O f\u00f3sforo \u00e9 componente da mol\u00e9cula de ATP (Adenosina Trifosfato). Ele a<\/span>tua no armazenamento e transfer\u00eancia de energia para as rea\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas e t<\/span>em um importante papel na fotoss\u00edntese e respira\u00e7\u00e3o de plantas. Al\u00e9m disso, o f\u00f3sforo \u00e9\u00a0<\/span>componente dos Fosfolip\u00eddeos. Neste artigo, falaremos sobre a fosfatagem no cafeeiro.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n
A absor\u00e7\u00e3o de P \u00e9 feita por <\/span>difus\u00e3o<\/b>, que \u00e9 caracterizada pelo movimento de \u00edons em dire\u00e7\u00e3o a raiz, em virtude do gradiente de concentra\u00e7\u00e3o gerado na superf\u00edcie radicular. <\/span>O f\u00f3sforo pode ser absorvido pelas formas:\u00a0 HPO<\/span>4<\/span>2-<\/span> e H<\/span>2<\/span>PO<\/span>4<\/span>–<\/span> sendo esta \u00faltima mais absorvida.<\/span><\/p>\n
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Devido aos solos brasileiros serem altamente intemperizados (argila 1:1) e com elevados teores de \u00f3xidos de ferro e alum\u00ednio, ocorre elevada fixa\u00e7\u00e3o do f\u00f3sforo no solo, dessa forma, o solo tem papel de dreno de f\u00f3sforo, n\u00e3o deixando esse nutriente dispon\u00edvel para absor\u00e7\u00e3o pelas plantas.<\/span><\/p>\n
Os sintomas de defici\u00eancia de f\u00f3sforo aparecem inicialmente em folhas velhas, devido a mobilidade desse nutriente.<\/span><\/p>\n
\u00c9 caracterizado por folhas verdes e sem brilho, podem amarelecer e apresentar grandes manchas pardas ou viol\u00e1ceas na ponta e no meio.<\/span><\/p>\n
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A defici\u00eancia de f\u00f3sforo resulta em diminui\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de ATP e NADPH, menor carboxila\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o da RuBP, comprometendo assim a atividade fotossint\u00e9tica das plantas.<\/span><\/p>\n
Para elevar o n\u00edvel de f\u00f3sforo no solo, calcula-se com base na tabela de Souza et al. (2007). Variando a quantidade de P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span> com base no teor de argila e no extrator utilizado.<\/span><\/p>\n
Tabela 1. Valores do fator CT (capacidade tamp\u00e3o de f\u00f3sforo) para estimar a dose do adubo fosfatado, em fun\u00e7\u00e3o do teor de argila no solo, para os m\u00e9todos de Mehlich 1 e resina.\u00a0<\/span><\/p>\n
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Adaptado de Souza et al., 2007.<\/span><\/p>\n
Dessa forma, se um solo possui 40% de argila, e for utilizado o extrator Mehlich 1 \u00e9 necess\u00e1rio utilizar 30 kg P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span>\/ha para elevar 1 mg\/dm<\/span>3<\/span> de f\u00f3sforo.<\/span><\/p>\n
J\u00e1 se o extrator for resina, e o solo possuir o mesmo teor de argila de 40%, \u00e9 necess\u00e1rio utilizar 14 kg P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span>\/ha para elevar 1 mg\/dm<\/span>3<\/span> de f\u00f3sforo.<\/span><\/p>\n
** Quero atingir 25 mg\/dm<\/span>3<\/span> no solo e tenho 18 mg\/ dm<\/span>3<\/span>:<\/span><\/p>\n
25 mg\/dm<\/span>3 <\/span>(quero atingir) \u2013 18 mg\/ dm<\/span>3 <\/span>(tenho no solo) = 7 mg\/ dm<\/span>3 <\/span>(preciso aumentar 7 mg\/ dm<\/span>3 <\/span>).\u00a0<\/span><\/p>\n
De acordo com a tabela utilizando o extrator Mehlich 1 \u00e9 necess\u00e1rio utilizar 30 kg P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span>\/ha para elevar 1 mg\/dm<\/span>3<\/span> de f\u00f3sforo, ent\u00e3o:<\/span><\/p>\n
Elevar 1 mg\/dm<\/span>3<\/span> ______ 30 kg P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span>\/ha\u00a0<\/span><\/p>\n
Elevar 7 mg\/ dm<\/span>3 <\/span>______\u00a0 \u00a0 X<\/span><\/p>\n
X= 210 kg P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span>\/ha <\/span><\/p>\n
** Dessa forma, \u00e9 necess\u00e1rio 210 kg de P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span>\/ha\u00a0<\/span><\/p>\n
Se a fonte utilizada for o Superfosfato simples, que cont\u00e9m 18% de P<\/span>2<\/span>O<\/span>5 <\/span>:<\/span><\/p>\n
100 kg de SS _____ 18 kg de P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span><\/p>\n
\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 X \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 _____ 210 kg de P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span><\/p>\n
\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span>X = 1.166,6 kg de superfosfato simples<\/b><\/p>\n
\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b>X= 1,16 toneladas<\/b><\/p>\n
** Quero atingir 40 mg\/dm<\/span>3<\/span> no solo e tenho 29 mg\/ dm<\/span>3<\/span>:<\/span><\/p>\n
40 mg\/dm<\/span>3 <\/span>(quero atingir) \u2013 29 mg\/ dm<\/span>3 <\/span>(tenho no solo) = 11 mg\/ dm<\/span>3 <\/span>(preciso aumentar 11 mg\/ dm<\/span>3 <\/span>).\u00a0<\/span><\/p>\n
De acordo com a tabela utilizando o extrator Resina \u00e9 necess\u00e1rio utilizar 14 kg P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span>\/ha para elevar 1 mg\/dm<\/span>3<\/span> de f\u00f3sforo, ent\u00e3o:<\/span><\/p>\n
Elevar 1 mg\/dm<\/span>3<\/span> ______ 14 kg P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span>\/ha\u00a0<\/span><\/p>\n
Elevar 11 mg\/ dm<\/span>3 <\/span>______\u00a0 \u00a0 X<\/span><\/p>\n
X= 154 kg P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span>\/ha<\/span><\/p>\n
** Dessa forma, \u00e9 necess\u00e1rio 154 kg de P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span>\/ha\u00a0<\/span><\/p>\n
Se a fonte utilizada for o MAP, que cont\u00e9m 48% de P<\/span>2<\/span>O<\/span>5 <\/span>:<\/span><\/p>\n
100 kg de MAP _____ 48 kg de P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span><\/p>\n
\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0X \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 _____ 154 kg de P<\/span>2<\/span>O<\/span>5<\/span><\/p>\n
\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>X= 320,8 kg de MAP<\/b><\/p>\n
\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/b>X =0,32 toneladas<\/b><\/p>\n
Tabela 2. Fontes de fertilizantes fosfatados que podem ser utilizados:<\/span><\/p>\n
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Estudos sugerem a rela\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica com a diminui\u00e7\u00e3o da adsor\u00e7\u00e3o de f\u00f3sforo no solo, devido a libera\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos que competem com os s\u00edtios de adsor\u00e7\u00e3o de P (Haynes, 1984).\u00a0<\/span><\/p>\n
Uma vez que, os \u00e1cidos possuem cargas negativas, que competem com os fosfatos, aumentando assim a disponibilidade de P para as plantas.<\/span><\/p>\n
A diferen\u00e7a entre os extratores Mehlich 1 e Resina \u00e9 que o m\u00e9todo de Mehlich 1 (\u00e1cido clor\u00eddrico + \u00e1cido sulf\u00farico) utiliza um extrator fortemente \u00e1cido, dessa forma, esse m\u00e9todo pode extrair o f\u00f3sforo ligado ao c\u00e1lcio, que n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para as plantas. Por isso, solos adubados com fosfatos de baixa solubilidade, como fosfatos naturais, e com a utiliza\u00e7\u00e3o desses extratores \u00e1cidos pode extrair quantidades de f\u00f3sforo superiores \u00e0quelas consideradas dispon\u00edveis. Al\u00e9m disso, em solos argilosos, esse mesmo extrator, pode subestimar os valores de P dispon\u00edveis, apresentando valores menores devido ao fato de os extratores serem mais desgastados nesses solos, quando comparados aos solos arenosos (Novais & Kamprath, 1979; Muniz at el., 1987).<\/span><\/p>\n
J\u00e1 o extrator Resina fundamenta-se na premissa de simular o comportamento do sistema radicular das plantas na absor\u00e7\u00e3o de f\u00f3sforo do solo (Raij, 1978). Esse processo gera a adsor\u00e7\u00e3o de P na solu\u00e7\u00e3o nas cargas positivas da resina e, como consequ\u00eancia, h\u00e1 a remo\u00e7\u00e3o do P adsorvido na superf\u00edcie das part\u00edculas do solo. Dessa forma, a resina n\u00e3o superestima a disponibilidade de P em solos tratados com fosfatos naturais, como ocorre com os extratores \u00e1cidos.<\/span><\/p>\n
Este trabalho mostra a efici\u00eancia do extrator resina.<\/span><\/p>\n
Tabela 3. Compara\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos 70 trabalhos (Silva e Raij, 1999)<\/span><\/p>\n
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Fonte: RAIJ<\/span><\/p>\n
Este trabalho mostra o comportamento dos extratores em 4 experimentos de calagem, sendo observado o extrator resina mais sens\u00edvel que o extrator mehlich 1, que n\u00e3o apresentou diferen\u00e7as estat\u00edsticas.<\/span><\/p>\n
Tabela 4. P no solo em experimento de calagem \u2013 com soja \u2013 Ribeir\u00e3o Preto SP.<\/span><\/p>\n
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Fonte: RAIJ<\/span><\/p>\n
A aplica\u00e7\u00e3o do adubo fosfatado \u00e9 realizada normalmente nos meses de outubro e novembro. No entanto, quando necess\u00e1ria a pr\u00e1tica da calagem nos solos, deve-se ficar atento com a aplica\u00e7\u00e3o desse fertilizante.\u00a0<\/span><\/p>\n
Por isso, quando poss\u00edvel \u00e9 recomendada antecipadamente a aplica\u00e7\u00e3o de calc\u00e1rio nos meses de abril\/maio, para que no inicio da safra, setembro e outubro, possa ser aplicado sem problemas.<\/span><\/p>\n
Deve-se aproveitar o per\u00edodo de plantio para aplica\u00e7\u00e3o do f\u00f3sforo no sulco, isso porque esse nutriente apresenta grande intera\u00e7\u00e3o com o solo, dessa forma, nessa fase \u00e9 importante sua coloca\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima as ra\u00edzes do cafeeiro, pois por ser uma cultura perene, dificilmente ter\u00e1 outra oportunidade de coloca-lo neste local.<\/span><\/p>\n
Para essa aplica\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante ter o cuidado somente com a aplica\u00e7\u00e3o do adubo fosfatado com o calc\u00e1rio, devido a sua complexa\u00e7\u00e3o acarretar em indisponibilidade as plantas.<\/span><\/p>\n
A cafeicultura \u00e9 oscilante, mas nos \u00faltimos tempos, as safras t\u00eam ganhado cada vez mais destaque e valoriza\u00e7\u00e3o. Aquele que se prepara, produz mais, lucra mais e j\u00e1 consegue planejar os pr\u00f3ximos passos para que a pr\u00f3xima safra seja ainda mais produtiva.<\/p>\n
Se voc\u00ea busca esse resultado, comece se atualizando com as novas t\u00e9cnicas de mercado.<\/p>\n