fisiologia animal Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/fisiologia-animal/ Mon, 13 Feb 2023 08:22:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://blog.rehagro.com.br/wp-content/uploads/2018/05/favicon-rehagro.png fisiologia animal Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/fisiologia-animal/ 32 32 Estresse térmico em vacas leiteiras: como identificar? https://blog.rehagro.com.br/estresse-termico/ https://blog.rehagro.com.br/estresse-termico/#comments Mon, 09 Jul 2018 15:29:20 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4671 O estresse térmico em vacas leiteiras está presente em grande parte dos rebanhos, influenciando diretamente na saúde, reprodução e produção de leite dos animais. Atuar de forma preventiva para minimizar os seus impactos representa um grande desafio e uma grande oportunidade para os diversos tipos de sistema de produção. Animais em estresse térmico apresentam alterações […]

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O estresse térmico em vacas leiteiras está presente em grande parte dos rebanhos, influenciando diretamente na saúde, reprodução e produção de leite dos animais.

Atuar de forma preventiva para minimizar os seus impactos representa um grande desafio e uma grande oportunidade para os diversos tipos de sistema de produção.

Animais em estresse térmico apresentam alterações clássicas que precisam ser identificadas para que o processo de resfriamento seja otimizado. Acompanhe neste texto um pouco sobre o que é o estresse térmico e quais são os principais sinais.

 

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Conhecendo o estresse térmico

Segundo West (2003), o termo estresse térmico é utilizado para referenciar os efeitos ocasionados na fisiologia, no comportamento e na produção dos animais devido as alterações no ambiente.

De modo semelhante, Yousef (1985) define que o estresse térmico consiste na soma das forças internas (metabolismo, ex.) e externas (ambiente) que atuam em um animal para causar um aumento na temperatura corporal e provocar uma resposta fisiológica.

Nos países de clima tropical, como o Brasil por exemplo, é muito mais comum a ocorrência de estresse térmico pelo calor do que pelo frio. Altos valores de temperatura e umidade, além da exposição à radiação solar, são fatores que contribuem de forma significativa para que as vacas acumulem calor corporal.

O estresse térmico em vacas leiteiras ocorre quando a taxa de ganho de calor do animal excede a de perda, fazendo com que o mesmo saia de sua zona de conforto. Desta forma, são necessários ajustes no comportamento e/ou fisiologia do animal.

Assim como qualquer outra espécie animal, os bovinos de leite também apresentam uma faixa de temperatura considerada como zona termoneutra. Nesta faixa de temperatura o animal não precisa direcionar grandes quantidades de energia para termorregulação, seja para capturar, seja para dissipar calor. Desse modo, o gasto de energia para manutenção é mínimo, resultando em máxima eficiência produtiva.

Em temperaturas inferiores àquela mínima da zona termoneutra as vacas entram em estresse térmico pelo frio. Já quando a temperatura se encontra superior ao limite máximo da zona termoneutra, o estresse térmico instaurado é pelo calor.

Zona termoneutraAdaptado de Kadzere et al., 2002

Vacas de alta produção são mais susceptíveis ao estresse térmico quando comparadas às vacas de baixa produção. A seleção genética para produção de leite contribuiu para que as vacas aumentassem a quantidade de calor metabólico, pois vacas que produzem mais leite ingerem mais alimentos e, logo, possuem metabolismo mais elevado em relação as vacas de menor potencial genético.

Com a menor capacidade de dissipação de calor, as vacas elevam sua temperatura corpórea com maior facilidade e perdem calor para o meio ambiente com maior dificuldade. O resultado final é o maior acúmulo de calor, podendo ocorrer mais facilmente o estresse térmico.

Ao analisarmos os dados de 2018 do Departamento de Agricultura do Estados Unidos, por exemplo, vemos que é relatado um amento de 13% na produção de leite na última década, passando de quase 9.000 kg de leite para 14.000 kg de leite/vaca/ano.

Conforme descrito por Berman (2005), o aumento na produção de leite de 35 kg de leite/dia para 45 kg de leite/dia contribui para que o limite de temperatura para estresse térmico seja reduzido em torno de 5°C, significando que as vacas tenderão a sofrer estresse térmico de forma mais precoce.

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Como identificar um animal com estresse térmico

  • Animal ofegante, com aumento de salivação e transpiração;
  • Redução na ingestão de matéria seca;
  • Redução na produção de leite;
  • Aumento no consumo de água;
  • Aumento da frequência cardíaca e respiratória;
  • Temperatura retal maior que 39,1ºC.

Vaca com Estresse TérmicoVaca leiteira em estresse térmico pelo calor. Note: boca aberta, língua para fora e aumento de salivação.

A temperatura corporal representa o principal indicador da termorregulação do organismo, estando relacionada à saúde, sucesso reprodutivo e produtividade dos animais.

No entanto, vale ressaltar que não é somente o estresse térmico que ocasiona elevação da temperatura do organismo.

Eventos como doenças, lesões, infecções, toxinas, etc. podem provocar a hipertermia nos animais. Outros fatores que também ocasionam elevação da temperatura corporal, mas em uma menor magnitude, são nível de atividade do animal e estro.

Além da temperatura corporal, uma das primeiras alterações observadas em animais com estresse térmico é o aumento da frequência respiratória no intuito de perder calor para o ambiente.

Gaughan e colaboradores (2000) citam que a taxa respiratória dos bovinos sofre influência multifatorial, incluindo idade, nível de produção, condição corporal, ingestão de matéria seca, particularidades das instalações e dos sistemas de resfriamento, exposição a ambientes quentes, etc.

Resultados de pesquisas científicas demonstram que vacas expostas a ambientes com temperatura variando entre 24° e 39°C apresentaram aumento na frequência respiratória entre 2,8 e 3,3 movimentos respiratórios/minuto para cada 1°C a mais no ambiente.

A elevação da frequência respiratória consiste em um dos indicadores fenotípicos mais sensíveis para caracterizar o estresse térmico pelo calor em vacas leiteiras, sendo que taxas acima de 60 movimentos respiratórios/minutos já indicam provável alteração devido ao estresse térmico (Shultz, 1984; Berman et al., 1985).

Resfriamento de vacas leiteirasResfriamento térmico de vacas leiteiras com aspersores e ventiladores. (Fonte: Grupo Rehagro, Meara Gado Holandês – Fazenda Barreiro Alto).

Monitorando o estresse térmico

Monitorar o conforto térmico das vacas leiteiras representa atualmente um dos pontos base dos sistemas de produção. Ofertar condições que previnam a ocorrência de estresse térmico tornou-se essencial, visto a magnitude que os impactos deste evento ocasionam na saúde, reprodução e produção dos animais.

Entretanto, para monitorar o conforto, primeiro devemos conhecer quais os sinais presentes no estresse térmico.

De forma geral, vacas leiteiras em estresse térmico apresentam os seguinte sinais, na tentativa de trocar calor com o ambiente:

  • Respiração ofegante;
  • Boca aberta;
  • Língua para fora;
  • Aumento da salivação e da transpiração.

Em situações como essa, se os animais estão em galpões onde haja ventiladores e aspersores, eles deverão ser ligados.

Caso não estejam alojados nestas instalações, molhar bem os animais em estado mais crítico pode ajudar no resfriamento.

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Siistema digestivo dos bovinos: conheça a anatomia e fisiologia https://blog.rehagro.com.br/sistema-digestivo-dos-bovinos/ https://blog.rehagro.com.br/sistema-digestivo-dos-bovinos/#comments Thu, 14 Jun 2018 14:43:04 +0000 http://blog.rehagro.xyz/?p=4240 O sistema digestivo dos bovinos compreende boca, faringe, esôfago, pré-estômagos (rúmen, retículo, omaso), abomaso (estômago verdadeiro ou glandular), intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus. Os órgãos acessórios são: dentes, língua, glândulas salivares, fígado e pâncreas. Pela presença dos pré-estômagos, os bovinos, assim como a cabra, a ovelha, o búfalo, o camelo e os cervídeos, […]

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O sistema digestivo dos bovinos compreende boca, faringe, esôfago, pré-estômagos (rúmen, retículo, omaso), abomaso (estômago verdadeiro ou glandular), intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus. Os órgãos acessórios são: dentes, língua, glândulas salivares, fígado e pâncreas.

Pela presença dos pré-estômagos, os bovinos, assim como a cabra, a ovelha, o búfalo, o camelo e os cervídeos, são classificados como poligástricos ou ruminantes, animais que têm capacidade de ruminar, consistindo na regurgitação dos alimentos ingeridos, na remastigação e em nova deglutição.

 

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A língua é o principal órgão prensor, conduzindo o alimento até a boca. Ruminantes não têm dentes caninos nem incisivos superiores. A função antagonista dos incisivos inferiores se realiza pela lâmina dental constituída de tecido conjuntivo fibroso, recoberto por epitélio intensamente cornificado. A fórmula de dentição permanente de ruminantes é 2(I 0/4, C 0/0, P 3/3, M 3/3), quer dizer, 32 dentes.

A eficácia da mastigação é uma condição prévia vital para a digestão em ruminantes porque reduz o material vegetal a partículas de tamanho pequeno, que permite o ataque de microrganismos do rúmen aos carboidratos estruturais.

Os bovinos pastejam durante longos períodos de tempo, mastigam inicialmente de forma breve, ainda dispõem de amplos períodos de ruminação para reduzir as partículas de alimentos de forma a favorecer o ataque microbiano.

Os ruminantes jovens dispõem de uma dentição caduca que na maioria dos casos emerge antes do nascimento. A fórmula de dentição caduca de ruminantes é 2 (I 0/4, C 0/0, P 3/3), ou seja, 20 dentes.

Compartimentos digestivos dos bovinos

A função primária do trato digestivo é o de converter alimentos em componentes químicos capazes de serem absorvidos para a corrente sanguínea, para o uso como nutrientes para uma variedade de necessidades como manutenção corporal, crescimento, engorda, produção de leite e reprodução.

O estômago de ruminantes tem quatro compartimentos: o rúmen, retículo, omaso e abomaso. Coletivamente, estes órgãos ocupam quase 3/4 da cavidade abdominal, enchendo virtualmente todo o lado esquerdo e estendendo significativamente ao lado direito.

O retículo relaciona-se com o diafragma e é unido ao rúmen por uma dobra de tecido. O rúmen, o maior dos pré-estômagos, é propriamente saculado por colunas musculares que são chamadas saco dorsal, ventral, caudodorsal e caudoventral.

Em muitos aspectos, o retículo pode ser considerado uma bolsa cranioventral do rúmen; a digesta flui livremente entre estes dois órgãos. O retículo é conectado ao esférico omaso por um túnel pequeno, o orifício retículo-omasal. O abomaso é o estômago glandular ou verdadeiro do ruminante.

O interior do rúmen, retículo e omaso é exclusivamente coberto com epitélio estratificado escamoso, semelhante ao que é observado no esôfago.

Cada um destes órgãos tem estrutura mucosa muito distinta, embora dentro de cada órgão, alguma variação regional em morfologia possa ser observada. A superfície interior do rúmen forma numerosas papilas que variam em forma e tamanho, desde pequenas e pontiagudas a longas e folhadas.

O epitélio reticular é lançado em dobras que formam camadas poligonais que dão ao retículo, uma aparência de colmeia. Dentro do omaso ocorrem dobras longitudinais largas que lembram as páginas de um livro (um termo comumente utilizado para o omaso é livro). As pregas omasais são acumuladas com ingesta finamente moída e representam aproximadamente um terço da área de superfície total dos pré-estômagos. Epitélio estratificado, escamoso como achado no rúmen não é normalmente considerado um tipo de epitélio absortivo.

Papilas ruminais são muito ricamente vascularizadas e os ácidos graxos voláteis abundantes produzidos por fermentação são prontamente absorvidos através do epitélio. Sangue venoso dos pré-estômagos, como também do abomaso, leva estes nutrientes absorvidos até a veia porta. Ultrapassando estes compartimentos, a digesta chega ao intestino delgado e ao intestino grosso.

Rúmen

O rúmen é o maior dos quatro pré-estômagos. Localiza e preenche quase todo o lado esquerdo da cavidade abdominal. Ele é dividido em quatro áreas ou sacos por estruturas musculares chamadas de pilares ruminais. Há um saco dorsal, um ventral e dois sacos posteriores. Os pilares movem o bolo alimentar pelo rúmen em sentido rotatório, misturando o conteúdo sólido com o conteúdo líquido.

O órgão movimenta-se continuamente, a um ritmo de um a três movimentos por minuto, proporcionando uma divisão física (conhecida pelo nome de estratificação da digesta) e mistura das forragens e outras partículas ingeridas aos líquidos.

Quando completamente desenvolvido, apresenta vilosidades na face interna de sua parede, chamadas papilas ruminais. Estas papilas variam em número e tamanho em função do tipo de alimento fornecido. Quando bovinos são alimentados com dietas ricas em alimentos concentrados, o número e o tamanho das papilas ficam maiores para facilitar a absorção da grande quantidade de ácidos orgânicos produzidos durante a fermentação dos carboidratos.

O rúmen funciona como um combinado de reservatório e câmara fermentativa dos alimentos ingeridos. Os alimentos que chegam ao rúmen pela deglutição são digeridos ou degradados por processos fermentativos realizados pelos microrganismos que vivem dentro do órgão: bactérias, protozoários e fungos.

O processo de digestão ou fermentação é garantido por enzimas produzidas por estes microrganismos, enzimas estas que não são secretadas, mas ficam aderidas a parede celular. Tanto o rúmen quanto o retículo (e também o omaso), fornecem condições ideais para a colonização e crescimento destes microrganismos, que são os maiores responsáveis pelos processos digestivos dos ruminantes.

Condições ideais ao desenvolvimento e permanência dos microrganismos

  • Anaerobiose, ou seja, ausência quase total de oxigênio (O₂);
  • pH entre 5,5 a 7,0, sendo mais comum valores entre 6,8 a 6,9;
  • Temperatura entre 39 e 40ºC, ideal para a atividade enzimática microbiana;
  • Fornecimento contínuo de substrato, que é o alimento destes microrganismos;
  • Movimentos contínuos do retículo-rúmen, que apresentam e inoculam estes microrganismos nas partículas de alimento (substrato microbiano);
  • Alta umidade (em torno de 80% até 90% de água);
  • Retirada contínua dos produtos finais da fermentação, que poderiam acumular e se tornarem tóxicos.

A decomposição do conteúdo ocorre através da fermentação bacteriana, pois a saliva dos bovinos não contém enzimas digestivas e o revestimento dos pré-estômagos não têm glândulas capazes de secretar estas enzimas.

De uma maneira geral, a fermentação pelas bactérias ruminais irá ocorrer sobre cada um dos nutrientes dos alimentos.

Os carboidratos das plantas e outros alimentos (celulose, amido e açúcares) serão fermentados a ácidos graxos voláteis (os AGVs) e então absorvidos pelas papilas ruminais. As proteínas e outras fontes de nitrogênio (ureia, por exemplo) serão degradadas até amônia (NH₃), que será então utilizada para a síntese de proteína microbiana.

Os lípides/gordura serão quebrados em glicerol e ácidos graxos de cadeia longa, sendo o primeiro fermentado até AGV e o segundo hidrogenado, ou seja, as ligações duplas e triplas da cadeia de carbono são transformadas em ligações simples.

Os microrganismos do rúmen sintetizam vitaminas do Complexo B e K. Os AGV são absorvidos no rúmen, enquanto que os outros nutrientes passam para os compartimentos digestivos posteriores.

A atividade motora do rúmen e dos outros pré-estômagos é controlada pelo nervo vago (ramo dorsal, que inerva o saco dorsal do rúmen e o ramo ventral, que inerva o saco ventral do rúmen,retículo,omaso e abomaso), ligado ao sistema nervoso autônomo.

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Retículo

O retículo ocupa uma posição cranial e não completamente separado do rúmen. Logo, suas funções e motilidades estão muito ligadas às do rúmen. A abertura do esôfago no cárdia é comum ao retículo e ao rúmen.

As paredes internas do retículo estão revestidas por uma membrana mucosa, disposta em inúmeras pregas (em forma de favos de mel).

Os corpos estranhos ingeridos pelo bovino (arames, pregos e outros) ficam retidos nestas pregas e impedidos de passar para os demais compartimentos do aparelho digestivo posterior, com consequentes reticulites e pericardites, altamente indesejável para estes animais, que, não raramente, levam o animal à morte.

Semelhante ao rúmen, o órgão não secreta nenhuma enzima. Apresenta um movimento constante, em sintonia com o rúmen. Do retículo, o alimento passa para o rúmen (alimento ainda não totalmente degradado/fermentado) ou para o omaso (alimento fermentado) e deste, para o trato digestivo posterior (abomaso e intestinos).

O retículo é o principal órgão que participa do processo de ruminação, já que é o responsável pela contração que leva a regurgitação.

Omaso

O omaso localiza-se do lado direito do retículo-rúmen, apresentado um formato esférico. Contêm em seu interior muitas lâminas musculares, que lhe conferiram o nome popular de folhoso (folhas semelhantes às de um livro). Na mucosa destas lâminas formam-se papilas, mais curtas e menos numerosas, se comparadas com as do rúmen.

Suas principais funções estão ligadas a absorção de água, de minerais, de ácidos graxos voláteis e redução de partículas alimentares.

Algumas pesquisas apontam o omaso como um órgão selecionador, ou seja, ele definiria se a digesta (alimento sendo digerido) que vem do retículo-rúmen está apta ou não para prosseguir para o abomaso. O material semi-líquido do retículo entra no omaso pelo orifício retículo-omasal.

Contrações omasais frequentes e fortes comprimem e trituram a digesta e de 60 a 70% da água é absorvida. O material de consistência mais sólida passa para o abomaso.

Abomaso

Corresponde ao estômago verdadeiro ou glandular dos bovinos. Possui uma mucosa mais úmida do que os outros pré-estômagos, com pregas longas e altas. Localiza-se ventralmente ao omaso, do lado direito do rúmen.

No bezerro, o abomaso cobre uma grande parte do assoalho do abdômen. A mucosa possui glândulas responsáveis por secretar o suco gástrico ou abomasal, numa velocidade que compensa, mais ou menos, a perda de líquido no omaso. O conteúdo do suco gástrico determina o pH, que pode ser de 1,5 a 3,0. Nestas condições, os microrganismos vindos do retículo-rúmen acabam morrendo.

Os principais produtos secretados pelas glândulas do abomaso são: enzimas (pepsina e pepsinogênio), hormônios (gastrina), ácidos (ácido clorídrico – HCl) e água. No bezerro, o abomaso secreta uma enzima específica para a digestão do leite, a quimosina, que coagula o colostro/leite, formando um coágulo de caseína e liberando o soro.

Intestinos

Os intestinos são divididos em duas porções, as quais sofrem, ainda, subdivisões:

  1. Intestino Delgado: duodeno (porção ativa de digestão e absorção), jejuno (porção para absorção) e íleo (porção para absorção e reabsorção);
  2. Intestino Grosso: ceco (saco cego), colo (parte mais volumosa do intestino grosso) e reto (termina no ânus).

As alças intestinais ocupam os dois terços posteriores do lado direito do abdômen. O rúmen cheio desloca as alças intestinais para a direita da linha média.

A digestão enzimática, que se iniciou no abomaso com a quimosina (bezerro) ou a pepsina (bovino adulto), é completada no intestino delgado com a participação das enzimas pancreáticas (tripsina, quimiotripsina, amilase pancreática, lipase) e de outras enzimas intestinais (lactase, maltase, sacarase, dissacaridases e outras).

Portanto, é no intestino delgado (especialmente no duodeno e jejuno) onde ocorrerá a maior parte da digestão e absorção dos nutrientes (proteínas, lipídios, minerais e vitaminas), ao passo que a maior parte dos carboidratos já foi fermentada no rúmen.

As paredes internas (mucosas) do intestino delgado são revestidas por inúmeras projeções papilares chamadas vilos ou vilosidades, que servem para aumentar a superfície de absorção destes nutrientes. A digestão enzimática desenvolve-se nas primeiras semanas de vida do bezerro, quando começa a ingerir nutrientes que exigem clivagem: dissacarídeos, amido e lipídios.

No intestino grosso, o processo de decomposição, síntese e conversão são mediadas por enzimas bacterianas. É justamente neste órgão que a maior parte da água ingerida será absorvida.

Existe no intestino grosso, uma população microbiana semelhante à do rúmen, mas bem menor em número. Estes microrganismos fermentam o pouco substrato que lá chega, da mesma forma que os do rúmen, produzindo ácidos graxos voláteis e proteínas microbianas.

Ocorre também certa digestão da celulose, pelas enzimas destes mesmos microrganismos. As vitaminas B e K, assim como no rúmen, também são sintetizadas neste órgão. Existe absorção destes nutrientes produzidos no intestino grosso, mas ela é bastante limitada.

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