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Em casos de mastite em vacas, uma boa conduta e tratamento são muito importantes. Quando você passa por isso na sua fazenda, têm dúvidas de como procedes para evitar prejuízos?

Entenda quais são os tratamentos da mastite neste artigo!

Devo fazer o tratamento com antibiótico imediatamente quando for diagnosticada a mastite?

Pois o período de carência é grande e provavelmente esse leite vai ser descartado e o produtor vai ficar no prejuízo. Como minimizar esse prejuízo?

A vaca deu mastite? Algo tem que ser feito.”, afirma o especialista Prof. Nathan Fontoura.

 

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Primeiramente, o leite dessa vaca não pode mais ser jogado para o tanque e ser misturado com o leite saudável das demais vacas. Por quê?

  1. Porque esse leite não é próprio para consumo humano
  2. Porque esse leite tem altíssima CCS e alterações em sua composição, o que também afetaria a média do leite bom da fazenda.

Sobre o tratamento ou não, o correto hoje é que a gente tenha uma ferramenta que se chama cultura microbiológica na fazenda.

O ideal é que realizemos a cultura do leite do animal na própria fazenda. 24 horas após a realização dessa cultura, fazemos a leitura do resultado e aí sim, tenho a resposta correta se o animal deve ser tratado ou não.

Confira a explicação do Prof. Nathan no vídeo abaixo:

Hoje em dia, cerca de 50% a 60% dos casos de mastite que temos encontrado nas fazendas no Brasil não precisam ser tratados.

Porém, se eu não tenho a ferramenta de cultura microbiológica disponível na fazenda, ou se eu não tenho acesso a esse tipo de ferramenta, aí preciso tratar 100% dos casos, e de maneira mais rápida.

Manual de controle da mastite

Prejuízo para o produtor

O maior prejuízo é se ele não tratar esse animal que precisa de tratamento e o animal diminuir sua produção.

Para cada caso clínico que o animal tem na lactação, o animal perde, em média, 200 litros de leite no restante da lactação caso tenhamos uma cura clínica e microbiológica perfeita, dentro do desejado.

Caso não tenhamos essa cura da maneira correta, provavelmente, a perda de produção de leite nesse animal vai ser ainda maior. Então, ao invés de perder 150, 200 litros, pode perder 250, 400, 500 litros de leite ou até mesmo o quarto mamário pode ser perdido como um todo.

Portanto, se eu não tenho a ferramenta de cultura microbiológica na fazenda, eu devo iniciar imediatamente o tratamento desse animal com o protocolo mais recomendado, deixado pelo veterinário na fazenda.

Caso eu tenha acesso à cultura microbiológica, em até 24 horas eu tenho a correta resposta se devo tratar ou não e qual é o tratamento mais adequado naquele caso clínico.

Saiba mais!

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Principais agentes causadores de mastite: saiba quais são e como preveni-los https://blog.rehagro.com.br/patogenos-causadores-de-mastite-quem-sao-eles-e-como-preveni-los/ https://blog.rehagro.com.br/patogenos-causadores-de-mastite-quem-sao-eles-e-como-preveni-los/#comments Fri, 23 Jul 2021 15:10:22 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9497 Quando o assunto é mastite e qualidade do leite, uma pergunta bastante frequente é: “Qual o melhor antibiótico para tratar as vacas?”  Assim como ocorre com outras doenças, definir o tratamento assertivo para a mastite depende de alguns fatores, como: O conhecimento do agente; Histórico de mastite da vaca; Dados de contagem de células somáticas […]

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Quando o assunto é mastite e qualidade do leite, uma pergunta bastante frequente é: “Qual o melhor antibiótico para tratar as vacas?” 

Assim como ocorre com outras doenças, definir o tratamento assertivo para a mastite depende de alguns fatores, como:

 

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Um estudo publicado em 2018 identificou que apenas 20% a 30% dos casos de mastite clínica leve (presença de alterações visíveis no leite) se beneficiaram com o uso de antimicrobiano, reforçando a importância de conhecermos os dados de cada caso para as tomadas de decisão.

Ainda mais importante que definir as estratégias com as vacas doentes, é atuar de forma preventiva para reduzir os riscos de mastite e contaminação das vacas sadias. Sendo assim, conhecer os patógenos presentes no rebanho e suas principais características são partes fundamentais nesse controle.

Dentre os agentes causadores de mastite, em média, 95% são bactérias, enquanto os demais casos são causados por fungos, leveduras e algas. Vamos conhecê-los um pouco mais!

Existem várias formas de classificar esses patógenos, sendo a estratificação com base no comportamento etiológico dos agentes a mais comum.

Agentes contagiosos

Os agentes contagiosos são aqueles cujo reservatório principal é a vaca (pele dos tetos e úbere).

A transmissão desses agentes ocorre durante a ordenha, tanto pelas mãos dos ordenhadores quanto pelo equipamento de ordenha.

Sendo assim, manter o equipamento de ordenha em bom funcionamento, com manutenções preventivas e corretivas em dia, além de garantir uma boa rotina de ordenha, são pontos fundamentais no controle e prevenção desses agentes no rebanho.

Dentre os principais agentes contagiosos temos o Corynebacterium bovis, Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae e Mycoplasma spp.

Corynebacterium bovis

  • Bactéria gram positiva;
  • Habitante do canal do teto;
  • De característica contagiosa, porém pouco patogênica;
  • Alta taxa de cura na terapia da vaca seca.

Staphylococcus aureus

  • Bactéria gram positiva;
  • Formação de fibrose e micro abscessos, com eliminação intermitente no leite, sendo necessárias coletas seriadas para identificação do agente;
  • Capaz de formar biofilme, sendo baixa a taxa de cura espontânea e de tratamentos durante a lactação;
  • Taxa de cura é maior para casos de novilhas e vacas em início de lactação, sendo usual a terapia estendida;
  • Moscas, peles e mãos dos ordenhadores podem atuar como fonte de transmissão.

Streptococcus agalactiae

  • Bactéria gram positiva;
  • Maioria dos casos são subclínicos com aumento de CCS acima de 1 milhão de células/ml;
  • Sensível a penicilina e cefalosporinas, com taxas de cura próximas a 100% em protocolos de 3 dias;
  • Agente altamente contagioso e de rápida disseminação no rebanho, sendo recomendada realização de tratamento para os casos clínicos e subclínicos;
  • Agente possível de ser erradicado do rebanho ao seguir protocolos de tratamento, biosseguridade e segregação das vacas positivas.

Mycoplasma spp.

  • Bactéria sem parede celular;
  • Não crescem em meio de cultura tradicional, sendo recomendada técnicas como PCR para seu diagnóstico;
  • Não respondem a tratamentos com antimicrobianos;
  • Agente capaz de migrar via hematógena para outros órgãos e ser transmitido via aerossol, podendo causar quadros de otite, artrite e pneumonia em vacas e bezerros;
  • Seu controle está relacionado a identificação e ações de biosseguridade como o descarte de animais positivos.

Manual de controle da mastite

Agentes ambientais

Os patógenos ambientais são aqueles cujo reservatório principal é o ambiente.

A transmissão desses agentes ocorre principalmente entre ordenhas e seu controle está relacionado a reduzir a exposição dos tetos a esses agentes, através dos manejos no ambiente de permanência das vacas e rotina de ordenha, garantindo tetos limpos e desinfetados.

Dentre os principais agentes ambientais temos a Escherichia coli, Klebsiella spp. e Streptococcus uberis.

Escherichia coli

  • Bactéria gram negativa;
  • Associada a mastites severas – maior patogenicidade e resposta imunológica intensa;
  • Alta taxa de cura espontânea, podendo chegar a mais de 80%;
  • Frequentemente isolado em mastites no período seco e início de lactação;
  • Apresenta-se na forma clínica com curta duração, na maioria dos casos sem necessidade de tratamento antimicrobiano.

Klebsiella spp.

  • Bactéria gram negativa;
  • Fatores de risco para o agente incluem sujidade do úbere, manejo inadequado do ambiente de permanência das vacas e tetos com hiperqueratose;
  • Geralmente associada a casos crônicos e aumento de CCS;
  • Pouco responsiva a tratamento com antimicrobianos, sendo recomendada a terapia no momento da secagem;
  • Terapias utilizando cefalosporinas possuem taxa de cura próxima a 60%.

Streptococcus uberis

  • Bactéria gram positiva;
  • Frequentemente isolado em mastites no período seco e início de lactação;
  • Caracterizado como agente ambiental, podendo ser transmitido vaca-a-vaca na ordenha;
  • Sensíveis a penicilinas e cefalosporinas;
  • Terapia estendida (5 a 8 dias) para os casos clínicos aumentam a taxa de cura.

Outros agentes causadores

Além dos agentes descritos acima, outros agentes comumente associados a casos de mastite são os considerados “Staphylococcus não aureus”.

São bactérias gram positivas e oportunistas. Habitam a pele e canal dos tetos, sendo pouco patogênicas e com altas taxas de cura espontânea e em terapias durante a secagem e lactação.

Outros agentes preocupantes no controle da mastite são agentes refratários. São patógenos não responsivos a tratamentos e que estão presentes na água e matéria orgânica.

Alguns exemplos desses agentes incluem Serratia (bactéria gram negativa), Pseudomonas (bactéria gram negativa), Prototheca (alga) e leveduras.

Principais pontos de controle dos agentes

Agentes contagiosos

  • Rotina de ordenha com foco em uso de luvas e desinfecção dos tetos após a ordenha;
  • Bom funcionamento do equipamento de ordenha;
  • Diagnóstico de CCS ou CMT;
  • Segregação de vacas crônicas e com agentes contagiosos;
  • Estratégias no tratamento de casos clínicos e subclínicos;
  • Terapia da vaca seca;
  • Descarte de animais;
  • Biosseguridade.

Agentes ambientais

  • Manejo do ambiente para reduzir acúmulo de matéria orgânica e umidade;
  • Rotina de ordenha com foco em limpeza e desinfecção dos tetos antes da ordenha;
  • Diagnóstico de CCS ou CMT;
  • Estratégias no tratamento de casos clínicos e subclínicos;
  • Terapia da vaca seca.

Conclusão

Ao conhecer um pouco mais sobre os principais agentes relacionados aos casos de mastite, notamos a importância do diagnóstico para a decisão de tratamento e como medidas simples que podem ser feitas diariamente na propriedade podem contribuir para a redução da transmissão dos agentes e contaminação das vacas.

Para isso, é indispensável a definição das rotinas e padronização dos processos junto aos funcionários do setor, além de trabalhar nos pontos de controle da mastite.

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Gabriela Magioni

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Uso da cultura microbiológica do leite no controle da mastite https://blog.rehagro.com.br/uso-da-cultura-microbiologica-do-leite-no-controle-da-mastite/ https://blog.rehagro.com.br/uso-da-cultura-microbiologica-do-leite-no-controle-da-mastite/#respond Fri, 23 Jul 2021 14:52:56 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9490 Dentre os pontos de controle da mastite, a cultura microbiológica do leite é uma ferramenta fundamental pois permite a identificação dos microrganismos responsáveis pelos casos de mastite clínica e subclínica no rebanho, auxiliando nas tomadas de decisões de maneira assertiva. A técnica consiste em coletar amostras de leite e semear em placas com meio de […]

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Dentre os pontos de controle da mastite, a cultura microbiológica do leite é uma ferramenta fundamental pois permite a identificação dos microrganismos responsáveis pelos casos de mastite clínica e subclínica no rebanho, auxiliando nas tomadas de decisões de maneira assertiva.

A técnica consiste em coletar amostras de leite e semear em placas com meio de cultura seletivo que favorecem o crescimento dos micro-organismos para a correta identificação, seja em laboratórios, seja na própria fazenda.

Para que essa ferramenta possa auxiliar na rotina das propriedades leiteiras é muito importante que a coleta seja feita corretamente, reduzindo assim os riscos de contaminação das amostras.

 

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Passo a passo para a coleta de amostras de leite

1. Os cuidados com a coleta se iniciam na preparação dos tetos através dos procedimentos de rotina de ordenha.

2. É fundamental o uso de luvas limpas, além de realizar o teste da caneca, a imersão dos tetos com solução pré-dipping com ação de 30 segundos e a secagem da lateral e ponta dos tetos utilizando papel toalha, garantindo tetos limpos para a coleta.

3. Após a preparação dos tetos, é necessário desinfetar a ponta do teto utilizando gaze ou algodão com álcool 70%. Caso a coleta seja feita em mais de um teto, cada teto deve ser desinfetado com uma gaze ou algodão, iniciando o procedimento dos tetos mais distantes para os tetos mais próximos, reduzindo os riscos de contaminação.

4. A coleta deve ser feita utilizando tubos estéreis. Nesse momento é importante evitar o contato da tampa do tubo com sujidades, além de evitar o contato dos tetos com o tubo de coleta. Realizar a coleta com o frasco inclinado, como mostra a figura abaixo, reduz o risco de contato da amostra com sujidades do úbere.

5. Caso a coleta seja feita em mais de um teto (amostra composta), é recomendada que a coleta seja realizada primeiramente nos tetos mais próximos e posteriormente nos tetos mais distantes. Vale ressaltar que para os casos de mastite clínica, a recomendação é realizar uma coleta para cada teto.

6. Após a coleta, deve-se identificar o tubo (vaca e quarto mamário) e manter a amostra refrigerada até o processamento.

Coleta de amostra do leite para cultura microbiológicaAdaptado de Bewley, 2019

Casos de mastite clínica

A utilização da cultura microbiológica para os casos de mastite clínica, ou seja, quando há presença de alterações visíveis no leite, tem se tornado cada vez mais usual na rotina das fazendas leiteiras.

Isso porque, com a identificação do agente causador da mastite dentro de 24 horas, é possível definir a necessidade ou não de tratamento antimicrobiano e a duração do tratamento, reduzindo assim o uso de antimicrobianos e dos custos relacionados aos medicamentos e descarte de leite.

Outro ponto importante é que a cultura dos casos de mastite clínica auxilia na identificação do perfil de patógenos do rebanho para tomadas de decisão, se tornando uma ferramenta ainda mais relevante no controle da mastite e qualidade do leite.

Resultados de pesquisa mostram que em média 30% dos casos de mastite clínica apresentam resultado de cultura negativa, ou seja, sem crescimento de patógenos e consequentemente, sem necessidade de tratamento antimicrobiano.

Além disso, alguns agentes ambientais como os coliformes, apresentam alta taxa de cura espontânea, contribuindo para a redução dos tratamentos, sendo comum encontrar propriedades cujo uso de medicamentos para mastite clínica reduziu em 50%.

Para os resultados de cultura positiva, a decisão do tratamento e sua duração variam conforme o patógeno. Sabe-se que a terapia prolongada (5 a 8 dias) pode auxiliar na taxa de cura de mastites causadas por Streptococcus ambientais, por exemplo, enquanto outros agentes como o S. agalactiae possui boa taxa de cura com terapia de 3 dias.

Vale lembrar que a decisão de tratamento dos casos de mastite clínica envolve outros aspectos além do resultado da cultura microbiológica, como:

Manual de controle da mastite

Casos de mastite subclínica

Outra finalidade da cultura microbiológica é realizar a coleta de amostras compostas (quatro quartos) de todas as vacas em lactação ou de vacas ou quartos de alta CCS, para identificação dos patógenos prevalentes no rebanho e definição de plano de ação de acordo com os agentes identificados.

Essas coletas podem ser realizadas seguindo o histórico de CCS ou CMT do rebanho.

Podemos realizar a cultura microbiológica para definir o perfil de patógenos que estão causando novas infecções, ou seja, vacas com CCS menor que 200 mil células/ml no mês anterior e CCS maior que 200 mil células/ml no mês atual.

Outra possibilidade é identificar vacas crônicas, ou seja, com CCS maior que 200 mil células/ml por 2 a 3 meses consecutivos, e realizar a cultura microbiológica para identificar os patógenos causadores de infecções de longa duração.

Outros casos

A ferramenta da cultura microbiológica pode ser uma excelente aliada da sanidade e biosseguridade do rebanho, através da identificação dos patógenos em vacas de compra, evitando a entrada de patógenos como o S. aureus e S. agalactiae, cuja transmissão acontece de forma rápida no rebanho.

A realização de coleta de amostras em vacas no pós parto também é uma opção bastante interessante, uma vez que podemos identificar pontos de melhoria nos manejos de secagem e ambiente do pré parto, identificar a presença de agentes contagiosos e casos de primíparas com S. aureus.

Conclusão

Identificar os patógenos presentes no rebanho e definir as estratégias de acordo com os desafios encontrados na propriedade são passos fundamentais para o controle da mastite, melhoria na saúde da glândula mamária e qualidade do leite. Esses patógenos podem trazer grandes prejuízos financeiros ao produtor.

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Gabriela Magioni

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E-book Manual de prevenção e controle da mastite bovina https://blog.rehagro.com.br/manual-de-prevencao-e-controle-da-mastite-bovina/ https://blog.rehagro.com.br/manual-de-prevencao-e-controle-da-mastite-bovina/#respond Tue, 01 Jun 2021 15:00:39 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9313 O controle da mastite bovina, quando realizado corretamente, permite eliminar as infecções existentes no rebanho, prevenir novos casos e monitorar a saúde da glândula mamária. O custo com tratamento tem sido importante no valor total gasto com medicamentos nas propriedades, por isso, reduzi-lo é muito interessante para o sistema de produção. Saiba mais sobre o […]

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O controle da mastite bovina, quando realizado corretamente, permite eliminar as infecções existentes no rebanho, prevenir novos casos e monitorar a saúde da glândula mamária.

O custo com tratamento tem sido importante no valor total gasto com medicamentos nas propriedades, por isso, reduzi-lo é muito interessante para o sistema de produção.

Saiba mais sobre o assunto no nosso e-book gratuito! Faça o download clicando no botão abaixo!

Manual de controle da mastite

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Mastite bovina: o que é, como tratar e os impactos para pecuária leiteira https://blog.rehagro.com.br/o-que-e-mastite-bovina-e-quais-seus-impactos/ https://blog.rehagro.com.br/o-que-e-mastite-bovina-e-quais-seus-impactos/#respond Thu, 15 Oct 2020 19:22:45 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8374 Você sabia que um produtor pode ter ganhos de R$55.000,00 por ano, a cada 100 animais em lactação, reduzindo a prevalência média anual de mastite subclínica de 50% para 20%? Se você trabalha na produção de leite, provavelmente já sentiu os impactos dessa doença na propriedade. Mas você sabe o que pode causá-la? A mastite […]

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Você sabia que um produtor pode ter ganhos de R$55.000,00 por ano, a cada 100 animais em lactação, reduzindo a prevalência média anual de mastite subclínica de 50% para 20%?

Se você trabalha na produção de leite, provavelmente já sentiu os impactos dessa doença na propriedade. Mas você sabe o que pode causá-la?

A mastite bovina, ou mamite, consiste na inflamação do tecido da glândula mamária. Essa inflamação pode ocorrer devido a traumas, lesões no úbere e até mesmo devido a alguma agressão química.

No entanto, a ocorrência deste quadro está ligada, na maioria das vezes, a contaminações por microorganismos de um ou mais quartos mamários via ducto do teto. A mastite geralmente é causada por bactérias, mas também pode ocorrer devido a fungos, algas ou leveduras.

 

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Reação do sistema imune à mastite

Em resposta a infecção pela mastite, o sistema imune envia células de defesa ao local acometido para combater a invasão no tecido.

O estímulo lesivo da infecção e a ação das células de defesa levam ao aumento da resposta inflamatória tecidual que, além de eliminar o microrganismo invasor, visa também neutralizar toxinas produzidas pelos agentes infecciosos e restaurar o mais rápido possível o tecido mamário.

A associação das células de defesa (leucócitos) com as células de descamação do epitélio da própria glândula mamária representa as células somáticas. A resposta do organismo da vaca frente a um estímulo lesivo no úbere ocasiona aumento da contagem de células somáticas (CCS) no leite.

Células Somáticas

Como dito anteriormente, as células somáticas são compostas pelas células de descamação do epitélio da glândula mamária e pelas células de defesa do sistema imune que passam da corrente sanguínea para o leite. O aumento da CCS ocorre em casos de infecção/inflamação na glândula mamária.

Nem sempre as alterações na CCS são apresentadas de forma clara. Nos casos de mastite subclínica, conforme o próprio nome já diz, não são vistas alterações clínicas relevantes.

Por outro lado, nos casos de mastite clínica as alterações são perceptíveis, caracterizadas principalmente pela presença de grumos no leite e modificações no úbere da vaca, como dor, inchaço, vermelhidão e aumento de temperatura.

Mastite subclínica

Conforme já dito, na mastite subclínica não é possível observar alterações no leite e no úbere do animal. No entanto, por ser uma infecção/inflamação da glândula mamária ela causa redução na produção de leite dos animais e pode acometer grande parte dos rebanhos.

Além disso, podem ocorrer alterações na composição do leite, como nos níveis de gordura, proteína e lactose. O aumento significativo na contagem de células somáticas afeta diretamente a qualidade do leite e a bonificação paga por grande parte dos laticínios, causando queda no valor do litro de leite recebido pelo produtor.

A mastite subclínica geralmente é causada por agentes contagiosos como o Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae, Corynebacterium bovis, dentre outros. Na maioria dos casos é transmitida dos quartos mamários contaminados para os sadios durante o processo de ordenha, seja pelas mãos dos ordenhadores ou pelo uso compartilhado de toalhas e teteiras contaminadas.

Como diagnosticar a mastite subclínica?

Algumas ferramentas têm sido utilizadas para mensurar os valores da CCS e identificar os animais portadores de mastite subclínica.

Atualmente, a contagem eletrônica individual da CSS é o exame mais utilizado para o diagnóstico da mastite subclínica, sendo que valores acima de 200 mil células/mL indicam um comprometimento da saúde do úbere (método quantitativo).

Exames como o CMT (California Mastitis Test) permitem identificar de maneira mais subjetiva a doença subclínica, devido ser baseado em uma análise visual da reação que ocorre entre o leite e o reagente no momento do exame (método qualitativo).

Uma vez identificada a mastite subclínica, torna-se interessante conhecermos o perfil do agente que está ocasionando a infecção. Nesse sentido, a cultura microbiológica do leite representa uma importante ferramenta para identificação dos patógenos e direcionamento dos tratamentos.

Por ser uma doença subclínica e necessitar de ferramentas específicas de diagnóstico, a mastite subclínica é muitas vezes negligenciada pelo produtor, acarretando em importantes prejuízos ao sistema de produção.

Mastite clínica

Consiste na forma da doença em que é possível observar alterações nas características do leite, na glândula mamária e até mesmo no comportamento do animal.

Nas vacas com mastite clínica é possível observar a presença de grumos no leite e alterações no úbere como inchaço, aumento de temperatura local, vermelhidão, aumento da sensibilidade dolorosa e até endurecimento dos quartos mamários acometidos.

Nos casos mais graves os animais podem apresentar um comprometimento geral do estado clínico, ocorrendo alguns sintomas como apatia, prostração, febre, desidratação e redução do apetite. Os animais com mastite clínica grave podem vir a óbito em situações onde os casos não são atendidos de forma rápida e adequada.

E-book Manual de controle da mastite

Perdas econômicas causadas pela mastite

A mastite é uma doença que ocasiona grandes impactos negativos no sistema de produção de leite com perdas econômicas importantes. Dentre os gastos estão os custos com medicamentos para o tratamento de casos clínicos, descarte e morte de animais precocemente, custos com mão de obra, descarte do leite acometido e redução de produção dos animais doentes.

Devemos ter a consciência de que a redução da produção de leite dos animais doentes é o principal prejuízo da doença, sendo que muitas vezes não vemos essa redução que pode ir de 10 a 30%!

De forma específica, os prejuízos devido a mastite clínica envolvem descarte de leite, redução da produção a curto e longo prazo, custos com medicamentos e risco de antibiótico no leite. Já os prejuízos decorrentes da mastite subclínica são referentes a redução na produção de leite, sendo que esta forma de manifestação da doença representa cerca de 90 a 95% dos casos.

Nos Estados Unidos estima-se que o custo por caso de mastite seja de aproximadamente U$ 185/vaca/ano. Já na Europa a estimativa é de que este custo esteja por volta de € 190/vaca/ano. Em um estudo realizado no Brasil observou-se que a mastite subclínica foi responsável por uma redução de 17% no volume de produção de leite, representando uma perda de 2,4 bilhões de litros de leite/ano.

Controle da mastite

Para se alcançar sucesso no programa de controle da mastite é muito importante que os envolvidos na melhoria da qualidade do leite entendam cada etapa do processo, estejam abertos a receber treinamentos e percebam os benefícios que as ferramentas fornecem para o dia-a-dia no manejo dos animais. É essencial que durante o programa de controle exista um monitoramento periódico dos resultados obtidos.

O programa de 6 pontos de controle da mastite retrata ações fundamentais a serem realizadas para reduzir a ocorrência da doença. São eles:

  1. Higiene e conforto dos animais;
  2. Rotina de ordenha adequada;
  3. Tratamento dos casos clínicos de mastite com antimicrobianos (de preferência orientado pelo patógeno envolvido);
  4. Terapia de vaca seca;
  5. Limpeza e manutenção dos equipamentos de ordenha;
  6. Segregação e descarte dos casos crônicos.

Todas as medidas de controle visam reduzir o impacto econômico e os custos e, consequentemente, aumentar o lucro do produtor. O foco fica em prevenir novos casos de mastite e reduzir a duração dos casos existentes.

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Bruno Guimarães

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5 indicadores para monitoramento da saúde da glândula mamária de vacas leiteiras https://blog.rehagro.com.br/monitoramento-da-saude-da-glandula-mamaria/ https://blog.rehagro.com.br/monitoramento-da-saude-da-glandula-mamaria/#respond Wed, 03 Oct 2018 14:24:51 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5209 A mastite é um grande desafio dentro das fazendas leiteiras? Sim, não há dúvidas disso. Entretanto, seu controle é totalmente possível, bem como o alcance de excelência nos resultados. Para isso, além da implementação de rotinas e manejos nessa busca, é preciso também avaliar os resultados para entender a situação da fazenda e monitorar o […]

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A mastite é um grande desafio dentro das fazendas leiteiras? Sim, não há dúvidas disso. Entretanto, seu controle é totalmente possível, bem como o alcance de excelência nos resultados.

Para isso, além da implementação de rotinas e manejos nessa busca, é preciso também avaliar os resultados para entender a situação da fazenda e monitorar o andamento dos procedimentos, para que assim seja possível a máxima eficiência dentro do sistema de produção.

 

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Evidentemente, são muitos os índices e indicadores que podem ser avaliados durante um programa de controle em qualidade do leite. O foco deve permanecer naqueles capazes de proporcionar melhor visão da situação e sem nenhuma dúvida, através da ação em todos estes é possível alcançar o resultado desejado em qualquer sistema de produção.

Muitas vezes, o erro está no excesso de informações associado a uma omissão na avaliação dessas, ou seja, de nada adianta gerar diversos indicadores se eu não checar e colocar ações de acordo com os resultados.

1. Histórico de CCS de tanque

Uma análise do comportamento do número durante o ano auxilia, e muito, a entender o desafio e o perfil de agentes causadores de mastite presentes no rebanho.

Rebanhos que apresentem uma variação ampla nos resultados na época das águas, provavelmente, têm dificuldades com microrganismos ambientais. Nesse caso, o foco deve ser o ambiente da vaca.

Em contrapartida, aqueles com elevados resultados durante todo o ano e demonstrando pouca sazonalidade, há maior probabilidade de presença de microrganismos contagiosos.

Para essa situação, cuidados devem ser redobrados no manejo da ordenha a fim de evitar a transmissão de vaca para vaca. Dessa maneira, já é possível direcionar o plano de ação e esforços a fim de mudanças rápidas no resultado.

Não há como negar a necessidade de uma cultura microbiológica para correta identificação de agente, mas antes da implementação desse manejo a diversos passos básicos a serem ajustados e nesse intervalo através desses números já é possível um melhor entendimento do todo. Para efeito de referência, recomenda-se que o índice desejável seja de < 250.000 cél/ml.

2. Mastite subclínica

Fazendas com o manejo mensal de controle de CCS individual, certamente, estão um passo à frente para um melhor diagnóstico, e consequentemente, ao alcance de melhores resultados.

Através da coleta individual de leite e posterior análise para contagem de células somáticas podem ser avaliados diversos indicadores como:

  • Porcentagem de vacas sadias;
  • Porcentagem de vacas crônicas;
  • Porcentagem de novas infecções;
  • Porcentagem de vacas curadas.

A interpretação desses números direcionará toda a atuação dentro do programa de controle de qualidade do leite. Por exemplo: fazendas com dificuldades no controle de agentes contagiosos tendem a apresentar uma alta taxa de vacas crônicas e rebanhos com dificuldades no controle de mastite ambientais tendem a apresentar uma alta taxa de cura.

Também é possível identificar animais crônicos, que são fontes de infecção dentro do rebanho, identificar os animais que mais contribuem com o resultado de CCS do tanque e rastrear toda e qualquer alteração no resultado.

Nesse sentido, é fundamental ter acesso a esse número, visando o controle dos resultados e também um norte para aplicação de estratégias a fim de melhorar os resultados. Para efeito de referência, recomenda-se que o índice desejável deve ser uma taxa de vacas sadias > 80%.

Controle da mastite

3. Mastite clínica

É fundamental o monitoramento de dados sobre a mastite clínica dos rebanhos leiteiros. Através da interpretação dos registros dos casos clínicos será possível identificar diversos fatores de risco tais como:

  • Qual momento na lactação de maior incidência;
  • Há diferença de ocorrência entre lotes;
  • Identificação de animais crônicos e fontes de infecção a todo rebanho;
  • Eficiência do protocolo de tratamento;
  • Eficiência da terapia de vaca seca e se a ocorrência de casos está dentro do aceito ou não.

Uma forma de monitorar é através da taxa de mastite clínica calculada pela divisão do número de quartos com casos clínicos pelo número médio de vacas em lactação e multiplicado por 100.

Para esse método, se um mesmo quarto apresenta sintomas por 14 dias, não se deve considerá-lo como um novo caso. Para efeito de referência, recomenda-se que o índice desejável deve ser inferior a 1%.

4. CBT – Contagem Bacteriana Total

A contagem bacteriana total (CBT) é outro parâmetro bonificado e monitorado pelos laticínios. Basicamente, está relacionada com boas condições higiênicas e adequado resfriamento do leite. Portanto, um bom resultado certamente estará relacionado com maiores chances de sucesso no controle da mastite.

A higiene é premissa básica para excelência nos resultados. Além disso, o monitoramento é muito simples e o ajuste nas condições necessárias proporcionam resultados no mesmo momento. Para efeito de referência, recomenda-se que o índice desejável deve ser inferior a 10.000 UFC.

5. Monitorar o perfil de contaminação

Até o momento, foi discutido como através da interpretação de alguns indicadores é possível a identificação do perfil de microrganismos causadores de mastite presentes na propriedade, como contagiosos ou ambientais.

Dessa forma, direcionando a identificação dos fatores de riscos e oportunidades de melhorias para alcance do resultado almejado. Entretanto, ainda assim, ao tratar de microrganismos contagiosos a atuação fica muito limitada.

Sabe-se da necessidade de ficar atento aos cuidados a fim de evitar transmissão entre vacas. Contudo, somente através do diagnóstico microbiológico será possível de fato ter ações definitivas e corretivas em alguns casos.

Através dele, é possível saber exatamente qual a bactéria presente e quais animais são portadores da mesma para que seja feito um ajuste fino no plano de ação e as estratégias sejam elaboradas precisamente e não empiricamente. Assim, o sucesso no controle de qualidade do leite será muito mais factível.

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