelece conforme as condições de higiene adotadas durante os processos de ordenha e armazenamento, podendo ser avaliado através dos exames de cultivo microbiológico em laboratório.
A validação da qualidade imunológica do colostro ofertado às bezerras pode ser feita através da análise em colostrômetro ou refratômetro de Brix (óptico ou digital). A tabela abaixo apresenta a classificação dos valores colostrais referentes à sua qualidade imunológica:

As possíveis formas de oferta de colostro para as bezerras envolvem o colostro fresco, colostro refrigerado, colostro congelado e colostro em pó. Vale ressaltar que o principal motivo a se considerar para o armazenamento do colostro nas formas refrigerado e congelado consiste em sua qualidade imunológica.
Uma alternativa interessante para o aproveitamento de colostro de baixa qualidade constitui na sua associação a um colostro de boa qualidade, processo conhecido como enriquecimento de colostro.
A avaliação da eficiência de colostragem é feita através da dosagem das proteínas séricas totais da bezerra, verificando assim a transferência de imunidade passiva.
Uma amostra individual de sangue deve ser coletada 48 horas após a realização da colostragem, sendo armazenada em um tubo sem anticoagulante. Após o processo de coagulação ter ocorrido, instilar uma gota de soro no prisma de um refratômetro de g/dL ou Brix, ambos podendo ser óptico ou digital.
Resultados iguais ou superiores a 6,2 g/dL ou 9,4° Brix indicam que a colostragem foi realizada da forma correta, oferecendo proteção ideal por anticorpos colostrais à bezerra. Em uma análise de rebanho, recomenda-se que no mínimo 90% das bezerras apresentem eficiência na transferência de imunidade passiva, ou seja, valores de proteína sérica total iguais ou superiores a 6,2 g/dL ou 9,4° Brix.
A anatomia umbilical dos bezerros é composta por uma veia, duas artérias e um úraco.
Logo após o nascimento e rompimento dos anexos fetais, a estrutura do umbigo configura uma porta de entrada de infecções para o organismo do animal. Esta é uma das principais razões pelas quais o procedimento de cura de umbigo constitui em um dos primeiros cuidados a serem realizados com as bezerras recém-nascidas.
Ao alcançar o cordão umbilical, agentes patogênicos podem perfazer o caminho das vias de acesso ao organismo (veia, artérias e úraco). De forma geral, a infecção umbilical é denominada de onfalite. No entanto, a nomenclatura da infecção gerada varia conforme a estrutura umbilical acometida. Exemplo:
Obs.: outras nomenclaturas de infecção umbilical são existentes conforme a associação das estruturas acometidas (veia + artéria, veia + úraco, artéria + úraco).
Processos de onfalite tendem a não ficarem restritos somente ao umbigo, ocasionando alterações em outras áreas do organismo das bezerras. Além da possibilidade de acarretar alterações físicas e fisiológicas, estudos demonstram que a ocorrência dos distúrbios gerados pelas infecções umbilicais possuem correlação com redução da produção de leite já na primeira lactação.
É importante ressaltar que quadros de onfalite não diagnosticados e/ou não tratados tendem a se complicar, ocasionando septicemia e levando os animais a óbito. O esquema a seguir demonstra algumas das possíveis alterações que podem ocorrer de acordo com a estrutura umbilical afetada:

O ideal é que a cura de umbigo seja realizada imediatamente após o nascimento da bezerra, podendo ser feita com tintura de iodo de 7 a 10%.
O processo recomendado é o de imergir o cordão umbilical até a sua base na tintura de iodo durante aproximadamente 30 segundos, adotando uma frequência mínima de 2 vezes por dia até o dia em que o umbigo seque e se desprenda do abdômen.
A conservação da tintura de iodo ao abrigo da luz solar e da matéria orgânica é essencial para garantir o seu desempenho, visto que o contato do produto com esses fatores reduz a sua bioeficiência.
É por esses motivos que se indica o armazenamento do iodo em um recipiente âmbar (reduz a passagem de radiação solar) do tipo copo sem retorno (evita o retorno de sujidade do ambiente para a tintura).
A avaliação das estruturas umbilicais quanto a presença ou não de processo infeccioso/inflamatório se dá através de palpação manual para classificação dos umbigos em uma escala de 0 a 2:
Ao analisar a eficiência da cura de umbigo em um rebanho, espera-se que no mínimo 90% das bezerras apresentem escore umbilical 0.
Para obter uma boa eficiência de cura de umbigo torna-se essencial a utilização de um iodo de qualidade, podendo a tintura ser de origem comercial ou produzida na própria fazenda. A seguir segue uma sugestão de fórmula de tintura de iodo para fabricação na fazenda:
Fonte: Departamento de Clínica e Cirurgia de Ruminantes da UFMG
Macerar as 75 gramas de iodo metálico e as 25 gramas de iodeto de potássio, diluindo-as em 50 – 100 ml de água destilada. Acrescentar 900 – 950 ml de álcool absoluto até que a tintura complete 1 litro. Armazenar todo o líquido em um frasco de cor âmbar e ao abrigo da luminosidade. Transferir a tintura de iodo para o copo sem retorno quando necessário.
O procedimento de mochação tem como objetivo cauterizar de modo físico (ferro quente ou elétrico) ou químico (pasta cáustica) os cornos do animal, visando eliminar o risco de acidentes e complicações envolvendo tais estruturas.
Recomenda-se que este procedimento seja realizado em animais com idade inferios a 30 dias.
Algumas observações e cuidados devem ser adotadas previamente ao procedimento de mochação:

A anestesia dos cornos pode ser alcançada utilizando-se 5 ml de anestésico local 2% por corno ou 2 mL de anestésico local 5% por corno.
Todo o volume do anestésico deve ser aplicado na fossa localizada acima do globo ocular do animal com o auxílio de seringa e agulha 40×12 estéreis. Os dados apresentados abaixo referem-se aos efeitos de 4 técnicas de mochação sobre o comportamento de bezerras leiteiras:
Fonte: Adaptado de Sutherland et al., 2018
Através destes dados pode-se perceber a importância da utilização do anestésico local durante o procedimento de mochação.
Os animais que receberam aplicação de anestésico não tiveram seu comportamento alterado, fato que gera reflexo positivo no consumo de alimentos e contribui para o desenvolvimento das bezerras.
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]]>Ela é a base que dará origem a todos os animais recriados e, futuramente, engordados e abatidos. Sendo assim, a excelência na produção de gado de corte, em qualquer sistema, estará sempre ligada à fase de cria.
Os criadores estão cada dia mais focados em melhorias no desempenho, pensando em seus negócios. Eles buscam, principalmente, o aumento da produtividade, na produção de bezerros de qualidade e, consequentemente, da rentabilidade da atividade. Veja algumas dicas para chegar lá!
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Alguns fatores interferem diretamente no desempenho e na produtividade dos criadores. Aspectos relacionados à reprodução, por exemplo, afetam diretamente no resultado de propriedades de cria, baixo índice de prenhes representa diminuição direta de bezerros desmamados.
Por esse motivo, nos últimos anos foi investido em técnicas e alternativas de manejo reprodutivo e protocolos hormonais. Essas técnicas estão cada dia mais evoluídas e permitem melhores resultados dentro da estação de monta.
Mas afinal, somente fatores ligados à reprodução são representativos no resultado de uma fazenda produtora de bezerros?
A resposta da pergunta feita acima é não. Não basta um grande desenvolvimento em estratégias diretamente ligadas à reprodução se outros fatores da propriedade não acompanharem a excelência. Como exemplo, podemos citar:
Estes devem formar uma combinação em que, juntos, irão proporcionar o sucesso da atividade de cria.
Dentre esses fatores, um em específico vem a cada dia mostrando sua importância e seu impacto direto e indireto na produção do bezerro, bem como em toda a vida produtiva do animal: a sanidade.
Pensar em sanidade de bezerro e focar na sua eficiência é fundamental para a cadeia produtiva da carne. Problemas com a sanidade de um bezerro afetam não somente o desempenho desse animal até a desmama, mas também pode comprometer todo o seu desenvolvimento durante a recria e a engorda, e pode afetar o desempenho reprodutivo da futura matriz do rebanho.
Somente o impacto direto na produção de bezerros justifica o investimento e a melhoria nos processos sanitários de uma fazenda de cria. Os custos com insumos sanitários proporcionalmente baixos são importantes quando avaliamos o sistema como um todo.
Segundo dados da Consultoria do Rehagro, em propriedades extensivas os custos com sanidade representam, em média, 6,4% de todas as despesas.
Em fazendas mais intensivas ou produtoras de genética, a representatividade desse custo é ainda menor. Cerca de 3,2% dos custos de uma propriedade de gado PO são direcionados à sanidade do rebanho.
Quanto mais intensificamos o processo, menor é a representatividade dos custos com sanidade em uma propriedade. Esses dados revelam uma importante reflexão. O investimento em sanidade é uma grande oportunidade.
As estratégias sanitárias dessa fase, são voltadas basicamente para três pontos importantes:
E quais são os principais desafios sanitários, quando pensamos na fase da cria?
O primeiro desafio de destaque na sanidade de bezerros está associado a falhas na transmissão de imunidade passiva. Comumente identificamos bezerros mal colostrados, por problemas anatômicos das matrizes, como:
Bezerros guachos mal colostrados representam um impacto econômico significativo. Segundo uma pesquisa feita por Raboisson em 2016, o somatório de mortalidade, diarreia, pneumonia e outras complicações causadas pela falha da transmissão de imunidade passiva representam custos entre R$346,40 a R$1.398,00.
Um segundo fator, extremamente relevante, e diretamente ligado a prejuízos econômicos requer uma atenção muito especial, a cura de umbigo. Problemas e deficiências na cura de umbigo de bezerros neonatos, representam um importante causa de mortalidade de recém-nascidos.
Um levantamento realizado por Dr. José Zambrano e Rafael Perez (Equipe Sanidade Rehagro), demonstrou na avaliação de mais de 1500 bezerros que, mais de 20% dos animais avaliados em diferentes fazendas apresentavam, ao menos, uma lesão de umbigo, inflamação e/ou miíase.
Fotos: Arquivo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.
A deficiência no processo de cura do umbigo representa um impacto importante na fase inicial da vida dos bezerros. A deficiência tem grande potencial de interferir diretamente no desenvolvimento de toda a vida desses animais. Envolto de estruturas importantes anatomicamente falando, artérias umbilicais, úraco e veia umbilical, são uma porta potencial para:
Por essa importância anatômica citada, existem grandes chances da inflamação de umbigos mal curados, evoluírem para problemas em órgãos importantes como o fígado.
A cura do umbigo parece ser de fácil resolução, na maioria das propriedades de cria. A ciência da importância de uma cura adequada de umbigo é relatada, entretanto, no dia-a-dia essa prática se mostra ineficiente. Uma boa recomendação para a obtenção de uma cura desejável é a utilização de tintura de iodo 10% no umbigo, já nas primeiras horas de vida do animal.
A diarreia já citada como uma das consequências na falha na transmissão de imunidade passiva, também representa um grande impacto na produção de bezerros.
São várias as causas possíveis para a diarreia, que variam de acordo com a idade do animal, neonatal (0-3 semanas) ou tardia (> 4 semanas). A utilização de soro oral associado a administração de AINES (Flunixin Meglumine), no tratamento de diarreia em bezerros com 8 a 11 dias de idade, vem mostrando bons resultados.
O aumento da densidade animal, agrupamento de animais de diversas faixas etárias, principalmente em regiões de alta umidade são fatores predisponentes de outra enfermidade que causa grande impacto econômico na produção de bezerros.
A Coccidiose, principalmente em animais jovens e recém desmamados, que apresentam quadro clínico, mas também em animais adultos que não apresentam, representa um impacto na produtividade com grande relevância no desempenho, principalmente em animais confinados.
A utilização de coccidiostáticos como monensina, salinomicina e o tratamento de animais com sintomatologia clínica com drogas como o Troltazuril demonstram boa eficiência no controle dessa doença.
Um problema “antigo” e por hora negligenciado são as verminoses. O impacto da infestação por verminoses em bezerros, pode representar grandes prejuízos econômicos, portanto a vermifugação na data correta com utilização de bases adequadas podem representar ganhos adicionais de até 1@ por animal.
Em resumo, são vários os desafios que devemos nos atentar quando pensamos em sanidade de bezerros, os impactos econômicos na fase da cria são mais perceptíveis, entretanto, o impacto de problemas sanitários na vida do animal representa um prejuízo ainda difícil de se mensurar.
Planejar e investir em programas e estratégias sanitárias assertivas é um caminho importante na eficiência produtiva de bezerros, assim como de todo ciclo de produção da pecuária de corte.
Além de todos os fatores citados, a tecnologia é uma grande aliada para um melhor desenvolvimento do sistema de produção de cria. Confira a sua utilização em nosso webinar gratuito:
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]]>O tema é “Momentos de Crise na Pecuária: como sair ileso?“.
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]]>O post Sistema de Produção de Cria: avaliação do impacto econômico com a utilização de tecnologia apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>O tema é “Sistema de Produção de Cria: avaliação do impacto econômico com a utilização de tecnologia“.
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