fibra Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/fibra/ Fri, 06 Jan 2023 17:01:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://blog.rehagro.com.br/wp-content/uploads/2018/05/favicon-rehagro.png fibra Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/fibra/ 32 32 Coprodutos do algodão para suplementação do gado de corte: saiba quais são https://blog.rehagro.com.br/coprodutos-da-industria-do-algodao-para-pecuaria-de-corte/ https://blog.rehagro.com.br/coprodutos-da-industria-do-algodao-para-pecuaria-de-corte/#respond Fri, 22 May 2020 13:30:59 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7593 A indústria do gado de corte passa por um momento de grande transformação. Ao longo das últimas décadas, o que se viu foi uma mudança significativa em todas as pontas da cadeia produtiva. Essa mudança é constante e busca o aumento da produtividade e a otimização dos recursos disponibilizados para a pecuária. Dentre os aspectos […]

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A indústria do gado de corte passa por um momento de grande transformação. Ao longo das últimas décadas, o que se viu foi uma mudança significativa em todas as pontas da cadeia produtiva.

Essa mudança é constante e busca o aumento da produtividade e a otimização dos recursos disponibilizados para a pecuária.

Dentre os aspectos importantes dessa mudança, está a associação de duas importantes frentes produtivas do agronegócio: lavoura e pecuária. Essa associação se passa desde sistemas altamente integrados, como sistemas de Integração Lavoura Pecuária (ILP), e também ao aproveitamento de insumos e recursos advindos da outra atividade.

 

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A pecuária se beneficia de produtos e coprodutos advindos da agricultura. A lavoura também se favorece com a utilização de produtos oriundos da pecuária, como por exemplo, na utilização de adubos orgânicos.

A utilização desses subprodutos ou coprodutos do se associa perfeitamente com o aumento da busca pela intensificação dos sistemas de produção da atividade pecuária. Pecuaristas utilizam cada vez mais de ferramentas como confinamento, sequestro de recria, semiconfinamento, dentre outras alternativas, onde a dieta dos animais é fornecida no cocho.

A utilização dos coprodutos, contribui também em uma frente importante para o agronegócio como um todo. “Reaproveitar” esses insumos implica, consequentemente, em menores desperdícios e a maximização na utilização de insumos é de extrema valia para a “pegada” ambiental.

Um aspecto importante a se destacar, em relação aos coprodutos do algodão, está ligado ao preço desses insumos. Geralmente, são insumos relativamente baratos, o que torna a composição dos nutrientes neles presentes de baixo custo.

Entretanto, comumente observa-se que a utilização desses insumos é regionalizada, principalmente pela questão que se tange ao frete. O valor acaba impactando no custo final da tonelada, tornando então a utilização da maioria dos coprodutos regionalizada.

Segundo a CONAB, Companhia Nacional de Abastecimento, a região Centro Oeste, obteve a maior produção de algodão no Brasil da safra 2019-20. Com 1.936,9 mil toneladas produzidas, os valores foram quase duas vezes maiores do que a produção de algodão estimada para a safra 2010-11.

Esse grande avanço na produção, aumentou significativamente ao longo dos últimos anos a disponibilidade e a oferta de importantes coprodutos do algodão, como os que veremos a seguir.

Caroço de algodão

O caroço de algodão é um alimento proteico-energético e de alto valor nutritivo, rico em fibra, proteína e energia. Os níveis de energia presentes no caroço são provenientes principalmente da grande quantidade de óleo presente no caroço com extrato etéreo (EE) em média de 20% da MS (matéria seca).

É justamente essa característica que limita a utilização de grandes quantidades do caroço na dieta, sendo recomendados quantidades em torno de 15% da matéria seca da dieta, dependendo do teor de EE da dieta final.

Volumes muito superiores a esses adicionados sem critério na dieta, podem se transformar em um problema, tendo em vista que altos níveis de óleos insaturados no rúmen, causam distúrbios na fermentação ruminal pela morte de bactérias ruminais, redução na degradação da fibra e redução no consumo. Esses são os principais efeitos que observamos quando o valor é superior a 8% EE na dieta (% MS), resultando em queda no desempenho.

Outros dois pontos podem ser limitantes à utilização do caroço de algodão de forma descriteriosa: a grande impressão da interferência do caroço de algodão no aroma e sabor da carne de animais suplementados com altas concentrações de caroço, sugere que em programas de produção de carne gourmet, não se utilize ou se utilize com bastante cautela o caroço de algodão.

Webinar Carne Gourmet

Embora ainda contraditório na literatura, muitos frigoríficos recusam animais alimentados com esse insumo para exportação para mercados específicos.

Além disso, o caroço de algodão apresenta em sua composição um composto fenólico chamado gossipol, esse composto tem efeito que pode prejudicar o desempenho reprodutivo dos machos, sendo prejudicial também para os bezerros.

Seguindo com as características bromatológicas importantes do caroço de algodão, ele apresenta em sua composição de 44 a 50% de FDN (fibra detergente neutro), 27% de celulose, 10% de hemicelulose e de 13 a 15% de lignina. Essas características tornam o caroço um alimento de alto teor de fibra, tornando-o uma excelente alternativa para dietas de alto concentrado.

Adicionalmente a essas características, seu tamanho e presença do flinter é capaz de promover ruminação. Por isso, muitos nutricionistas utilizam esse benefício para reduzir a quantidade de volumoso em dietas de terminação, sem comprometer a saúde ruminal.

Caroço de algodãoCaroço de algodão. Fonte: Arquivo pessoal de Dra. Andrea Mobiglia, consultora e coordenadora de ensino da Pecuária de Corte do Rehagro.

Torta de algodão

Além do caroço de algodão, um importante coproduto obtido da produção de algodão é a torta de algodão. A torta é obtida no processo de prensagem do caroço para a retirada do óleo, também apresenta alta fibra e pode ser utilizada em dietas com alta inclusão de concentrado.

Entretanto, não apresenta bons níveis de energia como o caroço, se tornando um alimento proteico. Mas existem no geral, duas formas disponibilidades no mercado: a torta gorda contendo 5% de óleo e  a torta magra, que em contrapartida apresenta menos de 2% de óleo em sua composição.

A torta apresenta em média 27% de PB (proteína bruta) em sua composição bromatológica, baixo teor de proteína degradável no rúmen (PDR) e como característica, também bom teor de potássio.

Torta de algodãoTorta de algodão. Fonte: arquivo pessoal de Paulo Eugênio, coordenador da equipe de Consultoria Corte Rehagro.

Farelo de algodão

O farelo de algodão é obtido além do processo de prensagem, quando são utilizados produtos químicos (solventes) na extração do óleo do caroço, e possui quantidade relativamente superior de proteína em relação à torta.

Ele tem uma desvantagem perante aos outros produtos, pela grande diferença de níveis de proteína e outros nutrientes, de acordo com a forma que é processada e pela adição ou não de casca. Por isso, é preciso ficar atento à análise bromatológica desse insumo.

Temos diferentes tipos de farelo disponíveis no mercado. O farelo mais comumente indicado ao consumo de bovinos é rico em casca, contendo 25 a 36% de PB. O farelo de algodão também é uma grande alternativa, mas é sempre interessante comparar o preço da proteína com outros insumos que possuem maior teor proteico em sua composição, como por exemplo o farelo de soja.

Capulho de algodão

Quando se existe a possibilidade de um alimento com custo relativamente baixo de MS, o capulho de algodão ganha ainda mais destaque.

Obtido no momento da extração do algodão, o capulho apresenta características principais, voltadas mais para proporcionar fibra efetiva na dieta do que por suas características nutricionais. Isso principalmente quando avaliamos os baixos valores de EE e NDT e altos valores de FDNfe.

Com dietas cada dia mais energéticas, a necessidade e a busca por alimentos com fibra efetiva ganha um espaço considerável.

Esse insumo, quando utilizado como a única fonte de volumoso na dieta, é aconselhável a adição de água para ajustar a MS da dieta e evitar que deprecie o consumo do animal.

Capulho de algodãoCapulho de algodão. Fonte: arquivo pessoal de Paulo Eugênio, coordenador da equipe de Consultoria Corte Rehagro.

Casca do caroço de algodão

Um coproduto, também rico em fibra e que pode ser utilizado na dieta de ruminantes, é a casca do caroço de algodão. Contendo em torno de 3 a 8% de línter é um alimento de boa palatabilidade e de fácil mistura, inclusive com outros coprodutos como a torta.

Casca de caroço de algodãoCasca do caroço de algodão. Fonte: arquivo pessoal de Dra. Andrea Mobiglia, consultora e coordenadora de ensino da Pecuária de Corte do Rehagro.

Independente do insumo que você optar, é sempre recomendado avaliar o custo-benefício de sua aquisição. Devemos avaliar:

  • Opções na região;
  • Local adequado de armazenamento para garantir sua qualidade;
  • Análise bromatológica do insumo.

Por serem coprodutos do algodão, os valores nutricionais podem alterar consideravelmente, afetando a composição final da dieta e, consequentemente, nos resultados de desempenho.

Vamos em frente?

Aqui no Rehagro, temos o Curso Online Gestão na Pecuária de Corte, um treinamento completo, que aborda todos os tópicos acima em videoaulas de 15 minutos por dia e encontros online ao vivo aos finais de semana para que os alunos possam tirar suas dúvidas.

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Eles dão todo o suporte à turma ao longo de 10 meses de um curso intensivo, que já impactou positivamente a produção de mais de 1.800 profissionais, que estão alcançando melhores resultados na atividade aplicando o que aprenderam.

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Cristiano Rossoni

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Fibra efetiva na nutrição de gado de corte: qual a importância? https://blog.rehagro.com.br/fibra-efetiva-na-nutricao-de-bovinos-em-confinamento/ https://blog.rehagro.com.br/fibra-efetiva-na-nutricao-de-bovinos-em-confinamento/#comments Mon, 16 Mar 2020 17:00:43 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7099 O processo de intensificação dos sistemas produtivos levou ao adensamento da dieta de ruminantes com a utilização de fibra efetiva, principalmente dos animais confinados, buscando o aumento da produtividade e, consequentemente, da lucratividade da fazenda. O maior desempenho, entretanto, é acompanhado de novos desafios, dos quais técnicos nutricionistas buscam otimizar o adensamento com a inclusão […]

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O processo de intensificação dos sistemas produtivos levou ao adensamento da dieta de ruminantes com a utilização de fibra efetiva, principalmente dos animais confinados, buscando o aumento da produtividade e, consequentemente, da lucratividade da fazenda.

O maior desempenho, entretanto, é acompanhado de novos desafios, dos quais técnicos nutricionistas buscam otimizar o adensamento com a inclusão mínima de fibras efetivas na dieta, feita a partir do oferecimento de volumosos, buscando excelentes resultados sem comprometer a saúde do indivíduo.

 

 

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Na falta de estímulo de fibra no rúmen-retículo, há comprometimento da ruminação e da produção de saliva. Essa última, por sua vez, é rica em elementos tamponantes para manter o pH ruminal. Sua falta resulta em queda de pH que, dependendo da intensidade, pode contribuir para um quadro de acidose. A acidose pode se desdobrar em timpanismo espumoso e laminite, além de ter impactos negativos e irreversíveis no desempenho animal.

FDN e FDNfe

A fibra também estimula a motilidade, que é importante por aumentar o contato do substrato com as enzimas extracelulares dos microrganismos do rúmen, auxiliar na ruminação e na renovação de conteúdo ruminal, ajudando a aumentar a taxa de passagem. A mudança na taxa passagem tem como consequência:

  • Alteração na eficiência da produção de proteína microbiana;
  • Taxas de passagem mais rápidas, que favorecem o crescimento microbiano;
  • Aumento de consumo, já que “libera” espaço no rúmen para o animal poder consumir mais alimento.

É comum haver casos de acidose subclínica: aquela que existe, mas não tem sintomas evidentes. Um bom indicativo de que pode estar ocorrendo é o consumo de matéria seca muito variável.

Na determinação do nível mínimo de fibra na dieta dos bovinos de corte, é importante que seja considerada a porção da fibra que efetivamente estimula a ruminação. Para garantir que a dieta tenha fibra em detergente neutro (FDN) desejável e que promova efetividade na ruminação, a fibra fisicamente efetiva (FDNfe) começou a ser mensurada.

FDN e FDNfeA figura exemplifica que a porção de FDN está contida na matéria seca (MS) da dieta, que possui um percentual de efetividade. No primeiro exemplo, a efetividade física do FDN é menor que no segundo. 

O FDNfe foi definido como a porcentagem do FDN que efetivamente estimula a mastigação, salivação, ruminação e motilidade ruminal. O conceito utilizado pelo NRC (1996) define como a soma das porcentagens do material retido em peneira acima de 1,18mm após separação vertical, e multiplicado pelo valor de FDN da amostra (FDNfe = FFDN x FDN amostra em %MS). As partículas menores que 1,18 mm não são capazes de estimular a ruminação e os demais fatores discutidos anteriormente.

Requerimento mínimo de fibra efetiva

Essa peneira foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia nos EUA, sendo nomeada de separador de partículas da Penn State (The Penn State Particle Separator). O método para mensurar consiste em passar uma amostra do material nas peneiras (19 mm, 8 mm, 1,18 mm e fundo).

Porém, no campo a peneira 1,18 mm foi substituída pela de 4 mm devido muitas partículas ficarem retidas na peneira 1,18 mm serem de baixa ou nenhuma efetividade. Ainda assim, o material da peneira 4 mm deve ser avaliado com cautela, pois partículas de rápida fermentação ruminal podem ficar retidas na peneira superestimando os valores de FDNfe. Essa peneira pode ser desconsiderada na soma, caso o nutricionista adote isso como critério. 

O que se sabe é que os zebuínos têm maior exigência de FDNfe, sendo algo em torno de 25-30%.

Essa exigência para demais bovinos ficaria próximo a 15%. Mas, estes valores podem ser muito variáveis, de acordo com o manejo da fazenda, maquinário existente na propriedade, qualidade de fibra e uso de aditivos.

Requerimento de FDNfeRequerimento de FDNfe em bovinos (TMR = ração de mistura total). Fonte:  Dados do NRC, 2016.

Níveis de FDNfe dos alimentos

No gráfico a seguir, é visto que a diminuição do FDNfe resulta em menor pH ruminal, podendo chegar a níveis muito baixos dependendo da dieta fornecida. Por isso, é importante estarmos atentos aos níveis de FDNfe dos alimentos mais utilizados.

Fibra efetiva na dietaA influência do teor de fibra fisicamente efetiva na dieta sob o pH ruminal de bovinos. 

Nas dietas formuladas, principalmente em confinamentos, alguns alimentos são utilizados com o único intuito de fornecer fibra efetiva aos animais.

Dentre os alimentos mais comumente utilizados no Brasil, alguns se destacam: o bagaço de cana que além de preço acessível (dependendo da região) apresenta uma importante porcentagem de fibra fisicamente efetiva, o feno também pode ser utilizado com esse intuito e até mesmo silagens de milho, capim, sorgo, que passaram um pouco do ponto de ensilagem podem ser utilizados com intuito de fornecer fibra efetiva a esses animais.

Além desses, outros importantes alimentos podem apresentar importante perfil de FDNfe e devem ser levados em consideração.

O quadro abaixo ilustra a efetividade de alguns insumos utilizados para bovinos. Note que o processamento é um fator crucial para esse parâmetro. Portanto, cada fazenda precisa conhecer seu insumo, e para isso a análise bromatológica e física das partículas é imprescindível para uma boa formulação de dieta.

Insumos para bovinos

Alguns subprodutos podem ser utilizados com o objetivo de estimular a ruminação através de sua efetividade, como por exemplo a casquinha de soja e o caroço de algodão, ambos alimentos possuem em sua composição bromatológica característica interessantes, o caroço com 44% de FDN, em média, e a casquinha 70% de sua MS total, entretanto por características dessa fibra a utilização dos dois alimentos se diferem.

A fibra efetiva do caroço de algodão é significativa para proporcionar a ruminação dos bovinos, podendo ser utilizada então com esse intuito, já a casquinha não apresenta essas características, e apesar de ser uma excelente alternativa de alimento não deve ter sua efetividade levada em consideração para promover ruminação.

Webinar Utilização de coprodutos

Quando pensamos em fornecer fibra aos animais buscando as características de sua efetividades, podemos acreditar que quanto maior o tamanho da partícula, melhor será para a dieta, entretanto partículas grandes em demais, acima de 19 mm, em grandes quantidades na dieta podem proporcionar uma seleção por parte dos animais, essa seleção acarreta diversos prejuízos como por exemplo, sobras no cocho e desempenho aquém do esperado para a dieta.

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O conteúdo vai direto ao ponto: como realizar a gestão dos principais pilares da pecuária lucrativa com o objetivo de ampliar a lucratividade do negócio.

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Palma forrageira na alimentação animal: uma opção para o semiárido https://blog.rehagro.com.br/palma-forrageira-na-alimentacao-de-vacas-leiteiras/ https://blog.rehagro.com.br/palma-forrageira-na-alimentacao-de-vacas-leiteiras/#comments Wed, 27 Jun 2018 14:34:27 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4517 Nos últimos anos, a produção de leite na região Nordeste vem se destacando no cenário nacional, sendo considerada por alguns especialistas a nova fronteira do leite no país. As adversidades climáticas, marcadas por má distribuição de chuvas e falta de grandes áreas adequadas à agricultura, restringem a utilização da terra, sendo a pecuária uma alternativa […]

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Nos últimos anos, a produção de leite na região Nordeste vem se destacando no cenário nacional, sendo considerada por alguns especialistas a nova fronteira do leite no país.

As adversidades climáticas, marcadas por má distribuição de chuvas e falta de grandes áreas adequadas à agricultura, restringem a utilização da terra, sendo a pecuária uma alternativa de menor risco.

No contexto da produção de leite, existe, nesta região, um grande potencial para a produção de alimentos, principalmente devido às altas temperaturas e luminosidade durante grande parte do ano, o que favorece crescimento de forrageiras tropicais, como a Brachiaria.

Somado a isso, em localizações específicas, os recursos hídricos estão disponíveis em abundância e a utilização da irrigação se torna uma opção promissora para a região.

 

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Evolução da produção de leite nas regiões do BrasilFonte: IBGE (PPM, 2009)

No entanto, grande parte da produção ainda está concentrada em áreas do semiárido, que hoje corresponde a 53% do território do nordeste. Esta região é caracterizada pela irregularidade de chuvas, com precipitações anuais médias que giram entre 500 e 1000 mm, com grandes extensões abaixo de 700 mm, inviabilizando ou comprometendo a produção de forragens ou grãos (Lira, 1981).

Diante desta realidade, surgem alguns questionamentos:

  • Conseguimos manter boas médias de produção por vaca ou por área, em regiões onde a cana-de-açúcar ou o milho para silagem não se adaptam às condições climáticas?
  • Nestas condições, não existiria uma dependência por compra de grãos que inviabilizaria os projetos?
  • É possível produzir leite de maneira competitiva nestas regiões?

A resposta é sim!

Exemplos disso estão nos números de produtividade de rebanho alcançados em estados como Alagoas e Pernambuco, que evidenciam o potencial destas regiões. E com certeza, um dos grandes diferenciais está na utilização da palma forrageira na alimentação dos rebanhos.

Tabela com comparativo de produção de leite de Alagoas e Pernambuco com o restante do paísComparação de Pernambuco e Alagoas em relação a outras áreas produtoras de leite do Brasil, 2001 / Fonte: Embrapa Gado de Leite (2003)

Origem da utilização da palma forrageira no Brasil

As primeiras espécies de palma forrageira foram trazidas do México pelos portugueses, com o objetivo de ser utilizadas como criatório de cochonilhas para a produção de corante natural.

Em 1818, foi introduzida no semiárido, onde começou a ser utilizada como alimento para ruminantes. A partir da percepção a campo do potencial deste vegetal, no final da década 50 iniciaram-se as pesquisas relacionadas ao manejo agronômico da palma.

A partir daí, centenas de trabalhos vem identificando, nos últimos anos, o real potencial deste alimento e seus benefícios econômicos e produtivos para a pecuária no semiárido.

Nos dias atuais, duas espécies são amplamente difundidas e utilizadas em várias regiões do nordeste brasileiro:

  1. Opuntia ficus-indica (Palma redonda e Gigante);
  2. Nopalea cochenillifera (Palma miúda).

Palma gigantePalma gigante (Opuntia ficus-indica)

Palma Miúda ou docePalma Miúda ou doce (Nopalea cochenillifera)

Potencial da palma forrageira na alimentação de vacas de leite

Quando se fala em alimento de alta qualidade para vacas leiteiras, temos como referência os volumosos tradicionalmente utilizados em várias regiões do Brasil, como a cana-de-açúcar, silagem de milho e silagem de sorgo.

E qual seria o grande diferencial destas forrageiras? O grande potencial de produção de matéria seca e energia por hectare, além da boa disponibilidade dos seus nutrientes.

Surpreendentemente, a palma forrageira apresenta todas estas características e com o grande diferencial de estar muito bem adaptada às condições climáticas do semiárido, graças aos seus mecanismos fisiológicos que a tornam muito menos dependente de água.

Em situações de manejo intensivo, a palma forrageira pode alcançar produtividades de matéria seca e de energia por hectare ainda maiores do que a cana-de-açúcar e a silagem de milho, se tornando uma opção de alimento muita estratégica em algumas regiões.

Produção de NDT para milho, sorgo e palma forrageira. Produção de NDT para Milho, Sorgo e Palma Forrageira. Dados médios.

Produtividades conseguidas em São Bento do Una no Agreste Pernambucano. Milho (27 ton/hectare), Sorgo (33 ton/hectare)e Palma (100 ton/hectare). Fonte: Adaptado de Ferreira (2005)

Comparativo de produtividade entre palma forrageira e outros volumososComparativo de produtividade por área de Matéria Seca e energia (CNF-Carboidrato Não Fibroso) da Palma Forrageira e outros Volumosos utilizados no Brasil

Na tabela de produção de NDT, estão evidenciadas produtividades e teores de matéria seca do milho muito abaixo da atual realidade de algumas regiões do Brasil.

Isso ocorre devido à instabilidade de chuvas em algumas regiões do nordeste, como, por exemplo, a de condução do experimento, tornando o milho uma cultura de risco e comprovando a importância da palma e sua adaptabilidade às regiões de seca.

E-book Aditivos na Dieta dos Bovinos Leiteiros

A importância da palma forrageira na diminuição dos custos alimentares

Em tempos onde o preço dos insumos alimentares como milho, soja, casquinha de soja e polpa cítrica apresentam variações constantes e são extremamente dependentes do mercado (commodities), um dos grandes desafios é conseguir fornecer ao animal o nível adequado de energia (CNF) na forma de amido ou outros constituintes, sem que o custo da dieta extrapole o orçamento e as metas de margens de lucro da propriedade.

Dentro deste contexto, a palma tem papel fundamental, uma vez que sua inclusão diminui a dependência de concentrados energéticos, além de seu custo de matéria seca ser menor do que outros alimentos, contribuindo significativamente na redução das despesas com alimentação (R$/Litro de Leite).

Tudo isso é possível pelo fato da palma, apesar de ser considerada um volumoso, apresentar, em sua constituição, grande porcentagem de carboidratos não fibrosos (CNF), constituído por açucares, amido, ácidos orgânicos e pectina, que são rapidamente disponibilizados para a fermentação ruminal.

Para se ter uma ideia, comparativamente, a palma apresenta 80% do valor nutricional do milho grão (Lima et al., 1981), tendo o custo de matéria seca 8 a 10 vezes menor.

É como se tivéssemos na propriedade um alimento semelhante à polpa cítrica, com custo de aproximadamente 80 a 100 reais a tonelada de matéria seca. É ou não é um bom negócio?

Custos de produção da palma forrageiraCustos de Produção por tonelada de Matéria Natural da Palma Forrageira cultivada em sistema intensivo e extensivo / Adaptado de Suassuna (2009)

Custos da matéria seca e natural da palma forrageiraCustos da Matéria Natural (MN) e Matéria Seca (MS) de Palma em comparação a outros forragens utilizadas em propriedades leiteiras

Cuidados com a palma forrageira na dieta de vacas

Fornecer uma fonte de fibra na dieta (Balancear FDN)

Apesar de ser considerada uma forragem, a palma forrageira apresenta características de um alimento concentrado, com baixo teor de fibra (FDN de 26%), alto conteúdo de carboidrato não fibroso (58,5% de CNF), além de pouca capacidade de estimular a ruminação.

Devido a isso, outras fontes de fibra devem ser adicionadas à dieta, uma vez que a utilização exclusiva de palma pode levar a problemas como o timpanismo (empazinamento), diarreia, diminuição da gordura do leite, acidose metabólica, diminuição do consumo de matéria seca e perda de peso.

Portanto, a escolha do volumoso que deverá ser associado à palma deve levar em consideração o equilíbrio entre o carboidrato fibroso e não fibroso. Por exemplo, em dietas com bagaço de cana (rico em FDN e pobre em CNF), a proporção de palma poderá ser bem maior do que silagem de Milho e Sorgo.

Da mesma forma, em dietas com grandes quantidades de alimentos concentrados, menos palma deve ser utilizada.

Fornecer fonte de proteína

A palma apresenta baixo teor de proteína (4,8%), necessitando de complementação proteica vinda de alimentos como soja, ureia, torta e caroço de algodão, cevada, do próprio volumoso, dentre outros.

No entanto, erroneamente são utilizadas formulações comerciais com teores de proteína variando de 18 a 24%, que atendem à demanda de proteína quando é fornecida outra fonte de forragem como o pasto ou silagens de milho e sorgo, mas que não são suficientes para atingir os requerimentos da vaca quando se utiliza a palma forrageira.

Na tabela abaixo, veja que os teores de proteína no concentrado quando a palma é utilizada podem variar de 28 a 37,5%. Formulando incorretamente a ração, não é possível explorar todo o potencial de palma, criando uma falsa ilusão de que ela é inapropriada para a produção de leite.

Estimativa do teor de proteína bruta na matéria seca da associação de palma forrageira com silagem de sorgoEstimativa do teor de proteína bruta na MS do concentrado, quando da associação de palma forrageira com silagem de sorgo na proporção de 50% cada V:C (Relação Volumoso:Concentrado) , PB (Proteína Bruta), MS (Matéria Seca) / Fonte (Ferreira, 2005)

Qual a quantidade de palma forrageira posso oferecer para as vacas?

Esse é um dos grandes questionamentos dos produtores que utilizam palma forrageira nos seus rebanhos. No entanto, o mais importante não é a quantidade a ser fornecida, e sim como está sendo fornecida, principalmente com relação ao consórcio com outras fontes de fibra e o equilíbrio entre carboidrato não fibroso e Fibra efetiva (FDN).

Ferreira e seus colaboradores (2004) avaliaram a inclusão de palma em substituição ao feno de capim Tifton nas proporções de 0; 12,5; 25; 37,5 e 50% em dietas de vacas holandesas, mantendo a proporção de alimento concentrado em 30% da matéria seca.

Apesar da diminuição dos teores de gordura do leite e tempo de ruminação para as 2 maiores inclusões de palma, a presença deste alimento melhorou a eficiência alimentar, ou seja, para a mesma quantidade de matéria seca consumida, a produção de leite aumentou quando se elevou a proporção de palma dieta.

A relação de kg de leite por kg de concentrado variou de 2,92 para a dieta com 0% de palma na dieta, para 3,80 nas dietas com 50% de palma.

No entanto, foi detectada diarreia nas dietas com 50% de palma forrageira como fonte de volumoso, indicando mais uma vez a necessidade de balanceamento de fibra e certo limite para inclusão na dieta dependente da outra fonte de volumoso.

Trabalhos mostram consumo de matéria seca variando entre 1,1 a 1,8% do peso vivo para vacas em lactação, ou seja, uma vaca de 500 Kg consumiria entre 5,5 e 9 Kg de matéria seca de palma forrageira, ou um consumo entre 42 e 90 Kg de matéria natural. Nestes experimentos, mesmos com altos consumos (90 Kg de Palma), não ocorreram problemas de diarreia nas vacas.

Em contrapartida, vacas que consumiram 60 Kg apresentaram algum problema, evidenciando que os malefícios causados pelo fornecimento de palma forrageira não estão relacionados ao alto teor de umidade da palma e sim ao balanceamento da dieta.

Potencial da palma forrageira

A utilização da palma já é uma realidade em várias regiões do semiárido brasileiro. No entanto, paradigmas, conservadorismo e falta de adoção de tecnologias inibem a expansão deste alimento para outras regiões.

O conhecimento do real potencial da palma e sua correta utilização através das adequações de fibra e proteína na dieta são de extrema importância a fim de explorar todo o potencial deste alimento.

É importante salientar que os baixos custos da tonelada são conseguidos a partir de sistemas intensivos de plantio, nos quais se alcançam produtividades maiores que 400 toneladas por hectare.

Portanto, pensar que a palma é uma cactácea pouco exigente em fertilidade é um grande erro e a escolha de solos férteis, adubações (orgânica e química) e irrigação devem ser levadas em consideração, uma vez que apresentam excelente resultado.

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