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]]>Sabe-se que a estacionalidade das plantas forrageiras é um dos principais fatores limitantes para altas produções. Dessa maneira, o semiconfinamento surge como uma estratégia para manutenção do equilíbrio de alimentos no sistema de produção, visando incrementar os níveis de produção animal (desempenho e ganho por área).
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A utilização de suplementos concentrados permite corrigir deficiências específicas de nutrientes na forragem para maximizar a atividade de digestão da fração fibrosa e, consequentemente, utilizar mais eficientemente os carboidratos estruturais, além de complementar a dieta em situações de escassez de forragem.
Nas situações onde o consumo é limitado pela baixa oferta de forragem, um suplemento pode substituir a forragem proveniente do pasto, constituindo às vezes o único alimento disponível. Os níveis de concentrado e as estratégias a serem usadas são dependentes da categoria animal e das metas de ganho de peso.
O semiconfinamento na pecuária de corte consiste em fornecer ração concentrada aos animais de 1 a 2% do peso corporal (PC), sendo caracterizadas pela grande produção de ácidos graxos de cadeia curta no rúmen, provocando quedas de pH, sendo necessários períodos de adaptação e possível uso de aditivos.
Os ganhos de peso irão variar de acordo com a oferta de forragem, potencial genético dos animais, níveis de concentrado na dieta e alguns outros fatores.
A suplementação com altas quantidades de concentrado na pecuária de corte permite maiores ganhos de peso, melhor rendimento de carcaça e acabamento, melhorando a eficiência do sistema de produção.
Em uma época de insumos caros como, por exemplo, o milho e a soja, é necessário encontrar alternativas as quais nos dão flexibilidade para trabalhar e possibilidade de ter o nosso custo de arroba produzida reduzido.
Diante dos altos desembolsos apresentados pelo sistema de confinamento em infraestrutura e máquinas, a suplementação de alto consumo a pasto na produção de gado de corte vem se tornando uma ferramenta cada vez mais atrativa por apresentar menor imobilização de capital e índices econômicos também satisfatórios.
Além disso, é importante destacar que durante a fase de terminação, a eficiência de conversão (kg MS/kg PC), é reduzida quando comparada na recria.
Isso se deve ao fato da diminuição do acúmulo de músculo e aumento do crescimento do tecido adiposo, o qual necessita de mais energia para sua deposição, sendo necessária a adequação correta da suplementação nessa fase.
Normalmente, o período de terminação do gado de corte se dá em um momento em que as pastagens apresentam baixa qualidade e baixa taxa de crescimento, limitando o consumo pelos mesmos. Dessa forma, torna-se desafiador produzir em uma situação extremamente desvantajosa.
Dessa forma, para terminar o gado de corte a pasto, em uma época com baixa oferta de forragem e baixo valor nutritivo, deve-se explorar o efeito substitutivo, deixando de ingerir forrageira para ingestão de concentrado, permitindo maior fornecimento de energia.
Nesse cenário, a forragem deixa de ser o componente principal da dieta, sendo importante apenas para a manutenção do ambiente ruminal minimamente saudável.
Ao comparar o sistema de confinamento convencional com o semiconfinamento, ou confinamento a pasto, recebendo altas quantidades de concentrado, a Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (APTA) concluiu que a taxa de ganho de peso vivo é diferente entre os dois sistemas, sendo vantajoso para o confinamento convencional.
Porém, quando observaram o ganho em carcaça, a diferença foi de apenas 0,043kg de carcaça por dia, ganhando 1 kg de peso vivo, chamando atenção para a forma de análise ao comparar as duas estratégias.
Nesse caso, como as dietas foram isoenergéticas, o rendimento do ganho (peso de carcaça final – peso de carcaça inicial/ peso vivo final – peso vivo inicial) foi afetado principalmente pelas mudanças no conteúdo do trato gastrointestinal e tamanho dos órgãos digestivos. Quando os animais são suplementados com grandes quantidades de concentrado, o consumo de fibra na dieta se torna muito pequeno.
Com isso, tem-se o aumento da taxa de passagem, em função da maior digestibilidade da dieta, resultando em diminuição do conteúdo do trato digestivo. Assim, o rúmen não precisa armazenar tanto o alimento e acaba reduzindo o tamanho.
Portanto, o semiconfinamento na produção de gado de corte pode tornar-se uma ferramenta extremamente interessante e estratégica.
Para os profissionais que forem utilizar essa ferramenta, é importante darem atenção para o ganho em carcaça e não apenas em peso vivo, uma vez que na terminação a pasto pode ser subestimada, quando não consideradas essas diferenças.
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]]>O post Pastejo rotacionado: veja a importância para sistemas de criação de gado de corte apareceu primeiro em Rehagro Blog.
]]>Manejo de pastejo é associação entre solo-planta-animal, onde todos estes devem estar em harmonia para atingir uma alta produtividade com sustentabilidade.
Método de pastejo é a técnica ou procedimento de manejo de pastagem. Existem vários métodos de pastejo, do mais simples ao mais complexo, sendo eles, respectivamente:
O pastejo rotacionado é o método utilizado para intensificação da produção. Este método aumenta o ganho por área, mas dependendo da pressão de pastejo pode diminuir o ganho individual por animal. Ele dá a possibilidade de utilização de altas cargas animais, de 2 a mais de 5 U.A/ha média ano.
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Para a implantação do pastejo rotacionado, deve-se levar em consideração o número de animais a serem manejados dessa forma e o potencial de crescimento da forrageira. A partir do diagnóstico da situação atual, as áreas degradadas devem ser recuperadas.
Áreas com forrageiras de alto potencial, com baixa carga animal em método de pastejo contínuo ou rotacionado, resultam em áreas de pasto desuniforme. Aparecem, então, áreas sub pastejadas, onde o pasto está “sobrando” (Figura 1) junto de áreas de superpastejo, onde se observa o oposto. Assim, o gado passa a evitar as áreas sub pastejadas, pois o capim fica passado.
Já as áreas de superpastejo (Figura 2), acontecem pelo hábito dos bovinos em pastejar sempre a rebrota do capim. Isso traz graves consequências, pois abre uma porta para o aparecimento de plantas invasoras, além de expor a superfície do solo nesses locais.
Comumente, essas áreas são próximas aos bebedouros e comedouros. Deve-se, então, para então implementar o método de pastejo rotacionado, uniformizar o pasto, colocando um lote grande de animais nessas áreas, a fim de obrigá-los a comer o que está sobrando, ou então roçar.
A escolha da forrageira é muito importante. Cada forrageira possui uma característica agronômica distinta, que se adequa melhor em determinadas condições climáticas, topografia, fertilidade e característica física do solo, dentre outras.
É necessário um período de descanso pós-pastejo que deve ser respeitado para que a planta consiga se recuperar e acumular reservas orgânicas. As forrageiras que possuem essa característica, então, encaixam-se muito bem ao método rotacionado.
Algumas forragens que funcionam muito bem no pastejo rotacionado são:
Figura 1 – Área de subpastejo.
Figura 2 – Área de superpastejo.
Para implantação desse método, o primeiro passo é mapear toda a área de pastagem efetiva da fazenda com GPS (Sistema de Posicionamento Global) e criar um mapa em um software como por exemplo o AutoCAD® (Figura 3).
Feito o mapa, são desenhadas as divisões das áreas em módulos e piquetes (Figura 4). Para saber o número de piquetes que se deve fazer, existe uma conta bem simples, mas antes é preciso fazer uma observação sobre período de ocupação e período de permanência.
O primeiro é o tempo total em que o piquete fica ocupado por animais no caso de mais de um lote (manejo de desponte/repasse). Já o período de permanência é o período em que um determinado lote permanece no piquete.
Assim, pode-se dizer que quando apenas um lote ocupa um piquete, o PP=PO. É importante conhecer essas diferenças para não errar na hora de calcular o número de piquetes.

Onde:
Figura 3 – Mapa da fazenda desenhado no AutoCAD®, a partir do GPS. Fonte: aula de elaboração de projetos para pecuária de corte, Paulo César Costa, Equipe Rehagro.
Figura 4 – Divisões dos módulos e piquetes para o pastejo rotacionado. Fonte: aula de elaboração de projetos para pecuária de corte, Paulo César Costa, Equipe Rehagro.
Definido o número de piquetes, o próximo passo é instalar as cercas na propriedade. As divisões dos piquetes podem ser feitas com cercas elétricas, pois, o investimento na implantação tem sido de duas a quatro vezes mais baixo quando comparado com a implantação de cercas convencionais, de arame liso ou farpado.
Os piquetes devem ser quadrados ou retangulares. O comprimento não deve passar de 3 vezes o da largura. Para economizar em instalações, construir praças de alimentação com saleiro e água, comuns a mais de um piquete tem sido bastante indicado, como mostrado na Figura 5.
Não é interessante fazer piquetes muito grandes para que não ocorra o sub e super pastejo. Os bovinos têm uma característica forte, eles preferem pastejar a uma distância de até 200 metros da fonte de água, deixando de comer em áreas cuja distância ultrapassam 600 metros. Eles só pastejam após 1,6 km de distância da água, quando 40 a 50% da forragem já tiver sido consumida.
Depois de preparadas as instalações, deve ser iniciado o manejo. O lote entra no primeiro piquete do módulo, ocupa esse piquete por um determinado tempo (PO), depois segue para o próximo piquete e assim por diante (ver Figura 5), completando então o ciclo de pastejo (CP).
O ciclo de pastejo nada mais é que a soma do período de ocupação (PO) com o período de descanso (PD). O período de ocupação (PO) é o tempo em que os animais ficam no piquete e o período de descanso (PD) é o tempo entre os pastejos.
Para simplificar então temos o seguinte cálculo:

Onde:
Figura 5 – Piquetes de rotação de pastagem, com praça de alimentação (círculo vermelho) comum entre 4 piquetes mostrando como deve funcionar um rotacionado.
A altura de entrada é uma característica particular de cada forragem e é um dos pontos mais importantes para um manejo de pastejo rotacionado adequado. Erros neste ponto causam perdas na produção do capim, levando à baixa produtividade ao longo do ano.
Foram conduzidos inúmeros estudos e experimentos para estabelecer a altura de entrada de cada forragem. Sabe-se que quando a planta atinge o valor de 95% de interceptação luminosa, rapidamente ela passa do estágio vegetativo para o reprodutivo, alongando suas hastes, aumentando a distância entre folhas e dificultando a colheita dos animais.
No momento em que a planta recebe na sua base apenas 5% de raios de luz, haverá boa quantidade de folhas em relação a hastes e material morto, como mostra o Gráfico 1.
Gráfico 1 – Situação quando temos interceptação luminosa em 95%. Fonte: Aspectos agronômicos para produção intensiva de leite a pasto – Sila Carneiro da Silva e Domício do Nascimento.
Tabela 1 – Essa tabela indica algumas alturas de entrada e saída de diversas forragens em diferentes épocas do ano. Fonte: Como planejar o pastoreio – Adilson Aguiar.
A altura de saída também é um ponto importante, mas não tão importante quanto a altura de entrada. Se mal manejada na altura de saída, a planta terá dificuldade no seu restabelecimento pós-pastejo.
Mas o que é o ideal? Devemos analisar então se é um sistema intensivo, com uma alta quantidade de nitrogênio no solo, associado a uma alta eficiência na coleta dos animais. Nesses casos, a altura de saída pode ser mais baixa.
Para definirmos o tempo ideal de cada piquete, devemos estar atentos a inúmeros fatores, como:
Esse período deve ser bem respeitado para que o pasto residual consiga, então, rebrotar rápido e com vigor, para que a produção seja boa.
É possível perceber que a viabilidade de implementação deste método é alta para sistemas de criação mais intensivos de bovinos de corte, pois o ganho/área é muito superior ao de outros métodos de pastejo.
Porém, o manejo não é simples. É necessária muita atenção para que não ocorram erros, principalmente ao observar a altura de entrada. Erros na altura de entrada podem levar a prejuízos enormes e o que poderia apresentar ótimos resultados pode se tornar um desastre.
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