nutrição Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/nutricao/ Fri, 20 Jan 2023 18:47:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://blog.rehagro.com.br/wp-content/uploads/2018/05/favicon-rehagro.png nutrição Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/nutricao/ 32 32 Suplementação do gado de corte: como realizar de forma correta? https://blog.rehagro.com.br/suplementacao-voce-esta-usando-a-tecnologia-de-forma-correta/ https://blog.rehagro.com.br/suplementacao-voce-esta-usando-a-tecnologia-de-forma-correta/#respond Sun, 23 Oct 2022 18:00:34 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8414 Rotineiramente, você se depara com resultados não satisfatórios de ganho de peso do gado na fazenda? Diversos fatores podem impactar negativamente nesse desempenho, tais como: nutrição, genética, manejo, sanidade, qualidade, disponibilidade do pasto, entre outros. Quebramos a cabeça para achar respostas para tais resultados e, muitas vezes, nos esquecemos de avaliar se o espaçamento de […]

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Rotineiramente, você se depara com resultados não satisfatórios de ganho de peso do gado na fazenda?

Diversos fatores podem impactar negativamente nesse desempenho, tais como: nutrição, genética, manejo, sanidade, qualidade, disponibilidade do pasto, entre outros.

Quebramos a cabeça para achar respostas para tais resultados e, muitas vezes, nos esquecemos de avaliar se o espaçamento de cocho e o manejo diário são ideais para o tipo de suplemento.

Talvez possa parecer algo simples, mas é de extrema importância para garantir os resultados esperados!

Veja algumas dicas sobre o assunto neste artigo!

 

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Suplementação mineral

O sal mineral é o tipo de suplementação mais comum no Brasil, que possibilita ganhos de peso adicionais, principalmente na época de seca, quando a qualidade do pasto está baixa. Aqui devemos garantir um espaçamento de 4-6 cm por unidade animal (UA=450 kg) para que o máximo de animais tenha acesso a esse cocho. 

Cocho para suplementação de gado de corte sendo montado

Fonte: Arquivo pessoal, Cristiano Rossoni, Técnico Rehagro.

Para a suplementação mineral, o ideal é fornecermos de 1 a 2 vezes na semana se houver cobertura nos cochos ou fornecermos em dias alternados (um dia sim, outro não) para os cochos descobertos. Mesmo assim, o sal pode umedecer propiciando a formação de crostas de sal, o que diminui o consumo pelos animais.

Cocho para gado de corte sendo mexido

Fotos: Arquivo pessoal Danilo Augusto, Técnico Rehagro

A inclusão de ureia no sal pede atenção redobrada, pois o acúmulo de água com ureia diluída pode causar intoxicação ao gado. Um furo no fundo do cocho que permite a água escoar, pode evitar esse problema.

Agora, se mudar a estratégia nutricional da fazenda, será que a estrutura está adequada para receber essa tecnologia?

Pensando em otimizar ganhos de peso na época das águas, a prática de adensarmos o sal para um consumo de 30-50g a cada 100kg de peso vivo (PV) pode trazer resultados excelentes.

Esse sal pode ser veículo de aditivos alimentares e contar com a adição de milho ou até mesmo de farelos. A adoção dessa técnica é de baixo investimento em termos estruturais, já que requer a mesma estrutura do fornecimento de sal mineral. Entretanto, precisamos estar atentos aos cochos descobertos. É importante não deixarmos esse sal mais que 2 dias no cocho para garantirmos boa resposta animal e bom retorno econômico.

Webinar Suplementação a pasto

Suplementação de baixo consumo

Agora se quisermos fornecer um proteinado 0,1 % ou 0,2 % PV, devemos nos programar para permitir um acesso de 10-12 cm por UA. A rotina de fornecimento quase não muda aqui, fornecendo de 2 a 3 vezes na semana conseguimos manter a qualidade desse produto. Porém, para termos um padrão de consumo mais uniforme possível, os cochos devem ser cobertos. Qual o investimento para isso?

Suplementação para gado de corte em cocho

Fonte: Arquivo pessoal, Paulo Eugênio, Técnico Rehagro

Antes de determinarmos que é caro, vamos colocar na ponta do lápis o investimento e o retorno desse capital com maiores ganhos de peso. A não padronização de consumo pode representar baixos ganhos de peso e consequentemente não pagar as contas. 

Lembre-se também de ajustar o consumo na sua fazenda, de acordo com o planejamento nutricional. Isso difere muito entre propriedades já que diversos fatores influenciarão no processo. 

Mas como ajustar?! Isso mesmo, medindo o consumo para os devidos ajustes. Se o plano é que o animal consuma 300g por dia, o consumo acima ou abaixo disso irá resultar em perdas econômicas. 

Suplemento médio consumo

O proteinado de 0,3% a 0,5% do PV já requer recomendações diferentes. Nessa situação o padrão de consumo dos animais muda. Eles ingerem o suplemento muito mais rápido, em poucas horas, o que nos permite utilizar cochos descobertos, pois o tempo do suplemento no cocho é curto e não compromete sua qualidade. Entretanto, o espaçamento de cocho é o gargalo para essa prática.

Como dito anteriormente, apesar de ser uma vantagem o consumo rápido, essa tecnologia requer que todos animais cheguem ao cocho ao mesmo tempo, ou então, alguns animais não terão acesso ao suplemento por serem intimidados pelos animais dominantes. O ideal é que haja de 3 a 5 animais por metro de cocho com acesso aos dois lados.

Esses números podem variar muito dependendo do tipo de animal e se há presença de chifres. A dica é fazermos a observação na fazenda, essa é a melhor maneira de determinarmos o espaçamento ideal. Se animais estão tendo acesso ao cocho pelas laterais (cabeceiras), isso pode ser sinal de que o espaçamento está aquém do que deveria ser e animais mais submissos não vão consumir o suplemento e os dominantes consumir mais do que deveriam, resultando na disparidade do lote.

A rotina de fornecimento precisa ser diária, e no mesmo horário do dia. Dê preferência por fornecer nos horários que os animais menos pastejam, assim não afetará o tempo de pastejo. Em geral, os horários mais quentes do dia são de menor preferência para o pastejo. Determine o horário que mais se adeque a sua rotina e que isso seja a prioridade daquele horário. Não deixe para “a hora que der, eu faço”.

O custo nutricional e operacional neste sistema é mais alto quando comparamos com o fornecimento de apenas sal. Portanto, cada detalhe pode afetar negativamente ou positivamente nos resultados. Fique atento!

Suplemento alto consumo

Suplemento com consumo de 0,7% a 1% PV pode ser fornecido em cochos descobertos ou cobertos, dependendo da região na qual a propriedade está localizada. Lembre-se que o consumo será mais lento, e os animais não conseguirão limpar o cocho em poucas horas. Regiões muito chuvosas pedem cobertura nos cochos para garantir o consumo ao longo do dia.

Essa técnica requer mais investimento ainda, pois requer 30-40 cm por cabeça de espaçamento de cocho. Porém, eles podem ser diluídos com o aumento da produção por hectare.

Já fez essas contas?

Suplementação sendo fornecida para gado de corte

Fonte: Arquivo pessoal, Paulo Eugênio, Técnico Rehagro

Saiba mais!

Aqui no Rehagro, temos o Curso Gestão da Nutrição e Pastagens na Pecuária de Corte, que é uma capacitação que reúne a solução para os maiores problemas que os pecuaristas enfrentam na nutrição do gado.

Os professores são grandes consultores, com muitos anos de experiência no dia a dia das fazendas. Eles ensinam as técnicas e ferramentas usadas por eles para aumentar a rentabilidade na atividade, de forma muito clara, direta e prática.

Curso Gestão da Nutrição e Pastagens na Pecuária de Corte

Andrea Mobiglia

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Confinamento de gado de corte: veja as principais rotinas https://blog.rehagro.com.br/rotinas-no-confinamento-que-afetam-o-desempenho/ https://blog.rehagro.com.br/rotinas-no-confinamento-que-afetam-o-desempenho/#respond Thu, 20 Oct 2022 19:16:30 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8422 O aumento da densidade energética das dietas e o aumento da duração do período em que os animais ficam confinados têm como objetivo o melhor aproveitamento da carcaça, com abates de animais mais pesados e melhor acabados. No entanto, esses fatores exigem uma maior eficiência nos processos e rotinas presentes no confinamento, pois qualquer erro […]

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O aumento da densidade energética das dietas e o aumento da duração do período em que os animais ficam confinados têm como objetivo o melhor aproveitamento da carcaça, com abates de animais mais pesados e melhor acabados.

No entanto, esses fatores exigem uma maior eficiência nos processos e rotinas presentes no confinamento, pois qualquer erro pode ser desastroso sob o ponto de vista econômico e do desempenho animal.

 

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Mas afinal, quais são as principais rotinas em um confinamento que podem afetar o desempenho dos animais e o sucesso da operação? Conheça algumas delas no artigo abaixo!

Frequência de trato e horário do trato

Bovinos são animais que que gostam de rotina e qualquer alteração no padrão de fornecimento do trato, principalmente com a utilização de dietas com alta densidade energética, pode comprometer o desempenho dos animais por todo período de engorda.

Os ganhos em aumento da frequência de trato são visíveis quando elevamos de um para dois ou para três tratos por dia, entretanto, a partir de quatro tratos diários, o ganho adicional em se aumentar a frequência dos tratos é questionável ou discutível. Critérios operacionais devem ser levados em contas na tomada de decisão quanto ao número de tratos.

Trato de bovinos em confinamentoFonte: Arquivo pessoal Geraldo Barcellos, Técnico Rehagro.

Em situações específicas de confinamento dos animais em períodos chuvosos, é possível que se tenha a necessidade de aumentar a frequência de tratos, em menores volumes ofertados por vez, pensando em minimizar o desperdício de dieta, ocasionados pela chuva.

Outro ponto importante que chama atenção é a necessidade de se manter uma padronização nos horários do trato, variações no horário de fornecimento podem ter impactos negativos para os animais. Animais famintos no cocho aumentam os riscos de acidose ruminal, o que resulta em oscilações de consumo e menor desempenho.

Webinar Rotinas que afetam o resultado em um confinamento

Distribuição do trato

Ainda relacionado ao trato, especificamente, está no controle da distribuição. Alguns confinamentos brasileiros, ainda utilizam uma estratégia popularmente conhecida como “bica corrida”, em que não é levantado com exatidão a quantidade de trato oferecida para cada curral.

O problema desse tipo de distribuição é a falta de controle do consumo, o que pode gerar desperdício de ração ou até mesmo impactar no desempenho devido a falta de controle do total ofertado.

A outra forma de distribuição é a distribuição controlada, nesse caso, é levantado e anotado, quanto da dieta foi ofertada em cada curral em específico e em cada trato. Isso permite que o leitor de cocho consiga fazer a predição do consumo das próximas 24h a partir da leitura de cocho bem conduzida.

A nutrição representa o maior custo operacional em um confinamento, a avaliação e o controle da utilização dos recursos nutricionais é de extrema importância.

Distribuição do trato para bovinos confinadosFonte: Arquivo pessoal Hugo Martins, Técnico Rehagro.

Além do fornecimento controlado, da dieta no cocho, quantidade certa e específica para cada cocho, a distribuição dessa dieta nos cochos é muito importante.

A quantidade de alimento deve ser distribuída igualmente ao longo dos metros de cocho disponíveis para cada um dos currais.

Essa prática permite um acesso igual e democrático dos animais à dieta em horário semelhante, ajudando assim a padronização e o igual desenvolvimento dos animais de um determinado curral.

Alimento mal distribuído no cochoMá distribuição de alimento no cocho, aumentando o desperdício e reduzindo o espaçamento de cocho por indivíduo.

Fonte: Foto de Dr. Andrea Mobiglia, consultora e coordenadora de ensino da pecuária de corte do Rehagro. 

Leitura de cocho

Assim como controlar a distribuição do trato, avaliar e controlar a sobra dos cochos nos confinamentos é fundamental. O que se busca, de maneira resumida, é que o leitor estime o consumo das próximas 24h do animal através da avaliação do que sobrou nas últimas 24h.

Propriedades que realizam um controle preciso da sobra de cocho, são em suma, mais eficientes quanto a minimização do desperdício das dietas, menos incidência de distúrbios metabólicos, e consequentemente, maior desempenho.

A limpeza do cocho também se faz muito importante, e apesar de aparentar uma grande dificuldade, em confinamento com um excelente manejo de cocho, avaliando de maneira diária e corrigindo a oferta, a quantidade de sobras no dia-dia será mínima, o que facilita a limpeza.

A leitura de cocho pode ser feita de diversas maneiras através de notas dadas em horários pré-estabelecidos de acordo com a rotina do confinamento. Pode-se também estabelecer mais que uma leitura de cocho, o que auxilia a assertividade do consumo dos animais.

Além disso, no momento da leitura deve-se observar os animais e a higiene dos cochos, sendo que qualquer ação necessária deve ser notificada à equipe responsável pelo confinamento.

Fezes dentro de cochoCocho com fezes que impedirá o consumo do animal no local e devem ser removidas antes do próximo trato. Fonte: Foto de Dr. Andrea Mobiglia, consultora e coordenadora de ensino da pecuária de corte do Rehagro. 

Avaliação escore de fezes

Uma importante ferramenta para a avaliação dos animais confinados é a análise e a classificação média dos escores de fezes dos animais.

Avaliar a característica das fezes permite a inferência em torno da qualidade e do consumo da dieta pelos animais.

Segue abaixo um exemplo de classificação de fezes, o que buscamos em um confinamento é um padrão de fezes médio como o da foto de número 3.

Escore 5

Escore 5 de fezes bovinasFonte: Hutjens, 2008.

Escore 4

Escore 4 de fezes bovinasFonte: Hutjens, 2008.

Escore 3

Escore 3 de fezes bovinasFonte: Hutjens, 2008.

Escore 2

Escore 2 de fezes bovinasFonte: Hutjens, 2008.

Escore 1

Escore 1 de fezes bovinasFonte: Hutjens, 2008.

Curva de consumo

Acompanhar a curva de consumo, ou seja, a quantidade de alimento consumido por lote e por dia, é fundamental em um confinamento.

Somente acompanhando essa evolução é possível determinar se os animais estão realmente consumindo a quantidade de alimento programada. Sendo possível ainda avaliar a evolução dos animais quanto ao consumo, durante o passar dos dias de confinamento.

Limpeza dos bebedouros

A água é o primeiro e o mais barato ingrediente de uma dieta, além disso o consumo de água de qualidade é determinante para o consumo de matéria seca, sendo assim diretamente responsável pelo desempenho dos animais confinados.

Em média, bovinos confinados consomem entre 4 a 6 litros de água por quilo de matéria seca ingerida.

Além de proporcionar condições ótimas para o consumo, manter a qualidade da água evita diversos problemas sanitários. Bebedouros dentro de currais de confinamento devem ser limpos no mínimo três vezes por semana.

Análise dos alimentos

Após formular uma dieta precisa e bem estruturada para um confinamento, devemos garantir que essa dieta chegue, de fato, até os animais. Para isso, um dos fatores de grande importância é a avaliação dos alimentos utilizados na mistura da dieta.

A principal e mais simples das análises realizadas é a avaliação do teor de matéria seca (MS) dos alimentos.

A avaliação da matéria seca deve ser realizada pelo menos 3 vezes por semana no volumoso, uma vez por semana no grão úmido e pelo menos uma vez por semana na dieta total.

Essa avaliação permitirá também, ajustes na dieta, avaliação correta do consumo, otimização dos custos da dieta produzida.

Além da análise e avaliação da MS, o envio para análise bromatológica dos volumosos utilizados no confinamento, dos coprodutos e dos farelos deve ser realizado de forma mensal.

Realização de análise de matéria secaFonte: Arquivo pessoal Geraldo Barcellos, Técnico Rehagro.

A análise da fibra efetiva dos volumosos e da dieta total também deve ser feita com frequência, inclusive no momento da colheita do volumoso que será ensilado. Para isso, podemos utilizar a peneira desenvolvida pela universidade da Penn State, nos Estados Unidos, objetivando obter 60-70% das partículas na peneira de 8mm.

A avaliação da granulometria do milho e de outros grãos utilizados, também deve ser uma rotina presente nos confinamentos, a avaliação da moagem é importante e permite a correção de falhas que irão minimizar riscos de distúrbios metabólicos ou mesmos baixo aproveitamento de determinado insumo por parte dos animais.

A coleta dos alimentos deve ser feita por colaborador treinado, de maneira criteriosa e sistemática.

Essas análises permitem dentre outros fatores já citados, calibrar a matriz de alimentos utilizados no confinamento e também ajustar a dieta, caso necessário.

Ronda sanitária

A ronda sanitária deve ser realizada diariamente no confinamento, a avaliação dos animais deve seguir um padrão e um critério preestabelecido.

Avaliar não somente se há alguma desordem física nos animais, lesões ou sinais de doença, acompanhar e avaliar o comportamento dos animais, é tão importante quanto a avaliação de sinais clínicos de alguma doença.

Treinamento da mão de obra

Todas as práticas propostas acima, serão possíveis, se e somente se, o time operacional do confinamento estiver alinhado e motivado para o objetivo.

Por esse motivo, é importante que além de um excelente trabalho com a gestão de pessoas, seja realizado treinamento periódicos e reciclagem desses treinamentos com os colaboradores, de acordo com a exigência das funções que cada um exerce.

Controle de dados

O sucesso da operação do confinamento passa impreterivelmente pela a gestão dos dados desse confinamento.

Levantar dados é extremamente importante, desde dados zootécnicos aos dados relativos ao financeiro e econômico.

E os dados levantados devem ser, sempre, transformados em informações que de fato servirão para ajustes nas rotinas e aperfeiçoamento nos processos.

Veja mais!

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Curso Gestão da Nutrição e Pastagens na Pecuária de Corte

Cristiano Rossoni

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Planejamento forrageiro: Planilha + Guia Como calcular a demanda de forragem https://blog.rehagro.com.br/planejamento-forrageiro-planilha-guia-como-calcular-a-demanda-de-forragem/ https://blog.rehagro.com.br/planejamento-forrageiro-planilha-guia-como-calcular-a-demanda-de-forragem/#respond Fri, 12 Aug 2022 13:00:14 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=14163 Você conhece a demanda de forragem das diversas categorias animais do seu rebanho? Qual o tamanho da área que você terá que plantar para suprir essa demanda? A área total que você possui será suficiente para atender a necessidade de todos os animais? Planejar a produção de forragem do rebanho é fundamental e um dos […]

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Você conhece a demanda de forragem das diversas categorias animais do seu rebanho? Qual o tamanho da área que você terá que plantar para suprir essa demanda? A área total que você possui será suficiente para atender a necessidade de todos os animais?

Planejar a produção de forragem do rebanho é fundamental e um dos pilares da atividade leiteira.

Um projeto de pecuária leiteira só pode ser bem executado caso a demanda de comida dos animais seja suprida em qualidade e quantidade adequada.

Baixe gratuitamente a Planilha + Guia sobre o planejamento forrageiro do rebanho e tenha uma ferramenta prática e rápida para calcular a forragem necessária para alimentar o seu rebanho.

Baixar Planilha e Guia Planejamento forrageiroBruno Guimarães

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Misturadores de ração: veja os principais tipos e garanta qualidade na mistura https://blog.rehagro.com.br/misturadores-e-qualidade-de-mistura-para-racoes-bovinas/ https://blog.rehagro.com.br/misturadores-e-qualidade-de-mistura-para-racoes-bovinas/#respond Wed, 20 Jul 2022 16:10:55 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9458 Desempenho aquém do esperado e aumento na incidência de desordens metabólicas, mesmo em dietas bem formuladas, são alguns dos problemas observados quando os animais conseguem selecionar e ingerir apenas alguns alimentos específicos da dieta, deixando outros de lado. E isso ocorre quando sua mistura não é realizada corretamente, o que pode ser evitado pelo uso […]

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Desempenho aquém do esperado e aumento na incidência de desordens metabólicas, mesmo em dietas bem formuladas, são alguns dos problemas observados quando os animais conseguem selecionar e ingerir apenas alguns alimentos específicos da dieta, deixando outros de lado.

E isso ocorre quando sua mistura não é realizada corretamente, o que pode ser evitado pelo uso dos misturadores.

Existem diversos modelos e tipos de sistemas de mistura no mercado, cada um com sua especificidade.

Neste artigo, você irá entender os benefícios e gargalos de cada um deles, bem como o passo a passo para garantir a qualidade da sua mistura, obtendo eficiência máxima no processo.

 

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Transformações no fornecimento de alimentos

Ao longo das últimas décadas, o perfil das dietas utilizadas na produção de gado de corte no país alterou de maneira significativa. Essa alteração foi observada tanto em dietas de confinamento, quanto no perfil dos suplementos utilizados para animais a pasto.

O desafio em busca do aumento da produtividade impulsiona técnicos e pecuaristas na utilização de dietas mais energéticas e “adensadas”. Dietas nesses padrões requerem, impreterivelmente, a utilização de maiores proporções de grãos, com diferentes tipos de processamento, e alimentos concentrados.

De acordo com o levantamento feito com nutricionistas por Millen et al. (2009) e Pinto e Millen (2016) a inclusão de grãos na dieta foi de 58% em 2009 para 85% em 2016, reduzindo a quantidade de forragem presentes nas dietas de terminação.

Nível de forragem e concentrado na dietaNível de forragem e concentrado na dieta de terminação.

Essa realidade implica em uma série de consequências, além dos esperados ganhos em desempenho, desafiar ruminantes a dietas ricas em energia acarreta desafios significativos, a utilização de aditivos, a necessidade de adaptação dos animais, os cuidados com a homogeneidade da dieta, dentre outros fatores que são fundamentais na mitigação dos riscos observados nessas dietas.

Por consequência dos processos evolutivos, bovinos são ruminantes com baixa capacidade de seleção dos alimentos, principalmente quando comparados a pequenos ruminantes como caprinos e ovinos.

Porém, na oferta de uma dieta com grande segregação de alimentos, é possível se observar a seleção e a predileção de certos alimentos por parte dos bovinos, possibilitando que animais, principalmente confinados, consumam maiores ou menores quantidades de grãos e alimentos concentrados do que o determinado no momento da formulação da dieta.

Esse fator transforma o risco de desordens metabólicas, como acidose e timpanismo, ainda mais evidente no caso de seleção por alimentos mais energéticos ou resulta em desempenho aquém do esperado quando os volumosos são selecionados pelo indivíduo.

Por isso é tão importante que se garanta durante o fornecimento de uma dieta total, uma perfeita mistura dos alimentos nas suas devidas proporções, onde os animais não consigam selecionar os alimentos, ingerindo partes precisas da dieta formulada.

Como garantir a qualidade da mistura?

A homogeneidade da mistura é um fator importante também quando lembramos dos minerais e aditivos que são incluídos na dieta em menores proporções, sendo que qualquer falha na mistura pode resultar ingestão desbalanceada desses micronutrientes e, consequentemente, menor desempenho.

Uma sugestão prática é sempre checar se a dieta batida na fazenda está mais próxima possível da dieta formulada pelo nutricionista. Portanto, a precisão no carregamento é fundamental.

A experiência do operador conta muito para o resultado desse processo. Recomenda-se que a variação da dieta a campo e formulada não ultrapasse 10%, sendo que abaixo de 5% é que consideramos ideal.

Quais são os tipos de misturadores de ração?

A principal forma utilizada para se misturar uma dieta é pela utilização de misturadores. Existem diversos modelos de misturadores de ração e tipos de sistemas de mistura no mercado, cada um com sua especificidade, qualidade e deficiência, misturadores com roscas horizontais ou verticais, rotor ou tombamento, podendo estes serem estacionários, tracionados ou acoplados no chassi de caminhão.

Entender os benefícios e os gargalos de cada um desses tipos é fundamental para que a operação flua da melhor e mais eficiente forma possível. Portanto, assertividade na escolha do tipo de sistema de mistura para a realidade da fazenda é o ponto de partida para garantir a qualidade da mistura.

E-book Misturadores e qualidade de mistura para rações

Misturador com rosca vertical (helicoide)

Sua principal característica é sua capacidade de misturar volumosos com partículas de fibras maiores, como por exemplo, o feno, em suma a robustez dos equipamentos desse tipo também se destacam.

Entretanto, para garantir uma mistura homogênea em vagões com rosca vertical, no geral, necessita-se de um maior tempo de mistura, cerca de 8 a 10 minutos, o que proporciona maiores gastos com combustível e desgaste dos tratores ou consumo de energia.

Nesse tipo de misturador deve-se estar atento à presença de facas para repicagem. Estas facas reduzem o tamanho da partícula, portanto não é indicado para dietas de confinamento. Sua indicação é para fenos, pré-secados e demais componentes secos que possuem fibras longas.

Há no mercado a opção com duas roscas verticais. Caso você opte por adicionar algum outro ingrediente que não seja volumoso e seja mais denso, atente-se para que ele seja adicionado ao misturador por último para melhor a homogeneidade da mistura.

Misturador com rosca verticalParte interna do misturador com rosca vertical. Fonte: Arquivo pessoal.  

Misturador helicoidal verticalMecanismos helicoidal vertical e facas de repicagem – Fonte: site da Siltomac. 

Misturador com rosca horizontal

Em contraste com o misturador vertical, o misturador horizontal tem como característica melhores condições de misturar volumosos com partículas de fibra menores, como a silagem de capim ou milho. Sua maior eficiência na mistura permite que esses misturadores proporcionem misturas homogêneas com menores tempos de mistura.

Nesse modelo é possível adicionar ingredientes de menor inclusão, garantindo sua distribuição uniforme. Portanto, o misturador horizontal é indicado em dietas com inclusão de grãos, farelos e subprodutos, podendo ser encontrado no mercado sistemas com 3 ou 4 roscas.

O tempo de mistura vai variar de 2 a 6 minutos, dependendo da capacidade do misturador e o tipo de dieta. Recomenda-se que o carregamento seja feito primeiro com os alimentos concentrados e depois com os alimentos volumosos.

Misturador helicoidal horizontalMisturador helicoidal horizontal de 3 roscas – Fonte: site da Siltomac. 

Misturador horizontal com 4 roscasDemonstração de movimento das roscas em misturador horizontal de 4 roscas – Fonte: site da Kuhn do Brasil.

Misturador por tombamento

Esse misturador é indicado para ração de mistura total, podendo conter silagem, subproduto, grãos e núcleo. Seu mecanismo de mistura é feito por correntes e travessas, que evitam a deposição de ingrediente com maior densidade no fundo do equipamento.

Recomenda-se acrescentar o volumoso antes do concentrado nesse tipo de sistema, ou até mesmo carregar em “sanduíche”, caso haja 2 fontes de volumosos, por exemplo, bagaço de cana e silagem.

Misturador por tombamentoCorrentes e travessa de misturador com rotor tombamento – Fonte: site da Siltomac.

Webinar Impacto da qualidade da silagem de milho

Misturador com rotor central e rosca

Esse modelo de misturador vem ganhando grande destaque dentre os diversos tipos de vagões, pois garante uma excelente qualidade de mistura com tempo reduzido de funcionamento mesmo quando comparado aos misturadores de rosca horizontal, além disso, permite-se incluir diferentes tamanhos de partículas de volumosos.

Esses misturadores contém a combinação de duas roscas sem fim e rotor central contendo pás. O mecanismo combinado desse último modelo citado permite melhor qualidade de mistura em rações com maior quantidade de concentrado e menor tempo de mistura.

Outra característica interessante é que esse tipo de mecanismo minimiza quebra de ingredientes peletizados ou floculados. O tempo de mistura deve ser a combinação da velocidade do rotor e tipo de dieta.

Uma recomendação prática de mistura é, em média, de 10-15 giros, com a velocidade de rotação (RPM) recomendado pelo fabricante, o que equivale aproximadamente 3 a 6 minutos. Esse tempo deve ser checado para cada equipamento de acordo com o teste de qualidade de mistura da ração, que não deve variar de 5-10% comparado com a ração formulada.

A recomendação é que os ingredientes concentrados (grãos, coprodutos, farelo e núcleo) sejam carregados antes do volumoso, sendo do mais denso para o menos denso.

Misturador com rotor centralMisturador com duas roscas sem fim e rotor central contendo pás. Fonte: Arquivo pessoal da Dra. Andrea Mobiglia, consultora e coordenadora de ensino da Pecuária de Corte do Rehagro. 

Misturadores e caixas estacionárias

Independente de qual desses tipos de vagões – eles podem ser estáticos ou não – operações de maior porte que necessitam misturar grandes quantidades de ração, podem utilizar um misturador estacionário assessorados por um vagão apenas distribuidor ou caixas estacionárias de pré-carregamento assessorado por um misturador para reduzir o tempo do ciclo de alimentação.

Em confinamento acima de 15 mil cabeças, esse tipo de sistema otimiza a quantidade de equipamento distribuidor, combustível e funcionários. Vale a pena colocar essa conta na ponta do lápis.

Caixa estacionáriaCaixa estática pré-mistura. Fonte: Arquivo pessoal da Dra.Andrea Mobiglia, consultora e coordenadora de ensino da Pecuária de Corte do Rehagro. 

Uma análise interessante foi feita em 15 confinamentos comparando os dois sistemas: carregamento direto no misturador acoplado a um caminhão (método tradicional) e o uso de caixas estacionárias para pré-carregamento antes de serem tombadas no caminhão misturador.

Essa análise mostrou que a variação de carregamento em peso absoluto foi menor com o uso de caixas estacionárias. Essa diferença, possivelmente, pode ser explicada pela otimização da mão de obra e do tempo no carregamento e descarregamento, que possibilita os funcionários serem mais precisos na quantidade de ingrediente na hora do carregamento, sem ter outro funcionário aguardando ou ele mesmo fazendo as duas operações.

A precisão no carregamento além de acarretar melhor qualidade da batida, minimiza desperdícios de ingredientes.

Caixa estacionária e carregamento diretoVariação absoluta de carregamento, em quilograma, entre o uso de caixa estacionária e carregamento direto no misturador acoplado ao caminhão. Fonte: Dados não publicados do arquivo pessoal de Dra. Andrea Mobiglia, consultora e coordenadora de ensino da Pecuária de Corte do Rehagro.

Mensuração no carregamento e descarregamento

Escolher o misturador que melhor se adeque à realidade e características específicas de cada operação é fundamental, evitando desperdícios e ineficiência. Além disso, outros fatores devem ser levados em consideração para se garantir uma mistura de qualidade e uma dieta homogênea.

Todos os equipamentos possuem a versão com balança, o que se torna a opção mais interessante para monitorar a operação, carregamento e descarregamento controlado e o consumo dos animais.

Falhas na pesagem do ingrediente e maiores fornecimentos de determinado ingrediente da ração por si só já são causas para dietas desbalanceadas, por isso sempre estar atento no momento do carregamento e sempre conferir e aferir a precisão da balança, que pode ser feito 1 a 2 vezes no ano (Figura 8).

Além disso, a distribuição programada, com balança no equipamento distribuidor, torna-se essencial para o controle do consumo dos animais, principalmente quando o tema é confinamento.

Capacidade do equipamento

A sobrecarga dos equipamentos destinados a misturas da dieta, pode e vai interferir na qualidade da mistura, respeitar as especificações do fabricante de cada vagão é uma premissa importante, pois a sobrecarga impede que as partículas dos alimentos se misturem. Volumosos ocupam mais espaço, portanto, fique atento à capacidade cúbica, ao invés de checar apenas a capacidade em peso.

Entre dois tratos e, consequentemente, duas cargas do vagão, pode sobrar ração dentro do equipamento. Essa sobra, normalmente, pode interferir no momento do fornecimento do trato seguinte e alteração da composição da dieta do próximo trato.

Nesse caso, devemos cuidar para que essa sobra não seja acrescentada em dietas de adaptação, por exemplo, o que resultaria uma dieta mais energética, possivelmente, resultando em distúrbios metabólicos nos animais não adaptados.

Manutenção do misturador e componentes

Defeitos mecânicos e ausência ou ineficiência de algum componente do vagão também podem ocorrer e prejudicar o trabalho. Por exemplo, o desgaste das facas do vagão, por exemplo, irá comprometer a eficiência da mistura, no caso de fardos de fenos em misturadores verticais.

Por outro lado, se essas facas forem utilizadas em dietas de terminação contendo volumoso, poderá reduzir o tamanho de fibra além do exigido para manter a saúde ruminal, resultando em problemas metabólicos.

O atraso de tratos devido problemas mecânicos, consumo maior de combustível, ineficiência de mistura por desgaste de componentes, entre outros podem ser evitados através de manutenção periódica aos equipamentos e seus componentes.

Esteja sempre em dia com a manutenção do equipamento, e atento às exigências e recomendações dos fabricantes.

Tempo de mistura

O tempo em que os alimentos permanecem no vagão para misturar é crucial para o estado final da dieta. O tempo de mistura ideal varia de acordo com o equipamento utilizado, capacidade, marca do misturador e principalmente de acordo com o tipo de ingredientes utilizados, variando entre 3 e até 15 minutos.

Ao contrário do que muitos pensam, o tempo excedido de mistura da ração segrega as partículas “desmisturando” a dieta em vez de misturar, por isso devemos manter o tempo ideal.

Um teste fácil de realizar a campo é fixar um tempo de mistura, de acordo com a recomendação do tipo de misturador, e coletar amostras para enviar para laboratório como descreveremos mais adiante. Preconizamos que essa variação não deve ser maior que 10% entre amostras, sendo menor que 5% considerado com variação ideal. Lembre-se também de compará-la com a dieta formulada!

Dica rápida para ajuste de tempo de mistura

Para ajustar o tempo de mistura e ordem de carregamento, faça a amostragem da dieta como descrito no item “6 passos para mensurar a qualidade da mistura”, mas antes de enviar para laboratório, passe uma amostra na peneira Penn State e cheque se a distribuição de fibras está uniforme para o início, meio e fim do descarregamento.

Fixado o tempo ideal, amostre seguindo os passos recomendados e envie o laboratório de sua confiança para uma análise mais precisa. Lembre-se que o uso da distribuição de fibra é apenas um norteamento para o ajuste, mas as chances de erros são bem maiores do que as análises químicas. Uma dieta desbalanceada pode representar resultados aquém do esperado.

6 passos para mensurar a qualidade da mistura

A amostra que será enviada para laboratório deve representar a batida, e a forma como fazemos isso impacta diretamente nos resultados. O passo a passo abaixo pode ser conduzido de forma simples e bastante eficiente.

Passo 1: Após a batida, selecione 3 cochos para serem amostrados, sendo o primeiro cocho, um cocho intermediário, e o último cocho do descarregamento.

Passo 2: Assim, que a ração for distribuída, caminhe na frente do cocho coletando amostras, utilizando um equipamento em forma de concha ou a própria mão fazendo formato de concha. Faça a coleta antes dos animais terem acesso à comida para evitar seleção e contaminação pela saliva do animal.

Passo 3: Colete 1 amostra (mão cheia) a cada 5-10 metros, dependendo do tamanho do cocho, e coloque-as em um balde limpo. Alterne coletas no fundo, no meio e no topo da pilha de alimento, evitando pegar ração que tenha sobrado do dia anterior. Garanta de 5 a 10 amostras por cocho.

Passo 4: Após terminar a coleta no primeiro cocho, misture bem o conteúdo do balde, vire o balde em uma superfície limpa e reparta a amostra em 4 partes. Selecione 1 parte e repita a repartição. Faça esse procedimento até obter uma amostra de 200-500 gramas.

Passo 5: Coloque a amostra em um saco e lacre, identificando a amostra com o tipo de ração, batida e data da coleta. Envie para laboratório em até 24 horas para análise de algum componente da dieta de baixa inclusão, como por exemplo, zinco, ionóforo, cálcio. Pode-se analisar o teor de proteína, mas nesse caso a precisão será menor.

Passo 6: Faça o mesmo procedimento com os outros dois cochos. Quando você receber os resultados, compare o percentual de variação entre as 3 amostras da mesma batida.

Coleta de amostra de alimentoDemonstração da posição da mão durante a coleta de amostra para evitar perder partículas de alimento, obtendo amostras mais representativas. Fonte:  Arquivo pessoal de Dra. Andrea Mobiglia, consultora e coordenadora de ensino da Pecuária de Corte do Rehagro. 

Dicas rápidas para evitar erros

Seguindo as etapas citadas, é possível atingir a máxima eficiência do nosso sistema em proporcionar uma dieta homogênea, mais próxima possível da formulada e por consequência, desempenho animal esperado.

Deixamos aqui algumas dicas rápidas para evitar erros e desperdícios:

  • Lembre-se que ração com maior quantidade de volumoso exige maior capacidade do vagão;
  • Selecionar o misturador ideal depende de vários fatores, avalie os prós e contras e acordo com sua necessidade e condições de investimento;
  • O número de cabeças alimentadas e o operacional de cada fazenda irá determinar o tamanho do misturador e o número de carregamentos;
  • Faça um teste para cada tipo de ração para determinar o tempo de mistura ideal. Rações com maior quantidade de volumosos tendem a requerer mais tempo de mistura;
  • Treine seus colaboradores para melhor eficiência da operação, uso adequado dos equipamentos e, principalmente, para padrões de segurança.

A qualidade da mistura é um entre muitos pontos de atenção necessários para alcançarmos alta eficiência na nutrição, que pode representar mais de 70% dos custos de produção na pecuária de corte.

Para o pecuarista que deseja aumentar sua margem de lucro, mas não sabe por onde começar, planejar melhor a estratégia nutricional do rebanho pode ser um ótimo caminho.

Além disso, outros pilares como a reprodução, a sanidade, o manejo de pastagens e a gestão financeira da fazenda também devem andar juntos, sendo a base do sucesso de qualquer operação.

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Andrea Mobiglia

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Como ter eficiência na produção de leite em épocas de altos preços de insumos? https://blog.rehagro.com.br/dicas-para-auxiliar-na-producao-de-leite-em-epocas-de-altos-precos-de-insumos/ https://blog.rehagro.com.br/dicas-para-auxiliar-na-producao-de-leite-em-epocas-de-altos-precos-de-insumos/#comments Tue, 23 Nov 2021 17:37:01 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9509 Há uma máxima na pecuária leiteira que diz que um bom produtor de leite deve ser, em primeiro lugar, um bom agricultor. Os números e as cifras relacionados à atividade leiteira podem explicar essa premissa, visto que o custo alimentar representa em torno de 50% do custo de produção de leite. Ou seja, a habilidade […]

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Há uma máxima na pecuária leiteira que diz que um bom produtor de leite deve ser, em primeiro lugar, um bom agricultor. Os números e as cifras relacionados à atividade leiteira podem explicar essa premissa, visto que o custo alimentar representa em torno de 50% do custo de produção de leite.

Ou seja, a habilidade em produzir comida de qualidade para as vacas tende a flexibilizar o custo de produção e, consequentemente, refletir de forma positiva no caixa da fazenda.

Contudo, mesmo tendo competência para produzir comida, ainda assim torna-se necessário recorrer ao mercado para adquirir outros insumos que compõem a dieta do rebanho leiteiro.

Oscilações habituais nos preços dos insumos são esperadas em determinadas épocas do ano. No entanto, o mercado está sujeito a variações atípicas que nem sempre podem ser previstas. Estes fatos exigem dos produtores e dos técnicos um profissionalismo e uma capacidade de planejamento da atividade cada vez mais aprimorada, visando sempre a eficiência de produção com maior retorno do negócio.

Acompanhe este texto e veja algumas dicas que podem auxiliar na eficiência da produção de leite em épocas de altos preços de insumos.

 

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Utilização de alimentos alternativos

Milho e soja são alimentos extremamente nutritivos para as vacas leiteiras e figuram como os principais componentes da dieta quando se pensa em concentrados energéticos e proteicos. Em épocas de milho e soja caros, buscar alimentos alternativos a eles ou que complementam a dieta representa uma opção interessante.

Entretanto, realizar estas alterações e adaptações na dieta não é uma tarefa fácil. Além do preço, variáveis como disponibilidade e qualidade nutricional do alimento substituto, níveis de inclusão e impacto da substituição no desempenho animal devem ser consideradas e analisadas. Planejar as compras e negociar bem os produtos também são dois pontos que interferem diretamente em situações como esta.

Confira abaixo alguns alimentos que podem ser utilizados como fontes alternativas na dieta de bovinos leiteiros.

Sorgo

Igualmente ao milho, os grãos de sorgo também são fonte de amido para os animais. No entanto, o amido do sorgo possui menor disponibilidade e menor digestibilidade em relação ao milho.

Uma das estratégias utilizadas para melhorar a digestibilidade do sorgo consiste no processamento dos grãos por moagem fina, associado ou não à confecção de silagem de grão úmido reidratado de sorgo.

O teor energético do sorgo seco, por exemplo, equivale a 80% do milho seco, sendo ambos processados com moagem fina (< 600 micras). Já o sorgo reidratado é equivalente ao milho seco com moagem fina e corresponde a cerca de 90% do milho reidratado.

Lavoura de sorgoLavoura de sorgo. Fonte: Embrapa

Vale ressaltar que para que o sorgo tenha o efeito de ensilagem, o tempo mínimo de estocagem deve ser de 60 dias e com granulometria fina.

Uma das características chamativas do sorgo é o seu preço, comumente inferior ao do milho. Em cenários de altos preços de milho e grande oferta de sorgo, a análise comparativa pode ser interessante.

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Resíduo de cervejaria

O resíduo de cervejaria consiste em um subproduto da indústria, o qual pode se apresentar na forma seca (25 – 30% de matéria seca) ou úmida (10 – 15% de matéria seca).

As suas características nutricionais chamam atenção para bons teores de proteína não degradável no rúmen (PNDR) e perfil considerável de aminoácidos essenciais, principalmente metionina e lisina.

A proximidade à polos e indústrias cervejeiras tende a ser um fator limitante do uso deste alimento nas propriedades, devido ao custo com frete associado ao transporte e armazenamento deste material com maiores teores de umidade.

Cevada Cevada. Fonte: CTRH

Polpa cítrica

Outro subproduto frequentemente utilizado como alimento alternativo nas dietas de bovinos é a polpa cítrica, oriunda da indústria de cítricos e que é processada e entregue na forma peletizada nas propriedades leiteiras.

O seu uso está baseado principalmente nos teores de pectina, carboidrato fermentável de rápida degradação ruminal capaz de substituir parcialmente o amido.

Por ser um alimento capaz de reter umidade do ambiente, durante o seu processamento na indústria é adicionado hidróxido (ou óxido) de cálcio em sua composição para auxiliar na secagem do produto. Este fato remete a dois pontos de atenção para o manuseio da polpa cítrica nas fazendas leiteiras.

  1. O armazenamento deste alimento que deve ser feito em local seco e bem ventilado devido a capacidade de retenção de umidade;
  2. Devido aos seus teores de cálcio, não sendo recomendado o uso em dietas de vacas em pré-parto.

Ao analisar o custo da polpa cítrica nota-se ser competitivo com o custo do milho boa parte das vezes. Além disso, o período de sua maior disponibilidade no mercado ocorre no período de entressafra dos grãos, o que torna o seu uso ainda mais interessante.

Polpa cítrica peletizadaPolpa cítrica peletizada. Fonte: Cutrale

Caroço de algodão

O caroço de algodão possui características peculiares, dado que sua composição energética é elevada e em sua cápsula externa há uma pluma, também conhecida como linter, que contribui para a efetividade da fibra na dieta, auxiliando na saúde ruminal.

O conteúdo energético deste alimento se deve praticamente ao seu alto teor de óleo, compelindo restrições importantes em sua inclusão na dieta para que não ocorram efeitos negativos na funcionalidade dos microrganismos ruminais e, como consequência, na síntese de gordura do leite pela glândula mamária.

Caroço de algodãoCaroço de algodão. Fonte: Andrea Mobiglia, Grupo Rehagro

DDG (Dry Distillers Grains)

O DDG, sigla para grãos secos de destilaria, trata-se de um subproduto do milho que apresentou uma expansão relativamente recente em seu uso nas fazendas leiteiras do Brasil devido ao aumento da produção nacional de etanol à base deste cereal.

As características energéticas e proteicas deste alimento são atrativas para sua inclusão nas dietas dos animais, podendo ser uma alternativa tanto ao milho quanto ao farelo de soja, por exemplo, ou até mesmo ser utilizado em combinação.

Uma observação importante a respeito deste produto é o seu teor proteico elevado. O processo de fermentação ao qual o milho é submetido para produção de etanol derivando o DDG pode fornecer leveduras para o produto, melhorando o seu perfil de aminoácidos.

Produção de volumoso de qualidade

A nutrição de vacas leiteiras não se resume apenas na oferta de concentrados. Pelo contrário, grande parte da quantidade total da dieta é composta por volumosos, sendo a silagem de milho um dos mais praticados e de maior valor nutricional.

Quando elaborada com planejamento, gerenciamento e de forma adequada, a silagem de milho apresenta dois pontos principais que contribuem de forma considerável para a qualidade e o custo da dieta. São eles:

  1. Ótimo teor de amido que reduz a necessidade de grandes suplementações com concentrados energéticos;
  2. Fibra fisicamente efetiva capaz de estimular a ruminação e a saúde do rúmen.

A produção de silagem de qualidade começa bem antes do plantio da semente. Ela depende também do manejo de fertilidade do solo, do local e da época para a realização do plantio, da escolha do híbrido adequado e do preparo e ajuste do maquinário necessário. Com todas estas variáveis alinhadas, maior é a tendência da silagem obter teores ótimos de amido e bons perfis de fibra fisicamente efetiva.

Webinar silagem de milho

Monitorar o ponto de colheita da lavoura é um detalhe de extrema importância para a qualidade da silagem. Caso ultrapasse o período ideal de colheita, a planta de milho acumula matéria seca (MS), reduz o teor de fibra em detergente neutro (FDN), aumenta os teores de lignina e reduz a sua digestibilidade.

Veja o gráfico a seguir. Nele está representada a relação do estágio de maturidade do milho com os teores de MS, amido e FDN.

Estágio de maturidade do milho

Gráfico 1 – Relação do estágio de maturidade do milho com os teores de matéria seca (MS), amido e fibra em detergente neutro (FDN). Fonte: Bal et al., 1997

Nos estágios iniciais de desenvolvimento a planta de milho possui os grãos pouco preenchidos por amido. Já no estágio de maturidade fisiológica, o teor de MS encontra-se elevado e a planta aumenta o teor de lignina em suas estruturas, fato que reduz sua digestibilidade por parte das vacas.

Assim sendo, o ponto ideal para a colheita do milho para silagem é quando a planta atinge entre 34 e 38% de MS e de 1/2 a 2/3 do grão preenchido por amido. Neste ponto o milho apresenta o maior acúmulo de amido e o menor teor de fibra.

Lavouras com boa saúde fitossanitária, boa nutrição e que não passaram por eventos extremos de estresse hídrico são capazes de atingir estes valores. No entanto, deve-se estar ciente que variações podem ocorrer em função do híbrido utilizado.

Após a silagem ter sido adequadamente colhida, compactada e armazenada, torna-se necessário enviar amostras do material ensilado para analisar a bromatologia e certificar a sua qualidade.

Para realizar a amostragem, o recomendado é que uma faixa de silagem seja removida do topo até a base do silo, em toda sua largura. Desta silagem removida, coletar 8 ou mais amostras em pontos aleatórios, colocando-as em um balde. Despejar as amostras em uma superfície limpa, separá-las em 4 partes iguais e enviar uma das partes para o laboratório.

Conclusão

Em épocas de elevação no preço dos insumos, ampliar a variedade de opções nutricionais consiste em um bom caminho. Isto deve ser feito de modo que seja viável para a fazenda e para os animais, sem que ocorram perdas na qualidade da dieta e queda no desempenho dos lotes.

Conforme discutido ao longo do texto, o uso de subprodutos representa uma oportunidade interessante. O recomendado é que a inclusão de qualquer subproduto na dieta de vacas leiteiras seja feita mediante o resultado de análises bromatológicas realizadas em laboratórios de referência, visto que estes alimentos passam por processamentos prévios e, portanto, podem apresentar variações consideráveis em seus teores nutricionais.

Além disso, e não menos importante, a inclusão deve ser feita respeitando os níveis nutricionais determinados para cada categoria animal e de acordo com a orientação do nutricionista responsável pela propriedade.

Aqui no Rehagro, temos a Pós-Graduação em Nutrição de Bovinos Leiteiros, que aborda de forma aprofundada as estratégias nutricionais que podem ajudá-lo a otimizar os custos, conduzir rebanhos à alta produtividade e aumentar a margem de lucro do produtor.

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Bruno Guimarães

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Dieta líquida de bezerras leiteiras: principais considerações https://blog.rehagro.com.br/consideracoes-sobre-a-dieta-liquida-de-bezerras-leiteiras/ https://blog.rehagro.com.br/consideracoes-sobre-a-dieta-liquida-de-bezerras-leiteiras/#respond Mon, 23 Aug 2021 15:00:24 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8090 Um plano nutricional bem estabelecido para as bezerras leiteiras representa um ponto primordial para garantia da saúde e crescimento pleno do animal. Tanto a dieta sólida quanto a dieta líquida atuam, primeiramente, na colonização do trato digestivo, e em seguida, no desenvolvimento dos órgãos relacionados a digestão de alimentos e absorção de nutrientes. Assim como […]

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Um plano nutricional bem estabelecido para as bezerras leiteiras representa um ponto primordial para garantia da saúde e crescimento pleno do animal.

Tanto a dieta sólida quanto a dieta líquida atuam, primeiramente, na colonização do trato digestivo, e em seguida, no desenvolvimento dos órgãos relacionados a digestão de alimentos e absorção de nutrientes.

Assim como em outras áreas da criação de bezerras, a nutrição também possui certas crenças que precisam ser desmistificadas, a exemplo da narrativa incorreta de que a oferta de água às bezerras recém-nascidas deve ser feita somente a partir da desmama.

 

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Colostro

Entende-se como colostro a primeira secreção láctea das fêmeas mamíferas logo após o parto, sendo responsável principalmente por fornecer energia e imunidade passiva.

O consumo desta secreção por parte da bezerra imediatamente após o nascimento está associado a proteção do organismo pela transmissão de imunoglobulinas, uma vez que o tipo de placenta dos bovinos não permite a passagem de grandes moléculas. É por isso que o fornecimento de colostro é de suma importância para garantir que os bezerros obtenham as imunoglobulinas e outras proteínas séricas maternas.

Além da oferta imunológica e proteica, uma outra função do colostro é o fornecimento de energia, vitaminas e minerais para o bezerro recém-nascido.

O ideal é que o colostro seja oferecido duas vezes ao longo do primeiro dia de vida da bezerra, sendo a primeira oferta nas primeiras 6 horas de vida da bezerra na quantidade de 10% do peso corporal, e a segunda oferta na quantidade de 5% do peso corporal cerca de 12 horas após a primeira colostragem.

Banco de colostro

Banco de colostro. (Fonte: Grupo Rehagro).

Dieta líquida para bezerras

Alguns dos fatores relevantes quando se discute sobre dietas líquidas para as bezerras referem-se à qualidade e a quantidade fornecidas para essa categoria animal.

O fornecimento de leite na maneira correta auxilia no bom desenvolvimento e desempenho dos animais, promovendo assim um ganho de peso adequado e uma diminuição de doenças, como diarreia e pneumonia. A seguir serão abordados alguns aspectos relacionados a oferta de dieta líquida às bezerras leiteiras.

Temperatura

A temperatura em que o alimento líquido é fornecido é muito importante, pois quando se tem o fornecimento da dieta líquida em uma temperatura abaixo de 10º C o animal precisará gastar energia para aquecer tanto o seu organismo quanto o alimento ingerido.

Com isso, parte da energia que seria utilizada para crescimento terá que ser direcionada para regular a temperatura, havendo assim uma redução no desempenho do animal provocado por esse gasto energético.

O ideal é que, durante a oferta, o leite apresente temperatura próxima a temperatura do corpo do animal (aproximadamente 39ºC), pois isto influencia no processo de digestão e absorção, além de estimular o reflexo de fechamento da goteira esofágica.

Frequência

Para definição da frequência de aleitamento deve-se levar em consideração a influência na vida do animal e no manejo geral da propriedade. Fornecimentos realizados uma vez ao dia podem aumentar o estresse nos animais, aumentar os casos de diarreia e ocasionar distúrbios que acometem o abomaso, por exemplo.

Recomenda-se que esse tipo de manejo alimentar seja evitado nos animais que possuem um consumo mais restrito de leite. O mais indicado é que o aleitamento seja feito no mínimo duas vezes ao dia, pois isso proporciona melhor aproveitamento da dieta e reduz o estresse do animal.

Volume

Os sistemas de aleitamento mais conhecidos que determinam o volume de leite ofertado às bezerras são o sistema convencional e o intensivo, tendo esse último as suas subdivisões.

No sistema convencional o fornecimento de leite é de cerca de 10% do peso corporal do animal (aproximadamente 4 litros/animal/dia), caracterizando-se por contribuir para um desaleitamento e um consumo de concentrado mais precoce devido a ingestão reduzida.

Neste caso, as exigências nutricionais do animal geralmente não são totalmente atendidas, sendo necessário o consumo de outros alimentos para suprir a demanda.

Outro aspecto desse tipo de manejo de aleitamento é a redução de custos com a nutrição, pois o principal fator que encarece a dieta dessa categoria animal é justamente a quantidade de leite designada para a alimentação das bezerras. Entretanto, esse manejo de aleitamento convencional está caindo em desuso por levar a baixos ganhos de peso e ao aumento na incidência de doenças.

No sistema de aleitamento intensivo as bezerras recebem um volume de leite de 15% ou até mais de 20% do seu peso corporal, o que favorece o ganho de peso e a futura produção de leite. No caso do sistema intensivo à vontade o consumo de leite é liberado, podendo chegar a mais de 20% do peso do animal, sendo fornecidos de 6 a 12 litros/dia ou tendo o aumento nos teores de sólidos da dieta líquida.

Nessas formas de aleitamento o desmame é dificultado, pois o animal tem a sua ingestão de dieta sólida reduzida pelo grande volume de leite consumido.

No sistema intensivo, o animal recebe volumes maiores de leite no início, e, de forma gradativa, a quantidade de leite fornecido vai sendo reduzida, o que leva o animal a consumir mais alimentos sólidos. Com isso, não ocorre prejuízo no desaleitamento dos animais.

E-book criação de bezerras leiteiras

Tipos de alimentos da dieta líquida

Leite integral

É um dos alimentos que promovem o melhor desempenho dos bezerros devido ao alto valor nutritivo, sendo considerado o principal alimento para a alimentação dessa categoria.

Devido ao leite integral ser o principal produto utilizado na comercialização das propriedades, geralmente, a sua utilização deve ser bem planejada para que seja financeiramente viável para o sistema.

Leite impróprio para venda

Não é incomum que o leite impróprio para a venda seja fornecido para as bezerras, entretanto essa prática pode ser prejudicial para os animais que consomem esse tipo de produto.

Geralmente, o leite proveniente de vacas doentes que se encontram em tratamento medicamentoso é fornecido para as bezerras, sendo que esse tipo de leite pode apresentar alta quantidade bacteriana, acarretando em algumas patologias, como a diarreia.

Outro problema associado a utilização do leite dessas vacas é que o tratamento com antibióticos pode levar a resíduos desses produtos no leite, fazendo com que os bezerros ingiram os resíduos, contribuindo assim para ocorrência de resistência bacteriana.

O leite proveniente de vacas com mastite possui um teor de nutrientes variáveis e uma baixa qualidade microbiológica, por isso esses tipos de leite não são indicados aos animais muito novos.

Sucedâneos lácteos

Um dos problemas relacionados ao uso de sucedâneo é o alto teor de fibra e de amido presente na formulação de alguns produtos comerciais, além da adição de gorduras e proteínas de baixo aproveitamento pelo animal, que quando somados podem gerar problemas intestinais nos bezerros.

Os sucedâneos não lácteos são produzidos com extratos vegetais, e uma das possíveis matérias-primas é a soja, caracterizada pela baixa digestibilidade que ocasiona um baixo desempenho do animal.

Outro fator que deve ser levado em conta com a utilização da soja são os fatores anti-nutricionais que podem levar a reações alérgicas intestinais, provocando diarreias nos animais. Já no caso dos sucedâneos lácteos há alguns subprodutos advindos do soro. Essas fontes não possuem fatores anti-nutricionais, como ocorre com as fontes de proteína vegetal.

Água para bezerros

O fornecimento de água para os bezerros deve ser iniciado logo nos primeiros dias de vida, devido a água ser um componente essencial para o organismo dos animais e de extrema importância em todos os processos fisiológicos.

Dentre todos os componentes da nutrição, a água é considerada como sendo o de maior importância justamente pela capacidade de limitar o consumo dos demais componentes caso não seja ingerida. A sua participação vai desde a dessedentação dos animais, termorregulação corporal, até o auxílio no desenvolvimento ruminal por criar um ambiente aquoso propício para fermentação bacteriana.

Independente da época do ano e da temperatura, a ingestão de água pelos bezerros torna-se imprescindível para estimular o consumo de alimentos secos. O consumo de matéria seca pelos bezerros está diretamente ligado à ingestão de água, e caso a ingestão de água seja reduzida, o consumo de matéria seca também será reduzido.

Bebedouro com água limpa para bezerras

Oferta de água de qualidade para bezerras. (Fonte: Bruno Guimarães, Grupo Rehagro).

A manutenção da limpeza e higiene dos bebedouros consiste em outro ponto importante. Um estudo mostrou que no lote onde houve uma limpeza diária dos baldes para fornecimento de água os animais obtiveram um resultado de 9% a mais na eficiência no desmame quando comparados aos bezerros que tiveram seus baldes de fornecimento limpos a cada duas semanas (6%).

Outro efeito positivo promovido pela higiene dos bebedouros foi o ganho de peso com 160-170 dias, mostrando que o ganho de peso durante o período de crescimento desses animais foi mais satisfatório. Quando a água ofertada aos animais é de baixa qualidade, a ingestão hídrica é reduzida, e, consequentemente, acarretará numa redução do consumo de matéria seca e no desenvolvimento dos animais.

A boa higiene dos bebedouros também faz com que a presença de algumas doenças seja evitada, como no caso de parasitoses e de algumas infecções bacterianas e virais que podem ocorrer pela falta de higiene dos bebedouros.

A supervisão laboratorial da água utilizada na propriedade deve ser feita em uma frequência mínima semestral. O recomendado é que amostras sejam coletadas em pontos diversos da rede de distribuição. Por exemplo, coletar amostras da fonte de captação, dos encanamentos, da caixa d’água, dos bebedouros etc.

Este procedimento torna-se necessário para que o monitoramento da qualidade da água seja bem estratificado, abordando todos os possíveis pontos de contaminação da propriedade. O ideal é que seja solicitado a realização de análises dos parâmetros físicos, químicos e microbiológicos.

Tabela com parâmetros para análise da qualidade da água para bezerras

Além do monitoramento em frequência mínima semestral, o tratamento da água na propriedade com produtos específicos torna-se interessante. Vários técnicos e produtores, por exemplo, têm adotado a ação de utilizar pedras de cloro nas caixas d’água visando o controle microbiológico.

A quantidade de cloro a ser adicionada na água é variável, devendo ser feita uma análise química previamente. Associado à adição do cloro a água, deve-se realizar a limpeza dos bebedouros com o objetivo de evitar a propagação de lodo, visto que uma quantidade excessiva de matéria orgânica pode inativar o produto químico.

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Bruno Guimarães

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Misturadores e qualidade de mistura para rações https://blog.rehagro.com.br/misturadores-e-qualidade-de-mistura-para-racoes/ https://blog.rehagro.com.br/misturadores-e-qualidade-de-mistura-para-racoes/#respond Tue, 08 Jun 2021 17:19:49 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9347 Desempenho aquém do esperado e aumento na incidência de desordens metabólicas, mesmo em dietas bem formuladas, são alguns dos problemas observados quando os animais conseguem selecionar e ingerir apenas alguns alimentos específicos da dieta, deixando outros de lado. Isso ocorre quando sua mistura não é realizada corretamente, o que pode ser evitado pelo uso dos […]

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Desempenho aquém do esperado e aumento na incidência de desordens metabólicas, mesmo em dietas bem formuladas, são alguns dos problemas observados quando os animais conseguem selecionar e ingerir apenas alguns alimentos específicos da dieta, deixando outros de lado.

Isso ocorre quando sua mistura não é realizada corretamente, o que pode ser evitado pelo uso dos misturadores.

Existem diversos modelos e tipos de sistemas de mistura no mercado, cada um com sua especificidade.

Neste e-book, você irá entender os benefícios e gargalos de cada um deles. Também verá o passo a passo para garantir a qualidade de mistura para rações, obtendo eficiência máxima no processo.

E-book Misturadores de ração

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As aulas são dinâmicas, com duração de 15 minutos por dia e encontros online ao vivo para tirar todas as dúvidas dos alunos.

O conteúdo vai direto ao ponto: como realizar a gestão dos principais pilares da pecuária lucrativa com o objetivo de ampliar a lucratividade do negócio.

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Gestão na Pecuária de Corte

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Estratégias para aumento da lucratividade na pecuária baiana https://blog.rehagro.com.br/estrategias-para-aumento-da-lucratividade-na-pecuaria-baiana/ https://blog.rehagro.com.br/estrategias-para-aumento-da-lucratividade-na-pecuaria-baiana/#respond Fri, 26 Mar 2021 15:00:25 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9046 Em dezembro de 2020, fizemos um webinar especial! O tema foi extremamente relevante para quem atua na pecuária de corte no estado da Bahia: “Estratégias para aumento da lucratividade na pecuária baiana”. Esta palestra gratuita foi feita por nós, Grupo Rehagro, em parceria com o 3RLab. Para falar sobre o assunto, contamos com um especialista […]

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lucratividade na pecuária baiana

Em dezembro de 2020, fizemos um webinar especial! O tema foi extremamente relevante para quem atua na pecuária de corte no estado da Bahia: “Estratégias para aumento da lucratividade na pecuária baiana”. Esta palestra gratuita foi feita por nós, Grupo Rehagro, em parceria com o 3RLab.

Para falar sobre o assunto, contamos com um especialista renomado que atua diretamente na região:

  • Danilo Oliveira, médico veterinário e coordenador do Rehagro consultoria nordeste.

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Gestão da nutrição – o que avaliar na prática? https://blog.rehagro.com.br/gestao-da-nutricao-o-que-avaliar-na-pratica/ https://blog.rehagro.com.br/gestao-da-nutricao-o-que-avaliar-na-pratica/#comments Wed, 24 Mar 2021 13:00:28 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9042 Em novembro de 2020, fizemos um webinar especial! O tema foi extremamente relevante para produtores, técnicos, veterinários e todos os profissionais que atuam na pecuária leiteira: “Gestão da nutrição – o que avaliar na prática?”. Esta palestra gratuita foi feita por nós, Grupo Rehagro, em parceria com o 3RLab. Para falar sobre o assunto, contamos […]

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Gestão da nutrição

Em novembro de 2020, fizemos um webinar especial! O tema foi extremamente relevante para produtores, técnicos, veterinários e todos os profissionais que atuam na pecuária leiteira: “Gestão da nutrição – o que avaliar na prática?”. Esta palestra gratuita foi feita por nós, Grupo Rehagro, em parceria com o 3RLab.

Para falar sobre o assunto, contamos com um especialista renomado:

  • Ricardo Peixoto, Doutor em Ciências Veterinárias com foco em produção animal, consultor sênior e coordenador da Pós-graduação em Pecuária do Rehagro.

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Bovinocultura de corte: utilização de coprodutos na nutrição https://blog.rehagro.com.br/co-produtos-na-bovinocultura-de-corte/ https://blog.rehagro.com.br/co-produtos-na-bovinocultura-de-corte/#respond Mon, 22 Mar 2021 12:45:13 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9037 Em 2020, fizemos um webinar especial! O tema foi extremamente relevante para profissionais que atuam na pecuária de corte: “Utilização de coprodutos na bovinocultura de corte”. Esta palestra gratuita foi feita por nós, Grupo Rehagro, em parceria com o 3RLab. Para falar sobre o assunto, contamos um especialista bastante reconhecido no mercado: Prof. Antônio Branco, […]

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Em 2020, fizemos um webinar especial!

O tema foi extremamente relevante para profissionais que atuam na pecuária de corte: “Utilização de coprodutos na bovinocultura de corte”. Esta palestra gratuita foi feita por nós, Grupo Rehagro, em parceria com o 3RLab.

Para falar sobre o assunto, contamos um especialista bastante reconhecido no mercado: Prof. Antônio Branco, Expert em Nutrição de Ruminantes. PHD.

Se você não teve a oportunidade de assistir a discussão, clique no link abaixo:

Coprodutos na bovinocultura de corte

Dica extra!

Aqui no Rehagro, temos o Curso Online Gestão na Pecuária de Corte, que é uma capacitação que reúne a solução para os maiores problemas que os pecuaristas enfrentam na nutrição, reprodução, sanidade, gestão financeira e de equipes, comercialização, em todos os sistemas de criação.

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Gestão na Pecuária de Corte

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Produtividade e consumo de bovinos no pasto: veja fatores que interferem https://blog.rehagro.com.br/consumo-de-bovinos-a-pasto/ https://blog.rehagro.com.br/consumo-de-bovinos-a-pasto/#comments Tue, 10 Nov 2020 15:00:35 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8500 As interações que ocorrem entre os animais e a planta, em uma pastagem, podem proporcionar efeitos positivos e/ou negativos em ambos. A seleção realizada pelos animais em pastejo é um dos efeitos negativos que ocorrem no pasto e está diretamente relacionado com o consumo de bovinos, uma vez que as características e a estrutura do […]

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As interações que ocorrem entre os animais e a planta, em uma pastagem, podem proporcionar efeitos positivos e/ou negativos em ambos.

A seleção realizada pelos animais em pastejo é um dos efeitos negativos que ocorrem no pasto e está diretamente relacionado com o consumo de bovinos, uma vez que as características e a estrutura do pasto afetam o consumo por bocado.

Essa seleção pode estar associada ainda à contaminação do local por fezes e urina, à localização de água e sombreamento, que também podem influenciar o pastejo e seleção pelo animal (Sollenberger e Vanzant, 2011). A ingestão diária de forragem é uma função da taxa de consumo e o tempo de pastejo (Sollenberger et al., 2013).

 

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A produtividade animal de animais em pastejo é determinada pelo consumo de matéria seca, que é influenciado por uma série de fatores separados em três importantes grupos:

  1. Processo de digestão que estão relacionados com a maturidade da forragem, valor nutritivo e digestibilidade;
  2. Fatores da ingestão que estão associados à estrutura do pasto (facilidade de apreensão e colheita de forragem durante o pastejo);
  3. Estágio fisiológico e nível de desempenho dos animais, que estão associados aos requerimentos nutricionais e demanda por nutrientes.

De modo geral, a variável resposta, tanto das plantas forrageiras como dos animais são dependentes da estrutura do pasto e da interação com o animal, sendo esta fundamental na tomada de decisão do manejo da pastagem para favorecer o consumo de matéria seca.

Mas afinal, quais seriam os fatores relacionados às características estruturais do pasto que influenciam o consumo de matéria seca por bovinos em pastejo? Como mensurá-las e utilizá-las para aumentar a produtividade animal?

Além de conhecer quais são esses fatores e como eles interferem na produtividade, vamos entender nesse texto, quais os impactos que o manejo incorreto imprimem nos sistemas de produção.

Estrutura do pasto

A estrutura do pasto pode ser definido como arranjo e distribuição das plantas sobre o solo em um mesmo ambiente (Laca e Lemaire, 2000), sendo esta importante, por determinar a facilidade de apreensão dos componentes da planta, e isso pode afetar a quantidade ingerida de nutrientes.

Estrutura de pastagemFonte: arquivo pessoal Zootecnista Patricia Rodrigues

A relação folha/colmo, índice de área foliar, massa de forragem, densidade de folhas verdes e altura média são componentes da estrutura do pasto responsáveis por influenciar a ingestão de forragem pelos animais, pois alteram as variáveis do comportamento ingestivo (Mayne et al., 2000; Gontijo et al., 2006).

Na dimensão vertical, a altura e a distribuição dos componentes (folha, colmo) são as principais variáveis, e na dimensão horizontal é a massa de forragem, sendo essas as variáveis mais importantes que devem ser consideradas na avaliação da estrutura (Cabral et al., 2011).

Altura do pasto

Maiores alturas implicam em maturidade da planta e alongamento de colmo, havendo progressiva lignificação, que confere aumento na força de ruptura (Jacobs et al., 2011) e induz os animais a selecionarem a forragem a ser consumida, reduzindo a massa do bocado e aumentando o tempo por bocado.

Com isso a taxa de consumo diminui, devido às limitações da estrutura do pasto (Benvenutti et al., 2009), ou seja, alta presença de colmos podem ser uma barreira física ao processo de pastejo, dificultando o consumo (Casagrande et al., 2010).

A altura do pasto na condição de pré-pastejo apresenta alto grau de associação com os valores de interceptação luminosa pelo dossel, conforme observado em pesquisas realizadas com forrageiras tropicais.

Altura de espécies forrageiras Altura de pré-pastejo de espécies forrageiras sob lotação intermitente com base em 95% IL. 

Dessa forma, estratégias de manejo determinadas pelo controle de altura do pasto é uma variável consistente para determinar as respostas da pastagem e dos animais, em estudos sobre taxa de ingestão de forragem.

Assim, torna-se mais prático entender as modificações na estrutura do pasto, e das respostas dos animais a essas variações.

Altura do pastoFonte: arquivo pessoal Zootecnista Patricia Rodrigues. 

Massa de forragem

A massa de forragem pode ser definida como peso total de forragem por unidade de área, acima da altura de corte do capim, sendo usualmente expressa em kg/ha de MS.

Conhecer as diversas variações de massa de forragem entre espécies de forrageiras é importante para tomada de decisões do manejo do pastejo (Pellegrini et al., 2010).

Pastagem desenvolvidaFonte: arquivo pessoal Zootecnista Patricia Rodrigues. 

A partir do momento que 95% de toda a luz incidente é interceptada pela planta, a produção de folhas velhas aumenta e de folhas novas diminui, causando redução no acúmulo de folhas e intenso acúmulo de colmo e material senescente.

Nessa situação, a altura e a massa de forragem dos pastos aumentam, porém o valor nutritivo fica comprometido por apresentar menores proporções da parte mais digestível (folhas).

Webinar Manejando Pastagens

Relação folha:colmo

Uma relação folha:colmo elevada, pode caracterizar uma planta com maior teor de proteína e boa digestibilidade o que confere boa aceitabilidade pelos animais e alta ingestão.

Análise de folhas da pastagemFonte: arquivo pessoal Zootecnista Patricia Rodrigues. 

As folhas representam o componente com maior quantidade de tecidos não lignificados, como mesófilo, o que confere melhor qualidade nutricional e menor tempo de retenção no rúmen, consequentemente maior taxa de passagem (Humphreys, 1991).

O colmo apresenta maior presença de tecidos lignificados (epiderme e esclerênquima) onde menos de 50% da parede é prontamente digestível e utilizada pelo animal, o que compromete a eficiência de pastejo, como consequência da redução na relação folha:colmo.

Por isso, a relação folha:colmo pode atuar também como indicador da facilidade de apreensão da forragem pelo animal (Paula et al., 2012).

Relação folha colmo Fonte: Senar. 

O comportamento ingestivo de animais em pastejo é sensível a variações na estrutura do pasto (Palhano et al., 2007), onde qualquer falha ocorrida no dimensionamento da oferta de forragem pode repercutir em amplo impacto no desempenho animal.

A quantidade e qualidade de massa verde produzida é determinada pelo acúmulo de forragem que ocorre durante o período de rebrotação das plantas (pós pastejo) (Pedreira et al., 2009).

Em lotação rotativa, após a saída dos animais dos piquetes, o pasto começa a rebrotar, visando recompor a área foliar, interceptar luz e crescer novamente, acumulando nova quantidade de forragem para ser utilizada no próximo pastejo (Da Silva, 2009).

Dessa maneira, a interceptação luminosa (IL), associada à altura, tem sido a estratégia mais usada para manejar pastagens sob lotação rotativa, visando controlar as características estruturais do pasto (Pedreira et al., 2007).

Consumo de matéria seca

O consumo total de forragem de um animal em pastejo é o resultado do acúmulo de forragem consumida em cada bocado, e da frequência com que realiza, durante todo tempo em que passa se alimentando (Carvalho et al., 2009).

A ingestão de forragem por bocado é muito sensível a variações na estrutura no pasto particularmente na sua altura (Coleman, 1992). Quando a massa do bocado é reduzida, ocorre queda correspondente na taxa de consumo, a menos que um incremento compensatório na taxa de bocados seja observado.

Desse mesmo modo, o consumo diário de forragem também será afetado se qualquer redução na taxa de consumo não puder ser compensada por um incremento no tempo de pastejo.

Consumo de bovinos a pastoFonte: arquivo pessoal Zootecnista Patricia Rodrigues.

Os fatores associados à estrutura do pasto, bem como ao comportamento ingestivo dos animais, incluem seleção da dieta, tempo de pastejo, massa de bocado e taxa de bocados, sendo o bocado a unidade mais importante referente ao consumo.

Segundo Carvalho et al. (2007) o consumo pode ser dado pelo produto da massa de bocado, do tempo e número de refeições ao longo do dia.

Tempo de pastejo, massa e taxa de bocado

O tempo em pastejo é definido como o tempo em que o animal está apreendendo a forragem e mastigando-a e/ou deslocando-se com a cabeça baixa, podendo variar de acordo com a estrutura do pasto refletindo a facilidade de colheita da forragem.

A massa de forragem, altura, densidade, baixo teor de fibra das folhas, presença de barreira física (colmo) são características da estrutura do pasto que determinam os mecanismos utilizados pelos animais durante o processo de pastejo (Reis e Da Silva, 2011), interferindo o tempo de pastejo.

A variável tempo de pastejo é inversamente proporcional ao consumo, ou seja, quanto maior a massa de bocado, menor será o tempo de pastejo (Santos et al., 2010). Atividades como deslocamento, seleção, busca, manipulação e colheita do alimento estão inseridas na variável tempo de pastejo.

Sob baixa oferta de forragem, o tempo de pastejo aumenta, assim como a frequência de bocados, buscando atender a demanda diária de ingestão de matéria seca e consequentemente as exigências nutricionais diárias.

Segundo Ribeiro et al. (2012), o tempo destinado ao pastejo de bovinos não deve ultrapassar de 12 a 13h, vez que tempos acima desses valores podem influenciar negativamente as atividades ruminais dos animais.

A massa do bocado, pode ser definida como o produto entre a densidade volumétrica pelo volume do bocado, sendo este, função da área do bocado e profundidade. É a variável mais importante na determinação do consumo de animais em pastejo, e mais influenciada pela estrutura do pasto.

Diferente da massa de bocado, a taxa de bocado é o número de bocados em determinado período de tempo, sendo usada para calcular a taxa instantânea de consumo, dada em bocados/min (Hodgson, 1985). Sob condições de menor oferta de forragem, a taxa de bocado tende a aumentar, porém, o incremento não é suficiente para evitar diminuição na taxa de consumo, com isso o animal compensa no aumento de tempo de pastejo (Maggioni et al., 2009).

Em algumas situações a massa de bocado é inversamente proporcional à taxa de bocados, o que confirma que dosséis com maiores massas de forragens demandam mais movimentos mandibulares e mastigação do que de bocados e apreensão.

Considerações finais

Os componentes da estrutura do pasto afetam diretamente a ingestão de matéria seca por influenciarem o comportamento ingestivo dos bovinos. O controle da intensidade e frequência de pastejo, visa oferecer ao animal uma estrutura com elevada relação folha:colmo, que favorece o processo de pastejo.

Vamos em frente?

Aqui no Rehagro, temos o Curso Online Gestão na Pecuária de Corte, um treinamento completo, que aborda todos os tópicos acima em videoaulas de 15 minutos por dia e encontros online ao vivo para que os alunos possam tirar suas dúvidas.

As aulas podem ser feitas de qualquer lugar e são dadas por nossos mais experientes consultores, que focam na realidade do dia a dia da produção.

Eles dão todo o suporte à turma ao longo de 10 meses de um curso intensivo, que já impactou positivamente a produção de mais de 1.800 profissionais, que estão alcançando melhores resultados na atividade aplicando o que aprenderam.

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Patricia Rodrigues

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Cocho para gado de corte: a importância da rotina de inspeção https://blog.rehagro.com.br/voce-sabe-a-importancia-de-mexer-o-cocho/ https://blog.rehagro.com.br/voce-sabe-a-importancia-de-mexer-o-cocho/#respond Thu, 17 Sep 2020 18:30:45 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8178 Aprenda a importância da rotina de inspeção dos cochos para manter uma suplementação adequada para a bovinocultura de corte. Os minerais são fundamentais para o metabolismo animal, tendo participação ativa em vários processos digestivos e metabólicos. Consequentemente, têm influência direta na produção individual de cada animal. A deficiência dos mesmos é considerada uma enfermidade metabólica. […]

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Aprenda a importância da rotina de inspeção dos cochos para manter uma suplementação adequada para a bovinocultura de corte.

Os minerais são fundamentais para o metabolismo animal, tendo participação ativa em vários processos digestivos e metabólicos. Consequentemente, têm influência direta na produção individual de cada animal. A deficiência dos mesmos é considerada uma enfermidade metabólica.

Para bovinos mantidos exclusivamente em pasto, geralmente, a suplementação de minerais é feita em cochos, na maioria das vezes descobertos, colocados em locais estratégicos do pasto e com abastecimento semanal.

O fornecimento da mistura mineral deve ser contínuo. Portanto, a mistura deve estar sempre à disposição do animal no cocho para que o consumo seja o mais uniforme possível, suprindo as exigências de minerais dos animais e garantindo o ganho de peso adequado para a estratégia nutricional.

 

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Fornecimento de misturas minerais no cocho

Um dos problemas relacionados com o fornecimento de misturas minerais à vontade é o consumo variável e, muitas vezes, o “não consumo”.

Vários fatores interferem nessa variação como: 

  • Estado fisiológico;
  • Raça;
  • Idade;
  • Distância da água e cochos;
  • Qualidade do produto, entre outros.

Inspeção de cochosInspeção de cochos, suplemento mineral com alta umidade. Fonte: arquivo pessoal de Gabriel Martins, estagiário do Rehagro.

O fornecimento de suplementação mineral é uma estratégia viável que permite ganhos adicionais quando aliada à uma boa oferta de forragem. Porém, para que o produtor obtenha bons resultados, além do bom manejo da pastagem e do pastejo, são necessários alguns cuidados no manejo e na qualidade desse produto no cocho.

Webinar Manejando Pastagens

Os cochos de suplementação mineral sem cobertura são os mais encontrados em propriedades rurais pelo país. Apesar de ser um método eficaz, traz consigo alguns desafios, como baixa proteção contra umidade e chuvas.

A água ou excesso de umidade no suplemento pode formar crostas ou até mesmo endurecê-lo, formando torrões e alterando a palatabilidade do produto, o que resulta na redução do consumo.

Em um estudo de Nicodemo, feito no ano 2000, foi observado que o consumo de um determinado suplemento sofre maior influência de sua palatabilidade, do que da sua capacidade em satisfazer demandas nutricionais específicas.

Cocho mal inspecionadoCocho de suplementação mineral descoberto e com alta umidade, atoleiro ao redor. Fonte: Rafael Araújo, técnico Rehagro / Acervo pessoal.

Rotina de inspeção de cochos

A rotina de inspeção dos cochos por uma pessoa previamente treinada é uma das práticas mais negligenciadas na propriedade rural. Entretanto, a adoção dessa rotina na fazenda garante o fornecimento do suplemento em condições adequadas para o consumo dos bovinos.

De acordo com um conceituado estudo conduzido por Ortolani, em 1999, há influência da forma física do suplemento mineral e seu consumo pelos bovinos.

Ele observou que os suplementos minerais ofertados de forma empedrada, devido à exposição à umidade, tiveram sua ingestão reduzida em 55%, quando comparados a um suplemento fornecido de forma fresca e seca.

Portanto, os benefícios dessa estratégia nutricional só poderão ser atingidos quando o produto é fornecido de forma adequada e com espaçamento de cocho recomendado de 5 cm/UA. Esse espaçamento pode diferir dependendo da categoria animal, raça, tamanho de lote, entre outros, por isso é sempre recomendável observar com cautela esse critério.

Portanto, implementar essa rotina de inspeção de cochos e “mexer o cocho” diminuindo ou acabando com os torrões possibilita um consumo menos variável e constante, garantindo que as exigências nutricionais dos animais sejam atendidas e, consequentemente, melhor desempenho do lote.

Agora, sabendo da importância desta rotina, já deu uma conferida nos “cochos” de sua fazenda hoje?

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Cristiano Rossoni

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Brachiaria: principais espécies e como realizar o manejo https://blog.rehagro.com.br/brachiaria-principais-especies/ https://blog.rehagro.com.br/brachiaria-principais-especies/#comments Wed, 26 Aug 2020 17:00:49 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8073 O processo de evolução das civilizações foi acompanhado, impreterivelmente, pela necessidade e a melhoria nos processos de produção de alimentos. Dentre diversas outras frentes, a produção de proteína animal para consumo humano, ganhou grande destaque, se tornando uma das principais e reconhecidas atividades produtivas de todo o mundo. No Brasil, país de grande destaque mundial […]

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O processo de evolução das civilizações foi acompanhado, impreterivelmente, pela necessidade e a melhoria nos processos de produção de alimentos. Dentre diversas outras frentes, a produção de proteína animal para consumo humano, ganhou grande destaque, se tornando uma das principais e reconhecidas atividades produtivas de todo o mundo.

No Brasil, país de grande destaque mundial na produção de alimentos, alguns fatores foram determinantes para esse processo.

Apelidado de o “celeiro do mundo”, o país apresenta uma série de características que possibilitaram a detenção desse título, e permitiram que nos tornássemos o maior exportador de carne bovina do mundo, exportando expressivas 1,84 milhões de tonelada no ano de 2019, com perspectivas de crescimento significativos, mesmo em um cenário ático em 2020 e de difíceis previsões.

 

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Dentre os fatores que permitiram esses destaques, as dimensões continentais, solo, precipitações, médias de temperatura, possibilitam a produção forrageira, durante praticamente todos os meses do ano, e justamente essa forrageira produzida, será utilizada para o consumo dos ruminantes.

Para isso, entretanto, é necessário que haja confluência entre os fatores citados como favoráveis a produção forrageira, a própria espécie forrageira e o animal, de modo que nesse cenário, algumas espécies forrageiras se destacaram de maneira significativa.

Animais no pastoFonte: Acervo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro. 

Essas forrageiras associam com eficiência produção, nas condições geoclimáticas encontradas na maior parte do país, com a produtividade em quantidade e qualidade suficientes para proporcionar um bom escore corporal e desempenho aos animais, quando alinhados com um plano nutricional adequado para a estação do ano.

As espécies forrageiras do gênero Brachiaria ssp. são o grande destaque quando pensamos em ampla utilização e propulsão da pecuária nacional. Oriundas da África oriental, região de países como Quênia e Tanzânia, as braquiárias foram introduzidas no Brasil, na década de 50 com a Brachiaria decumbens.

Justamente por semelhanças nas características geoclimáticas da região de origem desse gênero, com as características encontradas no Brasil, as braquiárias se adaptaram e se tornaram ao principal gênero utilizado na pecuária de corte.

Trazido algum tempo depois da Brachiaria decumbens, em 1984, a Brachiaria brizantha,  principalmente o cultivar Marandú, conhecido popularmente entre pecuaristas e técnicos por “braquiarão”, se tornou a espécie forrageira mais utilizada na produção de pastagens, ainda em 1994 já representava cerca de 45% das pastagens cultivadas no trópico brasileiro com destaque para sua utilização nas regiões amazônica, centro-oeste e sudeste do país.

Bois em pasto com forrageira braquiáriaFonte: Embrapa.

Marandu – Braquiarão

Assim como as outras braquiárias, o braquiarão é uma espécie perene, ou seja, sua cultura permanece por anos em uma pastagem, sem a necessidade de replantar aquela forrageira, desde que seja manejada adequadamente.

Uma característica importante dessa espécie, que difere ela da maioria das outras espécies do gênero, está relacionado ao seu hábito de crescimento com colmos eretos e sub eretos, podendo atingir alturas entre 1 e 1,5 metros, o que pode ser considerado, inclusive, como um facilitador para o manejo.

Em geral, as folhas são lanceoladas (em forma de lança) sem ou com poucos pelos e seus rizomas são curtos, 30 a 50 mm de comprimento, cobertos de escamas amareladas e brilhantes o que sinaliza uma boa capacidade de tolerância ao pastejo.

Além dessas características físicas/anatômicas, que impactam no sistema de pastejo dessa espécie forrageira, algumas características relacionadas à produção devem ser levadas em consideração no momento da escolha pela utilização dessa gramínea.

O braquiarão apresenta boa produção de forragem, considerável exigência à fertilidade do solo e resistência à cigarrinha das pastagens quando comparada às outras espécies do gênero como a Brachiaria decumbens. Além disso, possui alto valor nutritivo, também comparado à outras espécies de braquiárias.

Webinar Cigarrinhas das pastagens

O somatório das características, em pastagens bem manejadas e adubadas, refletem em um material com proteína de alta degradabilidade ruminal e baixas quantidades de carboidratos estruturais de degradação lenta.

BraquiarãoFonte: Acervo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro.

Um ponto de atenção, significativo, deve ser tratado quando falamos sobre o cultivar Marandu é a síndrome da morte do braquiarão, também conhecida como “morte súbita do braquiarão”. É um problema de grande impacto nas regiões central e norte do país. A utilização dessa espécie forrageira deve ser criteriosamente avaliada em regiões que apresentam esse desafio.

Entre os cultivares de Brachiaria brizantha, existem diferenças que também devem ser levados em consideração, e a ressalva se faz necessária.

Brachiaria Xaraés

O cultivar Xaraés, MG5 quando comparado ao Marandu apresenta alta produtividade e rápida rebrota e florescimento tardio, prolongando o pastejo nas águas.

Entretanto, a alta produtividade está associada à maiores desafios no manejo, com característica significativa em alongamento de caule e perda maior na qualidade à medida que a forrageira atinge a maturidade, mas a “perda” em valor é compensado pela produtividade e eficiência de uso por área.

Braquiária xaraésBraquiária Xaraés. Fonte: Embrapa.

Brachiaria Paiaguás

Ainda mais recente do que a Xaraés, lançada em 2003, a Embrapa disponibilizou recentemente a Brachiaria brizantha BRS Paiaguás. Esse material apresenta um porte menor do que as outras brizanthas, com porte semelhante à decumbens, de folhas e colmos finos.

A Paiaguás, apresenta boa produtividade nas secas e fácil manejo, sendo uma boa opção para os sistemas de integração, entretanto, não é recomendada em áreas com grandes desafios à cigarrinha das pastagens por ser bastante susceptível.

Braquiária PaiaguásBraquiária Paiaguás. Fonte: Embrapa.

Brachiaria Ipyporã

Outra variedade interessante de Brachiaria brizantha, também lançada pela Embrapa, é BRS Ipyporã, que apresenta como característica marcante a elevada resistência à cigarrinha-das-pastagens e também à Mahanarva spp. Além disso, possui um melhor valor nutritivo que representa boas condições de proporcionar maiores ganhos individuais aos animais.

Braquiária IpyporãBraquiária Ipypora. Fonte: Embrapa.

A tabela abaixo traz um resumo das principais características dessas braquiárias que o produtor deve atentar-se antes de introduzi-la na propriedade.

Comparativo entre as braquiáriasFonte: Adaptado da aula professor Ricardo Reis, Pós-Graduação Produção e Manejo de Pastagem para Bovinos de Corte do Rehagro.

Além das características citadas, e aliadas a elas, a utilização desse gênero pode representar outros benefícios, como a utilização em relevos mais acidentados, com boa cobertura de solo, evitando processos de degradação e erosão do solo.

Independente de qual espécie será utilizada em seu sistema de produção, a exigência por um bom manejo é indispensável. Respeitar as alturas de entrada e saída de cada uma das espécies, corrigir e adubar o solo onde estão estabelecidas essas pastagens, controlar pragas e invasoras, sempre será um pré-requisito para o sucesso na produção.

A Brachiaria brizantha é uma das principais responsáveis pela evolução e pelo avanço na intensificação da produção de gado de corte no Brasil, sua utilização é cabível em grande parte das regiões produtoras do país, por isso entender o funcionamento e as principais característica de seus cultivares pode definir a escolha da utilização e o sucesso na produção bovina a pasto.

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Cristiano Rossoni

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Manejo nutricional de bovinos de corte: 5 pilares para o sucesso https://blog.rehagro.com.br/5-dicas-basicas-da-alimentacao-e-manejo-nutricional-de-gado-de-corte/ https://blog.rehagro.com.br/5-dicas-basicas-da-alimentacao-e-manejo-nutricional-de-gado-de-corte/#comments Fri, 26 Jun 2020 18:42:45 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7856 Na pecuária de corte, existe um tripé que sustenta e confere dinamismo quando se fala em produção de bovinos, que consiste em genética, sanidade e manejo nutricional.  A associação da eficiência desse tripé somada à uma gestão eficiente dos recursos financeiros e das pessoas envolvidas no processo proporciona grande capacidade de obtenção de uma margem […]

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Na pecuária de corte, existe um tripé que sustenta e confere dinamismo quando se fala em produção de bovinos, que consiste em genética, sanidade e manejo nutricional. 

A associação da eficiência desse tripé somada à uma gestão eficiente dos recursos financeiros e das pessoas envolvidas no processo proporciona grande capacidade de obtenção de uma margem de lucratividade satisfatória.

Para se obter boa eficiência produtiva é importante que o manejo nutricional de bovinos de corte seja fundamentado em conhecimentos técnicos e aprofundados, revertidos em práticas eficientes de manejo nutricional. Isso permite que sejam adotadas estratégias para melhorar a eficiência alimentar dos animais e também a eficiência econômica do sistema.

 

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Alimentação combinada com manejo nutricional de gado de corte pode ser considerado um assunto complexo, pois são diferentes variáveis que podem influenciar no sucesso deste manejo. Pensando em pecuária de corte brasileira, o dinamismo na atividade é ainda maior.

As diferenças nos sistemas de produção variam de região para região, e mesmo de forma regional podem variar muito em função de quantidade de raças de animais utilizadas, condições climáticas e ambientais que mudam ao longo do território nacional, variedade da composição nutricional da dieta utilizada para os animais nos diferentes sistemas, diversidade de forrageiras disponíveis, entre outras variações observadas.

Os níveis de intensificação de cada sistema, também interferem muito nesse dinamismo. O país apresenta uma diversidade muito grande em tipo e níveis de intensificação dos sistemas, onde é possível observar desde sistemas altamente extensivos, de criações a pasto, como sistemas de ciclo completo com 100% dos animais confinados, recebendo a dieta no cocho.

Gado se alimentandoFonte: acervo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.

Embora todas estas variações citadas, existem alguns princípios que devem ser levados em consideração para se fazer um bom manejo nutricional de bovinos de corte, independente das variáveis como raça, condições climáticas e espécies forrageiras disponíveis. 

Aqui, vamos explorar 5 pilares importantes para obter sucesso no manejo nutricional dos bovinos de corte.

1. Definição do objetivo do sistema de acordo com a categoria animal

O manejo nutricional adotado no sistema deve estar alinhado com os objetivos almejados para cada categoria. Os requerimentos nutricionais dos animais quanto aos nutrientes como proteína, energia, minerais e vitaminas variam conforme a categoria animal e também quanto a meta de desempenho produtivo.

Os bezerros, por exemplo, estão em uma fase onde o tipo de ganho é predominantemente o desenvolvimento dos tecidos musculares e ósseos, necessitando de uma dieta com níveis de proteína e minerais superiores às dietas dos animais mais erados, que por sua vez precisam de uma dieta mais energética, por estarem em uma fase onde o crescimento do esqueleto e desenvolvimento dos músculos já estão mais estabilizados e o aumento de deposição de tecido adiposo (gordura) torna-se mais acentuado.

Isso implica em planejar uma alimentação com os níveis adequados de nutrientes para garantir a efetividade do bom desempenho dos animais, sem contudo, perder eficiência econômica, seja pela falta de fornecimento de nutrientes, o que impossibilita o ganho de peso desejado, ou pelo excesso de nutrientes na alimentação, provocando aumento no custo de produção e desperdício de dinheiro.

Além dos objetivos traçados por exigências específicas de cada categoria, estabelecer o objetivo de ganho da categoria também é fundamental, desmamar bezerros com 240 kg, por exemplo, ou obter ganhos de 1,2 Kg por dia na engorda, são objetivos importantes de serem traçados em cada categoria.

2. Planejamento nutricional com estimativas da necessidade e disponibilidade de MS para alimentação dos animais durante determinado ciclo produtivo

Quando se fala em bovinos mantidos a pasto, a qualidade e a quantidade da forragem estão entre os principais fatores que influenciam a produtividade animal. As plantas forrageiras são responsáveis por fornecerem energia, proteína, minerais e vitaminas aos animais em pastejo com um baixo custo alimentar.

Contudo, estas estão sujeitas à estacionalidade de produção, apresentando boa qualidade e produtividade durante o período das chuvas, mas com perdas quantitativas e qualitativas durante os períodos secos do ano, como ilustrado na imagem.

Produção forrageiraA imagem representa a sazonalidade de produção forrageira em algumas regiões do Brasil, acompanhando as estações de seca e chuva.

Quando os bovinos não têm disponibilidade de pastagens com níveis mínimos de fibra e nutrientes, o desempenho produtivo destes animais é comprometido. Neste cenário, a probabilidade de que ao final do ciclo produtivo os animais não tenham apresentado o desempenho satisfatório é alta, o que provoca impacto negativo sobre a rentabilidade do sistema.

Para que isso não aconteça, é fundamental o planejamento nutricional antes do início do ciclo produtivo, para garantir que os níveis mínimos de nutrientes alimentares sejam oferecidos aos animais para atender suas exigências e o animal continue ganhando peso durante o período estabelecido.

Dessa forma, permite-se que os animais possam apresentar o desempenho satisfatório para que os objetivos produtivos e econômicos do sistema sejam alcançados.

Em um bom manejo nutricional, busca-se em geral maximizar a produção biológica e/ou econômica para determinado cenário socioeconômico, minimizar custos produtivos e garantir a sustentabilidade do sistema.

Manejo nutricionalFonte: acervo pessoal de Paulo Eugênio, coordenador de consultoria do Rehagro. 

Durante o período de maior disponibilidade de forragem, podemos utilizar de suplementação também, diferente do período seco, onde além de corrigir as deficiências nutricionais das pastagens, aumentamos o consumo do capim mais seco.

Durante as águas, o pensamento é em maximizar os ganhos, ganhar ainda mais desempenho no período onde as pastagens são favoráveis, a conta não é simples, e não devemos simplesmente suplementar para ganhar mais, a estratégia deve compor um planejamento global e ser rentável economicamente.

3. Suplementação alimentar

Em função da estacionalidade produtiva das pastagens, estratégias alimentares que ajudem a sanar este problema devem ser adotadas, entre elas está a suplementação.

Bons resultados produtivos podem ser obtidos com a utilização da suplementação quando ela é realizada com um bom planejamento e apresenta coerência com a categoria animal e com o ganho desejado. É preciso estar atento, pois este cenário pode mudar em função de alguns fatores, como:

  • Disponibilidade e qualidade de forragem;
  • Categoria animal;
  • Mercado (para compra de insumos, animais e valor pago pela arroba vendida do animal);
  • Custo dessa suplementação.

Critérios que devem ser observados para suplementar:

  • Objetivo produtivo;
  • Raça e categoria animal;
  • Disponibilidade e qualidade de pastagens;
  • Quantidade e valor nutricional do suplemento;
  • Tempo de suplementação;
  • Preço pago pela arroba;
  • Custo x benefício do suplemento. Além de recursos físicos, como cochos e disponibilidade de mão de obra capacitada;
  • Logística da propriedade;
  • Infraestrutura, cocho, galpão, fábrica, etc.

Suplementação alimentarFonte: acervo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.

É importante ressaltar que independente do tipo e nível de suplementação adotado, o objetivo desta estratégia deve ser sempre garantir a utilização eficaz da forragem e seus nutrientes pelos animais, potencializando o desempenho individual e aumentando a produção por hectare.

Ao se analisar o fator custo alimentar, os nutrientes obtidos através das forrageiras é consideravelmente inferior ao da suplementação, o que ressalta a importância da boa eficiência do pastejo.

Estratégias de suplementação podem ser utilizadas também para garantir sucesso em estratégias pontuais, como preparar novilhas para a estação de monta, desmamar bezerros, dentre outros.

Webinar Suplementação a pasto

4. “Contas na ponta do lápis”

Outro fator importante para se estabelecer o manejo nutricional dos animais, é a realização de uma análise sobre a viabilidade econômica. Não adianta fornecer alimentação diferenciada aos animais, garantindo bom desempenho, se ela não apresentar custo benefício favorável ao sistema. Em outras palavras, a produtividade animal tem que pagar o investimento realizado com a suplementação.

Por exemplo, em um sistema de cria onde a disponibilidade de forragens não atende aos requerimentos nutricionais das vacas em determinado período do ano, elas precisarão ser suplementadas.

Antes de qualquer decisão, deve-se realizar a análise da viabilidade econômica e o custo benefício da adoção desta estratégia. Isso pode ser realizado de diferentes maneiras, dentre elas, uma análise onde são levados em conta parâmetros como custo do suplemento, o tempo de suplementação e as taxas de desmame conseguidas (kg de bezerro desmamado/vaca/ano).

Somente através dessa análise e planejamento será possível garantir que o sistema apresente índices produtivos adequados com rentabilidade satisfatória.

Ressalva importante é que não devemos levar em conta somente os custos diretos com o suplemento, seja ele concentrado ou volumoso, os cálculos devem ser amplos levando em consideração, toda a logística e a operação envolvida no programa nutricional.

5. Monitoramento do manejo nutricional

Sabe-se que produzir, entender, monitorar e controlar dados em uma empresa é fundamental para o sucesso do negócio. Na bovinocultura de corte isso não é diferente, principalmente quando se observa as margens de lucro, cada vez mais reduzidas na atividade.

Gado comendo no cochoFonte: acervo pessoal de Paulo Eugênio, coordenador de consultoria do Rehagro.

Sendo assim, após um bom planejamento nutricional com a realização de estudos e análises que demonstram a viabilidade da estratégia, é fundamental o monitoramento da mesma ao longo de sua execução.

Isso permitirá que durante a execução desse manejo, caso aconteça algum desvio como, por exemplo, desempenho produtivo insatisfatório, seja possível avaliar a causa do problema e também uma intervenção que o sane e possibilita que se tenha sucesso no final do ciclo produtivo.

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Grãos de destilaria do milho: DDG e WDG na alimentação dos bovinos https://blog.rehagro.com.br/graos-de-destilaria-do-milho/ https://blog.rehagro.com.br/graos-de-destilaria-do-milho/#comments Mon, 08 Jun 2020 17:00:16 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7713 O máximo aproveitamento dos recursos disponíveis dentro de um sistema, é fundamental para a diminuição dos custos de produção, essa máxima se estende por toda a cadeia produtiva do agronegócio. Explorar todas as possibilidades da matéria prima é uma grande virtude da cadeia produtiva da carne – tudo na produção de carne bovina é aproveitado. […]

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O máximo aproveitamento dos recursos disponíveis dentro de um sistema, é fundamental para a diminuição dos custos de produção, essa máxima se estende por toda a cadeia produtiva do agronegócio.

Explorar todas as possibilidades da matéria prima é uma grande virtude da cadeia produtiva da carne – tudo na produção de carne bovina é aproveitado.

Esse aproveitamento, entretanto, não deve se restringir às últimas etapas do sistema de produção. Frigoríficos têm grande eficiência no aproveitamento de 100% do animal abatido e as etapas anteriores, que sucedem o frigorífico, também devem seguir esse caminho.

 

 

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Um grande avanço nesse sentido está diretamente relacionado ao aproveitamento de coprodutos de outros negócios envolvidos no agro, a utilização de produtos advindos das cadeias produtivas do etanol (como por exemplo, os grãos de destilaria), do açúcar, do algodão e tantas outras, podem ser de grande valia na produção dos ruminantes.

Webinar Utilização de coprodutos

Além de diminuir a concorrência de utilização de produtos utilizados na alimentação humana, a utilização de coprodutos tem grande potencial quanto ao passivo ambiental.

A principal forma de interação e aproveitamento dos recursos está direcionada justamente a esses coprodutos, que são a cada dia mais utilizados na dieta de ruminantes. Casca de soja, torta de algodão, bagaço de cana, são alguns exemplos de “resíduos” de outras indústrias de grande importância para a nutrição de ruminantes.

Nos últimos anos, cresceu no Brasil, principalmente no Centro-Oeste brasileiro, o número de agroindústrias que utilizam a destilação do milho na produção do etanol. Esse processo tem como resíduos subprodutos de grande potencial para a inclusão nas dietas de ruminantes.

Resíduo de grãos de destilaria de milhoResíduo úmido da destilaria do milho, conhecido como WDG (wet distillers grain). Fonte: Material complementar, aula César Borges, Pós Graduação Gado de Corte – Rehagro

Resumidamente, nesse processo, utiliza-se o amido presente no milho como substrato para a fermentação e para a produção do etanol. O material remanescente é um produto rico em proteína, gordura e fibra, mais concentrados do que originalmente encontrados no milho. A proporção desses materiais varia entre as indústrias de etanol, dependendo do processo fermentativo que adotam.

O cozimento do milho irá proporcionar a gelatinização do amido, enzimas alfa amilase, termoestáveis, são adicionadas ao material e quebram o amido em glicose, que por sua vez será utilizado por leveduras adicionadas ao processo em etanol e gás carbônico (CO2).

DDG e WDG

Os principais coprodutos de grãos de destilaria são grãos secos ou úmidos de destilaria, mais conhecido no Brasil pela sigla em inglês DDG e WDG (dried distillers grains with solubles e wet distillers grains, respectivamente). Esses coprodutos se diferem basicamente, como diz sua nomenclatura, pelo teor de umidade.

Alimentação com coprodutos de grãos de destilariaBovinos se alimentando. Fonte: FS Bioenergia.

Durante o processo de fabricação do etanol, o material fermentado passa por uma etapa de secagem, dando origem ao DDG e quando retirado antes da fase de secagem temos o WDG. Além da característica principal, relacionada à umidade, esse processo de secagem irá interferir em alguns pontos importantes quando avaliamos a utilização desses produtos na nutrição de ruminantes.

Antes de chegar à fazenda, e serem realizadas as devidas considerações sobre nutrientes e inclusões nas dietas, devemos pensar nos custos e na logística que envolve a utilização desses produtos.

O produto úmido, WDG, apresenta, em média, na sua composição, 65% de água, o que acarreta, consequentemente, em maiores custos tanto no transporte, tornando mais atrativo para propriedade vizinha da indústria.

Também devemos destacar a armazenagem deste produto. A umidade diminui a densidade do produto, sendo necessário maior espaço para estocagem, além de necessitar de maiores cuidados com o aparecimento de mofos.

A utilização do WDG deve ser realizada de forma relativamente rápida nas propriedades. Estima-se que o tempo de vida útil do produto gire em torno de 3 a 4 dias, quando armazenado da forma “convencional” nos galpões de fábrica de confinamento, devendo ser o abastecimento da propriedade com esse produto uma rotina diária.

Uma alternativa a esse problema, pode ser a ensilagem do produto, hoje em dia a principal forma de ensilagem do WDG é feita por bags. Muitos produtores têm aproveitado a baixa nos preços para estocar e ensilar esse material.

A umidade interfere ainda, nas possibilidades de trato para os animais, suplementação de menores consumos, por exemplo, são praticamente inviáveis com WDG, o suplemento como um todo fica bastante úmido, fazendo com que o mesmo, estrague com mais facilidade.

Grãos de destilaria WDGWDG. Fonte: Site da FS Bioenergia.

Em contrapartida, justamente por não passar por uma etapa do processo de secagem, o WDG tem normalmente menores custos do Kg de MS, quando comparados ao DDG. Ainda referente ao quesito umidade, outro benefício do WDG está relacionado à sua maior capacidade de mistura, diminuindo inclusive a seleção dos animais.

O DDG, por todos os motivos supracitados, parece ser então uma opção mais viável, principalmente àquelas propriedades que estão distantes geograficamente das grandes usinas de etanol.

Sua composição com 10 a 12% de umidade, normalmente, permite que esse produto seja armazenado como a maioria dos concentrados comumente utilizados em uma propriedade de corte, ou seja, nos barracões e expostos ao ar.

Por ser um produto de MS mais elevado (88 a 90% de MS), pode inclusive ser utilizado como suplementação de animais à pasto, tendo maior vida útil nos cochos quando comparado ao WDG.

Processo de ensilagem do WDGWDG sendo ensilado. Fonte: Acervo pessoal, Esp. Paulo Eugênio, consultor e coordenador de consultoria do Rehagro.

Um adendo importante, que deve ser observado com bastante atenção em relação ao DDG, está relacionado justamente ao processo de secagem, onde, quando esse processo ocorre em demasia, pode levar à queima daquele material, levando à não disponibilização importante de alguns nutrientes.

Grãos de destilaria DDGDDG. Fonte: Site da FS Bioenergia

Tida algumas observações importantes sobre as características físicas desses produtos, principalmente em relação aos teores de MS e às consequências observadas em virtude da diferença entre esses produtos, a utilização e os níveis de inclusão desses coprodutos, passam a ser avaliadas pelas características bromatológicas dos mesmos.

Características comuns a esses grãos de destilaria do milho, justamente pelo processo fermentativo para produção de etanol utilizar o amido como substrato, são que esses nutrientes apresentam baixas concentrações, tanto no DDG quanto no WDG, em torno de 2 a 5%.

A principal forma de utilização desses coprodutos é como fonte proteica, e se justifica quando avaliamos os níveis de proteína desses materiais, sendo em média, 32% e 25 a 32% de proteína bruta no WDG e no DDG, respectivamente, sendo um substituto do farelo de soja.

Materiais comerciais podem variar quanto aos teores de proteína do produto, sendo vendido DDG com 19% de PB, por exemplo. Esses parâmetros devem ser observados na hora da compra para comparar preços.

Segundo uma pesquisa de Corrigan e colaboradores feita em 2006, podemos considerar, em inclusões superiores à 20% da dieta total, como fonte também energética, principalmente quando há a substituição do milho ao DDG.

Essa prática é mais usual em situações de suplementação à pasto dos animais. Nos confinamentos, inclusões próximas a 20% costumam suprir as exigências de proteína da dieta, e até mesmo alcançar valores superiores.

A substituição da fonte energética pode se justificar pelos níveis de NDT do DDG e do WDG, 90% e 98% respectivamente.

Armazenamento de DDGArmazenamento de DDG. Fonte: Acervo pessoal, Paulo Eugênio, consultor e coordenador de consultoria do Rehagro.

Outro ponto de avaliação desses produtos, diz respeito aos níveis de PNDR, que podem ser até 2,6 vezes maior do que os níveis encontrados no farelo de soja, por exemplo, na média o WDG apresenta 55% de PNDR enquanto o DDG apresenta 60 a 70% da PB de proteína não degradável no rúmen.

Entre os pontos de atenção e cuidados em relação a utilização desses insumos, dois chamam atenção, o primeiro deles está relacionado à inibição de consumo. Estudos como de Klopfenstein e colaboradores, feito no ano de 2014, sugerem que inclusões superiores a 30% da MS da dieta podem inibir consumo refletindo em desempenhos inferiores.

Em contrapartida, estudos como Buckner e colaboradores obtiveram desempenhos semelhantes com inclusão de até 40% na dieta. Ainda como ponto de atenção, é importante sempre a análise dos níveis de enxofre desses produtos.

Portanto, a utilização dos grãos de destilaria, secos ou úmidos, são uma excelente alternativa, principalmente como substitutivos para fontes proteicas como o farelo de soja. Os valores da MS devem ser levados em consideração no momento da escolha de qual produto utilizar na propriedade.

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Fibra efetiva na nutrição de gado de corte: qual a importância? https://blog.rehagro.com.br/fibra-efetiva-na-nutricao-de-bovinos-em-confinamento/ https://blog.rehagro.com.br/fibra-efetiva-na-nutricao-de-bovinos-em-confinamento/#comments Mon, 16 Mar 2020 17:00:43 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7099 O processo de intensificação dos sistemas produtivos levou ao adensamento da dieta de ruminantes com a utilização de fibra efetiva, principalmente dos animais confinados, buscando o aumento da produtividade e, consequentemente, da lucratividade da fazenda. O maior desempenho, entretanto, é acompanhado de novos desafios, dos quais técnicos nutricionistas buscam otimizar o adensamento com a inclusão […]

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O processo de intensificação dos sistemas produtivos levou ao adensamento da dieta de ruminantes com a utilização de fibra efetiva, principalmente dos animais confinados, buscando o aumento da produtividade e, consequentemente, da lucratividade da fazenda.

O maior desempenho, entretanto, é acompanhado de novos desafios, dos quais técnicos nutricionistas buscam otimizar o adensamento com a inclusão mínima de fibras efetivas na dieta, feita a partir do oferecimento de volumosos, buscando excelentes resultados sem comprometer a saúde do indivíduo.

 

 

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Na falta de estímulo de fibra no rúmen-retículo, há comprometimento da ruminação e da produção de saliva. Essa última, por sua vez, é rica em elementos tamponantes para manter o pH ruminal. Sua falta resulta em queda de pH que, dependendo da intensidade, pode contribuir para um quadro de acidose. A acidose pode se desdobrar em timpanismo espumoso e laminite, além de ter impactos negativos e irreversíveis no desempenho animal.

FDN e FDNfe

A fibra também estimula a motilidade, que é importante por aumentar o contato do substrato com as enzimas extracelulares dos microrganismos do rúmen, auxiliar na ruminação e na renovação de conteúdo ruminal, ajudando a aumentar a taxa de passagem. A mudança na taxa passagem tem como consequência:

  • Alteração na eficiência da produção de proteína microbiana;
  • Taxas de passagem mais rápidas, que favorecem o crescimento microbiano;
  • Aumento de consumo, já que “libera” espaço no rúmen para o animal poder consumir mais alimento.

É comum haver casos de acidose subclínica: aquela que existe, mas não tem sintomas evidentes. Um bom indicativo de que pode estar ocorrendo é o consumo de matéria seca muito variável.

Na determinação do nível mínimo de fibra na dieta dos bovinos de corte, é importante que seja considerada a porção da fibra que efetivamente estimula a ruminação. Para garantir que a dieta tenha fibra em detergente neutro (FDN) desejável e que promova efetividade na ruminação, a fibra fisicamente efetiva (FDNfe) começou a ser mensurada.

FDN e FDNfeA figura exemplifica que a porção de FDN está contida na matéria seca (MS) da dieta, que possui um percentual de efetividade. No primeiro exemplo, a efetividade física do FDN é menor que no segundo. 

O FDNfe foi definido como a porcentagem do FDN que efetivamente estimula a mastigação, salivação, ruminação e motilidade ruminal. O conceito utilizado pelo NRC (1996) define como a soma das porcentagens do material retido em peneira acima de 1,18mm após separação vertical, e multiplicado pelo valor de FDN da amostra (FDNfe = FFDN x FDN amostra em %MS). As partículas menores que 1,18 mm não são capazes de estimular a ruminação e os demais fatores discutidos anteriormente.

Requerimento mínimo de fibra efetiva

Essa peneira foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia nos EUA, sendo nomeada de separador de partículas da Penn State (The Penn State Particle Separator). O método para mensurar consiste em passar uma amostra do material nas peneiras (19 mm, 8 mm, 1,18 mm e fundo).

Porém, no campo a peneira 1,18 mm foi substituída pela de 4 mm devido muitas partículas ficarem retidas na peneira 1,18 mm serem de baixa ou nenhuma efetividade. Ainda assim, o material da peneira 4 mm deve ser avaliado com cautela, pois partículas de rápida fermentação ruminal podem ficar retidas na peneira superestimando os valores de FDNfe. Essa peneira pode ser desconsiderada na soma, caso o nutricionista adote isso como critério. 

O que se sabe é que os zebuínos têm maior exigência de FDNfe, sendo algo em torno de 25-30%.

Essa exigência para demais bovinos ficaria próximo a 15%. Mas, estes valores podem ser muito variáveis, de acordo com o manejo da fazenda, maquinário existente na propriedade, qualidade de fibra e uso de aditivos.

Requerimento de FDNfeRequerimento de FDNfe em bovinos (TMR = ração de mistura total). Fonte:  Dados do NRC, 2016.

Níveis de FDNfe dos alimentos

No gráfico a seguir, é visto que a diminuição do FDNfe resulta em menor pH ruminal, podendo chegar a níveis muito baixos dependendo da dieta fornecida. Por isso, é importante estarmos atentos aos níveis de FDNfe dos alimentos mais utilizados.

Fibra efetiva na dietaA influência do teor de fibra fisicamente efetiva na dieta sob o pH ruminal de bovinos. 

Nas dietas formuladas, principalmente em confinamentos, alguns alimentos são utilizados com o único intuito de fornecer fibra efetiva aos animais.

Dentre os alimentos mais comumente utilizados no Brasil, alguns se destacam: o bagaço de cana que além de preço acessível (dependendo da região) apresenta uma importante porcentagem de fibra fisicamente efetiva, o feno também pode ser utilizado com esse intuito e até mesmo silagens de milho, capim, sorgo, que passaram um pouco do ponto de ensilagem podem ser utilizados com intuito de fornecer fibra efetiva a esses animais.

Além desses, outros importantes alimentos podem apresentar importante perfil de FDNfe e devem ser levados em consideração.

O quadro abaixo ilustra a efetividade de alguns insumos utilizados para bovinos. Note que o processamento é um fator crucial para esse parâmetro. Portanto, cada fazenda precisa conhecer seu insumo, e para isso a análise bromatológica e física das partículas é imprescindível para uma boa formulação de dieta.

Insumos para bovinos

Alguns subprodutos podem ser utilizados com o objetivo de estimular a ruminação através de sua efetividade, como por exemplo a casquinha de soja e o caroço de algodão, ambos alimentos possuem em sua composição bromatológica característica interessantes, o caroço com 44% de FDN, em média, e a casquinha 70% de sua MS total, entretanto por características dessa fibra a utilização dos dois alimentos se diferem.

A fibra efetiva do caroço de algodão é significativa para proporcionar a ruminação dos bovinos, podendo ser utilizada então com esse intuito, já a casquinha não apresenta essas características, e apesar de ser uma excelente alternativa de alimento não deve ter sua efetividade levada em consideração para promover ruminação.

Webinar Utilização de coprodutos

Quando pensamos em fornecer fibra aos animais buscando as características de sua efetividades, podemos acreditar que quanto maior o tamanho da partícula, melhor será para a dieta, entretanto partículas grandes em demais, acima de 19 mm, em grandes quantidades na dieta podem proporcionar uma seleção por parte dos animais, essa seleção acarreta diversos prejuízos como por exemplo, sobras no cocho e desempenho aquém do esperado para a dieta.

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Snaplage: por que utilizar a silagem de espiga de milho https://blog.rehagro.com.br/por-que-usar-snaplage/ https://blog.rehagro.com.br/por-que-usar-snaplage/#comments Fri, 03 Jan 2020 16:30:00 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=6761 O setor produtivo do agronegócio se desenvolve a cada dia em busca de aumentar a rentabilidade e a remuneração dos envolvidos na atividade. Essa busca pode ser desenvolvida em algumas frentes diferentes como: Redução de custos; Aumento da produtividade; Eficiência na utilização de insumos; Melhoria na qualidade e disponibilidade dos ingredientes presentes nas dietas dos […]

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O setor produtivo do agronegócio se desenvolve a cada dia em busca de aumentar a rentabilidade e a remuneração dos envolvidos na atividade. Essa busca pode ser desenvolvida em algumas frentes diferentes como:

  • Redução de custos;
  • Aumento da produtividade;
  • Eficiência na utilização de insumos;
  • Melhoria na qualidade e disponibilidade dos ingredientes presentes nas dietas dos animais.

Essas são algumas das maneiras pelas quais é possível se investir para obtenção de melhores resultados.

 

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Pesquisadores e técnicos envolvidos na cadeia produtiva da pecuária de corte acompanham esse movimento, estudam e desenvolvem a cada dia perspectivas, ferramentas e alternativas para se alcançar melhores resultados.

Pensando no quesito melhoria da qualidade e disponibilidade dos alimentos ofertados nas dietas dos animais, principalmente em épocas de escassez de precipitações, uma alternativa muito utilizada e já bastante difundida é a silagem.

Originalmente, a ensilagem é um processo de armazenamento e conservação de alimentos, permitindo que esse alimento seja conservado por um longo período de tempo, para utilização em períodos onde a escassez de chuva limita a produção de pastagem, volumosos e/ou grãos.

Além da armazenagem em si, com passar dos anos e o avanço de estudos e pesquisas, percebeu-se que além de conservar os alimentos com baixa perda nutricional, a fermentação láctica produzida no processo de ensilagem permite ainda uma melhoria na disponibilidade de certos nutrientes presentes em determinados alimentos ensilados, é o caso por exemplo da silagem de grão úmido de milho ou sorgo.

Destaque para o grão de milho cultivado no Brasil, milho duro, que por suas características bromatológicas tem menor disponibilidade de amido, quando comparado com o milho dentado cultivado nos Estados Unidos, por exemplo.

Alguns alimentos são tradicionalmente ensilados e utilizados na alimentação de bovinos no Brasil, como silagem de planta inteira do milho e de sorgo, silagem de cana, silagem de capim, silagem do grão úmido de milho ou sorgo.

Webinar Silagem de espigas, grãos úmidos e grãos reconstituídos

Além desses métodos “mais comuns” podemos descrever: 

  • Earlage: silagem da espiga de milho;
  • Toplage: silagem da planta inteira adicionada a espigas do milho;
  • Stalklage: silagem da planta do milho, sem a espiga;
  • Snaplage :silagem da espiga com a palha.

Todos esses métodos são alternativas que vêm ganhando destaque na nutrição de bovinos de corte.

Por volta dos anos de 1960, na Itália, teve início o processo de ensilagem da espiga de milho com a palha, o snaplage. Essa tecnologia foi levada aos Estados Unidos logo em seguida, país onde já é mais difundida. Há aproximadamente 6 a 7 anos, começaram a aparecer as primeiras silagens snaplage no Brasil.

O milho representa uma fatia representativa nos custos com alimentação de rebanhos em todo o Brasil, principalmente na composição de dietas para animais em confinamento. O milho seco e moído é bastante utilizado em dietas desse sistema, porém o snaplage vem ganhando destaque buscando alternativas de melhores custos sem perder o mais importante: produtividade do rebanho.

O snaplage é composto por 75 a 80% de grão, 10 a 15% de sabugo e 5 a 10% de palha, sendo um alimento energético rico em fibras. Sendo assim, ele estimula a ruminação, e auxilia na manutenção da saúde ruminal.

Entretanto, o snaplage não deve ser considerado um alimento substituto da silagem de planta inteira do milho. Por mais que tenha boa presença de fibra, não é um volumoso, e sim um insumo com o objetivo de adensar as dietas e aumentar o aproveitamento do amido pelo ruminante.

A inclusão do snaplage na dieta de confinamento deve ser associada ao grão seco para evitar problemas metabólicos. Além disso, essa combinação resulta em melhor aproveitamento energético pelo ruminante.

Essa relação de grãos fermentados e grãos secos deve ser de 70:30, desde que atenda o balanço entre amido fermentável e fibra fisicamente efetiva para ruminação. Por se tratar de um alimento energético com fibra, a adição de outras fontes de volumoso é reduzida.

Veja a comparação dos parâmetros médios de silagem de planta inteira, grão úmido e snaplage na Tabela 1.

Tabela 1: Parâmetros bromatológicos médios de silagem de planta inteira, silagem de grão úmido e snaplage (Fonte: Rehagro Consultoria)

O processo do snaplage exige algumas especificidades, como a colheita. A adaptação de uma plataforma despigadora à máquina autopropelida parece uma alternativa viável economicamente para colher esse material. Ela permite que essa alternativa possa ser difundida em todas as regiões.

O ponto de colheita tido como ótimo para o snaplage, é quando o grão do milho apresenta em torno de 28% a 35% de umidade. Isso ocorre porque a espiga possui cerca de 5% de umidade acima do grão.

É importante essa análise ser feita de maneira criteriosa, pois o percentual correto e desejável de umidade é essencial para o processo adequado de fermentação e compactação da silagem.

O tempo de ensilagem desse alimento é de no mínimo 60 dias para garantir a máxima digestibilidade do amido, que é o principal nutriente do snaplage. A produtividade da matéria seca da silagem de espiga é outra vantagem. O rendimento geralmente é cerca de 15-20% maior que a silagem de grão úmido devido a presença da palha e sabugo. Isso pode representar menor custo por tonelada produzida.

Silagem de grão úmidoImagem 1: Silagem de grão úmido (Fonte: Rehagro Ensino)

Outro fator, que poucos levam em consideração, mas que merece uma ressalva importante, não está ligado diretamente à qualidade ou às características do alimento snaplage. Ele diz respeito aos seus benefícios indiretos na lavoura, como a colheita da espiga.

A técnica deixa na roça um volume interessante de matéria orgânica que pode ser utilizado como fonte de fibra para diversas categorias de animais. É importante colocá-las para pastejar na área ou para o processo de plantio direto, que é extremamente interessante e positivo.

Existem muitas alternativas a serem consideradas na busca pela eficiência produtiva dentro da cadeia da carne. Alimentos e insumos utilizados nas dietas são potencialmente os principais responsáveis pelo desempenho dos animais, principalmente em confinamento. Sendo assim, criar espaço e desmistificar ferramentas é fundamental para a evolução do processo.

A snaplage é um alimento rico, de grande potencial produtivo e econômico, e deve ser levado em consideração nas atividades onde se fornecem alimentos ensilados aos animais.

Dica extra!

Aqui no Rehagro, temos o Curso Online Gestão na Pecuária de Corte, que é uma capacitação que reúne a solução para os maiores problemas que os pecuaristas enfrentam na nutrição, reprodução, sanidade, gestão financeira e de equipes, em todos os sistemas de criação.

Os professores são grandes consultores, com muitos anos de experiência no dia a dia das fazendas. Eles ensinam as técnicas e ferramentas usadas por eles para aumentar a rentabilidade na atividade, de forma muito clara, direta e prática.

Caso você tenha interesse, na nossa página você poderá encontrar mais informações!

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Manejo alimentar de vacas leiteiras em período de transição https://blog.rehagro.com.br/webinar-manejo-alimentar-em-periodo-de-transicao/ Tue, 13 Aug 2019 20:18:36 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5959 O período de transição de vacas leiteiras é um grande desafio. Durante esse momento, as vacas passam por uma série de alterações metabólicas e fisiológicas. Para falar sobre esse assunto, apresentamos o elogiado WEBINAR do PhD da Universidade da Florida, José Eduardo Portela, falando sobre Manejo alimentar de vacas em período de transição. Clique aqui […]

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O período de transição de vacas leiteiras é um grande desafio. Durante esse momento, as vacas passam por uma série de alterações metabólicas e fisiológicas.

Para falar sobre esse assunto, apresentamos o elogiado WEBINAR do PhD da Universidade da Florida, José Eduardo Portela, falando sobre Manejo alimentar de vacas em período de transição.

Pós-Graduação Nutrição de Bovinos Leiteiros

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Formulação de dietas para bovinos leiteiros: veja passos essenciais https://blog.rehagro.com.br/dietas-para-bovinos-leiteiros/ https://blog.rehagro.com.br/dietas-para-bovinos-leiteiros/#comments Fri, 13 Jul 2018 14:19:28 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4714 O manejo nutricional de bovinos leiteiros é um aspecto de grande impacto sobre os resultados financeiros na atividade. A alimentação pode chegar a representar mais da metade dos custos de produção e, por isso, um planejamento deve ser muito bem feito, para assegurar máxima rentabilidade ao produtor. Formular dietas para bovinos leiteiros não é tão […]

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O manejo nutricional de bovinos leiteiros é um aspecto de grande impacto sobre os resultados financeiros na atividade. A alimentação pode chegar a representar mais da metade dos custos de produção e, por isso, um planejamento deve ser muito bem feito, para assegurar máxima rentabilidade ao produtor.

Formular dietas para bovinos leiteiros não é tão simples quanto se costuma acreditar! Envolve muito mais do que receitas prontas e vai muito além da indicação do uso de aditivos, sendo necessário grande conhecimento da composição dos alimentos, exigências dos animais e dos objetivos que se quer alcançar.

 

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Como primeiro e essencial ponto, é preciso conhecer de perto o rebanho e a fazenda. Genética e ambiente irão afetar diretamente o resultado da alimentação. Os alimentos volumosos disponíveis na propriedade deverão ser analisados visualmente e por análises laboratoriais para saber como ele  poderá ser utilizado na composição da dieta.

As exigências nutricionais de cada categoria deverão ser atendidas de modo a promover a manutenção e alcance de metas. Por exemplo, a categoria novilhas deverá alcançar determinado peso e tamanho para atingir a meta de entrar em reprodução com a idade correta, normalmente, de forma precoce.

As vacas, além de produzirem leite, devem se reproduzir de forma adequada, tendo o seu balanço energético adequado para tanto. Vacas em período de transição, por exemplo, necessitam de um manejo nutricional específico, que deve ser atendido com atenção.

O responsável pela nutrição de um rebanho deverá ter conhecimentos sobre os alimentos e seus valores nutricionais. O entendimento de um alimento passa também pela função que o mesmo exercerá no organismo do animal.

Para tanto, algumas perguntas simples podem ser feitas:

  • Ele irá promover ruminação?
  • Será benéfico para a microbiota desejável do rúmen, aquela que gera mais energia e proteína?
  • O alimento será degradado no rúmen ou chegará intacto ao intestino?
  • Ao chegar ao intestino ele será utilizado pelo animal ou nem será absorvido, sendo perdido nas fezes?

Fibra para dieta de bovinos leiteiros

Um nutricionista conhece bem a composição dos alimentos e também a forma como deverá ser oferecido, como por exemplo, o tamanho da fibra.

Por fim, um consultor em nutrição, tendo o conhecimento de que a alimentação é o item de maior custo dentro do sistema de produção de leite, deverá estar sempre atento aos preços de insumos, buscando uma dieta que tenha como resultado a lucratividade.

É importante ressaltar que, na maioria das vezes, uma dieta de mínimo custo, não é aquela de máxima eficiência!

Outro ponto bastante importante quando se considera a nutrição animal é a certeza de que dieta formulada será realmente consumida pelo animal. Devemos sempre considerar que, em uma fazenda, na verdade, existem ao menos três dietas diferentes:

  1. A dieta que o nutricionista formulou com o auxílio do computador;
  2. A dieta que o tratador entendeu que é a correta ou que tem capacidade de preparar;
  3. A dieta, a que a vaca consome, com o todo o seu poder de seleção e capacidade de alimentação.

E-book Aditivos na Dieta dos Bovinos Leiteiros

Principais aspectos afetados por uma nutrição inadequada dos bovinos leiteiros

Baixa produtividade

A produção de leite começa pela boca da vaca. É a alimentação oferecida, juntamente com a genética e o ambiente, que promoverá uma boa produção.

Uma nutrição inadequada pode, muitas vezes, não estar especificamente ocasionando baixas produtividades, mas impedindo o animal de expressar todo o seu potencial produtivo.

As exigências nutricionais de bovinos leiteiros variam de acordo com:

  • Categoria – bezerras, novilhas, vacas secas, vacas em lactação;
  • Fase de lactação;
  • Nível de produção;
  • Idade da vaca;
  • Condição corporal.

O estágio da lactação afeta a produção e composição do leite, o consumo de alimentos e mudanças no peso vivo do animal. Vacas no início da lactação produzem mais e, portanto, necessitam de melhor aporte nutricional, por exemplo.

Um plano de alimentação para vacas em lactação deve considerar os três estádios da curva de lactação. O não atendimento das necessidades específicas de cada fase pode prejudicar o potencial produtivo de cada uma delas ou, até mesmo, encurtar a persistência da lactação.

Curva de lactação da dieta para bovinos leiteirosCurva de lactação / Fonte: Ideagri

A idade do animal influencia as exigências alimentares na medida em que o nível de produção e as necessidades de mantença e desenvolvimento variam sob esse aspecto. Por exemplo, animais reprodutivamente precoces, que continuam em crescimento durante uma ou duas lactações, devem receber alimentos com qualidades superiores àqueles que estão em função apenas da produção de leite.

Um bom plano nutricional deve respeitar não só a produção, mas também o desenvolvimento corporal do animal.

Um nutricionista sabe que a recuperação da condição corporal de uma vaca acontece no pós-parto, mas não no período de balanço energético negativo, onde se deve focar em não permitir perda de peso.

Correr atrás do prejuízo na fase final da gestação, não só não oferece resultados para a vaca, como favorece a ocorrência de doenças metabólicas no pós-parto imediato. Então, qual a composição e quantidade devem ser fornecidas ao animal em cada fase? Consulte um nutricionista!

Um custo maior com a alimentação pode se transformar num lucro maior ainda, trazendo um resultado final positivo.

Doenças nutricionais

Uma grande parte das doenças enfrentadas por rebanhos leiteiros vêm, não de problemas sanitários, mas de um plano nutricional deficiente.

Você já ouviu falar de acidose? Sofre com problemas de casco no rebanho? Já viu muita retenção de placenta e infecção uterina? E a mastite? Deslocamento de abomaso?

A maior parte dos produtores de leite tecnificados conhece de perto ou se preocupa com todos esses problemas. A questão é: em que nível acontecem.

Uma elevada incidência dessas doenças em uma propriedade leiteira significa, não apenas um animal doente, mas uma fazenda doente, que necessita de melhor atenção na dieta e manejo nutricional.

Segundo o médico veterinário Bolivar Nóbrega de Faria, doutor em ciência animal, a nutrição é tão importante que o veterinário clínico está tendo que se especializar no assunto, trabalhando com o que se chama medicina de produção.

“A produção depende diretamente da nutrição e é ela que move a fazenda, desde a venda de leite até a comercialização de animais saudáveis. Falando em saúde, a maior parte das doenças na bovinocultura de leite moderna tem um fundo ou predisposição nutricional. Outro ponto importante é a reprodução, uma das maiores causas de descarte de animais. Se não houver um trabalho conjunto de nutrição e reprodução os índices reprodutivos serão baixos”.

Relação concentrado x volumoso

Relações entre concentrado e volumoso inadequadas são comuns nos rebanhos brasileiros. Um balanceamento incorreto entre fibra fisicamente efetiva e carboidratos não fibrosos é capaz de gerar um ciclo vicioso de enfermidades ligadas entre si.

É até desejável um pH ruminal ligeiramente ácido (respeitando o limite de 5,5) para maximizar a produção de leite de bovinos leiteiros, porque a digestibilidade da dieta e o rendimento da proteína microbiana produzida no rúmen são maximizados quando dietas altamente fermentáveis (concentrados) são consumidas.

Com a diminuição exagerada do pH ruminal, entretanto, há redução do apetite, da motilidade ruminal, da produção microbiana e da digestão da fibra.

O fornecimento excessivo de concentrados pode acarretar a chamada acidose subclínica. A etiologia da doença é explicada pelo aumento, ocasionado pelos alimentos altamente fermentáveis, dos níveis de ácidos no rúmen. Esses casos crônicos da doença podem apresentar como sintomas diarreia em parte do rebanho, diminuição dos movimentos gastrointestinais, diminuição na gordura do leite, laminite e úlcera de sola.

Úlcera de solaÚlcera de sola – problemas de casco podem ser decorrentes de erros no manejo nutricional, e não somente um problema de instalações

A diminuição dos movimentos gastrointestinais, levando à hipomotilidade do abomaso, relaciona a incidência de acidose ruminal à ocorrência de deslocamento de abomaso. É importante frisar que a etiologia do deslocamento de abomaso é multifatorial, sendo esse um dos fatores predisponentes da doença.

Os sintomas apresentados por um animal com deslocamento de abomaso à esquerda, normalmente, são apetite diminuído e seletivo, desidratação moderada a severa e grande queda na produção de leite. É facilmente diagnosticado e sua correção é cirúrgica.

O prejuízo fica a cargo dos custos com o tratamento, queda na produção, descartes involuntários de animais e até mesmo morte

Apesar de os altos níveis de concentrados nas dietas causarem diversas enfermidades, o contrário também pode levar a uma enfermidade chamada cetose.

Vacas com alta demanda de energia, como as do lote de pós-parto imediato, irão mobilizar seus depósitos de gordura corporal para atender à demanda de produção de leite não suprida por uma dieta pobre em energia e rica em fibra.

Os sintomas incluem depressão, rápida perda de peso, queda na produção, constipação, fezes cobertas com muco, entre outros. Geralmente comem feno ou outra forragem, mas recusam-se a comer concentrados.

O valor do nutricionista na formulação de dietas para bovinos

  • Quanto vale uma vaca produtiva e saudável?
  • Qual o prejuízo no descarte de um animal prematuramente?
  • Quanto vale uma novilha chegando à idade correta à puberdade?
  • Quanto custa o tratamento de todo o rebanho com problemas nos cascos?
  • Quanto vale uma bezerra saudável e desmamada mais cedo?
  • Quanto custa o investimento em um insumo de qualidade que não deu o resultado esperado?

Valores alcançados somados ao menor custo com os itens citados e outros inúmeros não mencionados são iguais ao resultado do trabalho de um bom nutricionista. Entende-se por resultado, não só o financeiro, mas também a satisfação do produtor com um dia a dia onde é possível focar mais no trabalho e menos em problemas.

Um bom nutricionista é de grande auxílio ao produtor, principalmente em épocas como a que estamos vivendo hoje, de alta de insumos, como o milho e a soja.

Esses profissionais podem apresentar estratégias nutricionais que mantenham uma boa produtividade, otimizem os custos e elevem a margem de lucro do negócio.

Pós-Graduação em Nutrição de Bovinos Leiteiros

Bruno Guimarães

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