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Quando se fala em produção de café, uma das fases de maior importância é a pós-colheita. Todo e qualquer cuidado, principalmente em relação ao manejo desse grão, afeta a qualidade final da bebida. Isso pode significar altos lucros ou altos prejuízos, dependendo da forma que foi executado.

Existem duas linhas de pensamento que falam sobre a pós-colheita do café e sua relação com a qualidade:

  1. A pós-colheita do café melhora a qualidade; 
  2. A pós-colheita mantém a qualidade que o café já possui.

Sem existir uma verdade absoluta, o que sabemos é que a pós-colheita tem um impacto muito importante na qualidade do café, e por isso requer uma maior atenção em suas etapas, pois, erros nesse processo podem comprometer a qualidade deste café, acarretando em prejuízos à bebida, e consequentemente ao preço de venda desse café.

Por isso, devemos ter atenção a vários processos, desde o tempo que o café fica amontoado após a colheita, até as condições e tempo de permanência na tulha de café.

 

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Diante disso, preparamos alguns pontos críticos que merecem atenção para quem busca a produção de cafés especiais!

Frutos cereja em terreiro suspenso.

Frutos cereja em terreiro suspenso. Fonte: Larissa Cocato da Silva

Mapeamento dos cafés

Quando se pretende produzir cafés de qualidade, o mapeamento é uma ferramenta importante para a tomada de decisão. Nisso, surgem duas grandezas:

  1. É necessário que você conheça seus cafés, dessa forma, o monitoramento te ajudará nesta ação;
  2. É importante que você monte um histórico de qualidade das suas lavouras.

Através desse mapeamento, será feita uma coleta de informações e por meio desses dados a tomada de decisões consegue ser mais assertiva, principalmente nas fases de colheita e de pós-colheita.

Recepção de cafés

Antes de falarmos propriamente sobre a parte da recepção dos cafés, uma etapa que parece simples, porém também pode acarretar problemas, é na amontoa desse café colhido. Não se recomenda que o café fique mais de 6 horas amontoado, pois pode acontecer fermentações indesejáveis nesse café.

Já a recepção, em si, também é uma etapa importante desse sistema. A atenção maior nesse caso é quanto à higienização, pois as moegas precisam estar sempre limpas!

Essa parte é particularmente importante, pois se não estiverem limpas, pode ocorrer contaminação e isso vai refletir na qualidade final do café.

Cafés naturais

Existem vários pontos no manejo do café, e se ele for processado do tipo natural, alguns desses pontos se diferenciam, quando comparados ao cereja descascado.

Café cereja amarelo em terreiro suspenso.

Café cereja amarelo. Fonte: Larissa Cocato

Estados de maturação do fruto vermelho lado a lado.

Estádios de maturação do fruto vermelho. Fonte: Larissa Cocato

Alguns aspectos desse processo requerem maior atenção:

  • Para a produção de um bom café natural, o ideal é ter menos de 15% de cafés verdes, no entanto, essa porcentagem é um desafio muito grande devido ao número de floradas que podemos ter. 
  • Dessa forma, quanto menor a porcentagem de grãos verdes, melhor!
  • Em relação aos frutos vermelhos e amarelos, eles possuem qualidades diferentes. 
  • Assim sendo, não devem ser misturados. 

Mão segurando frutos café cereja.Frutos cereja. Fonte: Larissa Cocato

Café natural – Lavador/peneirão

Nessa etapa, alguns cuidados devem ser tomados para a garantia da qualidade:

  • O abanador deve remover as impurezas.
  • Os gravetos levam umidade aos cafés e ao terreiro.
  • Se estiver passando mais de 10% de café bóia na parte do café cereja, significa que a regulagem está mal feita. Da mesma forma, se estiver mais que 10% de café cereja e verde no café bóia, também significa regulagem mal feita. 
  • Por isso, regule adequadamente o equipamento.
  • A água do lavador deve ser trocada a cada 8 horas.
  • Isso ajuda a evitar contaminações.
  • A desinfecção com água sanitária deve ser feita a cada 15 dias.
  • Mantenha o equipamento sempre limpo.

Café natural – Terreiro

Milhares de cafés em grãos cereja espalhados em terreiro.Cafés em grãos cereja. Fonte: Luiz Paulo Vilela

A parte do terreiro é a parte inicial da secagem desse café e como as demais, contém vários pontos que devemos nos atentar:

  • O café deve ficar grão a grão no 1° e 2° dia, para facilitar a perda de água. Esse café não deve ser rodado no 1° dia de terreiro para uma melhor aderência da casca ao grão. 
  • Isso evita futuros danos, e assim esse café não seja descascado no terreiro devido ao revolvimento.
  • A partir do 2° ou 3° dia, esse café é dobrado, ocupando 50% da área inicial.
  • Já a segunda dobra, deve ocorrer no 4º ou 5º dia de secagem e o revolvimento deve continuar 12 vezes ao dia;
  • A terceira dobra, realizar cerca de 6 a 7 dias, continuando o mesmo número de revolvimentos.
  • Quando o café chegar na meia-seca (25 a 30% do teor de água), estes devem ser enleirados e cobertos à noite.
  • Se este café for finalizado no secador, não deve chegar com mais do que 30% de água.

Café natural – Secador

Em relação à secagem em secadores, os pontos de observações aumentam. Confira:

  • O secador deve receber lotes homogêneos e se não se recomenda misturar os lotes;
  • Secador vertical: ele não deixa a secagem muito uniforme, então não é benéfico à qualidade do café;
  • Secador rotativo: ele deve ficar com uma folga de no máximo 15 cm, para melhorar a eficiência da secagem;
  • O secador rotativo deve ser rodado sem calor durante 1 a 2 horas, no início da secagem, para retirar o máximo de água antes da secagem.
  • No início da secagem, a temperatura do ventilador não deve passar de 60°C, para que a temperatura da massa de café natural não ultrapasse os 35°C.
  • No terço médio da secagem, a temperatura máxima da massa de café natural cereja ou passa, deve ser de 35°C.
  • Após a meia seca, o secador deve ser parado à noite por volta das 22:00 horas, e deve-se descansar esse café por no mínimo 8 horas.
  • No final da secagem do café natural, cereja ou passa, a temperatura do ventilador deve estar com no máximo 50°C.
  • O café não pode ser descarregado ainda quente na moega ou em tulhas de repouso;
  • A umidade no momento do descarregamento deve ser de 11,5%.

Webinar Pós-colheita de café: um checklist de qualidade

Cafés Cereja Descascados (CD)

Em relação aos cafés do tipo cereja descascados, alguns pontos divergem do natural, ainda assim requerem sua atenção. Confira:

CD – Descascador/desmucilador

  • Regular bem o equipamento para não ter café verde na parte do café cereja descascado;
  • Não pode estar passando mais do que 10% de café cereja para a parte do verde;
  • O café em pergaminho não pode estar saindo danificado do desmucilador;
  • A área de processamento deve ser lavada após o término do trabalho, a fim de evitar contaminações;
  • A área de processamento deve ser pulverizada quinzenalmente, com água sanitária à 10%, também com o objetivo de evitar contaminações. 

CD – Terreiro para cafés: cereja, verde ou passa

Café descascado espalhados no terreiro.Café descascado no terreiro. Fonte: Rehagro

  • Os cafés descascados devem ser espalhados com 7 litros por m² no 1° dia.
  • Deve ficar grão a grão para facilitar a perda de água.
  • Os cafés descascados devem ser rodados de 16 a 20 vezes por dia.
  • Isso ajuda a homogeneizar a secagem.
  • Os cafés devem ser dobrados após 1 a 2 dias de secagem, e realizar outra dobra de 3 em 3 dias.
  • O objetivo, nesse caso, é secar mais lentamente.
  • Após a meia-seca, os cafés descascados devem ser enleirados e cobertos as 15:00 horas e novamente abertos e espalhados às 9:00 horas do dia seguinte;
  • Lotes superiores a 2 dias de colheita, não devem ser unidos no terreiro;
  • Se optar pela secagem complementar nos secadores, os cafés descascados devem ser retirados do terreiro, com pelo menos 2 dias.
  • Isso permite que ele perca toda a água possível antes de ir para o secador.

CD – Secador

  • O secador deve receber cafés homogêneos de acordo com o teor de água e tipo de café. 
  • Não é recomendado a mistura de lotes, para não desuniformizar a umidade;
  • Secador vertical: não é recomendado que ele receba lotes de cafés úmidos, pois a água em excesso nesse caso, pode prejudicar a secagem, “cozinhando os grãos”.
  • O secador vertical, quando utilizado, deve ficar completo cobrindo a rosca transportadora, pois melhora a eficiência de secagem.
  • Secador rotativo: ele deve ficar com uma folga de no máximo 15 cm ao encher. 
  • Isso melhora a secagem.
  • O secador rotativo, no início da secagem, deve ser rodado sem calor durante 1 a 2 horas, de forma a retirar o máximo de água antes da secagem.
  • No início da secagem do café descascado, a temperatura do ventilador não deve estar acima de 50°C
  • Após a meia-seca, o secador deve ser parado à noite por volta das 22:00 horas, e descansar obrigatoriamente por 8 horas, no mínimo.
  • No final da secagem do café descascado, a temperatura do ventilador não deve ultrapassar os 60°C.
  • O café não deve ser descarregado ainda quente na moega, ou em tulhas de repouso. Preferencialmente, deve-se descarregar o café frio nas tulhas.

CD – Tulha

Tulha utilizada para armazenar o café cereja.Tulha. Fonte: Vinicius Moribe

  • Na tulha, os grãos devem ser cobertos com palha de café ou pano para evitar contaminações e umidade;
  • Não se deve colocar o café quente sobre o café frio na tulha.
  • O café deve ser colocado seco na tulha de armazenamento e em temperatura ambiente.
  • O café deve ser descansado por 20 dias a 1 mês antes de ser provado definitivamente. Os cafés especiais devem ser descansados antes de se saber a real qualidade desse café.
  • Esse descanso melhora a qualidade.

Pronto para aumentar a qualidade do seu café?

A cafeicultura é oscilante, mas nos últimos tempos, as safras têm ganhado cada vez mais destaque e valorização. Aquele que se prepara, produz mais, lucra mais e já consegue planejar os próximos passos para que a próxima safra seja ainda mais produtiva.

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Larissa Cocato

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Preço da saca do café: veja como aumentar https://blog.rehagro.com.br/como-aumentar-o-valor-da-saca-de-cafe/ https://blog.rehagro.com.br/como-aumentar-o-valor-da-saca-de-cafe/#respond Mon, 12 Jul 2021 13:56:47 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9410 Para aumentar a qualidade do café e o produtor lucrar ainda mais, é preciso construir pontos estratégicos e assim conseguir maior valorização da saca. Devido ao expressivo aumento dos custos de produção, é ainda mais importante saber dessa gestão. Uma das formas mais certeiras para conseguir agregar mais valor à saca de café, é a […]

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Para aumentar a qualidade do café e o produtor lucrar ainda mais, é preciso construir pontos estratégicos e assim conseguir maior valorização da saca. Devido ao expressivo aumento dos custos de produção, é ainda mais importante saber dessa gestão.

Uma das formas mais certeiras para conseguir agregar mais valor à saca de café, é a busca pela produção de cafés especiais.

Sacas de café guardadas em galpão.

Sacos de café em galpão

 

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Cafés especiais

Um café especial é definido de acordo com a SCA (Specialty Coffee Association) como todo café que atinge, no mínimo, 80 pontos na escala de pontuação na metodologia, que vai até 100.

Essa escala leva em consideração mais de 10 fatores e a classificação é feita de modo sensorial e experimental. São eles: 

  • Fragrância/Aroma;
  • Uniformidade (cada xícara representa estatisticamente 20% do lote avaliado);
  • Ausência de defeitos;
  • Doçura;
  • Sabor;
  • Acidez;
  • Corpo;
  • Finalização;
  • Harmonia;
  • Conceito final (impressão geral sobre o café, atribuída pelo classificador).

Várias amostras de café em uma bancada passando pela classificação sensorial.

Classificação sensorial. Fonte: Vinicius Moribe

Webinar Análises financeiras e econômicas na cafeicultura

Estratégia de negócio do café especial

O consumo de café tem crescido a cada dia, e somado a isso, a busca por cafés de qualidade também apresenta um aumento crescente.

De acordo com dados da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café), o consumo brasileiro em 2020 foi de 21,2 milhões de sacas, seguindo um ritmo de crescimento de 1,34% em relação ao mesmo período de 2019. O consumo em habitante ano está em 4,81 kg de café torrado (ABIC).

Apesar do consumo de café tradicional ainda dominar os lares, o mercado brasileiro de cafés premium tem crescido de forma acelerada, inclusive na pandemia. 

Xícara transparente com café em cima de uma mesa.

Mudança no hábito de consumo de cafés. Fonte: Larissa Cocato

Novas estratégias

Além da produção de cafés de qualidade, que hoje tem apresentado grande procura e agregado valor ao preço de venda no nosso produto, a segmentação também pode ser uma ótima estratégia.

É possível notar essa valorização, por exemplo, com: 

  • Cafés certificados; 
  • Cafés fermentados; 
  • Cafés produzidos por mulheres, etc.

Aumente a qualidade do café com uma boa pós-colheita

Portanto, buscar o aumento da qualidade do nosso café é uma ferramenta indispensável para quem busca aumentar o preço de venda da saca de café. 

Isso é possível por meio de um manejo de pós-colheita adequado, envolvendo cuidados e higiene em todo processo, regulagens adequadas no processamento e boas condições de armazenamento.

Diante disso, a secagem do café, que é uma das etapas do manejo da pós-colheita, também apresenta grande influência na qualidade do café.

Tenha safras ainda mais lucrativas!

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Pós-colheita do café: o especialista responde https://blog.rehagro.com.br/pos-colheita-do-cafe-o-especialista-responde/ https://blog.rehagro.com.br/pos-colheita-do-cafe-o-especialista-responde/#respond Mon, 31 May 2021 17:21:32 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9342 Para ter café de qualidade, os processos de pós-colheita são muito importantes. Leandro Paiva, Q-grader, e professor na IFSULDEMINAS, falou neste Webinar sobre alguns pontos críticos na pós-colheita do café. Ao final, o especialista respondeu as perguntas dos participantes. Assista ao conteúdo na íntegra e tire suas dúvidas sobre o assunto! Aperte o play no […]

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Para ter café de qualidade, os processos de pós-colheita são muito importantes. Leandro Paiva, Q-grader, e professor na IFSULDEMINAS, falou neste Webinar sobre alguns pontos críticos na pós-colheita do café. Ao final, o especialista respondeu as perguntas dos participantes.

Assista ao conteúdo na íntegra e tire suas dúvidas sobre o assunto! Aperte o play no vídeo abaixo.

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Colheita do café: a importância de um bom planejamento https://blog.rehagro.com.br/colheita-do-cafe-a-importancia-de-um-bom-planejamento/ https://blog.rehagro.com.br/colheita-do-cafe-a-importancia-de-um-bom-planejamento/#respond Tue, 13 Apr 2021 17:43:40 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9113 A colheita do café é uma das operações mais importantes na lavoura cafeeira, sendo influenciada por diversos fatores como a altitude, latitude e clima, que influenciam diretamente o crescimento, a floração e a maturação dos frutos (PIMENTA, 2003). Também, as cultivares apresentam grande influência na época de maturação dos frutos, visto que, temos cultivares precoces, […]

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A colheita do café é uma das operações mais importantes na lavoura cafeeira, sendo influenciada por diversos fatores como a altitude, latitude e clima, que influenciam diretamente o crescimento, a floração e a maturação dos frutos (PIMENTA, 2003). Também, as cultivares apresentam grande influência na época de maturação dos frutos, visto que, temos cultivares precoces, médias e tardias.

Por isso, diante desses fatores é importante o produtor e o técnico responsável observar a época de maturação dos frutos de sua região para fazer um bom planejamento de sua colheita e evitar atrasos que possam comprometer a safra subsequente.

Lavoura de café do cultivar Catuaí.

Lavoura do cultivar Catuaí 62 (Foto: Luiz Paulo Vilela).

 

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Qual a importância de um bom planejamento de colheita?

A colheita do café é uma das operações que mais impacta no custo de produção, logo a escolha do método de colheita para cada lavoura é essencial para uma boa relação custo-benefício para o produtor. Ou seja, para definir a melhor estratégia de colheita que se encaixa em seu sistema de produção é importante saber a produtividade esperada de cada lavoura, a disponibilidade de máquina, mão de obra, número de dias que serão gastos para sua realização e a capacidade que os terreiros ou secadores mecânicos suportam.

 Vista aérea de um terreiro de café com café cereja descascado.

Terreiro de café com café cereja descascado. (Foto: Paulo Henrique).

Sistemas de colheita do café

A colheita pode ser realizada de forma manual, semimecanizada e mecanizada, variando de acordo com a escala de produção, nível tecnológico, mão de obra e com o objetivo de cada fazenda. 

Colheita Manual

O sistema de colheita manual é muito utilizado, e nele as operações da colheita são realizadas a partir do trabalho braçal. Quando falamos nesse tipo de colheita, geralmente lembramos dos produtores de regiões montanhosas, essa forma de colheita é um método muito utilizado por eles, e sabendo do impacto que o custo com mão de obra representa na colheita do café, é importante que esses produtores invistam na cultura, principalmente no aumento da produtividade e na qualidade da bebida.

Por isso é recomendado que a colheita ocorra no momento de maior uniformidade de maturação, com o mínimo possível de grãos verdes, pois o café colhido verde perde na qualidade e no rendimento acarretando prejuízo ao produtor na época da comercialização.

Colheita Semimecanizada

No sistema de colheita semimecanizada são utilizadas derriçadoras portáteis, manejadas manualmente que provocam a vibração e queda dos frutos. É uma forma onde o rendimento é maior em relação à colheita manual. 

Webinar Pontos importantes no planejamento da colheita

Colheita mecanizada

O sistema de colheita mecanizado é muito utilizado em terrenos onde não há limitações com declividade. Isso permite um rendimento operacional maior e consequentemente reduzindo os custos de colheita. Para uma colheita mecanizada bem feita, é importante regular a velocidade da operação, vibração das hastes, tensão dos freios dos cilindros e verificar o número de passadas necessárias na lavoura.

Visão aérea de uma colheita sendo feita de forma mecanizada.

Colheita mecanizada. (Foto: Paulo Henrique).

O impacto do atraso da colheita na safra subsequente

A colheita seja ela mecanizada ou manual, pode ser considerada um fator de estresse à planta, a partir disso a colheita antecipada pode ajudar na recuperação da lavoura no período pós-colheita, levando a lavoura a maior produção de ramos plagiotrópicos para a safra subsequente.

De acordo com o trabalho de Bordin et al. (2019), que teve como objetivo quantificar as estruturas reprodutivas do cafeeiro após submetê-lo a diferentes épocas de colheita, os autores observaram que: realizando a colheita mais precoce a planta tem maior tempo para se recuperar do estresse causado pela colheita e pelo forte dreno advindo dos frutos. Além disso, o atraso na colheita também compromete o manejo de lavoura em que se vai realizar a poda e os tratos culturais.

Tabela com a média das estruturas reprodutivas e quantificadas em cada parcela experimental: colheita precoce, colheita ideal e colheita tardia.

Média das estruturas reprodutivas* quantificadas em cada parcela experimental: colheita precoce, colheita ideal e colheita tardia.

Por isso, um bom planejamento de colheita visando colher a planta antes, torna-se imprescindível para um bom crescimento e produção da safra seguinte.

Além disso, a colheita antecipada das lavouras é uma estratégia importante também em lavouras que serão podadas. Isso porque as plantas podadas mais cedo, têm mais tempo para seu crescimento vegetativo. Neste caso, pode-se optar até mesmo pela utilização de aceleradores de maturação, a fim de liberar essa planta o quanto antes. 

Tenha safras mais lucrativas!

A colheita do café deve ser vista como o início de um novo ciclo. Por isso, é importante planejar a colheita para não comprometer a safra subsequente e, assim, obter bons resultados.

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Larissa Cocato

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Fermentação do café: saiba como funciona essa técnica https://blog.rehagro.com.br/fermentacao-de-cafes/ https://blog.rehagro.com.br/fermentacao-de-cafes/#comments Mon, 01 Mar 2021 17:41:00 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8876 A cada dia tem aumentado a procura por cafés especiais e, consequentemente, a busca de cafeicultores pela produção desse tipo de café, a fim de agregar mais valor ao café, e dessa forma, obter melhores preços de venda do produto. Aliado a isso, também tem crescido a procura e interesse por cafés fermentados, visando a […]

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A cada dia tem aumentado a procura por cafés especiais e, consequentemente, a busca de cafeicultores pela produção desse tipo de café, a fim de agregar mais valor ao café, e dessa forma, obter melhores preços de venda do produto.

Aliado a isso, também tem crescido a procura e interesse por cafés fermentados, visando a mesma estratégia, de agregar mais valor ao produto, somado ao diferencial de ampliar o mercado e de ter uma maior diversidade dentro da fazenda, contribuindo assim, para melhorar a lucratividade do produtor.

 

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A fermentação do café

A fermentação já é um processo conhecido, que ocorre por exemplo em pães, cervejas, vinhos, queijos, dentre outros. No entanto, no café, a fermentação sempre esteve mais associada a processos degradativos que aconteciam nos frutos, tanto na planta, quanto na pós-colheita.

Essa fermentação ruim, acontecia devido a ação de microrganismos saprófitas, que degradavam os frutos de café, consumindo as partes que têm açúcar e água no fruto, prejudicando assim as sementes do café.

Como resultado dessa fermentação, tínhamos principalmente, frutos ardidos, com sabores amargos e ásperos ao paladar, e também prejuízos à classificação física, uma vez que frutos ardidos são considerados defeitos na classificação.

Entretanto, atualmente, a fermentação trazida para a pós-colheita, é caracterizada pela condução e controle do processo fermentativo, onde é feito com microrganismos específicos que promovem um meio adequado as mudanças dentro da semente, mudanças essas que são para trazer melhor qualidade e novas nuances para a bebida. Sendo ela, totalmente o contrário daquela fermentação ruim, que não é controlada, trazendo complicações para a bebida.

O que seria um café fermentado?

A fermentação do café consiste na degradação natural da polpa e da mucilagem do fruto realizada por microrganismos. Como resultado desta degradação, são produzidos compostos que podem interferir no sabor e aroma da bebida final.

Como fermentar o café?

Em condições adequadas, a mucilagem que está presente nos frutos de café, é atacada por fungos e leveduras e são produzidas enzimas e ácidos orgânicos, estes vão quebrar os carboidratos, proteínas e polifenóis. Através da quebra desses compostos, são formados compostos menores, metabolizados, que vão ser precursores de aroma e sabor para o café.

Nesse sentido, essa fermentação boa vem com o intuito de agregar qualidade ao café, mas pensando dessa forma, então seria recomendado fermentar todos os cafés produzidos na fazenda? A fim de buscar melhora na sua bebida?

Para saber sobre isso, devemos responder a seguinte pergunta:

Qualquer café pode ser fermentado e se tornar um café especial?

Não, realizar a fermentação de qualquer café não vai fazer ele se tornar um café especial

Para isso, o café deve ter uma base de qualidade, para se conseguir agregar características que são bastante interessantes nesse processo fermentativo. Por isso, o acréscimo desses aromas e sabores diferenciados só ficam interessantes se eles tiverem uma base.

Portanto, deve-se monitorar os cafés no campo, para monitorar a qualidade desses talhões, a fim de tomar a decisão dos cafés a serem fermentados.

E pensando em cafés naturais e descascados, ambos podem ser fermentados?

Sim, apesar de haver diferenças nas quantidades de polpa em cada um deles, tanto os cafés naturais, quanto os cafés descascados podem ser fermentados.

Não somente devemos tomar a decisão de quais cafés serão fermentados na propriedade, mas também a decisão de qual o tipo de fermentação que vamos realizar nesses cafés.

Isso porque, existe mais de um tipo de fermentação, cada uma delas com sua particularidade e característica específica.

Tipos de fermentação do café

  • Fermentação aberta;
  • Fermentação submergida;
  • Maceração carbônica;
  • Maceração semi–carbônica;
  • Dupla fermentação.

Fermentação aberta

É caracterizada por fermentar o café em um sistema aberto, com a presença de oxigênio.

Fermentação submergida

É caracterizada por fermentar o café em um sistema submergido em água limpa e, dessa forma, sem a presença de oxigênio.

Maceração carbônica

É caracterizado por injetar CO2 no processo, dessa forma, é uma fermentação estritamente anaeróbia, sem oxigênio.

Maceração semi-carbônica

É semelhante à maceração carbônica, no entanto, sem a injeção de CO2. Dessa forma, existe uma pequena quantidade de oxigênio presente no início do processo, e à medida que a fermentação produz CO2, vai tornando o processo estritamente anaeróbico, ou seja, sem oxigênio.

Dupla fermentação

É caracterizada pelo emprego de dois métodos de fermentação, independente de qual é o método.

Apesar de termos mais de um tipo de fermentação, cada uma com sua particularidade, todas necessitam de acompanhamento e controle das fermentações.

Fatores que afetam na fermentação

A fermentação pode ser influenciada por vários fatores, dentre eles:

  • Quantidade, qualidade e o tipo de inóculo;
  • Substrato (polpa do café e sua composição);
  • Temperatura do processo;
  • Qualidade da água e higiene do local;
  • pH;
  • Tempo.

Portanto, o tipo do microrganismo assim como a sua quantidade pode afetar e mudar todo o processo. Assim como, a polpa do café, em que, cada uma traz uma qualidade diferente, e podem ter diferenças também em relação à quantidade/qualidade da polpa nas diferentes cultivares.

A temperatura é um fator fácil de ser levantado, por meio de termômetros, e também muito importante para verificar se o processo de fermentação está acontecendo ou não, e se a gente já pode finalizar a fermentação.

O pH mede a acidificação do meio, por meio de pHmetros, e é importante para verificar se o processo está declinando, uma vez que a acidificação do meio, vem pela atividade desses microorganismos, acarretando em um ambiente acido ali.

Também, fatores como a qualidade da água, nos processos que possuem água influenciam na fermentação, e além disso, o local onde está sendo feito a fermentação deve ser bem limpo e higienizado a fim de evitar possíveis contaminações. Dessa forma, tornando-se imprescindível o controle dessas condições externas.

O tempo da fermentação também é fator fundamental a ser controlado. Isso porque a variação do tempo, pode acarretar em variações na qualidade e nas propriedades sensoriais do café.

Portanto, percebe-se que vários são os fatores que influenciam na fermentação do café. Por isso, devem ser anotados/acompanhados todas as condições do processo, para entender o que está acontecendo ali, e com isso, conseguir finalizar e repetir o processo.

Finalizando o processo de fermentação

Após o processo de fermentação, independente de qual deles foi utilizado, todo o café deve ser lavado para retirada dos resíduos do processo de fermentação e interromper a mesma, para assim passar para o processo de secagem.

E aí, pronto para começar?

Agregar mais valor ao seu produto é o segredo para alcançar maior vantagem competitiva no mercado e um maior retorno para o seu bolso.

Aqui no Rehagro, além de Consultora Técnica, sou coordenadora de um curso, que é o Curso Online Gestão na Produção de Café

Nele, temos uma disciplina completa que fala sobre a Fermentação de Cafés e várias outras que falam sobre como podemos melhorar a qualidade dos grãos, o que aumenta o valor da saca no momento da comercialização e, consequentemente, a lucratividade.  E ele vai muito além disso.

É um curso feito para quem tem o pé no cafezal e quer encontrar, em um só lugar, toda a informação que precisa sobre todo o processo produtivo do café, passo a passo, e a gestão da fazenda.

Você sairá preparado para ter a palavra final e conduzir suas equipes e lavouras rumo à produtividade máxima. E então, caberá a você aplicar o que aprendeu para construir um negócio de sucesso.

Curso Gestão na Produção de Café

Larissa Cocato

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Pós-colheita: um checklist para qualidade https://blog.rehagro.com.br/pos-colheita-um-checklist-para-qualidade/ https://blog.rehagro.com.br/pos-colheita-um-checklist-para-qualidade/#respond Mon, 18 May 2020 17:00:33 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7415 Em abril de 2020, fizemos a transmissão de um Webinar sobre pós-colheita: um checklist para qualidade. O palestrante foi Leandro Paiva, Coordenador do Pólo Agroindustrial do Café e Professor do IFSULDEMINAS Machado. O tema ainda é extremamente relevante no ramo e diversos profissionais buscam aumentar seus conhecimentos sobre o assunto. Se você é um deles, […]

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Pós-colheita

Em abril de 2020, fizemos a transmissão de um Webinar sobre pós-colheita: um checklist para qualidade. O palestrante foi Leandro Paiva, Coordenador do Pólo Agroindustrial do Café e Professor do IFSULDEMINAS Machado.

O tema ainda é extremamente relevante no ramo e diversos profissionais buscam aumentar seus conhecimentos sobre o assunto.

Se você é um deles, não perca a chance de assistir ao nosso debate de ideias! Trata-se de uma palestra gratuita feita por nós, Grupo Rehagro, em parceria com o 3RLab.

Se tiver dúvidas ou ressalvas, deixe seu comentário registrado. Nossa equipe técnica irá respondê-lo.

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