ordenha Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/ordenha/ Wed, 23 Nov 2022 12:23:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://blog.rehagro.com.br/wp-content/uploads/2018/05/favicon-rehagro.png ordenha Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/ordenha/ 32 32 Pré-dipping e pós-dipping: pontos de controle da qualidade do leite https://blog.rehagro.com.br/pre-dipping-e-pos-dipping/ https://blog.rehagro.com.br/pre-dipping-e-pos-dipping/#respond Fri, 11 Mar 2022 13:30:09 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=11904 A ocorrência de casos de mastite está diretamente relacionada à interação de fatores ambientais e práticas de manejo, ao agente causador de mastite e à capacidade da vaca em debelar o processo inflamatório e infeccioso. Sendo assim, um dos pontos chave no controle da mastite é a redução da exposição dos tetos a esses agentes. […]

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A ocorrência de casos de mastite está diretamente relacionada à interação de fatores ambientais e práticas de manejo, ao agente causador de mastite e à capacidade da vaca em debelar o processo inflamatório e infeccioso. Sendo assim, um dos pontos chave no controle da mastite é a redução da exposição dos tetos a esses agentes.

Para que isso seja possível, é fundamental adotarmos medidas simples de higiene dos tetos, garantindo a adequada desinfecção antes e após a ordenha. Uma dessas medidas é a utilização das soluções desinfetantes de pré-dipping e pós-dipping.

 

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Mas o que é o pré dipping e o pós-dipping? Quais as principais bases dessas soluções? Quais os principais pontos de atenção durante a utilização?

Copos Para Aplicação de Pré e Pós-dippingCopo sem retorno para aplicação de pré e pós-dipping. (Fonte: Gabriela Magioni – Equipe Leite Rehagro)

Pré-dipping

O pré-dipping consiste em uma solução responsável pela desinfecção dos tetos antes da colocação das teteiras, reduzindo assim a contaminação da pele dos tetos e principalmente os casos de mastite por agentes ambientais. Além disso, a higienização dos tetos antes da ordenha contribui para a qualidade higiênica do leite, sendo um fator importante na redução da CBT (contagem bacteriana total) do leite do tanque.

Pontos de atenção

Para que a solução pré-dipping tenha a ação desinfetante esperada, é fundamental garantirmos alguns pontos:

  • A solução deve ser colocada em um copo sem retorno, evitando a contaminação da solução;
  • O copo do pré-dipping deve estar limpo;
  • A solução pré-dipping deve ser passada cobrindo todo o teto;
  • Os tetos muito sujos devem ser higienizados antes da utilização do pré-dipping para não perder seu efeito desinfetante;
  • O tempo de ação da solução nos tetos deve ser de pelo menos 30 segundos.

Além disso, é importante utilizarmos apenas produtos específicos que apresentem indicação para essa finalidade. Outros produtos desinfetantes que não possuem recomendação para uso em rotina de ordenha podem comprometer a integridade física da pele dos tetos e aumentar o risco de mastite, além de não termos a garantia de eficácia do produto ou da possibilidade de resíduo no leite.

Outro ponto de atenção refere-se a produtos que necessitam de diluição. Nesses casos, devemos garantir que a diluição do produto seja feita de forma correta e que a água utilizada para essa finalidade seja de qualidade (potável). O não cumprimento desses itens irá comprometer a eficácia do produto.

Equipamentos para ordenhaLimpeza e organização dos utensílios e equipamentos antes da ordenha. (Fonte: Gabriela Magioni – Equipe Leite Rehagro)

Princípios ativos

Os princípios ativos mais comuns utilizados em soluções pré-dipping são:

  • Iodo;
  • Hipoclorito de sódio;
  • Clorexidina;
  • Ácido lático.
  • Um ponto importante em relação ao hipoclorito de sódio é que a solução é bastante volátil, sendo necessário manter o galão com o produto bem vedado.

Outro aspecto relevante é não utilizar o hipoclorito de sódio que encontramos em supermercados, mais conhecido como água sanitária, pois além de não ter recomendação para utilização em ordenha, a água sanitária possui soda cáustica em sua composição, que também compromete de modo considerável a integridade dos tetos.

Pré-dippingAplicação de pré-dipping com copo sem retorno. (Fonte: Gabriela Magioni – Equipe Leite Rehagro)

Pós-dipping

Durante a ordenha os tetos entram em contato com as mãos dos ordenhadores e teteiras contaminadas, que contribuem para a transmissão de mastite por agentes do tipo contagiosos. Por esse motivo, precisamos garantir que os tetos após a ordenha também sejam desinfetados e com redução da carga de agentes causadores de mastite.

Manual de controle da mastite

Para essa desinfecção utilizamos a solução pós-dipping. Essa medida possui efeito sobre a incidência de novos casos de mastite e CCS (contagem de células somáticas) do rebanho.

Outro benefício da solução pós-dipping é manter a pele dos tetos bem hidratada e íntegra, contribuindo para redução dos casos de mastite. Assim como a solução pré-dipping, os pontos de atenção da solução pós-dipping incluem a higiene do copo sem retorno e garantir que o produto esteja cobrindo todo o teto.

Princípio ativo

O principal princípio ativo de soluções pós-dipping é o iodo, que possui atividade bactericida, fungicida e viricida, ressaltando a boa eficácia na prevenção de mastites contagiosas causadas por Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae.

Pós-dippingAplicação de pós-dipping com copo sem retorno. (Fonte: Gabriela Magioni – Equipe Leite Rehagro)

Considerações finais

Considerando os prejuízos causados pela mastite, como gastos com medicamentos, descarte de leite e, principalmente, perda de produção, medidas de controle da mastite são fundamentais para a saúde do rebanho e rentabilidade da fazenda.

Com pequenos e simples ajustes na rotina de ordenha para garantir a correta desinfecção dos tetos antes e após a ordenha é possível produzir um leite de melhor qualidade e reduzir a incidência de mastite.

Produtor, como andam os casos de mastite em sua fazenda? Você conhece o impacto da mastite no seu sistema? Quanto de leite as suas vacas estão deixando de produzir? Quais ações você realiza para prevenir e controlar a incidência de mastite em suas vacas?

Por quê não conhecer mais de perto a sua fazenda, aprimorar a visão sobre o sistema e alavancar o desempenho e a rentabilidade?

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Contagem de células somáticas do leite: importância e como reduzir https://blog.rehagro.com.br/contagem-de-celulas-somaticas-do-leite-definicao-importancia-e-como-reduzir/ https://blog.rehagro.com.br/contagem-de-celulas-somaticas-do-leite-definicao-importancia-e-como-reduzir/#respond Wed, 16 Sep 2020 13:14:13 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8262 A CCS, ou contagem de células somáticas, consiste em uma importante ferramenta que indica a saúde da glândula mamária de vacas leiteiras. As células somáticas são representadas por células de descamação do epitélio da própria glândula mamária e por células de defesa (leucócitos) que passam do sangue para o úbere. Vacas sadias e com boa […]

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A CCS, ou contagem de células somáticas, consiste em uma importante ferramenta que indica a saúde da glândula mamária de vacas leiteiras.

As células somáticas são representadas por células de descamação do epitélio da própria glândula mamária e por células de defesa (leucócitos) que passam do sangue para o úbere.

Vacas sadias e com boa saúde da glândula mamária possuem valores de CCS de até 200.000 células/mL de leite.

 

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Valores superiores indicam que há algum desequilíbrio na glândula mamária, possivelmente devido a ocorrência de mastite. Conforme demonstrado pela tabela abaixo, a elevação da contagem de células somáticas está diretamente associada à redução da produção de leite.

Tabela com prevalência de infecção associada à alta contagem de CCS¹ Perda de produção calculada como porcentagem da produção esperada a 200.000 cél./mL.
* Contagem de células somáticas do tanque de expansão

Em uma situação onde a CCS do rebanho no tanque de expansão é de 500.000 células/mL, por exemplo, estima-se que o percentual de quartos mamários infectados no rebanho seja próximo a 16% e que as perdas na produção de leite girem em torno de 6%.

Além das perdas na produção de leite, a elevação da CCS contribui de forma negativa também com o aumento dos custos com tratamentos, descarte de leite, alteração na composição do leite (diminuição da gordura, caseína e lactose no leite) e perda da bonificação no pagamento do leite pelos laticínios.

Em casos onde a contagem de células somáticas permanece elevada (> 200 mil células/mL) de forma crônica a tendência é de que a vaca seja descartada do rebanho, caracterizando assim um outro impacto negativo do aumento da CCS.

O gráfico abaixo representa a relação entre os valores de CCS e a produção de leite na primeira lactação e da segunda lactação em diante. Pode-se observar que a queda na produção de leite está diretamente associada ao aumento na contagem de células somáticas dos quartos mamários.

Relação entre a produção de leite e a contagem média de CCS

É devido a estes fatores que é de grande interesse do produtor e de grande relevância para os animais e para o sistema de produção atuar para diminuir a contagem de células somáticas do leite. Para isso torna-se necessário prevenir, controlar e monitorar a mastite no rebanho, eliminando as infecções existentes e reduzindo novas infecções.

Manual de controle da mastite

Aumento da contagem de células somáticas (CCS) e a mastite

Conforme já citado anteriormente, a mastite representa o principal fator para o aumento da CCS. Sendo assim, torna-se importante entender um pouco sobre esta enfermidade.

A mastite pode ser classificada de duas formas, quanto a sua apresentação ou em relação ao agente causador. Quanto a sua apresentação, a mastite pode ser clínica ou subclínica.

A mastite clínica é caracterizada por demonstrações evidentes de processo infeccioso na glândula mamária através da apresentação de grumos e/ou sangue no leite, inchaço, vermelhidão e dor no úbere ao toque, podendo ocorrer até mesmo febre e desidratação do animal.

Por sua vez, a mastite subclínica não apresenta sinais clínicos visíveis, apenas o aumento da contagem de células somática no leite.

Já em relação ao agente causador, a mastite pode ser classificada como contagiosa ou ambiental.

Nas mastites contagiosas, os microrganismos tipicamente envolvidos na infecção possuem boa adaptação ao úbere da vaca, como é o caso das bactérias Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae. Estes patógenos possuem como principais reservatórios o úbere infectado, sendo bastante disseminados durante as ordenhas, seja de uma vaca infectada para uma vaca saudável ou entre quartos mamários.

Os principais meios de disseminação dos agentes contagiosos são o uso do equipamento de ordenha contaminado e mal higienizado, uso de uma toalha/papel para secagem de mais de um teto (o ideal é utilizar uma ou até duas toalhas/papeis por cada teto) e a mão dos ordenhadores. As infecções contagiosas tendem a serem persistentes na glândula mamária e se apresentarem de forma subclínica, podendo ocorrer episódios clínicos intermitentes.

As melhores formas de controle e prevenção da mastite contagiosa se dão através da realização da linha de ordenha, higienização adequada dos equipamentos de ordenha, desinfecção dos tetos após a ordenha, identificação e segregação dos animais infectados, tratamento de vaca seca.

Por outro lado, as mastites ambientais são geralmente ocasionadas por patógenos oportunistas, ou seja, não são adaptados ao úbere da vaca. Devido a este fato, é comum que as mastites ambientais sejam transitórias e apresentem casos clínicos graves, gerando queda brusca na produção de leite e até mesmo o óbito do animal.

Os agentes mais identificados neste tipo de mastite são os coliformes (Escherichia coli, Klebsiella spp., ect) e os Streptococcus (exceto o S. agalactiae), estando bastante presentes no ambiente onde as vacas vivem.

Realizar um bom manejo do ambiente evitando o acúmulo de matéria orgânica representa uma medida preventiva e de controle fundamental para os casos de mastite ambiental.

Para eliminar as infecções existentes é necessário identificar quais são os animais contaminados. A detecção da mastite subclínica pode ser realizada com o auxílio do California Mastitis Test (CMT) ou da CCS eletrônica, na qual deve ser coletada uma amostra de cada animal com auxílio de coletores e enviadas ao laboratório.

O recomendado é que o monitoramento da CCS eletrônica seja feito no mínimo uma vez por mês. A realização do teste de CMT juntamente a definição da frequência para sua realização ficam a critério do médico veterinário que acompanha a propriedade.

Para detectar a mastite clínica é necessário realizar o teste da caneca de fundo escuro no início de cada ordenha de cada animal. Neste teste, coleta-se os três primeiros jatos de leite de forma vigorosa de cada teto, observando a presença ou não de grumos no leite.

Em casos positivos o leite ordenhado do quarto afetado deve ser desviado do tanque, sendo recomendado a coleta de uma amostra desse leite para que seja feita a cultura microbiológica no intuito de identificar o agente patogênico envolvido (bactéria, fungo, levedura, alga).

Os exames de cultura microbiológica podem ser feitos em laboratórios especializados ou na própria fazenda caso detenha os equipamentos necessários. Sua realização é extremamente importante para o entendimento da dinâmica da mastite no rebanho e para definição dos tratamentos, uma vez que cerca de 50% dos cultivos microbiológicos não são indicativos de tratamento.

Assim como para a mastite subclínica, o auxílio do médico veterinário responsável pela propriedade é extremamente importante para a elaboração de protocolos de tratamento e estratégias de controle da mastite clínica.

Ações preventivas para auxiliar na redução de novos casos de mastite

Higiene e conforto no ambiente de permanência dos animais

O local de permanência dos animais deve ser o mais limpo possível, não havendo acúmulo de matéria orgânica. Esta medida reduz as chances do animal se infectar com patógenos ambientais no intervalo entre as ordenhas. O local também deve conter sombreamento adequado de forma a reduzir os impactos do estresse térmico.

Adequada rotina de ordenha

São medidas importantes e essenciais: realização do teste da caneca para detecção de alterações no leite, realização de pré e pós-dipping e secagem dos tetos com um ou dois papéis/toalhas por teto. A premissa é de que a ordenha deve ser feita em tetos limpos e secos.

É importante que o tempo decorrido entre o teste da caneca e a colocação das teteiras seja em média de 1 minuto e meio, tempo que permite a melhor estimulação do animal e melhor atuação da ocitocina endógena para uma ordenha completa e gentil.

Para reduzir a infeção por patógenos contagiosos, as principais medidas são o uso do pós-dipping para eliminar os patógenos carreados pelas teteiras de uma vaca para outra, uso de luvas de forma higiênica pelos ordenhadores e limpeza e desinfecção adequada dos equipamentos de ordenha.

Outra ação que pode auxiliar na redução da contagem de células somáticas é o fornecimento de alimento de qualidade para as vacas logo após a ordenha. Esta prática evita que as vacas deitem imediatamente após o térmico da ordenha e que microrganismos adentrem à glândula mamária, já que nesse momento os esfíncteres dos tetos ainda estão abertos e assim permanecem por cerca de 30 minutos, facilitando a ocorrência de mastite.

Sequência de imagens mostrando uma rotina adequada de ordenha

Tratamento imediato de casos clínicos

Após a detecção de mastite clínica no teste da caneca de fundo escuro, o animal deve ser tratado o mais rápido possível. Quanto mais precoce for o início do tratamento, maior a chance de cura.

Outro fator que aumenta as chances de cura de casos clínicos é a cultura microbiológica, em que é possível direcionar o tratamento de acordo com a bactéria identificada.

Limpeza e manutenção do equipamento de ordenha

O aumento da ocorrência de mastite pode estar associado diretamente ao mau funcionamento do equipamento de ordenha, que pode acarretar no refluxo de leite para a glândula mamária, piora do escore de esfíncter de teto dos animais e ordenha incompleta do animal.

Outro fator que influencia diretamente na ocorrência de mastite é a limpeza inadequada dos equipamentos, que pode favorecer a contaminação dos animais durante a ordenha.

Terapia de vaca seca

Nesse tratamento são utilizados antibióticos intramamários de longa ação no momento da secagem das vacas com o objetivo de aumentar as chances de cura de infecções subclínicas existentes da lactação anterior e, também, evitar novas infecções no período seco. Deve ser realizado após a última ordenha da lactação, em todos os quartos mamários.

Há também a opção do uso do selante intramamário, que forma uma barreira física que impede a entrada de patógenos enquanto o tampão de queratina natural do animal não se formou.

Descarte e identificação de animais crônicos

Outro ponto importante é o descarte de animais que não respondem com sucesso aos tratamentos, além da segregação dos animais infectados através da linha de ordenha e divisão dos lotes.

Devemos lembrar que esses animais são fonte de infecção e devem ficar separados dos demais, sendo ordenhados por último. Em fazendas com problema por Staphylococcus aureus, os animais infectados por esta bactéria devem ser ordenhados por último e descartados assim que possível para evitar contaminação dos animais saudáveis. A taxa de cura das mastites por esta bactéria é extremamente baixa, ou até mesmo nula.

Outra bactéria que necessita de atenção especial é o Streptococcus agalactiae, entretanto, ao contrário do S. aureus, a taxa de cura varia de 80% a 100%. O método recomendado para tratamento e erradicação de S. agalactiae é a blitzterapia, que consiste no tratamento de todos os animais positivos para S. agalactiae durante a lactação com antibiótico intramamário por 3 dias com aplicação em todos os quartos mamários.

Feito este tratamento, deve-se realizar novas culturas no 7º e 14º dia após o tratamento e, somente assim, considerar o animal negativo e curado. Também é recomendado a realização da cultura microbiológica do leite das vacas e novilhas recém-paridas.

O monitoramento contínuo da situação no rebanho é outro fator imprescindível para a manutenção da baixa contagem de células somáticas no leite do tanque.

Através desse monitoramento objetiva-se ter um controle da ocorrência de novas infecções da mastite clínica e subclínica no rebanho, do número de casos crônicos e do perfil microbiológico dos agentes patogênicos. Esta ação permite construir uma base de dados que ajudará no entendimento da dinâmica da mastite no rebanho e nas tomadas de decisão para reduzir a CCS do leite.

Realizando-se todas essas medidas é esperado sucesso na redução da contagem de células somáticas do leite e, consequentemente, na redução dos prejuízos causados pela mastite.

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Como melhorar a qualidade do leite? Saiba os principais parâmetros https://blog.rehagro.com.br/como-melhorar-a-qualidade-do-leite-nas-fazendas/ https://blog.rehagro.com.br/como-melhorar-a-qualidade-do-leite-nas-fazendas/#comments Thu, 04 Oct 2018 18:06:46 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5254 O Brasil é um dos maiores produtores de leite do mundo. Sendo essa, uma das principais atividades do agronegócio nacional e uma área muito importante na geração de emprego e de capital para o país. Além da produção, outro fator muito importante para a atividade leiteira é a qualidade do leite. E isso é bem […]

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O Brasil é um dos maiores produtores de leite do mundo. Sendo essa, uma das principais atividades do agronegócio nacional e uma área muito importante na geração de emprego e de capital para o país. Além da produção, outro fator muito importante para a atividade leiteira é a qualidade do leite.

E isso é bem evidenciado com alguns programas de remuneração realizados entre a indústria de beneficiamento do leite e os produtores. Conforme o leite tenha os níveis desejáveis de qualidade pela indústria, o produtor é mais bem remunerado pelo seu produto.

O governo também reconhece a importância da qualidade do leite. O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) criou em 2002, a Instrução Normativa 51, onde foi estipulado padrões para a qualidade do leite produzido no Brasil, definindo como deve ser de maneira higiênica, a obtenção, a produção, o armazenamento e a comercialização do leite.

 

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Segundo o MAPA, para ser considerado de qualidade, o leite deve apresentar:

  • Boa composição química e propriedades físicas;
  • Baixas quantidades na Contagem Bacteriana Total (CBT);
  • Baixas quantidades na Contagem Células Somáticas (CCS);
  • Ausência de agentes patológicos e contaminantes no leite.

Sabendo desses critérios, podemos realizar algumas intervenções no rebanho que podem favorecer a qualidade do leite antes da sua obtenção.

Fatores importantes para a qualidade do leite

Um dos fatores mais importantes na qualidade do leite é a sua composição. Para ter bons padrões de qualidade, foi criado em 2011 a Instrução Normativa 62, onde é definido que o leite cru deve apresentar no mínimo:

  • 3% de gordura;
  • 2,9% de proteína e;
  • 8,4% de sólidos totais.

Teor de gordura

Um dos principais componentes do leite é a gordura. E esse componente, pode ser muito influenciado pela nutrição recebida pelo animal. Quando é fornecido ao animal, uma dieta com alimentos volumosos, ricos em carboidratos estruturais (celulose e hemicelulose), tem-se um favorecimento na produção de ácido acético e butírico, pela fermentação ruminal.

Com o aumento das concentrações molares desses ácidos graxos voláteis no rúmen, obtém-se o aumento do teor de gordura no leite, pois desses produtos da fermentação das fibras (ácido acético e butírico) é que são formadas no úbere 50% da gordura do leite.

Mas se a dieta fornecida tiver uma quantidade maior de concentrado, alterando o tipo de fermentação e levando a produção de ácido propiônico, o teor da gordura no leite poderá ser menor.

Utilização de ácidos graxos voláteis no leite

Utilização dos ácidos graxos voláteis na formação dos componentes orgânicos do leite. (Fonte: Mülbach, 2004)

O uso de gorduras protegidas na dieta dos animais pode levar a um aumento singelo no percentual de gordura. Mas quando se tem o uso de gorduras insaturadas ou em maiores medidas na dieta, tem-se uma queda grande no teor de gordura.

Pode ocorrer também, a redução no teor de gordura quando tem o uso de lipídeos, pois dependendo da quantidade pode alterar a fermentação da celulose e hemicelulose dos alimentos fazendo com que ocorra uma queda na quantidade de gordura no leite.

Com isso, a nutrição animal, é um processo importante na obtenção de um leite com bons níveis de gordura.

Fornecer uma dieta que tenha uma proporção adequada de concentrado e volumoso, não ultrapassando a proporção de 50% de cada tipo de alimento, que contenha boa qualidade e qualidade de fibras e de ácidos graxos, é importante para que a vaca consiga realizar uma fermentação adequada, para que ocorra uma boa produção de ácido acético e butírico, levando a melhora na quantidade de gordura do leite, por meio de processos fisiológicos do animal (Mühlbach, 2004).

Segundo Sutton e Morrant (1989), outra maneira de ter bons níveis de gordura no leite, é o fornecimento de alimentos com mais frequência. Com isso, o pH ruminal é mantido com menos variações e há uma manutenção dos micro-organismos produtores de ácido acético no rúmen.

Proteína

Outro componente importante do leite é a proteína, mas esse componente não é muito alterado pela dieta como a gordura, sendo estimado que para cada 1% de proteína acrescentada na dieta, seja aumentado cerca de 0,02% de proteína no leite. Esse aumento de proteína dietético pode aumentar o nível de nitrogênio não proteico do leite, podendo ser mensurado pela quantidade de ureia no leite.

As proteínas do leite são produzidas nas células alveolares, tendo como precursor alguns aminoácidos advindos do sangue. O teor baixo de proteínas no leite pode ser causado pela baixa produção de proteína microbiana pelo animal, ou a baixa absorção de proteína pelo intestino do animal.

Lactose

A lactose está ligada com o controle do volume de leite e por estar ligada ao sistema endócrino do animal o seu teor vai ter pouca variação.

Essa lactose é mais influenciada pela produção de glicose no fígado, após a absorção de ácido propiônico pelo rúmen (sendo esse mais produzido em dietas com maiores proporções de alimento concentrado) e da transformação de certos aminoácidos.

Contagem de células somáticas (CCS)

Um grande problema envolvido na qualidade do leite é a Contagem de Células Somáticas (CCS). Altos níveis de CCS são indicadores de mastite no rebanho. Essa doença acontece por 137 diferentes agentes etiológicos, entre esses destacam-se o vírus, algas, fungos e principalmente bactérias.

Segundo Langoni (2000), a mastite é a principal afecção dos animais na produção leiteira, e essa doença altera os padrões físicos, químicos e microbiológicos do leite e da saúde da glândula mamária. As principais alterações são o sabor salgado do leite e redução do teor de proteína e gordura do leite.

Manual de Controle da Mastite

Alguns outros fatores além da mastite podem interferir na CCS, como:

  • Época do ano;
  • Raça;
  • Estágio de lactação;
  • Produção do leite;
  • Número de lactações;
  • Problemas de manejo;
  • Problemas nutricionais
  • Clima;
  • Doenças recorrentes.

Existem algumas medidas simples que podem fazer com que ocorra redução na CCS, melhorando a qualidade do leite como:

  • Realizar sempre a higiene e desinfecção de todos os equipamentos e das mãos do ordenhador. Essa é uma medida que auxilia também na redução de infecção de vacas saudáveis pelos agentes da mastite, o que reduz o número de CCS da propriedade. A higiene adequada das teteiras entre uma ordenha e outra em propriedades que possuem grandes incidências de mastites subclínicas, gerou redução dessa doença de 96% para 47% (Amaral, 2004);
  • Realizar com os primeiros jatos de leite o teste da caneca de fundo escuro, que serve para observação de grumos, sangue ou qualquer outra secreção. Nas vacas onde tem essas alterações encontradas, deve-se fazer a ordenha das mesmas por último, evitando a disseminação de mastite pelo rebanho;
  • Realizar a limpeza e secagem dos tetos, realização do pré-dipping e do pós-dipping (Mendes, 2006);
  • Realizar o tratamento de todos os tetos das vacas secas, visando acabar com a mastite subclínica;
  • Evitar qualquer tipo de lesão nos tetos;
  • Fornecer alimento para os animais após a ordenha, para que os mesmos fiquem de pé até o fechamento do esfíncter do teto;
  • Descartar do rebanho animais que apresentem a mastite de forma crônica (Muller, 2002).

Composição do leite com elevada CCS

Mudanças na composição do leite associadas com elevada contagem de células somáticas (CCS). 

Contagem bacteriana total (CBT)

Outro indicador de qualidade do leite é a Contagem Bacteriana Total (CBT), que indica as condições de higiene na obtenção e conservação do leite.

A multiplicação de bactérias faz com que ocorram alterações nos componentes e reduz a qualidade do leite, e por isso tenta-se reduzir a CBT. A mastite raramente provocará uma alta CBT, exceto em casos de grandes infecções por Streptococcus agalactiae, ou em surtos de Streptococcus uberis, ou Escherichia coli.

Uma das causas mais comuns de alta CBT é a contaminação pelos tetos sujos. É importante que os tetos sejam preparados para ordenha, para evitar esse tipo de contaminação. Em casos onde a sala de ordenha é contaminada há um aumento significativo na CBT.

Alguns estudos mostraram que 10% dos microrganismos presentes no leite, advinham dos equipamentos. Entre uma ordenha e outra, deve ser realizada a limpeza e desinfecção de todo equipamento de ordenha. Uma deficiente limpeza nesse sistema de ordenha pode fazer com que se acumulem resíduos de leite, o que favorece o crescimento de microrganismos que são fontes de contaminação do leite.

A realização de limpezas e de desinfecções da ordenha pode reduzir em 90% o número de bactérias no leite (Mendes, 2006). Todas essas práticas devem ser rotineiras dentro das propriedades, para que esse procedimento de redução na CBT ocorra de maneira satisfatória.

A limpeza e a higienização devem ser feitas após a última vaca ser ordenhada. Segundo Álvares (2005) e Yamaguchi et al. (2006), a limpeza dos equipamentos por circulação deve ser realizada em 4 etapas:

  1. Enxágue inicial com água morna de 35ºC a 45ºC por 5 minutos sem recircular. O pré enxágue retira restos de leite que ficam na tubulação;
  2. Limpeza Alcalino-Clorada com água a 65ºC-70ºC reciclando por 10 minutos, com variação na pressão de vácuo, para que o fluxo seja turbulento capaz de dissolver a gordura acumulada;
  3. Após a drenagem da solução de detergente alcalino, fazer o pós-enxague intermediário com água em temperatura ambiente por 5 minutos;
  4. Limpeza ácida com água a temperatura ambiente por 10 minutos.

Para a limpeza dos equipamentos de ordenha deve-se usar água tratada. O uso de água sem tratamento em contato com o leite, ou equipamentos de ordenha, pode acarretar no aumento expressivo da CBT.

Outro fator importante nos índices de CBT é o armazenamento e o transporte do leite. A refrigeração do leite deve ser realizada em tanques específicos que atinjam temperaturas de 4ºC, no máximo 3 horas após a ordenha (Brasil, 2011).

Caso isso não seja obtido, haverá uma grande multiplicação dos microrganismos, gerando a contaminação do leite, prejudicando assim, a sua qualidade. A refrigeração do leite tem como objetivo reduzir o crescimento das bactérias mesófilas, que se multiplicam de forma favorável entre temperaturas de 20 a 40ºC.

Esse tipo de bactéria promove a acidificação do leite, mas com a redução da temperatura nos tanques, há um favorecimento da multiplicação das bactérias psicotróficas presentes no leite. (Machado, 2013).

Algumas medidas podem ser realizadas pelo produtor, para que o leite não seja contaminado e a CBT esteja sempre em níveis aceitáveis, como:

  • Utilização de água tratada para qualquer procedimento, para a limpeza e higienização do complexo de equipamentos de ordenha;
  • A higiene pessoal do ordenhador deve sempre realizada;
  • Realização de pré-dipping e pós-dipping;
  • Manter a sala de ordenha sempre limpa;
  • Ter sempre todos os equipamentos de ordenha em boas condições de funcionamento;
  • Realizar a cada ordenha a limpeza e higienização de todos os equipamentos e utensílios;
  • Realizar a limpeza dos tanques sempre que o leite for recolhido pelo transportador.

Um dos requisitos mais importantes para que o leite seja considerado como de boa qualidade, é o produto ser livre de qualquer tipo de agente que traga algum tipo de risco para a saúde do consumidor.

Pela quantidade de nutrientes encontrados no leite, ele se torna um meio de cultura bom para o crescimento de microrganismos, por isso o controle sanitário e boa higiene devem ser sempre visados na produção.

Controle sanitário do rebanho leiteiro

O controle sanitário dentro do rebanho leiteiro se dá por meio de medidas preventivas, contra qualquer doença que pode acometer os animais, garantindo assim, que o produto consumido pelos clientes seja próprio para o consumo e não trazendo danos à saúde dos mesmos.

Duas doenças de grande importância e que podem ser transmitidas ao homem, pelo consumo de leite contaminado são a brucelose e tuberculose.

Foi criada pelo MAPA a Instrução Normativa 62 em 2001, que define rigorosas formas de controle e de medidas profiláticas e sanitárias, que devem ser realizadas pelas propriedades, visando à erradicação dessas patologias nos rebanhos e mantém a integridade da saúde pública frente a essas zoonoses e também para gerar competitividade da pecuária nacional no mercado mundial.

A IN-62, definiu um programa de vacinação obrigatório contra a brucelose bovina, credenciando as propriedades livres e que mantinham controles rigorosos contra essa doença.

Sabendo dos impactos dessas doenças para a saúde pública e por se tratar de zoonoses, o controle sanitário de manejo e preventivo da saúde dos animais, como a vacinação, é de extrema importância dentro das propriedades que visam a produção de um leite de qualidade.

Dentro das propriedades, é comum o uso de várias substâncias visando tratamentos contra alguma doença ou agentes que prejudiquem a saúde animal. Mas um fator que deve ser levado em conta com o uso dessas substâncias, é que após sua utilização, pode ser encontrados resíduos desse produto no leite, que podem prejudicar a saúde do consumidor, levando a formação de alergias, criação de resistência microbiana aos antimicrobianos e até prejuízos tecnológicos para a indústria de laticínios (Souza et al., 2013).

Com isso, deve-se respeitar, após o uso de tais substâncias, o período de carência de cada produto utilizado nos animais. Muitos fatores como: a formulação do produto utilizado, via de administração, dosagem e o protocolo utilizado, podem influenciar nesse período de carência.

Para evitar a presença de resíduos no leite, podem-se adotar algumas medidas como:

  • Conhecer bem qual a substância será utilizada previamente;
  • Usar somente substâncias específica para animais;
  • Armazenar de forma correta esses produtos e utilizá-los corretamente conforme a categoria de animal que está em tratamento. Pois, produtos utilizados para vacas secas possuem um tempo de carência maior que para as vacas lactantes;
  • Não realizar superdosagem desses produtos nos animais;
  • As vacas em tratamento devem ser ordenhadas por último, e seu leite deve ser descartado se esse animal está dentro do período de carência.
  • Observação e conhecimento do período de carência de todas as substâncias utilizadas.

Outro fator que está sendo associado a prejuízos na qualidade do leite, é o desconforto térmico para os animais.

Segundo Titto (1998), a composição do leite pode ser alterada se os animais estiverem em situação de estresse térmico, alterando o teor de gordura, proteína e cálcio no leite. Os valores de sólidos totais do leite, também podem ter seus números diminuídos em épocas mais quentes do ano (Posano et al. 1999).

O estresse calórico pode aumentar a suscetibilidade dos animais a infecções e também as altas temperaturas podem estar associadas a um número maior de agentes infecciosos encontrados no ambiente. Segundo Smith (1989), a taxa de infecções por agente ambientais foi coincidente com o número maior de coliformes fecais encontrados na cama dos animais, nas épocas mais quentes do ano, como o verão.

Nessas épocas quentes do ano, também foi observado que o percentual de novas infecções de mastites era mais elevado, o que pode ser explicado pelo maior número de agentes patogênicos no ambiente e superfície dos tetos, ou diminuição da resistência imunológica do animal (Machado, 1998). E qualquer tipo de infecção da glândula mamária leva a um aumento no CCS, sendo isso prejudicial para a qualidade do leite.

Segundo Matazzaro (2007), animais que receberam uma melhor climatização na sala de espera por meio de ventilação, apresentaram melhor teor de gordura e também tiveram um número maior de hormônios, como o cortisol e T3 e T4 no organismo.

Com isso, o manejo correto, assim como o bem-estar animal, são importantes para a obtenção de um leite de qualidade, tanto na sua composição, como também na saúde da glândula mamária, o que reduz o número de mastite no rebanho e, consequentemente, a quantidade de CCS do leite.

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Se você deseja alcançar uma maior margem de lucro na produção de leite, então cuidar da qualidade do produto é essencial. Mas o que queremos dizer quando falamos sobre qualidade?

O leite de qualidade é o produto de ordenha completa, ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas.

O Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou em 2018 e 2019 a Instrução Normativa nº 77 com o objetivo de criar novos padrões de qualidade para o leite produzido no Brasil, fixando condições e requisitos mínimos de higiene-sanitária para a obtenção e coleta da matéria-prima, produção e comercialização do leite.

Basicamente, o leite, para ser caracterizado como de boa qualidade, deve apresentar as seguintes características:

  • Composição química adequada;
  • Reduzida contagem de células somáticas (CCS), não podendo ultrapassar a média geométrica trimestral de 500.000 CS/mL de leite;
  • Baixa contagem de bacteriana total (CBT) com limite de média geométrica trimestral de 300.000 UFC/mL de leite;
  • Ausência de agentes contaminantes (antibióticos, pesticidas, adição de água e sujidades).

Os produtores que não se adaptarem às novas normas estão sujeitos a sanções por parte dos laticínios.

 

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A indústria tem adotado programas de “pagamento por qualidade”, com enfoque sobre os teores de gordura e proteína, influenciados pela nutrição, sobre a CCS, principalmente relacionada com a saúde da glândula mamária, e, sobre a CBT, reflexo das condições de higiene na ordenha e armazenamento do leite.

E o que o produtor pode fazer para produzir leite com maior porcentagem de gordura e proteína? Quais práticas podem ser implementadas na fazenda para reduzir a CCS e a CBT do leite, garantindo sua bonificação máxima?

As respostas para essas perguntas envolvem práticas de manejo relacionadas a diferentes segmentos dentro da propriedade.

Como alterar a composição do leite?

A composição média do leite pode variar em função de vários fatores como raça, estágio da lactação, idade do animal, estação do ano, alimentação e a saúde da glândula mamária.

De todos os fatores descritos acima, apenas os dois últimos podem ser manipulados pelo produtor rural, alterando a composição do mesmo.

Vários são os componentes do leite. O que se apresenta em maior proporção é a água, em torno de 87,5% do leite, sendo os demais formados principalmente por gordura, proteína e lactose, todos sintetizados na glândula mamária.

As proteínas representam entre 3% e 4% dos sólidos encontrados no leite de vaca. A porcentagem de proteína varia, dentre outros fatores, com a raça e é proporcional à quantidade de gordura.

Isso significa que quanto maior a porcentagem de gordura no leite, maior será a de proteína. O potencial de alteração do teor de proteína do leite por meio da nutrição é modesto, em torno de 0,1 a 0,2 unidades percentuais.

A gordura é o componente que mais apresenta variação (3-9%) e pode ser influenciada por uma série de fatores nutricionais que interagem entre si como a quantidade e qualidade da fibra fornecida e a proporção volumoso/concentrado da dieta.

Dessa forma, a alimentação balanceada e com ingredientes de boa qualidade podem afetar de forma positiva a porcentagem de gordura e proteína do leite produzido.

A contagem de células somáticas (CCS)

Uma das causas que exerce influência extremamente prejudicial sobre a composição e as características físico-químicas do leite é a mastite, acompanhada por um aumento na CCS no leite.

Normalmente são células de defesa do organismo que migram do sangue para o interior da glândula com o objetivo de combater agentes agressores e células de descamação da glândula mamária, por isso animais mais velhos tendem a apresentar CCS mais alta.

A CCS no leite, faz parte de um exame laboratorial específico, que expressa o número de células somáticas por mililitro de leite, também pode ser quantificada pelo California Mastitis Test (CMT).

Quando analisada individualmente, é um método de diagnóstico da mastite subclínica; quando analisada no tanque, pode servir como indicativo do padrão de qualidade do leite cru.

O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e as indústrias estão preocupados com as consequências da mastite nos rebanhos brasileiros, pois essa doença reduz a concentração dos componentes do leite (caseína, principalmente), reduzindo o rendimento industrial, a validade dos produtos lácteos, além de afetar o produto oferecido ao consumidor.

Ou seja, a mastite causa prejuízo para todos, desde o produtor rural até o consumidor.

Manual de controle da mastite

Como diminuir a CCS do leite?

A resposta para esta pergunta está na prevenção contra a mastite.

Deve-se, portanto:

  • Manter a máxima higiene durante a ordenha (luvas e equipamentos limpos e desinfetados);
  • Retirar os 3-4 primeiros jatos de cada teto em uma caneca de fundo escuro, e tratar imediatamente os tetos que apresentarem grumo, sangue pus ou leite aquoso, identificar e separar o animal. Fazendas que utilizarem o sistema de cultura na fazenda, aguardar as 24 horas e tomar decisão de acordo com o resultado.
  • Imergir os tetos em solução bactericida antes da ordenha (pré-dipping);
  • Secar com papel ou toalhas, com atenção especial a ponta dos tetos;
  • Acoplar as teteiras em tetos limpos e secos;
  • Imergir imediatamente os tetos em solução bactericida após a ordenha (pós-dipping);
  • Alimentar os animais logo após a ordenha para que os mesmos permaneçam em pé até o fechamento do esfíncter;
  • Estabelecer linha de ordenha, de acordo com o limite operacional de cada fazenda, mas sempre buscando ordenhar animais sadios na frente;
  • Regular a bomba de vácuo para evitar injúrias nos tetos;
  • Descartar vacas com problemas de mastite crônica;
  • Realizar terapia de vaca seca;
  • Anotar em planilhas simples, informações importantes, como a identificação das vacas e dos tetos que tiveram mastite clínica e as datas de ocorrência, o nome dos antimicrobianos usados para o tratamento das mastites e as datas de aplicação.

Contagem bacteriana total (CBT)

A CBT indica a contaminação bacteriana do leite e reflete a higiene de obtenção e conservação do mesmo. É expressa em unidades formadoras de colônia por mililitro (UFC/mL).

De acordo com o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), a CBT admitida no leite cru refrigerado é de até 300.000 UFC/mL, em uma média geométrica trimestral.

As bactérias estão em todos os lugares, como na água, na poeira, na terra, na palha, no capim, nos corpos e pelos das vacas, nas fezes, na urina, nas mãos do ordenhador, nos insetos e em utensílios de ordenha sujos.

As bactérias são classificadas como patogênicas, capazes de causar doenças ao homem e deteriorantes, capazes de alterar os componentes do leite, tornando-o impróprio para o consumo e para a indústria.

Como diminuir a contagem bacteriana total do leite?

Como as bactérias estão em todos os lugares, o produtor deve adotar as seguintes medidas para que o leite não seja contaminado:

  • Manter a sala ou local de ordenha sempre limpos; usar roupas limpas para ordenhar as vacas;
  • Utilizar água de boa qualidade (potável);
  • Lavar as luvas e mantê-las desinfetadas durante a ordenha;
  • Imergir os tetos em solução desinfetante antes e após a ordenha;
  • Secar os tetos com um papel toalha descartável por teto;
  • Lavar os equipamentos e utensílios após cada ordenha com água aquecida, usando os detergentes de acordo com o manual do fabricante dos mesmos;
  • Trocar borrachas e mangueiras do equipamento de ordenha na frequência recomendada pelo fabricante ou quando ocorrerem rachaduras;
  • Lavar os tanques de refrigeração, usando água aquecida e detergentes adequados cada vez que o leite for recolhido pelo transportador.

Mesmo que o produtor mantenha a máxima higiene na ordenha, alguma contaminação vai ocorrer no leite.

Mas se o leite for refrigerado imediatamente após a ordenha, isso vai inibir a multiplicação das bactérias e evitar que o leite seja rapidamente deteriorado.

Por isso, a IN 77 estabelece que o leite deve estar a 4ºC quando estocado em tanques refrigeradores por expansão direta. O tempo máximo de conservação do leite na propriedade deve ser de, no máximo, 48 horas.

Leite de qualidade deve ser uma meta de todo produtor, uma vez que representa benefícios para toda a cadeia produtiva. Ganha o produtor, que poderá receber mais pelo seu produto, a indústria com a melhoria da matéria-prima e, também, o consumidor, que terá acesso a produtos de melhor qualidade e mais seguros.

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Para que práticas eficientes de manejo de ordenha das vacas sejam adotadas, é necessário um bom conhecimento da fisiologia da lactação e dos fatores que interferem com a síntese de leite.

A produção de leite depende, dentre outros fatores, da manutenção do número de células alveolares, da capacidade de síntese dessas células e da eficiência do reflexo de ejeção de leite.

Os hormônios têm papel importante na lactação, mas sem a remoção frequente do leite, mesmo com um adequado perfil hormonal, a síntese não persiste.

Por outro lado, a lactação não é mantida por um longo tempo, mesmo com uma frequente remoção do leite. Desta forma, a secreção e a remoção do leite estão estritamente associadas.

 

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Qual a quantidade ideal de ordenhas?

A frequência das ordenhas e, consequentemente, o aumento ou a redução nos intervalos entre ordenhas alteram a produção e a composição do leite.

Erdman e Varner, em 1995, avaliaram os resultados experimentais sobre alteração na frequência de ordenhas em animais da raça Holandesa e encontraram os seguintes resultados fixos:

  • A redução no número de ordenhas, de duas para uma, provocou queda na produção de leite de 6,2kg/dia;
  • O aumento nas ordenhas, de duas para três, provocou um aumento de 3,5kg leite/dia, aumentou a quantidade de proteína e gordura produzida e provocou queda na porcentagem de proteína e gordura;
  • O aumento nas ordenhas, de duas para quatro, provocou um aumento de 4,9kg leite/dia, aumentou a quantidade de proteína e de gordura e provocou queda na porcentagem de proteína e gordura.

Estudos conduzidos na província de Quebec, no Canadá, com vacas Holandesas de 8.000kg de leite/lactação em média, mostraram as alterações de produção, em porcentagem, relatando os seguintes números:

  • Quando passou de duas para três ordenhas, a produção de leite aumentou 11,6% e a proteína, 0,4%, entretanto a gordura teve uma diminuição de 1,07%. Esse trabalho nos fornece mais alguns dados interessantes que muitas vezes esquecemos de levar em consideração quando pretendemos alterar a frequência das ordenhas.
  • Quando se passou de 2 para 3 ordenhas, teve-se um aumento de 10,9% nos gastos com concentrado, 3,75% nos gastos com forragens e 2,5 horas de trabalho diário.

Clarck et al (2006) compararam sistemas de vacas leiteiras a pasto, sendo realizada uma ou duas ordenhas diárias, avaliando a produção de leite, produção de Matéria Seca (MS) e contagem de células somáticas (CCS) de vacas Holstein-friesians e Jerseys.

  • As vacas Hosltein-Friesians ordenhadas uma vez produziram 31,2% a menos de leite e 29,4% menos de MS, quando comparada com as Hosltein-Friesians ordenhadas duas vezes ao dia.
  • As Jerseys ordenhadas uma vez produziram 22,1% a menos de leite e 19,9%  a menos de MS. A produção de leite por hectare foi 17,7% e 9% menores para Hosltein-Friesians e Jerseys, ordenhadas uma vez em relação às ordenhadas duas vezes ao dia, respectivamente.
  • Vacas ordenhadas uma vez possuíram maior CCS durante todo o ano para as duas raças.

Manual de controle da mastite

Pontos importantes na decisão do número de ordenhas

Apesar do aumento de produção, alguns outros pontos são importantes na tomada de decisão da alteração do número de ordenhas.

Por exemplo, para vacas em pasto, dependendo da distância do pasto à sala de ordenha, o aumento do número de ordenhas irá elevar o gasto energético desses animais, já que elas terão de ir mais vezes/dia à sala de ordenha.

Segundo o Agriculture Research Council (EUA) as vacas gastam 0.03 Mcal de Energia Líquida por kilo de peso vivo para andar 1 km na vertical, isso significa que, em terras com grande declividade o gasto energético com deslocamento pode se elevar consideravelmente, sendo esse um fator que pode não levar esses animais a um aumento de produção esperado.

Quando estamos trabalhando com vacas confinadas, os desgastes dos cascos, já que os animais irão andar mais sobre concreto, um menor tempo disponível para elas ficarem se alimentando e deitadas, pois terão de gastar parte do tempo caminhando até a sala de ordenha, na sala de espera e em ordenha, podem ocorrer.

Mas, independente se as vacas são confinadas ou a pasto, o fato é que os bovinos ingerem alimentos durante o dia com picos de consumo no nascer e no pôr do sol, e que quanto mais tempo as vacas passam na sala de ordenha, menos tempo elas têm para se alimentar e descansar, atividades fundamentais para manter níveis elevados de produção.

É preciso também lembrar que um maior número de ordenhas, apesar de benéfico à saúde da glândula mamária, exige mais do animal, sendo necessário um bom manejo nutricional. Logo, o custo da alimentação é também um fator importante a ser considerado.

Além dos maiores custos com alimentação, é preciso considerar outros custos envolvidos, tais como a capacidade operacional da sala de ordenha, a necessidade de mão-de-obra extra, maiores gastos com materiais de ordenha, energia elétrica, manutenção de máquinas, forma de pagamento do leite ( se por produção ou percentagem de sólidos) e etc.

Todos esses pontos são de grande importância na decisão de aumentar ou diminuir o número de ordenhas, lembrando sempre que cada fazenda é um caso diferente e devemos ter em mente as vantagens e desvantagens dessas mudanças.

O que importa ao final é que as alterações proporcionem um maior retorno financeiro para a empresa rural.

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