O post Febre aftosa: impactos econômicos e vacinação apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Um grande fator de impulsionamento do setor está na exportação de carne bovina para todo o mundo. Já faz alguns anos que o Brasil é o maior exportador de carne bovina do planeta, sendo assim, garantir qualidade e segurança na produção é fundamental para que continuemos aumentando a importância para economia e também com o nobre papel de alimentar pessoas ao redor do mundo.
Alguns fatores, entretanto, são impeditivos para as exportações. Casos de doenças descobertas e descritas podem levar a um grande entrave nas relações comerciais com outros países, gerando grande prejuízo econômico e produtivo para o Brasil.
A Febre Aftosa é uma doença bastante falada na pecuária, porém, existem alguns pontos de atenção para os produtores que devem ser entendidos.
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A enfermidade é causada por um vírus altamente contagioso que acomete os animais de cascos fendidos (biungulados, casco dividido em duas unhas), tais como: bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e suínos.
Apesar de apresentar baixa mortalidade entre animais adultos, é uma doença que leva a grandes impactos socioeconômicos na pecuária, principalmente na de corte, pois ao se identificar um foco, fica proibido o comércio de carne tanto local quanto para exportação.
Por se tratar de uma doença de notificação obrigatória, ao identificar um animal com os sinais clínicos, é preciso notificar o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) rapidamente, no intuito de ação imediata por parte do órgão competente, visando a disseminação da doença.
A notificação se tornou obrigatória e o criador que não notificar, está passível de pagamento de multas.
Como foi falado, para notificar ao MAPA, você deve estar atento aos sinais clínicos do seu rebanho. A doença possui manifestações clínicas que podem ser confundidas com outras enfermidades, como, por exemplo, a diarreia viral bovina.
Sendo assim, o fechamento do diagnóstico só poderá ser realizado por um especialista, que neste caso é o médico veterinário inspetor do Serviço Veterinário Oficial da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (SEAPI).
O próprio nome da doença já sugere um dos seus principais sinais clínicos, pois os animais contaminados apresentam febre e vesículas (bolhas), características de aftas nos lábios, línguas e cascos.

Descrição da febre aftosa e seus sinais clínicos
Além dos principais e mais sugestivos sinais clínicos da doença, você pode observar outros, como:
Todos esses sinais são atribuídos à temperatura corporal do animal, que se encontra acima do normal levando à calafrios e pela dor e extremo desconforto gerados pela formação e/ou rompimento das vesículas (aftas).

Vesículas rompidas na língua de bovino, provenientes de febre aftosa. Foto: Coletânea de imagens do MAPA.
O único método para descobrir se as lesões são provocadas ou não pelo vírus da febre aftosa é por meio de diagnóstico laboratorial, ou seja, deve ser realizado exames e enviá-los aos laboratórios oficiais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (LANAGRO).
As perdas causadas pela febre aftosa são grandes, principalmente devido à dor que o gado sente ao se alimentar, beber e locomover. Tudo isso leva a um intenso emagrecimento e, consequentemente impacto sobre o bem-estar animal e grandes perdas produtivas.
O prejuízo econômico causado pela doença se dá devido aos trâmites comerciais, pois, além de afetar o comércio interno, também afeta o comércio externo, impedindo assim, a comercialização de animais, produtos e subprodutos originados de animais suscetíveis.
Pode parecer um “exagero” e até mesmo confuso, países vedarem a comercialização de animais assim, mas é entendível, uma vez que, existem alguns países livres da ocorrência de febre aftosa, ou seja, décadas em que não foi diagnosticado nenhum foco da doença.
Desta forma, devido ao alto poder de transmissão, a doença pode atravessar de forma muito rápida as fronteiras internacionais, principalmente carne com osso. Devido ao impacto gerados no mercado cárneo após a doença, tais países implantaram algumas normas sanitárias para impedir o estabelecimento da enfermidade.
A implementação das regras, porém, trouxe alguns efeitos negativos sobre a pecuária, o que levou a graves consequências socioeconômicas, uma vez que o faturamento é menor do que poderia ser se contemplasse todos os países e regiões.
A forma de transmissão se dá principalmente por meio do contato de animais infectados com os saudáveis, solo, fômites, bebedouros ou lagos contaminados, aerógena, ou meios da própria fazenda como currais, troncos e bretes.
A entrada de carcaças contaminadas em outros países ou estados, é um alto veículo de transmissão, diante disso, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) determinou algumas regras que podem ser encontradas no Código Sanitário para Animais Terrestres.
Contudo, principalmente para exportação, essa barreira sanitária trouxe alguns efeitos negativos para o mercado exportador, pois elas fecham as fronteiras de forma total ou parcial se for identificado algum foco de febre aftosa. Tudo isso, traz impacto econômico à pecuária de corte, podendo reduzir preços dos cortes.
A forma de prevenção contempla a adoção de vacinação obrigatória somente em bovinos e bubalinos nas zonas livres de febre aftosa com vacinação. Cada estado contempla um período específico para vacinação, normalmente nos meses de maio e novembro.
Para você saber quando deve vacinar os seus animais em 2022, acesse o link do calendário de vacinação.
Uma grande discussão vem se tornando frequente em torno da não obrigatoriedade da vacinação em alguns estados.
Para alguns, a seguridade obtida ao longo dos anos de vacinação obrigatória, seria suficiente para tornar determinado estado livre de febre aftosa sem vacinação, como o estado de Santa Catarina que apresenta esse status desde 2007. Para outros, o risco de se adotar tal medida é alto e de grande potencial para causar prejuízos.
No ano de 2021, seis estados (Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Tocantins e Mato Grosso) e o Distrito Federal, alcançaram reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal, e ao final do ano de 2022, após a vacinação de novembro, também terão a obrigatoriedade da vacinação suspensa.
Segundo a Radioagência Nacional, com essas medidas 113 milhões de bovinos e bubalinos deixarão de ser vacinados anualmente no Brasil.
Febre Aftosa não representa risco à saúde pública, sendo raros os casos em humanos.
O que fazer se observar animais com sinais clínicos sugestivos da doença?
Quando observar qualquer animal com alguma das alterações características, mesmo que você não seja o produtor, comunique imediatamente à unidade local da Defesa Agropecuária.
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]]>O post Hipocalcemia em vacas leiteiras: o que é, quais os sintomas e como tratar apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>O problema ocorre no início da lactação e usualmente nas primeiras 72 horas após o parto. Raramente, pode acontecer um ou dois meses após o parto, como mostrou um estudo de Carvalho e colaboradores, em 2003.
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No pré-parto, a vaca tem uma baixa exigência de cálcio, mas geralmente recebe uma dieta rica no elemento.
Com isso, as concentrações de paratormônio (PTH – aumenta a reabsorção renal de cálcio) ficam baixas e a calcitonina (diminui a reabsorção óssea de cálcio) se encontra aumentada na corrente sanguínea. Além disso, a ação do PTH depende do pH sanguíneo e da ligação a receptores.
O pH ideal para ação do PTH é em torno de 7,35, porém como a dieta no pré-parto é rica em volumoso, que tem alta concentração de potássio (K), o pH sérico se encontra acima do ideal para o PTH agir. Para ocorrer ligação do PTH aos receptores é necessária a presença do magnésio como cofator.
Dessa forma, a ação do PTH é dependente também da presença de magnésio para se ligar aos receptores.
No dia do parto, a necessidade de cálcio para produção de colostro é nove vezes maior que a quantidade presente no sangue. Porém, a homeostase de cálcio demora em torno de 48 horas, levando ao quadro de hipocalcemia.
Em consequência disso, a maioria das vacas passa por um período de hipocalcemia no periparto, denominado “período de transição” (3 semanas pré-parto a 3 semanas pós-parto). E segundo Carvalho, em 2006, em 50% dos casos essa hipocalcemia se prorroga por até 10 dias pós-parto.
Alguns dos fatores de risco para instalação da doença são mais determinantes que outros. Porém, é o somatório dessas causas, tanto ambientais como as individuais, que causará o desequilíbrio e o surgimento do problema.
A idade do animal influencia, sobremaneira, na sua capacidade em responder ao aumento da demanda de cálcio. Em vacas mais velhas, a desmineralização óssea, próxima ao parto, é mais reduzida do que nas novilhas.
Além disso, um importante mecanismo que o organismo lança mão para manutenção dos níveis de cálcio é o aumento da absorção intestinal desse íon. Na vaca, o número de receptores intestinais declina com a idade e assim, as vacas mais velhas tornam-se menos capazes de responder ao hormônio, havendo necessidade de um tempo mais longo para adaptação dos mecanismos intestinais para absorção de cálcio.
Outros fatores intrínsecos aos animais são o tipo e a raça. Raças de corte são menos acometidas do que vacas de leite, evidentemente por produzirem menor volume de leite. Dentre as raças leiteiras destacam-se as raças Holandesa e Jersey, mas mesmo com menores volumes absolutos na produção de leite, as vacas Jersey são mais comumente afetadas.
A hipocalcemia possui três estágios:
A consequência genérica da hipocalcemia é a perda de tônus muscular, resultando num relaxamento do músculo esquelético, da musculatura lisa do útero, do esfíncter mamário e do trato digestivo, contribuindo para maior incidência da síndrome da vaca caída, retenção de placenta, mastite e deslocamento de abomaso, cetose e outros.
A redução do tônus uterino é a principal causa de prolapso de útero e esta doença é quase sempre relacionada com hipocalcemia. Vacas com febre do leite também manifestam maior declínio no consumo de alimentos no período periparto, exacerbando o balanço energético negativo, comumente observado no início da lactação (Figura 1).
Fonte: Carvalho, Gesteira e Serrano (2006), adaptado de Curtis et al (1983).
A dieta aniônica aumenta as cargas negativas no organismo do animal, que pelo mecanismo compensatório, elimina-as na forma de HCO3 -, provocando uma acidose metabólica moderada.
Isso aumenta a capacidade de resposta dos tecidos ao hormônio PTH, aumentando a reabsorção óssea, a absorção intestinal de Ca e reduzindo a excreção renal de Ca, permitindo que o organismo mantenha níveis de cálcio normais na circulação.
Recomenda-se o fornecimento da dieta aniônica por um período mínimo de 10 dias antes do parto, para que os mecanismos de manutenção da calcemia estejam plenamente ativos ao parto.
Um método fácil e barato de monitorar o efeito dos sais aniônicos sobre o equilíbrio ácido-básico é a medição do pH urinário. Segundo Jardon, em um estudo em 1995, recomendam-se valores de pH urinário entre 6 e 7.
Já Charbonneau e colaboradores, em 2006, analisando 22 trabalhos sobre diferença cátion aniônica da dieta (DCAD) chegou a conclusão que a média de pH em torno de 7 para grupos de vacas parece ser um bom objetivo quando alimentamos vacas com baixa DCAD, sendo que o pH urinário abaixo de 7 pode levar à diminuição do consumo sem o benefício adicional da prevenção de hipocalcemia.
Para a prevenção da hipocalcemia com o sucesso de uma dieta aniônica, o conforto animal (sombra, alimento e água disponível, área de cocho adequada (75 cm/animal), evitar superlotação) deve ser levados em consideração.
A partir deste ponto, deve-se administrar uma dieta pobre em Ca (a restrição do cálcio funciona se fornecer uma quantidade inferior a 20g/vaca/dia) e K e rica em sais aniônicos (cloro e enxofre), que contribuirão para diminuir o pH e aumentar a ação do PTH. Devemos tomar cuidado, pois uma dieta aniônica tem menor palatabilidade e pode diminuir o consumo.
O tratamento recomendado é administrar 500 ml a 1 L de cálcio intravenoso ou subcutâneo (gluconato de cálcio). Um litro pode ser dividido em 800 ml intravenoso e 200 ml subcutâneo.
Pode-se também associar o uso de ”Drench” no pós-parto.
O manejo nutricional das vacas no pré e pós-parto é uma questão na qual o produtor deve ficar atento, a fim de evitar maiores complicações, principalmente se tratando de animais predisponentes ao desenvolvimento da hipocalcemia, e as doenças causadas como consequência da mesma.
A nutrição pode representar cerca de 50% dos custos de produção na pecuária leiteira e a habilidade em produzir comida de qualidade para as vacas tende a flexibilizar esse custo, consequentemente, refletindo de forma positiva no caixa da fazenda.
Dessa forma, um bom nutricionista tem valor inestimável para um produtor que busca alcançar melhores resultados financeiros.
Para capacitar profissionais que desejam atender a essa demanda do mercado, o Rehagro criou a Pós-Graduação em Nutrição de Bovinos Leiteiros.
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