umbigo Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/umbigo/ Tue, 17 Jan 2023 20:56:09 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://blog.rehagro.com.br/wp-content/uploads/2018/05/favicon-rehagro.png umbigo Archives | Rehagro Blog https://blog.rehagro.com.br/tag/umbigo/ 32 32 Primeiros cuidados com bezerras leiteiras: saiba quais são e sua importância https://blog.rehagro.com.br/cuidados-com-bezerras-leiteiras/ https://blog.rehagro.com.br/cuidados-com-bezerras-leiteiras/#respond Fri, 17 Apr 2020 15:00:14 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=7384 A criação de bezerras leiteiras representa o futuro da atividade e um dos fatores de sucesso da produção de leite. Todos os cuidados a serem realizados com os animais recém-nascidos visam a manutenção de um bom status sanitário, possibilitando ao animal expressar um excelente desempenho desde o período inicial da vida. A não execução de […]

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A criação de bezerras leiteiras representa o futuro da atividade e um dos fatores de sucesso da produção de leite.

Todos os cuidados a serem realizados com os animais recém-nascidos visam a manutenção de um bom status sanitário, possibilitando ao animal expressar um excelente desempenho desde o período inicial da vida.

A não execução de procedimentos essenciais nessa fase impactam diretamente a saúde e o desempenho do animal, prejudicando também sua desmama.

Entretanto, sabe-se que os cuidados com as bezerras recém-nascidas não começam somente após o parto, devendo ser planejados desde o acasalamento da matriz e passando por todo período gestacional.

 

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Colostragem

O colostro consiste na primeira secreção láctea das fêmeas mamíferas logo após o parto, sendo responsável principalmente por fornecer energia e imunidade passiva devido aos seus elevados teores de gordura (6,7%), proteína (14,0%) e imunoglobulina (6,0%).

Essas funções do colostro são extremamente importantes para o neonato, uma vez que o tipo de placenta dos bovinos (epiteliocorial) não permite a passagem de grandes moléculas para o feto e os bezerros recém-nascidos possuem pouca reserva energética no organismo.

Basicamente, os quatro pilares de uma colostragem adequada envolvem:

  1. Qualidade imunológica;
  2. Qualidade sanitária;
  3. Quantidade;
  4. Tempo.

Colostragem adequada

Todos os quatro pilares impactam diretamente na eficiência de colostragem das bezerras e no nível de proteção conferido a elas. Casos em que o colostro é ofertado após 6 horas do parto e/ou apresenta baixa concentração de IgG e alta contaminação microbiológica elevam consideravelmente os riscos das doenças perinatais.

O tempo máximo de 6 horas estipulado para realização do processo de colostragem se deve à circunstância de que após este período as vilosidades da mucosa intestinal reduzem a permeabilidade a moléculas grandes como os anticorpos.

Em eventos onde a bezerra não mame o colostro de forma espontânea através da mamadeira deve-se providenciar a colostragem via sonda esofágica de forma a garantir a execução deste procedimento.

A qualidade do colostro ofertado às bezerras é influenciada de modo multifatorial. As influências vão desde o período de ambientação da vaca no pré-parto até o modo como o colostro é ordenhado e armazenado. O perfil de anticorpos colostrais da fêmea gestante é moldado frente aos patógenos do ambiente, as vacinas utilizadas, ao padrão de nutrição, ao status de condição corporal, etc.

Já o perfil sanitário do colostro se estabelece conforme as condições de higiene adotadas durante os processos de ordenha e armazenamento, podendo ser avaliado através dos exames de cultivo microbiológico em laboratório.

A validação da qualidade imunológica do colostro ofertado às bezerras pode ser feita através da análise em colostrômetro ou refratômetro de Brix (óptico ou digital). A tabela abaixo apresenta a classificação dos valores colostrais referentes à sua qualidade imunológica:

Valores colostrais referentes à qualidade imunológica

As possíveis formas de oferta de colostro para as bezerras envolvem o colostro fresco, colostro refrigerado, colostro congelado e colostro em pó. Vale ressaltar que o principal motivo a se considerar para o armazenamento do colostro nas formas refrigerado e congelado consiste em sua qualidade imunológica.

Uma alternativa interessante para o aproveitamento de colostro de baixa qualidade constitui na sua associação a um colostro de boa qualidade, processo conhecido como enriquecimento de colostro.

A avaliação da eficiência de colostragem é feita através da dosagem das proteínas séricas totais da bezerra, verificando assim a transferência de imunidade passiva.

Uma amostra individual de sangue deve ser coletada 48 horas após a realização da colostragem, sendo armazenada em um tubo sem anticoagulante. Após o processo de coagulação ter ocorrido, instilar uma gota de soro no prisma de um refratômetro de g/dL ou Brix, ambos podendo ser óptico ou digital.

Resultados iguais ou superiores a 6,2 g/dL ou 9,4° Brix indicam que a colostragem foi realizada da forma correta, oferecendo proteção ideal por anticorpos colostrais à bezerra. Em uma análise de rebanho, recomenda-se que no mínimo 90% das bezerras apresentem eficiência na transferência de imunidade passiva, ou seja, valores de proteína sérica total iguais ou superiores a 6,2 g/dL ou 9,4° Brix.

E-book criação de bezerras leiteiras

Cura de umbigo

A anatomia umbilical dos bezerros é composta por uma veia, duas artérias e um úraco.

Logo após o nascimento e rompimento dos anexos fetais, a estrutura do umbigo configura uma porta de entrada de infecções para o organismo do animal. Esta é uma das principais razões pelas quais o procedimento de cura de umbigo constitui em um dos primeiros cuidados a serem realizados com as bezerras recém-nascidas.

Ao alcançar o cordão umbilical, agentes patogênicos podem perfazer o caminho das vias de acesso ao organismo (veia, artérias e úraco). De forma geral, a infecção umbilical é denominada de onfalite. No entanto, a nomenclatura da infecção gerada varia conforme a estrutura umbilical acometida. Exemplo:

Nomenclatura de doenças umbilicais em bezerrasObs.: outras nomenclaturas de infecção umbilical são existentes conforme a associação das estruturas acometidas (veia + artéria, veia + úraco, artéria + úraco).

Processos de onfalite tendem a não ficarem restritos somente ao umbigo, ocasionando alterações em outras áreas do organismo das bezerras. Além da possibilidade de acarretar alterações físicas e fisiológicas, estudos demonstram que a ocorrência dos distúrbios gerados pelas infecções umbilicais possuem correlação com redução da produção de leite já na primeira lactação.

É importante ressaltar que quadros de onfalite não diagnosticados e/ou não tratados tendem a se complicar, ocasionando septicemia e levando os animais a óbito. O esquema a seguir demonstra algumas das possíveis alterações que podem ocorrer de acordo com a estrutura umbilical afetada:

Alterações nas estruturas umbilicais

O ideal é que a cura de umbigo seja realizada imediatamente após o nascimento da bezerra, podendo ser feita com tintura de iodo de 7 a 10%.

O processo recomendado é o de imergir o cordão umbilical até a sua base na tintura de iodo durante aproximadamente 30 segundos, adotando uma frequência mínima de 2 vezes por dia até o dia em que o umbigo seque e se desprenda do abdômen.

A conservação da tintura de iodo ao abrigo da luz solar e da matéria orgânica é essencial para garantir o seu desempenho, visto que o contato do produto com esses fatores reduz a sua bioeficiência.

É por esses motivos que se indica o armazenamento do iodo em um recipiente âmbar (reduz a passagem de radiação solar) do tipo copo sem retorno (evita o retorno de sujidade do ambiente para a tintura).

A avaliação das estruturas umbilicais quanto a presença ou não de processo infeccioso/inflamatório se dá através de palpação manual para classificação dos umbigos em uma escala de 0 a 2:

  • 0 – umbigo normal;
  • 1 – onfalite externa;
  • 2 – onfalite interna.

Ao analisar a eficiência da cura de umbigo em um rebanho, espera-se que no mínimo 90% das bezerras apresentem escore umbilical 0.

Para obter uma boa eficiência de cura de umbigo torna-se essencial a utilização de um iodo de qualidade, podendo a tintura ser de origem comercial ou produzida na própria fazenda. A seguir segue uma sugestão de fórmula de tintura de iodo para fabricação na fazenda:

Fórmula de tintura de iodo para aplicação em umbigos de bezerrasFonte: Departamento de Clínica e Cirurgia de Ruminantes da UFMG

Macerar as 75 gramas de iodo metálico e as 25 gramas de iodeto de potássio, diluindo-as em 50 – 100 ml de água destilada. Acrescentar 900 – 950 ml de álcool absoluto até que a tintura complete 1 litro. Armazenar todo o líquido em um frasco de cor âmbar e ao abrigo da luminosidade. Transferir a tintura de iodo para o copo sem retorno quando necessário.

Mochação

O procedimento de mochação tem como objetivo cauterizar de modo físico (ferro quente ou elétrico) ou químico (pasta cáustica) os cornos do animal, visando eliminar o risco de acidentes e complicações envolvendo tais estruturas.

Recomenda-se que este procedimento seja realizado em animais com idade inferios a 30 dias.

Algumas observações e cuidados devem ser adotadas previamente ao procedimento de mochação:

Cuidados com o procedimento de mochação

A anestesia dos cornos pode ser alcançada utilizando-se 5 ml de anestésico local 2% por corno ou 2 mL de anestésico local 5% por corno.

Todo o volume do anestésico deve ser aplicado na fossa localizada acima do globo ocular do animal com o auxílio de seringa e agulha 40×12 estéreis. Os dados apresentados abaixo referem-se aos efeitos de 4 técnicas de mochação sobre o comportamento de bezerras leiteiras:

Técnicas de mochaçãoFonte: Adaptado de Sutherland et al., 2018

Através destes dados pode-se perceber a importância da utilização do anestésico local durante o procedimento de mochação.

Os animais que receberam aplicação de anestésico não tiveram seu comportamento alterado, fato que gera reflexo positivo no consumo de alimentos e contribui para o desenvolvimento das bezerras.

Vamos em frente!

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Bruno Guimarães

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Assim como em qualquer outra fase, as práticas corretas de manejo sanitário durante a recria são essenciais para que haja sucesso na criação de bezerras leiteiras.

Os primeiros cuidados logo após o nascimento, como a colostragem, cura de umbigo e nutrição adequada antes e após a desmama tornam-se imprescindíveis para garantir a saúde dos animais.

Caso estas ações não sejam realizadas corretamente ou sejam negligenciadas, as taxas de morbidade e mortalidade aumentam consideravelmente, trazendo prejuízos à propriedade.

Em algumas situações o prejuízo pode até não ser acentuado a curto prazo, mas o processo de determinadas doenças ocasiona alterações permanentes nos animais de forma a impactar no seu desenvolvimento e vida futura.

 

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Dentre as doenças que afetam as bezerras durante a fase de recria, as mais ocorrentes são as diarreias, as infecções umbilicais, as doenças respiratórias e a tristeza parasitária bovina.

Conforme será mostrado e discutido ao longo deste texto, dados de campo têm demonstrado quais são os períodos críticos para a ocorrência destas doenças.

Estes dados constituem informações valiosas que auxiliam na prevenção e no monitoramento dos distúrbios da saúde dos animais, podendo ser utilizados para definição de estratégias visando redução do número de casos de doenças.

1. Diarreia

A diarreia consiste em uma das principais razões pelas quais as bezerras adoecem ou morrem. Durante a fase de aleitamento as bezerras são altamente susceptíveis à ocorrência de diarreias devido ao sistema imunológico não estar plenamente desenvolvido e estabelecido.

Este fato contribui para que uma ampla diversidade de agentes patogênicos tenha a chance de se instalar no organismo do animal. Com isso, ocorrerão distúrbios intestinais de graus variáveis.

Esta ampla diversidade de agentes patogênicos constitui um dos motivos que dificultam o diagnóstico etiológico das diarreias. No entanto, conforme mencionado anteriormente, os dados de campo fundamentam-se como uma importante ferramenta que expressa os períodos críticos de atuação dos principais agentes envolvidos nas diarreias em bezerras leiteiras.

Todavia, há aquelas diarreias de origem não infecciosa, ou seja, não possuem um agente patogênico como causador. Estas diarreias tendem a se desenvolverem mediante a situações que prejudicam a absorção intestinal, fazendo com que solutos se acumulem na luz do órgão.

O acúmulo de solutos resulta na formação de um meio com alta osmolaridade que possui a capacidade de atração hídrica para o intestino, aumentando assim a fluidez das fezes.

As causas das diarreias não infecciosas envolvem principalmente erros no manejo alimentar das bezerras, como a má higienização dos utensílios e a oferta de sucedâneos de baixa digestibilidade.

Dentre os inúmeros efeitos que um quadro de diarreia ocasiona no animal, os principais são a desidratação, as perdas eletrolíticas e o desequilíbrio ácido-básico. Estes efeitos podem se apresentar em níveis variados, porém sempre possuem como característica o comprometimento do estado geral do animal e, consequentemente, facilitam a entrada de novos agentes infecciosos.

Portanto, assim como em qualquer outra doença/distúrbio, na diarreia o ideal é que o diagnóstico seja feito precocemente. Também é importante que o tratamento comece a ser realizado o mais rápido possível a fim de evitar maiores complicações no organismo do animal.

Dentre os agentes causadores de diarreia em bezerras leiteiras durante a fase de aleitamento, os principais são:

  • Cripstosporidiose;
  • Coccidiose;
  • Salmonelose;
  • Colibacilose;
  • Clostridiose;
  • Coronavirose;
  • Rotavirose;
  • Diarreia Viral Bovina.

Agentes comuns em bezerras como a Escherichia coli e alguns vírus tendem a ocasionar diarreia logo nos primeiros dias de vida, enquanto agentes como Cryptosporidium spp. acometem mais o sistema digestivo do 5º ao 15º dia de vida, em média.

Todos os principais agentes patogênicos citados possuem as vias oral e fecal como potenciais meios de transmissão. Além disso, a higiene das instalações e do ambiente constitui uma medida básica e essencial de profilaxia.

O gráfico a seguir demonstra o ponto crítico para ocorrência de diarreia em bezerras leiteiras de acordo com a idade (dias):

Casos de diarreia de acordo com a idade do bezerroNúmero de casos de diarreia em bezerras leiteiras de acordo com a idade (dias)

Contagem de oocistos nas fezes de bezerrosDinâmica da excreção de oocistos de Cryptosporidium spp. (Fonte: Leite, 2014.)

E-book criação de bezerras leiteiras

2. Infecções umbilicais

O processo de cura de umbigo representa um dos primeiros cuidados que se deve realizar com as bezerras logo após o nascimento, visto que o umbigo do recém-nascido ainda está aberto e corresponde a uma grande porta de entrada de microorganismos.

Caso uma quantidade considerável de bactérias alcance as estruturas umbilicais intra-abdominais e se dissemine pelo organismo, várias alterações podem ser desencadeadas, dentre elas a septicemia, a pneumonia, abcessos pulmonares e hepáticos, poliartrites, endocardites, encefalites etc.

Além destas alterações, um umbigo curado inadequadamente, ou não curado, representa um excelente atrativo de moscas que desencadeiam processos de miíases.

Um dos métodos mais eficazes para avaliação da eficiência da cura de umbigo consiste na realização da palpação umbilical. Neste método objetiva-se o reconhecimento manual das estruturas umbilicais, classificando-as em escores de 0 a 2, sendo:

  • 0 – umbigo normal;
  • 1 – umbigo com infecção externa;
  • 2 – umbigo com infecção interna.

Uma meta ideal seria de que no mínimo 90% das bezerras avaliadas expressem escore umbilical 0, ou seja, sem alterações.

O período recomendado para que a palpação seja feita corresponde da 2ª à 3ª semana de vida. Caso a avaliação seja realizada antes da 2ª semana de vida, as estruturas umbilicais se apresentarão em uma conformação diminuta que inviabiliza a identificação manual.

Por outro lado, caso a palpação seja feita após a 3ª semana de vida as estruturas umbilicais estarão em maior dificuldade para palpação devido ao aumento da resistência da musculatura abdominal das bezerras.

Anatomia umbilical dos bezerros

3. Doença respiratória bovina (DRB)

Normalmente, a patogênese das doenças respiratórias bovinas envolve a associação de fatores de estresse que comprometem os mecanismos de defesa do organismo, facilitando a infecção primária das vias respiratórias por um ou mais micro-organismos.

Sinais clássicos de problemas respiratórios em bezerras leiteiras envolvem corrimento nasal, tosse, aumento da frequência respiratória, alteração do padrão respiratório, letargia e febre (temperatura retal igual ou superior a 39,3°C).

Dentre a diversidade das doenças respiratórias bovinas, a pneumonia é a mais comum. Quadros crônicos de pneumonia possuem a característica de provocar consolidação do parênquima pulmonar, reduzindo assim a capacidade respiratória do animal para o resto da vida.

Além de uma boa colostragem, assegurar uma adequada qualidade do ar nas instalações torna-se fundamental para evitar quadros de pneumonia. O ambiente onde as bezerras são alojadas deve ser seco, arejado e livre de odores e resíduos.

Conforme já mencionado anteriormente, a correta cura de umbigo também constitui um ponto importante para prevenção de pneumonia em animais recém-nascidos, visto a barreira química formada no cordão umbilical que impede a disseminação microbiana pelo organismo.

 

O gráfico a seguir demonstra os pontos críticos para ocorrência de pneumonia em bezerras leiteiras de acordo com a idade (dias):

Número de casos de pneumonia em bezerras de acordo com a idadeNúmero de casos de pneumonia em bezerras leiteiras de acordo com a idade (dias)

4. Tristeza parasitária bovina (TPB)

A tristeza parasitária bovina baseia-se em uma doença de grande ocorrência nacional, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Os impactos ocasionados na cadeia leiteira são importantes e a morbidade durante a fase de recria tende a ser elevada em propriedades que não realizam a prevenção e o monitoramento para a doença.

A tristeza parasitária é ocasionada pela associação de dois agentes etiológicos intra-eritrocitários, sendo a bactéria Anaplasma marginale e o protozoário Babesia, com as espécies B. bigemina e B. bovis. Tanto a anaplasmose quanto a babesiose podem ser transmitidas através do uso de instrumentos perfurocortantes contaminados (agulha, bisturi, etc.).

O agente Anaplasma marginale ainda pode ser transmitido via picada de insetos hematófagos, como moscas e mutucas, e a Babesia sp. pode ser veiculada via repasto sanguíneo de carrapatos infectados.

Os sinais clássicos da doença incluem febre (temperatura retal igual ou superior a 39,3°C), letargia, apatia, alteração na coloração das mucosas (ictéricas, pálidas e/ou com presença de petéquias), corrimento lacrimal e perda de apetite.

Como profilaxia da tristeza parasitária bovina recomenda-se o controle de ectoparasitas e de insetos tanto nos animais quanto no ambiente, evitar o uso compartilhado de agulhas e realizar o monitoramento da temperatura retal dos animais.

Os animais positivos para a doença devem ser tratados o quanto antes, a fim de evitar a proliferação dos agentes, além de receberem tratamento de suporte com hidratação oral e/ou endovenosa e antipiréticos.

O gráfico a seguir demonstra o ponto crítico para ocorrência de tristeza parasitária bovina em bezerras leiteiras de acordo com a idade (dias):

Número de casos de tristeza parasitária bovina em bezerrasNúmero de casos de TPB em bezerros leiteiros de acordo com a idade (dias)

Exemplo de sintomas de TPB em bezerrasMucosas ictéricas (A) e pálidas com petéquias (B) em bezerras com TPB

Conclusão

Essas são algumas das principais doenças que podem acometer as bezerras leiteiras e, por isso, merecem a atenção do produtor.

Ressaltando, juntamente com o oferecimento adequado do colostro, a cura do umbigo é uma medida sanitária prioritária, que influenciará diretamente a saúde do rebanho de qualquer criatório bovino. 

Saiba mais!

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Bruno Guimarães

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Manejo da fase de cria de bovinos de corte: como cuidar bem dos animais https://blog.rehagro.com.br/voce-esta-cuidando-bem-da-sua-cria/ https://blog.rehagro.com.br/voce-esta-cuidando-bem-da-sua-cria/#respond Thu, 13 Feb 2020 15:00:16 +0000 https://rehagro.com.br/blog/?p=6983 Você deseja alcançar uma maior produtividade e rentabilidade na fazenda, mas não sabe por onde começar? Que tal olhar para a sua estrutura de produção de bezerros, que é o início de tudo? Ela é a base que dará origem a todos os animais recriados e, futuramente, engordados e abatidos. Sendo assim, a excelência na […]

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Você deseja alcançar uma maior produtividade e rentabilidade na fazenda, mas não sabe por onde começar? Que tal olhar para a sua estrutura de produção de bezerros, que é o início de tudo?

Ela é a base que dará origem a todos os animais recriados e, futuramente, engordados e abatidos. Sendo assim, a excelência na produção de gado de corte, em qualquer sistema, estará sempre ligada à fase de cria.

Os criadores estão cada dia mais focados em melhorias no desempenho, pensando em seus negócios. Eles buscam, principalmente, o aumento da produtividade, na produção de bezerros de qualidade e, consequentemente, da rentabilidade da atividade. Veja algumas dicas para chegar lá!

 

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Fatores ligados à reprodução

Alguns fatores interferem diretamente no desempenho e na produtividade dos criadores. Aspectos relacionados à reprodução, por exemplo, afetam diretamente no resultado de propriedades de cria, baixo índice de prenhes representa diminuição direta de bezerros desmamados.

Por esse motivo, nos últimos anos foi investido em técnicas e alternativas de manejo reprodutivo e protocolos hormonais. Essas técnicas estão cada dia mais evoluídas e permitem melhores resultados dentro da estação de monta.

Mas afinal, somente fatores ligados à reprodução são representativos no resultado de uma fazenda produtora de bezerros?

A resposta da pergunta feita acima é não. Não basta um grande desenvolvimento em estratégias diretamente ligadas à reprodução se outros fatores da propriedade não acompanharem a excelência. Como exemplo, podemos citar:

  • Desempenho;
  • Manejo de pastagem;
  • Suplementação de matrizes e bezerros;
  • Gestão das pessoas envolvidas na atividade.

Estes devem formar uma combinação em que, juntos, irão proporcionar o sucesso da atividade de cria.

Sanidade na fase de cria

Dentre esses fatores, um em específico vem a cada dia mostrando sua importância e seu impacto direto e indireto na produção do bezerro, bem como em toda a vida produtiva do animal: a sanidade.

Pensar em sanidade de bezerro e focar na sua eficiência é fundamental para a cadeia produtiva da carne. Problemas com a sanidade de um bezerro afetam não somente o desempenho desse animal até a desmama, mas também pode comprometer todo o seu desenvolvimento durante a recria e a engorda, e pode afetar o desempenho reprodutivo da futura matriz do rebanho.

Somente o impacto direto na produção de bezerros justifica o investimento e a melhoria nos processos sanitários de uma fazenda de cria. Os custos com insumos sanitários proporcionalmente baixos são importantes quando avaliamos o sistema como um todo.

Segundo dados da Consultoria do Rehagro, em propriedades extensivas os custos com sanidade representam, em média, 6,4% de todas as despesas.

Custos e estratégias

Em fazendas mais intensivas ou produtoras de genética, a representatividade desse custo é ainda menor. Cerca de 3,2% dos custos de uma propriedade de gado PO são direcionados à sanidade do rebanho.

Quanto mais intensificamos o processo, menor é a representatividade dos custos com sanidade em uma propriedade. Esses dados revelam uma importante reflexão. O investimento em sanidade é uma grande oportunidade.

As estratégias sanitárias dessa fase, são voltadas basicamente para três pontos importantes:

  1. Vacinação adequada;
  2. Controle de endo e ectoparasitas;
  3. Medicamentos utilizados em cuidados com bezerros.

Desafios da fase da cria

E quais são os principais desafios sanitários, quando pensamos na fase da cria?

O primeiro desafio de destaque na sanidade de bezerros está associado a falhas na transmissão de imunidade passiva. Comumente identificamos bezerros mal colostrados, por problemas anatômicos das matrizes, como:

  • Tetos demasiadamente grandes (por falha no acompanhamento da maternidade por parte dos colaboradores);
  • Maternidades em piquetes muito grandes;
  • Lotes muito grandes.

Bezerros guachos mal colostrados representam um impacto econômico significativo. Segundo uma pesquisa feita por Raboisson em 2016, o somatório de mortalidade, diarreia, pneumonia e outras complicações causadas pela falha da transmissão de imunidade passiva representam custos entre R$346,40 a R$1.398,00.

Cura do umbigo

Um segundo fator, extremamente relevante, e diretamente ligado a prejuízos econômicos requer uma atenção muito especial, a cura de umbigo. Problemas e deficiências na cura de umbigo de bezerros neonatos, representam um importante causa de mortalidade de recém-nascidos.

Um levantamento realizado por Dr. José Zambrano e Rafael Perez (Equipe Sanidade Rehagro), demonstrou na avaliação de mais de 1500 bezerros que, mais de 20% dos animais avaliados em diferentes fazendas apresentavam, ao menos, uma lesão de umbigo, inflamação e/ou miíase.

Cura do umbigoFotos: Arquivo pessoal do Esp. Cristiano Rossoni, consultor e coordenador de cursos do Rehagro.

A deficiência no processo de cura do umbigo representa um impacto importante na fase inicial da vida dos bezerros. A deficiência tem grande potencial de interferir diretamente no desenvolvimento de toda a vida desses animais. Envolto de estruturas importantes anatomicamente falando, artérias umbilicais, úraco e veia umbilical, são uma porta potencial para:

  • Infecção e contaminação de órgão internos importantes;
  • Inflamação do umbigo (que pode levar de uma “simples” miíase a uma septicemia seguida de morte dos animais).

Por essa importância anatômica citada, existem grandes chances da inflamação de umbigos mal curados, evoluírem para problemas em órgãos importantes como o fígado.

A cura do umbigo parece ser de fácil resolução, na maioria das propriedades de cria. A ciência da importância de uma cura adequada de umbigo é relatada, entretanto, no dia-a-dia essa prática se mostra ineficiente. Uma boa recomendação para a obtenção de uma cura desejável é a utilização de tintura de iodo 10% no umbigo, já nas primeiras horas de vida do animal.

Diarreia

A diarreia já citada como uma das consequências na falha na transmissão de imunidade passiva, também representa um grande impacto na produção de bezerros.

São várias as causas possíveis para a diarreia, que variam de acordo com a idade do animal, neonatal (0-3 semanas) ou tardia (> 4 semanas). A utilização de soro oral associado a administração de AINES (Flunixin Meglumine), no tratamento de diarreia em bezerros com 8 a 11 dias de idade, vem mostrando bons resultados.

O aumento da densidade animal, agrupamento de animais de diversas faixas etárias, principalmente em regiões de alta umidade são fatores predisponentes de outra enfermidade que causa grande impacto econômico na produção de bezerros.

A Coccidiose, principalmente em animais jovens e recém desmamados, que apresentam quadro clínico, mas também em animais adultos que não apresentam, representa um impacto na produtividade com grande relevância no desempenho, principalmente em animais confinados.

A utilização de coccidiostáticos como monensina, salinomicina e o tratamento de animais com sintomatologia clínica com drogas como o Troltazuril demonstram boa eficiência no controle dessa doença.

Um problema “antigo” e por hora negligenciado são as verminoses. O impacto da infestação por verminoses em bezerros, pode representar grandes prejuízos econômicos, portanto a vermifugação na data correta com utilização de bases adequadas podem representar ganhos adicionais de até 1@ por animal.

Em resumo, são vários os desafios que devemos nos atentar quando pensamos em sanidade de bezerros, os impactos econômicos na fase da cria são mais perceptíveis, entretanto, o impacto de problemas sanitários na vida do animal representa um prejuízo ainda difícil de se mensurar.

Planejar e investir em programas e estratégias sanitárias assertivas é um caminho importante na eficiência produtiva de bezerros, assim como de todo ciclo de produção da pecuária de corte.

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Durante a vida fetal, o umbigo é a via de comunicação entre o feto e a mãe. Pelo cordão umbilical chega sangue materno, rico em nutrientes e oxigênio e, por ele, também são eliminados os catabólitos do feto.

Logo após o nascimento, o umbigo do bezerro perde totalmente a sua função, evolui rapidamente. Em poucos dias, as veias e artérias utilizadas na comunicação materno-fetal fecham-se. Paralelamente, os músculos dessa região também se unem, constituindo uma massa muscular.

 

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Até que todo este processo se complete, o umbigo é uma porta aberta para vários agentes causadores de diversas enfermidades.

Nesse período, caso o umbigo não seja adequadamente curado, pode infeccionar e provocar onfalite, impedindo a cicatrização e prolongando o tempo em que esta porta de comunicação permanece aberta, facilitando a ascendência de microrganismos. A cura do umbigo ganha mais importância na medida em que se consideram os aspectos sanitários gerais do rebanho.

Esse procedimento e a administração correta do colostro representam medidas indispensáveis que influenciarão diretamente na saúde do rebanho de qualquer criatório de gado bovino. Por esse motivo, deverão ser consideradas como medidas sanitárias prioritárias.

Além das enfermidades infecciosas, as hérnias, as neoplasias, os defeitos congênitos e as miíases também assumem grande importância no conjunto das onfalopatias dos bovinos. Por esta razão, deverão ser sempre consideradas ao estudar as enfermidades do umbigo do bezerro.

Anatomia do umbigo dos bezerros

O umbigo dos bezerros consiste de três estruturas que sofrem alterações anatômicas e funcionais por ocasião do nascimento.

  1. A veia umbilical dirige-se cranialmente em direção ao fígado;
  2. As artérias umbilicais dirigem-se em sentido caudal para a artéria hipogástrica;
  3. O úraco em direção à bexiga.

No momento do parto, ocorrem transformações anatomofisiológicas, a partir da ruptura do cordão umbilical e retração das artérias e da veia.

Inicia-se assim a respiração autônoma, devido à falta das trocas gasosas placentárias e ao aumento da tensão de gás carbônico. Quando o parto é normal, a queda séptica e mumificação do umbigo se dão dentro de dez dias.

Anatomia do umbigo do bezerro

Anatomia do umbigo dos bezerros

Umbigo dos bezerros visto por dentro

Patologias umbilicais

Pode-se classificar as patologias umbilicais em não infecciosas e infecciosas e estas em extra e intra-abdominal. A extra-abdominal recebe o nome de onfalite e as intra-abdominais, de acordo com o segmento afetado.

Processos não infecciosos

Hérnias

Hérnias presentes no umbigo do bezerro

Na região próxima ao umbigo, em consequência da saída de parte das vísceras através da abertura umbilical, anormalmente dilatada, pode-se produzir uma evasão do peritônio e partes externas da pele, traduzindo-se externamente por aumento de volume.

Partes do omento maior e eventualmente porções do intestino delgado podem ser facilmente repostos na cavidade abdominal por meio do anel herniário, exceto nas hérnias estranguladas.

As hérnias umbilicais, congênitas ou adquiridas, aparecem nos bezerros e demais animais domésticos. As pequenas hérnias umbilicais podem resolver-se espontaneamente, porém as hérnias umbilicais grandes ou estranguladas exigem correção cirúrgica. Quando forem adquiridas, podem estar relacionadas com traumatismos, principalmente coices, pisadas e ao transporte inadequado.

Este último é observado em propriedades rurais em que o vaqueiro tem o hábito de transportar o recém- nascido, do pasto para o curral, na cabeça das selas ou arreios, sem qualquer proteção.

Fibromas e neoplasias

Na cicatrização do umbigo, quando ocorrem aderências entre o anel umbilical, ligamentos e peritônio com as outras partes, geralmente se desenvolve um tecido conjuntivo que adquire consistência fibrosa, enrijecido, de aspecto irregular e tumoral.

Entre os vários fatores que podem provocar este quadro estão a cicatrização umbilical complicada, os traumatismos, o uso de substâncias ou produtos químicos, dentre outros.

Em casos de neoplasias malignas, o prognóstico é reservado, porém estas são raramente encontradas. Os fibromas e cicatrizes mal consolidadas, quando cirurgicamente corrigidos, são de bom prognóstico.

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Persistências e defeitos

A conexão tubular entre a bexiga e o umbigo, que se mantém após o nascimento, é conhecida como úraco persistente.

Por ocasião do nascimento, com a ruptura do cordão umbilical, o úraco deve fechar-se e a urina será então eliminada pela uretra. Uma série de causas foi sugerida para explicar a incapacidade do úraco em evoluir completamente.

Algumas delas são o rompimento precoce do cordão umbilical, a inflamação, a infecção e a excessiva manipulação física do neonato. Nos bezerros, o úraco persistente é menos comum, mas pode levar à septicemia. Caso o úraco não se feche em até 24 horas após o nascimento, indica-se a ressecção cirúrgica para reduzir a probabilidade de septicemia.

O úraco persistente pode ser corrigido cirurgicamente por ligadura ou cauterização. Quando não for possível a realização da cirurgia, indica-se o uso parenteral de antibióticos de largo espectro e a cauterização com nitrato de prata ou iodo-lugol.

Miíases (bicheiras)

As miíases ocorrem em praticamente toda a região tropical e subtropical. Os ovos da mosca Cochliomya hominivarax são depositados na periferia seca de qualquer ferimento.

Destes ovos eclodem larvas 11 horas após a postura. Elas penetram ativamente através da lesão, alimentam-se das secreções e tecidos vivos, crescem ocupando grande espaço subcutâneo e tornam-se adultas em quatro a sete dias.

Os ferimentos tomados por miíases caracterizam-se por discreto abaulamento em torno da abertura central, proporcionalmente pequena, deixando fluir uma secreção sero-sanguinolenta, que passa a purulenta alguns dias mais tarde.

O comprometimento do estado geral ocorre quando as miíases não são tratadas e ocorrem reinfestações. Pomadas, líquidos ou spray cicatrizantes acrescidos de inseticidas devem ser usados tanto preventiva como curativamente.

Em bezerros leiteiros, não é aconselhado aplicar ivermectina e seus similares no primeiro dia de vida. É possível observar em várias propriedades produtoras de leite, o aumento na mortalidade de bezerros, especialmente nos esquemas de manejo, em que é feita mais de uma aplicação, em intervalos curtos de tempo.

Processos infecciosos

As onfalopatias infecciosas dos bezerros são todos os processos infecciosos da região umbilical, podendo comprometer um ou vários vasos ou segmentos umbilicais da região extra ou intra-abdominal. Os processos inflamatórios do cordão umbilical, com ou sem herniação, são comuns em bezerros.

Em geral, há uma flora bacteriana mista, que inclui E. coli, Proteus sp., Staphylococcus sp., Actinotnycespyogenes, Fusobacterium necrophorum, Pasteureila sp., Salmonella typhimurium e até os agentes bacterianos da tuberculose.

São causas predisponentes dos processos infecciosos umbilicais:

  • Constituição anatômica anômala;
  • Condições do parto;
  • Tamanho do cordão umbilical exposto;
  • Ambiente contaminado;
  • Bezerros prematuros;
  • Retardo da limpeza lingual por parte da mãe;
  • Tratamentos inadequados com soluções sujas ou contaminadas;
  • Manuseio do umbigo por pessoas leigas;
  • Puxadas ou lambidas bruscas;
  • Traumas em quinas ou cantos dos bezerreiros.

As infecções na região umbilical podem levar a muitas lesões intra-abdominais, bem como a celulite ou a abscedação externa à parede corporal. Elas resultam em inchaço doloroso e aumento de volume palpável dos vasos umbilicais. Pode ocorrer bacteremia com localização em articulações, meninges, olhos, endocárdio e artérias terminais dos pés, orelhas e cauda.

A septicemia resultante de bactérias, que ascendem a partir dos vasos umbilicais ou do úraco, constitui sempre uma ameaça. As complicações tardias envolvem, frequentemente, infecção dos resquícios uracais, disfunção vesical ou infecção recorrente do trato urinário.

A infecção crônica da veia umbilical pode causar abscedação hepática, enquanto a infecção da artéria umbilical pode causar infecção crônica que envolve a bexiga.

O ato cirúrgico muitas vezes complementa o diagnóstico, pois permite a visualização e correção de alterações que não foram diagnosticadas clinicamente. A ultrassonografia é um meio de diagnóstico eficiente na detecção das patologias do umbigo, especialmente na identificação das lesões do úraco, que é a estrutura umbilical mais comumente afetada.

O exame ultrassonográfico, a cirurgia e o exame post mortem constituem excelentes opções para a identificação de anormalidades das estruturas umbilicais. Entretanto, aderências intra-abdominais, observadas durante o ato cirúrgico, nem sempre são diagnosticadas por intermédio do exame ultrassonográfico.

Onfalite

Onfalite é a inflamação da porção externa do umbigo, sendo comum em bezerros com dois a cinco dias de idade e representam cerca de 10% dos problemas umbilicais destes animais. Podem ser agudas, flegmonosas, subagudas ou crônicas encapsuladas ou apostematosas, na maioria das vezes fistuladas, exsudando pus.

O umbigo aumenta de volume, torna-se doloroso à palpação e pode estar obstruído ou drenando a secreção produzida por meio de uma pequena fístula. Acredita-se que o C. pyogenes seja o principal agente da onfalite, mas também são encontrados Streptococcus, Staphylococcus, Pasteurela e outros agentes.

Enquanto as infecções subcutâneas geralmente permanecem circunscritas, levando a formação de abscessos ou fístulas, os agentes, as toxinas ou os produtos metabólicos localizados nos vasos sanguíneos podem alcançar outros órgãos e desencadear poliartrites, endocardites, pneumonias, nefrites, acompanhadas de emagrecimento e desenvolvimento retardado.

Onfaloflebite

Onfaloflebite é o processo inflamatório da veia umbilical e da porção externa do umbigo. A sintomatologia clínica é caracterizada por um aumento de volume no umbigo, com a presença de exsudato, que pode estar ou não exteriorizado. Pode ocorrer dor abdominal e durante a evolução muitas vezes ocorre hepatite, peritonite ou abscesso hepático, devido à ligação que existe entre o sistema porta e o umbigo do recém-nascido.

Pode ser considerada a causa mais frequente de artrite séptica em bezerros, mas não deve ser considerada como a única rota de infecção das artrites hematogênicas.

É mais comum nos animais que não receberam o colostro, e a este respeito tem-se sugerido que a diminuição da acidez do estômago nestes animais, pode facilitar a passagem dos microrganismos, que seriam normalmente destruídos no trato gastrointestinal.

Onfaloarterite

Nas onfaloarterites, que são menos comuns, os abscessos surgem ao longo do trajeto das artérias umbilicais, desde o umbigo até as artérias ilíacas internas.

Os sinais clínicos são semelhantes aos da onfaloflebite: toxemia crônica, subdesenvolvimento e ausência de resposta à antibioticoterapia. O tratamento é a extirpação cirúrgica dos abscessos. As onfaloarterites levam, como consequência extrema da sua infecção ascendente, ao quadro de poliartrite.

Uraquite

Processo infeccioso intra-abdominal que acomete o úraco com ascendência à bexiga. A disseminação da infecção para a bexiga pode resultar em cistite e piúria.

O tratamento preferível também consiste em laparotomia exploratória e remoção cirúrgica dos abscessos. Acredita-se que o maior percentual de ocorrência nas onfalopatias (40,4%) é representado pelas uraquites.

Onfaloarterioflebite

É um processo infeccioso de uma ou duas artérias, conjuntamente com a veia umbilical, ascendente à região abdominal.

Onfalouracoflebite

Esta patologia é um processo infeccioso do úraco e veia umbilical com ascendência intra-abdominal ao fígado e à bexiga e ocorre em 9% dos casos das patologias umbilicais. Nestes casos, também são encontradas e broncopneumonias, abscessos hepáticos, artrites e enterites concomitantemente à leucocitose.

Onfalouracoarterite

É um processo infeccioso do úraco e das artérias umbilicais, com ascendência intra-abdominal à bexiga e à artéria hipogástrica.

Pode ocorrer em 17% das infecções umbilicais e há, concomitantemente, broncopneumonia, lesão hepática, inflamação da bexiga, artrite e raramente enterite.

Panvasculite umbilical

Processo infeccioso de todo o complexo umbilical, comprometendo a veia, as artérias e o úraco. Acredita-se que pode ocorrer em 9% das onfalopatias e o quadro clínico varia de acordo com a patologia intra-abdominal e sua relação com os órgãos ascendentes.

Infecções no umbigo dos bezerros

O diagnóstico das infecções umbilicais tem sido baseado na história clínica e nos achados físicos e hematológicos.

Outros meios de diagnóstico envolvem radiografia abdominal, fistulografia e urografia excretora. A ultrassonografia tem sido utilizada para avaliar as estruturas umbilicais internas. A palpação da região umbilical é utilizada para investigar a existência de onfalite.

Os sinais clínicos são o aumento de volume e a consistência da região umbilical, sensibilidade ao toque e vasos umbilicais endurecidos e espessados em maior ou menor grau.

Inflamação umbilical de bezerro

No caso de inflamação umbilical, deve-se proceder ainda a palpação da cavidade abdominal ventral, utilizando ambas as mãos, para pesquisar a ocorrência de cordões espessados e sensíveis.

Quando estes estiverem direcionados cranialmente, deve-se suspeitar de onfaloflebite e quando se posicionarem caudalmente, de onfaloarterite e uraquite.

Prejuízos econômicos

O prejuízo econômico causado pelas onfalopatias propriamente ditas, e também por aquelas enfermidades secundárias às lesões umbilicais, assumem papel fundamental em qualquer criatório bovino, seja ele leiteiro ou de corte.

Apesar da prevalência de infecções umbilicais nos rebanhos bovinos ser variável, a importância econômica é significativa, mas nem sempre é levada em consideração.

A perda econômica final do criatório com este tipo de problema é obtida pelo somatório dos prejuízos decorrentes dos óbitos, dos custos com medicamentos e assistência veterinária, do retardo no crescimento e da depreciação da carcaça.

Um estudo com objetivo de determinar os impactos das infecções e hérnias umbilicais sobre o ganho de peso corporal e a altura de novilhas criadas em fazendas leiteiras comerciais foi realizado por um período de três meses. O diagnóstico das infecções e hérnias umbilicais foi determinado pela inspeção e palpação da região umbilical.

Os resultados mostraram que durante o terceiro mês de vida, as infecções umbilicais reduziram o ganho médio diário em 96 gramas e o ganho de peso corporal ao final do período em 2,5 kg.

Houve também uma redução no crescimento de 0,7 cm. Os efeitos das hérnias umbilicais sobre o crescimento não foram significativos. Concluiu-se que a prevenção das infecções umbilicais pode melhorar o ganho médio diário de novilhas.

Profilaxia das enfermidades umbilicais

Recomenda-se o corte e a ligadura somente dos cordões umbilicais muito compridos (acima de 10 cm), reduzindo-o para dois centímetros. Em seguida o umbigo deve ser mergulhado, por 30 segundos, em uma solução de álcool iodado a 5%. Este procedimento deve ser repetido por mais três ou quatro dias. A mesma solução pode ser usada em mais de um bezerro, porém ao final do dia deve ser desprezada.

O produto deve ser aplicado sob a forma de imersão para permitir a entrada da solução desinfetante na “luz” do coto umbilical e não somente na parede externa do mesmo.

Lucci (1989), recomenda a desinfecção por emborcação de um vidro âmbar de boca larga, com solução de iodo, constituída por iodo puro, éter sulfúrico e álcool na proporção de 15:10:100. Inspeção diária e uso de spray com antissépticos e repelentes até que o umbigo caia.

Figueirêdo (1999) indica a embebição no iodo (álcool iodado a 10%) antes do corte (20 segundos) e novamente após o corte (1 minuto). Esta prática deve ser repetida duas vezes ao dia, até o terceiro dia e diariamente, até o oitavo dia.

Tratamento do umbigo

Para as infecções umbilicais dos bezerros, é necessário um tratamento geral e outro local.

O umbigo e zonas adjacentes devem ser limpos e desinfectados exaustivamente, o tecido necrosado eliminado e os trombos retirados com cuidado. Os abscessos serão abertos e esvaziados por completo. Na abertura umbilical podem ser colocados preparados antibióticos ou quimioterápicos, nas formas de suspensões, pomadas ou pós.

O tratamento geral pode ser realizado com altas doses de penicilina, sulfonamidas, oxitetraciclinas ou enrofloxacina. As correções cirúrgicas das hérnias umbilicais e as ressecções de estruturas umbilicais infeccionadas são procedimentos comumente utilizados em bovinos.

Para os fibromas umbilicais, o que se recomenda é um tratamento local, que pode ser somente paliativo, ou um procedimento definitivo, com a remoção total por meio do ato cirúrgico corretivo, sem a abertura do abdômen.

Para determinar a melhor forma de tratamento das hérnias, deve-se levar em consideração o tamanho do saco herniário, a largura do orifício herniário, a natureza do conteúdo, a aderência do mesmo ao saco interno e o encarceramento. O tratamento cirúrgico deve ser instituído após ter a certeza de que a resolução espontânea ou métodos não-cirúrgicos não serão suficientes para solucionar o problema.

Esta observação é válida somente para as hérnias com pequeno anel. Outro fator que o cirurgião deve sempre considerar é a possível hereditariedade das hérnias.

A técnica cirúrgica consiste em uma incisão elíptica, reposição do conteúdo herniário e fechamento das bordas do anel. A redução pode ser feita com o saco herniário fechado e, nos casos de presença de aderências, após a sua abertura. Na primeira situação as chances de contaminação bacteriana da cavidade abdominal são menores, porém o risco de recidiva é maior.

No segundo caso, ocorre o contrário: diminuem as recidivas, porém aumentam as possibilidades de peritonite. Para a oclusão do anel herniário deve-se utilizar sutura em jaquetão, somada à invaginação das aponeuroses dos músculos abdominais, através de pontos simples separados e fio não absorvível ou categute cromado.

Em hérnias recidivadas o uso de suturas simples com fio de algodão três zeros, com pontos de relaxamento tem apresentado bons resultados.

De modo geral, o tratamento para as onfalites consiste em exploração e excisão cirúrgicas, podendo ser necessário manter um canal para drenagem temporária. O tratamento precoce, com antibióticos e cuidados auxiliares, pode permitir a resolução antes do desenvolvimento da abscedação e distensão do úraco ou da veia e artérias umbilicais. A exploração intra-abdominal é recomendada para avaliar uma possível extensão interna da infecção.

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Durante o período gestacional as estruturas umbilicais estabelecem a ligação materno-fetal para que haja fornecimento de nutrientes ao feto e sejam feitas trocas gasosas e metabólicas.

Logo após ao parto essas estruturas se rompem, perdem a funcionalidade e originam o coto umbilical, que ainda assim possui importância para as bezerras recém-nascidas devido representar uma “ferida aberta” que serve como porta de entrada de microrganismos do ambiente para o organismo.

Sendo assim, o processo de cura de umbigo representa um cuidado inicial extremamente importante para a saúde das leiteiras e que impacta diretamente seu desenvolvimento futuro.

Neste texto serão discutidos aspectos sobre a anatomia umbilical, consequências das onfalites, cura adequada do umbigo e monitoramento da saúde umbilical. Acompanhe!

 

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Anatomia umbilical e as consequências das onfalites

Conforme demonstrado pela imagem abaixo, a anatomia umbilical é composta por uma veia que se direciona diretamente ao fígado, por duas artérias que se distribuem pelo organismo e pelo úraco que estabelece ligação com a bexiga.

Anatomia do umbigo do bezerro

Conhecer as estruturas que compõem o umbigo das bezerras é essencial para entender as consequências das infecções umbilicais, denominadas também como onfalites.

O desfecho dos quadros de onfalite depende principalmente da estrutura umbilical acometida e da eficiência de processos como a colostragem. O esquema apresentado abaixo expõe as principais consequências das onfalites de acordo com a estrutura umbilical acometida.

Principais consequencias da onfalite em bezerras

Onfalite em bezerros recém-nascidos

Casos de onfalite em bovinos recém-nascidos. (Fonte: Rafael Perez, Grupo Rehagro).

Além da possibilidade de acarretar alterações físicas e fisiológicas no organismo das bezerras, estudos demonstram que os distúrbios gerados pelas infecções umbilicais possuem correlação com redução da produção de leite já na primeira lactação.

Em casos onde a bezerra não foi bem colostrada e desenvolveu onfalite, por exemplo, as consequências são ainda mais graves. Onfalites não diagnosticadas e/ou não tratadas tendem a se complicar, ocasionando septicemia e levando os animais ao óbito.

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Como realizar a cura do umbigo corretamente?

Realizar a cura de umbigo significa imergir o coto umbilical até a sua base em uma substância antisséptica e desidratante. A substância que possui essas características e que é mais recomendada para este processo é a tintura de iodo com concentração a 10%.

Recomenda-se que a cura de umbigo seja feita imediatamente após o nascimento da bezerra, imergindo o cordão umbilical até a sua base na tintura de iodo durante aproximadamente 30 segundos.

A frequência mínima a ser adotada é de 2 vezes por dia, até o dia em que o umbigo seque e se desprenda do abdômen.

A conservação da tintura de iodo ao abrigo da luz solar e da matéria orgânica é essencial para garantir o seu desempenho, visto que o contato do produto com esses fatores reduz a sua bioeficiência.

É por esses motivos que se indica o armazenamento do iodo em um recipiente âmbar (reduz a passagem de radiação solar) do tipo copo sem retorno (evita o retorno de sujidade do ambiente para a tintura).

Processo de cura de umbigo de bezerros com tintura de iodo

Copo sem retorno para armazenamento da tintura de iodo. (Fonte: José Zambrano, Grupo Rehagro)

A tintura de iodo pode ser de origem comercial ou produzida pela própria fazenda. Independente da sua origem, a tintura deve ser de qualidade a fim de promover uma adequada cura de umbigo.

Na tabela a seguir está demonstrada uma fórmula de tintura de iodo 10% para fabricação na fazenda, confira.

Fórmula da tintura de iodo para cura de bezerros

Como fazer a tintura:

  1. Macerar as 75 gramas de iodo metálico e as 25 gramas de iodeto de potássio, diluindo-as em 50 – 100 ml de água destilada.
  2. Acrescentar 900 – 950 ml de álcool absoluto até que a tintura complete 1 litro.
  3. Armazenar todo o volume em um frasco de cor âmbar, tampado e ao abrigo da luminosidade.
  4. Transferir a tintura de iodo para o copo sem retorno quando necessário.

Como saber se a cura do umbigo está sendo eficiente?

A eficiência da cura de umbigo deve ser monitorada constantemente e periodicamente.

Recomenda-se realizar a avaliação do umbigo das bezerras por meio de palpação manual cerca de 15 a 20 dias após o nascimento para averiguar a eficiência do processo de cura de umbigo e detectar possíveis alterações/infecções.

O esperado é que bezerras com umbigo saudável apresentem diâmetro umbilical próximo ao de uma carga de caneta esferográfica. Avaliações a campo tem observado que os animais oriundos de fecundação in vitro (FIV)/ transferência embrionária (TE) têm apresentado um maior diâmetro do umbigo, o que deve ser diferenciado dos casos de onfalite.

Palpações umbilicais realizadas fora do período ideal, ou seja, entre os 15 e 20 dias de idade, não são muito confiáveis, pois antes dessa fase o reconhecimento das estruturas umbilicais internas não é tão fácil e após os 20 dias aumenta-se a tensão da musculatura abdominal das bezerras, dificultando o acesso das estruturas pela palpação.

Durante a palpação deve-se classificar o umbigo em um escore de 0 a 2:

Classificação do escore umbilical de bezerros

Uma meta comumente trabalhada como ideal é de que no mínimo 90% das bezerras avaliadas apresentem escore umbilical 0, ou seja, sem alterações.

Dada a importância da saúde do umbigo, torna-se essencial intensificar e dar prioridade ao processo de cura de umbigo.

Casos de onfalite contribuem para redução do desempenho das bezerras, ocorrência de doenças concomitantes, aumento nos custos com tratamento e redução nas taxas de sobrevivência dos animais. Avaliar a condição umbilical de forma periódica e sistemática através da palpação manual garante o monitoramento da eficiência do processo de cura de umbigo.

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