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Em 2020, fizemos mais uma edição do Webinar Corte sobre o aumentando a lucratividade de um projeto de gado de corte usando o orçamento. Esta palestra gratuita foi feita por nós, Grupo Rehagro, em parceria com o 3RLab.

Escolhemos um especialista de alto nível para debater sobre o assunto: Guilherme Lamego, Consultor Sênior da Equipe Corte do Rehagro.

Aumentando a lucratividade de um projeto de gado de corte

Se você ainda não assistiu o segundo Agroask da série, clique no link abaixo:

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Projeto pecuário de sucesso em fazenda de gado de corte: como realizar? https://blog.rehagro.com.br/um-projeto-pecuario-de-sucesso-se-inicia-pelo-diagnostico/ https://blog.rehagro.com.br/um-projeto-pecuario-de-sucesso-se-inicia-pelo-diagnostico/#comments Fri, 21 Aug 2020 14:00:59 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8058 Saiba como realizar um projeto pecuário bem sucedido através de um diagnóstico bem executado.  Em um projeto pecuário, buscamos sempre a maior produtividade possível e um aumento na rentabilidade do negócio. Mas hoje, encontramos no setor diversos desafios, como a concorrência com outros setores produtivos, a diminuição da margem de lucratividade e a presença de […]

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Saiba como realizar um projeto pecuário bem sucedido através de um diagnóstico bem executado. 

Em um projeto pecuário, buscamos sempre a maior produtividade possível e um aumento na rentabilidade do negócio. Mas hoje, encontramos no setor diversos desafios, como a concorrência com outros setores produtivos, a diminuição da margem de lucratividade e a presença de novos agentes investidores.

Esses pontos tornam a profissionalização da cadeia produtiva da carne mais importante do que nunca e reforçam a necessidade da implementação de projetos estruturados e muito bem definidos.

A definição de um projeto pecuário envolve uma série de fatores, cuja variação ocorre pela peculiaridade de cada propriedade. Fazendas com distintas características internas e externas demandam, por consequência, projetos específicos àquelas peculiaridades.

 

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Portanto, dois pontos são, ou deveriam ser, comuns a todo e qualquer projeto pecuário:

  1. Estabelecer um objetivo a ser alcançado, traçando metas e estratégias gradativas que irão construir o caminho até o objetivo do produtor.
  2. Conhecer o atual status da fazenda, pois somente conhecendo criteriosamente os fatores favoráveis e desfavoráveis daquela propriedade será possível determinar quais e quando as ações de melhoria devem ser implantadas.

Denomina-se “diagnóstico” o levantamento do momento atual da propriedade. Podemos compará-lo a uma fotografia, já que ao final do processo de diagnóstico, obtemos um “retrato” de como está a propriedade naquele determinado momento, sendo possível, a partir daí, construir planos estratégicos para alcançar a eficiência e a melhoria de todo o processo produtivo.

Como citado anteriormente, o objetivo dos projetos pecuários, podem variar de acordo com diversas características que são específicas de cada propriedade, entretanto, para o diagnóstico, podemos estabelecer uma série de itens a serem avaliados, que são comuns na maioria das fazendas.

Importante ressalva, está ligada ao processo de diagnóstico, todos e quaisquer dados levantados devem ser registrados de maneira que qualquer pessoa entenda e tenha a capacidade de leitura e interpretação daquela informação. Desde um profundo conhecedor daquela propriedade a alguém que nunca foi na fazenda.

Passo a passo de um diagnóstico

Área

O levantamento da área real da propriedade permite dentre outros aspectos o dimensionamento inicial do projeto pecuário. Com esse dado é possível entender, inclusive, qual a dimensão do projeto a ser estabelecido perante a região da propriedade. Um ponto importante também sobre o levantamento da área real da propriedade está ligado às adequações legais, georreferenciamento, reserva legal, dentre outras.

Área de pastagem com bovinosÁrea de pastagem com bovinos de uma fazenda cliente do Rehagro Consultoria. Fonte: Acervo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.

Tipo de exploração

No tipo de exploração deve ser levantado, basicamente, qual a fase do sistema de produção de gado de corte aquela fazenda realiza: cria, recria, engorda, ciclo completo ou alguma variação entre essas, por exemplo uma propriedade que trabalha com recria e engorda, produção de touros, etc.

O levantamento correto dessa informação é importante para definir o projeto pecuário, seja pela alteração do tipo de exploração ou permanência na mesma, sendo muito comum muitas propriedades confundirem esses tipos de exploração e perderem o foco de atuação no sistema.

Vale ressaltar que oportunidades de mercado momentâneas não devem ser usadas como a base de um projeto a médio e longo prazo, uma vez que este deve ter uma estrutura consolidada.

Sistema de criação

O sistema de criação apresenta como é realizada o tipo de exploração, qual o nível de intensificação realizado naquela fazenda no momento do diagnóstico. Se é uma fazenda extensiva, semi-intensiva ou intensiva.

Essa definição parece um pouco subjetiva, alguns pontos de avaliação e indicadores são importantes então para se definir o sistema de criação, tais como, a produtividade da fazenda @/ha/ano, se utilizam ou não de adubação das pastagens, se há algum sistema de engorda, como confinamento, kg de bezerro desmamado, dentre outras opção de serem avaliadas.

Pastagem irrigadaProdução de bovinos de corte em pastagem irrigada. Fonte: Arquivo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.

Objetivos do proprietário

Conhecer o objetivo do proprietário é fundamental para o sucesso do projeto pecuário e esse levantamento deve ser, impreterivelmente, realizado durante o diagnóstico, pois pode-se nesse momento detectar melhor quais as características fundamentais que a propriedade possui para alcançar esse objetivo.

É comum que o proprietário ou os proprietários tenham dificuldade em definir o objetivo com aquela propriedade, para isso, algumas perguntas podem ser feitas para obter uma visão amplificada dos anseios e desejos do proprietário.

  • Quantas cabeças gostaria de ter?
  • Qual a rentabilidade esperada?
  • Em quantos anos espera o retorno do capital investido?
  • O que gostaria de produzir (Genética, gado comercial, bezerro, boi gordo, etc)?
  • A fazenda é sua única fonte de renda?

Essas perguntas podem auxiliar o proprietário na definição do objetivo. Importante ressalva deve ser feita, alguns objetivos podem se chocar com alguma impossibilidade observada durante o diagnóstico, e assim o objetivo pode ser redefinido, antes do início do projeto.

Nesse momento de conversa com o proprietário deve-se estar atento ao perfil comportamental, e até mesmo ao perfil investidor (arrojado, conservador, intermediário). Essa informação auxilia no potencial de risco que o projeto deve ou não contemplar.

Cenário econômico regional

Conhecer criteriosamente a região onde a propriedade está inserida é fundamental. Nesse item devem ser levantados dados como características das propriedades vizinhas, se são criadores, invernistas, se tem muito confinamento na região, etc. Essas informações ajudam a definir o projeto e qual “produto” principal será produzido na fazenda.

Avaliar se a região detém acesso a insumos importantes para a produção, como grãos, distribuição de medicamentos, ração ,deve ser avaliado. Quantos ou se há algum frigorífico no entorno da propriedade, é uma informação indispensável para definir um sistema de engorda, pois sem que haja qualquer indústria frigorífica minimamente próxima, pode tornar inviável a implantação do projeto.

Observar qual a cidade mais próxima, se existe disponibilidade de mão de obra e ou serviços básicos como hospitais, casa agropecuárias e outros. Nesse cenário devemos levantar, também, quais são os possíveis parceiros comerciais, clientes e fornecedores.

Durante esse levantamento deve-se avaliar também a estrutura logística da propriedade, qual a capacidade de escoamento da produção, se a malha rodoviária regional permite acesso de carretas, tanto para compra de insumos, quanto para a venda de animais.

Características meteorológicas

O levantamento de dados climáticos, é fundamental em qualquer projeto. Analisar o histórico de precipitações anual e mensal, temperatura média, mínima e máxima, permitem a implantação do planejamento forrageiro, definição da estação de monta, época de confinar, época de plantio, entre outros exemplos, da propriedade.

Além dessas definições, outro ponto importante quanto às precipitações está ligado ao planejamento nutricional, pois um programa de suplementação, está diretamente ligado à qualidade da forrageira, só é possível determinar o suplemento mais adequado quando dominamos com exatidão, qual será o status da forrageira naquela determinada época do ano.

Dados meteorológicosExemplo de levantamento meteorológico dos últimos 30 anos de determinada região. Fonte de dados do INMET.

Rebanho

A avaliação do rebanho, em números e condições, é outra avaliação a ser feita durante o diagnóstico.

Além da quantidade absoluta de animais presentes na propriedade no momento do diagnóstico, deve-se caracterizar esse rebanho.

  • Quantidade de animal por categoria (exemplo: novilhas de 12 – 24 meses, bezerros machos, matrizes, etc)
  • Padrão racial, qual ou quais as raças predominantes no rebanho. Em caso de sistemas de cria, qual o padrão das matrizes e dos touros/sêmen utilizado.
  • Peso por categoria, qual a média de peso dos animais em cada categoria. Se a propriedade ainda não adota pesagens constantes, pode-se fazer uma avaliação visual. Entretanto, vale atentar-se para a importância da pesagem.

Com levantamento desse quesito é possível calcular um indicador de grande importância, a quantidade de unidade animal (UA; 1 UA = 450 kg de PV) presente na fazenda.

  • Status nutricional pela avaliação realizada de escore de condição corporal média para cada uma das categorias avaliadas.

Avaliação status nutricional do gado Avaliação do status nutricional dos animais. Fonte: Arquivo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.

  • Status Sanitário do rebanho e quais as práticas e calendário sanitário que a fazenda adota.

Pastos

O diagnóstico dos pastos é, provavelmente, a parte de maior importância para a continuação do projeto pecuário, após a avaliação das pastagens e suas estruturas é possível determinar a atual capacidade produtiva para sistemas de produção a pasto.

O levantamento dessas informações permite a definição dos investimentos em reforma, recuperação e manutenção das pastagens.

O processo de avaliação deve ser minucioso, e realizado de preferência pela mesma pessoa em toda a área da propriedade, pois a maioria dos itens são avaliados de maneira visual. Alguns indicadores como o GMD (ganho de peso médio diário) dos animais permite uma inferência quanto a qualidade das pastagens onde os animais se encontram, entretanto, a avaliação de pasto por pasto deve ser feita.

O ideal é que a avaliação seja feita montada, o responsável deverá percorrer todos os pastos da propriedade avaliando e fazendo anotações. Hoje já podemos contar com tecnologias como drones para uma avaliação da área e captura de imagens, o que enriquece a acurácia das informações.

Os principais itens avaliados são:

Identificação dos pastos e levantamento da área

A identificação dos pastos deve ser realizada com a ajuda de um colaborador que conheça as divisões. Pode ser feita, preferencialmente, enumerando os pastos ou pelo nome comum utilizado na propriedade, desde que todos saibam qual é o pasto indicado.

Essa identificação assim como o levantamento do tamanho do piquete é importante para a realização dos futuros manejos, cálculos de capacidade suporte e de custos referentes à reforma/manutenção daquela área.

Espécie forrageira predominante

Aqui basicamente é apontado qual ou quais são as espécies forrageiras predominantes naquele pasto em específico.

Pastagem de braquiarãoPasto com presença predominante do braquiarão. Fonte: Arquivo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.

Área empastada

O levantamento da área empastada mostra qual o percentual da área daquele determinado pasto que está realmente encoberto da espécie forrageira ali presente.

Existem alternativas tecnológicas interessantes que auxiliam nesse levantamento como citado acima, os drones, por exemplo. Entretanto, é recomendado que o responsável faça esse apontamento a cavalo, e para isso ele deve percorrer toda a área de cada pasto, reforçando então a necessidade de ser o mesmo colaborador a fazer o levantamento de toda a área, por se tratar de uma avaliação subjetiva, devendo ser o mesmo critério adotado para toda a propriedade.

Área empastadaExemplo de área efetivamente empastada circulada em vermelho. Fonte: Arquivo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.

Área degradada

Assim como o levantamento da área empastada, a avaliação da área degradada deve ser feita de maneira visual e criteriosa. A princípio é feito o levantamento percentual da área degradada em relação a área total do pasto, e posteriormente calculado valor em hectares da área degradada.

Nível de degradação

Para caracterizar a área degradada, levantada no item anterior, é importante que caracterize a degradação, o que é degradação e quais são os níveis de degradação. Existem diferentes maneiras de se caracterizar a degradação, o mais comum é o estabelecimento de “notas” para essa degradação, criar uma nota de 0 a 4 por exemplo, para cada nível de degradação.

Classificação de níveis de degradação de pastagensClassificação de níveis de degradação das pastagens. Fonte: Adaptado de Adilson Aguiar.

Área infestada

Apesar de estar presente nos níveis de degradação, o levantamento da área infestada por plantas daninhas é importante para a realização do planejamento de recuperação das áreas, quantidade de herbicida necessário, e qual herbicida a ser utilizado.

Além da área, deve-se avaliar também qual a principal espécie invasora.

Área de reforma

O levantamento da área de reforma pode variar de acordo com os critérios adotados pelo técnico responsável, em suma, utiliza-se a subtração da área total do pasto pela área degradada ou área não empastada.

O critério é relativo, pode-se determinar, por exemplo, que será reformada todos os pastos em que menos de 50% da área esteja empastado, ou aqueles pastos em que a mais de 50% da área esteja com níveis iguais ou superiores a 2 na classificação do nível de degradação. A experiência do técnico que está fazendo o diagnóstico que irá direcionar os critérios de reforma.

Área de recuperação

Assim como a área de reforma, é importante a determinação de um critério para área de recuperação, por exemplo, pastos com mais de 30% da área infestada ou com 30 a 50% da área degradada devem ser recuperados.

Cercas

Ao percorrer os pastos, aproveita-se para avaliar a qualidade e o estado de conservação das cercas de cada pasto. Pode-se estabelecer notas de classificação, por exemplo, de 0 a 3, onde 0 não tem cerca, 1 cerca em péssimo estado de conservação, 2 cerca razoável e 3 cerca em perfeito estado de conservação.

Aguada

O diagnóstico das aguadas também acompanha o levantamento das características dos pastos. Pode-se definir níveis ou notas para o status das aguadas, com notas máximas à bebedouros artificiais limpos e em perfeito estado de conservação até notas mínimas que representam aguada natural, sujas, com indícios de erosão, impróprias para o consumo dos animais.

É sempre válido nesse momento coletar amostras para análises laboratoriais da qualidade de água, uma vez que esta está diretamente relacionada ao desempenho dos animais e possíveis problemas sanitários.

Bebedouro para gadoConstrução de bebedouro artificial. Fonte: Arquivo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.

Cochos

A avaliação dos cochos deve levar em conta dois aspectos importantes: a quantidade de cocho e dimensões do cocho, quantos metros de cocho cada piquete tem e também qual a qualidade e o estado de conservação desses cochos.

Assim como utilizamos para aguada, podemos estabelecer critérios de nota para o estado de conservação dos cochos, onde posteriormente será possível definir a melhor ação referente a cada cocho para cada um dos pastos da propriedade. Esses dados devem ser correlacionados com a quantidade de animais naquele pasto para se avaliar o espaçamento de cocho.

Esse levantamento também será importante para a definição do programa de suplementação. Há cocho suficiente para uma suplementação de médio a alto consumo?

Inspeção de cochosMedição de espaçamento de cocho feita pelo técnico Hugo Pereira. Fonte: Arquivo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.

Nutrição

Plano nutricional

É importante, que durante o diagnóstico seja levantado qual o programa nutricional é atualmente adotado em cada categoria animal da propriedade nas diferentes épocas do ano, e se a estratégia condiz com o estado de condição corporal avaliado no levantamento do rebanho.

Suplemento utilizado

Quando avaliamos o plano nutricional, um ponto de atenção que deve ser levantado se refere às características nutricionais dos insumos utilizados e as condições de armazenamento na propriedade.

Suplementação para bovinosSuplementação de alto consumo de animais criados a pasto. Fonte: arquivo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.

Calendário sanitário

Além da avaliação visual realizada durante o diagnóstico do rebanho, é importante que se faça uma pesquisa do calendário sanitário realizado na fazenda, quais são e quando são aplicadas as vacinas e os vermífugos durante o ano e em quais categorias animais, incluindo as campanhas de vacinação.

Infraestrutura, benfeitorias e maquinário

Além de definir uma série de importantes investimentos a serem realizados no projeto pecuário, o levantamento das benfeitorias e dos maquinários é extremamente importante quando pensamos em capacidade produtiva daquela propriedade.

Esta informação será também utilizada para averiguar se as benfeitorias são suficientes para armazenar os insumos necessários no processo produtivo ou então, até mesmo, se o refeitório atende as exigências mínimas para os colaboradores.

Quanto ao maquinário, deve-se levantar: quais os maquinários? Quantos tratores e qual o ano desses tratores? Todos esses itens devem ser descritos quanto ao estado de conservação, modelo, marca e ano. Além de avaliar possíveis investimentos e planos de manutenção, com esse levantamento é possível calcular a depreciação que será levado em consideração para as análises econômicas da propriedade.

Mão de obra

A avaliação da mão de obra vai um pouco além da quantificação de colaboradores que trabalham atualmente na propriedade. Deve ser levantado qual o cargo e a função de cada colaborador, bem como a remuneração desses colaboradores.

Entender o quadro de funcionários, as funções e a hierarquia na propriedade pode definir importantes ações durante o projeto pecuário. Por isso, é recomendado a elaboração do organograma atual da fazenda.

Dados financeiros e indicadores

Por último, e não menos importante, é o levantamento dos indicadores produtivos e econômicos da fazenda. Embora, muitas fazendas não possuam esses dados estruturados ou não fazem coletas dessas informações, é fundamental investigar o quanto a fazenda está produzindo e qual sua eficiência de produção, independente do sistema. Para isso, há indicadores chaves para cada sistema de produção que devemos estar atentos.

Os dados financeiros seguem as mesmas premissas dos indicadores. Quanto mais informações se obter na hora do diagnóstico melhor será o direcionamento e a qualidade do projeto.

Aproveite para conferir o nosso webinar gratuito sobre os indicadores de alto impacto na pecuária de corte e coloque em prática os ensinamentos para obter um projeto pecuário de sucesso. 

Webinar Indicadores de alto impacto na pecuária de corte

O sucesso de um projeto pecuário

A realização do diagnóstico deve ser realizada de forma criteriosa para assegurar a veracidade da condição atual da fazenda. 

O sucesso de um projeto pecuário depende da integração bem sucedida entre uma série de pilares: nutrição, sanidade, reprodução e uma boa gestão financeira e de equipes. Resultados financeiros satisfatórios só vêm quando todos esses aspectos caminham juntos e estão em dia.

Dica extra!

A pecuária de corte não para de evoluir e para que seja verdadeiramente lucrativa, nós, profissionais da área, devemos estar em constante atualização de nossas técnicas, ferramentas e estratégias.

Para isso, aqui no Rehagro, temos a Pós-Graduação em Produção de Gado de Corte. As aulas são online e o conteúdo tem aplicação prática. O objetivo final é tornar o profissional capaz de elevar a lucratividade do negócio, pelo domínio de todos os pilares responsáveis pelo sucesso do projeto: nutrição, reprodução, sanidade, melhoramento genético, gestão financeira e de equipes.

Caso você tenha interesse, você pode encontrar outras informações na nossa página:

Pós-Graduação em Produção de Gado de Corte

Cristiano Rossoni

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8 dicas para um projeto de sucesso na pecuária leiteira https://blog.rehagro.com.br/8-dicas-para-um-projeto-de-sucesso-na-pecuaria-leiteira/ https://blog.rehagro.com.br/8-dicas-para-um-projeto-de-sucesso-na-pecuaria-leiteira/#respond Thu, 14 Jun 2018 20:22:07 +0000 http://blog.rehagro.xyz/?p=4315 A primeira etapa obrigatória para a definição de um projeto de excelência é determinar o que você deseja fazer, ter um objetivo. Esse será o alvo de todo o trabalho. Na execução de um projeto de sucesso na pecuária leiteira, a definição do objetivo é como antes de iniciar uma viagem: precisamos definir o destino […]

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A primeira etapa obrigatória para a definição de um projeto de excelência é determinar o que você deseja fazer, ter um objetivo. Esse será o alvo de todo o trabalho.

Na execução de um projeto de sucesso na pecuária leiteira, a definição do objetivo é como antes de iniciar uma viagem: precisamos definir o destino para onde se está indo.

 

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1. Definição do objetivo

Todas as decisões a serem tomadas na elaboração de um projeto estarão sendo muito influenciadas pelo objetivo. Por isso deve-se dar atenção a uma clara definição do mesmo.

O objetivo de um projeto ou sistema de produção deve ser definido pelo(s) empresário(s). Somente o empresário ou a alta gestão de uma empresa pode definir o objetivo e toda empresa será um reflexo direto ou indireto do que pensa sua alta gestão.

É fundamental tomar alguns cuidados na definição do objetivo:

Defina um objetivo verdadeiro

É comum as pessoas dizerem que o objetivo de um negócio é ter o máximo retorno do capital investido, por saberem que essa é a proposta do mundo capitalista e que propostas diferentes seriam recriminadas ou até discriminadas.

Sempre que se define um objetivo, é importante que haja um aprofundamento nessa análise para se evitar uma definição superficial que não expresse os verdadeiros sentimentos do empresário.

Existem sistemas que não têm como objetivo central a máxima remuneração do capital, isso deve ser percebido e tratado com naturalidade.

Esses sistemas precisam ser tratados de acordo com o verdadeiro objetivo.

Qualidade de vida, adequação ao ideal de vida do empresário, nível de “stress” provocado pelo sistema, realização de um sonho pessoal, prazer e status podem ser fatores que alteram o objetivo de um sistema e devem ser considerados.

Se aprofunde no objetivo

A definição do objetivo deve ser feita de forma profunda, analisando a definição no contexto pessoal e profissional do empresário. Se o objetivo for o lucro, deve-se pensar qual é o objetivo daquele lucro.

  • Para onde a empresa e o empresário querem verdadeiramente ir?
  • O crescimento será indeterminado ou existe uma pretensão de crescer até determinado ponto e cuidar de outras prioridades?
  • Que nível de sacrifício se está disposto a fazer para atingir esse objetivo?
  • Esse projeto é o principal projeto de vida do empresário ou é só mais um projeto?
  • Quanto tempo o empresário pode esperar para atingir esse objetivo?
  • Qual a importância desse projeto na estabilidade futura desse empresário?

2. Perfil do empresário

Na definição do projeto é fundamental que se faça uma boa análise do perfil do empresário. Pondere as seguintes características:

Origem

O empresário tem origem relacionada com a atividade ou está interessado recentemente e não tem conhecimento amplo do negócio?

Gosto pessoal

As preferências pessoais do empresário devem ser conhecidas e levadas em consideração. Desde que isso não seja tecnicamente contra indicado deve-se tentar adequar o projeto às preferências pessoais do empresário.

Assim como a adequação de um funcionário a uma função relacionada com suas preferências pessoais é um fator de motivação, a adequação de um projeto às preferências do empresário deve motivá-lo.

Cuidado apenas para não abrir mão de definições técnicas importantes em função de preferências pessoais. Nesse caso, exercite a capacidade de argumentação e convença o empresário das razões para a melhor opção.

Disponibilidade de tempo e interesse em fazer a gestão do empreendimento

O empresário planeja fazer a gestão ou irá delegar para uma pessoa contratada? Se planejar fazer a gestão, qual é sua capacidade e experiência administrativa. Em uma gestão contratada o sistema pode substituir a pessoa e buscar o perfil ideal.

Quando o gestor é o próprio empresário, ele não pode ser substituído e por isso o sistema tem que investir em seu crescimento e estar compatível com suas limitações.

Capacidade de delegar responsabilidades

Especialmente nas situações em que a gestão será entregue a pessoas contratadas deve-se identificar a capacidade do empresário de fazê-lo com competência. Muitas vezes, a interferência errada do empresário que tem dificuldades de delegar poderes reais ao gestor complica o sistema.

A definição da estrutura administrativa é fundamental para uma boa definição do sistema. Um sistema deve ter complexidade compatível com a estrutura administrativa.

Capacidade de investimento

O dimensionamento e a velocidade de implementação de um sistema vão depender diretamente da capacidade de investimento do empresário.

Pretensão de lucro

Cada pessoa tem uma pretensão financeira diferente, em função do próprio horizonte que vislumbra. Isso é fundamental nos processos de contratação; não se deve contratar alguém que pretende ganhar R$ 5.000,00 por mês para ser ordenhador.

Da mesma forma, deve-se considerar a pretensão do empresário para a definição de um projeto. Um empresário acostumado a trabalhar com negócios milionários não deve ter uma fazenda com 40 vacas em lactação, pois não vai tratá-la como um negócio importante.

Por outro lado, um produtor rural que passou a vida gerenciando uma fazenda que cresceu dos 200 para os 600 litros diários vai se realizar se um projeto bem feito for capaz de levá-lo a uma produção de 1500 litros diários e não vai conviver bem com a ideia de possuir um mega projeto com 1000 vacas em lactação.

3. Definição das condições pré-existentes

A fazenda

Algumas vezes um projeto pode ser executado para um cliente que ainda não tem a fazenda. Nessa situação pode-se definir a fazenda ideal em função dos outros fatores de definição do sistema.

No entanto, na realidade prática oque acontece na maioria das vezes é o início do trabalho de definição do projeto para um cliente que já tem a fazenda. Nesse caso a fazenda é um fator muito importante de definição do sistema a ser usado e por isso deve-se fazer um bom diagnóstico.

  • Extensão da fazenda e das glebas: é fundamental que a área seja medida para que as decisões possam ser precisas. O investimento de medição de uma fazenda é feito uma vez só e vai melhorar todas as tomadas de decisão.
  • Topografia: com a fazenda medida pode-se fazer uma avaliação da topografia de cada gleba. Sugerimos a definição das áreas mecanizáveis e não mecanizáveis. Essa característica está intimamente ligada à possibilidade de intensificação.
  • Qualidade de solo: deve-se fazer uma boa avaliação da qualidade dos solos a serem trabalhados. A participação de um agrônomo com boa experiência é fundamental nessa etapa e a análise dos solos será fundamental para que se tenha uma visão adequada do nível de fertilidade pré-existente. A identificação da qualidade dos solos vai influenciar diretamente a escolha das opções forrageiras, determinar os trabalhos de recuperação a serem feitos e pode influenciar o cronograma de implantação do projeto.
  • Possibilidade de irrigação: a disponibilidade de água para irrigação e o estudo da viabilidade de outorga dessa água devem ser avaliados para que se pondere a viabilidade ou não de envolver irrigação no projeto.
  • Culturas pré-existentes: de preferência de posse do mapa com as medidas precisas de cada gleba, deve-se definir quais as culturas pré-existentes na fazenda. Nas glebas de pasto definir que espécie está presente e a condição em que está vegetando (bom estado ou degradado). Nas glebas de cultura (milho, soja, etc) é importante que se tenha uma referência das produções anteriores e que se faça uma avaliação do estado das glebas.

4. Clima e pluviometria

Na fase de diagnóstico é fundamental que se faça um bom estudo das condições climáticas da região. A variação climática ao longo do ano deve ser analisada cuidadosamente.

Deve-se buscar informações de estações meteorológicas próximas, de preferência com dados de muitos anos, para evitar ser influenciado por informações pouco precisas.

A temperatura e umidade ao longo do ano têm grande influência na definição da raça a ser usada, do desempenho animal esperado e das instalações a serem definidas. As opções forrageiras, estratégias agronômicas e a viabilidade de uso de irrigação também serão influenciadas pela temperatura e umidade.

O regime pluviométrico também deve ser bem estudado para dar base à montagem das estratégias agronômicas e de manejo animal.

5. Mercado

Faça uma análise de mercado dos produtos que serão vendidos pelo sistema. Se o sistema vai vender leite “in natura”, procure avaliar o mercado regional. Quem são os compradores, qual tem sido sua política, como o mercado regional se comporta ao longo do ano e como se compara com o de outras regiões do país.

Faça também uma análise do mercado nacional e mundial, tentando vislumbrar as tendências futuras.

Avalie também a possibilidade de verticalização do sistema. Para isso, pondere quais são os centros potencialmente consumidores, a que distância se situam e que perfil de produto poderia atendê-los.

Pondere também se o empresário tem perfil para assumir mais esse desafio e se o dimensionamento do sistema está compatível com o tipo de verticalização.

Analise o mercado de animais. A comercialização de animais pode ser importante para o sistema. Entenda como é o perfil do mercado de animais da região e avalie a possibilidade de atuar em outros mercados.

Associe isso à capacidade do empresário de fazer um bom marketing e boa condução das vendas. Avalie também, se for o caso, o mercado para compra de animais para implantação do projeto.

Faça um estudo no mercado dos produtos a serem comprados pelo sistema. Veja as opções regionais de subprodutos, analise a distância e a disponibilidade dos produtos que serão usados na alimentação e veja o mercado de corretivos e fertilizantes. Algumas regiões ganham competitividade por estarem situadas estrategicamente próximo ao mercado de insumos.

6. As pessoas

É muito importante que se faça uma análise do perfil das pessoas envolvidas no processo. Procure se aproximar das pessoas que trabalham nos diversos níveis da empresa.

Uma análise dessas pessoas vai apontar fatores importantes na definição do desafio de implementar o projeto e pode direcionar definições do sistema de produção a ser implementado. Alguns fatores devem ser observados:

  • As pessoas estão satisfeitas e têm uma relação positiva com a empresa?

A resposta a essa pergunta vai sinalizar a capacidade dos gestores de motivar a equipe e envolvê-los nos desafios da empresa. A implementação de sistemas mais complexos vai exigir esse tipo de habilidade.

  • As pessoas têm influência dos aspectos econômicos em suas decisões?

É comum a existências de empresas que por estarem ao longo dos anos trabalhando sem um planejamento adequado têm equipes que trabalham muitas vezes motivadas e satisfeitas mas sem qualquer relação com a eficiência econômica da atividade.

Nesse quadro, as decisões são geralmente voltadas para alta eficiência produtiva, mas desvinculadas de eficiência econômica. A alteração desse quadro vai demandar medidas firmes e por isso é importante que ele seja identificado.

  • As pessoas têm qualidade de vida?

Faça uma avaliação da qualidade de vida das pessoas. Avalie a qualidade das casas, do transporte, veja se as folgas, horários e férias são respeitados. Ao se intensificar um processo é fundamental que as pessoas tenham condições de vida adequadas para que possam evoluir com o treinamento.

  • Identifique as pessoas receptivas e as resistentes

Vão existir pessoas altamente receptivas e satisfeitas com o processo de mudança e outras que muitas vezes por se sentirem ameaçadas tornam-se resistentes. Procure conhecê-los melhor.

Incentive aquele que é receptivo e avalie o resistente. Muitas vezes uma condução habilidosa transforma o adversário em forte aliado. Tome cuidado para não tirar conclusões apressadas, procure conhecer bem as pessoas.

  • Qual o nível cultural das pessoas envolvidas?

Procure saber sobre a escolaridade e a experiência das pessoas que estarão envolvidas. A complexidade do sistema proposto ou a velocidade de implantação poderão ser influenciadas por esses fatores.

  • Qual a abertura para que se faça alguma alteração na equipe?

O empresário já tem confiança suficiente em seu trabalho para permitir que você proponha alguma mudança na equipe? Isso pode ser útil para que pessoas de difícil recuperação sejam substituídas.

Quando a implantação de um projeto envolve mudança de postura na equipe a substituição de algumas pessoas é quase inevitável. A inserção na equipe de pessoas de sua confiança e que já conheçam sua metodologia de trabalho pode ser um grande facilitador.

É importante que essa análise dessa hipótese seja feita na fase de diagnóstico para que se proponha um cronograma compatível com a velocidade de formação da equipe.

7. O rebanho

Determine a composição do rebanho atual. Divida os animais por categoria.

Faça uma avaliação individual dos animais. Defina uma metodologia para tal. Uma sugestão pode ser classificar por grau de sangue e também classificar a qualidade do animal. Exemplo:

  • Animal perfeito, altamente desejável para o sistema.
  • Animal com algum pequeno defeito, mas desejável para o sistema.
  • Animal com defeito, mas aceitável para o sistema.
  • Animal com defeito que o impede de permanecer no sistema, mas pode ser vendido sem ser para corte.
  • Animal de corte.
  • Faça uma avaliação da condição sanitária do rebanho. Verifique a condução anterior da sanidade, se os dados não forem absolutamente confiáveis refaça os exames. Problemas como tuberculose, brucelose, mastite e problemas de casco devem ser identificados antes mesmo de começar o trabalho. Evite detectar tarde demais algo capaz de mudar o contexto.
  • Faça um bom levantamento dos índices zootécnicos atuais. Isso vai permitir a boa definição do quadro anterior ao projeto e uma visão do desafio a ser assumido.

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8. Documente a realidade anterior

Não se esqueça de fazer uma boa caracterização da realidade anterior. Tire fotos, registre os índices zootécnicos e econômicos anteriores. Preocupe-se em fazer um bom arquivo do antes.

Como em qualquer processo de venda é muito importante que se tenha boas ferramentas.

A memória das pessoas é curta e quando se acostumam a uma nova realidade podem se esquecer da realidade anterior. 

Para uma adequada valorização dos resultados obtidos, prepare uma apresentação com o antes e o depois.

Isso pode ser fundamental para a motivação da equipe para novos desafios, pode ser ferramenta de venda de outros projetos ou pode ser usado para evidenciar o custo/benefício do recurso investido no projeto.

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