mudanças Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/mudancas/ Thu, 05 Jan 2023 18:07:12 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://blog.rehagro.com.br/wp-content/uploads/2018/05/favicon-rehagro.png mudanças Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/mudancas/ 32 32 Agricultura e mudanças climáticas: impactos e modificações no cenário agrícola https://blog.rehagro.com.br/mudancas-climaticas-globais/ https://blog.rehagro.com.br/mudancas-climaticas-globais/#respond Mon, 30 Jul 2018 12:51:02 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4867 As atividades antrópicas estão alterando as concentrações de gases de efeito estufa da atmosfera e causando mudanças no clima do planeta. Essas atividades intensificadas após a revolução industrial no final do século XVIII resultaram do uso de fontes de combustível fóssil, desmatamento e outras mudanças no uso da terra. Certamente, num futuro próximo, devido às […]

O post Agricultura e mudanças climáticas: impactos e modificações no cenário agrícola apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
As atividades antrópicas estão alterando as concentrações de gases de efeito estufa da atmosfera e causando mudanças no clima do planeta. Essas atividades intensificadas após a revolução industrial no final do século XVIII resultaram do uso de fontes de combustível fóssil, desmatamento e outras mudanças no uso da terra.

Certamente, num futuro próximo, devido às mudanças climáticas globais, ocorrerão modificações no cenário agrícola brasileiro.

Os impactos podem ser positivos, negativos ou neutros, pois as mudanças podem diminuir, aumentar ou não ter efeito sobre as plantas, doenças, pragas e outros organismos em cada região ou época, além dos demais componentes do agroecossistema.

 

Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em PDF!


A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera tem atingido níveis significativamente altos nos últimos 650 mil anos. Desde 2000, a taxa de crescimento da concentração de CO2 está aumentando muito rapidamente em relação às décadas anteriores. O mesmo tem ocorrido para o gás metano (CH4), óxido de nitrogênio (N2O) e outros gases do efeito estufa.

Os modelos de previsão de mudanças climáticas do Centro de Distribuição de Dados do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) apresentam resultados bastante variáveis quanto ao comportamento da América do Sul. Contudo, todos preveem aumento de temperatura para todo o continente.

Quanto à precipitação as projeções indicam aumento de chuva em algumas regiões e diminuição em outras, podendo inclusive haver inversão em função da época do ano.

Sem dúvidas as mudanças climáticas também ocorrerão no Brasil e, talvez, com efeitos mais danosos pela vulnerabilidade histórica que o país apresenta a desastres naturais, como secas, enchentes e deslizamentos de encostas. Essas mudanças afetam diretamente a agricultura e as áreas florestais brasileiras

Alguns estudos simulando os impactos sobre a agricultura por meio de modelos matemáticos já foram apresentados para o trigo, milho, soja, café, feijão e arroz.

Esses estudos têm previsto perdas econômicas anuais provocadas pelo aumento de 1ºC na temperatura, chegando a valores de 375 milhões de dólares para o café, somando os estados de Minas Gerais, Paraná e São Paulo, e 61 milhões de dólares para o milho em São Paulo.

Além desses, outros estudos contemplam efeitos sobre pragas, doenças, solos e outros aspectos do sistema produtivo agrícola.

Ao se considerar que a condição climática será de fato alterada, com base nos cenários previstos pelo IPCC (10) é possível formular algumas hipóteses sobre a dinâmica da agricultura no Brasil e no mundo.

Culturas anuais

Uma hipótese aceitável é sua migração para zonas temperadas, com boa possibilidade de ganho de produtividade nas espécies de ciclo fotossintético C4, denominação dada ao grupo de plantas das gramíneas (milho, sorgo e cana-de-açúcar)

Esse grupo apresenta características anatômicas e fisiológicas implicam em maior habilidade dessas plantas em conviver em ambientes mais quentes e com elevada irradiância solar, tornando-as supostamente mais aptas a suportar as condições que devem imperar nos verões das regiões temperadas.

Já as plantas C3 (feijão, soja, café), em contrapartida apresentam maior sensibilidade às condições de oferta ambiental abundante em relação à temperatura e à radiação solar.

Neste tipo de ambiente ocorre o fenômeno conhecido como fotorrespiração nessas espécies que é tido como um processo de autodefesa do aparelho fotossintético, principalmente em plantas expostas às altas intensidades luminosas, com o objetivo de dissipar o acúmulo de moléculas que, em condições ideais de temperatura e radiação, são úteis à célula, mas que, quando produzidos intensamente, podem se acumular e danificar as estruturas fotossintéticas.

Com base nessa breve comparação, parece razoável inferir que as espécies C4 estejam mais preparadas para a elevação da temperatura do que as espécies C3.

As porcentagens de perdas de área indicam níveis diferentes de impactos sobre as diferentes culturas, sendo que o milho, gramínea de ciclo C4, sofrerá menos com as altas temperaturas, pois apresenta aumento da taxa de fotossíntese para temperaturas de até aproximadamente 30ºC. Estimativas preliminares para a cana-de-açúcar para os estados de São Paulo, Mato Grosso e Goiás, também apontam nessa direção.

Webinar Eficiência climática e agrícola dos campeões do CESB

Culturas perenes

Mostram melhor desempenho em ambientes tropicais com menor sazonalidade, onde as condições de temperatura e disponibilidade de água ocorrem de maneira adequada à manutenção do seu ciclo fenológico ao longo do ano.

Ao se considerar os novos cenários projetados pelos modelos climáticos, nos quais a temperatura deve se elevar ao longo de todo o ano e com mais intensidade no inverno e a chuva deve se concentrar durante os meses de verão, acentuando e prolongando o período de seca no inverno, é razoável formular a hipótese de que a deficiência hídrica neste período aumentará em comparação ao que se observa atualmente.

Consequentemente, as espécies perenes teriam maior dificuldade em suportar o estresse por falta d’água durante o período mais seco do ano, sendo mais prejudicadas que as culturas anuais.

Porém, as respostas fisiológicas às diferentes condições ambientais não são lineares e mesmo sem alterações genéticas, plantas crescendo sob nova condição ambiental mostram capacidade de adaptação.

Um exemplo é o comportamento de plantas crescendo em estufas com aumento da concentração de CO2, ocorrendo um fenômeno conhecido como “fertilização por CO2”. Em condições de campo esse comportamento não é tão claro.

Patógenos de plantas

Estão normalmente presentes em sistemas naturais e agrícolas, sendo um dos primeiros organismos a demonstrarem o efeito das mudanças climáticas devido à numerosa população, facilidade de reprodução e dispersão e curto espaço entre gerações.

Dessa forma, eles constituem um grupo fundamental como indicador biológico que precisa ser avaliado quanto aos impactos das mudanças climáticas além de serem responsáveis por perdas de produção e uma ameaça potencial à sustentabilidade dos agroecossistemas.

Insetos-praga

Alguns estudos têm demonstrado que a introdução de fungos endofíticos (vivem dentro da planta sem causar danos) em plantas de importância agronômica as torna mais resistentes a alterações do clima.

Dessa forma, a elevação do nível de CO2 atmosférico, por exemplo, pode afetar, além das relações entre a planta hospedeira e o microrganismo endofítico, também as relações entre insetos herbívoros e as plantas, e destes com os endofíticos.

Tal alteração ambiente pode causar efeitos na composição nutricional e em fatores aleloquímicos das folhas, sendo que para muitas plantas, a redução do valor nutricional resulta do aumento do conteúdo de amido e carboidratos e declínio no teor de nitrogênio. Essas alterações causam mudanças no consumo e crescimento de insetos herbívoros.

Como as folhas apresentam aumento da relação carboidrato/nitrogênio em ambientes com elevado teor de CO2, os insetos compensam parcialmente essa mudança aumentando as taxas de consumo.

É importante salientar que as respostas fisiológicas das diferentes plantas, patógenos e insetos às diferentes condições ambientais não são lineares e, mesmo sem alterações genéticas, plantas crescendo sob nova condição ambiental mostram capacidade de se adaptação. É preciso avançar nas simulações de cenários agrícolas que sejam mais próximos do futuro real e processos fisiológicos.

O desenvolvimento de pragas e doenças com base na alteração climática, as mudanças de métodos nos sistemas produtivos e as projeções de avanços tecnológicos devem ser passíveis de modelagem matemática e incorporáveis aos modelos hoje utilizados para que possamos compreender melhor as mudanças que estão por vir.

O Brasil por possui uma matriz energética relativamente limpa e, resolvida a questão do desmatamento e das queimadas, poderá deixar de ser um dos maiores emissores do mundo para ocupar uma posição de destaque no cenário ambiental global.

Saiba mais!

A Pós-graduação em Produção de Grãos do Rehagro, foi eleita como o melhor curso à distância do Agro pela revista Exame.

Essa notoriedade vem da qualidade. Estamos sempre atualizando, apresentando dados reais e os professores são consultores em fazendas de alto nível.

Atualize-se e ganhe destaque no mercado. Clique e conheça mais!

Pós-Graduação em Produção de Grãos

O post Agricultura e mudanças climáticas: impactos e modificações no cenário agrícola apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
https://blog.rehagro.com.br/mudancas-climaticas-globais/feed/ 0
Boro: para que serve nas plantas? Veja processos e resultados na adubação https://blog.rehagro.com.br/boro-processos-e-resultados/ https://blog.rehagro.com.br/boro-processos-e-resultados/#comments Wed, 13 Jun 2018 12:15:23 +0000 http://blog.rehagro.xyz/?p=4175 A importância da presença dos elementos essenciais às plantas e do equilíbrio entre eles vem sendo elucidada desde que Liebig começou a defender sua crença de que as plantas se nutrem “dos minerais encontrados na terra disponibilizados pela decomposição da matéria orgânica e não diretamente desta”. O fornecimento equilibrado de elementos necessários à planta é […]

O post Boro: para que serve nas plantas? Veja processos e resultados na adubação apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
A importância da presença dos elementos essenciais às plantas e do equilíbrio entre eles vem sendo elucidada desde que Liebig começou a defender sua crença de que as plantas se nutrem “dos minerais encontrados na terra disponibilizados pela decomposição da matéria orgânica e não diretamente desta”.

O fornecimento equilibrado de elementos necessários à planta é fundamental para uma agricultura sustentável e economicamente viável, principalmente nos dias atuais, onde a diferença parece residir nos detalhes. Isso devido à pequena distância que separa o sucesso do fracasso econômico de um projeto.

 

Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em PDF!


De acordo com Primavesi (2002), faz parte da natureza, condensar nas pequenas coisas o poder de dirigir as grandes; nas sutis, a potência de dominar as mais grosseiras; nas coisas simples, a capacidade de reger as complexas. Portanto, pode-se fazer analogia de que as coisas pequenas, sutis e simples se comparam ao papel dos micronutrientes, que mesmo exigidos em pequenas quantidades, são indispensáveis para um correto metabolismo vegetal.

Apesar da grande importância dos micronutrientes na nutrição vegetal, apenas recentemente passaram a ser utilizados de modo mais rotineiro nas adubações em várias regiões e para as mais diversas condições de solo, clima e culturas no Brasil. (LOPES, 1999).

Segundo esse autor, os principais motivos que despertaram interesse pela utilização de fertilizantes contendo micronutrientes no Brasil foram:

  • Início da ocupação da região dos cerrados, formada por solos deficientes em micronutrientes por natureza;
  • Aumento da produtividade de inúmeras culturas com maior remoção e exportação de todos os nutrientes;
  • Incorporação inadequada de calcário ou a utilização de doses elevadas acelerando o aparecimento de deficiências induzidas;
  • Aumento na proporção de produção e utilização de fertilizantes NPK de alta concentração, reduzindo o conteúdo incidental de micronutrientes nesses produtos;
  • Aprimoramento da análise de solo e foliar como instrumento de diagnose de deficiências de micronutrientes.

Dentre todos os micronutrientes utilizados pela planta, um merece atenção: o boro.

Segundo Malavolta (2006), o boro é reconhecidamente o micronutriente cuja deficiência é mais comum no Brasil em diversas culturas anuais ou perenes, disputando com o zinco o ranking da deficiência em nossos solos. Devido a essa importância, ele será tratado nesse trabalho, mais especificamente na cultura do café.

O boro

A origem do boro deve-se, principalmente, à turmalina, uma rocha que após sofrer intemperismo, libera no solo formas solúveis, como boratos e ácido bórico, que corresponde à forma não dissociada.

Apesar de a turmalina ser fornecedora de boro ao solo, a fonte principal para as plantas vem da matéria orgânica, que, após mineralizada, disponibiliza o nutriente. Portanto, há relação entre o teor de matéria orgânica com a quantidade de Boro (ADRIANO, 1986 Apud MALAVOLTA, 2006).

Outra fonte citada na literatura são as precipitações, pois devido à abundância do elemento na água do mar, que obedece ao ciclo da água, com a evaporação, é passado para a atmosfera na forma de gotículas de água salgada e como vapor de ácido bórico, retornando ao solo juntamente com a chuva. Brasil Sobrinho (1965, apud MALAVOLTA, 2006) encontrou na água da chuva 0,02 a 0,04 mg B/l, e concluiu poder contribuir para manutenção dos teores no solo.

Segundo Adriano (1986, apud MALAVOLTA, 2006), o boro se encontra no solo em 4 formas:

  1. Solúvel em água;
  2. Adsorvido,
  3. Preso à matéria orgânica;
  4. Fixado nas argilas.

Somente a primeira nos dá indicativo de disponibilidade. A soma de todas as formas representa o teor total no solo, do qual, somente 5% estariam na forma solúvel e, consequentemente, disponível para as plantas.

Absorção, transporte e redistribuição do boro

Quando o assunto é absorção, o primeiro item a merecer atenção é o contato do elemento com a raiz, que no caso do boro se dá por fluxo de massa.

Segundo Malavolta (2006), o processo de absorção de boro ainda não é bem explicado, mas até agora o consenso que se tem é que o processo se dê por difusão através da plasmalema.

O caráter passivo de absorção é comentado por Welch (1995, apud MALAVOLTA, 2006). Segundo o autor, não há nenhum componente ou gasto de energia para viabilizar sua entrada devido à alta permeabilidade da membrana para o elemento.

Tal fato pode ser comprovado pelo aumento linear da absorção com a elevação da concentração do nutriente no solo, não sendo influenciado por temperatura ou inibidores respiratórios. Portanto, o boro parece ser o único elemento mineral que atravessa a membrana sem recorrer a nenhum processo intermediado por uma proteína (WELCH, 1995 apud MALAVOLTA, 2006).

O movimento do boro se dá por corrente transpiratória via xilema, mas apresenta pouca mobilidade no floema, havendo redistribuição somente em algumas espécies, não incluindo o cafeeiro, apesar de não ser uma regra para todas as espécies da mesma família.

Em algumas culturas onde a redistribuição ocorre, há uma quantidade maior de polióis, resultando em alta relação Polióis: Boro que se complexam com o mineral dando origem a compostos mais solúveis nos tecidos, como é o caso da soja (BROWN & HU, 1996 apud MALAVOLTA, 2006).

Devido à imobilidade do boro via floema, não se movendo das folhas ou outros órgãos para atender a necessidade de crescimento, o elemento assume algumas características (BROWN, 1998 apud MALAVOLTA, 2006):

  • Sintomas de deficiência aparecem em tecidos novos em crescimento, tais como: meristemas florais e vegetativos, pólen, fruto, raízes;
  • A toxidez do boro aparece em folhas velhas;
  • Há acumulo de boro nos tecidos com a idade.

Esse tipo de comportamento tem implicações no manejo do elemento no sistema agrícola, seja para detecção de deficiências como no modo de aplicação, como será visto adiante.

Funções do boro

A presença do boro altera as reações enzimáticas, pois inibe ou estimula a atividade das enzimas, provocando mudanças metabólicas, tanto em deficiência, acumulando substancias prejudiciais às folhas como os fenóis, quanto em níveis elevados, que podem se tornar tóxicos às plantas.

Na fase reprodutiva o efeito benéfico é proeminente, uma vez que as exigências em boro são mais altas neste período do que no crescimento vegetativo (BLEVINS & LUKASZEWSKI, 1997, apud MALAVOLTA, 2006), influindo na germinação do pólen, florescimento e frutificação.

No cafeeiro, causa abortamento das gemas floríferas, influindo também no crescimento vegetativo. Dentre os fatores benéficos, podemos citar também a síntese de proteínas e ácidos nucléicos que tem sua eficiência elevada. De acordo com DUGGER (1983), as plantas deficientes têm a relação N solúvel/N protéico elevada, fato confirmado por Primavesi (2002), que afirma que os nutrientes podem circular a taxas elevadas na seiva sem serem metabolizados.

Quando afirmamos que o boro é importante no crescimento vegetativo, um dos principais locais onde atua é na parede celular e na membrana citoplasmática, alterando suas propriedades mecânicas, principalmente na fase de crescimento. MALAVOLTA (2006) estabelece que haja uma relação estreita entre a nutrição de boro com a parede celular primária, visto que 90% do elemento da célula estão presentes nessa estrutura.

Na membrana, apesar da pequena quantidade presente quando comparado à parede celular, atua na absorção de outros nutrientes, como, por exemplo, o fósforo, que, de acordo com MALAVOLTA (2006), tem sua absorção diminuída em raízes deficientes do elemento, que também tem como papel a manutenção da integridade da membrana, garantindo absorção e metabolismo adequado, inclusive quando se fala em absorção de água.

Segundo PRIMAVESI (2002), essa capacidade parece estar mais ligada à quantidade de carboidratos do que à concentração dos minerais presentes nos tecidos radiculares. Tal quantidade de carboidratos é influenciada pela presença de boro, que é o principal transportador desses compostos para os diversos órgãos das plantas, incluindo a raiz.

MALAVOLTA (2006) afirma que a diminuição no transporte de açúcares pode ser explicada pela menor atividade metabólica, ou seja, demanda pelos órgãos dreno. Outra explicação seria a diminuição da formação de compostos de borato com açúcares, tais complexos auxiliam no transporte dos carboidratos dentro da planta.

Outro benefício trazido pelo boro, principalmente em solos de regiões tropicais, que apresentam naturalmente elevado teor de Al e baixa concentração de bases, é o de permitir o maior crescimento radicular na presença de alumínio e, consequentemente, em solos ácidos. Vale lembrar que esse tipo de solo é a maioria no território brasileiro.

Segundo MALAVOLTA (2006), tal fato pode ser explicado pela provável substituição do boro pelo alumínio em alguma função importante. Segundo o mesmo autor, essa hipótese é reforçada pela semelhança estrutural do Aluminato- Al (OH)3 com o B(OH)3 e pelo fato dos sintomas de deficiência de boro serem semelhantes aos observados por toxidez de alumínio.

Portanto, o alumínio poderia induzir a deficiência de Boro. Esse benefício aumenta em proporção se considerarmos como premissa básica para uma produção econômica e sustentável em regiões tropicais, um solo com grande volume explorado por raízes sadias, que consigam absorver água e nutrientes de maneira eficaz.

Malavolta (2006) resume as funções do Boro na planta do seguinte modo:

  1. Absorção e transporte de água e nutrientes;
  2. Maior vegetação;
  3. Maior pegamento das floradas, menor esterilidade;
  4. Fixação biológica do N2;
  5. Proteção contra doenças;
  6. Melhora na qualidade dos produtos.

Deficiências no cafeeiro

As deficiências podem ser reais ou induzidas. Reais pela falta do Boro, e induzidas pela dificuldade de absorção mesmo que o elemento esteja presente.

A indução das deficiências nos cafezais se deve a:

  • Fatores climáticos, como precipitação e temperatura;
  • Problemas físicos causados por adensamentos que diminuem a capacidade de infiltração e, consequente, o armazenamento de água;
  • Pragas e doenças do sistema radicular;
  • Mudas de inferior qualidade;
  • Problemas no caule que impedem ou dificultam a circulação da seiva;
  • Manejo inadequado, principalmente, da adubação, que, se feita de modo incorreto, pode causar desequilíbrio e competição com plantas daninhas ou culturas intercalares.

O diagnóstico das deficiências ou dos excessos pode ser feito de forma complementar, por meio de análises de solo, análises de folhas e observação dos efeitos visuais. Vale lembrar que as análises de folhas e de solo podem acusar uma possível deficiência que ainda não esteja se manifestando nas plantas, estando em estágio latente.

Nas folhas do cafeeiro, os sintomas aparecem naquelas novas, que se apresentam deformadas, afiladas, pequenas e com os bordos arredondados. Também causa a morte das gemas apicais, provocando um superbrotamento.

Com a progressão da deficiência, aparecem nas folhas novas, pontuações negras e corticosas junto à nervura, causando seu entortamento (Cultura de Café no Brasil- Novo Manual de Recomendações, 2005). A deficiência acarreta também a deformação dos ramos laterais, com suas pontas se entortando para cima e para baixo e os secundários podendo se desprender por engrossamento em sua base.

O excesso de Boro causa toxidez, aparecendo folhas manchadas de verde e amarelo e, em casos graves, ocorre queima dos bordos foliares. Os sintomas de toxidez são observados quando o nível nas folhas é superior à 100ppm.

planta com boro Cafeeiro com sintomas de deficiência de Boro

planta com sintomas de deficiência de boroCafeeiro com sintomas de deficiência de Boro

Segundo a Fundação Procafé, a amostragem de folhas deve ser feita em duas épocas: no início das chuvas, para ajudar na programação da adubação e outra no início da granação dos frutos (Jan-Fev), para aferir as quantidades aplicadas do nutriente em períodos de maior exigência pela cultura, pois o teor na folha avalia indiretamente o teor no solo.

No caso específico do Boro no cafeeiro (espécie em que o elemento é imóvel no floema), a amostragem foliar deve ser feita coletando-se folhas ou tecidos jovens quando o objetivo for diagnosticar deficiências, e em tecidos maduros quando se tratar de toxidez.

Quanto à amostragem de solo, ela deve ser feita quando cessarem os tratos culturais na lavoura, obedecendo a um período mínimo de 60 dias da última adubação potássica, o que deve coincidir com a pré-colheita. Portanto, deve ser utilizado o bom senso nas lavouras que utilizam a prática da arruação, retirando as amostras antes dessa prática ou proceder ao “chegamento de cisco” para posterior amostragem (Cultura de Café no Brasil- Novo Manual de Recomendações, 2005).

Níveis adequados de boro e exigências

De acordo com Sims & Johnson (1991, apud, MALAVOLTA, 2006), os teores adequados de boro no solo, quando o extrator for água quente, variam em função do tipo de solo, espécie vegetal, clima, teor de matéria orgânica e pH.

Para a cultura do café, admite-se como adequado, um teor foliar de 40-80 ppm e um nível no solo acima de 0,5 mg/dm3 (Cultura de Café no Brasil- Novo Manual de Recomendações,2005).

Segundo estudos feitos por Correa et al. (1986), a demanda de boro pelo cafeeiro é de 2.500 mg/ha, quantidade que corresponde as exigências para vegetação e produção de 1(uma) saca de 60Kg de café beneficiado na mesma área, ou seja, 1 ha.

Essa exigência foi dividida em diferentes partes da planta por Malavolta (2006), de modo que se chegou à seguinte ordem decrescente:

  • Folhas – 50%;
  • Fruto – 20%;
  • Ramos – 15%;
  • Tronco – 10%
  • Raiz – 5%.

Modos de aplicação e quantidades

O boro pode ser aplicado no cafeeiro por duas vias principais: via solo e via folha.

Ambas são utilizadas em larga escala em cultivos comerciais e experimentais com relativo sucesso, no entanto, cada qual possui características peculiares que devem ser analisadas em função dos teores do elemento no solo e na folha, comportamento do elemento, época do ano, idade da planta, produção, facilidade de aplicação, economia e etc.

Adubação foliar

A adubação foliar deve ser encarada como uma prática auxiliar no suprimento de nutrientes via solo. Se feita de modo indiscriminado pode acarretar prejuízos tanto por gastos desnecessários como por desequilíbrios, carências e toxidez.

De acordo com recomendação da fundação Procafé, o boro pode ser fornecido via foliar usando-se ácido bórico, bórax ou boro líquido na concentração de 0,3% a 0,5% para as duas primeiras fontes e, para o boro líquido, 0,2 a 0,3%. A adubação foliar para o boro não é duradoura, sendo que mantém o teor foliar por aproximadamente 60 dias.

Adubação via solo

No fornecimento do nutriente via solo, temos uma maior eficiência quando analisamos o período que essa prática mantém o teor adequado na folha, que pode chegar a 18 meses, além de trazer benefícios ao sistema radicular como discutido anteriormente.

A adubação via solo é recomendada em casos de deficiências agudas, ou seja, quando o teor no solo for menor que 0,6 mg/dm3. O suprimento é feito com 2 a 6 kg/ha de boro aplicados na projeção da copa. As fontes utilizadas podem ser o ácido bórico ou o bórax, dando preferência ao ácido, que apresenta um melhor comportamento no solo pela maior solubilidade (Cultura de Café no Brasil- Novo Manual de Recomendações, 2005).

Um fator importante em termos de eficiência agronômica quando decidimos pela aplicação via solo é a solubilidade em água, que influi diretamente na absorção da planta. Lopes (1999) agrupa os fertilizantes fornecedores de Boro quanto à solubilidade em água em:

  • Solúveis: Ácido Bórico, Bórax, Solubor e Boratos fertilizantes;
  • Medianamente solúveis: Colemanita;
  • Insolúveis: Ulexita.

Um detalhe que vale ser lembrado visando economia de recursos é o fato da aplicação no solo, quando a fonte for ácido bórico, poder ser feita juntamente com a aplicação de produtos de solo (inseticida-fungicida) via líquida, bastando somente fazer os cálculos de acordo com a quantidade de calda usada/ha e diluir a quantidade de ácido bórico correspondente no pulverizador.

A participação relativa do adubo e dos nutrientes do solo depende do nível de fertilidade química atual do solo, ou seja, quanto maior o nível de fertilidade menor a participação do adubo e maior a do solo na produção (MALAVOLTA, 2006).

Portanto, somente após a compreensão dos mecanismos que regem o sistema solo-planta-atmosfera, do comportamento dos nutrientes no solo e no interior da planta e dos níveis adequados e modos corretos de aplicação, um nível de fertilidade adequado pode ser buscado.

Isso deve acontecer de forma gradativa e contínua, respeitando as particularidades do solo, da cultura e nível tecnológico do produtor, visando produção satisfatória em uma agricultura racional, que equalize necessidades do homem com o ambiente onde vivemos.

Aumente a eficiência em suas lavouras!

A cafeicultura é oscilante, mas nos últimos tempos, as safras têm ganhado cada vez mais destaque e valorização. Aquele que se prepara, produz mais, lucra mais e já consegue planejar os próximos passos para que a próxima safra seja ainda mais produtiva.

Se você busca esse resultado, comece se atualizando com as novas técnicas de mercado.

No curso online Gestão na Produção de Café, você aprenderá com quem entende do assunto, pois os professores atuam em fazendas comerciais e passarão o conhecimento a você. Não perca mais tempo e tire suas dúvidas:

Curso Gestão na Produção de Café

O post Boro: para que serve nas plantas? Veja processos e resultados na adubação apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
https://blog.rehagro.com.br/boro-processos-e-resultados/feed/ 2