secagem do café Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/secagem/ Thu, 12 Jan 2023 20:09:38 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://blog.rehagro.com.br/wp-content/uploads/2018/05/favicon-rehagro.png secagem do café Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/secagem/ 32 32 Secagem mecânica de cafés: manejo e cuidados https://blog.rehagro.com.br/secagem-mecanica-de-cafes-manejo-e-cuidados/ https://blog.rehagro.com.br/secagem-mecanica-de-cafes-manejo-e-cuidados/#respond Tue, 04 Oct 2022 19:36:56 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=9837 Se você quer atingir um café de qualidade saiba que a secagem é uma das etapas mais importantes. A etapa de secagem consiste na remoção da água dos grãos de café colhidos, a fim de diminuir a ocorrência de variações, devido a fatores físicos, químicos e biólogos internos e externos ao grão, e assim, alcançar […]

O post Secagem mecânica de cafés: manejo e cuidados apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
Se você quer atingir um café de qualidade saiba que a secagem é uma das etapas mais importantes.

A etapa de secagem consiste na remoção da água dos grãos de café colhidos, a fim de diminuir a ocorrência de variações, devido a fatores físicos, químicos e biólogos internos e externos ao grão, e assim, alcançar a homogeneidade dos lotes para atender aos padrões de comercialização.

A secagem dos grãos de café pode ser feita em secadores mecânicos, ou em terreiros, que podem ser:

  • Suspensos;
  • Pavimentados;
  • Não pavimentados.
 

Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em PDF!


Nos terreiros, a remoção da água dos grãos ocorre por meio da energia solar e o movimento natural do ar. Para uma secagem correta e uniforme em terreiros, é necessário dispor de grande mão-de-obra, espaço suficiente para comportar os picos da colheita, além de depender de condições climáticas favoráveis.

Já no caso de secadores mecânicos, essa remoção ocorre pela entrada de ar forçado e aquecido a diferentes temperaturas. 

Frequentemente, aplica-se a combinação destes dois métodos, utilizando-se um período de pré-secagem em terreiros, quando o café ainda possui elevado teor de água, e a complementação em secadores mecânicos.

Há ainda os secadores mecânicos que dispensam o período de pré-secagem em terreiros, chamados de pré-secadores.

Tipos de secadores e suas características

Com o avanço da cafeicultura, os secadores mecânicos ganharam espaço e hoje são altamente utilizados no processo, pois:

  1. Diminuem o período de secagem;
  2. Não dependem das condições climáticas;
  3. Demandam baixa mão-de-obra.

Com isso, o cafeicultor tem diferentes opções de secadores mecânicos no mercado e cada um possui suas características e especificidades.

Secador vertical ou de baú

Vantagens

  • Tem capacidade de secar grandes volumes de café;
  • É de fácil manuseio e operação.

Desvantagens

  • Secagem desuniforme, pois o ar perde temperatura ao longo da movimentação da massa de café;
  • Grande consumo de energia;
  • Baixa eficiência de secagem;
  • Risco de superaquecimento à medida que o café aquece durante o processo.

Secador de baú

Secador de baú. (Foto: Luiz Paulo Vilela).

Secador de leito fixo

Vantagens

  • Tem formato redondo e possui um motor para mexer o café;
  • A secagem pode ser intermitente ou contínua;
  • Apresenta baixo custo operacional;
  • É de fácil construção.

Desvantagens

  • Capacidade de secar pequenos volumes de café;
  • Grande consumo de energia.

Secador de leito fixo

Secador de leito fixo. (Foto: Joana Oliveira).

Secador horizontal

Vantagens e características

  • É um dos mais utilizados.
  • A secagem pode ser intermitente ou contínua;
  • Favorece a limpeza do produto;
  • Secagem uniforme pelo constante revolvimento;
  • Facilidade de manuseio.

Desvantagens

  • Baixa eficiência energética;
  • Apresenta alto custo de investimento, pois são necessárias adequações para sua instalação, como duas moegas, ambiente coberto, o secador deve ser chumbado no chão, entre outras.

Secador de café horizontal

Secador horizontal. (Foto: Joana Oliveira).

Secador estático ou de camada fixa

Vantagens e características

  • Pode ser utilizado como pré-secador;
  • O ar passa de baixo para cima e a secagem acontece pela alternância entre massas de ar quente e frio no interior da caixa, onde o café é mantido;
  • As caixas podem ter tamanhos variados, e podem ser utilizadas uma ou duas caixas por fornalha.

Desvantagens

Secador de camada fixa

Secador de camada fixa. (Foto: Luiz Paulo Vilela).

Webinar Pós-colheita de café

Preparo dos lotes para secagem mecânica

Para proceder à secagem mecânica, há diversas sub etapas para tornar esse trabalho eficiente, tais como:

  1. O café colhido é lavado e pode ser processado via seca (café natural) ou via úmida (café descascado);
  2. Após, o café é levado para etapa de pré-secagem, que pode ser feita em terreiros onde fica de dois a três dias ou até a meia seca (30 a 25% de umidade); ou em pré-secadores;
  3. Realizada a pré-secagem, o café pode ser encaminhado para o secador onde sua secagem será completa;
  4. Nessa fase é importante salientar que o lote deve ser homogêneo quanto ao teor de água e estado de maturação, uma vez que cada tipo de café possui um teor de umidade diferente, como mostra a tabela abaixo:

Tabela com teores de umidade de alguns tipos de café

Teores de umidade nos diversos tipos de cafés colhidos. (Fonte: Bártholo et al. (1989)).

Cuidados e manejos em secadores

  • Em secadores verticais não é interessante colocar lotes de cafés úmidos, pois a água em excesso prejudica a secagem. Além disso, ele deve ser coberto com café até a rosca transportadora para obter maior eficiência no processo.
  • No secador rotativo a carga de café não deve preencher totalmente o cilindro, deixando uma folga de 15 cm na parte superior, após o carregamento para permitir a movimentação do café.  Também, neste secador, inicialmente recomenda-se que o mesmo opere com ar natural por cerca de 1 a 2 horas, visando homogeneizar o café e retirar parte da água. Após isso, o ar poderá ser aquecido.
  • Já no secador estático, deve-se ter atenção com a altura da massa de grãos, uma vez que as temperaturas vão variar ao longo das camadas, pois o ar esfria e fica mais úmido até alcançar as partes superiores. Assim, pode haver uma diferença de 1° C a cada 40 cm de camada. Dessa forma, para evitar problemas e perda de qualidade da faixa superior, é recomendado movimentar o café pelo menos 4 vezes ao dia, com auxílio de rosca sem fim, enxadas, pás ou outros.
  • As fornalhas devem ser de fogo indireto para não passar fumaça para o café, o aquecimento das mesmas, geralmente, é feito com lenha ou palha de café.
  • A palha possibilita maior controle da temperatura. Caso seja utilizada lenha no processo, ela deve estar seca para evitar gosto de fumaça ou cinzas na bebida.

Temperaturas no secador

Quando o objetivo do cafeicultor é a produção de cafés naturais especiais, é recomendado:

  • Que a temperatura máxima na entrada de ar no início da secagem não passe de 60°C.
  • A temperatura da massa não passe de 35°C, durante a secagem.
  • A temperatura máxima na entrada de ar no fim da secagem, não passe de 50°C.

Termômetro de um secador

Termômetro na entrada de ar do secador. (Foto: Larissa Cocato).

Principais recomendações para os secadores mecânicos

  • Durante a noite é recomendado interromper o fornecimento de energia para promover uniformização da água no café, além de menor consumo de energia elétrica e combustível, assim é importante descansar o café por 8 horas no mínimo;
  • Posteriormente, deve-se reiniciar o processo de secagem com o secador operando nas primeiras horas com ar natural, e depois realizar o aquecimento do ar;
  • Quando o lote atingir umidade entre 12 e 13%, o secador poderá ser descarregado com a massa ainda quente e coberto com pano durante a noite;
  • No dia seguinte, após o resfriamento do lote, a umidade deve estar em torno de 10,8 e 11,2% para o armazenamento;
  • Se o lote atingir 11% de umidade no secador, deve-se rodar o secador com ar ambiente para que a massa esfrie.

Destaque-se na produção de café!

Estar de acordo com as novas técnicas de mercado é de suma importância para quem deseja produzir cafés com excelência.

Desde a implantação da lavoura, gestão de equipe na fazenda, manejos como a fertilidade e proteção, ou mesmo as fases finais de colheita e pós-colheita, é preciso ter domínio e segurança, caso queira obter sucesso.

Por isso, no Rehagro há o Curso Gestão em Produção de Café, onde professores atuantes em campo, ensinam de forma prática, atualizada e validada essas técnicas.

Curso Gestão na Produção de Café

Larissa Cocato

Joana Oliveira

O post Secagem mecânica de cafés: manejo e cuidados apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
https://blog.rehagro.com.br/secagem-mecanica-de-cafes-manejo-e-cuidados/feed/ 0
Secagem do café em terreiro: importância e cuidados durante o processo https://blog.rehagro.com.br/secagem-do-cafe-em-terreiro/ https://blog.rehagro.com.br/secagem-do-cafe-em-terreiro/#respond Tue, 14 Jun 2022 13:12:20 +0000 http://blog.rehagro.xyz/?p=4226 A colheita do café é um período extremamente importante nas propriedades cafeeiras, onde o café colhido passará por alguns processos até o benefício. O café, após a colheita no campo, possui certa umidade, que irá variar de acordo com o estado de maturação sendo necessário fazer sua secagem para que não ocorra fatores que venham […]

O post Secagem do café em terreiro: importância e cuidados durante o processo apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
A colheita do café é um período extremamente importante nas propriedades cafeeiras, onde o café colhido passará por alguns processos até o benefício.

O café, após a colheita no campo, possui certa umidade, que irá variar de acordo com o estado de maturação sendo necessário fazer sua secagem para que não ocorra fatores que venham a prejudicar a qualidade do produto.

O processo mais comum de secagem é feito em terreiros e secadores. Dentre esses existem vários tipos, sendo mais comuns os de terra, os de concreto e os de lama asfáltica.

Existe também a variação entre secadores verticais e horizontais, podendo ainda ser classificados como pré-secadores e secadores.

 

Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em PDF!


Etapas do processo de secagem

O café no terreiro será depositado numa superfície que poderá variar de acordo com a propriedade e assim será exposto ao sol para retirar a umidade dos grãos.

O revolvimento do café precisa ser feito a cada hora, movimentando os grãos no sentido em que a incidência da radiação solar tenha a melhor distribuição sobre eles, ou seja, caso essa movimentação seja manual é extremamente importante que a sombra do terreiro esteja à sua frente ou atrás.

Após alguns dias, os grãos terão perdido um pouco da umidade. Assim, no final do dia é preciso aproveitar a massa quente do café e enleirar no sentido da declividade do terreiro. No dia seguinte, esparramar o café somente quando o orvalho do terreiro já tiver evaporado.

O tempo de secagem poderá variar de 8 até 30 dias de acordo com o tipo de café, terreiro e condições climáticas. Um ponto importante a ser empregado para uma melhor secagem é a separação de lotes a partir da época de colheita, umidade e homogeneidade dos lotes.

Veja a seguir o quadro que considera alguns pontos importantes em função do tipo de terreiro a ser empregado na propriedade:

Tabela com tipos de terreiro para secagem do café* x: não é recomendado; v: recomendado

Webinar Pós-colheita de café

Dimensionamento do terreiro

O dimensionamento do terreiro é um ponto fundamental a ser considerado e pode ser calculado de acordo com a fórmula abaixo:

S = 0,02 x Q.t / n

Onde:

  • S: área do terreiro em m²
  • Q: colheita média anual de café da roça, em Lt
  • t: tempo médio da seca na região em dias
  • n: período de colheita em dias

Exemplo: Para uma propriedade com uma colheita de 1.000 sacas e rendimento de 450 Lt/sc de café beneficiada, teremos 450.000 Lt de café da roça, com 12 dias de média para a completa secagem do café no terreiro e um período de 90 dias de colheita.

S = 0,02 x Q x t / n

S = 0,02 x (450.000) x 12 / 70

S = 1.200 m²

De acordo com os cálculos, o dimensionamento do terreiro será de 1.200 m².

A secagem completa do café no terreiro poderá onerar muito os custos dependendo do tamanho da produção, porque poderá exigir grande área e mão-de-obra. Por isso, é necessário adaptar e planejar a estrutura de secagem conforme a produção da propriedade.

É importante lembrar que quanto maior o tempo de secagem do café no terreiro, maiores também serão os riscos de deterioração do produto devido às condições climáticas que poderão ocorrer.

Destaque-se na Cafeicultura!

Estar de acordo com as novas técnicas de mercado é de suma importância para quem deseja produzir cafés com excelência.

Desde a implantação da lavoura, gestão de equipe na fazenda, manejos como a fertilidade e proteção, ou mesmo as fases finais de colheita e pós-colheita, é preciso ter domínio e segurança, caso queira obter sucesso.

Por isso, no Rehagro há o Curso Gestão na Produção de Café, onde professores atuantes em campo, ensinam de forma prática, atualizada e validada essas técnicas. Clique abaixo e conheça um pouco mais sobre esse curso:

Curso Gestão na Produção de Café

O post Secagem do café em terreiro: importância e cuidados durante o processo apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
https://blog.rehagro.com.br/secagem-do-cafe-em-terreiro/feed/ 0
Consequências e impactos da seca na fisiologia e fenologia do cafeeiro https://blog.rehagro.com.br/fisiologia-e-fenologia-do-cafeeiro/ https://blog.rehagro.com.br/fisiologia-e-fenologia-do-cafeeiro/#respond Tue, 17 Nov 2020 18:00:06 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=8527 A cafeicultura é uma atividade altamente dependente de fatores climáticos. Isso porque que os cafeeiros, geralmente são plantados em ambientes abertos e na maioria das vezes em sistema de sequeiro. Dessa forma, mudanças climáticas, como o aumento da temperatura e modificações no regime de chuva podem afetar diretamente a produção, além de alterar a geografia […]

O post Consequências e impactos da seca na fisiologia e fenologia do cafeeiro apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
A cafeicultura é uma atividade altamente dependente de fatores climáticos. Isso porque que os cafeeiros, geralmente são plantados em ambientes abertos e na maioria das vezes em sistema de sequeiro.

Dessa forma, mudanças climáticas, como o aumento da temperatura e modificações no regime de chuva podem afetar diretamente a produção, além de alterar a geografia e o calendário da produção agrícola brasileira.

Planta de café impactada pela seca.

Foto: Vinicius Teixeira.

De acordo com o gráfico, nos últimos anos, observa-se aumento constante da temperatura global.

Nesse sentido, condições de aumento da temperatura associado ao déficit hídrico trazem consequências a fisiologia das plantas, afetando assim a produtividade da cultura.

Gráfico do índice da temperatura global da terra, oceano.

Fonte: NASA

O ano de 2020 é um ano de bienalidade positiva do café, ou seja, um ano com alta produção de café.

Segundo a CONAB (Companhia Nacional de abastecimento), em levantamento realizado em setembro de 2020, estima-se uma produção de 61,6 milhões de sacas beneficiadas, sendo desse total, 47,4 milhões de café Arábica e 14,3 milhões de café Conilon.

Já, o ano de 2021, será um ano de bienalidade negativa, onde é esperado um volume menor de produção do grão. Com a seca prolongada observada em 2020, projeta-se uma safra ainda menor para 2021.

Isso ocorre, pois como já mencionado, condições de altas temperaturas associadas ao déficit hídrico trazem consequências para a fisiologia das plantas, sendo observado um aumento na evapotranspiração das plantas, e redução da taxa fotossintética, em função do fechamento estomático.

Fenologia do cafeeiro

Para entender o comportamento da cultura do café em relação ao clima é necessário conhecer alguns aspectos de sua fenologia e fisiologia, pois o café arábica (Coffea arábica L.) leva dois anos para completar o ciclo fenológico de frutificação, ao contrário da maioria das plantas, quem completam seu ciclo reprodutivo no mesmo ano fenológico (CAMARGO & CAMARGO, 2001).

Conforme mostra o esquema abaixo, o ciclo fenológico é constituído de seis fases distintas, dessas, sendo duas vegetativas e quatro reprodutivas:

  • 1ª Vegetação e formação de gemas foliares;
  • 2ª Indução e maturação das gemas florais;
  • 3ª Florada;
  • 4ª Granação dos frutos;
  • 5ª Maturação dos frutos;
  • 6ª Repouso e senescência dos ramos terciários e quaternários, sendo a 1ª e 2ª no período vegetativo e da 3ª a 6ª no período reprodutivo.

Tabela com as fases fenológicas do cafeeiro arábica.

Esquematização das seis fases fenológicas do cafeeiro arábica, durante 24 meses, nas condições climáticas tropicais do Brasil. Adaptado CAMARGO E CAMARGO (2001).

Nesse sentido, condições de seca na 1ª fase (setembro a março do primeiro ano fenológico), que ocorre a vegetação e formação de gemas foliares, pode afetar as gemas e produção do ano seguinte.

Da mesma forma, condições de seca na 3ª fase, que compreende o período de setembro a dezembro do 2.º ano fenológico, pode ocasionar em abortamento das flores, e em peneiras baixas.

Florada de café em seca e alta temperatura.

Florada em condições de seca e altas temperaturas (Foto: Vinicius Teixeira).

Flores do tipo “estrelinha” caracterizada pelo abortamento da florada, atribuído a altas temperaturas e períodos secos durante o abotoamento e floração.

Flores do tipo “estrelinha” caracterizada pelo abortamento da florada, que é atribuído a altas temperaturas e períodos secos durante o abotoamento e floração.

Florada do café

A florada do café acontece geralmente entre os meses de setembro a novembro, em que após uma restrição hídrica, seguida por chuva ou irrigação abundante, acarreta em florada da cultura. 

No florescimento do cafeeiro, as gemas seriadas, localizadas nos nós dos ramos plagiotrópicos, são induzidas a gemas florais pelo estímulo da diminuição do comprimento do dia, e entram em dormência devido ao estresse hídrico que coincide com o estímulo de dias curtos. Quando a estação da seca termina e o balanço hídrico da planta volta as condições normais, essas gemas florais iniciam o processo de antese (SAKIYAMA et al., 2015).

Uniformidade da florada

A irregularidade na distribuição de chuvas, afetam a uniformidade do florescimento do café, implicando em maior número de floradas e com isso uma maturação desuniforme, tendo por consequência problemas logísticos de colheita e perda na qualidade do produto final.

Planta do café com crescimento de flores indesejadas.Desuniformidade na maturação – Presença de flores e frutos na mesma planta. (Foto: Larissa Cocato).

Florada x produção da safra seguinte

Além da irregularidade na florada, há prejuízos na safra seguinte, uma vez que, em condições de seca, a interferência na capacidade de gerar novos ramos do cafeeiro e somente a partir desses ramos novos o café pode produzir no ano seguinte.

Fisiologia do cafeeiro

Em relação a fisiologia, a fotossíntese das plantas é caracterizada pela captação da energia solar para oxidar a H2O (água), liberando O2 (oxigênio), e para reduzir CO2, produzindo compostos orgânicos, primeiramente açúcares.  Esta energia estocada nas moléculas orgânicas é utilizada nos processos celulares da planta e serve como fonte de energia.

Sob condições de altas temperaturas, e déficit hídrico, há o fechamento estomático, como estratégia para a planta reduzir a perda de água, e dessa forma, há redução da taxa fotossintética, uma vez que, não há a entrada de CO2, que é um produto da fotossíntese, afetando assim a produtividade das plantas.

Além disso, devido ao cafeeiro ser uma planta C3 (nome dado devido ao composto formado apresentar 3 carbonos), a faixa adequada de temperatura para se obter a máxima fotossíntese é inferior quando comparada a uma planta C4, como exemplo do milho. Inclusive, as plantas com esse tipo de metabolismo (C3), apresentam maiores taxas de fotorrespiração, ou seja, processo que há a absorção de luz, associada a liberação de CO2. Esta estratégia, apesar de ruim, é necessária para a sobrevivência da planta.

Fique atento!

Portanto, em condições de altas temperaturas, como vem sendo observado nos últimos anos, associados ao déficit hídrico, há interferências na fisiologia da planta de café e em seu desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. 

Por isso, estratégias que visem atenuar o efeito dessas condições desfavoráveis as plantas, tornam-se altamente desejáveis.

Elas devem visar a proteção do solo, reduzir a perda de água por evaporação, também, condições que proporcionem maior desenvolvimento radicular em profundidade, com boas condições químicas e físicas desse solo em profundidade, pois, dessa forma, as plantas tendem a sentir menos as condições de seca e altas temperaturas.

Aumente os seus lucros com o café!

Estar por dentro das tendências, novidades e conhecimentos técnicos do mercado agrícola cafeeiro, é o que pode te diferenciar entre os profissionais da área.

Aquele que busca se destacar e criar carreira na cafeicultura, precisa estar se atualizando constantemente, afinal, o Agro não para e está cada vez mais exigente.

Com o curso Gestão na Produção de Café, isso é possível! Professores atuantes em campo, vão te passar por meio de dados reais, atuais e validados, as técnicas para atingir a excelência de produção. Domine as principais técnicas e destaque-se no mercado cafeeiro!

Curso Gestão na Produção de Café

Larissa Cocato

O post Consequências e impactos da seca na fisiologia e fenologia do cafeeiro apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
https://blog.rehagro.com.br/fisiologia-e-fenologia-do-cafeeiro/feed/ 0
Colheita de café como elemento de qualidade https://blog.rehagro.com.br/colheita-de-cafe/ https://blog.rehagro.com.br/colheita-de-cafe/#respond Wed, 27 Jun 2018 12:18:02 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=4499 A qualidade do café depende da composição química dos grãos, influenciada pela genética, ambiente e manejo cultural e também do processo de colheita e preparo, com influência da umidade, temperatura e manejo que interferem diretamente na qualidade dos grãos; e posteriormente no processo de industrialização e preparo da bebida.  Os frutos de café colhidos na […]

O post Colheita de café como elemento de qualidade apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
A qualidade do café depende da composição química dos grãos, influenciada pela genética, ambiente e manejo cultural e também do processo de colheita e preparo, com influência da umidade, temperatura e manejo que interferem diretamente na qualidade dos grãos; e posteriormente no processo de industrialização e preparo da bebida. 

Os frutos de café colhidos na época e modo correto constituem matéria prima ideal para um posterior processamento de um café de qualidade.

 

Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em PDF!


Qualidade do café

A colheita representa a operação mais importante, sob o ponto de vista econômico e social da lavoura cafeeira, tendo grande participação no custo de produção e no número de trabalhadores além, de influenciar diretamente na qualidade do produto.

A desuniformidade de maturação dos frutos é uma das principais dificuldades a serem superadas para realização de uma boa colheita do café. Frutos no estágio pós maturação podem sofrer influências negativas por fermentação quando os grãos cereja evoluem para passas ou secos, tendo como agravante a possibilidade de aumentar a quantidade de cafés de chão ou de varrição, pois os frutos caem facilmente.

Outro problema são os frutos verdes que causam prejuízos na classificação por tipo, no peso de grão, no rendimento de colheita, no desgaste da planta, na qualidade da bebida e no valor do produto.

Desse modo a colheita deve ser iniciada quando a lavoura ou talhão apresentar pequena quantidade de cafés verdes, menor que 20%, e estiver ainda com pequena quantidade de frutos passas ou secos. Não podemos dizer qual época devemos iniciar a colheita, pois a época ideal de maturação dos frutos depende da região, variedade, sistema de plantio, face de exposição do terreno e do regime de chuvas.

Atentos a todos estes fatores podemos generalizar que o período de colheita vai de março/ Abril até setembro sendo que em alguns casos pode  prolongar até novembro/ dezembro, sendo de junho a agosto os meses onde se realizam a maior parte da colheita em nosso país. (Cultura do café no Brasil Manual de Recomendações Procafé ed.2005)

Cabe ao produtor observar em suas lavouras os estágios mais avançado de maturação para fazer planejamento da colheita e evitar prejuízos, tanto colhendo alta porcentagem de cafés verdes como em estágio avançado de maturação.

Webinar Pontos importantes no planejamento da colheita

Tipos de colheita de café

Derriça manual

Neste sistema de colheita o café é derriçado sobre panos de plástico que são colocados sobre o chão ao lado de cada pé de café ou ao longo da linha.

Os panos são colocados para evitar que o café colhido entre em contato com a terra e com cafés que caíram antes do início da colheita, cafés de varrição fermentados. Sendo por isso o modo mais adequado para regiões com invernos úmidos o que facilita a fermentação que é indesejável. Além disso, facilita a abanação, processo em que são separados os frutos de folhas e galhos e também colabora no transporte e processamento do café no terreiro, pois evita que impurezas como terra e pedras se misturem com o café.

A colheita compreende três operações: Derriça do café da planta, rastelação/varrição e levantamento do café do chão/abanação.Tarefas que representam respectivamente, em média 65, 15, e 20% do trabalho. (Manual de Recomendações PROCAFÉ, 2005)

O rendimento operacional da colheita por derriça manual no pano foi avaliado em um trabalho realizado por técnicos do ex – IBC no sul de Minas onde foram colhidas várias lavouras de duas variedades, Mundo Novo e Catuaí, em diversos níveis de produtividade. Verificou-se a necessidade variável de 15 a 60 homens/dia para a colheita de mil cafeeiros (espç. 4X 1,5), sendo essa necessidade crescente com o aumento da carga, não sendo esse acréscimo proporcional.

Nas lavouras de Catuaí de porte baixo onde não se exigiu escada o rendimento foi 38% superior em relação ao mundo novo com idêntica idade e produtividade.

A derriça é uma prática usada quase que somente no Brasil, pois como a maturação é mais igualada o café pode ser retirado de uma só vez, o que não impede a opção pela colheita seletiva (a dedo) praticada em algumas fazendas.

Derriça manual no chão

O café pode ser derriçado no chão em regiões com inverno mais seco com terrenos arenosos, onde a passagem do fruto maduro para o seco ocorre rapidamente não ocorrendo a fermentação que é indesejável. Esse tipo de derriça é muito usada em cafezais muito adensados, onde a colocação do pano é difícil.

Para se adotar esse tipo de prática temos que tomar alguns cuidados, principalmente em anos mais úmidos, tais como:

  • prévia arruação bem feita deixando o chão limpo;
  • juntar e recolher o café de varrição que estava no chão antes da colheita;
  • recolher no mesmo dia o café derriçado;
  • transportar rapidamente o café para a unidade de beneficiamento para que o mesmo seja lavado e seco;

Colheita a dedo

Esse sistema é muito pouco usado no Brasil. É muito usado na Colômbia e América Central e em quase totalidade das regiões cafeeiras do mundo. Esse tipo de colheita é em função da maturação desigualada dos frutos, sendo colhidos somente os frutos maduros e a colheita pode ocorrer em 10 a 16 passadas ao ano. No Brasil quase que somente no Nordeste se usa esse tipo de colheita, em sua maioria familiar.

Nesses casos de colheita a dedo ou catação o preparo de cafés descascados ou despolpados é quase uma obrigação, pois produz um café de possível melhor qualidade, dependendo do pós-colheita, aumentando a remuneração do produtor e compensando o seu maior custo de colheita, além de facilitar a secagem.

Mesmo sendo um sistema pouco utilizado pela maioria dos cafeicultores no Brasil vejo neste sistema uma boa alternativa para pequenos agricultores e agricultura familiar, pois se conjugado com um pós-colheita bem feito compensa a pequena escala produzida com um maior valor agregado por unidade.

O rendimento da colheita a dedo do café cereja é de 80 a 100 litros/ pessoa/dia (Informe Agropecuário EPAMIG,nº162 1989).

Tenha safras mais lucrativas!

Dispomos hoje de vários modos de colheita para diversas situações cabendo o produtor ou técnico responsável escolher o modo que mais se adequar a sua propriedade e condição da região. Vale ressaltar que sendo a colheita o fator que mais onera o custo de produção da cafeicultura, deve ser o principal item a ser observado na tomada de decisão.

No curso online Gestão na Produção de Café, você aprenderá com quem entende do assunto, pois os professores atuam em fazendas comerciais e passarão o conhecimento a você. Não perca mais tempo e tire suas dúvidas:

Curso Gestão na Produção de Café

O post Colheita de café como elemento de qualidade apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
https://blog.rehagro.com.br/colheita-de-cafe/feed/ 0
Café em pergaminho no terreiro: como realizar o manejo? https://blog.rehagro.com.br/cafes-em-pergaminho-no-terreiro/ https://blog.rehagro.com.br/cafes-em-pergaminho-no-terreiro/#comments Mon, 18 Jun 2018 13:26:14 +0000 http://blog.rehagro.xyz/?p=4370 O manejo do café em pergaminho possui algumas etapas importantes. Saiba quais são elas: No primeiro dia os cafés descascados devem ser espalhados em uma única camada com 7 litros por m2, para remoção da água. Os cafés descascados devem ser rodados de 16 a 20 vezes por dia, salientando a importância do cuidado nesse […]

O post Café em pergaminho no terreiro: como realizar o manejo? apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
O manejo do café em pergaminho possui algumas etapas importantes. Saiba quais são elas:

  • No primeiro dia os cafés descascados devem ser espalhados em uma única camada com 7 litros por m2, para remoção da água.
  • Os cafés descascados devem ser rodados de 16 a 20 vezes por dia, salientando a importância do cuidado nesse revolvimento dos grãos, visando evitar danos nos grãos.
  • A espessura da camada deverá ser aumentada até o máximo de 2 cm, intercalando com leiras de, no máximo 3 cm (Borém, 2008).
  • Após a meia seca, os cafés descascados devem ser enleirados e cobertos após as 15 horas, visando o café descascado não tomar sereno durante a noite. Esse processo deverá ser feito, até o café atingir 11% de teor de água.
  • A secagem do café em pergaminho com frequência é realizada somente até atingir a meia seca, ou mesmo por apenas dois dias no terreiro e posteriormente ser conduzido ao secador. Esta situação depende da estrutura e preferência da fazenda.
 

Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em PDF!


Café descascado em terreiro

Café descascado no terreiro (Foto: Daniel Veiga)

Café Cereja descascado no terreiroCereja descascado no terreiro (Foto: Daniel Veiga)

Estudo sobre café em pergaminho no terreiro

Um estudo com Santos et al. (2009) foi realizado visando verificar a influência do método de preparo via úmida com tipos distintos de secagem nas características químicas do café.

Comparou-se três tipos de café (boia, descascado e desmucilado) e submetidos a dois tipos de secagem (terreiro e mista).

De maneira geral, o café obtido pelo método via úmida na obtenção de café cereja descascado apresentou maior número de indicadores positivos quanto à qualidade.

Webinar Pós-colheita de café

O café boia e desmucilado, apresentaram indicadores de qualidade inferiores em relação ao café descascado seco no terreiro, sendo que a secagem mista foi benéfica a esses cafés.

Valores médios e erro padrão de polifenoloxidase (nmol/g.min), em três tipos de café (boia, descascado e desmucilado) e submetido a dois tipos de secagem (terreiro e mista).

O café cereja descascado seco em terreiro reduziu a condutividade elétrica e aumentou os açucares totais e atividade da polifenoloxidase (como mostra a tabela acima), enzima que está intimamente ligada a qualidade de bebida.

É importante destacar que o manejo do terreiro tem grande influência nessas características químicas dos grãos, por isso deve-se manejar corretamente o café no terreiro visando não comprometer sua qualidade.

café seco

(Foto: Daniel Veiga)

Aumente a eficiência em suas lavouras!

A cafeicultura é oscilante, mas nos últimos tempos, as safras têm ganhado cada vez mais destaque e valorização. Aquele que se prepara, produz mais, lucra mais e já consegue planejar os próximos passos para que a próxima safra seja ainda mais produtiva.

Se você busca esse resultado, comece se atualizando com as novas técnicas de mercado.

No curso online Gestão na Produção de Café, você aprenderá com quem entende do assunto, pois os professores atuam em fazendas comerciais e passarão o conhecimento a você. Não perca mais tempo e tire suas dúvidas:

Curso Gestão na Produção de Café

O post Café em pergaminho no terreiro: como realizar o manejo? apareceu primeiro em Rehagro Blog.

]]>
https://blog.rehagro.com.br/cafes-em-pergaminho-no-terreiro/feed/ 1