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]]>Nesse e-book você verá as principais técnicas de manejo e como colocá-las em prática, conforme a sua realidade. Antes de optar por adotar qualquer prática de manejo, no que diz respeito à condução de pastagens, deve-se estar atento às necessidades fisiológicas das gramíneas tropicais.
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]]>Manejo de pastejo é associação entre solo-planta-animal, onde todos estes devem estar em harmonia para atingir uma alta produtividade com sustentabilidade.
Método de pastejo é a técnica ou procedimento de manejo de pastagem. Existem vários métodos de pastejo, do mais simples ao mais complexo, sendo eles, respectivamente:
O pastejo rotacionado é o método utilizado para intensificação da produção. Este método aumenta o ganho por área, mas dependendo da pressão de pastejo pode diminuir o ganho individual por animal. Ele dá a possibilidade de utilização de altas cargas animais, de 2 a mais de 5 U.A/ha média ano.
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Para a implantação do pastejo rotacionado, deve-se levar em consideração o número de animais a serem manejados dessa forma e o potencial de crescimento da forrageira. A partir do diagnóstico da situação atual, as áreas degradadas devem ser recuperadas.
Áreas com forrageiras de alto potencial, com baixa carga animal em método de pastejo contínuo ou rotacionado, resultam em áreas de pasto desuniforme. Aparecem, então, áreas sub pastejadas, onde o pasto está “sobrando” (Figura 1) junto de áreas de superpastejo, onde se observa o oposto. Assim, o gado passa a evitar as áreas sub pastejadas, pois o capim fica passado.
Já as áreas de superpastejo (Figura 2), acontecem pelo hábito dos bovinos em pastejar sempre a rebrota do capim. Isso traz graves consequências, pois abre uma porta para o aparecimento de plantas invasoras, além de expor a superfície do solo nesses locais.
Comumente, essas áreas são próximas aos bebedouros e comedouros. Deve-se, então, para então implementar o método de pastejo rotacionado, uniformizar o pasto, colocando um lote grande de animais nessas áreas, a fim de obrigá-los a comer o que está sobrando, ou então roçar.
A escolha da forrageira é muito importante. Cada forrageira possui uma característica agronômica distinta, que se adequa melhor em determinadas condições climáticas, topografia, fertilidade e característica física do solo, dentre outras.
É necessário um período de descanso pós-pastejo que deve ser respeitado para que a planta consiga se recuperar e acumular reservas orgânicas. As forrageiras que possuem essa característica, então, encaixam-se muito bem ao método rotacionado.
Algumas forragens que funcionam muito bem no pastejo rotacionado são:
Figura 1 – Área de subpastejo.
Figura 2 – Área de superpastejo.
Para implantação desse método, o primeiro passo é mapear toda a área de pastagem efetiva da fazenda com GPS (Sistema de Posicionamento Global) e criar um mapa em um software como por exemplo o AutoCAD® (Figura 3).
Feito o mapa, são desenhadas as divisões das áreas em módulos e piquetes (Figura 4). Para saber o número de piquetes que se deve fazer, existe uma conta bem simples, mas antes é preciso fazer uma observação sobre período de ocupação e período de permanência.
O primeiro é o tempo total em que o piquete fica ocupado por animais no caso de mais de um lote (manejo de desponte/repasse). Já o período de permanência é o período em que um determinado lote permanece no piquete.
Assim, pode-se dizer que quando apenas um lote ocupa um piquete, o PP=PO. É importante conhecer essas diferenças para não errar na hora de calcular o número de piquetes.

Onde:
Figura 3 – Mapa da fazenda desenhado no AutoCAD®, a partir do GPS. Fonte: aula de elaboração de projetos para pecuária de corte, Paulo César Costa, Equipe Rehagro.
Figura 4 – Divisões dos módulos e piquetes para o pastejo rotacionado. Fonte: aula de elaboração de projetos para pecuária de corte, Paulo César Costa, Equipe Rehagro.
Definido o número de piquetes, o próximo passo é instalar as cercas na propriedade. As divisões dos piquetes podem ser feitas com cercas elétricas, pois, o investimento na implantação tem sido de duas a quatro vezes mais baixo quando comparado com a implantação de cercas convencionais, de arame liso ou farpado.
Os piquetes devem ser quadrados ou retangulares. O comprimento não deve passar de 3 vezes o da largura. Para economizar em instalações, construir praças de alimentação com saleiro e água, comuns a mais de um piquete tem sido bastante indicado, como mostrado na Figura 5.
Não é interessante fazer piquetes muito grandes para que não ocorra o sub e super pastejo. Os bovinos têm uma característica forte, eles preferem pastejar a uma distância de até 200 metros da fonte de água, deixando de comer em áreas cuja distância ultrapassam 600 metros. Eles só pastejam após 1,6 km de distância da água, quando 40 a 50% da forragem já tiver sido consumida.
Depois de preparadas as instalações, deve ser iniciado o manejo. O lote entra no primeiro piquete do módulo, ocupa esse piquete por um determinado tempo (PO), depois segue para o próximo piquete e assim por diante (ver Figura 5), completando então o ciclo de pastejo (CP).
O ciclo de pastejo nada mais é que a soma do período de ocupação (PO) com o período de descanso (PD). O período de ocupação (PO) é o tempo em que os animais ficam no piquete e o período de descanso (PD) é o tempo entre os pastejos.
Para simplificar então temos o seguinte cálculo:

Onde:
Figura 5 – Piquetes de rotação de pastagem, com praça de alimentação (círculo vermelho) comum entre 4 piquetes mostrando como deve funcionar um rotacionado.
A altura de entrada é uma característica particular de cada forragem e é um dos pontos mais importantes para um manejo de pastejo rotacionado adequado. Erros neste ponto causam perdas na produção do capim, levando à baixa produtividade ao longo do ano.
Foram conduzidos inúmeros estudos e experimentos para estabelecer a altura de entrada de cada forragem. Sabe-se que quando a planta atinge o valor de 95% de interceptação luminosa, rapidamente ela passa do estágio vegetativo para o reprodutivo, alongando suas hastes, aumentando a distância entre folhas e dificultando a colheita dos animais.
No momento em que a planta recebe na sua base apenas 5% de raios de luz, haverá boa quantidade de folhas em relação a hastes e material morto, como mostra o Gráfico 1.
Gráfico 1 – Situação quando temos interceptação luminosa em 95%. Fonte: Aspectos agronômicos para produção intensiva de leite a pasto – Sila Carneiro da Silva e Domício do Nascimento.
Tabela 1 – Essa tabela indica algumas alturas de entrada e saída de diversas forragens em diferentes épocas do ano. Fonte: Como planejar o pastoreio – Adilson Aguiar.
A altura de saída também é um ponto importante, mas não tão importante quanto a altura de entrada. Se mal manejada na altura de saída, a planta terá dificuldade no seu restabelecimento pós-pastejo.
Mas o que é o ideal? Devemos analisar então se é um sistema intensivo, com uma alta quantidade de nitrogênio no solo, associado a uma alta eficiência na coleta dos animais. Nesses casos, a altura de saída pode ser mais baixa.
Para definirmos o tempo ideal de cada piquete, devemos estar atentos a inúmeros fatores, como:
Esse período deve ser bem respeitado para que o pasto residual consiga, então, rebrotar rápido e com vigor, para que a produção seja boa.
É possível perceber que a viabilidade de implementação deste método é alta para sistemas de criação mais intensivos de bovinos de corte, pois o ganho/área é muito superior ao de outros métodos de pastejo.
Porém, o manejo não é simples. É necessária muita atenção para que não ocorram erros, principalmente ao observar a altura de entrada. Erros na altura de entrada podem levar a prejuízos enormes e o que poderia apresentar ótimos resultados pode se tornar um desastre.
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