{"id":8102,"date":"2020-08-20T14:01:30","date_gmt":"2020-08-20T17:01:30","guid":{"rendered":"https:\/\/rehagro.com.br\/blog\/?p=8102"},"modified":"2023-01-20T11:57:58","modified_gmt":"2023-01-20T14:57:58","slug":"o-papel-das-cooperativas-e-revendas-agricolas-no-custeio-agricola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.rehagro.com.br\/o-papel-das-cooperativas-e-revendas-agricolas-no-custeio-agricola\/","title":{"rendered":"Cooperativas agr\u00edcolas: veja o papel no custeio da lavoura"},"content":{"rendered":"

No caso das cooperativas agropecu\u00e1rias paranaenses, mais de 80% do custeio da lavoura de milho ocorre via Manual de Cr\u00e9dito Rural (MCR), do Banco Central do Brasil (BCB), que prev\u00ea o montante de at\u00e9 R$ 1,2 milh\u00e3o por mutu\u00e1rio e por safra.<\/span><\/p>\n

O sistema cooperativista<\/h2>\n

Conforme consta no cap\u00edtulo 3 \u2013 MCR 3-2-5 \u2013, a taxa de juros \u00e9 de 7,5% a.a. para mutu\u00e1rios enquadrados no Programa Nacional de apoio ao m\u00e9dio Produtor rural (Pronamp\/BNDES) e de 8,75% a.a. para demais produtores. <\/span><\/p>\n

No cap\u00edtulo 5 do MCR h\u00e1, tamb\u00e9m, o cr\u00e9dito para aquisi\u00e7\u00e3o de insumos e de bens para fornecimento a cooperados com recurso controlado, limitado por ano agr\u00edcola a R$ 500 mil por cooperado. <\/span><\/p>\n

As cooperativas, com atua\u00e7\u00f5es em toda a cadeia produtiva do milho<\/strong><\/a>, conseguem levantar a demanda por recursos dos cooperados que cultivam o cereal, o suporte atrav\u00e9s da assist\u00eancia t\u00e9cnica que conta com mais de 2.200 profissionais \u2013 1.500 engenheiros agr\u00f4nomos \u2013 fazem a transfer\u00eancia de tecnologia, via extens\u00e3o rural e assessoramento t\u00e9cnico de planejamento da produ\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n

Com base em levantamento feito por esses profissionais, a cooperativa se articula junto aos agentes financeiros para levantar o montante de recursos de cr\u00e9dito rural<\/strong> para aquisi\u00e7\u00e3o de insumos em larga escala e repasse posterior aos cooperados.<\/span><\/p>\n

\"M\u00e3o<\/p>\n

Os agentes mais atuantes no agroneg\u00f3cio paranaense s\u00e3o o Banco do Brasil, a Sicredi (cooperativa de cr\u00e9dito) e a Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF)<\/strong>, sendo este \u00faltimo mais recente na oferta de recursos para cr\u00e9dito rural. <\/span><\/p>\n

Via de regra, os recursos de cr\u00e9dito rural de \u201cpr\u00e9-custeio\u201d, levantados nos bancos, propiciam uma negocia\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel junto \u00e0s ind\u00fastrias de agroqu\u00edmicos, fertilizantes e sementes, pois o pagamento \u00e9 realizado \u00e0 vista, com recursos do cr\u00e9dito rural. <\/span><\/p>\n

As compras s\u00e3o antecipadas e as campanhas de venda para a safra de ver\u00e3o (semeada a partir de setembro) s\u00e3o realizadas nos meses de maio e junho e, a partir de 1\u00ba de julho, j\u00e1 podem se transformar em financiamentos, dentro do plano agr\u00edcola e pecu\u00e1rio do governo federal.<\/span><\/p>\n

Nas regi\u00f5es do estado com forte participa\u00e7\u00e3o de cooperativas, os fertilizantes<\/strong><\/a>, sementes, herbicidas<\/strong><\/a>, inseticidas e fungicidas necess\u00e1rios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do milho chegam aos produtores em condi\u00e7\u00f5es mais vantajosas quando comparadas a regi\u00f5es em que as cooperativas t\u00eam menor presen\u00e7a. <\/span><\/p>\n

Desse modo, ressalta-se que opera\u00e7\u00f5es de troca, ou <\/span>barter<\/span><\/i>, em ingl\u00eas, s\u00e3o menos difundidas no Sul do Brasil, especialmente no Paran\u00e1, onde o Sistema Cooperativista responde por 56% da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do estado. Tamb\u00e9m, 92% dos produtores rurais da regi\u00e3o s\u00e3o considerados pequenos e m\u00e9dios<\/strong>, cultivando at\u00e9 100 hectares, sendo plenamente atendidos pelo Sistema Nacional de Cr\u00e9dito Rural (SNCR\/BCB) \u2013 custeios da safra.<\/span><\/p>\n

O papel das revendas agr\u00edcolas<\/h2>\n

Para o agroneg\u00f3cio brasileiro <\/span>“Barter”<\/span><\/i>, representa um mecanismo de financiamento de safras<\/strong> consistente na aquisi\u00e7\u00e3o de insumos agr\u00edcolas pelo produtor rural, junto \u00e0s agroind\u00fastrias, ind\u00fastrias de insumos, tradings, exportadoras ou distribuidoras de insumo, para pagamento, no per\u00edodo p\u00f3s safra, com o pr\u00f3prio produto de sua safra. <\/span><\/p>\n

Logo, o <\/span>barter<\/span><\/i> \u00e9 a troca de insumos para produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola normalmente adquiridos antes do plantio, para utiliza\u00e7\u00e3o, na pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, com pagamento a ser realizado posteriormente \u00e0 colheita<\/strong><\/a>, utilizando-se como moeda, parte dos mesmos produtos colhidos.<\/span><\/p>\n

Entretanto, n\u00e3o se trata de uma simples negocia\u00e7\u00e3o de troca ou escambo. Ao contr\u00e1rio, caracteriza-se pela formata\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es complexas e bem aparelhadas<\/strong>, que s\u00e3o normalmente liquidadas financeiramente pela parte interessada nos produtos agropecu\u00e1rios.<\/span><\/p>\n

O chamado <\/span>“offtaker”<\/span><\/i> que para a seguran\u00e7a da opera\u00e7\u00e3o, trava o pre\u00e7o das <\/span>commodity<\/span><\/i> via <\/span>“hedge”<\/span><\/i> em bolsas de mercadorias nacionais e internacionais, contando por vezes, com a presen\u00e7a de uma institui\u00e7\u00e3o financeira apta a antecipar o pagamento de toda a opera\u00e7\u00e3o aos compradores.<\/span><\/p>\n

O barter<\/em> no mercado brasileiro<\/h3>\n

O <\/span>barter<\/span><\/i> surgiu no Brasil no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, com o interesse das <\/span>tradings<\/span><\/i> (empresas comercializadoras de gr\u00e3os) em neg\u00f3cios de compra e venda de soja no Centro-Oeste. <\/span><\/p>\n

Atualmente, \u00e9 um mecanismo muito reivindicado por produtores agr\u00edcolas em fun\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a negocial e da prote\u00e7\u00e3o contra oscila\u00e7\u00f5es cambiais ou de pre\u00e7o das commodities agr\u00edcolas<\/strong> produzidas e previamente negociadas.<\/span><\/p>\n

Normalmente, a liquida\u00e7\u00e3o financeira do <\/span>barter<\/span><\/i> \u00e9 feita diretamente pela parte interessada nos produtos agropecu\u00e1rios, e como o pagamento ocorre somente a longo prazo, ap\u00f3s a colheita e entrega dos produtos, normalmente a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 estruturada por um banco que antecipa os recursos ao fornecedor de insumos. <\/span><\/p>\n

Ap\u00f3s o recebimento dos gr\u00e3os, as empresas que forneceram os insumos os direcionam \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o ou \u00e0 ind\u00fastria, que, por sua vez, quitam a opera\u00e7\u00e3o financeira junto aos bancos.<\/span><\/p>\n

Um dos grandes diferenciais das opera\u00e7\u00f5es envolvendo <\/span>barter<\/span><\/i> \u00e9 o travamento de pre\u00e7os (<\/span>hedge<\/span><\/i>), estrat\u00e9gia de negocia\u00e7\u00e3o que significa a garantia de margem de lucro<\/strong><\/a> para todos os envolvidos. <\/span><\/p>\n

Dentre os diversos benef\u00edcios e vantagens apresentados por este tipo de opera\u00e7\u00e3o a todo o sistema de financiamento do agroneg\u00f3cio, destacam-se: <\/span><\/p>\n