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Com qual frequência suas vacas têm retenção de placenta? E você sabe como proceder?

Acompanhe a explicação do especialista em reprodução, Guilherme Pontes, e nunca mais tenha dúvidas sobre o assunto! É a explicação mais clara e certeira que você já viu!

Quando falamos sobre saúde uterina, a primeira doença que pode acontecer após o parto é a retenção de placenta.

 

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O que é a retenção da placenta?

É a não expulsão dos anexos fetais em um período mínimo de 12 horas após o parto.

A expulsão da placenta ainda é uma fase do parto. Depois que a vaca pariu e a placenta ainda está pendurada, ela ainda está tendo um parto.

Em até 12 horas, assumimos que a liberação dessa placenta é um processo fisiológico, comum, normal. No entanto, a partir de 12 horas, assumimos que isso seja algo patológico.

Quem já observou a placenta de uma vaca, pôde ver estruturas que parecem bolas, que chamamos de placentoma. O placentoma é formado pelo cotilédone fetal e pela carúncula materna, que estão unidos por um tecido de colágeno, um tecido conjuntivo que está prendendo essa estrutura.

Na vaca que está com a placenta retida, essa estrutura não foi degradada, e ela continua presa, como se aquela cicatriz não tivesse sido digerida.

Por isso, falamos hoje que a retenção de placenta é muito mais uma doença imune do que uma doença metabólica.

Por quê? Por algum motivo, o sistema imune da vaca não foi capaz de degradar essa estrutura, que continua ali ligada.

Qual o problema da retenção da placenta?

De início, nenhum.

A vaca que teve retenção de placenta não tem mais risco de morrer. Alguns trabalhos mostram que vacas que têm retenção de placenta produzem menos leite, mas em contrapartida, vários trabalhos mostram que a produção de leite é a mesma.

O principal ponto de atenção é que vacas com retenção de placenta têm a fertilidade comprometida. No entanto, não há nada que possa ser feito para minimizar esse problema.

Vemos que várias pessoas ainda utilizam prostaglandina, estradiol, ocitocina, mas não existe essa recomendação na literatura.

Hoje, a recomendação para retenção de placenta é não fazer nada.

Dê condições para que a vaca tenha consumo, para que ela coma, para que ela não tenha que disputar tanto no cocho, mas em termos de intervenção, não há algo para ser feito para a retenção de placenta.

Se aplicamos prostaglandina, antibiótico parenteral ou intravenoso, esse tratamento não vai fazer com que a placenta seja liberada mais rapidamente, não vai tratar a retenção de placenta.

Quando tratamos a retenção de placenta com antibiótico, o foco é reduzir a incidência da metrite.

Confira o vídeo com a explicação na íntegra com o especialista em reprodução, Guilherme Pontes.

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5 dicas para diminuir problemas uterinos no pós-parto de vacas leiteiras https://blog.rehagro.com.br/problemas-uterinos-no-pos-parto/ https://blog.rehagro.com.br/problemas-uterinos-no-pos-parto/#respond Sun, 12 Sep 2021 18:09:18 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5098 Os problemas uterinos no pós-parto, infelizmente, são comuns em vacas leiteiras e sua incidência contribui para a redução da fertilidade, queda nos indicadores reprodutivos e uma consequente ineficiência econômica do sistema de produção. Afinal, todo aspecto que leve a um atraso na concepção trará prejuízos ao sistema. Dessa forma, conhecer os fatores de risco é […]

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Os problemas uterinos no pós-parto, infelizmente, são comuns em vacas leiteiras e sua incidência contribui para a redução da fertilidade, queda nos indicadores reprodutivos e uma consequente ineficiência econômica do sistema de produção.

Afinal, todo aspecto que leve a um atraso na concepção trará prejuízos ao sistema. Dessa forma, conhecer os fatores de risco é essencial para conseguir atuar na prevenção, adaptando o manejo reprodutivo, evitando danos à vaca e perdas ao sistema.

É importante salientar que o desenvolvimento de doenças uterinas no pós-parto estará relacionado à diferença no “tamanho” do desafio e as condições das vacas em vencer e superar o mesmo.

Portanto, é preciso atuar em proporcionar melhores condições ao animal a fim de que o desafio seja menor e suas condições imunes e de resposta sejam maiores.

 

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Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de problemas uterinos no pós-parto são:

  • Balanço energético negativo;
  • Acúmulo de matéria orgânica no local do parto;
  • Animais com escore de condição corporal inadequado no momento do parto;
  • Distocias;
  • Nascimento de gêmeos;
  • Natimortos;
  • Retenção de placenta;
  • Abortos;
  • Estresse calórico;
  • Doenças infecciosas.

Baseado no conhecimento dessas dificuldades, trouxemos 5 dicas para diminuir a incidência de problemas uterinos no pós-parto e consequentemente melhorar os resultados reprodutivos e econômicos da fazenda.

1. Minimizar e monitorar balanço energético negativo

É preciso adoção de manejos que visem e estimulem um maior consumo dos animais como:

  • Fracionamento da dieta;
  • Aproximação do trato entre os horários de fornecimento da dieta;
  • Correto dimensionamento dos lotes;
  • Separação entre primíparas e multíparas;
  • Adequado balanceamento nutricional;
  • Boas condições de conforto.

Quanto ao monitoramento, uma boa opção são os programas de teste para cetose.

Para isso é necessário focar nas duas primeiras semanas após o parto e para que o teste seja realizado de forma adequada é preciso que uma gota de sangue do animal seja colocada em uma tira reagente já inserida no medidor que vai determinar a concentração sanguínea de BHBA em poucos segundos.

2. Utilização de dieta aniônica no pré-parto

A dieta aniônica é a alteração da composição mineral da dieta pré-parto e tem como objetivo principal evitar casos de hipocalcemia clínica e subclínica.

Somente a inclusão da dieta na propriedade não é suficiente para garantir que a mesma cumpra o seu objetivo. O monitoramento deve ser realizado por meio do pH urinário e mensurado nas vacas que estão ingerindo a dieta aniônica por pelo menos 5 dias até 3 semanas.

3. Boas condições higiênicas e de conforto para os animais

Quanto ao local de permanência dos animais no pré e pós-parto deve ser um ambiente limpo, com mínimo de estresse possível e, principalmente, provê-los de maior conforto.

Nesse sentido, um ponto importante é o sombreamento dos piquetes e demais locais onde esses animais permanecerão até o momento do parto, de modo a minimizar ao máximo o estresse térmico.

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4. Monitorar escore de condição corporal

Preconiza que vacas devem parir com um ECC de 3,0 a 3,25 (escala de 1 a 5), pois um ECC inferior a 3,0 é associado com reduzida produtividade e desempenho reprodutivo, enquanto que um ECC igual ou superior a 3,5 e associado com redução do consumo, bem como da produção leiteira e aumento no risco de incidência de doenças metabólicas.

A meta é 75% das vacas nesta condição na secagem e também ao parto.

5. Correta escolha de touros

Ficar atento a seleção do touro na característica facilidade de parto, como visto a ocorrência de distocias é um importante fator de risco para o desenvolvimento do problemas uterinos pós-partos.

Para criação de uma vaca produtiva é essencial uma vaca saudável, portanto, o sucesso nesse momento é fundamental para toda lactação. A recíproca também é verdadeira, negligenciar os pontos citados acima poderá trazer reflexo em toda vida produtiva do animal.

Não há dúvidas, o sucesso raramente é resultado de sorte, busquemos os melhores resultados através de bons manejos.

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Manejo alimentar de vacas em período de transição: veja principais recomendações https://blog.rehagro.com.br/manejo-alimentar-de-vacas-em-transicao/ https://blog.rehagro.com.br/manejo-alimentar-de-vacas-em-transicao/#respond Mon, 11 May 2020 18:00:19 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7490 Se você quer que suas vacas leiteiras alcancem sua máxima produtividade, então precisa ter atenção redobrada no manejo alimentar no período de transição. A importância da alimentação para a eficiência na produção de leite é fundamental em todos os estágios de produção, mas no período de transição, que compreende o intervalo de três semanas antes […]

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Se você quer que suas vacas leiteiras alcancem sua máxima produtividade, então precisa ter atenção redobrada no manejo alimentar no período de transição.

A importância da alimentação para a eficiência na produção de leite é fundamental em todos os estágios de produção, mas no período de transição, que compreende o intervalo de três semanas antes e três semanas após o parto, ocorrem grandes mudanças na fisiologia e no comportamento dos animais, o que gera grande impacto sobre a exigência nutricional.

Neste artigo, você verá algumas recomendações importantes para adequação do manejo de vacas no período de transição.

 

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Estimular a ingestão de matéria seca (MS)

A ingestão de nutrientes é essencial para garantir um balanço nutricional adequado, boa saúde, boa produção de leite e índices reprodutivos ideais.

Para que a fêmea no período de transição tenha uma ingestão de MS satisfatória, torna-se fundamental que pontos como escore de condição corporal, conforto térmico e manejo alimentar estejam adequados.

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Controle do peso corporal

Devemos evitar que as vacas ganhem peso durante o período seco, pois conforme se aproxima o parto, o risco de esteatose hepática aumenta, principalmente nos animais com maior escore de condição corporal. O risco maior se concentra nas três primeiras semanas pós-parto devido à mobilização das reservas corporais.

Nesse caso, o uso de colina pode ser uma alternativa para auxiliar na prevenção do ganho de peso. No entanto, ela deve ser fornecida na forma protegida para que não sofra degradação ruminal.

Ao ser absorvida, a colina protegida otimiza o transporte e a metabolização dos lipídeos, prevenindo a esteatose hepática e demais distúrbios.

Além disso, a colina tende a estimular a produção de leite (2,3 kg/dia), auxiliar na redução da ocorrência de retenção de placenta (28% a menos) e de mastite (22% a menos).

Oferecimento de dietas acidogênicas

As dietas acidogênicas (aniônicas) são conhecidas por promoverem ligeira acidose metabólica (pH sanguíneo de 7,38 – 7,40), induzindo uma melhor resposta dos receptores de paratormônio (PTH).

De forma resumida, essas duas alterações facilitam o processo de mobilização de cálcio no organismo e auxiliam na prevenção da hipocalcemia. Além disso, essa ligeira acidose metabólica induz uma acidose tubular a nível renal, que promove maior absorção de cálcio pelos rins.

Vacas que consomem dieta com diferença cátion-aniônica (DCAD) positiva, ou seja, dietas alcalogênicas, tendem a reduzir mais o consumo de MS quando comparadas às vacas alimentadas com dietas com DCAD negativo (dietas acidogênicas). A produção de leite também tende a seguir essa mesma resposta, exceto nas nulíparas, que não apresentam maior produção de leite quando alimentadas com dietas acidogênicas.

Nesse contexto, a avaliação do uso de aditivos pode ser uma alternativa interessante. Uma prática comum para a prevenção de distúrbios pós-parto é a utilização de aditivos na dieta pré-parto durante as últimas 3 semanas de gestação.

Nos gráficos abaixo, podemos observar que dietas com DCAD negativo podem reduzir a ocorrência de doenças como retenção de placenta, metrite e febre do leite.

Gráfico com risco de febre do leite em porcentagemDCAD e risco de febre do leite em vacas pluríparas

 

Gráfico com risco de retenção de placenta e metriteDCAD e risco de retenção de placenta ou metrite

Adequações para as dietas de pré-parto

  • Evitar a ingestão excessiva de calorias (ganho de tecido adiposo e condição corporal);
  • Reduzir esteatose hepática e cetose;
  • Prevenir hipocalcemia;
  • Fornecer quantidade adequada de proteína metabolizável.

Outras recomendações importantes durante o período de transição

  • Realizar a secagem das vacas com 230 dias de gestação, aproximadamente. O tempo para secagem varia conforme a média do período de gestação das fazendas, sendo que o ideal é um período seco entre 50 e 60 dias.
  • Promover condições para que as vacas apresentem adequado ECC na secagem (3,0 – 3,5), além de evitar grandes variações no ECC durante o período seco.
  • Oferecer conforto térmico durante todo o período seco, desde a secagem até o parto.
  • Mover as vacas para o lote de pré-parto faltando 25 dias, aproximadamente, para o parto.
  • Realizar o monitoramento de doenças no pré e pós-parto, promovendo diagnóstico precoce e tratamento adequado nos casos. As doenças ocasionam inflamação e danos teciduais, alteram a partição de nutrientes e fazem com que o organismo do animal entre no modo de sobrevivência, e não de produção/crescimento.

Agora, você já sabe algumas dicas para adequar o manejo nutricional das vacas no período de transição. A alimentação é um dos principais pilares de sucesso para um projeto leiteiro e pode representar até metade dos custos de produção.

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Bruno Guimarães

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Principais cuidados com a vaca e o bezerro antes e após o parto: como evitar problemas? https://blog.rehagro.com.br/cuidados-com-a-vaca-e-a-cria-antes-do-parto/ https://blog.rehagro.com.br/cuidados-com-a-vaca-e-a-cria-antes-do-parto/#comments Fri, 20 Jul 2018 13:34:25 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4767 Os cuidados com a vaca e o bezerro antes do parto são extremamente importantes, uma vez que qualquer problema na hora do nascimento pode comprometer o desempenho produtivo de ambos. É importante estar atento desde a escolha do touro, passando pelo balanço nutricional, até o manejo adequado das vacas, principalmente nos 90 dias que antecedem […]

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Os cuidados com a vaca e o bezerro antes do parto são extremamente importantes, uma vez que qualquer problema na hora do nascimento pode comprometer o desempenho produtivo de ambos.

É importante estar atento desde a escolha do touro, passando pelo balanço nutricional, até o manejo adequado das vacas, principalmente nos 90 dias que antecedem o parto.

O tempo de gestação em bovinos varia de 280 a 300 dias, sendo o maior período observado em gados mestiços de raças zebuínas. Para a intensificação nos cuidados, é ideal que sejam formados lotes de vacas em final de gestação, o lote de transição pré-parto, onde se encontram animais de 90 a 30 dias antes do parto. Dos 30 dias ao parto, transferi-las para um piquete maternidade permite uma maior observação.

 

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Piquete maternidade

O piquete maternidade deve possuir uma boa cobertura vegetal, ser fresco e ventilado (mas sem corrente de vento), limpo, com boa drenagem e sombreamento. São indicadas sombras móveis para se evitar acúmulo de barro, fezes e urina, principalmente visando à prevenção de mastites e metrites. Deve haver pelo menos 4 m² de sombra por animal.

A localização deve facilitar a observação dos sinais do parto, ter acesso à água e alimentação à vontade. As medidas recomendadas são de 56 m²/animal, com um espaço de cocho de 70 cm/animal.

É ideal que haja uma maternidade para vacas e outra para novilhas, evitando competições e prejuízos para as mais jovens.

Área de um piquete maternidadeExemplo de piquete maternidade

Sinais de proximidade do parto

  • 2 a 3 semanas pré-parto, ocorre aumento do úbere. Em primíparas, isto pode acontecer um pouco mais cedo.
  • 2 a 3 dias antes do parto os tetos se enchem e perdem a rugosidade. Ocorre relaxamento dos ligamentos e músculos da pelve (flanco) e da cauda.
  • Mais próximo ao parto, ocorre liberação de muco viscoso pela vagina. A vulva fica edemaciada. Ocorre produção e liberação de colostro.

Cuidados com a vaca e o bezerro antes do parto

Estágio 1 do parto

No início do trabalho de parto, o animal fica agitado e inquieto, se afasta do grupo, fica tentando cheirar e lamber a vulva, se deita e se levanta diversas vezes, não come.

Estes sinais podem durar de 2 a 6 horas.

Vaca no estágio 1 do partoEstágio 1 do parto

Estágio 2 do parto

Ocorre o rompimento da 1ª bolsa, a de água (corioalantóica). Depois de aproximadamente 1 hora ocorre rompimento da segunda bolsa (amniótica). Ela libera um líquido mais viscoso que lubrifica o canal do parto. Logo que se rompe a bolsa de água, o útero já começa a contrair e o feto se insinua no canal, promovendo a dilação do mesmo.

Após 2 horas da ruptura da bolsa, já é possível ver o feto em pluríparas, e em primíparas normalmente após 4 h.

Em geral a posição mais confortável, e menos estressante para parir é a deitada. As vacas tendem a parir de pé quando o parto é anormal ou quando se sentem ameaçadas, por exemplo, com presença de cães e urubus.

Estudos mostram que este estresse durante o parto resulta em aumento de até 11% na mortalidade de bezerros.

Vaca no estágio 2 do partoEstágio 2 do parto

Estágio 3 do parto

Momento do nascimento à expulsão dos restos placentários. Pode variar de 30 min até 12 horas após o parto.

Problemas no parto

Analisando fazendas nos EUA, pesquisadores chegaram à conclusão que 2% das mortes de bezerros no útero estavam associadas ao parto demorado e à falta de assistência, e outros 2% morreram pelos mesmos motivos na primeira semana de vida.

A maioria das mortes está associada às distocias (partos difíceis). Por isso, sem dúvida, é preciso que o responsável pela maternidade esteja preparado para monitorar os partos, e caso seja necessário, intervir até certo ponto.

A intervenção deve ser considerada quando o parto não ocorreu 60 a 90 min após o aparecimento das membranas fetais em novilhas e, em vacas, de 30 a 60 min após o aparecimento das membranas fetais.

Em posição normal, o bezerro projeta primeiro as patas dianteiras acompanhadas pela cabeça (com o focinho voltado para fora) apoiada nas patas. Outras posições podem acontecer e cabe à experiência do técnico para identificar e intervir.

Toda e qualquer intervenção pode causar injúrias na vaca e no bezerro. Nunca se deve tentar romper as bolsas. É preciso checar todos os parâmetros vitais para intervenção e, caso seja preciso, optar por uma cesariana.

Cuidados com a vaca e o bezerro logo após o parto

Vacas

É importante avaliar condições fisiológicas e uterinas logo após o parto. Certificar-se da existência ou não de outro feto através do toque.

A utilização de soluções eletrolíticas, chamadas drench, é uma forma se antecipar aos efeitos provocados pela queda de apetite no período pós-parto, e consequentemente das doenças metabólicas provocadas pela diferença entre necessidades e consumo (balanço energético negativo). O fornecimento do drench é também uma forma de repor os nutrientes gastos durante o parto, principalmente energia.

Vaca recebendo o drenchFornecimento do drench para a vaca

Observe se o animal irá expulsar em até 12 horas os restos placentários. Caso isso não ocorra, adote medidas contra os efeitos da retenção de placenta.

Este período, crítico para as vacas, é um momento em que ocorrem diversas alterações fisiológicas e metabólicas. Qualquer problema aqui pode impactar na produção deste animal nesta lactação e nas seguintes.

Bezerros

Logo após o parto, o bezerro passa por alterações para que possa se adaptar à vida fora do útero. Imediatamente, inicia sua homeostasia respiratória, passa a regular o equilíbrio ácido-básico, a metabolizar carboidratos, gorduras e aminoácidos para produção de energia corporal. É importante remover todo muco da narina e da boca do bezerro. Se necessário, estimule  a respiração, fazendo cócegas na narina e massagem torácica.

Retirada de muco da narina de bezerroRetirada do muco das narinas

Neste momento, ele ainda não é eficiente na regulação da temperatura corporal. Além de possuir os pelos curtos, possui uma pequena massa corporal em relação à sua superfície corporal. Em função destas particularidades, sua temperatura diminui nas primeiras 12h de vida.

Assim, é recomendado secar o bezerro após o parto. Se as condições forem propícias, com ingestão de colostro, boa cobertura vegetal no piquete e ambiente favorável, entre 48 a 72h de vida sua temperatura estará normal.

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Avaliação das condições fisiológicas do bezerro

É primordial examinar o bezerro e a vaca. Para melhor avaliar as condições fisiológicas dos bezerros, siga as seguintes pontuações:

1. Testar a movimentação da cabeça sob estímulo de água fria:

  • 0 pontos- ausente;
  • 1 ponto – diminuída;
  • 2 pontos – espontânea.

2. Testar a resposta aos estímulos interdigitais e palpebrais:

  • 0 pontos – ausente;
  • 1 ponto – reduzidos;
  • 2 pontos – existentes e intensos.

3. Testar a respiração:

  • 0 pontos – imperceptível;
  • 1  ponto – lenta e irregular;
  • 2  pontos – rítmica com profundidade normal.

4. Avaliar a cor das mucosas:

  • 0 pontos – branca azulada;
  • 1 ponto – azul;
  • 2 pontos – róseas avermelhadas.

Ao final da soma de pontos, avalie os resultados:

  • 7 a 8 pontos – bezerros sadios com boa vitalidade.
  • 4 a 6 pontos – bezerros deprimidos, com vitalidade diminuída e acidose leve a moderada.
  • 0 a 3 pontos – bezerros com pouca vitalidade, acidose severa.

Em condições normais os bezerros levam em média:

  • 3 minutos para posicionar a cabeça corretamente;
  • 5 minutos para assumirem a posição esternal;
  • Até 20 minutos após o parto, já tentam ficar em pé;
  • Em cerca de 60 minutos já estão de pé, procurando a teta da vaca.

Outros cuidados com a vaca e a cria após o parto

Em muitas ações, é possível contribuir muito com a sobrevivência do bezerro, como por exemplo, na cura de umbigo.

O umbigo é como uma porta aberta ao organismo do animal. Veia umbilical, artéria umbilical e úraco estão diretamente em contato com o ambiente e serão via de transporte direta de microorganismos para circulação animal e podem promover infecções em diferentes sistemas.

Para uma proteção adequada, a cura de umbigo deve ser feita da seguinte forma:

  • O ideal é não cortar. Fazê-lo somente nos casos em que o umbigo estiver muito grande e arrastando no chão
  • Mergulhar o coto umbilical em uma solução de iodo de concentração entre 7% a 10% durante 10 segundos. Repetir por pelo menos 3 dias.

Umbigo de bezerro sendo tratado

Fornecimento de colostro para bezerros

Fornecer colostro para o bezerro nas 6 primeiras horas de vida é de extrema importância. Após este período, a taxa de absorção diminui muito. Toda a proteção do bezerro durante as primeiras duas semanas de vida será promovida pelos anticorpos absorvidos do colostro. Como o contato com os agentes patogênicos muitas vezes acontece antes mesmo do contato com o colostro, é essencial garantir uma boa colostragem.

O colostro, além das imunoglobulinas, é também fonte energia, de fatores de crescimento e de muitos outros nutrientes importantes para sobrevivência do bezerro.

Para cada raça animal existe uma quantidade sugerida de colostro a ser oferecida. Em média os pesquisadores acreditam que 4 litros de um colostro de boa qualidade sejam capazes de suprir as necessidades do bezerro.

Observar se o animal conseguiu mamar o colostro é muito importante, mas sem dúvida a forma mais fácil de garantir que o bezerro foi bem colostrado, em termos de quantidade ingerida e qualidade do colostro, é oferecer via mamadeira ou através de sonda esofágica. Para utilizar a sonda, o conhecimento para tal é primordial.

Bezerros sendo alimentados com colostro

Após todos os cuidados, é preciso identificar os bezerros e direcioná-los ao bezerreiro.

Todo investimento em cuidados com a vaca e a cria antes do parto, no momento do parto e após irá refletir na produção das vacas e na sobrevivência dos bezerros.

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Estação de monta do gado zebu: veja qual a duração https://blog.rehagro.com.br/estacao-de-monta-para-gado-zebu/ https://blog.rehagro.com.br/estacao-de-monta-para-gado-zebu/#comments Mon, 09 Jul 2018 15:02:46 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4659 No trabalho com pecuária de corte em sistema de cria ou de ciclo completo (cria, recria e engorda), há uma premissa básica de manejo reprodutivo que se baseia na adoção e implementação da estação de monta. O conceito de Estação de Monta (EM) consiste em estabelecer um período para que tenhamos as ocorrências reprodutivas concentradas. […]

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No trabalho com pecuária de corte em sistema de cria ou de ciclo completo (cria, recria e engorda), há uma premissa básica de manejo reprodutivo que se baseia na adoção e implementação da estação de monta.

O conceito de Estação de Monta (EM) consiste em estabelecer um período para que tenhamos as ocorrências reprodutivas concentradas. Essas ocorrências são referentes às práticas de monta, como monta natural (touro – vaca) e/ou inseminação artificial.

 

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Tais práticas refletirão em parições em períodos concentrados, sendo que estes momentos coincidirão com a época de máximo crescimento natural dos pastos (período chuvoso), trazendo maior disponibilidade forrageira, com o objetivo principal de beneficiar as matrizes paridas.

Normalmente, a estação de monta para gado zebu no Brasil Central tem duração de 120 dias. Esta duração é influenciada por fatores como a condição corporal pré e pós-parto e ao início da estação de monta, a presença do bezerro ao pé da vaca, a ordem de parto, o período de gestação do gado zebu, e, principalmente, a relação entre estes fatores.

Redução do período e benefícios

A redução da estação reprodutiva no gado zebu para períodos menores que os tradicionais de 120 dias traz diversos benefícios.

Primeiramente, ocorre uma maior concentração de nascimentos em época ideal, na qual a qualidade e a quantidade da forragem atendem os requerimentos nutricionais das matrizes (Gráfico 1) e consequentemente, uma maior homogeneidade e peso dos animais à desmama.

Outro benefício é a separação dos períodos de monta e nascimento quando se realiza a estação menor que 70 dias, otimizando a utilização da mão-de-obra. Porém, ao se trabalhar no sentido de reduzir o período da estação de monta é necessária a avaliação da capacidade financeira, econômica e gerencial da propriedade para que esta seja capaz de suprir as principais entraves.

Curva de produção de forragem no Brasil CentralGráfico 1: Curva de produção de forragem no Brasil Central aliada à necessidade do rebanho.

O retorno à ciclicidade de vacas paridas x duração da estação de monta para gado zebu

O retorno à atividade cíclica é um dos fatores mais importantes que determinam a duração da estação reprodutiva e está altamente relacionada ao escore de condição corporal dos animais no pré e pós-parto e ao início da estação de monta.

No Gráfico 2, tem-se a indicação do percentual de ciclicidade de vacas Bos taurus (taurinas) de acordo com escore de condição corporal (escala de 1 a 9, em que 1 → Muito Magra / 9 → Obesa).

Efeito do escore de condição corporal sobre a ciclicidadeGráfico 2: Efeito do escore de condição corporal sobre a ciclicidade.

Outro fator de destaque está relacionado à presença do bezerro ao pé da vaca. Diversos autores relatam a queda na atividade ovariana pós-parto em função da presença da cria. Este fato interfere na liberação de GnRH pelo hipotálamo ou diminui a resposta a este hormônio na hipófise, tendo como consequência uma supressão da liberação pulsátil de LH, que é o fator endócrino chave para se determinar a ovulação ou não do folículo dominante.

Outros autores demonstraram que o efeito da sucção em vacas de corte é um dos principais fatores que afetam a duração do anestro pós-parto. Eles sugeriram que o comportamento materno é mais importante do que o ato da sucção em si para regular a frequência de pulsos de LH.

Desta forma, considerando a estreita relação mãe/cria em animais zebuínos, dimensiona-se o impacto da amamentação no retorno à ciclicidade.

Veja abaixo, no Gráfico 3, os dados obtidos a partir do trabalho de Resende, feito em 1993, em vacas primíparas zebuínas comparando o percentual de animais ciclando com uma amamentação por dia e em manejo tradicional (presença da cria ao pé) ao longo da estação de monta.

Percentual de vacas ciclando ao longo da estação de montaGráfico 3: Percentual de vacas ciclando ao longo da estação de monta, de acordo com o tipo de amamentação.

A ordem de parto também está altamente relacionada à duração da estação de monta. Considerando principalmente as vacas primíparas, ressalta-se que a dieta para estes animais no pós-parto deve, além de atender os requerimentos de mantença e da primeira lactação, atender aos requisitos finais de crescimento.

Dessa forma, dentre as categorias da propriedade, aquela que está mais submetida à queda na condição corporal, caso suas necessidades não sejam supridas, são as vacas de primeira cria.

Como já descrito anteriormente, a queda na condição corporal influencia diretamente no prolongamento do anestro pós-parto, fazendo com que estes animais retomem a ciclicidade tardiamente.

Este retorno tardio à ciclicidade é um dos principais entraves no encurtamento da duração da estação de monta, já que, caso estes animais não voltem a ciclar até o fim da estação reprodutiva, haverá um efeito negativo na taxa de prenhez.

O Gráfico 4 abaixo avalia, de acordo com a pesquisa de Meneghetti, em 2008, a queda na condição corporal (escala de 1 a 5) de primíparas de acordo com o mês de parição.

Queda na condição corporal de primíparasGráfico 4: Queda na condição corporal (escala de 1 a 5) de primíparas de acordo com o mês de parição. Fonte: Meneghetti (2008)

Ao correlacionar os fatores que interferem no retorno à ciclicidade, é possível compreender o motivo pelo qual as propriedades com estação de monta no Brasil Central, a fim de obterem taxas de prenhez satisfatórias, trabalham com uma duração média de 120 dias.

Algumas ferramentas podem ser utilizadas para a redução da duração da estação de monta. Em relação à nutrição das matrizes, destaca-se que alguns trabalhos científicos concluíram que a nutrição pré-parto tem maior importância do que a nutrição pós-parto na determinação do intervalo entre parto – primeiro estro.

Outro artifício técnico passível de utilização no início e durante a estação de monta está relacionado aos protocolos hormonais (por exemplo, IATF) somados ou não à restrição de amamentação.

Dentre as vantagens destacam-se a indução e/ou sincronização de rebanhos de matrizes em anestro, gerando a possibilidade de inseminar um grande número de vacas paridas ao início da estação de monta, com consequente concentração de parição no início da estação de nascimento subsequente. Este agrupamento dos eventos gera a possibilidade de reduzir o período da estação reprodutiva.

A partir do conhecimento dos fatores que influenciam a duração da estação de monta, se o objetivo é atingir uma taxa de prenhez satisfatória ao sistema, aliada a uma distribuição dos partos de forma adequada, deve-se avaliar se as condições inerentes a este sistema, de modo que permitam que a duração da estação reprodutiva seja encurtada.

Exemplos disso são a situação financeira e econômica da propriedade, o envolvimento dos funcionários, o manejo de pastagem e a condição nutricional do rebanho ao longo dos ciclos e a condição sanitária, que é de fundamental importância.

O sucesso da estação de monta depende de uma série de cuidados ligados às doenças infecciosas que podem afetar o sistema reprodutivo de machos e fêmeas, diminuindo a taxa de prenhez, causando abortos e levando à produção de bezerros com desempenho inferior.

Para saber como realizar o controle das principais doenças, como diarreia viral bovina (BVD), rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR), leptospirose, brucelose, campilobacteriose genital bovina e tricomonose bovina, baixe nosso Manual Sanitário da Estação de Monta gratuitamente:

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Hipocalcemia em vacas leiteiras: o que é, quais os sintomas e como tratar https://blog.rehagro.com.br/hipocalcemia-febre-vitular-como-evitar/ https://blog.rehagro.com.br/hipocalcemia-febre-vitular-como-evitar/#comments Fri, 06 Jul 2018 14:21:55 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4627 A hipocalcemia, também conhecida como “febre vitular”, “febre do leite” ou “paresia puerperal”, é uma doença metabólica que acomete bovinos, geralmente saudáveis, em sua maioria vacas leiteiras de alta produção. O problema ocorre no início da lactação e usualmente nas primeiras 72 horas após o parto. Raramente, pode acontecer um ou dois meses após o […]

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A hipocalcemia, também conhecida como “febre vitular”, “febre do leite” ou “paresia puerperal”, é uma doença metabólica que acomete bovinos, geralmente saudáveis, em sua maioria vacas leiteiras de alta produção.

O problema ocorre no início da lactação e usualmente nas primeiras 72 horas após o parto. Raramente, pode acontecer um ou dois meses após o parto, como mostrou um estudo de Carvalho e colaboradores, em 2003.

 

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Fatores que levam a ocorrência de hipocalcemia

No pré-parto, a vaca tem uma baixa exigência de cálcio, mas geralmente recebe uma dieta rica no elemento.

Com isso, as concentrações de paratormônio (PTH – aumenta a reabsorção renal de cálcio) ficam baixas e a calcitonina (diminui a reabsorção óssea de cálcio) se encontra aumentada na corrente sanguínea. Além disso, a ação do PTH depende do pH sanguíneo e da ligação a receptores.

O pH ideal para ação do PTH é em torno de 7,35, porém como a dieta no pré-parto é rica em volumoso, que tem alta concentração de potássio (K), o pH sérico se encontra acima do ideal para o PTH agir. Para ocorrer ligação do PTH aos receptores é necessária a presença do magnésio como cofator.

Dessa forma, a ação do PTH é dependente também da presença de magnésio para se ligar aos receptores.

No dia do parto, a necessidade de cálcio para produção de colostro é nove vezes maior que a quantidade presente no sangue. Porém, a homeostase de cálcio demora em torno de 48 horas, levando ao quadro de hipocalcemia.

Em consequência disso, a maioria das vacas passa por um período de hipocalcemia no periparto, denominado “período de transição” (3 semanas pré-parto a 3 semanas pós-parto). E segundo Carvalho, em 2006, em 50% dos casos essa hipocalcemia se prorroga por até 10 dias pós-parto.

Alguns dos fatores de risco para instalação da doença são mais determinantes que outros. Porém, é o somatório dessas causas, tanto ambientais como as individuais, que causará o desequilíbrio e o surgimento do problema.

A idade do animal influencia, sobremaneira, na sua capacidade em responder ao aumento da demanda de cálcio. Em vacas mais velhas, a desmineralização óssea, próxima ao parto, é mais reduzida do que nas novilhas.

Além disso, um importante mecanismo que o organismo lança mão para manutenção dos níveis de cálcio é o aumento da absorção intestinal desse íon. Na vaca, o número de receptores intestinais declina com a idade e assim, as vacas mais velhas tornam-se menos capazes de responder ao hormônio, havendo necessidade de um tempo mais longo para adaptação dos mecanismos intestinais para absorção de cálcio.

Outros fatores intrínsecos aos animais são o tipo e a raça. Raças de corte são menos acometidas do que vacas de leite, evidentemente por produzirem menor volume de leite. Dentre as raças leiteiras destacam-se as raças Holandesa e Jersey, mas mesmo com menores volumes absolutos na produção de leite, as vacas Jersey são mais comumente afetadas.

Sintomas da hipocalcemia

A hipocalcemia possui três estágios:

  1. O animal está em estação, apresenta excitação e tetania sem decúbito, sinais súbitos e de curta duração, taquicardia e hipertermia. O cálcio plasmático está entre 8,5 a 5,5 mg/dl.
  2. O animal está em decúbito esternal, apresenta paralisia flácida, atonia do trato gastrointestinal, hipotermia (extremidades frias) e depressão da consciência. O cálcio plasmático está entre 5,4 a 4 mg/dl.
  3. O cálcio plasmático está menor que 4mg/dl. A vaca apresenta-se em decúbito lateral, perda da consciência levando ao coma. 60 a 70% de mortalidade.

Problemas associados à hipocalcemia

A consequência genérica da hipocalcemia é a perda de tônus muscular, resultando num relaxamento do músculo esquelético, da musculatura lisa do útero, do esfíncter mamário e do trato digestivo, contribuindo para maior incidência da síndrome da vaca caída, retenção de placenta, mastite e deslocamento de abomaso, cetose e outros.

Manual de controle da mastite

A redução do tônus uterino é a principal causa de prolapso de útero e esta doença é quase sempre relacionada com hipocalcemia. Vacas com febre do leite também manifestam maior declínio no consumo de alimentos no período periparto, exacerbando o balanço energético negativo, comumente observado no início da lactação (Figura 1).

Problemas causados pela hipocalcemiaFonte: Carvalho, Gesteira e Serrano (2006), adaptado de Curtis et al (1983).

Prevenção da hipocalcemia: dietas aniônicas

A dieta aniônica aumenta as cargas negativas no organismo do animal, que pelo mecanismo compensatório, elimina-as na forma de HCO3 -, provocando uma acidose metabólica moderada.

Isso aumenta a capacidade de resposta dos tecidos ao hormônio PTH, aumentando a reabsorção óssea, a absorção intestinal de Ca e reduzindo a excreção renal de Ca, permitindo que o organismo mantenha níveis de cálcio normais na circulação.

Recomenda-se o fornecimento da dieta aniônica por um período mínimo de 10 dias antes do parto, para que os mecanismos de manutenção da calcemia estejam plenamente ativos ao parto.

Um método fácil e barato de monitorar o efeito dos sais aniônicos sobre o equilíbrio ácido-básico é a medição do pH urinário. Segundo Jardon, em um estudo em 1995, recomendam-se valores de pH urinário entre 6 e 7.

Já Charbonneau e colaboradores, em 2006, analisando 22 trabalhos sobre diferença cátion aniônica da dieta (DCAD) chegou a conclusão que a média de pH em torno de 7 para grupos de vacas parece ser um bom objetivo quando alimentamos vacas com baixa DCAD, sendo que o pH urinário abaixo de 7 pode levar à diminuição do consumo sem o benefício adicional da prevenção de hipocalcemia.

Para a prevenção da hipocalcemia com o sucesso de uma dieta aniônica, o conforto animal (sombra, alimento e água disponível, área de cocho adequada (75 cm/animal), evitar superlotação) deve ser levados em consideração.

A partir deste ponto, deve-se administrar uma dieta pobre em Ca (a restrição do cálcio funciona se fornecer uma quantidade inferior a 20g/vaca/dia) e K e rica em sais aniônicos (cloro e enxofre), que contribuirão para diminuir o pH e aumentar a ação do PTH. Devemos tomar cuidado, pois uma dieta aniônica tem menor palatabilidade e pode diminuir o consumo.

Tratamento

O tratamento recomendado é administrar 500 ml a 1 L de cálcio intravenoso ou subcutâneo (gluconato de cálcio). Um litro pode ser dividido em 800 ml intravenoso e 200 ml subcutâneo.

Pode-se também associar o uso de ”Drench” no pós-parto.

Evitando maiores complicações

O manejo nutricional das vacas no pré e pós-parto é uma questão na qual o produtor deve ficar atento, a fim de evitar maiores complicações, principalmente se tratando de animais predisponentes ao desenvolvimento da hipocalcemia, e as doenças causadas como consequência da mesma.

Saiba mais!

A nutrição pode representar cerca de 50% dos custos de produção na pecuária leiteira e a habilidade em produzir comida de qualidade para as vacas tende a flexibilizar esse custo, consequentemente, refletindo de forma positiva no caixa da fazenda.

Dessa forma, um bom nutricionista tem valor inestimável para um produtor que busca alcançar melhores resultados financeiros.

Para capacitar profissionais que desejam atender a essa demanda do mercado, o Rehagro criou a Pós-Graduação em Nutrição de Bovinos Leiteiros.

Pós-Graduação em Nutrição de Bovinos Leiteiros

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