tuberculose bovina Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/tuberculose/ Wed, 23 Nov 2022 12:23:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://blog.rehagro.com.br/wp-content/uploads/2018/05/favicon-rehagro.png tuberculose bovina Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/tuberculose/ 32 32 Como melhorar a qualidade do leite? Saiba os principais parâmetros https://blog.rehagro.com.br/como-melhorar-a-qualidade-do-leite-nas-fazendas/ https://blog.rehagro.com.br/como-melhorar-a-qualidade-do-leite-nas-fazendas/#comments Thu, 04 Oct 2018 18:06:46 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=5254 O Brasil é um dos maiores produtores de leite do mundo. Sendo essa, uma das principais atividades do agronegócio nacional e uma área muito importante na geração de emprego e de capital para o país. Além da produção, outro fator muito importante para a atividade leiteira é a qualidade do leite. E isso é bem […]

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O Brasil é um dos maiores produtores de leite do mundo. Sendo essa, uma das principais atividades do agronegócio nacional e uma área muito importante na geração de emprego e de capital para o país. Além da produção, outro fator muito importante para a atividade leiteira é a qualidade do leite.

E isso é bem evidenciado com alguns programas de remuneração realizados entre a indústria de beneficiamento do leite e os produtores. Conforme o leite tenha os níveis desejáveis de qualidade pela indústria, o produtor é mais bem remunerado pelo seu produto.

O governo também reconhece a importância da qualidade do leite. O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) criou em 2002, a Instrução Normativa 51, onde foi estipulado padrões para a qualidade do leite produzido no Brasil, definindo como deve ser de maneira higiênica, a obtenção, a produção, o armazenamento e a comercialização do leite.

 

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Segundo o MAPA, para ser considerado de qualidade, o leite deve apresentar:

  • Boa composição química e propriedades físicas;
  • Baixas quantidades na Contagem Bacteriana Total (CBT);
  • Baixas quantidades na Contagem Células Somáticas (CCS);
  • Ausência de agentes patológicos e contaminantes no leite.

Sabendo desses critérios, podemos realizar algumas intervenções no rebanho que podem favorecer a qualidade do leite antes da sua obtenção.

Fatores importantes para a qualidade do leite

Um dos fatores mais importantes na qualidade do leite é a sua composição. Para ter bons padrões de qualidade, foi criado em 2011 a Instrução Normativa 62, onde é definido que o leite cru deve apresentar no mínimo:

  • 3% de gordura;
  • 2,9% de proteína e;
  • 8,4% de sólidos totais.

Teor de gordura

Um dos principais componentes do leite é a gordura. E esse componente, pode ser muito influenciado pela nutrição recebida pelo animal. Quando é fornecido ao animal, uma dieta com alimentos volumosos, ricos em carboidratos estruturais (celulose e hemicelulose), tem-se um favorecimento na produção de ácido acético e butírico, pela fermentação ruminal.

Com o aumento das concentrações molares desses ácidos graxos voláteis no rúmen, obtém-se o aumento do teor de gordura no leite, pois desses produtos da fermentação das fibras (ácido acético e butírico) é que são formadas no úbere 50% da gordura do leite.

Mas se a dieta fornecida tiver uma quantidade maior de concentrado, alterando o tipo de fermentação e levando a produção de ácido propiônico, o teor da gordura no leite poderá ser menor.

Utilização de ácidos graxos voláteis no leite

Utilização dos ácidos graxos voláteis na formação dos componentes orgânicos do leite. (Fonte: Mülbach, 2004)

O uso de gorduras protegidas na dieta dos animais pode levar a um aumento singelo no percentual de gordura. Mas quando se tem o uso de gorduras insaturadas ou em maiores medidas na dieta, tem-se uma queda grande no teor de gordura.

Pode ocorrer também, a redução no teor de gordura quando tem o uso de lipídeos, pois dependendo da quantidade pode alterar a fermentação da celulose e hemicelulose dos alimentos fazendo com que ocorra uma queda na quantidade de gordura no leite.

Com isso, a nutrição animal, é um processo importante na obtenção de um leite com bons níveis de gordura.

Fornecer uma dieta que tenha uma proporção adequada de concentrado e volumoso, não ultrapassando a proporção de 50% de cada tipo de alimento, que contenha boa qualidade e qualidade de fibras e de ácidos graxos, é importante para que a vaca consiga realizar uma fermentação adequada, para que ocorra uma boa produção de ácido acético e butírico, levando a melhora na quantidade de gordura do leite, por meio de processos fisiológicos do animal (Mühlbach, 2004).

Segundo Sutton e Morrant (1989), outra maneira de ter bons níveis de gordura no leite, é o fornecimento de alimentos com mais frequência. Com isso, o pH ruminal é mantido com menos variações e há uma manutenção dos micro-organismos produtores de ácido acético no rúmen.

Proteína

Outro componente importante do leite é a proteína, mas esse componente não é muito alterado pela dieta como a gordura, sendo estimado que para cada 1% de proteína acrescentada na dieta, seja aumentado cerca de 0,02% de proteína no leite. Esse aumento de proteína dietético pode aumentar o nível de nitrogênio não proteico do leite, podendo ser mensurado pela quantidade de ureia no leite.

As proteínas do leite são produzidas nas células alveolares, tendo como precursor alguns aminoácidos advindos do sangue. O teor baixo de proteínas no leite pode ser causado pela baixa produção de proteína microbiana pelo animal, ou a baixa absorção de proteína pelo intestino do animal.

Lactose

A lactose está ligada com o controle do volume de leite e por estar ligada ao sistema endócrino do animal o seu teor vai ter pouca variação.

Essa lactose é mais influenciada pela produção de glicose no fígado, após a absorção de ácido propiônico pelo rúmen (sendo esse mais produzido em dietas com maiores proporções de alimento concentrado) e da transformação de certos aminoácidos.

Contagem de células somáticas (CCS)

Um grande problema envolvido na qualidade do leite é a Contagem de Células Somáticas (CCS). Altos níveis de CCS são indicadores de mastite no rebanho. Essa doença acontece por 137 diferentes agentes etiológicos, entre esses destacam-se o vírus, algas, fungos e principalmente bactérias.

Segundo Langoni (2000), a mastite é a principal afecção dos animais na produção leiteira, e essa doença altera os padrões físicos, químicos e microbiológicos do leite e da saúde da glândula mamária. As principais alterações são o sabor salgado do leite e redução do teor de proteína e gordura do leite.

Manual de Controle da Mastite

Alguns outros fatores além da mastite podem interferir na CCS, como:

  • Época do ano;
  • Raça;
  • Estágio de lactação;
  • Produção do leite;
  • Número de lactações;
  • Problemas de manejo;
  • Problemas nutricionais
  • Clima;
  • Doenças recorrentes.

Existem algumas medidas simples que podem fazer com que ocorra redução na CCS, melhorando a qualidade do leite como:

  • Realizar sempre a higiene e desinfecção de todos os equipamentos e das mãos do ordenhador. Essa é uma medida que auxilia também na redução de infecção de vacas saudáveis pelos agentes da mastite, o que reduz o número de CCS da propriedade. A higiene adequada das teteiras entre uma ordenha e outra em propriedades que possuem grandes incidências de mastites subclínicas, gerou redução dessa doença de 96% para 47% (Amaral, 2004);
  • Realizar com os primeiros jatos de leite o teste da caneca de fundo escuro, que serve para observação de grumos, sangue ou qualquer outra secreção. Nas vacas onde tem essas alterações encontradas, deve-se fazer a ordenha das mesmas por último, evitando a disseminação de mastite pelo rebanho;
  • Realizar a limpeza e secagem dos tetos, realização do pré-dipping e do pós-dipping (Mendes, 2006);
  • Realizar o tratamento de todos os tetos das vacas secas, visando acabar com a mastite subclínica;
  • Evitar qualquer tipo de lesão nos tetos;
  • Fornecer alimento para os animais após a ordenha, para que os mesmos fiquem de pé até o fechamento do esfíncter do teto;
  • Descartar do rebanho animais que apresentem a mastite de forma crônica (Muller, 2002).

Composição do leite com elevada CCS

Mudanças na composição do leite associadas com elevada contagem de células somáticas (CCS). 

Contagem bacteriana total (CBT)

Outro indicador de qualidade do leite é a Contagem Bacteriana Total (CBT), que indica as condições de higiene na obtenção e conservação do leite.

A multiplicação de bactérias faz com que ocorram alterações nos componentes e reduz a qualidade do leite, e por isso tenta-se reduzir a CBT. A mastite raramente provocará uma alta CBT, exceto em casos de grandes infecções por Streptococcus agalactiae, ou em surtos de Streptococcus uberis, ou Escherichia coli.

Uma das causas mais comuns de alta CBT é a contaminação pelos tetos sujos. É importante que os tetos sejam preparados para ordenha, para evitar esse tipo de contaminação. Em casos onde a sala de ordenha é contaminada há um aumento significativo na CBT.

Alguns estudos mostraram que 10% dos microrganismos presentes no leite, advinham dos equipamentos. Entre uma ordenha e outra, deve ser realizada a limpeza e desinfecção de todo equipamento de ordenha. Uma deficiente limpeza nesse sistema de ordenha pode fazer com que se acumulem resíduos de leite, o que favorece o crescimento de microrganismos que são fontes de contaminação do leite.

A realização de limpezas e de desinfecções da ordenha pode reduzir em 90% o número de bactérias no leite (Mendes, 2006). Todas essas práticas devem ser rotineiras dentro das propriedades, para que esse procedimento de redução na CBT ocorra de maneira satisfatória.

A limpeza e a higienização devem ser feitas após a última vaca ser ordenhada. Segundo Álvares (2005) e Yamaguchi et al. (2006), a limpeza dos equipamentos por circulação deve ser realizada em 4 etapas:

  1. Enxágue inicial com água morna de 35ºC a 45ºC por 5 minutos sem recircular. O pré enxágue retira restos de leite que ficam na tubulação;
  2. Limpeza Alcalino-Clorada com água a 65ºC-70ºC reciclando por 10 minutos, com variação na pressão de vácuo, para que o fluxo seja turbulento capaz de dissolver a gordura acumulada;
  3. Após a drenagem da solução de detergente alcalino, fazer o pós-enxague intermediário com água em temperatura ambiente por 5 minutos;
  4. Limpeza ácida com água a temperatura ambiente por 10 minutos.

Para a limpeza dos equipamentos de ordenha deve-se usar água tratada. O uso de água sem tratamento em contato com o leite, ou equipamentos de ordenha, pode acarretar no aumento expressivo da CBT.

Outro fator importante nos índices de CBT é o armazenamento e o transporte do leite. A refrigeração do leite deve ser realizada em tanques específicos que atinjam temperaturas de 4ºC, no máximo 3 horas após a ordenha (Brasil, 2011).

Caso isso não seja obtido, haverá uma grande multiplicação dos microrganismos, gerando a contaminação do leite, prejudicando assim, a sua qualidade. A refrigeração do leite tem como objetivo reduzir o crescimento das bactérias mesófilas, que se multiplicam de forma favorável entre temperaturas de 20 a 40ºC.

Esse tipo de bactéria promove a acidificação do leite, mas com a redução da temperatura nos tanques, há um favorecimento da multiplicação das bactérias psicotróficas presentes no leite. (Machado, 2013).

Algumas medidas podem ser realizadas pelo produtor, para que o leite não seja contaminado e a CBT esteja sempre em níveis aceitáveis, como:

  • Utilização de água tratada para qualquer procedimento, para a limpeza e higienização do complexo de equipamentos de ordenha;
  • A higiene pessoal do ordenhador deve sempre realizada;
  • Realização de pré-dipping e pós-dipping;
  • Manter a sala de ordenha sempre limpa;
  • Ter sempre todos os equipamentos de ordenha em boas condições de funcionamento;
  • Realizar a cada ordenha a limpeza e higienização de todos os equipamentos e utensílios;
  • Realizar a limpeza dos tanques sempre que o leite for recolhido pelo transportador.

Um dos requisitos mais importantes para que o leite seja considerado como de boa qualidade, é o produto ser livre de qualquer tipo de agente que traga algum tipo de risco para a saúde do consumidor.

Pela quantidade de nutrientes encontrados no leite, ele se torna um meio de cultura bom para o crescimento de microrganismos, por isso o controle sanitário e boa higiene devem ser sempre visados na produção.

Controle sanitário do rebanho leiteiro

O controle sanitário dentro do rebanho leiteiro se dá por meio de medidas preventivas, contra qualquer doença que pode acometer os animais, garantindo assim, que o produto consumido pelos clientes seja próprio para o consumo e não trazendo danos à saúde dos mesmos.

Duas doenças de grande importância e que podem ser transmitidas ao homem, pelo consumo de leite contaminado são a brucelose e tuberculose.

Foi criada pelo MAPA a Instrução Normativa 62 em 2001, que define rigorosas formas de controle e de medidas profiláticas e sanitárias, que devem ser realizadas pelas propriedades, visando à erradicação dessas patologias nos rebanhos e mantém a integridade da saúde pública frente a essas zoonoses e também para gerar competitividade da pecuária nacional no mercado mundial.

A IN-62, definiu um programa de vacinação obrigatório contra a brucelose bovina, credenciando as propriedades livres e que mantinham controles rigorosos contra essa doença.

Sabendo dos impactos dessas doenças para a saúde pública e por se tratar de zoonoses, o controle sanitário de manejo e preventivo da saúde dos animais, como a vacinação, é de extrema importância dentro das propriedades que visam a produção de um leite de qualidade.

Dentro das propriedades, é comum o uso de várias substâncias visando tratamentos contra alguma doença ou agentes que prejudiquem a saúde animal. Mas um fator que deve ser levado em conta com o uso dessas substâncias, é que após sua utilização, pode ser encontrados resíduos desse produto no leite, que podem prejudicar a saúde do consumidor, levando a formação de alergias, criação de resistência microbiana aos antimicrobianos e até prejuízos tecnológicos para a indústria de laticínios (Souza et al., 2013).

Com isso, deve-se respeitar, após o uso de tais substâncias, o período de carência de cada produto utilizado nos animais. Muitos fatores como: a formulação do produto utilizado, via de administração, dosagem e o protocolo utilizado, podem influenciar nesse período de carência.

Para evitar a presença de resíduos no leite, podem-se adotar algumas medidas como:

  • Conhecer bem qual a substância será utilizada previamente;
  • Usar somente substâncias específica para animais;
  • Armazenar de forma correta esses produtos e utilizá-los corretamente conforme a categoria de animal que está em tratamento. Pois, produtos utilizados para vacas secas possuem um tempo de carência maior que para as vacas lactantes;
  • Não realizar superdosagem desses produtos nos animais;
  • As vacas em tratamento devem ser ordenhadas por último, e seu leite deve ser descartado se esse animal está dentro do período de carência.
  • Observação e conhecimento do período de carência de todas as substâncias utilizadas.

Outro fator que está sendo associado a prejuízos na qualidade do leite, é o desconforto térmico para os animais.

Segundo Titto (1998), a composição do leite pode ser alterada se os animais estiverem em situação de estresse térmico, alterando o teor de gordura, proteína e cálcio no leite. Os valores de sólidos totais do leite, também podem ter seus números diminuídos em épocas mais quentes do ano (Posano et al. 1999).

O estresse calórico pode aumentar a suscetibilidade dos animais a infecções e também as altas temperaturas podem estar associadas a um número maior de agentes infecciosos encontrados no ambiente. Segundo Smith (1989), a taxa de infecções por agente ambientais foi coincidente com o número maior de coliformes fecais encontrados na cama dos animais, nas épocas mais quentes do ano, como o verão.

Nessas épocas quentes do ano, também foi observado que o percentual de novas infecções de mastites era mais elevado, o que pode ser explicado pelo maior número de agentes patogênicos no ambiente e superfície dos tetos, ou diminuição da resistência imunológica do animal (Machado, 1998). E qualquer tipo de infecção da glândula mamária leva a um aumento no CCS, sendo isso prejudicial para a qualidade do leite.

Segundo Matazzaro (2007), animais que receberam uma melhor climatização na sala de espera por meio de ventilação, apresentaram melhor teor de gordura e também tiveram um número maior de hormônios, como o cortisol e T3 e T4 no organismo.

Com isso, o manejo correto, assim como o bem-estar animal, são importantes para a obtenção de um leite de qualidade, tanto na sua composição, como também na saúde da glândula mamária, o que reduz o número de mastite no rebanho e, consequentemente, a quantidade de CCS do leite.

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Qual a importância do controle da brucelose e da tuberculose bovina? https://blog.rehagro.com.br/controle-da-brucelose-e-tuberculose/ https://blog.rehagro.com.br/controle-da-brucelose-e-tuberculose/#respond Sun, 06 May 2018 18:57:11 +0000 http://blog.rehagro.xyz/?p=4081 Falar sobre brucelose e tuberculose pode parecer assunto antigo, mas na verdade, trata-se de um tema bastante atual, visto o impacto econômico e a gravidade dessas doenças para a saúde pública. O que acontece muitas vezes é que os produtores rurais obedecem a normas impostas pelos órgãos competentes no controle dessas enfermidades sem conhecer bem […]

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Falar sobre brucelose e tuberculose pode parecer assunto antigo, mas na verdade, trata-se de um tema bastante atual, visto o impacto econômico e a gravidade dessas doenças para a saúde pública.

O que acontece muitas vezes é que os produtores rurais obedecem a normas impostas pelos órgãos competentes no controle dessas enfermidades sem conhecer bem o porquê de estarem fazendo aquilo.

Para começar, a importância da brucelose e tuberculose é tamanha que mereceram a elaboração de um programa inteiro, exclusivamente destinado ao controle e erradicação das mesmas.

 

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O PNCEBT (Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal) foi instituído em 2001 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com o objetivo de diminuir o número de casos da doença (prevalência), assim como de novos casos (incidência).

Para tal, é obrigatória a vacinação de bezerras com idade entre 3 e 8 meses contra brucelose, o sacrifício de animais positivos para qualquer uma das duas doenças e a apresentação de atestado negativo para essas enfermidades ao transportar animais destinados à reprodução para fora do estado ou para ingressar em feiras e exposições.

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A brucelose é comum tanto para gado de corte, como para leite, porém, a tuberculose é um problema mais sério para os produtores de leite, porque esta se dissemina pelo ar, urina e fezes, portanto, as chances de infecção são maiores em rebanhos mais confinados.

Uma vez que, só exigência sem incentivo tem chances reduzidas de sucesso, estão sendo criados, em colaboração com a indústria, métodos de incentivar os produtores a controlarem as doenças em seus plantéis.

De acordo com a resolução número 3207, de 2004 do Banco Central, é estabelecida uma linha de crédito para reposição de matrizes positivas para brucelose e tuberculose aos produtores que:

  • Tenham aderido à certificação de propriedades livres ou monitoradas em relação a estas doenças;
  • As propriedades que estejam participando de inquérito epidemiológico oficial em relação às doenças citadas, tenham tido animais sacrificados em virtude de reação positiva a testes detectores de brucelose ou tuberculose;
  • Atendam a todos os requisitos referentes à Instrução Normativa 6, de 8 de janeiro de 2004, da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e outros normativos correlatos.

Para tanto, o limite de crédito é de R$75.000,00 (setenta e cinco mil reais) por produtor e R$1.500,00(mil e quinhentos reais)por animal.

As medidas de erradicação da brucelose e tuberculose das propriedades visam não somente a saúde dos animais, como a saúde do produtor, de seus familiares, tratadores, trabalhadores da propriedade e dos consumidores dos produtos de origem animal. Tendo em vista que estas são doenças de caráter zoonótico, sendo transmitidas do animal para o homem quando há o consumo de produtos oriundos de animais infectados ou contato com estes.

O produtor pode obter do PNCEBT a certificação de propriedade livre ou monitorada. Além dos benefícios sanitários, isso trará benefícios econômicos, já que haverá a redução dos prejuízos ocasionados pelas doenças, maior credibilidade sanitária de seus produtos, levando a maiores valores agregados e facilidades no trânsito de animais.

Perdas econômicas com as doenças

Brucelose

A brucelose é causada pela Brucella abortus e é uma doença infecto-contagiosa que acomete algumas espécies importantes de animais domésticos e o homem, incapacitando-o parcial ou totalmente para o trabalho.

Os sintomas no ser humano são parecidos com os da gripe: febre, sudorese noturna, dores musculares e articulares, podendo se agravar, levando, inclusive à morte. Os prejuízos, além do tempo sem trabalhar, contemplam também custos com o diagnóstico, tratamento e internação.

A forma mais comum de ser infectado é pela ingestão de leite, carne e derivados, sem tratamento térmico adequado, provenientes de animais contaminados. Para os trabalhadores rurais, o maior risco é a transmissão por meio do contato da bactéria com mucosas ou através de feridas na pele por ocasião do manuseio de animais e restos fetais provenientes de aborto.

Nos bovinos e bubalinos, a brucelose acomete principalmente o trato reprodutivo, ocorrendo preferencialmente em fêmeas, gerando:

  • Perdas diretas devido aos abortos e natimortos;
  • Aumento do intervalo entre partos;
  • Diminuição dos índices reprodutivos;
  • Diminuição da produção de leite;
  • Interrupção de linhagens genéticas.

O aborto ocorre no terço final da primeira gestação após a infecção, menos frequente na segunda subsequente e raramente nas próximas. Isso ocorre devido ao desenvolvimento de imunidade e, por isso, em rebanhos infectados, a doença se manifesta principalmente em novilhas. Nestes partos onde o animal já adquiriu certa resistência à doença, é mais comum o nascimento de bezerros fracos ou mortos. A retenção de placenta é frequente.

A vaca prenhe contaminada é a principal fonte de infecção para o rebanho por eliminar a bactéria por ocasião do aborto, disseminando bactérias no ambiente.

Ocorre desvalorização de animais provenientes de fazendas onde há casos positivos da doença e, nas regiões onde esta se encontra de forma endêmica, há desvantagem na disputa por novos mercados.

Dados indicam a brucelose como a responsável pela diminuição de 25% na produção de leite e de carne e redução de 15% na produção de bezerros. Há ainda estimativas mostrando que a cada 5 vacas infectadas, uma aborta ou torna-se permanentemente estéril. (Manual técnico do PNCEBT).

Para controlar a brucelose, além das medidas exigidas pela legislação, é preciso evitar a introdução de animais infectados no rebanho por meio da realização de exames antes de efetivar a compra. Além disso, a implementação de piquete de parição na propriedade ajuda a evitar a disseminação.

Tuberculose

A tuberculose é também uma doença infecto-contagiosa causada por bactéria. Nos bovinos, o agente responsável pela enfermidade é o Mycobacterium bovis, causador do desenvolvimento de lesões nodulares denominados tubérculos, que podem se localizar em qualquer tecido ou órgão do animal.

A evolução crônica da doença dificulta a identificação de sintomas, gerando disseminação pelo rebanho. Não apresenta sintomas alarmantes como aborto, febre alta e queda abrupta de produção, porém reduz o ganho de peso e a produção de leite, podendo levar à morte, além de promover o descarte precoce de animais com alto valor zootécnico e a condenação de carcaças no abate.

Há estimativas de que animais contaminados percam de 10 a 25% da sua eficiência produtiva, além da perda do prestígio e da credibilidade da fazenda onde há casos positivos de tuberculose.

Os sinais clínicos são poucas vezes associados à doença já que se desenvolvem lentamente. São eles:

  • Emagrecimento progressivo;
  • Cansaço;
  • Dificuldade respiratória;
  • Tosse;
  • Mastite, entre outros.

Pulmão e linfonodo bovino infectados pela tuberculosePulmão e linfonodo bovino com diversos nódulos de aspecto caseoso.

Em humanos, a contaminação se dá principalmente pelo consumo de leite e carne crua ou mal passada, oriundos de animais infectados. Como o agente da doença é eliminado pelo ar expirado, fezes, urina, leite e outros fluidos corporais dos bovinos, os trabalhadores das propriedades rurais e da indústria de alimentos também estão no grupo de risco da doença.

Isso se torna mais preocupante pelo fato de os animais infectados eliminarem a bactéria antes do aparecimento dos sintomas. Vale lembrar que os humanos portadores de tuberculose também podem ser fonte de infecção para o rebanho. As lesões em humanos variam de acordo com a via de penetração inicial da bactéria.

Assim como na brucelose, é importante exigir o exame de tuberculose antes de adquirir um animal. Também é medida de controle ter instalações que permitam a entrada da luz solar e evitar a aglomeração de animais em estábulos.

A partir de tudo isso, fica claro o porquê de se fazer um controle e manejo estratégico de eliminação destas duas doenças. O diagnóstico das duas doenças é simples e pode ser feito por médico veterinário habilitado.

Diagnóstico da brucelose

Para identificar a presença da brucelose no rebanho, dois exames podem ser feitos pelo médico veterinário habilitado: o Antígeno Acidificado tamponado (AAT) e o teste do anel em leite (TAL).

Ambos identificam a presença de anticorpos contra a doença, porém o último é feito em uma mistura do leite de vários animais. O AAT é individual, feito a partir do sangue coletado de cada bovino. Veja abaixo como é realizado o procedimento:

Coleta de sangue sendo realizada em uma vacaColeta de sangue da artéria coccígea, localizada no sulco central da parte ventral da cauda. As agulhas utilizadas devem ser individuais e descartáveis.

Amostra de sangue de gadoAmostras acondicionadas em tubos, preferencialmente, à vácuo.

Sangue sendo centrifugado para separação do soroCentrifugação do sangue por 3 minutos para promover a separação do soro. No caso de não possuir este aparelho, é possível a obtenção do soro deixando os tubos à temperatura ambiente por tempo suficiente para que o sangue se coagule.

Placa de vidro com amostra de soro e antígeno da bruceloseEm uma placa de vidro, são adicionados 0,03 ml deste soro e a mesma quantidade do antígeno acidificado tamponado, misturando-os com o auxílio de uma espátula.

Mistura entre o soro do sangue e o AAT Mistura entre o soro sanguíneo e o AAT. Em exames positivos, formam-se coágulos de fácil percepção nesta mistura.

Placa com exames negativos para a brucelosePlaca com todos os exames negativos.

Exemplo de resultado de exame positivo para bruceloseExemplo de reação positiva. (Fonte: Manual técnico do PNCEBT)

AAT é um exame de alta sensibilidade, ou seja, existem poucas chances de ser falso negativo.

Porém, falsos positivos podem ocorrer pela reação cruzada com determinadas bactérias. Nestes casos, a repetição da prova ou a realização de outro exame, denominado 2-mercaptoetanol, é recomendada.

Diagnóstico da tuberculose

O exame diagnóstico a seguir é a prova de tuberculinização, que consiste na inoculação intradérmica de uma tuberculoproteína , a tuberculina (CORRÊA & CORRÊA, 1992; PAES, 1990).

Existem três modalidades para este teste: a inoculação do Micobacterium Bovis na região cervical (teste cervical simples), do M. bovis e do M. avium na mesma região (teste cervical comparativo) ou tendo a prega caudal como local de inoculação do M.bovis. Este último só é permitido em rebanhos de corte.

As variações do teste cervical servem para descartar a possibilidade de um caso positivo na prova simples ser devido ao contato com a espécie aviária da tuberculose.

Veja nas fotos abaixo, como é realizado o procedimento de tuberculinização no exame comparativo:

São realizadas duas raspagens na região escapular do animal. No local da primeira raspagem (frente), faz-se o teste da tuberculose aviária, com a inoculação da tuberculina aviária e, no segundo, da tuberculose bovina, inoculando-se a tuberculina bovina.

Raspagem em bovino para retirada de sangue para exame de tuberculoseÁreas raspadas para demarcação das regiões a receber as inoculações de M.avium e M.bovis.

Dobra de pele de bovino sendo medida pelo cutímetroAntes das aplicações, a dobra de pele dos locais deve ser medida com o auxílio de um cutímetro e os valores obtidos devem ser anotados.

Nova medição com o cutímetro deve ser feita 72 horas após a inoculação dos reagentes. Com o cálculo da diferença de espessura das dobras de pele é obtido o resultado de acordo com o exemplo abaixo:

Valores de interpretação de teste de tuberculose

Os valores de interpretação do teste podem ser encontrados na bibliografia consultada na confecção deste artigo.

Observação

Os exames diagnósticos descritos acima (AAT e Prova de tuberculinização) foram realizados na Fazenda Suzana, localizada próximo a Ibitira/MG, de propriedade do Sr. Daniel Alves da Silva, gerenciada pelo Sr. José Valdemir e assistida pelo médico veterinário da equipe Rehagro, Ernane Campos. Para ambos os testes não houve diagnósticos positivos.

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