pasto Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/pasto/ Fri, 20 Jan 2023 18:45:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://blog.rehagro.com.br/wp-content/uploads/2018/05/favicon-rehagro.png pasto Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/pasto/ 32 32 Suplementação de vacas de corte a pasto: quando e como fazer https://blog.rehagro.com.br/suplementacao-de-vacas-de-corte/ https://blog.rehagro.com.br/suplementacao-de-vacas-de-corte/#respond Wed, 21 Sep 2022 14:04:00 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5124 A produção de bovinos de corte é nitidamente importante para o agronegócio brasileiro. A demanda por produtos de origem animal, em âmbito global, tem proporcionado novas oportunidades para o setor, porém ao mesmo tempo, novos desafios surgem, sobretudo quanto à necessidade de melhoria na eficiência de produção. No Brasil, a alimentação de bovinos de corte […]

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A produção de bovinos de corte é nitidamente importante para o agronegócio brasileiro. A demanda por produtos de origem animal, em âmbito global, tem proporcionado novas oportunidades para o setor, porém ao mesmo tempo, novos desafios surgem, sobretudo quanto à necessidade de melhoria na eficiência de produção.

No Brasil, a alimentação de bovinos de corte está baseada em pastagens, constituindo a principal fonte de nutrientes para os animais durante todo o ano.

 

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Entretanto, em muitas situações, o uso exclusivo destas gramíneas não tem admitido a maximização da produção animal, dada a oscilação de qualidade e quantidade da forragem intrínseca ao clima tropical. Dessa forma, surge a necessidade de suplementação alimentar.

Melhoria na suplementação de vacas de corte

Nessa perspectiva, uma categoria animal que merece atenção dos produtores, são as vacas, uma vez que a manutenção e/ou melhoria no desempenho reprodutivo e produtivo destes animais é fundamental para melhoria nos índices aludidos.

Segundo os pesquisadores Bellows e Short em sua pesquisa em 1994, ao final da estação de monta, muitas vacas não estão prenhes e isso é uma das causas de maiores prejuízos no segmento de bovinocultura de corte de ciclo completo.

Em muitas situações o não retorno à atividade reprodutiva pode ser motivo de descarte da matriz. Além disso, a partir do conhecimento prévio sobre a partição de energias, sabe-se que a atividade reprodutiva é a menos prioritária.

Assim, a nutrição tem sido ponderada como um dos fatores determinantes da duração do anestro pós-parto em bovinos de corte.

As vacas diagnosticadas como vazias ao final da estação de monta e que não for definido descartá-las, devem adquirir e/ou manter escore de condição corporal que permita o retorno à atividade reprodutiva no início da estação de monta seguinte.

Com isso, o uso de suplementos de baixo consumo é fundamental no manejo nutricional adequado para promover ganhos moderados e/ou manter a condição corporal destes animais a custos compatíveis.

Reaver o escore de condição corporal pós-parto pode ser muito custoso, pois a estação de parição comumente coincide com o fim do período seco, quando a quantidade e a qualidade de forragens disponíveis são ainda pequenas, demandando uma maior quantidade de suplementos.

Além disso, as exigências nutricionais das matrizes são grandes, devido à gestação e produção de leite em sua maioria. Desse modo, entende-se a importância de melhorar a condição corporal das vacas antes do parto, uma vez que, além das solicitações de nutrientes serem menores, há o efeito anabólico causado pela progesterona, hormônio responsável pela manutenção da gestação.

Dessa maneira, consegue-se um maior ganho de peso com uma suplementação menor. Fêmeas parindo em bom estado nutricional são fundamentais para uma nova cria e se obter bons índices reprodutivos futuros.

Webinar Planejando a sanidade das matrizes para a estação de monta

O objetivo de suplementar a vaca pós-parto, que normalmente coincide com o período seco, é aprimorar o desempenho animal, melhorando a utilização da pastagem disponível.

A estratégia usada é fornecer uma pequena quantidade de nutrientes que favoreçam os microrganismos do rúmen e, consequentemente, aumento no consumo e na digestibilidade. Assim, utilizam-se suplementos que contenham teores de proteína bruta acima de 40%.

Além da fonte proteica e mineral, a adição de uma fonte energética colabora no consumo do suplemento e fornece a oferta de esqueletos carbônicos no rúmen. Nessa situação, o uso da ureia acima de 30% do PDR total é aceitável.

Em geral, em época de chuva, apenas a pastagem cultivada é suficiente, desde que bem manejada e suplementada com uma mistura mineral adequadamente balanceada.

Ingredientes utilizados como suplementos para vacas de criaPortanto, é válido salientar que o produtor precisa estar consciente da importância de oferecer aos animais pastagens de boa qualidade, manejadas corretamente.

Considerações sobre a suplementação de vacas

Deve-se levar em consideração que qualquer tomada de decisão relativa à suplementação alimentar de vacas deve ser precedida de um planejamento cauteloso, com ênfase na análise econômica, uma vez que os custos dessa suplementação podem ser elevados.

No entanto, as necessidades de cada categoria são importantes, inclusive das matrizes, uma vez que a manutenção e/ou melhoria no desempenho reprodutivo e produtivo destes animais é essencial para melhoria nos índices esperados pelo pecuarista.

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Terminação intensiva a pasto – TIP: saiba como aplicar essa modalidade https://blog.rehagro.com.br/terminacao-intensiva-a-pasto-tip/ https://blog.rehagro.com.br/terminacao-intensiva-a-pasto-tip/#respond Tue, 20 Sep 2022 17:39:10 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=15334 No Brasil, mais de 90% da engorda dos animais vem de sistema a pasto. Esse processo possui como principal desafio a estacionalidade da produção das forrageiras, isto é, elevada variação da disponibilidade de pastagens em quantidade e qualidade. Esse fato pode gerar o famoso “efeito sanfona”, no qual os animais engordam na época das chuvas […]

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No Brasil, mais de 90% da engorda dos animais vem de sistema a pasto. Esse processo possui como principal desafio a estacionalidade da produção das forrageiras, isto é, elevada variação da disponibilidade de pastagens em quantidade e qualidade.

Esse fato pode gerar o famoso “efeito sanfona”, no qual os animais engordam na época das chuvas e emagrecem na época da seca.

Dessa forma, é essencial planejar estratégias de manejo nutricional a fim de evitar a queda do desempenho e o abate tardio dos animais, a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) pode ser uma dessas estratégias.

Confira a seguir como funciona essa modalidade de terminação e quais são os pontos importantes e as suas principais vantagens.

 

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O que é a terminação intensiva a pasto (TIP)?

A Terminação Intensiva a Pasto, conhecida também por sua sigla TIP, é uma modalidade de terminação que traz a aplicação dos conceitos do confinamento e aumenta a capacidade de lotação dos pastos.

Essa técnica consiste em fornecer suplementação na forma de ração, suprindo as exigências nutricionais dos bovinos, não atendidas pela pastagem. O objetivo dessa técnica é promover a terminação toda a pasto, sem a necessidade da construção de um confinamento.

O bovino irá comer a mesma quantidade de ração no pasto como se estivesse confinado. A forrageira, no entanto, será a fonte de alimento volumoso, reduzindo os custos operacionais advindos do fornecimento desse alimento.

A TIP promove por meio do suplemento, o fornecimento de proteína, energia e mineral exigido para a fase de terminação, tendo o pasto como fonte de fibra para a manutenção da saúde ruminal.

Os bovinos recebem até 2% de seu peso vivo em ração concentrada objetivando a deposição de gordura na carcaça, dessa forma a TIP incrementa os níveis de produção, ganho de peso por animal, rendimento de carcaça e peso por área. Além disso, a TIP é de fácil adaptação pelos animais, eleva o bem estar e pode ser feita o ano todo.

Webinar Suplementação a pasto

Pontos importantes para implementação da TIP

A terminação intensiva a pasto é um sistema de suplementação e, por isso, é importante ficar atento ao consumo e ao ganho de peso dos animais – mensurar tais índices é essencial para o sucesso da TIP.

Outro ponto importante é o dimensionamento correto dos cochos. Uma dica é trabalhar com cerca de 30 a 40 cm lineares por unidade animal (450 kg). O ajuste da lotação no pasto também deve ser feito, apesar de elevar a taxa de lotação, a adequação do número de animais ao que o pasto suporta é fundamental para a TIP.

O fornecimento de água em quantidade e qualidade adequada é essencial para o sucesso da TIP na fazenda, afinal a ingestão de água está diretamente relacionada com o consumo de matéria seca.

Além disso, é imprescindível respeitar o horário de fornecimento do suplemento: mudanças na rotina do fornecimento podem mudar o comportamento ingestivo dos animais, refletindo negativamente no desempenho.

É importante realizar a adaptação dos animais à dieta, sempre iniciando o fornecimento com uma quantidade menor, aumentando gradativamente até fechar o total a ser fornecido. A avaliação do escore de condição corporal dos bovinos (ECC), associada à leitura do escore de fezes pode auxiliar no processo de adaptação.

Por último mas não menos importante, o correto dimensionamento, manejo e diferimento do pasto é fundamental para uma boa terminação intensiva. Dessa forma, há uma garantia de uma boa oferta de forragem no período seco do ano.

Vantagens da terminação de bovinos a pasto

Dentre as principais vantagens, podemos destacar que o sistema intensivo de terminação está, diretamente, relacionado à sustentabilidade da pecuária, afinal permite produzir uma maior quantidade de carne em uma menor área de terra.

Já pelo lado financeiro, a estratégia de terminar bovinos a pasto elimina os custos com a construção de um confinamento e reduz custos com maquinário.

Além disso, com esse sistema é possível alcançar melhor conversão dos animais, redução de perdas e maior velocidade na terminação do rebanho, aumentando a rentabilidade econômica do pecuarista.

Conclusão

A Terminação Intensiva de Bovinos a pasto, quando bem estruturada, pode ser uma excelente alternativa para o produtor que não pode investir em um confinamento.

Aqui no Rehagro temos o Curso Online Gestão da Pecuária de Corte. Nele, os nossos mais experientes consultores te auxiliam a realizar uma gestão produtiva e lucrativa na sua fazenda! Para mais informações, visite a nossa página:

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Suplementação de bezerros de corte: principais formas e como fazer https://blog.rehagro.com.br/suplementacao-de-bezerros/ https://blog.rehagro.com.br/suplementacao-de-bezerros/#comments Mon, 12 Sep 2022 17:26:08 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5090 O produtor busca pela harmonia perfeita entre cria, recria e engorda, pois são fatores determinantes para maior eficiência produtiva de um sistema de produção. Com isso, o peso dos bezerros a desmama é a essência para a redução da idade ao abate e a melhoria na taxa de desfrute. Do nascimento a desmama é a […]

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O produtor busca pela harmonia perfeita entre cria, recria e engorda, pois são fatores determinantes para maior eficiência produtiva de um sistema de produção. Com isso, o peso dos bezerros a desmama é a essência para a redução da idade ao abate e a melhoria na taxa de desfrute.

Do nascimento a desmama é a etapa da vida do animal em que se apresentam as melhores taxas de ganho de peso, alcançando, em apenas sete meses, aproximadamente 25 a 35% do peso final de abate.

 

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O leite proporciona nutrientes imprescindíveis à cria, sob uma forma simples e de fácil absorção, de maneira a suprir as exigências relativamente altas nesta fase. Até certo momento, quanto mais leite o bezerro recebe da matriz, mais rápido ele cresce.

Entretanto, a relação entre esses dois fatores (produção leiteira da mãe e ganho de peso da cria) diminui bastante de intensidade, depois de 16 semanas. Esperar, por conseguinte, que a partir da idade de 3 a 4 meses, boa parte dos nutrientes indispensáveis aos bezerros de corte origina-se de outras fontes que não somente do leite materno.

Formas de suplementação de bezerros

Para suprir as possíveis deficiências nutricionais, determinadas formas de suplementação de bezerros foram desenvolvidas.

Creep-feeding

O Creep-feeding ou cocho privativo, que é uma forma de suplementação com ração balanceada no cocho, dentro de uma área cercada, com acesso exclusivamente ao bezerro. O objetivo é suplementar a cria sem apartar da mãe.

Ainda que haja indicativos de uma melhora da eficiência reprodutiva da vaca, o creep-feeding visa principalmente ao bezerro. Tem como finalidade o aumento do peso a desmama, bem como habituá-lo à suplementação no cocho.

Creep-feedingExemplo de creep-feeding

Para que a suplementação alcance êxito, irá depender do consumo dos bezerros. Para que isso ocorra, determinadas práticas de manejo podem ser ressaltadas, primeiramente, quando se usa o sistema de cocho privativo: reunir às crias alguns bezerros mais velhos que já conhecem o sistema, servindo como exemplo, e espalhar ração do lado de fora do cercado, de maneira que as vacas possam treinar suas crias a comer, e posteriormente permitir o acesso ao cocho, tanto das vacas quanto dos bezerros, durante alguns dias.

Creep-grazing

O Creep-grazing ou pasto privativo, ainda pouco aproveitado no Brasil, é o método que consiste em permanecer os bezerros juntos às suas mães e têm acesso exclusivo a um piquete formado com forrageiras de alto valor nutritivo, pequeno porte e alta densidade, como azevém, aveia, tifton, milheto etc.

As instalações (exigências são parecidas às do creep-feeding) são proporcionais ao número de bezerros e à produção de matéria seca da forrageira escolhida pelo tamanho do piquete.

creep-grazingRepresentação do método creep-grazing

Além dessas duas formas de suplementação, pode ser utilizado a desmama precoce, uma vez que essa permite que as matrizes recuperem seu estado corporal e manifestem o cio.

Para a maior eficiência do sistema, todavia, é preciso que esta prática ocorra dentro da estação de monta, possibilitando uma nova concepção imediata.

Esta estratégia pode ser utilizada para descartar as fêmeas que não reconceberam ao final da estação de monta sem que as mesmas tenham que ficar por muito tempo na propriedade ocupando espaço de outra mais produtiva.

E-book Manual Sanitário da estação de monta

Para isso, os bezerros entre 90-120 dias de idade são desmamados e colocados em pastagens adequadas, bem afastados das mães. O pasto apropriado para desmama deve ser formado com forrageiras, correspondendo aos requisitos do creep-grazing (alto valor nutritivo, alta densidade, palatabilidade e baixo porte).

Além do pasto, aconselha-se suplementar os bezerros com uma ração concentrada, a mesma do creep-feeding, até 6-7 meses, idade correspondente à desmama tradicional, pois as crias têm a capacidade de retirar do concentrado a energia suficiente que encontrariam com o leite.

É esperado que os bezerros consumam de 200 – 400 g/cab/dia. Com o passar do tempo, eles somam gradativamente a ingestão, chegando a atingir, na fase final, 2 – 2,5 kg/cab/dia. Pode-se ofertar a quantidade de 1% do peso vivo médio de cada lote, para cada animal por dia, durante o período de 3 a 4 meses.

Portanto, em um sistema de produção de bovinos de corte, a taxa de desmama e a quantidade de kg de bezerro desmamado/vaca/ano influenciam diretamente a eficiência do processo de criação.

A suplementação, ainda que na fase de aleitamento, evidencia ser uma importante ferramenta complementar nos projetos que visam níveis altos de produtividade.

Quanto mais pesado desmamar o bezerro, menor será seu tempo no sistema até o abate, reduzindo seu custo de permanência na propriedade ou maior será seu valor de venda e mais rápido as fêmeas são destinadas à reposição. Além disso, permite que as matrizes recuperem seu estado corporal e retome a ciclicidade mais rápido.

Para o produtor é indispensável saber os custos do sistema e devem ser levados em consideração os custos com ração/bezerro. No entanto, é essencial atentar-se que um bezerro bem nutrido, durante o primeiro ano de vida, é capaz de suportar maiores estresses climáticos e/ou orgânicos e, consequentemente, te restituir um boi mais pesado no futuro, mostrando mais importante o fechamento econômico da operação.

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Creep-feeding e creep-grazing: como funcionam as suplementações de bezerros? https://blog.rehagro.com.br/creep-feeding-e-creep-grazing-como-funcionam-as-suplementacoes-de-bezerros/ https://blog.rehagro.com.br/creep-feeding-e-creep-grazing-como-funcionam-as-suplementacoes-de-bezerros/#respond Fri, 29 Jul 2022 13:00:55 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=14026 A fase inicial do processo de produção de gado de corte é fundamental para o desempenho dos animais ao longo da vida e, consequentemente, para a rentabilidade do negócio. Potencializar essa fase e acelerar o processo pode ser alcançado com a utilização de estratégias e ferramentas, como o creep-feeding e o creep-grazing.  O produtor busca […]

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A fase inicial do processo de produção de gado de corte é fundamental para o desempenho dos animais ao longo da vida e, consequentemente, para a rentabilidade do negócio. Potencializar essa fase e acelerar o processo pode ser alcançado com a utilização de estratégias e ferramentas, como o creep-feeding e o creep-grazing

O produtor busca pela harmonia perfeita entre cria, recria e engorda, pois são fatores determinantes para maior eficiência produtiva de um sistema de produção. Com isso, o peso dos bezerros a desmama é fundamental para a redução da idade ao abate e a melhoria na taxa de desfrute das propriedades.

Entre o nascimento e a desmama, há a etapa da vida do animal onde se apresentam as melhores taxas de ganho de peso, alcançando, em apenas sete meses, aproximadamente de 25 a 35% do peso final do abate.

O leite proporciona nutrientes imprescindíveis e de grande relevância para o desempenho da cria, sob uma forma simples e de fácil absorção, de maneira a suprir as exigências relativamente altas nesta fase. Até certo momento, quanto mais leite o bezerro recebe da matriz, mais rápido e mais saudável ele cresce.

A relação entre esses dois fatores (produção leiteira da mãe e ganho de peso da cria), no entanto, diminui bastante de intensidade depois de 16 semanas. Esperar, por conseguinte, que a partir da idade de três a quatro meses, boa parte dos nutrientes indispensáveis aos bezerros de corte se origina de outras fontes que não somente do leite materno.

Para suprir as possíveis deficiências nutricionais e potencializar os ganhos dos animais nessa etapa da vida, determinadas formas de suplementação de bezerros foram desenvolvidas.

 

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Creep-feeding

O creep-feeding ou cocho privativo, é uma forma de suplementação com ração balanceada no cocho, dentro de uma área cercada, com acesso exclusivamente ao bezerro. O objetivo é suplementar a cria sem apartar da mãe.

Ainda que haja indicativos da melhoria na eficiência reprodutiva da vaca, o creep-feeding favorece principalmente ao bezerro, tendo como finalidade o aumento do peso a desmama, bem como habituá-lo à suplementação no cocho.

Para que a suplementação alcance êxito, irá depender do consumo dos bezerros. Para que isso ocorra, determinadas práticas de manejo podem ser ressaltadas, primeiramente, quando se usa o sistema de cocho privativo:

  • Reunir às crias alguns bezerros mais velhos que já conhecem o sistema, servindo como exemplo;
  • Espalhar ração do lado de fora do cercado, de maneira que as vacas possam treinar suas crias a comer;
  • Permitir o acesso ao cocho, tanto das vacas quanto dos bezerros, durante alguns dias.

Creep-feeding

Creep-grazing

O creep-grazing ou pasto privativo, ainda pouco aproveitado no Brasil, é o método que consiste em permanecer os bezerros juntos às suas mães e têm acesso exclusivo a um piquete formado com forrageiras de alto valor nutritivo, pequeno porte e alta densidade, como azevém, aveia, tifton, milheto etc.

As instalações (exigências são parecidas às do creep-feeding), são proporcionais ao número de bezerros e à produção de matéria seca da forrageira escolhida pelo tamanho do piquete.

Creep-grazing

Outras alternativas de suplementação

Além dessas duas formas de suplementação, pode ser utilizada a desmama precoce, uma vez que essa permite que as matrizes recuperem seu estado corporal e manifestem o cio.

Para a maior eficiência do sistema, porém, é preciso que esta prática ocorra dentro da estação de monta, possibilitando uma nova concepção imediata.

Esta estratégia pode ser utilizada para descartar as fêmeas que não reconceberam ao final da estação de monta, sem que elas fiquem por muito tempo na propriedade ocupando espaço de outra mais produtiva.

Para isso, os bezerros entre 90-120 dias de idade são desmamados e colocados em pastagens adequadas, bem afastados das mães. O pasto apropriado para desmama deve ser formado com forrageiras, correspondendo aos requisitos do creep-grazing (alto valor nutritivo, alta densidade, palatabilidade e baixo porte).

Além do pasto, é aconselhado suplementar os bezerros com uma ração concentrada – a mesma do creep-feeding – até 6-7 meses, idade correspondente à desmama tradicional, pois as crias têm a capacidade de retirar do concentrado a energia suficiente que encontrariam com o leite.

É esperado que os bezerros consumam de 200 – 400g/cab/dia. Com o passar do tempo, eles somam gradativamente a ingestão, chegando a atingir, na fase final, 2 – 2,5 kg/cab/dia. Pode-se ofertar a quantidade de 1% do peso vivo médio de cada lote, para cada animal por dia, durante o período de 3 a 4 meses.

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Característica do suplemento no creep

A suplementação utilizada, no creep, por exemplo, deve receber a devida atenção no momento da formulação, contendo em média, de 18 a 20% de proteína.

Em alguns casos, é interessante a utilização de produtos palatabilizantes na suplementação para fomentar e aumentar o consumo por parte dos bezerros.

Outro ponto de importância para o sistema como um todo é a possibilidade de fornecer aos animais nessa fase da vida, aditivos na suplementação, como salinomicina, monensina dentre outros. Estes, atuam como coccidiostáticos, no controle da coccidiose, o que apresenta grande importância para a fase de grande acometimento da eimeriose.

Considerações sobre creep-feeding e creep-grazing

Em um sistema de produção de bovinos de corte, a taxa de desmama e a quantidade de kg de bezerro desmamado/vaca/ano influenciam diretamente a eficiência do processo de criação.

A capacidade e a melhoria desse indicador está diretamente relacionado ao nível de intensificação da propriedade, quanto maior a taxa de lotação da propriedade, maior a eficiência nos manejos reprodutivos e sanitários com as matrizes e suas crias, e o peso de desmama influenciam diretamente nesse indicador de tamanha importância para propriedades de cria.

A suplementação, ainda que na fase de aleitamento, evidencia ser uma importante ferramenta complementar nos projetos que visam níveis altos de produtividade.

Quanto mais pesado desmamar o bezerro, menor será seu tempo no sistema até o abate, reduzindo seu custo de permanência na propriedade ou maior será seu valor de venda e mais rápido as fêmeas são destinadas à reposição. Além disso, permite que as matrizes recuperem seu estado corporal e retome a ciclicidade mais rápido.

Para o produtor é indispensável saber os custos do sistema e devem ser levados em consideração os custos com ração/bezerro. É essencial, no entanto, observar se um bezerro bem nutrido, durante o primeiro ano de vida, é capaz de suportar maiores estresses climáticos e/ou orgânicos e, consequentemente, te restituir um boi mais pesado no futuro, mostrando mais importante o fechamento econômico da operação.

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Cristiano Rossoni

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Produção a pasto: qual o responsável pelo sucesso? https://blog.rehagro.com.br/producao-a-pasto-e-o-responsavel-pelo-sucesso/ https://blog.rehagro.com.br/producao-a-pasto-e-o-responsavel-pelo-sucesso/#respond Fri, 22 Jul 2022 15:00:02 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=13976 Qual a importância de fatores como: altura de entrada e saída do pasto? Para explicarmos mais sobre esse assunto, antes precisamos entender mais sobre interceptação luminosa. O que é interceptação luminosa? Pode ser explicado pelo acúmulo total de forragem atingido em uma taxa máxima constante enquanto existir área foliar suficiente para interceptar quase toda a […]

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Qual a importância de fatores como: altura de entrada e saída do pasto?

Para explicarmos mais sobre esse assunto, antes precisamos entender mais sobre interceptação luminosa.

O que é interceptação luminosa?

Pode ser explicado pelo acúmulo total de forragem atingido em uma taxa máxima constante enquanto existir área foliar suficiente para interceptar quase toda a luz incidente

Ou seja, é o exato momento onde a planta apresenta 95% de área FOLIAR capaz de captar a luz!

Então, como a forrageira se comporta quando é pastejada ou após começar a rebrotar no início do período das águas?

O Professor e Consultor Bruno Gottardi, responde essa e outras perguntas além de explicar mais sobre a interceptação luminosa e a importância do manejo correto de pasto neste vídeo especial  do nosso quadro “ Por Dentro do Ensino”.

 

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A forrageira preferencialmente vai produzir folha, porque é o mecanismo que ela possui para captar a luz solar, consequentemente assimilar energia e carboidrato e se manter uma planta produtiva.

Após ser submetida ao pastejo ou corte no momento que os animais saem do piquete, inicia-se a produção de folha, até um determinado ponto onde cessa o aumento do índice de área foliar, pois  a luz solar não consegue mais penetrar o dossel  e atingir a base dessa planta.

Consequentemente, o caule da forrageira começa a alongar para tentar colocar essas novas folhas acima do dossel e captar mais luz, a partir do momento em que essa luz solar não chega na base da planta ocorre a senescência das folhas, ou seja, a morte.

Qual o impacto causado?

Pensando na forrageira não há benefício nenhum em atingir esse ponto, pois não há acúmulo de folhas e morte desse material.

É necessário o estresse do pastejo para abrir  espaço e aumentar a entrada de luz solar na base da planta e dessa forma iniciar o estímulo para o aparecimento de novos perfilhos basais que são importantes para a produção eficiente dessa forragem.

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Principais plantas tóxicas para bovinos https://blog.rehagro.com.br/principais-plantas-toxicas-para-bovinos/ https://blog.rehagro.com.br/principais-plantas-toxicas-para-bovinos/#respond Thu, 19 May 2022 15:57:43 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=13160 Quais são as principais plantas tóxicas presentes nas pastagens? Saiba como e quais plantas podem afetas diretamente a saúde dos seus animais. Neste e-book você irá encontrar: Imagens das plantas tóxicas para ajudá-lo a identificá-las em sua propriedade; Principais regiões onde podem ser encontradas em maior quantidade; Primeiros sintomas de intoxicação nos animais e os […]

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Quais são as principais plantas tóxicas presentes nas pastagens? Saiba como e quais plantas podem afetas diretamente a saúde dos seus animais.

Neste e-book você irá encontrar:

  • Imagens das plantas tóxicas para ajudá-lo a identificá-las em sua propriedade;
  • Principais regiões onde podem ser encontradas em maior quantidade;
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Mantenha a qualidade de suas pastagens

Para estabelecer as medidas profiláticas apropriadas, diagnósticos corretos e específicos devem ser realizados, por isso é importante ter um material de qualidade pensando no dia a dia do produtor.

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Produtividade e consumo de bovinos no pasto: veja fatores que interferem https://blog.rehagro.com.br/consumo-de-bovinos-a-pasto/ https://blog.rehagro.com.br/consumo-de-bovinos-a-pasto/#comments Tue, 10 Nov 2020 15:00:35 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8500 As interações que ocorrem entre os animais e a planta, em uma pastagem, podem proporcionar efeitos positivos e/ou negativos em ambos. A seleção realizada pelos animais em pastejo é um dos efeitos negativos que ocorrem no pasto e está diretamente relacionado com o consumo de bovinos, uma vez que as características e a estrutura do […]

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As interações que ocorrem entre os animais e a planta, em uma pastagem, podem proporcionar efeitos positivos e/ou negativos em ambos.

A seleção realizada pelos animais em pastejo é um dos efeitos negativos que ocorrem no pasto e está diretamente relacionado com o consumo de bovinos, uma vez que as características e a estrutura do pasto afetam o consumo por bocado.

Essa seleção pode estar associada ainda à contaminação do local por fezes e urina, à localização de água e sombreamento, que também podem influenciar o pastejo e seleção pelo animal (Sollenberger e Vanzant, 2011). A ingestão diária de forragem é uma função da taxa de consumo e o tempo de pastejo (Sollenberger et al., 2013).

 

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A produtividade animal de animais em pastejo é determinada pelo consumo de matéria seca, que é influenciado por uma série de fatores separados em três importantes grupos:

  1. Processo de digestão que estão relacionados com a maturidade da forragem, valor nutritivo e digestibilidade;
  2. Fatores da ingestão que estão associados à estrutura do pasto (facilidade de apreensão e colheita de forragem durante o pastejo);
  3. Estágio fisiológico e nível de desempenho dos animais, que estão associados aos requerimentos nutricionais e demanda por nutrientes.

De modo geral, a variável resposta, tanto das plantas forrageiras como dos animais são dependentes da estrutura do pasto e da interação com o animal, sendo esta fundamental na tomada de decisão do manejo da pastagem para favorecer o consumo de matéria seca.

Mas afinal, quais seriam os fatores relacionados às características estruturais do pasto que influenciam o consumo de matéria seca por bovinos em pastejo? Como mensurá-las e utilizá-las para aumentar a produtividade animal?

Além de conhecer quais são esses fatores e como eles interferem na produtividade, vamos entender nesse texto, quais os impactos que o manejo incorreto imprimem nos sistemas de produção.

Estrutura do pasto

A estrutura do pasto pode ser definido como arranjo e distribuição das plantas sobre o solo em um mesmo ambiente (Laca e Lemaire, 2000), sendo esta importante, por determinar a facilidade de apreensão dos componentes da planta, e isso pode afetar a quantidade ingerida de nutrientes.

Estrutura de pastagemFonte: arquivo pessoal Zootecnista Patricia Rodrigues

A relação folha/colmo, índice de área foliar, massa de forragem, densidade de folhas verdes e altura média são componentes da estrutura do pasto responsáveis por influenciar a ingestão de forragem pelos animais, pois alteram as variáveis do comportamento ingestivo (Mayne et al., 2000; Gontijo et al., 2006).

Na dimensão vertical, a altura e a distribuição dos componentes (folha, colmo) são as principais variáveis, e na dimensão horizontal é a massa de forragem, sendo essas as variáveis mais importantes que devem ser consideradas na avaliação da estrutura (Cabral et al., 2011).

Altura do pasto

Maiores alturas implicam em maturidade da planta e alongamento de colmo, havendo progressiva lignificação, que confere aumento na força de ruptura (Jacobs et al., 2011) e induz os animais a selecionarem a forragem a ser consumida, reduzindo a massa do bocado e aumentando o tempo por bocado.

Com isso a taxa de consumo diminui, devido às limitações da estrutura do pasto (Benvenutti et al., 2009), ou seja, alta presença de colmos podem ser uma barreira física ao processo de pastejo, dificultando o consumo (Casagrande et al., 2010).

A altura do pasto na condição de pré-pastejo apresenta alto grau de associação com os valores de interceptação luminosa pelo dossel, conforme observado em pesquisas realizadas com forrageiras tropicais.

Altura de espécies forrageiras Altura de pré-pastejo de espécies forrageiras sob lotação intermitente com base em 95% IL. 

Dessa forma, estratégias de manejo determinadas pelo controle de altura do pasto é uma variável consistente para determinar as respostas da pastagem e dos animais, em estudos sobre taxa de ingestão de forragem.

Assim, torna-se mais prático entender as modificações na estrutura do pasto, e das respostas dos animais a essas variações.

Altura do pastoFonte: arquivo pessoal Zootecnista Patricia Rodrigues. 

Massa de forragem

A massa de forragem pode ser definida como peso total de forragem por unidade de área, acima da altura de corte do capim, sendo usualmente expressa em kg/ha de MS.

Conhecer as diversas variações de massa de forragem entre espécies de forrageiras é importante para tomada de decisões do manejo do pastejo (Pellegrini et al., 2010).

Pastagem desenvolvidaFonte: arquivo pessoal Zootecnista Patricia Rodrigues. 

A partir do momento que 95% de toda a luz incidente é interceptada pela planta, a produção de folhas velhas aumenta e de folhas novas diminui, causando redução no acúmulo de folhas e intenso acúmulo de colmo e material senescente.

Nessa situação, a altura e a massa de forragem dos pastos aumentam, porém o valor nutritivo fica comprometido por apresentar menores proporções da parte mais digestível (folhas).

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Relação folha:colmo

Uma relação folha:colmo elevada, pode caracterizar uma planta com maior teor de proteína e boa digestibilidade o que confere boa aceitabilidade pelos animais e alta ingestão.

Análise de folhas da pastagemFonte: arquivo pessoal Zootecnista Patricia Rodrigues. 

As folhas representam o componente com maior quantidade de tecidos não lignificados, como mesófilo, o que confere melhor qualidade nutricional e menor tempo de retenção no rúmen, consequentemente maior taxa de passagem (Humphreys, 1991).

O colmo apresenta maior presença de tecidos lignificados (epiderme e esclerênquima) onde menos de 50% da parede é prontamente digestível e utilizada pelo animal, o que compromete a eficiência de pastejo, como consequência da redução na relação folha:colmo.

Por isso, a relação folha:colmo pode atuar também como indicador da facilidade de apreensão da forragem pelo animal (Paula et al., 2012).

Relação folha colmo Fonte: Senar. 

O comportamento ingestivo de animais em pastejo é sensível a variações na estrutura do pasto (Palhano et al., 2007), onde qualquer falha ocorrida no dimensionamento da oferta de forragem pode repercutir em amplo impacto no desempenho animal.

A quantidade e qualidade de massa verde produzida é determinada pelo acúmulo de forragem que ocorre durante o período de rebrotação das plantas (pós pastejo) (Pedreira et al., 2009).

Em lotação rotativa, após a saída dos animais dos piquetes, o pasto começa a rebrotar, visando recompor a área foliar, interceptar luz e crescer novamente, acumulando nova quantidade de forragem para ser utilizada no próximo pastejo (Da Silva, 2009).

Dessa maneira, a interceptação luminosa (IL), associada à altura, tem sido a estratégia mais usada para manejar pastagens sob lotação rotativa, visando controlar as características estruturais do pasto (Pedreira et al., 2007).

Consumo de matéria seca

O consumo total de forragem de um animal em pastejo é o resultado do acúmulo de forragem consumida em cada bocado, e da frequência com que realiza, durante todo tempo em que passa se alimentando (Carvalho et al., 2009).

A ingestão de forragem por bocado é muito sensível a variações na estrutura no pasto particularmente na sua altura (Coleman, 1992). Quando a massa do bocado é reduzida, ocorre queda correspondente na taxa de consumo, a menos que um incremento compensatório na taxa de bocados seja observado.

Desse mesmo modo, o consumo diário de forragem também será afetado se qualquer redução na taxa de consumo não puder ser compensada por um incremento no tempo de pastejo.

Consumo de bovinos a pastoFonte: arquivo pessoal Zootecnista Patricia Rodrigues.

Os fatores associados à estrutura do pasto, bem como ao comportamento ingestivo dos animais, incluem seleção da dieta, tempo de pastejo, massa de bocado e taxa de bocados, sendo o bocado a unidade mais importante referente ao consumo.

Segundo Carvalho et al. (2007) o consumo pode ser dado pelo produto da massa de bocado, do tempo e número de refeições ao longo do dia.

Tempo de pastejo, massa e taxa de bocado

O tempo em pastejo é definido como o tempo em que o animal está apreendendo a forragem e mastigando-a e/ou deslocando-se com a cabeça baixa, podendo variar de acordo com a estrutura do pasto refletindo a facilidade de colheita da forragem.

A massa de forragem, altura, densidade, baixo teor de fibra das folhas, presença de barreira física (colmo) são características da estrutura do pasto que determinam os mecanismos utilizados pelos animais durante o processo de pastejo (Reis e Da Silva, 2011), interferindo o tempo de pastejo.

A variável tempo de pastejo é inversamente proporcional ao consumo, ou seja, quanto maior a massa de bocado, menor será o tempo de pastejo (Santos et al., 2010). Atividades como deslocamento, seleção, busca, manipulação e colheita do alimento estão inseridas na variável tempo de pastejo.

Sob baixa oferta de forragem, o tempo de pastejo aumenta, assim como a frequência de bocados, buscando atender a demanda diária de ingestão de matéria seca e consequentemente as exigências nutricionais diárias.

Segundo Ribeiro et al. (2012), o tempo destinado ao pastejo de bovinos não deve ultrapassar de 12 a 13h, vez que tempos acima desses valores podem influenciar negativamente as atividades ruminais dos animais.

A massa do bocado, pode ser definida como o produto entre a densidade volumétrica pelo volume do bocado, sendo este, função da área do bocado e profundidade. É a variável mais importante na determinação do consumo de animais em pastejo, e mais influenciada pela estrutura do pasto.

Diferente da massa de bocado, a taxa de bocado é o número de bocados em determinado período de tempo, sendo usada para calcular a taxa instantânea de consumo, dada em bocados/min (Hodgson, 1985). Sob condições de menor oferta de forragem, a taxa de bocado tende a aumentar, porém, o incremento não é suficiente para evitar diminuição na taxa de consumo, com isso o animal compensa no aumento de tempo de pastejo (Maggioni et al., 2009).

Em algumas situações a massa de bocado é inversamente proporcional à taxa de bocados, o que confirma que dosséis com maiores massas de forragens demandam mais movimentos mandibulares e mastigação do que de bocados e apreensão.

Considerações finais

Os componentes da estrutura do pasto afetam diretamente a ingestão de matéria seca por influenciarem o comportamento ingestivo dos bovinos. O controle da intensidade e frequência de pastejo, visa oferecer ao animal uma estrutura com elevada relação folha:colmo, que favorece o processo de pastejo.

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Cocho para gado de corte: a importância da rotina de inspeção https://blog.rehagro.com.br/voce-sabe-a-importancia-de-mexer-o-cocho/ https://blog.rehagro.com.br/voce-sabe-a-importancia-de-mexer-o-cocho/#respond Thu, 17 Sep 2020 18:30:45 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8178 Aprenda a importância da rotina de inspeção dos cochos para manter uma suplementação adequada para a bovinocultura de corte. Os minerais são fundamentais para o metabolismo animal, tendo participação ativa em vários processos digestivos e metabólicos. Consequentemente, têm influência direta na produção individual de cada animal. A deficiência dos mesmos é considerada uma enfermidade metabólica. […]

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Aprenda a importância da rotina de inspeção dos cochos para manter uma suplementação adequada para a bovinocultura de corte.

Os minerais são fundamentais para o metabolismo animal, tendo participação ativa em vários processos digestivos e metabólicos. Consequentemente, têm influência direta na produção individual de cada animal. A deficiência dos mesmos é considerada uma enfermidade metabólica.

Para bovinos mantidos exclusivamente em pasto, geralmente, a suplementação de minerais é feita em cochos, na maioria das vezes descobertos, colocados em locais estratégicos do pasto e com abastecimento semanal.

O fornecimento da mistura mineral deve ser contínuo. Portanto, a mistura deve estar sempre à disposição do animal no cocho para que o consumo seja o mais uniforme possível, suprindo as exigências de minerais dos animais e garantindo o ganho de peso adequado para a estratégia nutricional.

 

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Fornecimento de misturas minerais no cocho

Um dos problemas relacionados com o fornecimento de misturas minerais à vontade é o consumo variável e, muitas vezes, o “não consumo”.

Vários fatores interferem nessa variação como: 

  • Estado fisiológico;
  • Raça;
  • Idade;
  • Distância da água e cochos;
  • Qualidade do produto, entre outros.

Inspeção de cochosInspeção de cochos, suplemento mineral com alta umidade. Fonte: arquivo pessoal de Gabriel Martins, estagiário do Rehagro.

O fornecimento de suplementação mineral é uma estratégia viável que permite ganhos adicionais quando aliada à uma boa oferta de forragem. Porém, para que o produtor obtenha bons resultados, além do bom manejo da pastagem e do pastejo, são necessários alguns cuidados no manejo e na qualidade desse produto no cocho.

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Os cochos de suplementação mineral sem cobertura são os mais encontrados em propriedades rurais pelo país. Apesar de ser um método eficaz, traz consigo alguns desafios, como baixa proteção contra umidade e chuvas.

A água ou excesso de umidade no suplemento pode formar crostas ou até mesmo endurecê-lo, formando torrões e alterando a palatabilidade do produto, o que resulta na redução do consumo.

Em um estudo de Nicodemo, feito no ano 2000, foi observado que o consumo de um determinado suplemento sofre maior influência de sua palatabilidade, do que da sua capacidade em satisfazer demandas nutricionais específicas.

Cocho mal inspecionadoCocho de suplementação mineral descoberto e com alta umidade, atoleiro ao redor. Fonte: Rafael Araújo, técnico Rehagro / Acervo pessoal.

Rotina de inspeção de cochos

A rotina de inspeção dos cochos por uma pessoa previamente treinada é uma das práticas mais negligenciadas na propriedade rural. Entretanto, a adoção dessa rotina na fazenda garante o fornecimento do suplemento em condições adequadas para o consumo dos bovinos.

De acordo com um conceituado estudo conduzido por Ortolani, em 1999, há influência da forma física do suplemento mineral e seu consumo pelos bovinos.

Ele observou que os suplementos minerais ofertados de forma empedrada, devido à exposição à umidade, tiveram sua ingestão reduzida em 55%, quando comparados a um suplemento fornecido de forma fresca e seca.

Portanto, os benefícios dessa estratégia nutricional só poderão ser atingidos quando o produto é fornecido de forma adequada e com espaçamento de cocho recomendado de 5 cm/UA. Esse espaçamento pode diferir dependendo da categoria animal, raça, tamanho de lote, entre outros, por isso é sempre recomendável observar com cautela esse critério.

Portanto, implementar essa rotina de inspeção de cochos e “mexer o cocho” diminuindo ou acabando com os torrões possibilita um consumo menos variável e constante, garantindo que as exigências nutricionais dos animais sejam atendidas e, consequentemente, melhor desempenho do lote.

Agora, sabendo da importância desta rotina, já deu uma conferida nos “cochos” de sua fazenda hoje?

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O conteúdo vai direto ao ponto: como realizar a gestão dos principais pilares da pecuária lucrativa com o objetivo de ampliar a lucratividade do negócio.

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Contagem de células somáticas do leite: importância e como reduzir https://blog.rehagro.com.br/contagem-de-celulas-somaticas-do-leite-definicao-importancia-e-como-reduzir/ https://blog.rehagro.com.br/contagem-de-celulas-somaticas-do-leite-definicao-importancia-e-como-reduzir/#respond Wed, 16 Sep 2020 13:14:13 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8262 A CCS, ou contagem de células somáticas, consiste em uma importante ferramenta que indica a saúde da glândula mamária de vacas leiteiras. As células somáticas são representadas por células de descamação do epitélio da própria glândula mamária e por células de defesa (leucócitos) que passam do sangue para o úbere. Vacas sadias e com boa […]

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A CCS, ou contagem de células somáticas, consiste em uma importante ferramenta que indica a saúde da glândula mamária de vacas leiteiras.

As células somáticas são representadas por células de descamação do epitélio da própria glândula mamária e por células de defesa (leucócitos) que passam do sangue para o úbere.

Vacas sadias e com boa saúde da glândula mamária possuem valores de CCS de até 200.000 células/mL de leite.

 

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Valores superiores indicam que há algum desequilíbrio na glândula mamária, possivelmente devido a ocorrência de mastite. Conforme demonstrado pela tabela abaixo, a elevação da contagem de células somáticas está diretamente associada à redução da produção de leite.

Tabela com prevalência de infecção associada à alta contagem de CCS¹ Perda de produção calculada como porcentagem da produção esperada a 200.000 cél./mL.
* Contagem de células somáticas do tanque de expansão

Em uma situação onde a CCS do rebanho no tanque de expansão é de 500.000 células/mL, por exemplo, estima-se que o percentual de quartos mamários infectados no rebanho seja próximo a 16% e que as perdas na produção de leite girem em torno de 6%.

Além das perdas na produção de leite, a elevação da CCS contribui de forma negativa também com o aumento dos custos com tratamentos, descarte de leite, alteração na composição do leite (diminuição da gordura, caseína e lactose no leite) e perda da bonificação no pagamento do leite pelos laticínios.

Em casos onde a contagem de células somáticas permanece elevada (> 200 mil células/mL) de forma crônica a tendência é de que a vaca seja descartada do rebanho, caracterizando assim um outro impacto negativo do aumento da CCS.

O gráfico abaixo representa a relação entre os valores de CCS e a produção de leite na primeira lactação e da segunda lactação em diante. Pode-se observar que a queda na produção de leite está diretamente associada ao aumento na contagem de células somáticas dos quartos mamários.

Relação entre a produção de leite e a contagem média de CCS

É devido a estes fatores que é de grande interesse do produtor e de grande relevância para os animais e para o sistema de produção atuar para diminuir a contagem de células somáticas do leite. Para isso torna-se necessário prevenir, controlar e monitorar a mastite no rebanho, eliminando as infecções existentes e reduzindo novas infecções.

Manual de controle da mastite

Aumento da contagem de células somáticas (CCS) e a mastite

Conforme já citado anteriormente, a mastite representa o principal fator para o aumento da CCS. Sendo assim, torna-se importante entender um pouco sobre esta enfermidade.

A mastite pode ser classificada de duas formas, quanto a sua apresentação ou em relação ao agente causador. Quanto a sua apresentação, a mastite pode ser clínica ou subclínica.

A mastite clínica é caracterizada por demonstrações evidentes de processo infeccioso na glândula mamária através da apresentação de grumos e/ou sangue no leite, inchaço, vermelhidão e dor no úbere ao toque, podendo ocorrer até mesmo febre e desidratação do animal.

Por sua vez, a mastite subclínica não apresenta sinais clínicos visíveis, apenas o aumento da contagem de células somática no leite.

Já em relação ao agente causador, a mastite pode ser classificada como contagiosa ou ambiental.

Nas mastites contagiosas, os microrganismos tipicamente envolvidos na infecção possuem boa adaptação ao úbere da vaca, como é o caso das bactérias Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae. Estes patógenos possuem como principais reservatórios o úbere infectado, sendo bastante disseminados durante as ordenhas, seja de uma vaca infectada para uma vaca saudável ou entre quartos mamários.

Os principais meios de disseminação dos agentes contagiosos são o uso do equipamento de ordenha contaminado e mal higienizado, uso de uma toalha/papel para secagem de mais de um teto (o ideal é utilizar uma ou até duas toalhas/papeis por cada teto) e a mão dos ordenhadores. As infecções contagiosas tendem a serem persistentes na glândula mamária e se apresentarem de forma subclínica, podendo ocorrer episódios clínicos intermitentes.

As melhores formas de controle e prevenção da mastite contagiosa se dão através da realização da linha de ordenha, higienização adequada dos equipamentos de ordenha, desinfecção dos tetos após a ordenha, identificação e segregação dos animais infectados, tratamento de vaca seca.

Por outro lado, as mastites ambientais são geralmente ocasionadas por patógenos oportunistas, ou seja, não são adaptados ao úbere da vaca. Devido a este fato, é comum que as mastites ambientais sejam transitórias e apresentem casos clínicos graves, gerando queda brusca na produção de leite e até mesmo o óbito do animal.

Os agentes mais identificados neste tipo de mastite são os coliformes (Escherichia coli, Klebsiella spp., ect) e os Streptococcus (exceto o S. agalactiae), estando bastante presentes no ambiente onde as vacas vivem.

Realizar um bom manejo do ambiente evitando o acúmulo de matéria orgânica representa uma medida preventiva e de controle fundamental para os casos de mastite ambiental.

Para eliminar as infecções existentes é necessário identificar quais são os animais contaminados. A detecção da mastite subclínica pode ser realizada com o auxílio do California Mastitis Test (CMT) ou da CCS eletrônica, na qual deve ser coletada uma amostra de cada animal com auxílio de coletores e enviadas ao laboratório.

O recomendado é que o monitoramento da CCS eletrônica seja feito no mínimo uma vez por mês. A realização do teste de CMT juntamente a definição da frequência para sua realização ficam a critério do médico veterinário que acompanha a propriedade.

Para detectar a mastite clínica é necessário realizar o teste da caneca de fundo escuro no início de cada ordenha de cada animal. Neste teste, coleta-se os três primeiros jatos de leite de forma vigorosa de cada teto, observando a presença ou não de grumos no leite.

Em casos positivos o leite ordenhado do quarto afetado deve ser desviado do tanque, sendo recomendado a coleta de uma amostra desse leite para que seja feita a cultura microbiológica no intuito de identificar o agente patogênico envolvido (bactéria, fungo, levedura, alga).

Os exames de cultura microbiológica podem ser feitos em laboratórios especializados ou na própria fazenda caso detenha os equipamentos necessários. Sua realização é extremamente importante para o entendimento da dinâmica da mastite no rebanho e para definição dos tratamentos, uma vez que cerca de 50% dos cultivos microbiológicos não são indicativos de tratamento.

Assim como para a mastite subclínica, o auxílio do médico veterinário responsável pela propriedade é extremamente importante para a elaboração de protocolos de tratamento e estratégias de controle da mastite clínica.

Ações preventivas para auxiliar na redução de novos casos de mastite

Higiene e conforto no ambiente de permanência dos animais

O local de permanência dos animais deve ser o mais limpo possível, não havendo acúmulo de matéria orgânica. Esta medida reduz as chances do animal se infectar com patógenos ambientais no intervalo entre as ordenhas. O local também deve conter sombreamento adequado de forma a reduzir os impactos do estresse térmico.

Adequada rotina de ordenha

São medidas importantes e essenciais: realização do teste da caneca para detecção de alterações no leite, realização de pré e pós-dipping e secagem dos tetos com um ou dois papéis/toalhas por teto. A premissa é de que a ordenha deve ser feita em tetos limpos e secos.

É importante que o tempo decorrido entre o teste da caneca e a colocação das teteiras seja em média de 1 minuto e meio, tempo que permite a melhor estimulação do animal e melhor atuação da ocitocina endógena para uma ordenha completa e gentil.

Para reduzir a infeção por patógenos contagiosos, as principais medidas são o uso do pós-dipping para eliminar os patógenos carreados pelas teteiras de uma vaca para outra, uso de luvas de forma higiênica pelos ordenhadores e limpeza e desinfecção adequada dos equipamentos de ordenha.

Outra ação que pode auxiliar na redução da contagem de células somáticas é o fornecimento de alimento de qualidade para as vacas logo após a ordenha. Esta prática evita que as vacas deitem imediatamente após o térmico da ordenha e que microrganismos adentrem à glândula mamária, já que nesse momento os esfíncteres dos tetos ainda estão abertos e assim permanecem por cerca de 30 minutos, facilitando a ocorrência de mastite.

Sequência de imagens mostrando uma rotina adequada de ordenha

Tratamento imediato de casos clínicos

Após a detecção de mastite clínica no teste da caneca de fundo escuro, o animal deve ser tratado o mais rápido possível. Quanto mais precoce for o início do tratamento, maior a chance de cura.

Outro fator que aumenta as chances de cura de casos clínicos é a cultura microbiológica, em que é possível direcionar o tratamento de acordo com a bactéria identificada.

Limpeza e manutenção do equipamento de ordenha

O aumento da ocorrência de mastite pode estar associado diretamente ao mau funcionamento do equipamento de ordenha, que pode acarretar no refluxo de leite para a glândula mamária, piora do escore de esfíncter de teto dos animais e ordenha incompleta do animal.

Outro fator que influencia diretamente na ocorrência de mastite é a limpeza inadequada dos equipamentos, que pode favorecer a contaminação dos animais durante a ordenha.

Terapia de vaca seca

Nesse tratamento são utilizados antibióticos intramamários de longa ação no momento da secagem das vacas com o objetivo de aumentar as chances de cura de infecções subclínicas existentes da lactação anterior e, também, evitar novas infecções no período seco. Deve ser realizado após a última ordenha da lactação, em todos os quartos mamários.

Há também a opção do uso do selante intramamário, que forma uma barreira física que impede a entrada de patógenos enquanto o tampão de queratina natural do animal não se formou.

Descarte e identificação de animais crônicos

Outro ponto importante é o descarte de animais que não respondem com sucesso aos tratamentos, além da segregação dos animais infectados através da linha de ordenha e divisão dos lotes.

Devemos lembrar que esses animais são fonte de infecção e devem ficar separados dos demais, sendo ordenhados por último. Em fazendas com problema por Staphylococcus aureus, os animais infectados por esta bactéria devem ser ordenhados por último e descartados assim que possível para evitar contaminação dos animais saudáveis. A taxa de cura das mastites por esta bactéria é extremamente baixa, ou até mesmo nula.

Outra bactéria que necessita de atenção especial é o Streptococcus agalactiae, entretanto, ao contrário do S. aureus, a taxa de cura varia de 80% a 100%. O método recomendado para tratamento e erradicação de S. agalactiae é a blitzterapia, que consiste no tratamento de todos os animais positivos para S. agalactiae durante a lactação com antibiótico intramamário por 3 dias com aplicação em todos os quartos mamários.

Feito este tratamento, deve-se realizar novas culturas no 7º e 14º dia após o tratamento e, somente assim, considerar o animal negativo e curado. Também é recomendado a realização da cultura microbiológica do leite das vacas e novilhas recém-paridas.

O monitoramento contínuo da situação no rebanho é outro fator imprescindível para a manutenção da baixa contagem de células somáticas no leite do tanque.

Através desse monitoramento objetiva-se ter um controle da ocorrência de novas infecções da mastite clínica e subclínica no rebanho, do número de casos crônicos e do perfil microbiológico dos agentes patogênicos. Esta ação permite construir uma base de dados que ajudará no entendimento da dinâmica da mastite no rebanho e nas tomadas de decisão para reduzir a CCS do leite.

Realizando-se todas essas medidas é esperado sucesso na redução da contagem de células somáticas do leite e, consequentemente, na redução dos prejuízos causados pela mastite.

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Confinamento de Corte na Austrália: Produção, Tecnologia e Mercado https://blog.rehagro.com.br/confinamento-de-corte-na-australia/ https://blog.rehagro.com.br/confinamento-de-corte-na-australia/#respond Fri, 17 May 2019 20:59:43 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5779 Nesta edição do Webinar Corte, o Rehagro conta com a participação de Fernando Camilo, Médico Veterinário, Msc, Dr, Especialista em Produção Animal. Com o tema: Confinamento de Corte na Austrália: Produção, Tecnologia e Mercado, o que podemos aplicar no Brasil? Clique aqui e assista o webinar completo. 

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Confinamento – Dias de Cocho x Dias de Lucro, o que temos feito na prática. https://blog.rehagro.com.br/confinamento-dias-de-cocho-x-dias-de-lucro-o-que-temos-feito-na-pratica/ https://blog.rehagro.com.br/confinamento-dias-de-cocho-x-dias-de-lucro-o-que-temos-feito-na-pratica/#respond Thu, 14 Mar 2019 19:57:49 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5621 Nesta edição do Webinar Corte, o Rehagro conta com a participação de César Borges – Mestre em Ciência Animal UEL e Gerente de Desenvolvimento e Soluções – Phibro. Com o tema: Confinamento – Dias de Cocho x Dias de Lucro, o que temos feito na prática. Clique aqui e assista o webinar completo 

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Webinar Confinamento. Dias de cocho x dias de lucro

Nesta edição do Webinar Corte, o Rehagro conta com a participação de César Borges – Mestre em Ciência Animal UEL e Gerente de Desenvolvimento e Soluções – Phibro.

Com o tema:

Confinamento – Dias de Cocho x Dias de Lucro, o que temos feito na prática.

gestão da nutrição na pecuária de corte

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Suplementação para bovinos de corte: importância e utilização https://blog.rehagro.com.br/principais-suplementos-multiplos-e-concentrados-para-gado-de-corte/ https://blog.rehagro.com.br/principais-suplementos-multiplos-e-concentrados-para-gado-de-corte/#respond Wed, 28 Nov 2018 15:57:20 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5581 A produção de bovinos no Brasil é predominantemente baseada na utilização de pasto, sendo a fonte mais econômica de nutrientes para os ruminantes nos trópicos. A estacionalidade de produção das forrageiras tropicais devido ao impacto das condições climática é uma realidade na produção de bovinos a pasto, que prejudicam a produção das pastagens no inverno. […]

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A produção de bovinos no Brasil é predominantemente baseada na utilização de pasto, sendo a fonte mais econômica de nutrientes para os ruminantes nos trópicos.

A estacionalidade de produção das forrageiras tropicais devido ao impacto das condições climática é uma realidade na produção de bovinos a pasto, que prejudicam a produção das pastagens no inverno.

Esses períodos, também conhecidos por época de seca, são caracterizados pela redução de incidência de luz solar, temperatura e pluviosidade, podendo um ou mais desses fatores serem mais ou menos predominantes em cada região. Os fatores supracitados interferem no crescimento das forrageiras, diferenciando-o da época do verão.

 

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Nos períodos de seca, há uma redução nos nutrientes das plantas, principalmente de proteínas e minerais com o avanço do processo de maturação das pastagens. Nesse cenário um plano nutricional com a utilização de suplementos torna-se fundamental ganhos satisfatórios.

Embora as pastagens das águas não sejam consideradas deficientes em proteínas, a exigência do animal pode superar esses valores, o que resulta em ganhos de peso obtidos nestas condições aquém do observado quando uma estratégia de suplementação adequada é adotada.

Desta forma, a curva de crescimento animal fica comprometida, aumentando a idade ao abate e/ou ao primeiro parto, dependendo da categoria animal que a fazenda trabalha. Contudo, variações quantitativas e qualitativas de forragens ao longo do ano comprometem os índices produtivos, afetando na produção por animal e por área.

Suplementação para o gadoMaximização de resultados através de estratégias de suplementação adotadas na fazenda. Fonte: Arquivo Pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro. 

Diante disso, torna-se importante avaliar a utilização dos suplementos e concentrados, já que para um ganho de peso satisfatório temos que ajustar as deficiências das pastagens e intensificar o sistema de produção para maximizar a lucratividade da propriedade.

Importância da suplementação

Quando a oferta de pastagem, quantativamente e qualitavivamente, não é suficiente para suprir as exigências nutricionais e atender as necessidades para o desempenho esperado dos animais, se faz necessário a utilização de suplementos e um plano nutricional adequado ao longo do período.

A suplementação surge como aliada para maximizar a produção animal individual e aumentar a produção por área. Quando feita de forma correta, suprindo as exigências básicas dos animais, os resultados serão sempre positivos.

A qualidade da pastagem ofertada aos nossos animais, é de suma importância e terá grande influência na produção. Por isso, o manejo correto das pastagens e do pastejo, nas águas e nos períodos das secas, é uma prática que deve ser implementada na propriedade, quando visamos uma produção lucrativa.

Um manejo de pastagem bem feito associado ao bom planejamento nutricional, garante a expressão máxima do potencial produtivo dos animais, reduzindo inclusive custos com suplementação e em outras frentes dentro da propriedade, como nos custos operacionais. Vale ressaltar que as forragens representam cerca de 70 a 95% da dieta do animal, dependendo da suplementação adotada, em um sistema de criação a pasto. Portanto, a suplementação maximiza resultados e evita perdas de peso em épocas desafiadoras, porém, ela não corrige a deficiência e inadequado manejo das pastagens.

Em resumo, a suplementação de animais em pastejo é uma ferramenta que nos permite corrigir dietas desbalanceadas, melhorando o ganho de peso vivo, a conversão alimentar, e por consequência, diminui os ciclos produtivos da pecuária de corte.

Webinar Suplementação a pasto

Área de cocho

O cocho é uma instalação rural viável e indispensável para a pecuária que permite o uso correto dos suplementos.

Infelizmente, a inspeção dos cochos nas propriedades é uma das práticas mais negligenciadas. Antes de representar custo, o cocho é uma solução eficaz para levar nutrientes aos animais de forma simples e barata.

Cocho para o gadoTécnico do Rehagro, Hugo Pereira, mensurando a dimensão dos cochos para avaliar o espaçamento de cocho. Fonte: Arquivo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro.

No manejo diário em fazendas, podemos identificar erros comuns para essas estruturas, como:

  • Quantidade e dimensionamento inadequados;
  • Localização errada;
  • Cochos descobertos que permitem o suplemento sofrer alterações físico-químicas, desperdiçando a mistura e altera o padrão de consumo;
  • Formação de atoleiros ao redor do cocho, dificultando ou mesmo impedindo o acesso dos animais;
  • Falta de reposição adequada do suplemento.

A quantidade e o tamanho dos cochos, devem estar diretamente relacionadas com o número de animais existentes no pasto, sendo que quanto maior o número de animais, maior a quantidade de metros de cochos, necessários para aquele rebanho.

Outros fatores a ser considerados são o tamanho dos pastos e a topografia da fazenda, que dependendo do caso (terrenos inclinados e acidentados) podem até dobrar ou triplicar a necessidade normal de cochos (ASBRAM, 2003).

Cocho com acesso aos dois ladosEm cochos com acesso aos dois lados, os animais se posicionam intercalados e nunca cabeça com cabeça. Fonte: Arquivo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro. 

A necessidade de cocho é variável de acordo com a suplementação utilizada, de forma geral, quando maior e mais rápido for o consumo dos animais de determinado suplemento, maior será a exigência por espaçamento de cocho.

Importância da suplementação mineral

A concentração de minerais nas plantas forrageiras é bastante variável, pois dependem do gênero, espécie e variedade; época do ano, do tipo de solo e suas condições.

Os minerais obtidos pelos ruminantes são em sua totalidade advindos da ingestão de alimentos, uma vez que os ruminantes não são capazes de sintetizar elementos minerais.

Os minerais estão envolvidos em quase todas as vias metabólicas do organismo animal e na fermentação ruminal, com funções importantes na performance reprodutiva, no crescimento, no metabolismo energético, na função imune entre outras tantas funções fisiológicas. Diante disso, os requerimentos minerais não são apenas para a manutenção da vida, como também para o aumento da produtividade animal (LAMB et al., 2008; WILDE, 2006).

No Brasil, a deficiência mineral sofrida pelos animais ruminantes ainda é observada em fazendas, embora seja notório que este cenário venha melhorando devido a maior adoção da suplementação pelos gestores.

A suplementação mineral do rebanho deve ser feita de forma objetiva, considerando a sanidade, categoria, produtividade e aspectos econômicos. O consumo de suplemento mineral é de 0,025% PV, podendo ser maximizado quando adicionado milho para possibilitar a adição de aditivos alimentares, denomina-se “sal mineral aditivado”.

Algumas características foram levantadas por McDowell (2001) para um suplemento mineral completo aceitável para bovinos, tais como:

  1. Incluir sais minerais de alta qualidade que contenham as melhores formas biologicamente disponíveis de cada elemento mineral, e evitar a inclusão mínima de sais minerais contendo elementos tóxicos.
  2. Ser suficientemente palatável para permitir o consumo adequado em relação às exigências da categoria animal que será suplementada.
  3. Ser produzido por um fabricante idôneo com controle de qualidade, e garantias quanto aos valores de etiqueta.
  4. Ter um tamanho de partícula aceitável, permitindo uma mistura adequada, sem partículas muito pequenas que acabam sendo perdidas.
  5. Ser formulado para uma determinada área, nível de produtividade animal, ambiente (temperatura, umidade, etc.) na qual será utilizado, e ser tão econômico quanto possível.

Importância da suplementação proteica

A suplementação proteica causa efeitos positivos associativos quando adicionada à dieta de forragem de baixa qualidade, principalmente na época seca do ano. Produtos proteicos ureados, potencializam o ganho de peso de bovinos que consomem forragem de moderada a baixa qualidade por aumentar a ingestão e degradabilidade da forragem.

O consumo de um suplemento proteico é de 0,1% PV, o que é denominado também de suplemento de baixo consumo. Consumo de 0,3% PV é considerado suplementação proteico energética, já que requer maiores níveis de energia através da adição de insumos energéticos no suplemento.

Entretanto, a suplementação proteica na estação seca só é eficiente quando a forragem disponível não for limitante. Por exemplo, pastagens muito “passadas”, em que houve a formação de talos, a ingestão será limitada pela dificuldade de apreensão do alimento e tempo de pastejo do animal, o que a suplementação não conseguirá suprir o déficit na ingestão de matéria seca diário.

Cocho com distribuição uniforme do suplementoCocho com distribuição uniforme do suplemento. Fonte: Arquivo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro.

Outro ponto importante para considerar na suplementação é a relação carboidratos e proteína da dieta. Aqui quando falamos dieta, estamos nos referindo à forragem e suplemento juntos.

O simples aumento dos teores proteicos do material ingerido não é uma garantia de maior suprimento intestinal de proteína por unidade de matéria seca ingerida, ou maior quantidade de proteína absorvida.

Tal eficiência no aproveitamento da fração proteica, depende da disponibilidade de energia para os microrganismos ruminais utilizarem a amônia oriunda da proteína degradada ou da ureia no rúmen. Essa sincronia aumentará a produção de proteína microbiana, e esta sim será responsável pelo suprimento de aproximadamente 70% das exigências proteicas do animal.

Portanto, maximizar a produção de proteína microbiano é um dos grandes objetivos da suplementação proteica.

Desse modo, conseguimos entender a necessidade da adição de ureia no suplemento para o fornecimento “imediato” de amônia no rúmen para o crescimento microbiano.  Sempre que os teores proteicos das gramíneas estivem abaixo do valor mínimo de 7% de PB, se torna um fator limitante para atividade dos microrganismos do rúmen (LAZARRINE et al., 2006).

Exemplos de insumos proteicos:

  • Farelo de soja (48 a 50% de PB e 82% de NDT);
  • Farelo de algodão (38 a 41% de PB e 66 a 75% de NDT);
  • Ureia (45% de N, PB tem 16% de N, logo, o equivalente de ureia é 281% Cada kg de ureia equivale a 2,81 kg de PB;
  • Outros: Farelo de amendoim, cevada, glúten de milho, etc.

Destes insumos supracitados, a ureia é comumente citada pelos pecuaristas como estratégia de uso nas fazendas, ligada também a possibilidade de redução de custos da dieta, pela substituição parcial de fontes proteicas vegetais.

Os microrganismos ruminais conseguem transformar o nitrogênio vindo da ureia em um equivalente proteico de altíssima qualidade.

Apesar desta característica, é importante ressaltar que, a ureia é extremamente solúvel, em contato com o ambiente ruminal, é rapidamente degradada e transformada em amônia, o excesso de nitrogênio será transportado para o fígado, onde poderá sofrer uma reciclagem e voltar como ureia por via metabólica através da saliva, onde será aproveitado pelo animal, este processo demanda muita energia, o que levará a redução da disponibilidade da mesma para o animal.

A alta concentração de amônia no rúmen, irá fazer com que não ocorra um sincronismo entre as fermentações de carboidratos ocorre, portanto, uma redução da captura ruminal de nitrogênio  para a síntese de proteínas microbianas devido à falta de carboidratos no rúmen, levando a um quadro de intoxicação.

Casos de intoxicação por ureia são relatados por vários motivos, muitas vezes essa intoxicação esta diretamente ligada com a forma de distribuição da ureia para o animal. Essas intoxicações são mais relatadas quando ocorre o acúmulo de água no cocho, diluindo a ureia na água. O bovino ao “beber essa sopa” ingeri níveis muito acima da capacidade utilização no rúmen, causando quadro de intoxicação. A ingestão diária máxima de ureia é de 40 g a cada 100 kg de PV.

É comum utilizarmos o sal ureado na época da seca, que nada mais é que o sal mineral mais a ureia, porém, alguns cuidados devem ser levados em consideração, como:

  • Cochos cobertos e inclinados, com furos para evitar o excesso de água;
  • Jamais fornecer ureia misturada em água;
  • Deve ser introduzida de maneira gradativa (iniciando com 20g/100kg PV).

No contexto descrito, o fornecimento de suplementos proteicos propicia melhorias no desempenho animal, desde que aplicados de forma correta, considerando os valores nutricionais e disponibilidade da forrageira.

Importância da suplementação energética

O uso de maiores quantidades de alimentos concentrados energéticos para bovinos de corte é inevitável, uma vez que o melhoramento genético dos animais é acompanhado ao aumento das exigências nutricionais, e consequentemente maior desempenho animal.

A suplementação energética (suplemento de alto consumo) tem consumo superior a 0,3% PV, sendo que acima de 0,7% PV consideramos como ração, já que o fornecimento de 1% PV equivale 50% da dieta.

O crescimento microbiano no rúmen depende da quantidade de energia proveniente da fermentação ruminal. Uma característica que são relatadas com o uso desta suplementação, é o efeito de substituição. Este ocorre quando o suplemento alimentar reduz a ingestão da forragem. Começamos observar isso na prática quando o consumo de suplemento é maior que 0,5% PV.

O uso correto desta suplementação a pasto, é uma estratégia interessante no período das águas e secas. Nas águas, onde o nível de proteína da forrageira está alto e o de energia mais baixo, são relatados aumento de ganho de peso médio diário de animais destinados para produção de carne. Porém, nas secas quando deseja-se ter ganhos superior a 0,4 kg/dia, esta estratégia é comumente adotada.

Um exemplo de estratégia são animais suplementados energeticamente na recria a pasto, podem entrar mais pesados no confinamento e podem ser abatidos mais pesados ou com o mesmo peso de animais não suplementados, porém com menor tempo de confinamento.

Os alimentos com alto teor de energia, 75 a 92% de NDT (%MS) e < 12% de PB são:

  • Milho;
  • Sorgo;
  • Milheto;
  • Polpa cítrica;
  • Farelo de trigo;
  • Farelo de mandioca, entre outros.

Suplementação de gadoFonte: Arquivo pessoal, Cristiano Rossoni.

Suplementação de animais a pasto é uma estratégia!

A suplementação mineral com energia e/ou proteína na produção de gado de corte é estabelecida de acordo com o valor nutritivo da forragem, intimamente ligado à estratégia de manejo do pasto.

A suplementação afeta a taxa de lotação, que decresce linearmente com acréscimo na altura de pastejo, independente da suplementação utilizada. No entanto, a lotação deve ser sempre superior nos pastos em que os animais recebem suplemento proteico energético em relação aos suplementados com sal mineral.

Dessa forma, pode-se manter mais animais na mesma área, com a utilização da suplementação, em que é possível aumentar a capacidade suporte dos pastos, refletindo em maior produtividade por área.

É importante que o uso de suplementos venha a interagir com o pasto de forma a aperfeiçoar o uso da pastagem pelos animais. Além disso, deve-se sempre respeitar a capacidade de conversão alimentar e a ingestão do animal, em termos de custo/benefício e bem-estar animal.

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Suplementação a pasto: estratégias e oportunidades https://blog.rehagro.com.br/suplementacao-a-pasto-estrategias-e-oportunidades/ https://blog.rehagro.com.br/suplementacao-a-pasto-estrategias-e-oportunidades/#respond Thu, 27 Sep 2018 16:28:52 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5140 Nesta edição do Webinar Corte, o Rehagro conta com a participação do Dr. Gustavo Siqueira, abordando o tema: “Suplementação a Pasto – Estratégias e Oportunidades”. Veja o que será mostrado sobre a suplementação a pasto: Conceito de dieta; Relação de pasto e suplemento; Suplementação na seca; Efeito de seca sobre as águas e muito mais. […]

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Nesta edição do Webinar Corte, o Rehagro conta com a participação do Dr. Gustavo Siqueira, abordando o tema: “Suplementação a Pasto – Estratégias e Oportunidades”.

Veja o que será mostrado sobre a suplementação a pasto:

  • Conceito de dieta;
  • Relação de pasto e suplemento;
  • Suplementação na seca;
  • Efeito de seca sobre as águas e muito mais.

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Suplementação a pasto

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Principais impactos do estresse térmico na produção de vacas leiteiras https://blog.rehagro.com.br/estresse-termico-em-vacas-leiteiras/ https://blog.rehagro.com.br/estresse-termico-em-vacas-leiteiras/#comments Mon, 09 Jul 2018 17:04:03 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4677 Os impactos do estresse térmico em vacas leiteiras se relacionam à redução na eficiência produtiva e reprodutiva dos animais. Além disso, geram distúrbios metabólicos e maiores chances do animal adoecer, devido à menor eficiência do sistema de defesa. Uma das reações fisiológicas mais imediatas ao estresse calórico é a redução no consumo de alimentos, estratégia […]

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Os impactos do estresse térmico em vacas leiteiras se relacionam à redução na eficiência produtiva e reprodutiva dos animais. Além disso, geram distúrbios metabólicos e maiores chances do animal adoecer, devido à menor eficiência do sistema de defesa.

Uma das reações fisiológicas mais imediatas ao estresse calórico é a redução no consumo de alimentos, estratégia para diminuir o metabolismo basal e manter a temperatura constante. A redução no consumo de alimentos é tanto maior quanto mais intenso for o estresse.

Autores citam que a 32ºC, o consumo alimentar de vacas holandesas em lactação tem queda de 20% e, a 40ºC, declina a zero. Consequentemente à diminuição na ingestão de alimentos, ocorre redução na produção e nos constituintes do leite, acarretando prejuízos aos produtores.

 

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Vaca deitada descansando embaixo de uma árvore

Alguns pesquisadores relatam que o maior volume de leite produzido por uma vaca acontece quando esta está deitada descansando.

O estresse por calor, também afeta o tempo de descanso de vacas leiteiras. Nas horas mais quentes do dia, elas preferem ficar em pé ao invés de se deitarem. Dessa forma, o tempo de descanso deitado é menor quando não se proporciona espaço de sombra e ventilação suficientes para os animais.

Em relação aos danos à eficiência reprodutiva, alguns autores citam que a duração do cio de vacas leiteiras é de aproximadamente 14 horas, podendo reduzir para 8 horas em períodos mais quentes, além de reduzir o número de aceitação de montas, impactando na taxa de serviço.

E-book Estratégias para aumentar detecção de cio

O estresse calórico tem efeito negativo sobre a qualidade ocitária, reduzindo as taxas de fecundação, viabilidade e desenvolvimento embrionário. Ocorre, então, queda na taxa de prenhez.

Possíveis pontos de atuação

São implementadas duas estratégias diferentes para aumentar a produção de bovinos de leite em condições de clima quente.

  1. Uso de raças bovinas geneticamente adaptadas, ou seja, escolher as raças de acordo com o tipo de sistema e às condições ambientais do local.
  2. Alterar o ambiente para reduzir a intensidade do estresse térmico e permitir que as vacas produzam de acordo com o potencial genético máximo.

Medidas para diminuir o estresse térmico do animal

  • Sombreamento adequado para os animais;
  • Disponibilidade de água suficiente para os animais beberem, principalmente após a ordenha e nas horas mais quentes do dia;
  • Para animais confinados em Free stall, adequado sistema de resfriamento com ventiladores e aspersores, permanecendo ligados nas horas mais quentes do dia;
  • Para animais que não estão no Free stall, o fato de molhar bem os animais em estado mais crítico pode ajudar no resfriamento;
  • Reduzir distâncias de deslocamento do animal.

Na sala de espera da ordenha é um momento em que as vacas sofrem muito com o calor. Manter os animais o menor tempo possível na sala de espera, além de proporcionar aos animas uma instalação coberta, com ventiladores e aspersores, com um pé direito mais alto, pode favorecer um melhor conforto.

No ambiente, podemos utilizar sombras, sendo naturais ou artificiais, que forneçam uma área de pelo menos 3 a 5 m² por animal, salientando-se que quanto maior a área destinada à sombra, menores serão os riscos de acidentes e menor a formação de barro.

A sombra natural possui a vantagem de ser mais barata, mas como o crescimento das árvores é um processo lento, muitas vezes é necessário lançar mão do sombreamento artificial. Este pode ser conseguido com a utilização de sombrites, que são telas de fibra sintética e que devem fornecer de 60% a 80% de sombra.

A orientação das árvores ou da estrutura artificial deve ser planejada. Quando os animais estão confinados a melhor orientação é a leste/oeste por proporcionar sombra o dia todo.

Para os animais que não estão confinados eles podem se movimentar à procura de sombra, devendo então a estrutura ter orientação norte/sul, para que a sombra “caminhe” ao longo do dia de oeste (período da manhã) para leste (período da tarde), reduzindo a formação de lama. A utilização de rodízio das áreas de sombra, quando estiverem com muita lama, também é necessária e pode ser realizada com o auxílio da cerca elétrica isolando as áreas mais críticas.

A utilização de ventiladores, aspersores e nebulizadores também pode ser planejada para galpões de confinamento, currais de espera ou em áreas cobertas e apresenta grande eficiência na retirada de calor do animal e do ambiente.

Outro fato de extrema importância é a presença de cochos de água e comida na sombra ou próximo, para que os animais não fiquem apenas na sombra e tenham seu consumo diminuído. Não é necessário ter um bebedouro grande, mas este deve apresentar um fluxo contínuo de água, uma vazão que o mantenha sempre cheio e ser mantido limpo.

Comparada a um eficaz sistema de manejo do ambiente, a manipulação da dieta da vaca leiteira em estresse calórico terá efeito relativamente pequeno sobre a produtividade. O consumo de matéria seca começa a reduzir quando a temperatura ambiente excede 25,5ºC.

Uma estratégia para diminuir a queda no consumo de matéria seca é aumentar o número de fornecimento da dieta ao longo do dia. Além disso, limpar o cocho diariamente retirando sobras que possam fermentar e impactar ainda mais na queda do consumo do alimento.

Outras ações que podem ser realizadas é manter a ordenha sempre nas horas mais frescas do dia, buscando minimizar os efeitos negativos do calor quando os animais estiverem aglomerados. E evitar a lida com os animais (vacinação, pesagem, inseminação, controle de parasitos, entre outros) nos momentos mais quentes do dia, pois o calor e aglomeração dos animais irá piorar o estresse térmico.

O efeito do estresse calórico no desempenho animal, provavelmente vai se tornar muito mais importante no futuro, caso a destruição ambiental continue aumentando. Dessa forma o aquecimento global que já pode ser notado, tenderá a ter efeitos ainda maiores.

Em se tratando de estresse calórico animal, deve ser promovido à integração entre técnicos, pesquisadores e produtores, na busca por alternativas viáveis e adaptadas a cada realidade. Ações que melhorem o conforto térmico do animal levam a transformação do bem-estar em maior consumo de alimentos, que resultará em aumento da produção de leite e melhora na reprodução.

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Estação de monta do gado zebu: veja qual a duração https://blog.rehagro.com.br/estacao-de-monta-para-gado-zebu/ https://blog.rehagro.com.br/estacao-de-monta-para-gado-zebu/#comments Mon, 09 Jul 2018 15:02:46 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4659 No trabalho com pecuária de corte em sistema de cria ou de ciclo completo (cria, recria e engorda), há uma premissa básica de manejo reprodutivo que se baseia na adoção e implementação da estação de monta. O conceito de Estação de Monta (EM) consiste em estabelecer um período para que tenhamos as ocorrências reprodutivas concentradas. […]

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No trabalho com pecuária de corte em sistema de cria ou de ciclo completo (cria, recria e engorda), há uma premissa básica de manejo reprodutivo que se baseia na adoção e implementação da estação de monta.

O conceito de Estação de Monta (EM) consiste em estabelecer um período para que tenhamos as ocorrências reprodutivas concentradas. Essas ocorrências são referentes às práticas de monta, como monta natural (touro – vaca) e/ou inseminação artificial.

 

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Tais práticas refletirão em parições em períodos concentrados, sendo que estes momentos coincidirão com a época de máximo crescimento natural dos pastos (período chuvoso), trazendo maior disponibilidade forrageira, com o objetivo principal de beneficiar as matrizes paridas.

Normalmente, a estação de monta para gado zebu no Brasil Central tem duração de 120 dias. Esta duração é influenciada por fatores como a condição corporal pré e pós-parto e ao início da estação de monta, a presença do bezerro ao pé da vaca, a ordem de parto, o período de gestação do gado zebu, e, principalmente, a relação entre estes fatores.

Redução do período e benefícios

A redução da estação reprodutiva no gado zebu para períodos menores que os tradicionais de 120 dias traz diversos benefícios.

Primeiramente, ocorre uma maior concentração de nascimentos em época ideal, na qual a qualidade e a quantidade da forragem atendem os requerimentos nutricionais das matrizes (Gráfico 1) e consequentemente, uma maior homogeneidade e peso dos animais à desmama.

Outro benefício é a separação dos períodos de monta e nascimento quando se realiza a estação menor que 70 dias, otimizando a utilização da mão-de-obra. Porém, ao se trabalhar no sentido de reduzir o período da estação de monta é necessária a avaliação da capacidade financeira, econômica e gerencial da propriedade para que esta seja capaz de suprir as principais entraves.

Curva de produção de forragem no Brasil CentralGráfico 1: Curva de produção de forragem no Brasil Central aliada à necessidade do rebanho.

O retorno à ciclicidade de vacas paridas x duração da estação de monta para gado zebu

O retorno à atividade cíclica é um dos fatores mais importantes que determinam a duração da estação reprodutiva e está altamente relacionada ao escore de condição corporal dos animais no pré e pós-parto e ao início da estação de monta.

No Gráfico 2, tem-se a indicação do percentual de ciclicidade de vacas Bos taurus (taurinas) de acordo com escore de condição corporal (escala de 1 a 9, em que 1 → Muito Magra / 9 → Obesa).

Efeito do escore de condição corporal sobre a ciclicidadeGráfico 2: Efeito do escore de condição corporal sobre a ciclicidade.

Outro fator de destaque está relacionado à presença do bezerro ao pé da vaca. Diversos autores relatam a queda na atividade ovariana pós-parto em função da presença da cria. Este fato interfere na liberação de GnRH pelo hipotálamo ou diminui a resposta a este hormônio na hipófise, tendo como consequência uma supressão da liberação pulsátil de LH, que é o fator endócrino chave para se determinar a ovulação ou não do folículo dominante.

Outros autores demonstraram que o efeito da sucção em vacas de corte é um dos principais fatores que afetam a duração do anestro pós-parto. Eles sugeriram que o comportamento materno é mais importante do que o ato da sucção em si para regular a frequência de pulsos de LH.

Desta forma, considerando a estreita relação mãe/cria em animais zebuínos, dimensiona-se o impacto da amamentação no retorno à ciclicidade.

Veja abaixo, no Gráfico 3, os dados obtidos a partir do trabalho de Resende, feito em 1993, em vacas primíparas zebuínas comparando o percentual de animais ciclando com uma amamentação por dia e em manejo tradicional (presença da cria ao pé) ao longo da estação de monta.

Percentual de vacas ciclando ao longo da estação de montaGráfico 3: Percentual de vacas ciclando ao longo da estação de monta, de acordo com o tipo de amamentação.

A ordem de parto também está altamente relacionada à duração da estação de monta. Considerando principalmente as vacas primíparas, ressalta-se que a dieta para estes animais no pós-parto deve, além de atender os requerimentos de mantença e da primeira lactação, atender aos requisitos finais de crescimento.

Dessa forma, dentre as categorias da propriedade, aquela que está mais submetida à queda na condição corporal, caso suas necessidades não sejam supridas, são as vacas de primeira cria.

Como já descrito anteriormente, a queda na condição corporal influencia diretamente no prolongamento do anestro pós-parto, fazendo com que estes animais retomem a ciclicidade tardiamente.

Este retorno tardio à ciclicidade é um dos principais entraves no encurtamento da duração da estação de monta, já que, caso estes animais não voltem a ciclar até o fim da estação reprodutiva, haverá um efeito negativo na taxa de prenhez.

O Gráfico 4 abaixo avalia, de acordo com a pesquisa de Meneghetti, em 2008, a queda na condição corporal (escala de 1 a 5) de primíparas de acordo com o mês de parição.

Queda na condição corporal de primíparasGráfico 4: Queda na condição corporal (escala de 1 a 5) de primíparas de acordo com o mês de parição. Fonte: Meneghetti (2008)

Ao correlacionar os fatores que interferem no retorno à ciclicidade, é possível compreender o motivo pelo qual as propriedades com estação de monta no Brasil Central, a fim de obterem taxas de prenhez satisfatórias, trabalham com uma duração média de 120 dias.

Algumas ferramentas podem ser utilizadas para a redução da duração da estação de monta. Em relação à nutrição das matrizes, destaca-se que alguns trabalhos científicos concluíram que a nutrição pré-parto tem maior importância do que a nutrição pós-parto na determinação do intervalo entre parto – primeiro estro.

Outro artifício técnico passível de utilização no início e durante a estação de monta está relacionado aos protocolos hormonais (por exemplo, IATF) somados ou não à restrição de amamentação.

Dentre as vantagens destacam-se a indução e/ou sincronização de rebanhos de matrizes em anestro, gerando a possibilidade de inseminar um grande número de vacas paridas ao início da estação de monta, com consequente concentração de parição no início da estação de nascimento subsequente. Este agrupamento dos eventos gera a possibilidade de reduzir o período da estação reprodutiva.

A partir do conhecimento dos fatores que influenciam a duração da estação de monta, se o objetivo é atingir uma taxa de prenhez satisfatória ao sistema, aliada a uma distribuição dos partos de forma adequada, deve-se avaliar se as condições inerentes a este sistema, de modo que permitam que a duração da estação reprodutiva seja encurtada.

Exemplos disso são a situação financeira e econômica da propriedade, o envolvimento dos funcionários, o manejo de pastagem e a condição nutricional do rebanho ao longo dos ciclos e a condição sanitária, que é de fundamental importância.

O sucesso da estação de monta depende de uma série de cuidados ligados às doenças infecciosas que podem afetar o sistema reprodutivo de machos e fêmeas, diminuindo a taxa de prenhez, causando abortos e levando à produção de bezerros com desempenho inferior.

Para saber como realizar o controle das principais doenças, como diarreia viral bovina (BVD), rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR), leptospirose, brucelose, campilobacteriose genital bovina e tricomonose bovina, baixe nosso Manual Sanitário da Estação de Monta gratuitamente:

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Semiconfinamento de bovinos de corte: veja como funciona https://blog.rehagro.com.br/semiconfinamento-na-pecuaria-de-corte/ https://blog.rehagro.com.br/semiconfinamento-na-pecuaria-de-corte/#respond Wed, 27 Jun 2018 15:47:54 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4535 A intensificação na utilização das pastagens na produção de gado de corte torna-se vantajosa quando falamos em diluição dos custos fixos, devido a redução da idade de abate e aumento na taxa de lotação. Sabe-se que a estacionalidade das plantas forrageiras é um dos principais fatores limitantes para altas produções. Dessa maneira, o semiconfinamento surge […]

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A intensificação na utilização das pastagens na produção de gado de corte torna-se vantajosa quando falamos em diluição dos custos fixos, devido a redução da idade de abate e aumento na taxa de lotação.

Sabe-se que a estacionalidade das plantas forrageiras é um dos principais fatores limitantes para altas produções. Dessa maneira, o semiconfinamento surge como uma estratégia para manutenção do equilíbrio de alimentos no sistema de produção, visando incrementar os níveis de produção animal (desempenho e ganho por área).

 

 

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A utilização de suplementos concentrados permite corrigir deficiências específicas de nutrientes na forragem para maximizar a atividade de digestão da fração fibrosa e, consequentemente, utilizar mais eficientemente os carboidratos estruturais, além de complementar a dieta em situações de escassez de forragem.

Nas situações onde o consumo é limitado pela baixa oferta de forragem, um suplemento pode substituir a forragem proveniente do pasto, constituindo às vezes o único alimento disponível. Os níveis de concentrado e as estratégias a serem usadas são dependentes da categoria animal e das metas de ganho de peso.

O semiconfinamento na pecuária de corte consiste em fornecer ração concentrada aos animais de 1 a 2% do peso corporal (PC), sendo caracterizadas pela grande produção de ácidos graxos de cadeia curta no rúmen, provocando quedas de pH, sendo necessários períodos de adaptação e possível uso de aditivos.

Os ganhos de peso irão variar de acordo com a oferta de forragem, potencial genético dos animais, níveis de concentrado na dieta e alguns outros fatores.

A suplementação com altas quantidades de concentrado na pecuária de corte permite maiores ganhos de peso, melhor rendimento de carcaça e acabamento, melhorando a eficiência do sistema de produção.

Em uma época de insumos caros como, por exemplo, o milho e a soja, é necessário encontrar alternativas as quais nos dão flexibilidade para trabalhar e possibilidade de ter o nosso custo de arroba produzida reduzido.

Diante dos altos desembolsos apresentados pelo sistema de confinamento em infraestrutura e máquinas, a suplementação de alto consumo a pasto na produção de gado de corte vem se tornando uma ferramenta cada vez mais atrativa por apresentar menor imobilização de capital e índices econômicos também satisfatórios.

Além disso, é importante destacar que durante a fase de terminação, a eficiência de conversão (kg MS/kg PC), é reduzida quando comparada na recria.

Isso se deve ao fato da diminuição do acúmulo de músculo e aumento do crescimento do tecido adiposo, o qual necessita de mais energia para sua deposição, sendo necessária a adequação correta da suplementação nessa fase.

Normalmente, o período de terminação do gado de corte se dá em um momento em que as pastagens apresentam baixa qualidade e baixa taxa de crescimento, limitando o consumo pelos mesmos. Dessa forma, torna-se desafiador produzir em uma situação extremamente desvantajosa.

Dessa forma, para terminar o gado de corte a pasto, em uma época com baixa oferta de forragem e baixo valor nutritivo, deve-se explorar o efeito substitutivo, deixando de ingerir forrageira para ingestão de concentrado, permitindo maior fornecimento de energia.

Nesse cenário, a forragem deixa de ser o componente principal da dieta, sendo importante apenas para a manutenção do ambiente ruminal minimamente saudável.

Webinar Suplementação a pasto

Sistema de confinamento convencional x semiconfinamento na produção de gado de corte

Ao comparar o sistema de confinamento convencional com o semiconfinamento, ou confinamento a pasto, recebendo altas quantidades de concentrado, a Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (APTA) concluiu que a taxa de ganho de peso vivo é diferente entre os dois sistemas, sendo vantajoso para o confinamento convencional.

Porém, quando observaram o ganho em carcaça, a diferença foi de apenas 0,043kg de carcaça por dia, ganhando 1 kg de peso vivo, chamando atenção para a forma de análise ao comparar as duas estratégias.

Nesse caso, como as dietas foram isoenergéticas, o rendimento do ganho (peso de carcaça final – peso de carcaça inicial/ peso vivo final – peso vivo inicial) foi afetado principalmente pelas mudanças no conteúdo do trato gastrointestinal e tamanho dos órgãos digestivos. Quando os animais são suplementados com grandes quantidades de concentrado, o consumo de fibra na dieta se torna muito pequeno.

Com isso, tem-se o aumento da taxa de passagem, em função da maior digestibilidade da dieta, resultando em diminuição do conteúdo do trato digestivo. Assim, o rúmen não precisa armazenar tanto o alimento e acaba reduzindo o tamanho.

Portanto, o semiconfinamento na produção de gado de corte pode tornar-se uma ferramenta extremamente interessante e estratégica. 

Para os profissionais que forem utilizar essa ferramenta, é importante darem atenção para o ganho em carcaça e não apenas em peso vivo, uma vez que na terminação a pasto pode ser subestimada, quando não consideradas essas diferenças.

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Contagem bacteriana total (CBT) no leite: saiba como reduzir https://blog.rehagro.com.br/leite-como-reduzir-a-contagem-bacteriana-total/ https://blog.rehagro.com.br/leite-como-reduzir-a-contagem-bacteriana-total/#comments Mon, 18 Jun 2018 18:20:09 +0000 http://blog.rehagro.xyz/?p=4382 Se você deseja alcançar uma maior margem de lucro na produção de leite, então cuidar da qualidade do produto é essencial. Mas o que queremos dizer quando falamos sobre qualidade? O leite de qualidade é o produto de ordenha completa, ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas. O Ministério de […]

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Se você deseja alcançar uma maior margem de lucro na produção de leite, então cuidar da qualidade do produto é essencial. Mas o que queremos dizer quando falamos sobre qualidade?

O leite de qualidade é o produto de ordenha completa, ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas.

O Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou em 2018 e 2019 a Instrução Normativa nº 77 com o objetivo de criar novos padrões de qualidade para o leite produzido no Brasil, fixando condições e requisitos mínimos de higiene-sanitária para a obtenção e coleta da matéria-prima, produção e comercialização do leite.

Basicamente, o leite, para ser caracterizado como de boa qualidade, deve apresentar as seguintes características:

  • Composição química adequada;
  • Reduzida contagem de células somáticas (CCS), não podendo ultrapassar a média geométrica trimestral de 500.000 CS/mL de leite;
  • Baixa contagem de bacteriana total (CBT) com limite de média geométrica trimestral de 300.000 UFC/mL de leite;
  • Ausência de agentes contaminantes (antibióticos, pesticidas, adição de água e sujidades).

Os produtores que não se adaptarem às novas normas estão sujeitos a sanções por parte dos laticínios.

 

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A indústria tem adotado programas de “pagamento por qualidade”, com enfoque sobre os teores de gordura e proteína, influenciados pela nutrição, sobre a CCS, principalmente relacionada com a saúde da glândula mamária, e, sobre a CBT, reflexo das condições de higiene na ordenha e armazenamento do leite.

E o que o produtor pode fazer para produzir leite com maior porcentagem de gordura e proteína? Quais práticas podem ser implementadas na fazenda para reduzir a CCS e a CBT do leite, garantindo sua bonificação máxima?

As respostas para essas perguntas envolvem práticas de manejo relacionadas a diferentes segmentos dentro da propriedade.

Como alterar a composição do leite?

A composição média do leite pode variar em função de vários fatores como raça, estágio da lactação, idade do animal, estação do ano, alimentação e a saúde da glândula mamária.

De todos os fatores descritos acima, apenas os dois últimos podem ser manipulados pelo produtor rural, alterando a composição do mesmo.

Vários são os componentes do leite. O que se apresenta em maior proporção é a água, em torno de 87,5% do leite, sendo os demais formados principalmente por gordura, proteína e lactose, todos sintetizados na glândula mamária.

As proteínas representam entre 3% e 4% dos sólidos encontrados no leite de vaca. A porcentagem de proteína varia, dentre outros fatores, com a raça e é proporcional à quantidade de gordura.

Isso significa que quanto maior a porcentagem de gordura no leite, maior será a de proteína. O potencial de alteração do teor de proteína do leite por meio da nutrição é modesto, em torno de 0,1 a 0,2 unidades percentuais.

A gordura é o componente que mais apresenta variação (3-9%) e pode ser influenciada por uma série de fatores nutricionais que interagem entre si como a quantidade e qualidade da fibra fornecida e a proporção volumoso/concentrado da dieta.

Dessa forma, a alimentação balanceada e com ingredientes de boa qualidade podem afetar de forma positiva a porcentagem de gordura e proteína do leite produzido.

A contagem de células somáticas (CCS)

Uma das causas que exerce influência extremamente prejudicial sobre a composição e as características físico-químicas do leite é a mastite, acompanhada por um aumento na CCS no leite.

Normalmente são células de defesa do organismo que migram do sangue para o interior da glândula com o objetivo de combater agentes agressores e células de descamação da glândula mamária, por isso animais mais velhos tendem a apresentar CCS mais alta.

A CCS no leite, faz parte de um exame laboratorial específico, que expressa o número de células somáticas por mililitro de leite, também pode ser quantificada pelo California Mastitis Test (CMT).

Quando analisada individualmente, é um método de diagnóstico da mastite subclínica; quando analisada no tanque, pode servir como indicativo do padrão de qualidade do leite cru.

O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e as indústrias estão preocupados com as consequências da mastite nos rebanhos brasileiros, pois essa doença reduz a concentração dos componentes do leite (caseína, principalmente), reduzindo o rendimento industrial, a validade dos produtos lácteos, além de afetar o produto oferecido ao consumidor.

Ou seja, a mastite causa prejuízo para todos, desde o produtor rural até o consumidor.

Manual de controle da mastite

Como diminuir a CCS do leite?

A resposta para esta pergunta está na prevenção contra a mastite.

Deve-se, portanto:

  • Manter a máxima higiene durante a ordenha (luvas e equipamentos limpos e desinfetados);
  • Retirar os 3-4 primeiros jatos de cada teto em uma caneca de fundo escuro, e tratar imediatamente os tetos que apresentarem grumo, sangue pus ou leite aquoso, identificar e separar o animal. Fazendas que utilizarem o sistema de cultura na fazenda, aguardar as 24 horas e tomar decisão de acordo com o resultado.
  • Imergir os tetos em solução bactericida antes da ordenha (pré-dipping);
  • Secar com papel ou toalhas, com atenção especial a ponta dos tetos;
  • Acoplar as teteiras em tetos limpos e secos;
  • Imergir imediatamente os tetos em solução bactericida após a ordenha (pós-dipping);
  • Alimentar os animais logo após a ordenha para que os mesmos permaneçam em pé até o fechamento do esfíncter;
  • Estabelecer linha de ordenha, de acordo com o limite operacional de cada fazenda, mas sempre buscando ordenhar animais sadios na frente;
  • Regular a bomba de vácuo para evitar injúrias nos tetos;
  • Descartar vacas com problemas de mastite crônica;
  • Realizar terapia de vaca seca;
  • Anotar em planilhas simples, informações importantes, como a identificação das vacas e dos tetos que tiveram mastite clínica e as datas de ocorrência, o nome dos antimicrobianos usados para o tratamento das mastites e as datas de aplicação.

Contagem bacteriana total (CBT)

A CBT indica a contaminação bacteriana do leite e reflete a higiene de obtenção e conservação do mesmo. É expressa em unidades formadoras de colônia por mililitro (UFC/mL).

De acordo com o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), a CBT admitida no leite cru refrigerado é de até 300.000 UFC/mL, em uma média geométrica trimestral.

As bactérias estão em todos os lugares, como na água, na poeira, na terra, na palha, no capim, nos corpos e pelos das vacas, nas fezes, na urina, nas mãos do ordenhador, nos insetos e em utensílios de ordenha sujos.

As bactérias são classificadas como patogênicas, capazes de causar doenças ao homem e deteriorantes, capazes de alterar os componentes do leite, tornando-o impróprio para o consumo e para a indústria.

Como diminuir a contagem bacteriana total do leite?

Como as bactérias estão em todos os lugares, o produtor deve adotar as seguintes medidas para que o leite não seja contaminado:

  • Manter a sala ou local de ordenha sempre limpos; usar roupas limpas para ordenhar as vacas;
  • Utilizar água de boa qualidade (potável);
  • Lavar as luvas e mantê-las desinfetadas durante a ordenha;
  • Imergir os tetos em solução desinfetante antes e após a ordenha;
  • Secar os tetos com um papel toalha descartável por teto;
  • Lavar os equipamentos e utensílios após cada ordenha com água aquecida, usando os detergentes de acordo com o manual do fabricante dos mesmos;
  • Trocar borrachas e mangueiras do equipamento de ordenha na frequência recomendada pelo fabricante ou quando ocorrerem rachaduras;
  • Lavar os tanques de refrigeração, usando água aquecida e detergentes adequados cada vez que o leite for recolhido pelo transportador.

Mesmo que o produtor mantenha a máxima higiene na ordenha, alguma contaminação vai ocorrer no leite.

Mas se o leite for refrigerado imediatamente após a ordenha, isso vai inibir a multiplicação das bactérias e evitar que o leite seja rapidamente deteriorado.

Por isso, a IN 77 estabelece que o leite deve estar a 4ºC quando estocado em tanques refrigeradores por expansão direta. O tempo máximo de conservação do leite na propriedade deve ser de, no máximo, 48 horas.

Leite de qualidade deve ser uma meta de todo produtor, uma vez que representa benefícios para toda a cadeia produtiva. Ganha o produtor, que poderá receber mais pelo seu produto, a indústria com a melhoria da matéria-prima e, também, o consumidor, que terá acesso a produtos de melhor qualidade e mais seguros.

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As aulas têm conteúdo aplicável à realidade do campo e são 100% online, permitindo que você tenha flexibilidade de horário e possa fazer o curso sem precisar sair de casa, conciliando com suas tarefas diárias.

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Plantas tóxicas para bovinos: veja as principais https://blog.rehagro.com.br/plantas-que-causam-intoxicacao-em-bovinos/ https://blog.rehagro.com.br/plantas-que-causam-intoxicacao-em-bovinos/#comments Thu, 14 Jun 2018 19:13:39 +0000 http://blog.rehagro.xyz/?p=4296 Plantas tóxicas para os bovinos são aquelas que, ingeridas espontaneamente pelos animais em condições naturais, causam danos à saúde ou até mesmo levam à morte os animais. A importância econômica das intoxicações deve-se, principalmente, a fatores como: diminuição da produção, morte dos animais e custos com medidas profiláticas e de controle. O comportamento tóxico das […]

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Plantas tóxicas para os bovinos são aquelas que, ingeridas espontaneamente pelos animais em condições naturais, causam danos à saúde ou até mesmo levam à morte os animais.

A importância econômica das intoxicações deve-se, principalmente, a fatores como: diminuição da produção, morte dos animais e custos com medidas profiláticas e de controle.

O comportamento tóxico das plantas é bastante variável, pois existem fatores que influenciam sua toxicidade como solo, clima, estádio vegetativo da planta, parte da planta, período de ingestão.

Neste artigo, você irá conhecer algumas das principais plantas tóxicas para os bovinos.

 

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1. Senecio spp. — Tasneirinha, flor-das-almas e maria-mole

  • Família: Compositaceae.

É uma planta anual, que floresce a partir do mês de outubro e apresenta inflorescências amarelas, comportando-se como invasora de culturas e pastagens nativas. É encontrada na região Centro-Sul do Brasil.

Os animais se intoxicam pela ingestão acidental da planta com feno e silagem, pois, a mesma é pouco palatável. Seu princípio ativo são os alcalóides pirrolizidínicos hepatotóxicos e causadores de lesão crônica irreversível.

Sinais clínicos nos bovinos

Agressividade, incoordenação, tenesmo (prolapso retal), diarreia, falta de apetite, paralisia ruminal, fezes com sangue, elevada atividade cardíaca.

Achados de necropsia

Edema de mesentério, abomaso e intestino; líquido no abdômen; hemorragias peri e endocárdicas; fígado aumentado de tamanho (aguda) ou diminuído (crônica); vesícula biliar aumentada de tamanho, com parede engrossada e edemaciada e lesões nodulares. Lesões de espongiose no sistema nervoso.

Senecio Senecio spp.

2. Tetrapterys multiglandulosa spp. — Cipó-preto, Cipó-ruão e Cipó-vermelho

  • Família: Malpighiaceae.

É uma planta perene, presente em todos os estados da região Sudeste. A intoxicação ocorre mais no período da seca, quando os animais passam por restrição alimentar, pois a planta tem baixa palatabilidade, exceto os brotos jovens, que apresentam boa palatabilidade.

Mesmo na seca a planta se mantém verde nos pastos, atraindo os animais. Os princípios tóxicos são os heterosídeos flavônicos e esteróides na folha jovem, taninos condensados, alcalóides quaternários e esteróides na folha madura.

Sinais clínicos nos bovinos

Edema de barbela e na região esternal, jugular com pulso positivo, aborto, relutância do animal em andar, emagrecimento progressivo, fezes ressequidas.

Achados de necropsia

Áreas mais claras no coração (epicárdio), miocárdio endurecido, fígado com aspecto de noz-moscada, edemas subcutâneos (região esternal).

Tetrapterys multiglandulosaTetrapterys multiglandulosa spp.

Webinar Manejando Pastagens

3. Conium maculatum Cicuta, funcho-selvagem

  • Família: Umbeliferae.

É uma planta perene, com 180 cm de altura, caule oco, recoberto com manchas púrpuras, folhas pinatipartidas, lembrando as de salsa. A planta é encontrada nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os princípios tóxicos são os alcalóides (coniína, coniceína) voláteis.

Sinais clínicos nos bovinos

Dificuldade de deglutição, dificuldade de locomoção, incoordenação, tremores musculares, prolapso da terceira pálpebra, dificuldade respiratória, salivação, eructação intensa, regurgitação do conteúdo ruminal, movimento de pedalagem, abortos e nascimentos de bezerros com defeitos teratogênicos.

Achados de necropsia

Presença de espuma e fragmentos verdes nas vias respiratórias, presença de líquido ruminal aspirado no pulmão.

Conium maculatumConium maculatum

4. Solanum malacoxylon — Espichadeira – variedade glabra e pilosa

  • Família: Solanaceae.

São descritas intoxicações naturais em bovinos acima de 15 meses. A planta é encontrada no pantanal do Mato Grosso em terrenos argilosos e região alagadiça. Nos meses de julho a setembro, há uma incidência maior de intoxicação.

O princípio ativo que deixa essa planta tóxica é o calcinogênico (vitamina D), que provoca aumento da absorção de cálcio, levando à calcificação distrófica no endocárdio, artérias, tecidos moles e tendões.

Esse princípio ativo também provoca inibição da maturação dos condrócitos das cartilagens epifisais e articulares, levando à parada do crescimento longitudinal, os tecidos moles sofrem degeneração e calcificação patológica e a deposição óssea intramedular provoca inibição da eritropoiese.

Sinais clínicos nos bovinos

Emagrecimento progressivo, pelos ásperos, sinais de fraqueza, abdômen retraído, dificuldade de locomoção e andar rígido, apoio das pinças dos cascos no chão, principalmente nos membros anteriores.

Após movimentação brusca, os animais intoxicados apresentam insuficiência cardíaca e respiratória, caracterizadas por cansaço e dispneia, carpo ligeiramente flexionado e cifose, decúbito, pulso arterial duro, arritmias cardíacas.

Achados de necropsia

Mineralização em diversos órgãos, principalmente nos sistemas cardiocirculatório e pulmonar; endocárdio e válvulas cardíacas espessadas, com perda da elasticidade; aumento e rigidez das grandes artérias (faciais e ilíacas), que se apresentam esbranquiçadas, endurecidas e espessadas, mostrando na camada íntima elevações irregulares e placas esbranquiçadas; calcificação associada a enfisema pulmonar; anasarca e ascite; rins com pontilhados esbranquiçados.

Tratamento: não existe tratamento.

EspichadeiraEspichadeira

5. Mascagnia — Pubiflora, Rigida, Coriacea, Elegans

  • Família: Malpighiaceae;
  • Nomes vulgares: Mascagnia pubiflora: corona, timbó, cipó-prata / Mascagnia rígida: tingui, salsa-rosa, péla-bucho, quebra-bucho / Mascagnia coriaceae: suma-roxa, suma, quebra-bucho / Mascagnia elegans: rabo-de-tatu.

A planta é encontrada nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, e Espírito Santo. Por causa da boa palatabilidade, é ingerida junto com a forragem durante todo o ano.

Entretanto, quando a planta está brotando, a toxicidade é maior e a movimentação dos animais que ingeriram a planta favorece a intoxicação. O princípio tóxico da planta é o Glicosídeo digitálico.

Sinais clínicos nos bovinos

Relutância em levantar e caminhar, tremores musculares, quedas, movimento de pedalagem, convulsões, morte. O animal pode ter alterações cardíacas e neuromusculares de evolução superaguda, com morte súbita.

Achados de necropsia

Em bovinos que morrem após doses únicas, não são encontradas alterações consistentes na necropsia, porém podem ser observados:

  • Mascagnia pubiflora: Petéquias no epicárdio, superfície de corte do miocárdio pálida, congestão hepática e pulmonar.
  • Mascagnia rigida: Muco na porção final do intestino grosso, hemorragias nos pulmões e rins, congestão hepática.

Tratamento: não se conhece.

MascagniaMascagnia

6. Palicourea marcgravi — Cafezinho, erva-de-rato, erva-café, café-bravo, roxa, roxinha

  • Família: Rubiaceae.

Uma das plantas tóxicas de maior importância no Brasil com ampla distribuição, exceto na região Sul, apresentando alta palatabilidade e elevada toxicidade com efeito cumulativo.

É ingerida em qualquer época do ano, porém o número maior de intoxicações ocorre na seca, quando os animais penetram nas matas e capoeiras. O princípio tóxico é o ácido monofluoracético e a planta seca apresenta cerca de quatro vezes mais do que a planta verde.

Sinais clínicos nos bovinos

Desequilíbrio do trem posterior (os animais caem), tremores musculares, movimentos de pedalagem, dispneia, membros distendidos, taquicardia, convulsão e morte; Os sinais aparecem em poucas horas após a ingestão da planta (5 a 24 horas) e apresentam um quadro superagudo( o animal pode morrer em 1 a 15 minutos).

Achados de necropsia

Como a morte ocorre rapidamente, muitas vezes não se observam lesões macroscópicas. Em algumas ocasiões, observam-se mucosas cianóticas, congestão de pulmões, rins e fígado, e hemorragias na meninge e rins.

Tratamento: não existe tratamento específico

Planta CafezinhoCafezinho

7. Cestrum — Coerana, canema, anilão, maria-preta, pimenteira

  • Família: Solanaceae.

Esta planta ocorre especialmente em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso e Santa Catarina, sendo que os Cestrum axillare e Cestrum corymbosum desenvolvem-se em partes úmidas, o Cestrum sendtenerianum desenvolve-se em capoeiras.

O princípio tóxico da planta são as saponinas (digitogexina e gitogenina).

Sinais clínicos nos bovinos

Apatia e anorexia, narinas secas, pêlos arrepiados, ranger de dentes, andar relutante, sonolência. Quando em pé, o animal mantém a cabeça baixa ou apoiada em obstáculos, isolamento, diminuição dos movimentos do rúmen, salivação abundante, agressividade, hiperexitabilidade, tremores musculares.

Algumas horas após o início dos sintomas, os animais permanecem decúbito esternal e às vezes com a cabeça voltada para o flanco, movimentos de pedalagem, extremidades frias.

Achados de necropsia

As alterações macroscópicas mais significativas são observadas no sistema digestivo. Fígado com cirrose e coloração mais clara, com aspecto de noz-moscada, coração com hemorragia do tipo petequial, sufusões no epicárdio, miocárdio e endocárdio.

Tratamento: não existe tratamento específico

CoeranaCoerana

8. Senna ocidentallis — Fedegoso

  • Família: Leguminosae.

Planta causadora de miopatia e cardiomiopatia degenerativas em várias espécies. Esta leguminosa é encontrada nas pastagens ao longo de beiras de estrada, em lavouras, em solos ricos ou bastante fertilizados.

As intoxicações ocorrem mais na época seca do ano quando os pastos estão secos e também pela ingestão de cereais e feno contaminado com sementes ou outras partes da planta. Os princípios tóxicos são o N-metilmorfoline e o Oximetilantraquinona.

Sinais clínicos nos bovinos

Diarreia com cólica e tenesmo em 2 a 4 dias após a ingestão, fraqueza muscular, ataxia dos membros posteriores e relutância em se mover. Mioglobinúria, decúbito esternal e lateral. Os animais podem adoecer mesmo após duas semanas de cessada a ingestão da planta.

Achados de necropsia

Áreas pálidas nos músculos esqueléticos, principalmente nas grandes massas musculares; lesões cardíacas discretas (palidez difusa do miocárdio), presença de grandes coágulos cruóricos nos dois ventrículos; fígado aumentado e pálido, com manchas escuras na cápsula; rúmen repleto e fétido; pulmões avermelhados, pouco crepitantes e com espuma na traqueia e brônquios.

Tratamento: não há tratamento eficaz

Planta FedegosoFedegoso

9. Pteridium aquilinum — Samambaia, samabaia-do-campo, samambaia-das-taperas

  • Família: Polypodeaceae.

É uma planta que vegeta em lugares de maior altitude em solos ácidos e arenosos, após derrubada de matas, nas beiradas de estradas e capoeiras. A samambaia é tóxica verde ou seca e tem poder cumulativo.

Ela possui uma tiaminase do tipo I, que é metabolizada para outras substâncias como o fator de anemia aplástica, fenóis, tiazol, pirimidina, ácido cinâmico, chiquímico e fator determinante de hematúria.

As intoxicações por samambaiaocorrem mais quando os animais estão com fome, habituados a comer a planta, em fenos contaminados com a mesma, ou no caso de bovinos que recebem escasso material fibroso.

Sinais clínicos nos bovinos

  • Tipo laríngeo da intoxicação: animais começam a apresentar pelos arrepiados, perda de peso e andar cambaleante, tristeza, indiferença, hemorragias cutâneas e das cavidades naturais como boca e fossas nasais, edema de garganta, aumento da temperatura corporal.
  • Tipo entérico da intoxicação: anorexia, depressão, enterite, fezes diarreicas de cor escura e com coágulo de sangue, mucosas pálidas com petéquias, temperatura elevada, hemorragias no local de picada de insetos ou de agulhas.
  • Forma crônica da intoxicação: a principal alteração clínica é a presença de hematúria enzoótica (sangue), mas também são frequentes os carcinomas epidermóides no esôfago, faringe rúmen, com tosse, dificuldade de apreensão e deglutição dos alimentos. Achados de necropsia
  • Forma aguda da intoxicação: palidez das mucosas da vagina e gengiva, petéquias na mucosa vaginal, hemorragias na forma de sufusões na serosa das cavidades abdominais e torácica. Também são observadas hemorragias nas fáscias musculares e sufusões no endocárdio, úlcera na mucosa intestinal. Tanto o fígado, como rins e pulmões, apresentam áreas de infarto e necrose.
  • Forma crônica da intoxicação: bexiga com conteúdo urinário de cor vermelha e, às vezes, com coágulos sanguíneos. Tanto na faringe, como no esôfago e rúmen, são observados papilomas de diversas formas, carcinomas na base da língua, nódulos firmes na bexiga.

Tratamento: não há tratamento terapêutico eficaz.

SamambaiaSamambaia

10. Ricinus communis — Mamona, carrapateira, palma-de-cristo, regateira

  • Família: Euforbiaceae.

A intoxicação natural pela planta tem sido registrada na região nordeste, devido à fome. Quanto aos princípios tóxicos, as folhas possuem a ricinina, responsável por sintomas neuromusculares, que não possui efeito cumulativo e as sementes possuem uma toxalbumina, a ricina, além de uma fração alergênica (complexo proteína-polissacarídeo), uma lípase, traços de riboflavina, ácido nicotínico e óleo de rícino.

Sinais clínicos nos bovinos

  • Quando os animais ingerem as folhas e pericarpo dos frutos: inquietação, andar desequilibrado, necessidade de deitar após certa marcha, tremores musculares, sialorreia, eructação excessiva, atonia ruminal.
  • Quando os animais ingerem as sementes: diarreia sanguinolenta, dores abdominais, anorexia, incoordenação, insuficiência respiratória, insuficiência renal aguda (uremia).

Achados de necropsia

Gastroenterite hemorrágica Tratamento: Soro anti-rícino, Antiespasmódicos, hidratação parenteral.

MamonaMamona

11. Stryphnodendron spp. — Barbatimão

  • Família: Leguminosae.

Árvore descrita nos estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Ceará, Maranhão e Piauí. Os princípios tóxicos da planta são os taninos, presentes na casca da árvore e as saponinas, presentes nos frutos.

As intoxicações ocorrem com mais frequência de junho a setembro, principalmente em animais que estão passando fome, que comem as favas que caem no chão.

Sinais clínicos nos bovinos

Apatia, anorexia, ressecamento do focinho, atonia ruminal, emagrecimento progressivo, sonolência, hipotermia, tremores musculares, lacrimejamento, sialorreia, erosões na mucosa bucal, lesões de pele, polaciúria (micções muito frequentes e pouco abundantes).

Achados de necropsia

Gastroenterite discreta, intestinos quase vazios, fígado levemente amarelado, bile com cor vermelha escura a amarela, rins pálidos e ligeiramente aumentados de volume, baço com discreta hiperemia.

Tratamento: administração de purgantes oleosos e salinos, soro glicosado e anti-histamínico, aplicação de pomadas e ungüentos nas lesões de pele.

BarbatimãoBarbatimão

12. Lantana spp. — Chumbinho, camará, cambará, margaridinha

  • Família: Verbenaceae;

Planta com ampla distribuição pelo Brasil sendo descrita nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul.

As intoxicações ocorrem mais situações de escassez de alimento e superlotação de pastagens, após as primeiras chuvas, pois a planta brota mais rapidamente. Os princípios tóxicos são o Lantadene B e Lantadene A.

Sinais clínicos nos bovinos

  • Curso agudo da intoxicação (24- 48 horas): Apatia, anorexia, midríase, icterícia, fezes moles e com sangue, edema de faces e membros, urina de cor escura, lacrimejamento, sialorreia, fotossensibilização.
  • Curso crônico da intoxicação (15-42 dias): Manifestações de fotossensibilização hepatógena como eritema, edema inflamatório das partes claras, com exsudato seroso e face ventral da língua ulcerada; diminuição ou parada dos movimentos do rúmen, inquietação, icterícia, urina de coloração marrom, fezes ressecadas, nefrose, mumificação da pele nos animais que não morrem.

Achados de necropsia

Icterícia generalizada, fígado aumentado de tamanho e de coloração alaranjada, vesícula biliar distendida e edemaciada, rins com edema de pélvis e urina de coloração marrom, pele com lesões de fotossensibilização.

Tratamento: soro glicosado, purgantes salinos, pomadas a base de vitamina A e zinco nas lesões de pele, corticóide, antibióticos, anti-histamínicos, rumenotomia com remoção do conteúdo e substituição por conteúdo ruminal normal.

LantanaLantana spp.

13. Enterolobium spp. — Contortisiliquum, Schomburgkii, Gummiferum

  • Família: Leguminosae;
  • Nomes vulgares: Enterolobium contortisiliquum: Orelha-de-macaco, timbaúba, tamboril-da-mata / Enterolobium schomburgkii: Tamboril-da-mata / Enterolobium gummiferum: Tamboril-do-campo, orelha-de-onça, vinhático-do-campo.

Distribuição da planta: E. Contortisiliquum: Amazonas, Mato Grosso, Ceará, Bahia, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul / E. Shomburgkii: Amazonas, Pará, Rio de Janeiro, Minas Gerais /  E. Gummiferum: Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Goiás, São Paulo e região Centro-Oeste do Brasil.

Os animais se intoxicam através da ingestão da fava, que tem boa palatabilidade, e as intoxicações são mais freqüentes durante a seca. Os princípios tóxicos são as saponinas (gitogenina, digitogenina).

Sinais clínicos nos bovinos

  • Curso agudo da intoxicação: Diminuição ou ausência completa de apetite, apatia, fezes extremamente diarreicas, sede intensa, desidratação, diminuição da frequência cardíaca e respiratória, corrimento nasal seroso bilateral.
  • Curso crônico da doença: Apatia, anorexia, diarreia com fezes pretas e fétidas, mucosa ocular ictérica, lesões de pele do tipo fotossensibilização.

Achados de necropsia

  • Curso agudo da doença: Presença de sementes de Enterolobium spp. no rúmen, fígado aumentado de volume e com pontilhado branco na superfície do parênquima, gastroenterite catarral, intestinos vazios e mucosas congestas, icterícia generalizada.
  • Curso crônico da doença: icterícia generalizada, lesões de pele tipo fotossensibilização, lesões necróticas de pele e tecido subcutâneo.

Tratamento: soro glicosado, antidiarreicos, pomadas cicatrizantes.

Enterolobium ContortisiliquumEnterolobium contortisiliquum

Plantas Cianogênicas

  • Graminae: Shorgum vulgare: sorgo, Shorgum halepense (sorgo-de-alepo), Shorgum sudanense (sorgo-sudão, capim-sudão);
  • Leguminosae: Trifolium repens (Trevo-branco);
  • Rosaceae: Prunus sphaerocarpa (Pessegueiro-bravo);
  • Caesalpinaceae: Holocalyx glaziovii (Alecrim-de-campinas);
  • Euphorbiacea: Manihot spp. (Mandioca).

Os ruminantes são os animais mais sensíveis, devido ao pH ruminal, ao contrário dos monogástricos, os quais o pH do estômago inativa as enzimas hidrolíticas da planta. As plantas cianogênicas contêm o ácido cianídrico (HCN), formando compostos cianogênicos, geralmente glicosídeos ou hidroxinitrilos, inibindo a fosforilação e resultando em asfixia tissilar.

Sinais clínicos nos bovinos

Dispneia, tremores musculares, excitação, salivação, lacrimejamento, incoordenação, opistótono, decúbito, convulsões, dilatação de pupilas.

Achados de necropsia

Mucosas avermelhadas; sangue vermelho-brilhante, que coagula com dificuldade; petéquias no abomaso e intestinos; rúmen com cheiro de amêndoas amargas, musculatura escura.

Tratamento

Na maioria das vezes os animais já são encontrados mortos devido a rapidez da intoxicação cianídrica, além disso não há um tratamento específico de recuperação imediata. O tratamento é feito com uma solução aquosa de tiossulfato de sódio 20% via endovenosa.

A melhor forma de evitar a intoxicação pelas plantas tóxicas citadas acima é a profilaxia, e essa consiste em manejar adequadamente as pastagens evitando assim o aparecimento de invasoras, além de evitar o acesso dos animais famintos em áreas com incidências dessas plantas.

Portanto, um bom planejamento nutricional é o melhor caminho para solucionar esse problema no campo.

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Você se preocupa mais com a suplementação e deixa o manejo de pasto de lado? Não faça isso!

A suplementação dos animais criados a pasto é fundamental para a eficiência nesse tipo de sistema. No entanto, assim como o nome sugere, o suplemento trabalha apenas de forma suplementar à principal fonte de alimento dos bovinos criados nessas condições: a pastagem.

Seja para garantir um bom ECC (escore de condição corporal) de vacas em pastagens de brachiaria, ou seja para maximizar o desempenho da recria em pastagens de mombaça, o principal foco e objetivo do produtor deve ser a eficiência na produção e na colheita da pastagem.

 

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O planejamento e equilíbrio devem ser o foco do negócio. É de grande importância que o produtor saiba manejar o pasto de acordo com as estações do ano, sempre ajustar a taxa de lotação e realizar correções de solo e adubação de forma correta, quando for necessário.

Adotando eficientes práticas de manejo da pastagem você certamente aumentará a produtividade e a rentabilidade do seu negócio.

De olho no planejamento forrageiro

O primeiro passo para todo processo produtivo deve ser o planejamento. Independente dos desafios ou alternativas a serem seguidos, o planejamento é fundamental para o sucesso do negócio, e assim também deve ser a dinâmica na produção dos animais criados a pasto.

Entender e planejar as etapas do processo e as variáveis daquele sistema é o primeiro passo para o sucesso.

Precisamos responder algumas perguntas básicas antes de realizarmos qualquer ação na fazenda. Por exemplo, em uma propriedade, temos o objetivo de recriar dois mil animais. Antes de alocar os animais na propriedade, devemos perguntar:

  • É viável fazer isso?
  • Eu vou conseguir proporcionar condições para o ganho de peso desses animais e sustentar o bom rendimento da fazenda o ano inteiro com essa taxa de lotação?
  • Será que eu estou considerando as diferenças de produção de matéria seca da forragem nas estações do ano?
  • A infraestrutura da propriedade é suficiente para o objetivo?
  • O meu pasto comporta essa carga animal?

As respostas para essas perguntas nem sempre são simples. Antes de simplesmente comprar uma quantidade de animais e alocar na fazenda ou comprar todo o adubo e corretivo para aquela área, deve haver um planejamento prévio, levando-se em conta a área de forragem efetiva disponível, os dados climáticos da região (temperatura ao longo dos meses, índice pluviométrico e taxa de luminosidade), a espécie forrageira utilizada, e principalmente o objetivo desejado para determinado lote.

Ah! Não podemos esquecer de um detalhe fundamental, observar o fluxo de caixa da fazenda, principalmente quando pensamos em intensificação de áreas.

Quando esses cuidados não são levados em consideração, o produtor pode ter prejuízos. A superlotação é um deles, pois a alta taxa de lotação em áreas de pastagem acarreta o surgimento de plantas invasoras e um processo contínuo de degradação das áreas.

Isso traz consequências para o potencial produtivo da fazenda, pois ocasiona menor área efetiva de pasto, reduzindo ainda mais a capacidade suporte da fazenda, virando uma “bola de neve”, cada ano menos produtiva.

A sequência desse processo por longo período de tempo acarreta a necessidade ou quase obrigatoriedade do produtor realizar a reforma do pasto para continuar com processo produtivo na fazenda, aumentando de forma significativa o custo de produção e reduzindo a rentabilidade do negócio.

Manutenção da fertilidade do solo

A manutenção das pastagens com a utilização de corretivos, fertilizantes e o combate às plantas invasoras são medidas fundamentais para que as pastagens entreguem excelente produtividade, elevando a capacidade de suporte da fazenda.

Assista a uma aula incrível e completa sobre o assunto, com o especialista Rodrigo Amorim, da Embrapa Gado de Corte:

Webinar Manejando Pastagens

As forrageiras são culturas perenes, ou seja, não precisam ser reformadas ano após ano como as culturas anuais do milho, sorgo e soja. Plantas perenes são resistentes, mas precisam de manutenção e, principalmente, de um manejo adequado para permanecerem vigorosas e produtivas.

O ideal é que anualmente seja realizada, de maneira criteriosa, uma avaliação das pastagens contemplando, inclusive, análises do solo nos piquetes, sendo possível, a partir dessa análise, o planejamento e as intervenções necessárias que garantirão a perpetuidade da área produtiva.

Cada espécie forrageira requer um nível de exigência em fertilidade, pluviometria e até mesmo são mais ou menos resistentes às variações de temperatura, principalmente à baixas temperaturas.

Um dos pontos importantes na escolha da forrageira, sem dúvida, é a fertilidade da área a ser implementada. Colocar forrageiras mais exigentes em solos pobres em nutrientes, sem realizar a correção e adubação da pastagem, pode gerar queda da produtividade e consequente degradação.

Sendo assim, o primeiro erro a ser observado é a escolha inadequada da espécie forrageira e, principalmente, a ausência de manutenções corretamente realizadas nas áreas empastadas.

Diferenças de manejo

É preciso saber as características de cada gramínea para poder manejá-la de forma adequada. Cada espécie forrageira detém em suas características anatômicas e fisiológicas, fatores que determinam suas condições de crescimento, de rebrota, de emissão de folhas e caules, que impactarão diretamente na forma como devem ser manejadas.

Cada gramínea deve ser manejada, independente do sistema de pastoreio, rotativo ou contínuo, respeitando a altura correta de entrada e saída dos animais. Essas alturas são definidas após a observação do que chamamos de interceptação luminosa, ou seja, do momento exato de crescimento da planta onde as folhas emitidas bloqueiem cerca de 95% dos raios solares que chegam à base da planta.

Esse momento em específico foi determinado através de pesquisas, pois a partir dele a planta começa a apresentar a presença de material senescente (morto) em sua base, e principalmente por iniciar a emissão de caules, na busca por maior luminosidade.

Além disso, sabemos que quanto maior a proporção de caule em relação às folhas, menor tende a ser o desempenho dos animais que consomem aquela forrageira.

A altura de saída ou o resíduo deixado após o pastoreio dos animais também deve ser respeitada e é de grande importância para que se tenha naquele dossel uma rebrota adequada. Quando não manejamos dentro desses critérios, corremos sérios riscos de reduzir desempenho animal, degradar o dossel, entre outros fatores prejudiciais à produção.

Desrespeitar o desenvolvimento das plantas e realizar o manejo imperfeito da colheita dos pastos é erro determinante no fracasso da produção de gado a pasto.

O erro da adubação sem ajuste de carga

O ajuste de carga, ou seja, relacionar a carga animal à disponibilidade de forragem, é ponto fundamental para aumentar a produtividade.

Deve-se ter em mente quanto do pasto produzido é possível colher através da eficiência de pastejo sem que a condição de crescimento da forrageira seja afetada de forma negativa.

Dica importante: não adianta adubar o solo para produzir mais forragem, se não tivermos recurso em caixa. Pois, se não conseguirmos comprar o número de cabeças ideal para ajustar a lotação, muito tempo e dinheiro será perdido.

Além de ter desembolsado um alto valor com insumos, a qualidade da pastagem irá cair, pois o ponto de colheita provavelmente irá passar e então ocorrerá um alongamento de hastes e consequentemente uma queda no desempenho dos animais. Assim, o custo irá aumentar, piorando o resultado da fazenda.

Adubar e não colher o pasto da forma correta também é um grande erro que devemos evitar em nossas propriedades.

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