O post Importância da suplementação mineral para bovinos de corte apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Além de garantir os níveis mínimos necessários para o perfeito funcionamento fisiológico e metabólico dos animais, existe ainda a expectativa de que o desempenho dos animais seja potencializado quando se utiliza a estratégia suplementar mineral da forma adequada.
Estudos e pesquisas relacionados a importância da suplementação mineral já são realizados há muitos anos e o que se observa de maneira geral, é a necessidade de que os animais sejam suplementados com uma quantidade ótima de minerais onde, nesse caso, é possível observar também o melhor desempenho (avaliando especificamente o quesito disponibilidade de mineral) possível desse animal.
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Diferente de carboidratos e proteínas, por exemplo, onde modulamos a quantidade fornecida para os animais visando a potencialização do desempenho nos minerais estabelece-se e devemos fornecer as exigências que garantam um bom desempenho dos animais para cada fase da vida. Cálcio e Fósforo são os únicos que apresentam exigências para mantença e também exigências para ganho.
Existem outras possibilidades, além do consumo ótimo, que podem ser observadas quando avaliamos o consumo de minerais.
Por exemplo, a deficiência no consumo, ou seja, quando os animais consomem níveis inferiores à sua exigência que quando discreta, pode levar a uma deficiência subclínica e, quando mais significativa, a uma deficiência clínica.
O excesso no consumo dos minerais, por outro lado, também pode ser um problema. Pode levar a uma intoxicação subclínica ou até mesmo uma intoxicação clínica quando consumido em maiores quantidades, de acordo com as exigências de cada mineral. Por isso é de extrema importância quando o fornecimento e consequentemente o consumo dos animais, apresenta um ponto ótimo.
Os minerais exigidos hoje para bovinos de corte são 17, divididos em dois grupos, os macro e os microminerais. É importante salientar que essa divisão não está relacionada ao tamanho da molécula de cada mineral, mas sim a quantidade que estes minerais são encontrados nos tecidos corporais e consequentemente a quantidade que são exigidos.
Cada um dos minerais, seja macro ou micro, apresenta um papel importante para os ruminantes, principalmente nos quesitos: imunidade, desempenho, reprodução e produção de leite.
Esses minerais apresentam funções diversas no organismo, como por exemplo sendo componentes estruturais do esqueleto e outros tecidos corporais, transmissão de impulsos nervosos e pressão osmótica, dentre outras importantes funções.
O cálcio é de grande importância para a atividade muscular, coagulação sanguínea, estimulação da síntese de proteína muscular e, principalmente, exerce um papel fundamental na formação dos ossos e dos dentes.
O fósforo apresenta um papel importante como componente dos fosfolipídios das membranas celulares, sendo também um componente do ATP (molécula indispensável no processo de utilização de energia nas células), dentre outras funções.
Deficiências de cálcio e fósforo podem causar sérios prejuízos ao desempenho dos animais.
Uma das principais doenças consequentes dessas deficiências, é a hipocalcemia, também conhecida como febre do leite e apetite depravado (ocorrendo principalmente em regiões de solos pobres em P).Estudos relacionados reforçam ainda, grandes prejuízos relacionados à queda nos desempenhos reprodutivos de fêmeas com deficiência de fósforo.
Cálcio e fósforo atuam de forma concomitante na função óssea, por esse motivo a relação entre eles é importante fator de estudos e discussões, relação essa que pode ser de 1:1 até 7:1, desde que a exigência do fósforo seja atingida.
Cerca de 70% do magnésio no organismo dos ruminantes está presente no tecido ósseo. Esse importante mineral representa um papel determinante em mais de 300 enzimas no organismo.
O período de transição secas águas, pode significar um desafio, pensando no aporte de Mg. Isso porque o broto da pastagem nova contém baixo magnésio e alta concentração de potássio e N que diminuem a absorção de Mg no rúmen.
Uma forma prática de contornar esse desafio é a suplementação energética, que potencializa a utilização do N, além é claro da suplementação com o magnésio.
Dentre os efeitos da deficiência está o desenvolvimento da Tetania das pastagens, causadora de incoordenação e convulsões.
São responsáveis principalmente pelo controle ácido básico no organismo. Esses minerais não apresentam, comumente, deficiências que geram desafios ou doenças como os anteriormente apresentados.
Cloreto de sódio rico em Cl e Na, pode ser utilizado como modulador de consumo e o K apresenta uma condição especial onde a maioria das espécies forrageiras são ricas nesse mineral.
Algumas condições específicas, como animais em estresse causado pela desmama e animais confinados com dietas sem adição de forragem, podem apresentar um aumento na exigência de potássio.
Componente importante de aminoácidos ao contrário dos demais minerais citados, o desafio mais importante com relação ao enxofre está relacionado ao seu excesso, principalmente avaliando a óptica da crescente utilização de coprodutos de destilaria de milho, ricos em enxofre.
É justamente esse excesso que pode causar uma doença que conhecemos como Poliencefalomalácia.
Os microminerais são componentes em enzimas e agem também como componentes em hormônios no sistema endócrino. Apresentam grande importância para a manutenção da saúde e, consequentemente, do desempenho dos animais.
Existe uma clara necessidade de mais pesquisas relacionadas ao papel do cromo no organismo e principalmente da adequação das doses a serem suplementadas, mesmo já demonstrando sua importância para o sistema imunológico dos animais.
O cobalto apresenta importância relevante, tendo em vista a demanda de Co por parte dos microrganismos do rúmen no momento da síntese de vitamina B12. Não existe uma exigência direta de cobalto por parte dos ruminantes, entretanto, existe uma exigência de vitamina B12, justificando então a importância na exigência do Co.
O cobre é um constituinte de diversas enzimas no organismo e está diretamente relacionado ao metabolismo do Fe. A anemia é uma das principais doenças causadas pela deficiência de Cu, apresentando também participação na garantia da integridade do sistema nervoso central e pigmentação dos pelos.
São de grande valor na garantia de um bom desempenho dos animais. O ferro, por exemplo, é muito relevante nas funções do organismo e há uma boa disponibilidade desse mineral nas forragens.
O magnésio, essencial para reprodução, normalmente tem sua exigência atingida com consumo da forragem, por isso a avaliação da suplementação desse mineral é de grande valia, principalmente pensando em vacas para reprodução
O iodo controla a taxa metabólica fundamental para o anabolismo. O selênio atua como antioxidante e o zinco também é um mineral importante, sendo que sua deficiência pode levar a problemas de pele dos animais, principalmente dos mais jovens.
A suplementação mineral, como já demonstrado acima, é muito valorosa e de grande impacto para os sistemas de produção. Sua deficiência é comumente identificada em propriedades de gado de corte.
Para cada categoria e fase da vida animal, as exigências e necessidades por esses macro e microminerais vão variar e devem ser atentamente atendidas.
Além das características específicas do indivíduo que será suplementado por determinado mineral, outros fatores podem influenciar na estratégia de suplementação. Entre eles, estão as condições ambientais, (mais especificamente as condições do solo e consequentemente das pastagens) e a espécie forrageira utilizada, onde os animais são criados.
Devido ao difícil controle e monitoramento dessas características e condições, apenas a realização das análises não nos garantem o fornecimento dos minerais, mesmo que apresentados nas amostras.
Assim como as condições das pastagens, a qualidade e a composição da água disponibilizada aos animais, também representa um fator ambiental que irá impactar nos cuidados no momento de definir a suplementação dos animais.
Outro ponto que impacta na qualidade da suplementação mineral e representa uma grande parcela na eficiência de um programa de suplementação, é o fornecimento do suplemento.
Para se garantir uma suplementação mineral de sucesso é imprescindível que o fornecimento seja realizado de forma constante, ou seja, que não falte mineral no cocho dos animais.
O suplemento empedrado inibe e dificulta o consumo, sendo assim, sempre que possível é recomendado a utilização de cochos cobertos em bom estado de conservação e com um bom dimensionamento, como altura de:
A localização do cocho nos piquetes também vai impactar no consumo do mineral, sendo recomendado que o cocho fique localizado próximo a fonte de água dos animais (não é um fator limitante para o consumo), principalmente em terrenos acidentados, propiciando então, condição para que todos os animais possam consumir o produto disponibilizado.
Até chegar ao cocho o suplemento passa por um grande processo desde sua fabricação, transporte, armazenamento dentro da propriedade e distribuição. Por isso, devemos inicialmente, adquirir um mineral de empresa idôneas, capazes de garantir a qualidade dos insumos utilizados na confecção do suplemento, bem como seu balanceamento correto, finalizando com transporte propício até a propriedade.
A partir do momento em que o suplemento se encontra na propriedade, a responsabilidade do armazenamento das sacarias deve ser muito bem estabelecida, garantindo assim os cuidados para que sejam armazenados em local fresco, abrigados de umidade e sol.
Muita atenção para a utilização de suplementos mais antigos, que normalmente ficam embaixo da pilha de sacaria, antes da utilização dos novos produtos recém-chegados à propriedade. De preferência, o ideal é não deixar os sacos com suplemento mineral em contato direto com solo e paredes.
Por fim, após a avaliação dos níveis de garantia e consequente, a escolha do produto de uma empresa idônea e reconhecida pela seriedade na produção dos suplementos, é recomendado um minucioso acompanhamento do consumo e do desempenho dos animais tratados com determinado suplemento.
A pecuária de corte não para de evoluir e para que seja verdadeiramente lucrativa, nós, profissionais da área, devemos estar em constante atualização de nossas técnicas, ferramentas e estratégias.
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]]>O post Nutrientes para o cafeeiro: quais são os mais importantes? apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>A interação entre as diferentes fases, junto com as plantas e a biota, resultam em interações complexas responsáveis por fornecerem serviços ambientais que possibilitam a vida na Terra.
Assim, o solo tem funcionalidades no sequestro de carbono, na purificação da água e degradação de contaminantes, na regulagem do clima, na ciclagem de nutrientes, e principalmente na produção de alimentos, fibras, combustíveis, entre outras diversas funções.
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Representação gráfica hipotética da composição do solo.
É importante ressaltar que as proporções das fases variam de acordo com cada solo e os percentuais descritos são a base do que se espera encontrar no solo.
As diferentes fases do solo são interligadas e estão constantemente realizando trocas, juntamente com as raízes das plantas. Nos colóides do solo, ou seja, na fase sólida do solo, existem cargas negativas (ânions) e cargas positivas (cátions) e assim como nos ímãs, as cargas opostas se atraem.
Diante disso, existe a CTC (Capacidade de Troca de Cátions) e a CTA (Capacidade de Troca de Ânions), sendo a CTC mais importante em nossa realidade, visto que os solos brasileiros por serem, de modo geral, altamente intemperizados, são constituídos principalmente de cargas negativas, atraindo então as cargas positivas.
Visto que a nutrição das plantas depende diretamente das cargas, a “série liotrópica” demonstra a ordem preferencial de retenção de cátions na fase sólida do solo:
H+ >>Al3+>Ca2+>Mg2+>K+ ~NH4 + >Na+
Ou seja, o solo tende apresentar maior teor de cálcio do que de magnésio, maior teor de magnésio do que de potássio, e assim por diante.
Diante disso, o que explica a série liotrópica?
A composição química das plantas se baseia em:

Estrutura da planta de café.
Desse modo, assim como nós seres humanos, as plantas também precisam se nutrir. Nesse sentido, existem algumas leis que regem a fertilidade do solo e a nutrição de plantas, como:
Onde diz que o crescimento e a produção das lavouras são limitados pelo nutriente que se encontra em menor quantidade no solo (Liebig, 1843).
Mostra que o aumento da produção não é proporcional ao aumento do fator limitante, ou seja, se elevarmos gradativamente a aplicação de determinado fertilizante, a resposta das plantas em produção não aumentará linearmente ao aumento das doses de fertilizante (Mitscherlin, 1909).
Diz que o excesso de um nutriente no solo pode intoxicar a planta ou reduzir a eficácia e disponibilidade de outros. Como exemplo, o nitrogênio em excesso se torna tóxico para as plantas e o excesso de potássio que irá competir com Ca e Mg e inibir a absorção dos mesmos (Voisin, 1973).
Os nutrientes retirados pelas culturas, do desenvolvimento à produção, devem ser restituídos ao solo para evitar seu empobrecimento. Então quando tiramos a produção da lavoura estamos levando junto os nutrientes. Em uma lavoura com produção de 40 scs/ha já teríamos que fornecer 1,5 ton a cada dois anos, fora a correção da acidez ocasionada pela adubação nitrogenada (Voisin, 1973).
Alguns nutrientes são essenciais para a composição e funcionamento metabólico das plantas, eles são chamados de macro e micronutrientes. Os macronutrientes são os demandados em maiores quantidades enquanto os micronutrientes são exigidos em menores quantidades.
Dentre os macronutrientes estão:
Já dentro dos micronutrientes estão:
Esses nutrientes podem ser absorvidos por fluxo de massa (deslocamento do íon no mesmo sentido da água), por interceptação radicular (a raiz se encontra com o nutriente à medida em que vai crescendo) ou por difusão (íon vai de um ponto de maior concentração para um ponto de menor concentração).

Raízes do cafeeiro.
Em situações em que a proporção do nutriente do solo está baixa em relação à demanda da planta, pode ocorrer a deficiência que causa anomalias principalmente nas folhas, por onde é feito o diagnóstico visual. Todavia, é importante realizar análises periódicas de solo e de folha para evitar que isso aconteça.
Nutrientes onde a deficiência inicial ocorre em folhas velhas, são os que conseguem mobilizar novamente as reservas de folhas velhas para folhas novas, que são alguns macronutrientes, com exceção por exemplo do cálcio.
Já quando a deficiência inicial ocorre em folhas novas, pode indicar a falta de micronutrientes que não conseguem redistribuir das folhas velhas para as novas no caso de déficit.

Folhas com deficiência de ferro.
Para recomendar fertilizantes, sejam eles foliares ou de solo, é preciso em primeiro lugar ter em mãos as análises de folha e de solo.
Assim é necessário levar em consideração, principalmente, o histórico produtivo e de doenças da lavoura, a expectativa de safra, analisar como está o solo e as relações entre os nutrientes.
A partir disso é possível fazer uma recomendação adequada, sempre pensando no equilíbrio do solo e nas condições da lavoura.
Com isso, há redução de gastos desnecessários e melhores resultados produtivos, mantendo a sustentabilidade e a funcionalidade de cada nutriente dentro das plantas.
A cafeicultura é oscilante, mas nos últimos tempos, as safras têm ganhado cada vez mais destaque e valorização. Aquele que se prepara, produz mais, lucra mais e já consegue planejar os próximos passos para que a próxima safra seja ainda mais produtiva.
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Sendo assim ressalta-se a importância de um suprimento adequado desse nutriente, principalmente pela sua influência no pagamento da florada, que interfere diretamente na produção do cafeeiro.
Florada da Lavoura – Cultivar Topázio. (Foto: Diego Baquião)
Esse nutriente não se movimenta pelo floema, devido a essa imobilidade, sua aplicação via foliar apresenta baixa eficiência, por isso é indispensável a aplicação de boro via solo, quando houver demanda.
Sendo assim, a aplicação de boro via foliar deve funcionar apenas como um complemento da aplicação via solo, pois se utilizada em substituição pode resultar em deficiência desse nutriente.
Os sintomas de deficiência de boro ocorrem primeiramente nos órgãos mais novos e em regiões em crescimento. As folhas mais novas apresentam redução de tamanho e deformação, menor desenvolvimento das raízes, seca e morte das gemas apicais e menor pegamento da florada.
Deficiência de boro (Foto: Luiz Paulo Oliveira)
Na literatura recomenda-se aplicação de boro quando teores abaixo de 0,6 mg/dm³ no solo, entretanto, muitos técnicos têm optado por aplicar boro quando este apresentar teor abaixo de 1,0 mg/dm³ no solo.
Em relação a fonte de aplicação pode-se optar por ácido bórico ou ulexita, considerando que o ácido bórico (H3BO3) é uma fonte solúvel em água e além de resultar em uma alta disponibilidade inicial, são extremamente suscetíveis à lixiviação.
Já no caso da ulexita, que é um borato de sódio e cálcio, sua solubilidade depende diretamente da proporção de entre sódio e cálcio, dessa forma, o boro é liberado mais lentamente, de acordo com a granulometria.
Além disto, deve-se ter atenção com relação ao tipo do solo, uma vez que solos de textura argilosa apresentam maior capacidade de retenção do boro, quando comparado a solos de textura arenosa, em que situações de elevada irrigação ou precipitação, pode acarretar em lixiviação deste nutriente.
Estar de acordo com as novas técnicas de mercado é de suma importância para quem deseja produzir cafés com excelência.
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]]>O fornecimento equilibrado de elementos necessários à planta é fundamental para uma agricultura sustentável e economicamente viável, principalmente nos dias atuais, onde a diferença parece residir nos detalhes. Isso devido à pequena distância que separa o sucesso do fracasso econômico de um projeto.
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De acordo com Primavesi (2002), faz parte da natureza, condensar nas pequenas coisas o poder de dirigir as grandes; nas sutis, a potência de dominar as mais grosseiras; nas coisas simples, a capacidade de reger as complexas. Portanto, pode-se fazer analogia de que as coisas pequenas, sutis e simples se comparam ao papel dos micronutrientes, que mesmo exigidos em pequenas quantidades, são indispensáveis para um correto metabolismo vegetal.
Apesar da grande importância dos micronutrientes na nutrição vegetal, apenas recentemente passaram a ser utilizados de modo mais rotineiro nas adubações em várias regiões e para as mais diversas condições de solo, clima e culturas no Brasil. (LOPES, 1999).
Segundo esse autor, os principais motivos que despertaram interesse pela utilização de fertilizantes contendo micronutrientes no Brasil foram:
Dentre todos os micronutrientes utilizados pela planta, um merece atenção: o boro.
Segundo Malavolta (2006), o boro é reconhecidamente o micronutriente cuja deficiência é mais comum no Brasil em diversas culturas anuais ou perenes, disputando com o zinco o ranking da deficiência em nossos solos. Devido a essa importância, ele será tratado nesse trabalho, mais especificamente na cultura do café.
A origem do boro deve-se, principalmente, à turmalina, uma rocha que após sofrer intemperismo, libera no solo formas solúveis, como boratos e ácido bórico, que corresponde à forma não dissociada.
Apesar de a turmalina ser fornecedora de boro ao solo, a fonte principal para as plantas vem da matéria orgânica, que, após mineralizada, disponibiliza o nutriente. Portanto, há relação entre o teor de matéria orgânica com a quantidade de Boro (ADRIANO, 1986 Apud MALAVOLTA, 2006).
Outra fonte citada na literatura são as precipitações, pois devido à abundância do elemento na água do mar, que obedece ao ciclo da água, com a evaporação, é passado para a atmosfera na forma de gotículas de água salgada e como vapor de ácido bórico, retornando ao solo juntamente com a chuva. Brasil Sobrinho (1965, apud MALAVOLTA, 2006) encontrou na água da chuva 0,02 a 0,04 mg B/l, e concluiu poder contribuir para manutenção dos teores no solo.
Segundo Adriano (1986, apud MALAVOLTA, 2006), o boro se encontra no solo em 4 formas:
Somente a primeira nos dá indicativo de disponibilidade. A soma de todas as formas representa o teor total no solo, do qual, somente 5% estariam na forma solúvel e, consequentemente, disponível para as plantas.
Quando o assunto é absorção, o primeiro item a merecer atenção é o contato do elemento com a raiz, que no caso do boro se dá por fluxo de massa.
Segundo Malavolta (2006), o processo de absorção de boro ainda não é bem explicado, mas até agora o consenso que se tem é que o processo se dê por difusão através da plasmalema.
O caráter passivo de absorção é comentado por Welch (1995, apud MALAVOLTA, 2006). Segundo o autor, não há nenhum componente ou gasto de energia para viabilizar sua entrada devido à alta permeabilidade da membrana para o elemento.
Tal fato pode ser comprovado pelo aumento linear da absorção com a elevação da concentração do nutriente no solo, não sendo influenciado por temperatura ou inibidores respiratórios. Portanto, o boro parece ser o único elemento mineral que atravessa a membrana sem recorrer a nenhum processo intermediado por uma proteína (WELCH, 1995 apud MALAVOLTA, 2006).
O movimento do boro se dá por corrente transpiratória via xilema, mas apresenta pouca mobilidade no floema, havendo redistribuição somente em algumas espécies, não incluindo o cafeeiro, apesar de não ser uma regra para todas as espécies da mesma família.
Em algumas culturas onde a redistribuição ocorre, há uma quantidade maior de polióis, resultando em alta relação Polióis: Boro que se complexam com o mineral dando origem a compostos mais solúveis nos tecidos, como é o caso da soja (BROWN & HU, 1996 apud MALAVOLTA, 2006).
Devido à imobilidade do boro via floema, não se movendo das folhas ou outros órgãos para atender a necessidade de crescimento, o elemento assume algumas características (BROWN, 1998 apud MALAVOLTA, 2006):
Esse tipo de comportamento tem implicações no manejo do elemento no sistema agrícola, seja para detecção de deficiências como no modo de aplicação, como será visto adiante.
A presença do boro altera as reações enzimáticas, pois inibe ou estimula a atividade das enzimas, provocando mudanças metabólicas, tanto em deficiência, acumulando substancias prejudiciais às folhas como os fenóis, quanto em níveis elevados, que podem se tornar tóxicos às plantas.
Na fase reprodutiva o efeito benéfico é proeminente, uma vez que as exigências em boro são mais altas neste período do que no crescimento vegetativo (BLEVINS & LUKASZEWSKI, 1997, apud MALAVOLTA, 2006), influindo na germinação do pólen, florescimento e frutificação.
No cafeeiro, causa abortamento das gemas floríferas, influindo também no crescimento vegetativo. Dentre os fatores benéficos, podemos citar também a síntese de proteínas e ácidos nucléicos que tem sua eficiência elevada. De acordo com DUGGER (1983), as plantas deficientes têm a relação N solúvel/N protéico elevada, fato confirmado por Primavesi (2002), que afirma que os nutrientes podem circular a taxas elevadas na seiva sem serem metabolizados.
Quando afirmamos que o boro é importante no crescimento vegetativo, um dos principais locais onde atua é na parede celular e na membrana citoplasmática, alterando suas propriedades mecânicas, principalmente na fase de crescimento. MALAVOLTA (2006) estabelece que haja uma relação estreita entre a nutrição de boro com a parede celular primária, visto que 90% do elemento da célula estão presentes nessa estrutura.
Na membrana, apesar da pequena quantidade presente quando comparado à parede celular, atua na absorção de outros nutrientes, como, por exemplo, o fósforo, que, de acordo com MALAVOLTA (2006), tem sua absorção diminuída em raízes deficientes do elemento, que também tem como papel a manutenção da integridade da membrana, garantindo absorção e metabolismo adequado, inclusive quando se fala em absorção de água.
Segundo PRIMAVESI (2002), essa capacidade parece estar mais ligada à quantidade de carboidratos do que à concentração dos minerais presentes nos tecidos radiculares. Tal quantidade de carboidratos é influenciada pela presença de boro, que é o principal transportador desses compostos para os diversos órgãos das plantas, incluindo a raiz.
MALAVOLTA (2006) afirma que a diminuição no transporte de açúcares pode ser explicada pela menor atividade metabólica, ou seja, demanda pelos órgãos dreno. Outra explicação seria a diminuição da formação de compostos de borato com açúcares, tais complexos auxiliam no transporte dos carboidratos dentro da planta.
Outro benefício trazido pelo boro, principalmente em solos de regiões tropicais, que apresentam naturalmente elevado teor de Al e baixa concentração de bases, é o de permitir o maior crescimento radicular na presença de alumínio e, consequentemente, em solos ácidos. Vale lembrar que esse tipo de solo é a maioria no território brasileiro.
Segundo MALAVOLTA (2006), tal fato pode ser explicado pela provável substituição do boro pelo alumínio em alguma função importante. Segundo o mesmo autor, essa hipótese é reforçada pela semelhança estrutural do Aluminato- Al (OH)3 com o B(OH)3 e pelo fato dos sintomas de deficiência de boro serem semelhantes aos observados por toxidez de alumínio.
Portanto, o alumínio poderia induzir a deficiência de Boro. Esse benefício aumenta em proporção se considerarmos como premissa básica para uma produção econômica e sustentável em regiões tropicais, um solo com grande volume explorado por raízes sadias, que consigam absorver água e nutrientes de maneira eficaz.
Malavolta (2006) resume as funções do Boro na planta do seguinte modo:
As deficiências podem ser reais ou induzidas. Reais pela falta do Boro, e induzidas pela dificuldade de absorção mesmo que o elemento esteja presente.
A indução das deficiências nos cafezais se deve a:
O diagnóstico das deficiências ou dos excessos pode ser feito de forma complementar, por meio de análises de solo, análises de folhas e observação dos efeitos visuais. Vale lembrar que as análises de folhas e de solo podem acusar uma possível deficiência que ainda não esteja se manifestando nas plantas, estando em estágio latente.
Nas folhas do cafeeiro, os sintomas aparecem naquelas novas, que se apresentam deformadas, afiladas, pequenas e com os bordos arredondados. Também causa a morte das gemas apicais, provocando um superbrotamento.
Com a progressão da deficiência, aparecem nas folhas novas, pontuações negras e corticosas junto à nervura, causando seu entortamento (Cultura de Café no Brasil- Novo Manual de Recomendações, 2005). A deficiência acarreta também a deformação dos ramos laterais, com suas pontas se entortando para cima e para baixo e os secundários podendo se desprender por engrossamento em sua base.
O excesso de Boro causa toxidez, aparecendo folhas manchadas de verde e amarelo e, em casos graves, ocorre queima dos bordos foliares. Os sintomas de toxidez são observados quando o nível nas folhas é superior à 100ppm.
Cafeeiro com sintomas de deficiência de Boro
Cafeeiro com sintomas de deficiência de Boro
Segundo a Fundação Procafé, a amostragem de folhas deve ser feita em duas épocas: no início das chuvas, para ajudar na programação da adubação e outra no início da granação dos frutos (Jan-Fev), para aferir as quantidades aplicadas do nutriente em períodos de maior exigência pela cultura, pois o teor na folha avalia indiretamente o teor no solo.
No caso específico do Boro no cafeeiro (espécie em que o elemento é imóvel no floema), a amostragem foliar deve ser feita coletando-se folhas ou tecidos jovens quando o objetivo for diagnosticar deficiências, e em tecidos maduros quando se tratar de toxidez.
Quanto à amostragem de solo, ela deve ser feita quando cessarem os tratos culturais na lavoura, obedecendo a um período mínimo de 60 dias da última adubação potássica, o que deve coincidir com a pré-colheita. Portanto, deve ser utilizado o bom senso nas lavouras que utilizam a prática da arruação, retirando as amostras antes dessa prática ou proceder ao “chegamento de cisco” para posterior amostragem (Cultura de Café no Brasil- Novo Manual de Recomendações, 2005).
De acordo com Sims & Johnson (1991, apud, MALAVOLTA, 2006), os teores adequados de boro no solo, quando o extrator for água quente, variam em função do tipo de solo, espécie vegetal, clima, teor de matéria orgânica e pH.
Para a cultura do café, admite-se como adequado, um teor foliar de 40-80 ppm e um nível no solo acima de 0,5 mg/dm3 (Cultura de Café no Brasil- Novo Manual de Recomendações,2005).
Segundo estudos feitos por Correa et al. (1986), a demanda de boro pelo cafeeiro é de 2.500 mg/ha, quantidade que corresponde as exigências para vegetação e produção de 1(uma) saca de 60Kg de café beneficiado na mesma área, ou seja, 1 ha.
Essa exigência foi dividida em diferentes partes da planta por Malavolta (2006), de modo que se chegou à seguinte ordem decrescente:
O boro pode ser aplicado no cafeeiro por duas vias principais: via solo e via folha.
Ambas são utilizadas em larga escala em cultivos comerciais e experimentais com relativo sucesso, no entanto, cada qual possui características peculiares que devem ser analisadas em função dos teores do elemento no solo e na folha, comportamento do elemento, época do ano, idade da planta, produção, facilidade de aplicação, economia e etc.
A adubação foliar deve ser encarada como uma prática auxiliar no suprimento de nutrientes via solo. Se feita de modo indiscriminado pode acarretar prejuízos tanto por gastos desnecessários como por desequilíbrios, carências e toxidez.
De acordo com recomendação da fundação Procafé, o boro pode ser fornecido via foliar usando-se ácido bórico, bórax ou boro líquido na concentração de 0,3% a 0,5% para as duas primeiras fontes e, para o boro líquido, 0,2 a 0,3%. A adubação foliar para o boro não é duradoura, sendo que mantém o teor foliar por aproximadamente 60 dias.
No fornecimento do nutriente via solo, temos uma maior eficiência quando analisamos o período que essa prática mantém o teor adequado na folha, que pode chegar a 18 meses, além de trazer benefícios ao sistema radicular como discutido anteriormente.
A adubação via solo é recomendada em casos de deficiências agudas, ou seja, quando o teor no solo for menor que 0,6 mg/dm3. O suprimento é feito com 2 a 6 kg/ha de boro aplicados na projeção da copa. As fontes utilizadas podem ser o ácido bórico ou o bórax, dando preferência ao ácido, que apresenta um melhor comportamento no solo pela maior solubilidade (Cultura de Café no Brasil- Novo Manual de Recomendações, 2005).
Um fator importante em termos de eficiência agronômica quando decidimos pela aplicação via solo é a solubilidade em água, que influi diretamente na absorção da planta. Lopes (1999) agrupa os fertilizantes fornecedores de Boro quanto à solubilidade em água em:
Um detalhe que vale ser lembrado visando economia de recursos é o fato da aplicação no solo, quando a fonte for ácido bórico, poder ser feita juntamente com a aplicação de produtos de solo (inseticida-fungicida) via líquida, bastando somente fazer os cálculos de acordo com a quantidade de calda usada/ha e diluir a quantidade de ácido bórico correspondente no pulverizador.
A participação relativa do adubo e dos nutrientes do solo depende do nível de fertilidade química atual do solo, ou seja, quanto maior o nível de fertilidade menor a participação do adubo e maior a do solo na produção (MALAVOLTA, 2006).
Portanto, somente após a compreensão dos mecanismos que regem o sistema solo-planta-atmosfera, do comportamento dos nutrientes no solo e no interior da planta e dos níveis adequados e modos corretos de aplicação, um nível de fertilidade adequado pode ser buscado.
Isso deve acontecer de forma gradativa e contínua, respeitando as particularidades do solo, da cultura e nível tecnológico do produtor, visando produção satisfatória em uma agricultura racional, que equalize necessidades do homem com o ambiente onde vivemos.
A cafeicultura é oscilante, mas nos últimos tempos, as safras têm ganhado cada vez mais destaque e valorização. Aquele que se prepara, produz mais, lucra mais e já consegue planejar os próximos passos para que a próxima safra seja ainda mais produtiva.
Se você busca esse resultado, comece se atualizando com as novas técnicas de mercado.
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